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Livro historia da arte na sociologia - fundamentos semióticos

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Text of Livro historia da arte na sociologia - fundamentos semióticos

  • 1. Histria da Arte Fundamentos Semiticos

2. Coordenao Editorial Irm Jacinta Turolo Garcia Assessoria Administrativa Irm Teresa Ana Sofiatti Assessoria Comercial Irm urea de Almeida Nascimento Coordenao da Coleo Humus Luiz Eugnio Vscio Humus 3. Histria da Arte Fundamentos Semiticos Elaine Caramella 4. Rua Irm Arminda, 10-50 CEP 17044-160 - Bauru - SP Fone (0XX14) 235-7111 - Fax 235-7219 e-mail: [email protected] EDITORA DA UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAO Copyright 1998 EDUSC C259h Caramella, Elaine Histria da Arte: fundamentos semiticos: teoria e mtodo em debate / Elaine Caramella. - Bauru, SP : EDUSC, 1998. 218p.; 18cm. -(Coleo Humus). ISBN 85-86259-22-5 Inclui bibliografia. 1. Semitica e as artes. I. Ttulo. II. Srie. CDD-701.1 5. Dedico este livro mestra e amiga Samira Chalhub: ponta-de-lana no mundo da linguagem; estrela de to grande esplendor e generosidade que, com certeza, continuar a brilhar, onde quer que esteja. 6. Agradeo. Aos amigos: Lucrcia, Paulo, Chiara, Terezinha e Ana Silvia; a acolhida cari- nhosa de todo o pessoal da EDUSC - em especial, Luiz Eugnio, Vitor, Carlos e Luzia; ao CNPQ pela concesso de bolsa- produtividade; aos meus alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNESP. 7. 09 Apresentao: Lucrcia DAlessio Ferrara 15 Introduo: Tudo o que pro- duzido em pintura, arquitetura, escultura, etc. arte? 21 Captulo 1: Os primrdios da Histria da Arte: os tratadistas e a discusso teoria e prtica 24 I. Artes mecnicas e artes liberais 28 II. Retorizao e experincia sensria 31 III. A unificao das artes 35 IV. Os enciclopedistas e o retorno s artes mecnicas e liberais: a fragmentao teoria e prtica 39 Captulo 2: Histria da Arte e Cincias da natureza 39 I. Periodizao: tempo e espao absoluto 45 II. A fundao da cincia moderna: a aliana com a teologia 47 III. Mtodo e modelo 53 IV. Erwin Panofsky e Henrich Wollflin: rupturas e paradoxos 7 SUMRIO 8. 65 Captulo 3: Regularidades artsti- cas e procedimento artstico 65 I. Linguagem e cdigo 67 II. Linguagem e representao 85 III. Material e materialidade da obra de arte 113 Captulo 4: Evoluo e aumento de complexidade: por uma Histria da Arte Interdisciplinar 113 I. Histria da Arte e mtodo da descoberta 119 II. A longa durao 124 III. A irreversibilidade 129 IV. A instncia emprico-analtica 139 Captulo 5: Histria da arte interdisciplinar e procedimento artstico 139 I. Imagem material e procedimento artstico 145 II. Histria da Arte e procedimento artstico 151 III. Rascunhos de uma histria 193 Concluso: guisa de ...FIM(?) 195 Bibliografia 215 Crditos 8 9. AAluna do Programa de Ps-Graduao em Comunicao e Semitica da PUCSP, Elaine Caramella apresentou, em 1986, seu mestrado que tinha como ttulo Viver, Fingir, Representar, parcialmente publica- do com o ttulo Tarsila do Amaral e Cacilda Becker: Biografemas em Biografia: Sintoma da Cultura (S.P., CESPuc e Hacker Ed., 97). Em 1994, apresentou, junto ao Curso de Ps-Graduao da FAUUSP, o doutorado que tinha como ttulo Linguagem: Materiais e Procedimentos. Nas duas oportunidades, figurei como ori- entadora das pesquisas. Agora, Elaine est publicando este Histria da Arte: funda- mentos semiticos e, mais uma vez, estou envolvida tentando apresentar o trabalho. Mais do que cumplicidade pessoal, trata-se, de um lado, de interesse comum orientado pela vontade de conhecer, origem da cincia, e de outro, pela relao docncia/ pesquisa dominada pela curiosi- dade o que permite docncia fugir da roti- na para transformar-se em estmulo e figura inseparvel da pesquisa. Inspiradas por esse interesse comum, as palavras fluem fceis e 9 APRESENTAO 10. so a lembrana de experncias palmi- lhadas em comum e de troca de infor- maes inseguras sujeitas a riscos e desvios, porque decorrentes de impresses e sentimentos que atuam como germes de hipteses pacientemente perseguidas. Pesquisa que faz da sala de aula ou das sesses de orientao um simulacro do laboratrio. Essa procura comum me leva a apresentar o trabalho resultante como exemplo de um exerccio singular. A questo que deu origem pesquisa e que surge na prpria introduo da autora nada tem de original ou nova, porque reflete uma antiga questo: que arte, inde- pendente do suporte sgnico de partida? A procura de uma resposta aplicada levou Elaine Caramella a percorrer os primrdios da produo artstica plstica presentes na pintura, na escultura e na arquitetura e j estudados pelos tratadistas: Vitrvio, Cennini, Alberti, Piero Della Francesca e Vasari e, entre os enciclopedis- tas, Diderot e DAlembert. Essa procura contamina o trabalho de forte tom erudito, mas necessrio para que o leitor perceba o fio condutor da indagao. Qual o ele- mento especfico da produo plstica e, 10 11. em consequncia, capaz de unific-la? A resposta clara e antolgica: o desenho o signo da pintura, da escultura e da arquite- tura. Mas o que