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· PDF filee a paixão de ensinar Paulo Freire Moacir Gadotti. ... A Escola e o Professor e a paixão de ensinar ... um livro sobre Paulo Freire, com o título

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Text of · PDF filee a paixão de ensinar Paulo Freire Moacir Gadotti. ... A Escola e o...

  • Este documento faz parte do acervo do Centro de Referncia Paulo Freire

    acervo.paulofreire.org

  • A Escola e o Professor

    e a paixo de ensinarPaulo Freire

    Moacir Gadotti

  • Copyright 2007 Publisher Brasil

    So Paulo, 2007

    PuBliSher BraSil

    rua Bruno Simoni, 170

    05424-030 Pinheiros So Paulo (SP)

    Tel/fax: 55 11 3813.1836

    [email protected]

    www.publisherbrasil.com.br

    ndices para catlogo sistemtico:

    1. Professores : Formao : Viso de Paulo Freire : educao 370.71

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Gadotti, Moacir a escola e o professor : Paulo Freire e a paixo de ensinar / Moacir

    Gadotti. 1. ed. So Paulo : Publisher Brasil, 2007.

    iSBN 978-85-85938-45-1

    Bibliografia.

    1. aprendizagem 2. educao popular 3. ensino 4. escolas 5. Freire, Paulo, 1921-1997 6. Professores Formao i. Ttulo.

    07-2934 CDD-370.71

    editorRenato Rovai

    Coordenao editorial e revisoMaurcio Ayer

    CapaCarmem Machado

    Projeto grfico e diagramaoAmanda Fazano

  • 1 edioSo Paulo, 2007

    A Escola e o Professor

    e a paixo de ensinarPaulo Freire

    Moacir Gadotti

  • Sumrio

    apresentao Trs livros que se completam .................. 9

    a escola como um lugar especial ................................... 11

    a utopia como tema epocal freireano ............................ 15

    Pedagogia da luta, pedagogia da esperana .................... 19

    algumas teses freireanas .............................................. 29

    Paulo Freire e a formao do professor ......................... 37

    a vida como foco central da prtica docente .................. 51

    aprender e ensinar com sentido .................................... 61

    educar na cidade que educa .......................................... 69

    O paradigma do oprimido .............................................. 77

    Continuar e reinventar Freire ....................................... 85

    referncias bibliogrficas .............................................. 93

    anexo Pequeno glossrio freireano ............................ 105

  • ApreSentAo

    Trs livros que se completam

    Sempre tenho escrito por uma necessidade interna de dizer alguma coisa, de responder a alguma pergunta, a alguma preocupao. A idia de escrever este livro nasceu de uma dupla motivao: primeiro, a lembrana dos dez anos da morte de Paulo Freire; segun-do, a preocupao com a qualidade do nosso ensino e a conseqente necessidade de formao do professor. Eu fui buscar em Paulo Freire resposta questo de como ensinar e aprender hoje, como ele via a formao do educador, a formao do professor, como ele via a escola. Resultado: A escola e o professor Paulo Freire e a paixo de ensinar, que escrevi pensando, sobretudo, nos meus alunos do curso de Pedagogia e das Licenciaturas.

    Esse livro completa dois outros j publicados. Em 2001, pu-bliquei, pela Editora Cortez, um livro sobre Paulo Freire, com o ttulo Um legado de esperana, procurando responder pergunta: o que ele nos deixou como legado? Apresentei as lies que ele nos deu, o seu mtodo, a sua prxis poltico-pedaggica, suas intuies originais. Ins-pirado nele, publiquei, mais tarde, em 2005, pela Editora Positivo, o livro Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido, procurando

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    responder pergunta de por que ser professor hoje, qual o sentido dessa profisso.

    Mas a obra no estava completa. Faltava responder como Paulo Freire entendia o ato de ensinar, hoje em crise. Como seria a docncia hoje, na viso de Paulo Freire. O que ser professor na tica de Paulo Freire? Como devemos formar o professor para esse novo tempo? O que ele deve saber e como deve ser para ensinar? Paulo Freire dedicou todo um livro ao tema dos saberes necessrios prtica educativa. Essa era uma de suas preocupaes centrais. Debrucei-me sobre toda a sua obra para entender melhor essa sua preocupao e entreguei minha reflexo editora Publisher Brasil para apresent-la ao leitor, leitora.

    Espero que este livro possa contribuir para que os professores e pro-fessoras se tornem ainda melhores, mais competentes e, sobretudo, mais comprometidos e mais felizes na profisso que escolheram.

