028 proverbios

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Provérbios de Salomão

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  • 1. INTRODUOPROVRBIOSAutoriaO prprio livro de Provrbios apresenta Salomo (971-931 a.C.), filho do grande rei Davi comBate-Seba (2Sm 12.24), como o principal autor e compilador dos ditados e instrues sapienciaisque formam esta obra cannica (1.1). Os escritos que se encontram registrados entre 10.1 e 22.6so de sua direta e pessoal autoria. Contudo, Salomo selecionou com sabedoria divina os maisapropriados pensamentos e ditados entre as centenas de sbios que vinham anualmente ao reinounificado de Israel para conhecer, aprender e trocar experincias com o maior lder nacional, pacifi-cador, administrador, conselheiro e sbio hebreu de todos os tempos. A passagem de 22.17 revelaas concluses poticas de alguns Sbios, e 24.23 cita ainda a contribuio de outros sbios. Aintroduo de 22.17-21 uma comprovao de que as diversas sesses da obra so fruto de umcolegiado de homens de Deus e sbios, e no apenas do prprio Salomo. O captulo 30 tem comomentor o sbio Agur, filho de Jaque e o rei Lemuel com sua me so considerados os autores dotrecho bblico que encerra o livro de Provrbios.A extraordinria capacidade intelectual de Salomo evidenciada no Primeiro Livro dos Reis (4.29-32), que afirma ser Salomo autor de 3.000 provrbios. O destaque conferido ao temor do Senhorcomo a chave para uma vida feliz aqui, agora e na eternidade (1.7), o elo indelvel de todas assesses e concluses da obra. Propsitos No livro de Provrbios, a sabedoria tem sua origem em Deus, Yahweh. Os ditados e instruesda obra tm um principal objetivo: revelar prudncia aos incautos; conhecimento e bom senso aosjovens (1.4); assim como aumentar a inteligncia dos sbios (1.5). O uso freqente da expressofilho meu ressalta a idia de um monarca que ama a Deus, sbio e muito experiente na arte deviver, que, amorosa e pacientemente, procura conduzir seus sditos mais jovens e inexperientes pelocaminho da paz, da sade e da prosperidade eterna (1.8,10; 2.1; 3.1; 4.1; 5.1). Embora esta obra sejaeminentemente prtica e menos teolgica, o alicerce de toda a sua praxe repousa sobre o princpiofilosfico de que o temor do Senhor o segredo de uma vida feliz (1.7). Nos primeiros captulos (de 1 a 9), a obra revela que o caminho da sabedoria absolutamenteoposto a qualquer atitude arrogante, violenta e imoral (1.11-18; 2.16-18). Ao mesmo tempo, Provrbios critica severamente a esposa implicante e briguenta (19.13; 21.9,19),e os maridos insensveis, preguiosos e rabugentos (14.29; 26.21). O lar deve ser um lugar de amor,respeito, descanso e encorajamento para a alma (15.17; 17.1). A intriga e a difamao so expressamente condenadas (10.19; 17.27). O tempo e a comunica-o devem servir para a edificao saudvel e integral dos filhos e dos alunos ou discpulos (1.8;22.6; 31.26). O sistema disciplinar formado por ministrao, ensino, acompanhamento, correo erepreenso e indispensvel boa educao e formao de filhos, empregados e alunos em geral(13.24). Por isso, Provrbios incentiva o trabalho honesto e dedicado (10.4; 31.17-19), repudiandoo preguioso e aproveitador (6.6; 20.13). A boa e verdadeira riqueza est associada a retido, jus-tia e esforo competente (3.16); enquanto a misria , quase sempre, fruto de iniqidade e faltado temor do Senhor (22.16). H riquezas perversas e sobre elas Provrbios faz severos alertas(15.16; 28.6). Os reis e governantes tm obrigao de agir com honestidade e justia (31.5). Osque tratam os mais fracos e pobres com misericrdia e cooperao sero grandemente abeno-ados por Deus (14.21). Os mpios e arrogantes sero exterminados subitamente (11.2; 16.18), es-pecialmente aquele soberbo que vive questionando e zombando da f e do comportamento limpoe justo dos crentes no Senhor (1.22; 21.24). Os que se entregam ao lcool e a quaisquer outrasdrogas vivem sob depresso e muita tristeza e precisam desistir de seus vcios o quanto antes eapegar-se a Deus (20.1; 23.29-35).

