Dissertação vanessa-almeida

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  • 1. A INTERPRETAO DE TEXTO COM BASE NOS FATORES DE COERNCIAVanessa Chaves de AlmeidaUFRJ/2005

2. A INTERPRETAO DE TEXTO COM BASE NOS FATORES DE COERNCIApor Vanessa Chaves de Almeida Departamento de Letras VernculasDissertao apresentada como exigncia parcial para obteno do grau de Mestre em Letras Vernculas, sub-rea Lngua Portuguesa, sob orientao da Prof Dr Leonor Werneck dos Santos.UFRJ/ Faculdade de Letras/ Ps-graduao Setembro de 2005 3. DEFESA DE DISSERTAOALMEIDA, Vanessa Chaves de. A interpretao de textos com base nos fatores de coerncia. Rio de Janeiro, Faculdade de Letras/UFRJ, 2005. Dissertao de Mestrado em Lngua Portuguesa.BANCA EXAMINADORAProfessor Doutor Leonor Werneck dos Santos UFRJ OrientadoraProfessor Doutor Agostinho Dias Carneiro UFRJProfessor Doutor Maria Tereza Gonalves Pereira UERJProfessor Doutor Maria Aparecida Lino Pauliukonis UFRJProfessor Doutor Armando Gens UERJ/UFRJDefendida a Dissertao Em: 2 de setembro de 2005 4. Aos meus pais, meus primeiros educadores.Aos meus professores, que acreditaram e apostaram em mim, mesmo sem perceber.Aos meus alunos, que me fizeram ser e sentir professora e verdadeiramente educadora. 5. AgradecimentosAgradeo ao Ser Superior, que a razo do meu viver. Ele me capacita a enfrentar os obstculos da vida. O mrito deste trabalho Lhe pertence. minha orientadora Leonor Werneck dos Santos, que aceitou o desafio de enveredar por caminhos pedregosos como este, e por ser a amiga que sempre me incentivou e depositou confiana em mim.Aos professores do CAp UERJ, CEFET, CMRJ e CP II, que aceitaram participar desta pesquisa, respondendo anonimamente as perguntas do questionrio que compe um corpus desta pesquisa.Ao professor Armando Gens, por ter me incentivado e mostrado luz nas primeiras idias desta pesquisa.s professoras Grazielle Furtado Alves da Costa, Maria Helena Corra Grillo e Maria Span, por algumas sugestes e por compartilhar os mesmos questionamentos.Ao amigo Camilo Braga Gomes, por toda a ajuda prestada no que se refere ao meu instrumento de trabalho, computador, e pelo incentivo incondicional.A todos os amigos que me apoiaram e me incentivaram a desenvolver este trabalho. Aos que oraram para que ele fosse realizado com xito e foram consolo nos momentos mais difceis. Seus nomes no constam nessas pginas, mas esto escritos no meu corao. 6. Ensinar um exerccio de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, no morre jamais...(Rubem Alves)* 7. SINOPSE Concepes de texto, leitura e interpretao. Os fatores de coerncia como instrumento de interpretao de texto. A interpretao de texto na tica docente: anlise de questionrios. Anlise de questes de interpretao dos vestibulares da UERJ, UFF e UFRJ. 8. Sumrio1. Introduo ...................................................................................................10 2. Pressupostos tericos .................................................................................13 2.1. A concepo de texto .......................................................................... 13 2.2. Leitura, Compreenso e Interpretao ................................................ 17 2.3. A relao entre sentido e os fatores de coerncia .............................. 20 2.3.1. Construo de sentido por Beaugrande & Dressler .................... 23 2.3.1.1. Situacionalidade ............................................................ 24 2.3.1.2. Informatividade .............................................................. 24 2.3.1.3. Intertextualidade ............................................................ 25 2.3.1.4. Intencionalidade ............................................................. 25 2.3.1.5. Aceitabilidade ................................................................ 26 2.3.2. Fatores de coerncia por Koch &Travaglia ................................. 26 2.3.2.1. Elementos lingsticos ................................................... 27 2.3.2.2. Conhecimento de mundo ............................................... 27 2.3.2.3. Conhecimento partilhado ............................................... 28 2.3.2.4. Inferncia ....................................................................... 28 2.3.2.5. Fatores de Contextualizao ......................................... 29 2.3.2.6. Focalizao .................................................................... 29 2.3.2.7. Consistncia e Relevncia ............................................ 30 2.3.3. Os fatores de coerncia na construo dos sentidos dos textos 31 3. O ensino de Interpretao .......................................................................... 32 3.1. Como se desenvolveu a pesquisa ...................................................... 32 3.2. O que os professores pensam sobre a Interpretao ......................... 35 3.3. Novo olhar sobre os fatores de coerncia ........................................... 