    Moacir Gadotti

    So Paulo, 2 de maio de 2007

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    a escola como um lugar especial

    a escola o lugar preferencial do professor. Com base na minha leitura de Paulo Freire, gostaria de falar da escola como um lugar especial, um lugar de esperana e de luta. J falamos muito mal da escola. Costumamos reclamar dos nossos pro-

    fessores como se eles fossem os responsveis por todos os males da humani-dade. Mas na escola que passamos os melhores anos de nossas vidas, quan-do crianas e jovens. A escola um lugar bonito, um lugar cheio de vida, seja ela uma escola com todas as condies de trabalho, seja ela uma escola onde falta tudo. Mesmo faltando tudo, nela existe o essencial: gente. Pro-fessores e alunos, funcionrios, diretores. Todos tentando fazer o que lhes parece melhor. Nem sempre eles tm xito, mas esto sempre tentando. Por isso, precisamos falar mais e melhor de nossas escolas, de nossa educao.

    A escola um espao de relaes. Neste sentido, cada escola nica, fruto de sua histria particular, de seu projeto e de seus agentes. Como lugar de pessoas e de relaes, tambm um lugar de represen-taes sociais. Como instituio social ela tem contribudo tanto para a manuteno quanto para a transformao social. Numa viso transfor-madora ela tem um papel essencialmente crtico e criativo.

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    A escola no s um lugar para estudar, mas para se encontrar, conversar, confrontar-se com o outro, discutir, fazer poltica. Deve gerar insatisfao com o j dito, o j sabido, o j estabelecido. S harmoniosa a escola autoritria. A escola no s um espao fsico. , acima de tudo, um modo de ser, de ver. Ela se define pelas relaes sociais que desenvolve. E, se quiser sobreviver como instituio, precisa buscar o que especfico dela.

    A escola no pode mudar tudo e nem pode mudar a si mesma so-zinha. Ela est intimamente ligada sociedade que a mantm. Ela , ao mesmo tempo, fator e produto da sociedade. Como instituio social, ela depende da sociedade e, para se transformar, depende tambm da relao que mantm com outras escolas, com as famlias, aprendendo em rede com elas, estabelecendo alianas com a sociedade, com a populao.

    No somos seres determinados, mas, como seres inconclusos, inaca-bados e incompletos, somos seres condicionados. O que aprendemos de-pende das condies de aprendizagem. Somos programados para aprender, mas o que aprendemos depende do tipo de comunidade de aprendizagem a que pertencemos. A primeira comunidade de aprendizagem a que pertencemos a famlia, o grupo social da infncia. Da a importncia desse condicionante no desenvolvimento futuro da criana. A escola, como segunda comunidade de aprendizagem da criana, precisa levar em conta a comunidade no-escolar dos aprendentes. E mais: todos precisamos de tempo para aprender, na escola, na famlia, na cidade.

    Quando os pais, mes, ou outros responsveis, acompanham a vida esco-lar de seus filhos, aumentam as chances da criana aprender. Os pais precisam

    Boniteza das salas

    incrvel que no imaginemos a signi-ficao do discurso formador que faz uma escola respeitada em seu espao. a eloqn-cia do discurso pro-nunciado na e pela limpeza do cho, na boniteza das salas, na higiene dos sanitrios, nas flores que ador-nam. h uma pedago-gicidade indiscutvel na materialidade do espao. (Pedagogia da autonomia, p.50)

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    tambm continuar aprendendo. Se qualidade de ensino aluno apren-dendo, preciso que ele saiba disso: preciso combinar com ele, envol-v-lo como protagonista de qualquer mudana educacional. O fracasso de muitos projetos educacionais est no fato de desconhecer a partici-pao dos alunos. O aluno aprende quando o professor aprende; ambos aprendem quando pesquisam. Como diz Paulo Freire, no h ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocuran-do. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda no conheo e comunicar ou anunciar a novidade (Freire, 1997, p.32).

    Vivemos hoje numa sociedade de redes e de movimentos, uma sociedade de mltiplas oportunidades de aprendizagem, chamada de sociedade aprendente, na qual as conseqncias para a escola, para o professor e para a educao em geral so enormes. Torna-se fundamental aprender a pensar autonomamente, saber comunicar-se, saber pesqui-sar, saber fazer, ter raciocnio lgico, aprender a trabalhar colaborativa-mente, fazer snteses e elaboraes tericas, saber organizar o prprio trabalho, ter disciplina, ser sujeito da construo do conhecimento, estar aberto a novas aprendizagens, conhecer as fontes de informao, saber articular o conhecimento com a prtica e com outros saberes.

    Nesse contexto de impregnao da informao, o professor mui-to mais um mediador do conhecimento, um problematizador. O aluno precisa construir e reconstruir o conhecimento a partir do que faz. Para isso, o professor tambm precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que-fazer dos seus alunos. Ele deixa-r de ser um lecionador para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem. Poderamos dizer que o professor se tornou um aprendiz permanente, um construtor de sentidos, um cooperador, e, sobretudo, um organizador da aprendizagem. No h ensino-e-aprendizagem fora da procura, da boniteza e da alegria, dizia-nos Paulo Freire. A esttica no est separada da tic

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