Design, Empresa, Sociedade

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    14-Nov-2014

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Autor: Paula da Cruz LandimO objetivo desta pesquisa foi verificar at que ponto a formao acadmica ministrada nos cursos de design responde aos anseios da sociedade e do setor produtivo e o de coletar subsdios para a discusso da situao do ensino de design no Brasil e elaborao de estratgias que permitam sua melhoria de maneira a ter profissionais adequados ao desenvolvimento de produtos que sejam tambm universais.Fonte: http://www.livrosdedesign.com.br/livros-para-download-gratis/#comment-195

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<ul><li> 1. DESIGN,EMPRESA,SOCIEDADEPAULA DA CRUZ LANDIM</li></ul><p> 2. DESIGN, EMPRESA, SOCIEDADE 3. CONSELHO EDITORIAL ACADMICOResponsvel pela publicao desta obra Joo Candido FernandesJoo Roberto Gomes de Faria Luiz Gonzaga Campos PortoMarizilda dos Santos Menezes 4. PAULA DA CRUZ LANDIMDESIGN, EMPRESA, SOCIEDADE 5. 2010 Editora UNESPCultura AcadmicaPraa da S, 10801001-900 So Paulo SPTel.: (0xx11) 3242-7171Fax: (0xx11) 3242-7172www.editoraunesp.com.brfeu@editora.unesp.brCIP Brasil. Catalogao na fonteSindicato Nacional dos Editores de Livros, RJL246dLandim, Paula da Cruz Design, empresa, sociedade / Paula da Cruz Landim. So Paulo :Cultura Acadmica, 2010. il.Inclui bibliograaISBN 978-85-7983-093-8 1. Desenho industrial. 2. Desenho industrial Estudo e ensino. 3. De-senho industrial Aspectos sociais. I. Ttulo11-0141.CDD: 745.44CDU: 745Este livro publicado pelo Programa de Publicaes Digitais da Pr-Reitoria dePs-Graduao da Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho (UNESP)Editora afiliada: 6. Remember yesterday, live today,design tomorrow. 7. AGRADECIMENTOSA realizao deste trabalho s foi possvel graas ao apoio incon-dicional de algumas pessoas e instituies.Ao meu marido, Geraldo, um grande companheiro, por acredi-tar que eu seria capaz, mesmo quando eu no achava.Aos meus filhos, meus melhores projetos, Pedro e Jlia, pelacompreenso das minhas ausncias e por estarem sempre presentes.Aos meus pais, sempre, e por tudo.Aos Judice: Marcelo, Andrea e Lucas, meu pedao de Brasil naFinlndia. E aos que estiveram comigo nesse perodo, pessoalmentee virtualmente.Ao professor Pekka Korvenma, que tornou possvel meu estgiode ps-doutorado na Universidade de Artes e Design de Helsin-que, na Finlndia.Aos meus colegas do Departamento de Desenho Industrial daFAAC, Unesp Bauru, pelo apoio e estmulo. Particularmente aoprofessor Plcido. reitoria da Unesp, especialmente pr-reitoria de Pesquisa,pela bolsa de ps-doutorado. Fundunesp, pelo auxlio-pesquisa concedido.Aos designers, conhecidos ou no, que gentilmente responde-ram s minhas questes.A todos, meu muito obrigado. 8. SUMRIOIntroduo 111 Design e designer 212 Design e cultura de massa 353 Design nlands: antecedentes histricos 634 Design brasileiro: antecedentes histricos 1095 Panorama atual brasileiro 1216 O ensino de design no Brasil 1417 Discusso 1538 Concluso 179Referncias bibliogrcas 189 9. INTRODUOCom a globalizao da economia de livre mercado, tambmo design tornou-se um fenmeno verdadeiramente global. Por todo omundo industrializado, fabricantes de todos os tipos reconhecem eimplementam cada vez mais o design como um meio essencial parachegar a um novo pblico internacional e para adquirir vantagemcompetitiva. Mais do que nunca, os produtos do design do formaa uma cultura material mundial e influenciam a qualidade do nossoambiente e o nosso cotidiano.O design ento, segundo Moraes (1999), tende a suplantar suasreferncias regionais, passando a utiliz-las com discrio e sutilezacomo forma de identidade cultural decodificada, sem, entretanto,comprometer o produto final frente competio global. Dessaforma, a insero da cultura local seria mais um aspecto a ser consi-derado no desenvolvimento de novos produtos. Assim, os produtosglobais tornaram-se um novo desafio para designers e fabricantes,ao mesmo tempo que se transformaram em potencial estratgico demercado para os pases e suas respectivas indstrias.Por exemplo, a Finlndia, ao longo da histria de sua cultura ma-terial, destacou-se no design com o uso da madeira curvada em mobi-lirios, tradicionalmente reconhecidos pela sua inovao, qualidadee bom design, principalmente na pessoa de Alvar Aalto (Figura 1). 