Relatório Mensal de Economia - Outubro de 2010

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Na edição de Outubro de 2010 do Relatório Mensal de Economia damos particular destaque à Proposta de Orçamento do Estado para 2011, dando já conta dos termos do acordo entre o Governo e o PSD, com vista a sua viabilização na Assembleia da República. Ainda no capítulo da economia nacional, analisamos as últimas projecções do Banco de Portugal para 2010 e 2011. No plano internacional, a apreciação do euro e o aumento das cotações das matérias-primas são más notícias para a actividade empresarial; pela positiva, realçamos o fim oficial da recessão nos Estados Unidos da América, bem como a evolução positiva do desempenho industrial e do clima de confiança dos agentes económicos na Europa.

Text of Relatório Mensal de Economia - Outubro de 2010

  • 1. Edio da Associao Empresarial de Portugal Outubro 2010 N.183

2. 1 S U M R I O DESTAQUE ...................................................................... 2 ECONOMIA INTERNACIONAL 1. Unio Europeia / Zona do Euro ................................................................................ 5 2. Estados Unidos da Amrica .............................................................................. 12 3. Japo .............................................................................. 15 4. Mercados e Organizaes Internacionais .............................................................................. 17 ECONOMIA NACIONAL 1. Envolvente Poltica, Social e Econmica .............................................................................. 25 2. Economia Monetria e Financeira .............................................................................. 46 3. Economia Real .............................................................................. 48 FICHA TCNICA Propriedade AEP - Associao Empresarial de Portugal Edifcio de Servios Av. Dr. Antnio Macedo 4450-617 LEA DA PALMEIRA Director Jos Antnio Barros Edio AEP/ Gabinete de Estudos Redaco AEP/ Gabinete de Estudos Antnio Queiroz Menezes Maria do Cu Filipe Maria de Lurdes Fonseca Nuno Torres Pedro Capucho Sede de Redaco AEP - Associao Empresarial de Portugal Edifcio de Servios Av. Dr. Antnio Macedo 4450-617 LEA DA PALMEIRA NIPC 500971315 Publicidade AEP Associao Empresarial de Portugal Telef.: 22 998 1500 Design Grfico Designarte - Comunicao Periodicidade Mensal ISSN: 0871-9365 Depsito Legal N.o 28804 Registo no ICS: 117830 autorizada a reproduo dos trabalhos publicados, desde que citada a fonte e informada a direco da revista. 3. 2 A s s o c i a o E m p r e s a r i a l d e P o r t u g a l D E S T A Q U E Economia Internacional O Conselho Europeu [abriu] o caminho para procedimentos mais exigentes com vista aplicao efectiva de multas aos pases que no cumprirem o Pacto de Estabilidade e Crescimento. (pg. 5) Os dados de Setembro do Eurostat indicam uma evoluo positiva no desempenho industrial () (pg. 9) Os ltimos resultados () apontam para uma melhoria ligeira do clima de confiana dos agentes econmicos na zona do euro e na UE. (pg. 11) Em Setembro, o comit do NBER (National Bureau of Economic Research) anunciou o fim oficial da recesso econmica nos Estados Unidos () (pg. 12) () a informao mais recente do instituto Conference Board sugere que a retoma da economia norte-americana se continuar a processar de forma lenta nos prximos meses. (pg. 14) Destacou-se () a subida significativa do euro face s principais moedas () (pg. 18) Em Setembro registou-se uma acentuada valorizao dos principais ndices accionistas internacionais () (pg. 18) As cotaes mdias das matrias-primas aumentaram pelo terceiro ms consecutivo em Setembro () (pg. 21) 4. 3 Economia Nacional As projeces econmicas do Banco de Portugal () apontam para um crescimento do PIB de 1.2% em 2010 e para uma estagnao em 2011 () (pg. 25) O BdP defende que o cumprimento escrupuloso dos objectivos oramentais actualmente delineados surge como indispensvel. (pg. 26) No final de Setembro, o Governo apresentou um conjunto de medidas adicionais de consolidao (), antecipando algumas das medidas da Proposta de Oramento do Estado de 2011 () (pg. 27) A Proposta de Oramento do Estado para 2011 () assume uma reduo do dfice das administraes pblicas para 4.6% do PIB (pg. 28) A alterao da taxa do IVA, o alargamento da base de incidncia do IRC, a introduo de limites globais para as dedues colecta e para os benefcios fiscais tero um impacto muito significativo () (pg. 37) Entrou em vigor no dia 30 de Setembro o diploma () que estabelece, () o procedimento aplicvel extino das tarifas reguladas de venda de electricidade a clientes finais () (pg. 43) No mercado secundrio de dvida pblica, o ms de Setembro ficou marcado por uma subida muito significativa das yields nacionais () (pg. 46) O ndice accionista de referncia PSI-20 valorizou-se em Setembro pelo terceiro ms consecutivo, embora custa de um reduzido nmero de ttulos com elevado peso, tendo-se verificado uma evoluo negativa na maioria das cotaes () (pg. 47) Em Agosto, o crescimento homlogo da produo industrial manteve-se praticamente inalterado em 1.2% () (pg. 52) Em Setembro, o ndice de Preos no Consumidor (IPC) apresentou uma taxa de variao homloga de 1.9%, igual de Agosto. (pg. 56) 5. 4 A s s o c i a o E m p r e s a r i a l d e P o r t u g a l E C O N O M I A I N T E R N A C I O N A L 6. 