49 3.3.1.Conhecimento prvio ................................................................... 52 3.3.2.Contextualizao .......................................................................... 56 3.3.3. Inferncia ..................................................................................... 60 3.3.4. Intencionalidade .......................................................................... 66 3.3.5. Intertextualidade .......................................................................... 69 9. 4. Consideraes finais .................................................................................. 75 Referncias bibliogrficas .......................................................................... 77 Bibliografia consultada ............................................................................... 81 Resumo ...................................................................................................... 85 Abstract ...................................................................................................... 86 Anexo ......................................................................................................... 87 10. 1. IntroduoNo novidade que interpretar importante na vida de qualquer indivduo, pois a interpretao, no sentido amplo da palavra, deve estar presente em todo ato de comunicao. O ser humano expressa seus pensamentos para ser entendido pelo outro, mas, para que isso acontea, no basta que os interlocutores saibam a mesma lngua, pois a lngua exprime apenas uma parte do que se quer transmitir (Perini, 2000:58). Muitas vezes o outro (o interlocutor) no entende um texto, porque no partilha conhecimentos prvios, como conhecimento de mundo, contexto em que o texto foi produzido, relaes intertextuais etc. Dessa maneira, ele no consegue interpretar o texto, ou seja, abstrair o sentido, ou ainda, interagir com o autor. Ao pensar em interpretao na escola, verifica-se que consenso entre os professores que a interpretao importante, no entanto nem todos sabem o que deve ser ensinado sobre ela e como. Se um professor tem que ministrar uma aula de interpretao, geralmente, leva um texto sobre o qual se limita a fazer perguntas. Perini (2000) comenta que s vezes o aluno l um texto, mas no entende, e o professor aconselha que releia com ateno, mas ler e reler no vai adiantar, se o aluno no tem as informaes necessrias para entender o texto. Os professores nem sempre sabem o que ensinar para levar os alunos a interpretar melhor. Carneiro (1997:130) declara que existem trabalhos que apresentam algumas formas de trabalhar com o texto, trabalhos que abordam de forma fragmentada grande variedade de elementos textuais, (...) coeso, coerncia, modos de organizao discursiva, argumentao, persuaso, anfora, catfora, implicitao, pressuposio, etc., mas que ainda no foram organizados de uma maneira que possam ser aplicados ao ensino nas escolas. Cereja (1997:155) destaca a mesma dificuldade: Os professores de portugus, em grande parte, ao terem contato com essas propostas, reconhecem a pertinncia delas e se sentem 11. dispostos a alterar a prtica pessoal. O problema que, reunidas, essas propostas no chegam a construir um programa de ensino de Lngua Portuguesa, nem uma seqncia didtica, at porque esse no um propsito dos pesquisadores que as formulamCom relao a esta falta de metodologia, Pauliukonis (2003:3-4) alerta: A prtica faz concluir que, por mais que se ensinasse a ler textos, nunca se ia esgotar o potencial da interpretao possvel, sobretudo nos textos literrios, por exemplo, mais conotativos e sempre presentes nas aulas de interpretao. Ao final de uma srie de anlises de textos, apresentadas em livros didticos, o aluno no aprendia o mtodo, parece que ele estava sempre frente de um novo texto, que ia exigir-lhe uma nova estratgia de interpretao e produoSegundo Carneiro (1997:136), o significado de um elemento textual nico e irrepetvel, exatamente porque os valores do signo so referenciais, contextuais e situacionais. Para o autor, cada interpretao de um texto nica, e, ao depreender o sentido de um determinado texto, o professor s estaria ensinando a interpretar melhor este mesmo texto. Porm, como no se costumam estabelecer contedos sistematizados de interpretao, esta no pode ser comparada a uma disciplina. Pauliukonis (2003) e Carneiro (1997) mencionam que os objetivos da interpretao esto mal formulados, pois muitos professores pensam que levando um aluno a ler e interpretar um texto estariam levando-o a escrever melhor. A autora destaca ainda que antigamente o texto era trabalhado em sala de aula para extrair o seu valor esttico e uma moral, depois se passou a ler tambm para obter informao, para alargar o conhecimento. preciso, portanto, estabelecer quais so os objetivos que se pretendem alcanar ao desenvolver a interpretao em sala de aula. Diante dessas consideraes e de alguns comentrios de alunos e professores que dizem que no vestibular s cai interpretao, props-se, nesta pesquisa, ave