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Cartilha sobre bullying

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Text of Cartilha sobre bullying

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2. 2 3. 2010 Conselho Nacional de Justia Ministro Cezar Peluso, Presidente Ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justia Conselheiros Felipe Locke Cavalcanti Ives Gandra Jefferson Kravchychyn Jorge Hlio Jos Adonis Callou de Arajo S Leomar Barros Marcelo Neves Marcelo Nobre Milton Nobre Morgana Richa Nelson Tomaz Braga Paulo Tamburini Walter Nunes Secretrio-geral Fernando Marcondes EXPEDIENTE Porta-voz do CNJ Pedro Del Picchia Assessor-chefe da Marcone Gonalves Comunicao Social do CNJ Produo de textoAna Beatriz Barbosa Silva Mdica psiquiatra, diretora tcnica da Medicina do Comportamento SP e RJ, escritora e autora do livro BULLYING: Mentes Perigosas nas Escolas Reviso Geysa Bigonha Maria Deusirene Fotos Glucio Dettmar Luiz Silveira Projeto Grfico Leandro Luna Arte, Designer Divanir Junior e Editorao Marcelo Gomes 4. 5 5. 6 6. 7 CARTILHA BULLYING PROFESSORES E PROFISSIONAIS DA ESCOLA 1. O QUE BULLYING? O bullying um termo ainda pouco conhecido do grande pblico. De origem inglesa e sem traduo ainda no Brasil, utilizado para qualificar comportamentos agressivos no mbito escolar, praticados tanto por meninos quanto por meninas. Os atos de violncia (fsica ou no) ocorrem de forma intencional e repetitiva contra um ou mais alunos que se encontram impossibilitados de fazer frente s agresses sofridas.Tais comportamentos no apresentam motivaes especficas ou justificveis. Em ltima instncia, significa dizer que, de forma natural, os mais fortes utilizam os mais frgeis como meros objetos de diverso, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vtimas. 2. QUAIS SO AS FORMAS DE BULLYING? NORMALMENTE, EXISTEM MAIS MENINOS OU MENINAS QUE COMETEM BULLYING? As formas de bullying so: Verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, zoar) Fsica e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da vtima) Psicolgica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar, difamar) Sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar) Virtual ou Ciberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnolgicas: celulares, filmadoras, internet etc.) Estudos revelam um pequeno predomnio dos meninos sobre as meninas. No entanto, por serem mais agressivos e utilizarem a fora fsica, as atitudes dos meninos so mais visveis. J as meninas costumam praticar bullying mais na base de intrigas, fofocas e isolamento das colegas. Podem, com isso, passar despercebidas, tanto na escola quanto no ambiente domstico. 7. 8 3. EXISTE ALGUMA FORMA DE BULLYING QUE SEJA MAIS MALFICA? O CIBERBULLYING PIOR DO QUE O BULLYING TRADICIONAL? Uma das formas mais agressivas de bullying, que ganha cada vez mais espaos sem fronteiras o ciberbullying ou bullying virtual. Os ataques ocorrem por meio de ferramentas tecnolgicas como celulares, filmadoras, mquinas fotogrficas, internet e seus recursos (e- mails, sites de relacionamentos, vdeos).Alm de a propagao das difamaes ser pratica- mente instantnea o efeito multiplicador do sofrimento das vtimas imensurvel. O ciber- bullying extrapola, em muito, os muros das escolas e expe a vtima ao escrnio pblico. Os praticantes desse modo de perversidade tambm se valem do anonimato e, sem nenhum constrangimento, atingem a vtima da forma mais vil possvel. Traumas e consequncias advindos do bullying virtual so dramticos. 4. QUAL O CRITRIO ADOTADO PELOS AGRESSORES PARA A ESCOLHA DA VTIMA? Os bullies (agressores) escolhem os alunos que esto em franca desigualdade de poder, seja por situao socioeconmica, situao de idade, de porte fsico ou at porque nu- mericamente esto desfavorveis. Alm disso, as vtimas, de forma geral, j apresentam algo que destoa do grupo (so tmidas, introspectivas, nerds, muito magras; so de credo, raa ou orientao sexual diferente etc.). Este fato por si s j as torna pessoas com baixa autoestima e, portanto, so mais vulnerveis aos ofensores. No h justificativas plausveis para a escolha, mas certamente os alvos so aqueles que no conseguem fazer frente s agresses sofridas. 5. QUAIS AS PRINCIPAIS RAZES QUE LEVAM OS JOVENS A SEREM OS AGRESSORES? muito importante que os responsveis pelos processos educacionais identifiquem com qual tipo de agressor esto lidando, uma vez que existem motivaes diferenciadas: 1. Muitos se comportam assim por uma ntida falta de limites em seus processos educa- cionais no contexto familiar. 8. 9 2. Outros carecem de um modelo de educao que seja capaz de associar a autorrea- lizao com atitudes socialmente produtivas e solidrias. Tais agressores procuram nas aes egostas e maldosas um meio de adquirir poder e status, e reproduzem os modelos domsticos na sociedade. 3. Existem ainda aqueles que vivenciam dificuldades momentneas, como a separao traumtica dos pais, ausncia de recursos financeiros, doenas na famlia etc. A vio- lncia praticada por esses jovens um fato novo em seu modo de agir e, portanto, circunstancial. 