Parecer mpe ce-agravo_pmf

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    26-May-2015

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<ul><li> 1. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA STIMA CMARA CVEL Agravo de Instrumento n 0032777-45.2013.8.06.0000 Ao originria: Anulatria com Pedido Liminar n 0208348-27.2013.8.06.0001 (8 Vara da Fazenda Pblica da Comarca de Fortaleza) Recorrente(s): Municpio de Fortaleza Recorrido(a)(s): Joo Byron de Figueiredo Frota, Francisco Torquilho Neto e Dalton Sousa Carvalho Relator(a): Douto Des. Durval Aires Filho Parecer do rgo do Ministrio Pblico de 2 Instncia (46 Procuradoria de Justia) Colenda Cmara. O caderno processual em epgrafe cuida de AGRAVO DE INSTRUMENTO (fls. 01/14) interposto pelo MUNICPIO DE FORTALEZA pessoa jurdica de direito pblico interno para o fim de reforma de deciso interlocutria (fls. 56/63) proferida pelo Juzo da 8 Vara da Fazenda Pblica da Comarca de Fortaleza que deferiu pedido de antecipao de tutela formulado (fl. 54) na petio inicial (fls. 29/55) da Ao Anulatria com Pedido Liminar n 0208348-27.2013.8.06.0001 ajuizada por JOO BYRON DE FIGUEIREDO FROTA, FRANCISCO TORQUILHO NETO e DALTON SOUSA CARVALHO cidados qualificados fl. 29 em face do recorrente e de NUTICO ATLTICO CEARENSE pessoa jurdica de direito privado qualificada fl. 29. Compulsados os autos, depreende-se que o MUNICPIO DE FORTALEZA, considerando a relevncia histrico-cultural do conjunto arquitetnico do prdio do NUTICO ATLTICO CEARENSE associao privada sediada nesta urbe Avenida da Abolio, 2727, Meireles encetou, mediante procedimento administrativo regular, o Tombamento do imvel que abriga a sede do aludido clube a partir da edio do Decreto Municipal n 11.957, de 11 (onze) de janeiro de 2006 (dois mil e seis) posteriormente adversado pela mencionada entidade atravs do ajuizamento, em 22 (vinte e dois) de junho de 2010 (dois mil e dez), da Ao n 412866-81.2010.8.06.0001, processo em que veio a ser efetuada e homologada em 17 (dezessete) de fevereiro de 2012 (dois mil e doze) transao com a municipalidade no sentido da restrio do mbito da interveno enunciada, acordo posteriormente contraposto pelo Decreto Municipal n 13.038, de 10 (dez) de dezembro de 2012 (dois mil e doze) atinente a tombamento pleno e definitivo do referido prdio bem como impugnado pelos scios atleticanos JOO BYRON DE FIGUEIREDO FROTA, FRANCISCO TORQUILHO NETO e DALTON SOUSA CARVALHO por meio da Ao Anulatria em epgrafe (autos n 0208348- 27.2013.8.06.0001) proposta em 05 (cinco) de novembro de 2013 (dois mil e treze), O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 1 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 117 </li></ul><p> 2. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA onde se deferiu antecipao dos efeitos da tutela (suspenso de qualquer ato contrrio ao sobredito tombamento) mediante deciso de fls. 56/63, objeto de irresignao da Administrao Municipal externada atravs do Agravo de Instrumento em tela (fls. 01/14), recurso que aps receber contrarrazes (fls. 103/111) e informaes do Juzo a quo (fls. 115/116), findou submetido a esta Procuradoria de Justia em cumprimento ao respeitvel despacho da fl. 98 que nos leva a oficiar no presente feito. o sucinto relatrio. Passamos promoo. Ab initio, considerados os elementos jurdicos presentes no caderno processual, verificamos em ateno sistemtica processual do recurso intentado a inadmissibilidade de seu conhecimento por ausncia circunstancial de cabimento pela via de instrumento, sendo relevante, para compreenso, o disposto no artigo 522 do Cdigo de Processo Civil a seguir externado: Art. 522. Das decises interlocutrias caber agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de deciso suscetvel de causar parte leso grave e de difcil reparao, bem como nos casos de inadmisso da apelao e nos relativos aos efeitos em que a apelao recebida, quando ser admitida a sua interposio por instrumento. Considerada a regncia em esclio e sobretudo a conjuntura ftico-processual em apreo, no identificamos risco de leso grave e de difcil reparao a partir da deciso interlocutria (fls. 56/63) que, antecipando os efeitos da tutela almejada, limitou-se a determinar que os promovidos suspendam todo e qualquer trabalho destinado alterao da estrutura fsica do Nutico Atltico Cearense, em sua integralidade, resguardando-se o bem inalterado at o deslinde final da presente (fl. 63). Compreendemos inbil demonstrao de suscetibilidade de leso grave e de difcil reparao, a mera afirmao recursal de que o NUTICO ATLTICO CEARENSE, caso tenha interesse em realizar alguma obra dentro dos limites do tombamento, estar impedido de faz-lo (fl. 04). O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 2 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 118 3. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA evidente que o Decreto Municipal n 11.957/2006, ao estabelecer o tombamento provisrio do imvel sede do NUTICO ATLTICO CEARENSE j havia impedido a satisfao de eventual interesse privado de realizao de obras dentro de seus limites, no sendo digna de respaldo a afirmao de risco de dano, muito menos em carter grave e de difcil reparao, por conta de deciso que meramente reconhece em sede de cognio sumria o efeito bvio da limitao administrativa consumada atravs da decretao definitiva da imutabilidade preservativa do bem, Decreto Municipal n 13.038/2012. Nos valemos da jurisprudncia do STJ: Ementa: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. AO CIVIL PBLICA. TOMBAMENTO PROVISRIO. EQUIPARAO AO DEFINITIVO. EFICCIA. 1. O ato de tombamento, seja ele provisrio ou definitivo, tem por finalidade preservar o bem identificado como de valor cultural, contrapondo-se, inclusive, aos interesses da propriedade privada, no s limitando o exerccio dos direitos inerentes ao bem, mas tambm obrigando o proprietrio s medidas necessrias sua conservao. O tombamento provisrio, portanto, possui carter preventivo e assemelha-se ao definitivo quanto s limitaes incidentes sobre a utilizao do bem tutelado, nos termos do pargrafo nico do art. 10 do Decreto-Lei n 25/37. 2. O valor cultural pertencente ao bem anterior ao prprio tombamento. A diferena que, no existindo qualquer ato do Poder Pblico formalizando a necessidade de proteg-lo, descaberia responsabilizar o particular pela no conservao do patrimnio. O tombamento provisrio, portanto, serve justamente como um reconhecimento pblico da valorao inerente ao bem. 3. As coisas tombadas no podero, nos termos do art. 17 do O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 3 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 119 4. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA Decreto-Lei n 25/37, ser destrudas, demolidas ou mutiladas. O descumprimento do aludido preceito legal enseja, via de regra, o dever de restituir a coisa ao status quo ante. Excepcionalmente, sendo manifestamente invivel o restabelecimento do bem ao seu formato original, autoriza-se a converso da obrigao em perdas e danos. 4. reforma do aresto recorrido deve seguir-se devoluo dos autos ao Tribunal a quo para que, respeitados os parmetros jurdicos ora estipulados, prossiga o exame da apelao do IPHAN e aplique o direito consoante o seu convencimento, com a anlise das alegaes das partes e das provas existentes. 5. Recurso especial provido em parte. (STJ. RESP 753534/MT. RECURSO ESPECIAL 2005/0086165-8. Relator(a) Ministro CATRO MEIRA (1125). rgo Julgador T2 SEGUNDA TURMA. Data do Julgamento 25/10/2011. Data da Publicao/Fonte DJe 10/11/2011 RT vol. 916 p. 720). (GRIFAMOS). Nessa senda, observada a conjuntura em referncia, no verificamos ilegalidade na providncia jurisdicional adversada, mas, na verdade, uma evidente situao de risco de dano de dificlima reparao atual feio, caractersticas e conjunto arquitetnico do prdio em comento, mormente na hiptese de eventual cassao da providncia de urgncia surpreendentemente adversada pelo prprio editor do aludido decreto de preservao. Conclusivamente, de modo preliminar, temos pela inadmissibilidade de processamento do Agravo pela modalidade de instrumento. Inobstante, tendo em vista as atribuies constitucionais do Parquet, passamos ao exame do mrito da questo submetida a esta Egrgia Corte de Justia pela interposio. O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 4 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 120 5. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA O mago da questo circunscreve-se possibilidade ou no de concesso da providncia liminis litis no caso em apreo, medida considerada vivel nos termos da deciso recorrida (fls. 56/63), restando, nestes termos, delimitado o objeto do exame da presente digresso. Apreciados os elementos jurdicos presentes no caderno processual, no dissentimos da inteleco alcanada pelo Juzo de primeira instncia. Como sabido, afigura-se vivel o deferimento da antecipao de tutela diante da presena cumulativa de prova inequvoca e verossimilhana da alegao (CPC, ART. 273, caput), sendo necessrio, outrossim, alternativamente, o receio de dano irreparvel ou de difcil reparao (CPC, art. 273, I) ou o abuso do direito de defesa ou o manifesto propsito protelatrio do ru (CPC, art. 273, II). Conforme assentado em doutrina, verossimilhana a aparncia de realidade com possibilidade / plausibilidade de conexo lgica entre os fatos alegados e os ditames (princpios e normas) do ordenamento jurdico, no havendo, assim, qualquer distino em relao ao fumus boni iuris nsito s medidas cautelares. Com efeito, o douto processualista Luiz Guilherme Marinoni aduz em sua obra que: No h qualquer lgica na distino entre a convico de verossimilhana prpria tutela antecipatria e aquela caracterstica tutela cautelar. Com efeito, um enorme equvoco imaginar que a verossimilhana possa variar conforme se esteja diante da tutela cautelar ou da tutela antecipatria. Trata-se apenas de uma tentativa, logicamente destituda de xito, de empregar matemtica para demonstrar algo que no pode ser por ela explicado.1 1 MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela Antecipatria, julgamento antecipado e execuo imediata da sentena. So Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 5 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 121 6. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA Na situao dos autos, consoante as razes que passaremos a aduzir, afigura-se juridicamente plausvel a pretenso nuclear da demanda anulatria ajuizada pelos recorridos frente ao acordo firmado entre o NUTICO ATLTICO CEARENSE e o MUNICPIO DE FORTALEZA, o que nos leva a entender presente a verossimilhana necessria antecipao. Ao revs do que entende a municipalidade, as tratativas empreendidas pela Fazenda Pblica no se perfazem com a mesma amplitude e liberalidade das firmadas por particulares, no lhe sendo franqueadas concesses, renncias e resolues atinentes a direitos indisponveis. Isso se deve ao fato da Administrao Pblica se achar sujeita a regime jurdico prprio, erigido por princpios e regras especiais que o distinguem da sistemtica peculiar do direito privado, no tendo o Poder Pblico, por consequncia, a mesma liberdade do particular no trato dos interesses legalmente confiados sua gesto. Cuida-se do chamado regime jurdico-administrativo ou regime jurdico de direito pblico, bem elucidado pela doutrina da jurista Maria Sylvia Zanella Di Pietro nos seguintes termos: A expresso regime jurdico administrativo reservada to somente para abranger o conjunto de traos, de conotaes que tipificam o Direito Administrativo, colocando a Administrao Pblica numa posio privilegiada, vertical, na relao jurdico-administrativa. Basicamente pode-se dizer que o regime administrativo resume-se a duas palavras apenas: prerrogativas e sujeies. [] Ao mesmo tempo em que as prerrogativas colocam a Administrao em posio de supremacia perante o particular, sempre com o objetivo de atingir o benefcio da coletividade, as restries a que est sujeita limitam a sua atividade a determinados fins e princpios que, se no observados, O Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis (CF, art. 127) 6 Seimpresso,paraconfernciaacesseositehttp://esaj.tjce.jus.br/esaj,informeoprocesso0032777-45.2013.8.06.0000eocdigo2D06A6. EstedocumentofoiassinadodigitalmenteporANTONIOFIRMINONETO.Protocoladoem13/03/2014s11:09:43. fls. 122 7. ESTADO DO CEAR MINISTRIO PBLICO PROCURADORIA GERAL DE JUSTIA implicam desvio de poder e consequente nulidade dos atos da Administrao. O conjunto das prerrogativas e restries a que est sujeita a Administrao e que no se encontram nas relaes entre particulares constitui o regime jurdico administrativo. Muitas dessas prerrogativas e restries so expressas sob a forma de princpios que informam o direito pblico e, em especial, o Direito Administrativo.2 (GRIFAMOS). Nessa perspectiva, o Princpio da Legalidade s legitima as condutas do Administrador Pblico determinadas ou autorizadas pela lei, sendo clara a sua diversidade de compreenso em relao ao particular posto que: Segundo o princpio da legalidade, a Administrao Pblica s pode fazer o que a lei permite. No mbito das relaes entre particulares, o princpio aplicvel o da autonomia da vontade, que lhes permite fazer tudo o que a lei no probe. Essa ideia expressa de forma lapidar por Hely Lopes Meirelles (1996:82) corresp...</p>