desenha o desenho? Ou, qual o objeto desse signo, desenho? As perguntas se sucedem e esse encadea- mento que d origem e volume pesquisa. Trabalhar a sensibilidade para perceber esse desenvolvimento e fisgar seus momen- tos chave constituem as credenciais que identificam o pesquisador e lhe permitem ultrapassar a fase de iniciao para atingir a maturidade que lhe autorizar o vo autnomo e responsvel pelas suas prprias descobertas. Assim foi o caminho percorri- do por Elaine. Nas etapas desse caminho evidenciou os entraves das dissociaes entre verossmil e inverossmil, real e imaginrio, forma e contedo, arte e cincia, norma e ruptura, prtica e teoria, para culminar nas clssicas dicotomias racionalistas entre essncia e existncia, absoluto e relativo. O confronto com pensadores do nosso sculo lhe permite redimensionar a questo inicial e superar a verossimilhana como objeto ou objetivo do desenho e entender a pro- duo plstica como linguagem feita de 11 12. procedimentos inventados a partir das prprias conquistas presentes nos suportes da pintura, escultura ou da arquitetura. Da madeira tela, do claro ao escuro, da som- bra luz, do mrmore e do bronze aos filamentos de luz, da terra alvenaria, ao concreto, ao vidro, ou ao ao, do esttico ao movimento, do eltrico ao eletrnico. Materiais que sugerem outros e impon- derveis procedimentos que transformam a arte e o conceito de arte. Impossvel prosseguir nas classificaes desejadas pelos tratadistas quando a transformao impe o dinamismo e a ruptura mais constante e dinmica do que a norma, o estilo e as classificaes. A arte inventa-se de modo impreciso e cria um outro proces- so de recepo mais atento aos estmulos perceptivos estranhos que procura pro- duzir, exige-se uma percepo difcil da arte que se tece entre materiais e procedi- mentos, entre suportes e contedos como unidades indissolveis. A Histria da Arte renova-se, perde o parmetro do juzo cronolgico, para aderir aos cortes sin- crnicos; de uma lgica causal e linear, parte-se para a aventura de uma lgica rela- cional onde a Histria da Arte adere irre- 12 13. versibilidade da histria, mais interdiscipli- nar do que disciplinar, mais cincia medi- da em que acrescenta de valor artstico. Uma Histria da Arte onde o semitico interfere como predicativo da histria e da prpria arte: uma Histria Semitica da Arte, de informao obrigatria para todos aqueles que se dedicam a esta rea de investigao. Uma Histria Semitica da Arte a contribuio de Elaine Caramella para os estudos artsticos, proposta que tenho o prazer e honra de apresentar, trabalho sujeito a louvores e a crticas que assumo em conjunto e em nome de um vnculo que vai muito alm de uma simples orientao ocasional de pesquisa. Lucrcia DAlessio Ferrara Fevereiro, 98 13 14. 15 INTRODUO E Tudo o que produzido em pintura, arquitetura, escultura etc., arte? Este livro resultado de vrios anos de dvidas, desconfianas, frutos da dialtica docncia-pesquisa. Desde a aparente fala ingnua de um estudante de Graduao fala daqueles que so, de fato, especialistas no assunto, sempre incomodou a idia que qualquer coisa feita em pintura, arquitetura, escultura etc., fosse arte. Muitas vezes, produes absurdamen- te gratuitas, sem qualquer conscincia de historicidade esttica colocam-se como arte. Outras tm valor de antigidade, por- tanto, um valor temporal, importantes como fonte histrica, sem dvida, mas, por serem to antigas, so artsticas? Ou, tudo que tem valor histrico, como parte do patrimnio cultural da humanidade artstico? No caso da Arquitetura, as coisas parecem se com- plicar. Toda construo arquitetura? Ou tudo o que a arquitetura produz artstico? Afinal, o que vem a ser arte? No se trata de um valor atribudo pela crtica que, 15. por sua vez est assentada em teorias diver- sas? Existe um nico conceito? E este pos- svel conceito nico um a priori para qualquer produo das chamadas grandes artes do desenho? A partir da Revoluo Industrial, assis- timos a uma multiplicao de cdigos e fundao de novas linguagens. Como fica a situao dessas novas linguagens como o cinema, cartaz, fotografia, televiso, pro- paganda etc.? Elas por si s so arte? Ou arte est apenas ligada idia de artesanal e objeto nico? No poderamos pensar que cada obra produz um procedimento artstico e que este no passvel de gene- ralizao? Acreditvamos, inicialmente, que os historiadores da arte, assim como as teo- rias da arte pudessem nos esclarecer. Um dos caminhos buscado foi o dos grandes panoramas histricos . Mas a nos depara- mos frente a outros tantos obstculos. Entre eles, a idia de que a arte confunde-se com a de estilo. Assim, apesar de essas noes - arte e estilo - serem bastante espinhosas, elas iro aparecer nos estudos histricos da arte ora como sinnimas, ora com rtulos diferentes, mas com o mesmo significado. 16 16. No jogo em que tal coisa igual a tal coi- sa, arte ora reflexo social e o estilo um sistema de representao (Cf. Hauser A.); ora expresso da personalidade do artista (Cf. Gombrich); ora a expresso do tem- peramento nacional, individual ou de uma poca, mas tambm pode ser uma unidade e regul