5 E C O N O M I A I N T E R N A C I O N A L 1. Unio Europeia / Zona do Euro 1.1. Envolvente A Comisso Europeia props a criao de um imposto sobre as actividades financeiras (IAF), em simultneo com o apoio fixao de outra taxa sobre as operaes financeiras (IOF), que poderia ajudar a financiar a resposta aos grandes desafios mundiais, como o desenvolvimento ou as mudanas climticas. O Conselho Europeu de 28 e 29 de Outubro aprovou o relatrio do Grupo de Misso sobre a Governao Econmica, abrindo assim o caminho para procedimentos mais exigentes com vista aplicao efectiva de multas aos pases que no cumprirem o Pacto de Estabilidade e Crescimento. Houve tambm consenso sobre a possibilidade de penalizaes aos pases que falhem sistematicamente a correco dos seus desequilbrios macroeconmicos. Nas concluses do Conselho ficou expresso que o Presidente Rompuy ir analisar a possibilidade de eventuais sanes polticas aos pases incumpridores, como a suspenso do direito de voto, mas no houve acordo sobre este ponto, que implicaria a reviso dos tratados. Os 27 lderes europeus concordaram ainda com a criao de um mecanismo permanente de gesto de crises, mas delegaram no presidente do Conselho Europeu a tarefa de analisar a melhor forma de funcionamento desse mecanismo, devendo pronunciar-se sobre o assunto em Dezembro. 7. 6 A s s o c i a o E m p r e s a r i a l d e P o r t u g a l E C O N O M I A I N T E R N A C I O N A L 1.2. Poltica Monetria Indicadores monetrios e financeiros zona do euro 09: III 09: IV 10: I 10: II Mai-10 Jun-10 Jul-10 Ago-10 Set-10 Agregado Monetrio M3 (1) 2.50 -0.10 -0.20 0.00 -0.20 0.00 0.10 0.50 - Taxas de Juro Mercado Monetrio - taxa overnight 0.36 0.36 0.34 0.35 0.34 0.35 0.48 0.43 0.45 - Euribor a 3 meses 0.87 0.72 0.66 0.69 0.69 0.73 0.85 0.90 0.88 Yields Obrig. Estado a 10 anos (2) 3.69 3.67 3.54 3.14 3.00 3.03 3.01 2.48 2.67 Taxas de Juro Bancrias - Depsitos a prazo at 1 ano 1.73 1.67 1.80 2.09 2.04 2.15 2.31 2.20 - - Emprst. at 1 ano a empresas (3) 3.45 3.32 3.25 3.23 3.25 3.25 3.30 3.38 - Fonte: Banco Central Europeu; valores mdios do perodo, em percentagem; (1) Taxa de variao homloga em mdia mvel de trs meses, em percentagem. Valores corrigidos de todas as detenes de instrumentos negociveis por agentes residentes fora da rea do euro. (2) Obrigaes com notao AAA. (3) Taxas de juro para emprstimos a taxa varivel at 1 milho de euros. Na reunio de 7 de Outubro de 2010, o Conselho do BCE continuou a considerar apropriado o nvel das taxas de juro directoras, tendo, por conseguinte, decidido mant-las inalteradas (em 1%, no caso da taxa aplicvel s operaes principais de refinanciamento, valor fixado a 13 de Maio de 2009). Como habitualmente, a deciso teve como base as anlises econmica e monetria regulares, que continuam a apontar, globalmente, para uma evoluo moderada da actividade econmica e dos preos a mdio prazo, embora a incerteza seja ainda elevada, o que enviesa no sentido descendente os riscos para estas previses. A anlise econmica continua a incorporar a perspectiva de um abrandamento da actividade no segundo semestre, tanto na rea do euro como na economia mundial, enquanto a anlise monetria confirma o fraco crescimento da moeda e do crdito, reduzindo as preocupaes com presses inflacionistas a mdio prazo. Segundo o BCE, as expectativas de inflao continuam firmemente ancoradas em conformidade com o objectivo de manter as taxas de inflao abaixo, mas prximo, de 2% no mdio prazo. No geral, a actual orientao da poltica monetria permanece acomodatcia e ser ajustada conforme apropriado, assim como a cedncia de liquidez e as modalidades de colocao, tendo em conta que todas as medidas no convencionais tomadas durante o perodo de fortes tenses nos mercados financeiros (em plena consonncia com o mandato do BCE) so, por definio, de natureza temporria. Para o efeito, o Conselho do BCE continuar a acompanhar muito atentamente todos os desenvolvimentos no perodo que se avizinha. 8. 7 O BCE referiu ainda, no mbito da anlise monetria, que os bancos tm vindo a aumentar de forma gradual a dimenso global dos seus balanos, mas o desafio continua a ser o de expandir a disponibilizao de crdito ao sector no financeiro quando a recuperao da procura se intensificar. Se necessrio, com vista a responderem a este desafio, os bancos devem reter lucros, recorrer ao mercado para reforarem ainda mais as respectivas bases de capital ou tirar total partido das medidas estatais de apoio recapitalizao. Em termos de polticas oramentais, com impacto sobre as decises monetrias, o Conselho do BCE destacou os anncios recentes de alguns pases da rea do euro relativamente a medidas destinadas a fazer face aos desequilbrios oramentais existentes. Segundo o BCE, vrios pases (entre os quais Portugal) tm de vencer desafios considerveis, o que requer medidas correctivas imediatas, ambiciosas e convincentes. So necessrios planos de consolidao plurianuais credveis que fortaleam a confiana do pblico na capacidade de os governos regressarem a finanas pblicas sustentveis, o que permitir uma reduo dos prmios de risco das taxas de juro, apoiando o crescimento sustentvel no mdio prazo. Em todos os pases da rea do euro, os oramentos para 2011 devem reflectir o empenho numa consolidao oramental ambiciosa, em consonncia com os compromissos assumidos pelos pases ao abrigo dos respectivos procedimentos relativos aos dfices excessivos. Qualquer eventual evoluo oramental positiva,