Consciência Limitada

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O artigo demonstra a importância de construir um Sistema de Informação para suportar o processo de tomada de decisão de uma organização visando superar a "Consciência Limitada".

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  • 1. Conscincia LimitadaA falta de informaes pode adiar a tomada de decisoquot;Ningum pode voltar atrs e fazer um novo comeo, mas qualquer um pode comearagora e fazer um novo fimquot;. Francisco Xavier O fenmeno da conscincia limitada leva o indivduo a ignorar informaes crticas na hora de decidir algo. fundamental para a correta tomada de deciso ampliar esses limites antes de tomar uma deciso importante para no ser pego de surpresa por fatores imprevistos.Diante deste desafio, a metodologia SAS (Strategic Activity System) apresenta uma abordagem que parte do processo de planejamento e definio da estratgia de negcio da organizao, auxilia a comunicao e promove a colaborao entre os integrantes da organizao para a implementao da estratgia de negcio, proporciona o alinhamento e a busca da otimizao visando o mximo desempenho, permite a priorizao e a definio das iniciativas a serem executadas, faz a medio e a monitorao em tempo real do desempenho na execuo e dos fatores externos que podem influir neste desempenho e auxilia a anlise e a antecipao de tendncias de desvio do desempenho esperado, sem esquecer a consequente retroalimentao, uma vez que entende este ciclo como sendo contnuo.Prof. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com)

