1- Artigo - SAE

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IMPLEMENTAO

DA

SISTEMATIZAO

DA

ASSISTNCIA

DE

ENFERMAGEM (SAE) NA SALA DE RECUPERAO PS-ANESTSICA (SRPA). KUHNEN, Aline Carla1 MARKUS, Andrea Machado2 DA CORREGGIO, Thmy Canova3 AMANTE, Lcia Nazareth4

RESUMO Trata-se de uma Pesquisa Convergente Assistencial, de natureza qualitativa, desenvolvida no Centro Cirrgico do Hospital Universitrio da UFSC, com o objetivo de elaborar o instrumento para a implementao da Sistematizao da Assistncia de Enfermagem (SAE) no perodo ps-operatrio imediato. Foram selecionados 10 pacientes submetidos aos procedimentos realizados pela especialidade de cirurgia geral. Os resultados esto organizados em dois momentos, no primeiro caracterizado pelo Perfil dos participantes e no segundo identificamos duas categorias: A realidade da Sala de Recuperao Ps-Anestsica (SRPA), descrevendo os aspectos fsicos, assistenciais e humanos deste local e A ao a partir da realidade na SRPA, relatando as atividades de interveno. Atravs disso, notamos que a SAE facilita a monitorao do paciente e o aproxima do profissional de enfermagem, diminuindo a mecanizao da assistncia e tornando-a individualizada e humanizada. Descritores: Enfermagem Perioperatria; Assistncia de Enfermagem; Sala de Recuperao; Registro de Enfermagem.

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Acadmica da oitava fase do Curso de Graduao em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina. Acadmica da oitava fase do Curso de Graduao em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina. 3 Acadmica da oitava fase do Curso de Graduao em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina e Bolsista do Projeto Pr-Sade na Secretaria Municipal de Sade de Florianpolis. 4 Professora Doutora do Curso de Graduao em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina.

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3 INTRODUO Os indcios do atendimento cirrgico remontam pr-histria, quando j eram realizados procedimentos como ajustamentos de fraturas, amputaes e trepanagens cranianas. No perodo medieval apareceram os cirurgies-barbeiros que realizavam sangrias, extrao dentria, drenagens de abscessos, entre outros procedimentos que eram desempenhados sem qualquer noo de higiene ou processos anestsicos, provocando um grande nmero de mortes por hemorragias e infeces(1). Ao final da Idade Moderna, em Londres, surge a primeira sala cirrgica hospitalar. Estas primeiras salas eram localizadas no ltimo andar dos hospitais, devido utilizao de luz natural e considerando a distncia dos outros pacientes hospitalizados, que com essa separao no ouviriam os gritos dos pacientes sendo operados(2). Na Idade Contempornea, antes da descoberta da anestesia, houve o primeiro relato formal na cidade de Newcastle, Inglaterra, sobre a existncia de uma sala para observao e cuidados especiais ps-cirrgicos, ainda que prestados por pessoal sem treinamento, localizada ao lado das salas de operao(3). Em 1842 surgiu uma nova era para a cirurgia com o descobrimento de anestsicos como o xido nitroso, ter, e posteriormente em 1847, o clorofrmio, possibilitando o controle da dor(4). Florence Nightingale, em 1863, j previa a necessidade de que os pacientes submetidos cirurgia fossem agrupados para facilitar seu atendimento nas primeiras horas ps-operatrias. Sendo que somente em 1942, nos Estados Unidos, utilizou-se, pela primeira vez, o termo Sala de Recuperao Ps-Anestsica - SRPA(3). Porm, somente entre 1940 e 1959, a assistncia de enfermagem aos pacientes cirrgicos foi se tornando mais complexa e cientfica. Nos ltimos anos, a pesquisa na rea da enfermagem cirrgica foi incrementada, visando melhora da qualidade da assistncia tanto no preparo pr-operatrio, quanto na recuperao do paciente(5). Desta forma, surge a enfermagem perioperatria, que segundo Smeltzer e Bare(6) deve ser baseada em um processo sistemtico e planejado com uma srie de passos integrados. Assim, o conceito de prtica perioperatria traz tanto as atividades desenvolvidas durante a assistncia pr, trans e ps-operatria, que so tradicionais da enfermagem, quanto as mais avanadas, como educao para o paciente, aconselhamento, levantamento de dados, planejamento e avaliao. A fase pr-operatria se inicia com a deciso de realizar a interveno cirrgica e termina com o paciente j na mesa operatria, neste momento se inicia a fase trans-operatria que termina quando o mesmo transferido para a sala de recuperao ps-anestsica.