2. Mesmo no tendo a preocupao de ser uma obra teolgica, Provrbios faz questo de apresentarDeus como o Criador do Universo, Aquele que detm o tempo, a matria e a Histria em suas mos,controlando cada mnimo detalhe na Terra e no Universo (16.4,9,33; 20.24; 14.31; 5.21; 15.3). ASabedoria, como atributo do carter de Deus personificada (8.22-31). No h situao impossvelpara Deus, pois Ele quem dirige e muda o prprio corao dos reis, segundo seus propsitossantos e justos (21.1).Data da primeira publicaoA escrita e o estilo potico-sapiencial dos provrbios j eram reas bastante apreciadas pelospovos do Oriente Prximo (cananitas, hititas), especialmente na Mesopotmia e no Egito, desde osegundo milnio a.C. A tcnica literria de personificar uma grande virtude a ser exaltada e ensinada visvel em muitas passagens do livro bblico de Provrbios (1.20; 3.15-18; 8.1-36). Os 30 ditadosdos Sbios, que fazem parte do cnon das Escrituras Sagradas (22.17 a 24.22), apresentam grandesemelhana com as 30 sesses da conhecida obra egpcia Sabedoria de Amenemope, publicadapor volta da mesma poca de Salomo. Nesse sentido, considerando o papel fundamental do rei Sa-lomo na autoria e coletnea dos melhores pensamentos disponveis em sua poca, sobre o relacio-namento do homem com Deus, Yahweh (o nome sagrado e impronuncivel de Jeov ou Iav: YHWH,o Eu Sou dos judeus e de todos os crentes, o Senhor x 3,14, 15; Mt 16.15-17), podemos inferir queo livro de Provrbios, como o conhecemos, foi publicado por volta do sculo 10 a.C. Um perodo emque Israel e os povos vizinhos experimentaram grande paz, prosperidade e desenvolvimento cultural.Tudo isso, fruto do amor sincero e dedicado do rei Davi e de seu filho Salomo, por Deus, por seupovo e pela humanidade em geral. A vida do rei Salomo mostra o que um lder nacional pode fazerpor sua nao e pelo mundo, quando verdadeiramente comprometido em servir a Deus.O prprio livro de Provrbios nos revela que um grupo especial de sbios, conhecido como osservos de Ezequias, rei de Jud (25.1), foi encarregado de selecionar, organizar, editar e publicarsees completas dos pensamentos e escritos de Salomo, por volta dos anos 715 e 686 a.C. pocade grande reavivamento espiritual em Israel, motivado pelo prprio Ezequias rei, que amava a exten-sa obra potica e literria de Davi e de Asafe (2Cr 29.30). Foi nesse tempo que as palavras profticas(no sentido de orculo, de instruo e transmisso da Palavra de Deus ao povo) do sbio Agur(cap.30) e do rei Lemuel (cap.31.1-9), assim como os demais ditados dos Sbios foram incorpora-dos coletnea que deu origem ao cnon do livro de Provrbios, como o temos hoje, na edio daBblia King James Atualizada - KJA (22.17 a 24.22; 24.23-34). Esboo geral de Provrbios I.Prefcio: autor, propsito e tema (1.1-7) II.Dois conjuntos de sete princpios de sabedoria (1.8 9.18) A) Primeiro conjunto dos princpios do saber:1. O poder e as riquezas conquistados por meios imorais e violentos (1.8-33)2. A graa e a riqueza da sabedoria e do discernimento que vm de Deus (2.1-22)3. Deus sempre abenoar o esforo daqueles que nele confiam (3.1-10)4. Descobrir o valor da disciplina encontrar valioso tesouro (3.11-20)5. Um nico Caminho certo, e o amor ao prximo passa por ele (3.21-35)6. A sabedoria bblica o maior tesouro de uma famlia (4.1-9)7. A sabedoria do Senhor nos ajuda a tomar o Caminho certo (4.10-19) B) Segundo conjunto dos princpios do saber: 1. O filho de Deus precisa demonstrar justia e bom senso ao mundo (4.20-27) 2. O cuidado para no se deixar levar pelos ardis da carne e do maligno (5.1-6) 3. O amor verdadeiro absolutamente oposto concupiscncia (5.7-23) 4. Cuidados com a fiana, a preguia e os enganos malignos (6.1-19) 5. A imoralidade e o adultrio so loucuras: fuja dessas ciladas (6.20-35) 6. Quem busca viver em santidade contar com as bnos de Deus (7.1-27) 7. A personificao da Sabedoria em busca do corao humano (8.1-9.18) 3. III.Provrbios escritos por Salomo e as palavras dos sbios (10.1-29.27)1. A extraordinria sabedoria divina e inteligncia de Salomo (10.1-22.16)2. A primeira parte dos ditados dos Sbios (22.17 24.22)3. A segunda parte dos ditados dos Sbios (24.23-34)4. Os pensamentos de Salomo pelos sbios do rei Ezequias (25.1-29.27)IV.Os orculos do sbio Agur (30.1-33) 1. A verdade e a mentira o meio termo ou a difamao (30.1-10) 2. Caluniadores e enganadores os desobedientes (30.11-17) 3. Os quatro caminhos misteriosos, e a queda no adultrio (30.18-20) 4. Os quatro eventos que surpreendem o mundo (30.21-33)V.Orculos do rei Lemuel e da rainha-me (31.1-9)VI.Acrstico da mulher virtuosa (31.10-31). 4. PROVRBIOSO princpio da sabedoria1Advertncias contra as sedues1 Provrbios de Salomo, filho de Davi,rei de Israel.2 Para aprender a viver de maneira inte- 8 Filho meu, ouve a instruo de teu pai e no menosprezes o ensino de tua me.5ligente e disciplinada; para entender os 9 Pois eles formaro uma coroa de bn-ensinos que produzem sabedoria;2 os para a tua cabea e colar de honra3 para desenvolver um carter correto epara o teu pescoo.perspicaz, vivendo de maneira justa, com 10 Filho meu, se pessoas perversas tenta-eqidade e bom senso;rem seduzir-te, no o permitas!4 para dar prudncia aos simples, assim11 Se te convidarem: Vem conosco, em-como conhecimento e juzo aos jovens.3 bosquemo-nos para assaltar e matar al-5 Mesmo o sbio que lhes der ouvidos gum; espreitemos o incauto, ainda queaumentar em muito seu entendimento, apenas por diverso!e quem tem discernimento obter clara12 Traguemo-los vivos, como a sepulturaorientao engole os mortos; vamos destru-los por6 para compreender o significado das pa- completo, como so aniquilados os quelavras e parbolas, ditados e enigmas dosdescem cova;sbios.13 encontraremos todo tipo de objetos7 O temor do SENHOR o princpio do co- valiosos e encheremos as nossas casasnhecimento, mas os insensatos despre-com tudo o que roubarmos;6zam a sabedoria e a disciplina.4 14 junta-te ao nosso bando; dividiremos 1 Jafar Sadeq, considerado pela tradio muulmana xiita como um de seus santos mais destacados, encontrou-se com umreligioso ocidental e lhe perguntou: Quem pode ser considerado sbio?