2. Figura 1 Comunicado da Merck sobre a retirada do medicamento Vioxx Em setembro de 2004 (no Brasil, tal fato ocorreu em outubro de 2004, conforme ilustrao da Figura 1), quando a indstria farmacutica Merck (http://www.merck.com), fundada em 1898, retirou o medicamento Vioxx (http://www.merck.com/newsroom/vioxx) lanado em 1999, seu medicamento de maior sucesso contra a artrite, do mercado, apesar dele ter sido aprovado aps passar por todo o processo de desenvolvimento e teste de medicamentos descrito na Figura 2, devido suspeita de que o antiinflamatrio causava infartos e derrames, mais de 100 milhes de receitas j tinham sido emitidas s nos Estados Unidos. Prof. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com) 3. Figura 2 - Processo de teste de novos medicamentos Calcula-se, hoje, que o Vioxx, somente nos Estados Unidos da Amrica (EUA) possa estar ligado a um nmero de casos de infarto e/ou derrame entre 88 mil e 139 mil. Mais de mil processos j foram abertos contra o laboratrio. Indcios sobre os riscos do medicamento circulavam publicamente desde novembro de 2000, quando o New England Journal of Medicine (http://nejm.org) relatou que o nmero de vtimas de infarto do miocrdio era quatro vezes maior entre gente medicada com o Vioxx (rofecoxibe) do que com o naproxeno. O naxopreno a substncia ativa do medicamento Naprosyn, utilizado como um antiinflamatrio (reduz a inflamao) com ao analgsica (alvio da dor) e antitrmica (reduz a febre). Em 2001, um relatrio da Merck s autoridades sanitrias americanas indicou que 14,6 % dos usurios do Vioxx haviam tido problemas cardiovasculares durante o uso; em 2,5 % dos casos tal problema fora srio, incluindo ataques cardacos. Se os riscos do remdio tinham sido divulgados em 2000 e 2001, por que tantos mdicos seguiam receitando o medicamento?Pesquisas em cincias sociais j mostraram que o tomador de deciso ignora, sem perceber, informaes crticas. Um mdico, como qualquer um, um processador de informaes imperfeito. Trabalha com prazos apertados e deve tomar decises de vida ou morte em circunstncias muito ambguas. No caso do Vioxx, o retorno que os mdicosProf. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com) 4. recebiam de seus pacientes em geral era positivo. E, como sabemos agora, a equipe de vendas do medicamento assumiu posturas antiticas para que o Vioxx parecesse mais seguro do que realmente era, investindo massivamente em publicidade conforme demonstra a Tabela 1.1Vioxx (Merck)US$ 171 milhes2 Celebrex (Pharmacia) US$ 133 milhes3 Clarinex (Schering-Plough) US$ 132 milhes4 Bextra (Pharmacia) US$ 120 milhes5 Prevacid (TAP) US$ 101 milhes6 Zocor (Merck)US$ 86 milhes7 Nexium (Astra Zeneca)US$ 85 milhes8 Lipitor (Pfizer) US$ 84 milhes9 Allegra (Aventis)US$ 82 milhes10Zoloft (Pfizer)US$ 81 milhes Tabela 1 - 10 maiores gastos em publicidade (EUA, 2002) A indstria farmacutica gasta quase duas vezes mais em publicidade que em pesquisa e desenvolvimento; no obstante, os consumidores no sabem onde vai este dinheiro, assinala Richard Lloyd, diretor geral do Consumers International (CI), adicionando que a regulao da publicidade dos medicamentos deve ser revista para obter mais transparncia de parte das organizaes farmacuticas. S ento, diz Lloyd, os consumidores podero tomar decises adequadas e independentes a respeito dos produtos farmacuticos que compram. Prof. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com) 5. Calcula-se que at 20 % do faturamento do remdio seja destinado a essa finalidade. Isso inclui vrias frentes de trabalho, como as que atuam junto aos mdicos e s farmcias, alm da publicidade e propaganda direta ao consumidor, quando possvel. A publicidade direcionada para mdicos inclui de prosaicos jogos de canetas e blocos a viagens de primeira classe para o exterior, com direito a acompanhante e a hospedagem em hotis cinco-estrelas. Logo, apesar do acesso as informaes sobre os riscos latentes do Vioxx, os mdicos at quem lera o artigo do New England Journal of Medicine talvez tenham ficado cegos para a verdadeira extenso do perigo. medida que rarearam as manchetes dos jornais sobre o anncio do recall feito inicialmente pela Merck em 30 de setembro de 2004, surgiram especulaes em torno de um possvel litgio, extenso da responsabilidade da Merck e implicaes financeiras decorrentes da retirada do mercado de um medicamento usado por mais de 20 milhes de pessoas. Os holofotes agora apontam para antigas suspeitas em relao ao Vioxx, advertncias prvias do Food and Drug Administration (FDA), que pode ser acessada pela URL www.fda.gov, sobre possveis complicaes cardiovasculares ocasionadas pelo remdio, alm de esforos da prpria organizao em informar o pblico sobre possveis riscos decorrentes do uso do Vioxx. E por que a diretoria da Merck permitiu que o Vioxx seguisse no mercado por tanto tempo? O que os executivos da Merck sabiam, e desde quando sabiam?, indaga Andrew Metrick, professor de Finanas da Wharton (www.wharton.upenn.edu). Ser que estavam informados e cientes do que estava acontecendo? Ser que fizeram o melhor que podiam para impedir que as ms notcias fossem divulgadas? Esse o X do problema. Interrogaes desse tipo dominaro a cena em incontveis disputas nos tribunais. Indcios sugerem a falsificao dos fatos pelo pessoal de vendas, mas bem possvel que certos integrantes da cpula da organizao no tivessem entendido at que ponto o medicamento era nocivo aos seus usurios. Tais situaes ocorrem devido falta de um sistema de informao que elimine a existncia do Iceberg da Ignorncia, conforme demonstrado na Figura 3. Prof. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com) 6. Figura 3 Iceberg da IgnornciaFonte: Richard C. Whiteley Com efeito, muita gente respeitada no mercado farmacutico saiu em defesa do senso tico do ex-presidente executivo e do conselho da Merck, Sr. Raymond V. Gilmartin, que, segundo tais fontes, teria retirado do mercado o Vioxx se estivesse convencido de que o medicamento era letal. Embora, altos executivos sejam, em ltima anlise, responsveis por aquilo que ocorre na organizao, o lapso talvez resida mais na qualidade do processo decisrio do que numa postura antitica deliberada.A deciso da Merck de recolher imediatamente o Vioxx baseou-se na anlise de dados novos colhidos durante trs anos como parte do que a organizao chamou de estudo clnico prospectivo, randmico, controlado com placebo, cujo objetivo era o de avaliar a eficcia do Vioxx na preveno da recorrncia de plipos colorretais em pacientes com histrico desse problema. Durante o estudo, a Merck colheu tambm dados cardiovasculares dos 2.600 pacientes voluntrios; metade deles tomou 25 miligramas de Vioxx ao dia; a outra metade tomou o placebo. Depois de 18 meses, o grupo que tomou o Vioxx apresentou maior propenso ao infarto e ao derrame. No foi detectado um risco maior nos primeiros 18 meses, informou a empresa, acrescentando Prof. Ivan Luizio Magalhes (ivan_luizio@hotmail.com) 7. que os resultados apurados so semelhantes aos resultados de dois estudos controlados por placebo referidos na bula atual do Vioxx nos EUA.De acordo com Robert E. Mittelstaedt, reitor da W. P. Carey School of Business, da Universidade do Estado do Arizona, e ex-reitor de educao executiva da Wharton, um dos principais fatores que contribuem para o sucesso de uma organizao em meio a uma crise que, diferentemente das demais, ela compreende que as informaes apresentadas podem no ser do seu agrado [...] A Merck poderia ter tentado racionalizar os dados encarando-os como algo cujo desfecho talvez pudesse ser diferente, porm a empresa preferiu entend-los tal como se apresentavam, e partiu para a ao, diz Mittelstaedt, autor de um livro sobre crise de gesto intitulado Seu prximo erro ser fatal? Como evitar uma srie de erros que pode destruir sua organizao (Will your next mistake be fatal? Avoiding the chain of mistakes that can destroy your organization). Essa a diferena. A diferena o ponto de partida.Para muitos, a questo mais importante talvez seja a definio de ponto de partida, aquele instante em que soou o sinal de alerta para o Vioxx. A partir do momento em que o FDA aprovou o uso do Vioxx nos casos de osteoartrite e alvio contra dor h cinco anos, os pesquisadores j advertiam que pacientes usurios de remdios classificados como COX-2, em que esto presentes inibidores seletivos antiinflamatrios no-esterides, ou simplesmente inibidores COX-2 o Vioxx est nesta classe , estavam mais propensos ao infarto e ao derrame. Um estudo veiculado pela imprensa, conduzido pelo presidente do Departamento de Farmacologia da Universidade da Pensilvnia, Garret A. Fitzgerald, advertia inicialmente que os inibidores COX-2 aparentemente suprimiam a defesa do organismo contra a formao de cogulos,