4 O ps-operatrio imediato, segundo Smeltzer e Bare(6), tem seu incio na SRPA, onde o paciente admitido aps o trmino da cirurgia, ainda sob efeito da anestesia e termina com a sua alta. Sendo assim, a fase operatria considerado crtica e complexa, na qual o indivduo necessita de assistncia de enfermagem individualizada e sistematizada acarretando na criao da Sistematizao da Assistncia de Enfermagem Perioperatria (SAEP). Possari(3) afirma que a SRPA uma rea destinada aos pacientes submetidos a qualquer procedimento anestsico-cirrgico, onde permanecem at a recuperao da conscincia, normalizao dos reflexos e dos sinais vitais, sob a monitorizao e cuidados constantes das equipes de enfermagem e mdica. Cunha e Peniche(7) ressaltam que a SRPA uma unidade que possui instabilidade e alta rotatividade e, para que a assistncia de enfermagem ao paciente ocorra de forma efetiva so necessrias aes rpidas, para evitar complicaes, assim como registro correto destas aes, em instrumentos apropriados, para garantir uma continuidade dos cuidados iniciados. O registro dos dados fundamental neste processo, pois promove a continuidade da assistncia, a exatido das anotaes e o pensamento crtico, uma vez que o enfermeiro poder fazer uma avaliao de suas informaes e aprofundar seus conhecimentos. Para facilitar o registro podem-se elaborar instrumentos, porm estes devem obter informaes especficas e relevantes em relao ao paciente, estar embasado em um referencial terico, ser organizado para facilitar a interpretao dos dados, ser prtico para a sua utilizao e oferecer continuidade nas unidades envolvidas com a assistncia(8). No transcorrer das nossas atividades acadmicas terico-prticas, desenvolvidas especificamente na disciplina O Cuidado no Processo de Viver Humano I da quarta unidade curricular do curso de graduao em enfermagem, notamos a ausncia de um instrumento de Sistematizao da Assistncia de Enfermagem (SAE) na SRPA do Centro Cirrgico (CC) do Hospital Universitrio Polydoro Ernani de So Thiago da UFSC que facilitasse, organizasse e documentasse a assistncia de enfermagem prestada ao indivduo em processo anestsicocirrgico de forma qualificada e integral. Considerando a descrio at ento, a proposta norteadora deste estudo baseou-se no pressuposto de que: A complexidade de aes e a inter-relao das trs fases da experincia cirrgica do paciente justifica a importncia da SAEP e a utilizao de conhecimentos cientficos para esse embasamento(9). Neste sentido, apresenta-se a seguinte questo norteadora: Como implementar a Sistematizao da Assistncia de Enfermagem na Sala de Recuperao Ps-Anestsica?

5 Para responder tal questo foi definido como objetivo: elaborar o roteiro para a implementao da Sistematizao da Assistncia de Enfermagem no perodo Ps-operatrio imediato no Centro Cirrgico do Hospital Universitrio Prof Polydoro Ernani de So Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina.

MTODO DA PESQUISA Tratou-se de uma Pesquisa Convergente Assistencial (PCA), de natureza qualitativa, cujo mtodo tem como objetivo articular a teoria com a prtica(10). Foi desenvolvida nos meses de agosto a novembro de 2008 no CC do HU/UFSC. Este hospital contm cinco salas cirrgicas, sendo que quatro esto equipadas para cirurgias de grande porte, requerendo anestesias gerais e/ou regionais. A quinta sala, embora equipada para a realizao de procedimentos anestsicos, em virtude de sua menor dimenso (20 m2) destinada apenas cirurgia de pequeno porte e procedimentos ambulatoriais. Caracterizado como hospital escola, fundado em 1980, possui a assistncia de enfermagem realizada de forma integral e sistematizada, seja na rea ambulatorial ou de internao. Para a realizao da assistncia de enfermagem, a metodologia adotada baseada na Teoria das Necessidades Humanas Bsicas (NHB) de Wanda de Aguiar Horta. Para participar da pesquisa foram selecionados 10 pacientes submetidos ao tratamento anestsico-cirrgico, que atendessem aos seguintes critrios de incluso: serem pacientes da especialidade de Cirurgia Geral, estarem internados nas Unidades Cirrgicas antes do procedimento, aceitar livremente participar e colaborar com o estudo aps terem sido convidados e esclarecidos sobre os objetivos do mesmo e assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Destacamos que dentre as especialidades cirrgicas, a cirurgia geral a que possui o maior ndice de cirurgias no CC do HU/UFSC sendo este o fator que motivou a escolha desta especialidade. Os pacientes foram convidados a participar do estudo a partir da escala cirrgica diria e visita pr-operatria do enfermeiro que era realizada seguindo um instrumento semi-estruturado criado por Ferreira; Borges e Figueiredo(11). Foi utilizado o mtodo da observao com o objetivo de analisar a assistncia de enfermagem prestada ao indivduo em recuperao ps-anestsica pelos profissionais da SRPA do CC do HU/UFSC. Assim, confeccionamos o instrumento de acordo com as observaes e anlise da pesquisa e atravs da reviso bibliogrfica. Utilizamos como guia o instrumento criado por Cunha e Peniche(7), porm o estruturamos e o adaptamos a fim de proporcionar uma assistncia integral e individualizada ao paciente e estar de acordo com a

6 realidade da SRPA do CC do HU/UFSC. Alm da reviso de literatura, buscamos desenvolver o instrumento com base na teoria de Wanda de Aguiar Horta que o referencial terico da sistematizao da assistncia do HU/UFSC e permite assistir o paciente em sua totalidade e assegurar sua plenitude bio-psico-scio-espiritual(12). Trentini e Paim(10) relatam que na PCA os processos de assistncia, co