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    1. Introduo

    Este trabalho tem como principal objetivo discutir a interatividade, sua

    natureza e potencialidades, com a inteno de enriquecer o debate sobre seus

    problemas e desafios. A reflexo parte de um conjunto de referncias que

    apresentam diferentes enfoques tericos sobre o paradigma que envolve a

    relao homem-mquina, sobretudo aqueles, que construram seus discursos

    luz das principais teorias do campo da comunicao.

    Tema que sempre esteve entre os principais dilemas dos estudos da

    comunicao, e que nos ltimos anos, em funo da emergncia das

    tecnologias digitais com supostas novas possibilidades de troca de mensagens,

    ganha novo impulso, pautando os principais debates, congressos, colquios,

    onde seus atores discutem o impacto desses instrumentos nos processos de

    comunicao entre os homens e os meios de comunicao.

    A cada novo anncio dessa indstria, repercute na mdia especulaes

    diversas, sobretudo, cenrios que ilustram uma sociedade mais participativa

    nos processos de produo e transmisso de contedos telemticos atravs de

    uma rede que, gradativamente, vm aumentando seus ns devido a grande

    oferta de produtos interativos a um preo cada vez mais acessvel.

    Um momento de transio tecnolgica que se inicia nos idos de 1990 e

    vm se desenrolando nos ltimos 20 anos, tendo grande avano nos primeiros

    anos do sculo corrente. Revoluo tecnolgica que decorre da passagem de

    um sistema analgico para outro digital, somada a evolues tecnolgicas que

    permitiram a convergncia de mdias, que cada vez mais fundem televisores,

    rdios, telefones, etc. a computadores, cada vez menores, leves e portteis.

    E esse salto tecnolgico, deve-se a uma demanda em crescimento

    motivada pelo desejo do ser humano de se comunicar, trocar ideias, gostos,

    entretenimentos, conhecimentos e informaes de toda sorte. Anseios,

    conforme ser apresentado aqui, sempre estiveram presente entre as

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    prioridades humanas, pois tal necessidade caracterstica de sua natureza

    enquanto espcie especialmente dotada de um crebro capaz de armazenar,

    compreender, produzir e transmitir conhecimentos.

    Capacidade que com o auxlio de tecnologias, vm derrubando e

    modificando a maneira do homem se relacionar com o conhecimento, tendo

    como seu marco o desenvolvimento do livro impresso na idade mdia, que

    para muitos historiadores da comunicao, trata-se do primeiro veculo de

    transmisso de conhecimento em massa da histria da humanidade.

    E esses momentos criativos, revogam esse anseio do ser humano por

    ampliar seus horizontes comunicacionais, que vm de encontro aos seus

    interesses sobre as coisas do mundo que o cerca, a sua busca incessante pelo

    esclarecimento sobre sua origem, sobre o meio em que est inserido, seus

    dilemas que medida que a cincia avana, se revelam em teorias que

    reescrevem sua histria, que neste caso, buscar subsdios para entender a

    interao humana, sua origem e importncia no processo de comunicao,

    suas formas e linguagens e o desenvolvimento do conceito de interatividade, a

    partir da insero das tecnologias nesse universo de troca de experincias,

    conhecimentos e costumes.

    Teorias que analisaram o impacto das tecnologias da comunicao,

    segundo as quais resultaria em transformaes contundentes na cultura do

    homem, como as observou Marshall McLuhan, em A Galxia de Gutenberg

    (1962), que apresenta uma viso totalizante sobre a passagem de uma

    sociedade tribalizada para outra destribalizada, devido as mudanas

    decorrentes da emergncia do livro, a popularizao da imprensa na segunda

    metade do milnio passado.

    Outra viso que merece destaque a Teoria Crtica, que tem como

    grande acontecimento a publicao de A Dialtica do Esclarecimento: A

    indstria Cultural como mistificao das massas (1949), por Theodore Adorno e

    Max Horkheimer. Os alemes da Escola de Frankfurt, com uma abordagem

    mais sociolgica, realizam uma crtica sobre os reflexos na sociedade da

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    interao do homem com o rdio, cinema, msica, entre outros elementos que

    os pesquisadores denominaram como produtos da indstria cultural, que

    estaria imbuda no mais em comunicar, mas em entreter e massificar a

    cultura.

    J na era da televiso, Os Meios de Comunicao como extenses do

    homem (1969), tambm de autoria de Marshall Mcluhan, provocaria a

    sociedade acadmica, com sua viso tambm generalista, porm, partindo da

    hiptese de que os meios de comunicao podem ser vistos como

    prolongamentos dos sentidos humanos. Abordagem funcionalista que foi e

    continua sendo compartilhada por pesquisadores de todo ocidente, por isso,

    sua importncia como referncia nesse trabalho.