10. 12 PAULA DA CRUZ LANDIMFigura 1 Mobilirio e peas de vidro de Alvar Aalto. Museu Alvar Aalto, Jyvskyl,Finlndia.Esses produtos, alm de uma imagem de produo semiarte-sanal cuidadosamente preservada, possuem caractersticas que osdestacam nitidamente dos produtos de outros pases, e so, portan-to, considerados sinnimo de design finlands, funcionando comoestratgia promocional de marketing.Paralelamente, a Finlndia um dos primeiros pases a investirno design social, exemplificado em solues voltadas para as limi-taes da terceira idade, a reintegrao dos deficientes na sociedadee a busca de melhor qualidade e adequao dos produtos e equipa-mentos de uso mdico-hospitalar. Tais produtos destinam-se aomercado global e apresentam tambm uma inovao no tocanteao design finlands: a utilizao de materiais termoplsticos mo-nomateriais na confeco quase integral dos produtos, ilustrandoa preocupao dos designers e fabricantes com os aspectos ecol-gicos, principalmente envolvendo a reciclagem. O design socialno nenhuma novidade enquanto discurso, mas ainda enquantoprtica. Portanto, nas palavras de Moraes, (idem): 11. DESIGN, EMPRESA, SOCIEDADE13 A Finlndia se insere no mercado global de grande escala indus- trial e de grande consumo (pequenos e mdios objetos) mantendo- se fiel e coerente com sua cultura e tradio, mas ao mesmo tempo voltando-se para os caminhos que aponta o mercado internacional. A expanso de mercado empreendida pelas indstrias finlande- sas no implica na substituio dos produtos de vidro e madeira, tradicionalmente reconhecidos; ao contrrio, tende a confirmar o estado de maturao dos seus designers, fabricantes e do seu pr- prio governo.Em contrapartida, o design no Brasil ainda no est devidamentedisseminado. E ainda, quando isso ocorre, de forma induzida poraes institucionais, levando muitas empresas a adiar seus investi-mentos nessa rea. Por outro lado, as empresas que investem emdesign acabam por se destacar no mercado em que atuam.A importncia do design no pode, por isso, ser subestimada.Ele abrange uma extraordinria gama de funes, tcnicas, ati-tudes, ideias e valores, todos influenciando nossa experincia epercepo do mundo que nos rodeia, e as escolhas que fazemos hojesobre a futura direo do design tero um efeito significativo e pos-sivelmente duradouro na qualidade de nossa vida e no ambiente.A pesquisa em design tem se expandido e ganhado profundidadenos ltimos anos. O que este campo de pesquisa pode oferecerde vital nas esferas da indstria, da inovao e da competitividade?Como compartilhar ideias e experincias com especialistas das es-feras da indstria, do desenvolvimento de inovaes e da univer-sidade? De que forma explorar e demonstrar como a educao emdesign, a pesquisa e a parceria com indstrias impulsionam as ino-vaes, tanto no mbito local como no internacional? Como deveser a pesquisa, em um paradigma em que o design est tornando-seuma intensiva aplicao de conhecimento por um profissional comnotria independncia disciplinar? O que a pesquisa em designpode oferecer no desenvolvimento de produtos? Como pode serfortalecido o uso estratgico do design? Quais so os benefcios dodesign e da pesquisa em design para sistemas de inovao e compe- 12. 