03 Ecossistemas Aquaticos Costeiros Continentais Cap3

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captulo IIIEcossistemas Aquticos Costeiros e Continentais

Ecossistemas Aquticos, Costeiros e Continentais

162 | VI Congresso de Ecologia do Brasil, Fortaleza, 2003

Ecossistemas Aquticos, Costeiros e Continentais Estimativa das emisses de carbono, nitrognio e fsforo para o esturio do rio Jaguaribe (CE)Abreu Ilene Matan a , Luiz Drude de Lacerda a, Rozane Valente Marins a a Instituto de Cincias do Mar LABOMAR / UFC ([email protected]) 1. Introduo O Rio Jaguaribe o principal curso dgua do Estado do Cear, possui uma extenso aproximada de 610 km e sua bacia drena uma rea de 72.043 km2, ocupa as partes meridional e oriental do Estado do Cear, entre os paralelos sul 4 20e 41 oeste, desaguando no Oceano Atlntico. A Bacia hidrogrfica possui uma grande rede de drenagem, seus principais afluentes so pela margem direita, os rios Carius, Salgado e Figueiredo e pela margem esquerda os rios Banabui e Palhano (Macedo apud Soares Filho 1996). Segundo Campos et al (2001) uma caracterstica significante do Rio Jaguaribe a variao da sua descarga que pode variar de 7000 m3.s-1 a zero em um intervalo de poucos meses. Isto se deve ao regime pluviomtrico da regio que dividido em duas estaes; a chuvosa (janeiro a maio) e a seca (junho a dezembro). A foz do Rio Jaguaribe apresenta uma extensa zona estuarina localizada entre as coordenadas 4 2326S e 37 4345W ; 4 3658S e 37 4345W (Soares Filho, 1996), cuja penetrao das guas do mar se faz sentir at a barragem de Itaiaba, cerca de 34 Km da sua desembocadura (Marins et al., 2003). Embora seja evidente o impacto das atividades antrpicas sobre o meio fsico do Rio Jaguaribe, nada se conhece sobre as alteraes qumicas de suas guas, nem de seus impactos sobre a regio costeira, desta forma este trabalho tem por objetivo a avaliao das fontes naturais e antrpicas de carbono, fsforo e nitrognio para as guas estuarinas do Baixo Jaguaribe (CE), que se estende desde a barragem de Itaiaba at a linha de costa, utilizando-se o inventrio dos fatores de emisses das fontes naturais bem como das diferentes atividades econmicas implantadas na regio. 2. Resultados e Discusso As principais fontes de emisso de carbono, nitrognio e fsforo identificadas foram: os esgotos domsticos, a lixiviao e eroso dos solos, os fertilizantes utilizados na agricultura, e a pecuria, onde as fontes incluem os dejetos dos animais e o efluente dos viveiros de camaro. A descrio da variabilidade dessas fontes para o esturio do Rio Jaguaribe esto apresentadas abaixo juntamente com as emisses estimadas e suas respectivas memrias de clculo. Esgoto domstico: Na regio de Itaiaba, acima do esturio, encontra-se uma barragem que tem a funo de desviar o fluxo do rio para o canal do trabalhador. Apenas na poca chuvosa o volume de gua suficiente para transbordar a barragem e alcanar o esturio. Dessa maneira na maior parte do tempo as fontes de esgoto para o esturio so os municpios de Aracati e Fortim. A soma da populao local, entre a zona rural e urbana, de 72.572 habitantes (IPLANCE, 2001) e assumindo que a emisso do esgoto lquido de 100 a 150 l.hab-1.dia-1 (Carioca & Arora, 1984), pode-se calcular que anualmente so produzidos 2,65x106 a 3,98x106 m3 por ano de esgoto, contendo aproximadamente 250 mg.l-1 C, 50 mg.l-1 N, 14 mg.l-1 P (Von Sperling, 1996), o que corresponde a descargas de 663 a 995 t.ano-1 de C, 133 a 199 t.ano-1 de N e de 37 a 56 t.ano-1 de P. Solo: A lixiviao do solo uma fonte natural de emisso de C, N e P, no entanto sua contribuio aumenta a uma taxa que varia entre a desnudao qumica e/ou mecnica (Schlesinger, 1997) e a eroso associada a construo e urbanizao (Goudie, 1987), de 128 a 213 toneladas de solo.km 2 .ano-1, respectivamente. Segundo dados do IPLANCE (2001), a maior parte do solo da regio representada por areias quartzosas distrficas (1,13x10 3 km2), Solonchack (0,16x10 3 km 2) e latossolo vermelho-escuro (0,06x103 km2). De acordo com a composio mdia desses solos que na areia quartzosa distrfica de 0,54% de C, 0,05% de N e de 0,01% de P; no solonchack 0,45% de C, 0,05% de N e de 0,05% de P; no latossolo vermelho-escuro 0,91% de C, 0,09% de N e de 0,02% de P (Projeto RADAMBRASIL, 1981) calcula-se que juntos eles contribuam com 946 a 1569 t.ano-1 de C, 90 a 149 t.ano1 de N e de 11 a 19 t.ano -1 de P presente no material de solo lixiviado para o esturio. Agricultura: A produo agrcola anual da regio superior a 18.357 t.ano-1 e suas principais culturas so a castanha de caju, o feijo, o milho e o melo. As necessidades nutricionais dessas culturas so supridas com a adio de fertilizantes ricos em nitrognio e fsforo (Andrade, 1991), calcula-se que de acordo com as necessidades de nutrientes de cada cultura e suas respectivas rea cultivada, sejam aplicados por ano na regio 1110 t de N e 1315 t de P. Mesmo que a administrao desses fertilizantes seja feita com base em anlises qumicas dos solos, para que no haja desperdcio, uma parte dos fertilizantes aplicados ser perdida pela drenagem do solo. Segundo Vollenweider apud Esteves (1998), de 16 a 25% do nitrognio e de 0,7 a 1,4% do fosfato aplicado perdido em solos europeus, na regio nordeste essa taxa pode ser ainda maior devido aos solos ridos. Na agricultura regional no h emisso de carbono, mas apenas a incorporao do carbono pela biomassa. Estimase que a emisso de nitrognio e fsforo atribuda agricultura, calculada de acordo com Vollenweider, para a regio 178 a 278 (229) t.ano-1 de N e de 3 a 6 (5) t.ano-1 de P. Pecuria: A pecuria da regio est dividida entre a criao de bovinos (8601 cabeas), aves (32155 aves), sunos (3603 cabeas) e ovinos (8603 cabea) alm da carcinicultura que avaliada separadamente. A pecuria produz aproximadamente quarenta mil toneladas de dejetos por ano. Os teores de carbono, nitrognio e fsforo dos dejetos foram calculados com base no volume produzido por animal, que de 10 Kg.cabea-1.dia-1 para bovinos, 0,18 Kg.cabea-1.dia-1 para aves, de 2,5 Kg.cabea-1.dia-1 para sunos e de 1,0 Kg.cabea1 .dia-1 para ovinos. A composio mdia desses dejetos na ordem que se segue: bovino: 2,4% C, 0,6% N e 0,35% de P; aves: 4,8% de C, 1,2% de N e 1,3% de P; suno: 2,0% de C, 0,5% de N e 0,3% de P; ovino: 5,6% de C, 0,5% de N e 0,5% de P, (Boyd, 1999). Cerca de 55% do N e P depositados nos solos por dejetos animais absorvido por plantas e cerca de 15% do N evaporado para a atmosfera sob forma de amnia (NRC, 2003). Portanto, carga total de N e P aplica-se, respectivamente, os fatores de 0,3 e 0,45. O resultado final da contribuio da pecuria para a emisso total de carbono, nitrognio e fsforo na regio do esturio do rio Jaguaribe de 1097 t.ano-1 de C, 82 t.ano-1 de N e de 40 t.ano-1 de P. Carcinicultura: Esta uma atividade em expanso no estado e s na regio do esturio do Rio Jaguaribe cobre uma rea de 800 ha, que esto divididos em 31 fazendas, com predomnio de pequenos produtores (Gesteira et al, 2001). A gua dos viveiros renovada diariamente a uma taxa que varia de 5 a 10% do volume do viveiro (Boyd, 1999), gerando em mdia 219x106 m3 de efluente por ano. De acordo com a concentrao mdia do efluente gerado por uma fazenda da regio (determinado experimentalmente), 0,15 a 0,20 x 10-6 t.m-3 de N e 0,06 a 0,18 x 10-6 t.m-3 de P, calcula-se que a carcinicultura contribui com um volume anual que varia entre 33 a 44 t de N e 13 a 39 t de P. Assim, a contribuio dos esgotos domsticos atinge 26%, 28% e 39 % respectivamente da contribuio total de C, N e P para o esturio, enquanto que o solo contribui com cerca de 40% de C, 20% de N e 13% de P emitido, j a emisso proveniente da