4. E, por fim, nos deparamos com a minoria dos opressores, porm a mais perversa. Trata-se de crianas ou adolescentes que apresentam a transgresso como base es- trutural de suas personalidades. Falta-lhes o sentimento essencial para o exerccio do altrusmo: a empatia. 6. QUAIS SO OS PRINCIPAIS PROBLEMAS QUE UMA VTIMA DE BULLYING PODE ENFRENTAR NA ESCOLA E AO LONGO DA VIDA? As consequncias so as mais variadas possveis e dependem muito de cada indivduo, da sua estrutura, de vivncias, de predisposio gentica, da forma e da intensidade das agresses. No entanto, todas as vtimas, sem exceo, sofrem com os ataques de bullying (em maior ou menor proporo). Muitas levaro marcas profundas provenientes das agres- ses para a vida adulta, e necessitaro de apoio psiquitrico e/ou psicolgico para a supe- rao do problema. Os problemas mais comuns so: desinteresse pela escola; problemas psicossomticos; problemas comportamentais e psquicos como transtorno do pnico, depresso, anorexia e bulimia, fobia escolar, fobia social, ansiedade generalizada, entre outros. O bullying tambm pode agravar problemas preexistentes, devido ao tempo prolongado de estresse a que a vtima submetida. Em casos mais graves, podem-se observar quadros de esquizofrenia, homicdio e suicdio. 9. 10 7. COMO PERCEBER QUANDO UMA CRIANA OU ADOLESCENTE EST SOFRENDO BULLYING? QUAL O COMPORTAMENTO TPICO DESSES JOVENS? As informaes sobre o comportamento das vtimas devem incluir os diversos ambientes que elas frequentam. Nos casos de bullying fundamental que os pais e os profissionais da escola atentem especialmente para os seguintes sinais: Na Escola: No recreio encontram-se isoladas do grupo, ou perto de alguns adultos que possam proteg-las; na sala de aula apresentam postura retrada, faltas frequentes s aulas, mos- tram-se comumente tristes, deprimidas ou aflitas; nos jogos ou atividades em grupo sempre so as ltimas a serem escolhidas ou so excludas; aos poucos vo se desinteressando das atividades e tarefas escolares; e em casos mais dramticos apresentam hematomas, arranhes, cortes, roupas danificadas ou rasgadas. Em Casa: Frequentemente se queixam de dores de cabea, enjoo, dor de estmago, tonturas, vmi- tos, perda de apetite, insnia.Todos esses sintomas tendem a ser mais intensos no perodo que antecede o horrio de as vtimas entrarem na escola. Mudanas frequentes e intensas de estado de humor, com exploses repentinas de irritao ou raiva. Geralmente elas no tm amigos ou, quando tm so bem poucos; existe uma escassez de telefonemas, e-mails, torpedos, convites para festas, passeios ou viagens com o grupo escolar. Passam a gastar mais dinheiro do que o habitual na cantina ou com a compra de objetos diversos com o intuito de presentear os outros. Apresentam diversas desculpas (inclusive doenas fsicas) para faltar s aulas. 10. 11 8. E O CONTRRIO? O QUE SE PODE NOTAR NO COMPORTAMENTO DE UM PRATICANTE DE BULLYING? Na escola os bullies (agressores) fazem brincadeiras de mau gosto, gozaes, colocam apelidos pejorativos, difamam, ameaam, constrangem e menosprezam alguns alunos. Fur- tam ou roubam dinheiro, lanches e pertences de outros estudantes. Costumam ser popula- res na escola e esto sempre enturmados. Divertem-se custa do sofrimento alheio. No ambiente domstico, mantm atitudes desafiadoras e agressivas em relao aos fami- liares. So arrogantes no agir,no falar e no vestir, demonstrando superioridade. Manipulam pessoas para se safar das confuses em que se envolveram. Costumam voltar da escola com objetos ou dinheiro que no possuam. Muitos agressores mentem, de forma convin- cente, e negam as reclamaes da escola, dos irmos ou dos empregados domsticos. 9. O FENMENO BULLYING COMEA EM CASA? Muitas vezes o fenmeno comea em casa. Entretanto, para que os filhos possam ser mais empticos e possam agir com respeito ao prximo, necessrio primeiro a reviso do que ocorre dentro de casa. Os pais, muitas vezes, no questionam suas prprias condutas e valores, eximindo-se da responsabilidade de educadores. O exemplo dentro de casa fundamental. O ensinamento de tica, solidariedade e altrusmo inicia ainda no bero e se estende para o mbito escolar, onde as crianas e adolescentes passaro grande parte do seu tempo. 10. O BULLYING EXISTE MAIS NAS ESCOLAS PBLICAS OU NAS PARTICULARES? O bullying existe em todas as escolas, o grande diferencial entre elas a postura que cada uma tomar frente aos casos de bullying. Por incrvel que parea os estudos apontam para uma postura mais efetiva contra o bullying entre as escolas pblicas, que j contam com uma orientao mais padronizada perante os casos (acionamento dos Conselhos Tute- lares, Delegacias da Criana e do Adolescente etc.). 11. 12 11. O ALUNO VTIMA DE BULLYING NORMALMENTE CONTA AOS PAIS E PROFESSORES O QUE EST ACONTECENDO? As vtimas de bullying se tornam refns do jogo do poder institudo pelos agressores. Raramente elas pedem ajuda s autoridades escolares ou aos pais. Agem assim, domi- nadas pela falsa crena de que essa postura