14PAULA DA CRUZ LANDIMtitividade industrial? Como pode a forma de pensamento do designfortalecer a criatividade industrial?Por outro lado, por que ainda estamos formando designerscomo talentos criativos isolados no Planeta Design? Em quepese a existncia de afirmaes em contrrio, o mercado do design dirigido pelo gerenciamento da percepo, baseando-se em uma es-tratgia de visibilidade, trabalhando basicamente o trip imagem/percepo/emoo, em que os pontos de tangncia e as interfacescom o marketing podem ser observados e, dependendo do campode atuao do design, difceis de ser separados.Desta forma, qual deveria ser o modelo de pesquisa em de-sign? Por que nos apropriamos de modelos de outras reas deconhecimento?O projetar em design baseia-se nos esquemas clssicos dequalquer criao: definio conceitual, gerao de ideias, pblico-alvo, tendncias, disponibilidade tecnolgica, cultura... Em outraspalavras, na necessidade de se entender para quem est se projetan-do, como e por qu.No pretendo entrar em uma discusso do termo design, ape-sar da minha discordncia pessoal, por entender que design, setraduzido para o portugus, quer dizer apenas projeto, havendo,portanto, a necessidade de se complementar que tipo de projeto?.Portanto, temos que design pode ser entendido como projeto.Projeto equivale a sonho, que por sua vez igual a desejo. Projeta-sea casa, uma viagem, o relacionamento ideal... Colocado desta ma-neira, claro que o projeto, enquanto iderio, sempre existiu, mas importante ressaltar a relao desejo/aspirao/possibilidade quese estabelece a partir da mecanizao, com a Revoluo Industrial.Hoje em dia, tudo tem design. A questo que se coloca : qualdesign? De boa ou m qualidade? Qual o impacto do design na so-ciedade industrial? Como trabalhar com as necessidades e escolhasculturais, assim como com a tradio frente a novas sensibilidades?Sendo arquiteta de formao e tendo feito mestrado e doutoradoem urbanismo mas por fora das circunstncias, trabalhando hvinte anos como docente em um curso de design de uma universi- 13. DESIGN, EMPRESA, SOCIEDADE 15dade brasileira , tenho observado a evoluo/transformao tantodo design (particularmente de produto, apenas por ser esta a minharea de atuao) quanto de seu ensino, assim como a crescente for-mao de massa crtica nacional. E uma questo tem sistematica-mente surgido em minhas constantes indagaes: at que ponto aformao acadmica responde aos anseios da sociedade e do setorprodutivo?Desde o incio de 2004, eu vinha mantendo contato com o profes-sor Pekka Korvenma, da Universidade de Arte e Design de Helsin-que, na Finlndia, e assim surgiu a possibilidade de verificar essasmesmas questes em uma realidade sociocultural e econmica bas-tante diversa da nossa realidade. Ou seja, eu estava estabelecendoum paralelo com a produo finlandesa ao mesmo tempo em queme aperfeioava na rea em que atuo. A Universidade de Arte eDesign de Helsinque uma universidade internacional dedicada aoDesign, Comunicao Audiovisual, Educao de Arte e Arte. a maior universidade de seu tipo na Escandinvia e tem presenainternacional forte e ativa. Foi fundada em 1871 e pioneira empesquisa e educao. a nica instituio oficial a ter graduao emDesign. Quando o termo design utilizado na Finlndia, quasesem excees refere-se a profissionais graduados por essa escola. Auniversidade tambm tem sido lembrada como centro de debatessobre a profisso de designer.A agenda de pesquisa, o material emprico e os mtodos aquiapresentados tambm foram pertinentes ao contexto finlands.Encontrei profissionais interessados e pesquisadores nos progra-mas de Design de Interiores e de Mobilirio, assim como no deDesign Estratgico, sendo que um dos trabalhos de ps-doutoradode pesquisadores locais tem uma temtica muito prxima da minhaprpria pesquisa, fazendo com que ocorresse uma troca frutfera deideias. Os resultados ento so fortemente subsidiados pelo estgiode ps-doutorado cumprido na Universidade de Arte e Design deHelsinque entre agosto de 2006 e maio de 2007.O objetivo desta pesquisa foi verificar at que ponto a formaoacadmica em cursos de design responde aos anseios da sociedade e 14. 