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Ecossistemas Aquticos, Costeiros e Continentaisagricultura corresponde a cerca de 38% do nitrognio emitido e 4% do fsforo. A pecuria responsvel por 34% do C, 14% do N e 34% do P emitido, enquanto que a carcinicultura: emite aproximadamente 1% do N e 11% do P da contribuio total para a regio do esturio do rio Jaguaribe. 3. Concluso As principais contribuies de nutrientes para o esturio do Rio Jaguaribe provm do esgoto urbano, principal emissor de fsforo, da agricultura, responsvel pela maior parte da emisso de nitrognio e a lixiviao de solos, contribuindo principalmente com carbono, para o esturio. A carcinicultura pouco contribui com a emisso de nitrognio e fsforo para o esturio. Provavelmente as guas do esturio devem ser oligotrficas, apresentando baixos teores de N e P, necessitando adicionar nutrientes gua para alimentao dos animais, como essa adio feita com controle rigoroso ela pode ser to diminuta que o processo de produo pode ser denitrificador e supressor do contedo natural de fsforo das guas do Rio Jaguaribe. Entretanto, cabe ressaltar que a carcinicultura a nica das fontes estudadas que libera nutrientes diretamente na regio estuarina. 4. Referncias Bibliogrficas Andrade, F. P. P. de (Coord.) (1991). Diagnstico do uso de fertilizantes para o incremento da produtividade agrcola no cear. Governo do Estado do Cear. Secretarias de Industria e Comrcio (SIC) , Agricultura e Reforma Agrria (SEARA) e Planejamento e Coordenao (SEPLAN), Fortaleza: 83 p. Brasil, Ministrio das Minas e Energia, Secretaria Geral (1981). Projeto RADAMBRASIL: Programa de Integrao Nacional Levantamento de Recursos Naturais, Folhas SB 24/25 Jaguaribe/ Natal, v 23, Rio de Janeiro, 744 p. Boyd, C.E.; Tucker, G.S. (1999). Pond Aquaculture Water Quality Management. Kluwer Academic Publishers, Boston. 700 p. Campos, N.; Studart, T.; Franco, S.; Luna, R. Hydrological Transformations in Jaguaribe River Basin during 20th Century in: 20 th Hidrological Days. 2000, Fort Collins, CO. Proceedings of the 20th Annual American Geophysical Union. Fort Collins, Co: Hydrology Days Publications, 2000. v.1. p.221 - 227. (Disponvel em: . Acesso em: 23 maio. 2003). Carioca, J. O. B.; Arora, H. L. (1984) Biomassa: fundamentos e aplicaes tecnolgicas, EUFC: Fortaleza. 644 p. Esteves, F.A. (1998). Fundamentos de limnologia. 2. ed. Intercincia