    Porm, outros autores optaram por vises mais comedidas sobre essa

    relao, como o trabalho de John B. Thompson, em Ideologia e Cultura

    Moderna (1995), em que analisa, entre outras temas entender a interao, ou

    quase-interao do homem com os meios de comunicao, sobretudo, a

    televiso como grande mdia de seu tempo, permeando sua teoria.

    Trazendo a discusso para a contemporaneidade, optou-se por analisar

    os trabalhos de Manuel Castells, sobretudo, seu Sociedade em Rede: A Era da

    Informao (1996-1998), o qual atualiza o contexto da comunicao s novas

    tecnologias da informao (computador, celulares), sobretudo, o impacto da

    internet nesse novo cenrio miditico.

    E ainda sobre a atualidade, outros pensadores importantes foram

    especialmente reunidos nesse trabalho. So eles, Jonathan Steuer, Edna L.

    Rogers, Alex Primo, Andr Lemos, Rafaeli Sheizaf, entre outros que analisaram

    a relao homem-mquina, atualizando, reformulando e desenvolvendo novas

    modelos e teorias sobre a questo da interatividade. Alguns claramente

    influenciados pelas ideias de McLuhan, Shannon e Weaver, que propuseram

    em seus estudos, outras abordagens para antigos paradigmas luz de

    consagradas teorias do campo da comunicao.

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    Desta maneira, primeiramente, pretende-se apresentar um panorama

    dos estudos da comunicao tendo como ponto de partida o paradigma da

    interatividade, revisando esse rico acervo terico sobre os impactos dos meios

    de comunicao na sociedade, priorizando uma atualizao do conceito de

    interatividade, pelo intermdio das principais vozes que fundamentam o campo.

    Sabe-se, por exemplo, que as mdias digitais possibilitam comunicao

    interativa, sendo essa caracterstica uma das principais responsveis por uma

    avalanche de produtos tecnolgicos com essa configurao, no entanto, sabe-

    se tambm que muito do que vm sendo anunciado como interativo, na

    verdade fruto da especulao mercadolgica, da a necessidade de se

    desenvolver um estudo que permita separar o que realmente interatividade

    do que supostamente propaganda.

    Por exemplo, os estudos epistemolgicos da comunicao, no

    consideram a interatividade como algo novo, pois seus representantes

    acreditam que tal fenmeno sempre esteve presente no processo de

    comunicao humana. Segundo tal abordagem, o homem primitivo, para

    entender o mundo a seu redor explorava outros sentidos como o tato e o

    paladar, de modo que os primeiros contatos com alimentos foram atravs

    desses sentidos, impulsos que permitiram o homem fazer suas primeiras

    descobertas e comunic-las a seus semelhantes.

    Desse modo, o conceito de interatividade estaria inserido em um

    universo semntico muito amplo e muito alm das novas possibilidades

    tecnolgicas, que acabam por ampliar ainda mais sua subjetividade. Uma tima

    metfora para os estudos da interatividade na atualidade a do capito do

    navio que surpreendido por uma tempestade, sem bssola ou qualquer outro

    instrumento de navegao. Sem destino, deriva, o capito busca uma rota

    num oceano de possibilidades.

    Por outro lado, sabe-se tambm, que as hiprboles publicitrias,

    trabalham com o imaginrio, com os sonhos e desejos do ser humano, a partir

    de anseios que so compartilhados por uma maioria de consumidores, que

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    atravs de um processo simbitico com a mdia, ditam modismos, conceitos e

    valores, que podem se configurar como frao de uma cultura.

    Por causa disso, optou-se por reservar um espao para uma anlise do

    impacto das novas tecnologias interativas no processo de formao cultural da

    sociedade contempornea, apresentando dados sobre sua penetrao nas

    diversas partes do mundo, as transformaes na economia do ramo das

    telecomunicaes, sobretudo, o quanto o consumidor/telespectador/usurio faz

    parte da produo dos contedos que so veiculados por essa nova rede de

    comunicaes.

    Em face das novas possibilidades de troca de informaes que as

    tecnologias digitais vm proporcionando, no incio do novo milnio, entender a

    interatividade emergencial e necessria para o desenvolvimento das

    pesquisas em Comunicao.

    A questo repercute na mdia, e na academia, o assunto recebe cada

    vez mais ateno de pesquisadores de diversas disciplinas, que atravs de

    suas resenhas, publicaes, ensaios de todas as sortes, atualizam, discutem a

    questo, atravs de teorias e critrios de anlise que possibilitam compreenso

    mais objetiva acerca da interatividade.

    No entanto, esse pensar caracterstico de reas correlatas da

    Comunicao, como as Cincias da Computao, Engenharia de

    Telecomunicaes, sendo p