16 PAULA DA CRUZ LANDIMdo setor produtivo. Outro objetivo foi coletar subsdios para a dis-cusso da situao do ensino de design no Brasil e para a elaboraode estratgias que permitam sua melhoria, de maneira a ter profis-sionais adequados ao desenvolvimento de produtos que, emboracom a marca da nossa realidade e cultura, sejam tambm universais.Muitas das questes esto ainda em aberto, tornando necessriauma perspectiva interdisciplinar juntamente com um entendimentoda relao de causa e efeito. De qualquer forma, as universidades tmum papel-chave em desenvolvimentos futuros. A educao e a pes-quisa vo constituir importante capital privado nacional, principal-mente em uma sociedade em rede e com a competio globalizada.Por exemplo, o fator principal que contribuiu para o sucesso in-ternacional nos anos dourados do design finlands foi o esforo de-terminado de designers talentosos juntamente com o significativopapel de H. O. Gummerus, diretor de negcios da Sociedade Fin-landesa de Artesanato e Design. Mas qual foi o papel da educao?Qual foi a funo de suporte do Estado e a demanda da sociedadedepois da Segunda Guerra Mundial? Como puderam o Funciona-lismo e o Modernismo promover a emergncia do design finlands?Era Marimekko (Figura 2) mais um movimento popular, social ecultural do que um negcio envolvendo marketing e design?Figura 2 Exemplos da produo da marca Marimekko. 15. DESIGN, EMPRESA, SOCIEDADE 17Sparshott (1998), filsofo canadense e pesquisador da rea deesttica, alerta que o futuro dependente do futuro da Filosofia,que por sua vez baseia-se no desenvolvimento das universidades,e o mesmo pode ser dito em relao ao futuro do design. O temaprincipal o papel da pesquisa universitria na criao de ummapa de conhecimento. Por mapa Sparshott entende a classifica-o do material pertinente a uma rea especfica a esttica, pelaclassificao sistemtica das Artes. O futuro da esttica , assim,necessrio para o futuro da Filosofia e, por extenso, para o futuroda sociedade, onde as universidades e pesquisas representam umpapel importante. Em um ponto de vista similar, poderia ser suge-rido que as artes aplicadas, assim como a Arquitetura e o Design,dependem especialmente do desenvolvimento das artes puras e dacultura, assim como das universidades e suas pesquisas.A esttica tradicionalmente estudada sob o domnio da Filoso-fia associada com a Arte e o conceito de beleza. O design e o estudode esttica tm feito muito pouco em conjunto. A pesquisa em de-sign tem emprestado largamente suas abordagens da Histria, daSociologia e da Semitica, e mais recentemente da Economia. Temhavido relativamente pouca pesquisa sobre design este mapa deconhecimento precisa ser construdo constantemente.Para Julier (2006), Design Culture o estudo das inter-relaesentre os artefatos de design em todas suas manifestaes possveis,ou seja, o trabalho dos designers e a produo do objeto incluindomarketing, publicidade e distribuio e seu consumo. Portanto,Design Culture refere-se s caractersticas formais, como estas socriadas e/ou surgem e os vrios significados e funes que o de-sign representa. Estamos vivendo tempos impressionantes. Mdiadigital, biotecnologias, sustentabilidade, globalizao, mudanasnas estruturas pessoais e polticas, tudo abrindo novos desafios epossibilidades para o design.Existe, atualmente, um crescimento sem precedentes do usodo design no mundo. Ao mesmo tempo, a prtica do design esttornando-se incrivelmente exigente. A profisso requer avano, 16. 18PAULA DA CRUZ LANDIMpensadores criativos que possam entender as circunstncias com-plexas e propor respostas inovadoras.Mas se Design Culture para ser consolidada como uma disci-plina acadmica, que relao deve ter com outras categorias e com aprtica do design? Qual seria o papel da universidade nesse contexto?Poucas profisses esto to ligadas ao ensino universitrio comoo design, e pode-se at afirmar que sua autoimagem passa pelauniversidade, pois o perfil do profissional dessa rea foi dado pelaBauhaus. A escola alem fund...</p>