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    1. Introduo

    Este trabalho tem como principal objetivo discutir a interatividade, sua

    natureza e potencialidades, com a inteno de enriquecer o debate sobre seus

    problemas e desafios. A reflexo parte de um conjunto de referncias que

    apresentam diferentes enfoques tericos sobre o paradigma que envolve a

    relao homem-mquina, sobretudo aqueles, que construram seus discursos

    luz das principais teorias do campo da comunicao.

    Tema que sempre esteve entre os principais dilemas dos estudos da

    comunicao, e que nos ltimos anos, em funo da emergncia das

    tecnologias digitais com supostas novas possibilidades de troca de mensagens,

    ganha novo impulso, pautando os principais debates, congressos, colquios,

    onde seus atores discutem o impacto desses instrumentos nos processos de

    comunicao entre os homens e os meios de comunicao.

    A cada novo anncio dessa indstria, repercute na mdia especulaes

    diversas, sobretudo, cenrios que ilustram uma sociedade mais participativa

    nos processos de produo e transmisso de contedos telemticos atravs de

    uma rede que, gradativamente, vm aumentando seus ns devido a grande

    oferta de produtos interativos a um preo cada vez mais acessvel.

    Um momento de transio tecnolgica que se inicia nos idos de 1990 e

    vm se desenrolando nos ltimos 20 anos, tendo grande avano nos primeiros

    anos do sculo corrente. Revoluo tecnolgica que decorre da passagem de

    um sistema analgico para outro digital, somada a evolues tecnolgicas que

    permitiram a convergncia de mdias, que cada vez mais fundem televisores,

    rdios, telefones, etc. a computadores, cada vez menores, leves e portteis.

    E esse salto tecnolgico, deve-se a uma demanda em crescimento

    motivada pelo desejo do ser humano de se comunicar, trocar ideias, gostos,

    entretenimentos, conhecimentos e informaes de toda sorte. Anseios,

    conforme ser apresentado aqui, sempre estiveram presente entre as

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    prioridades humanas, pois tal necessidade caracterstica de sua natureza

    enquanto espcie especialmente dotada de um crebro capaz de armazenar,

    compreender, produzir e transmitir conhecimentos.

    Capacidade que com o auxlio de tecnologias, vm derrubando e

    modificando a maneira do homem se relacionar com o conhecimento, tendo

    como seu marco o desenvolvimento do livro impresso na idade mdia, que

    para muitos historiadores da comunicao, trata-se do primeiro veculo de

    transmisso de conhecimento em massa da histria da humanidade.

    E esses momentos criativos, revogam esse anseio do ser humano por

    ampliar seus horizontes comunicacionais, que vm de encontro aos seus

    interesses sobre as coisas do mundo que o cerca, a sua busca incessante pelo

    esclarecimento sobre sua origem, sobre o meio em que est inserido, seus

    dilemas que medida que a cincia avana, se revelam em teorias que

    reescrevem sua histria, que neste caso, buscar subsdios para entender a

    interao humana, sua origem e importncia no processo de comunicao,

    suas formas e linguagens e o desenvolvimento do conceito de interatividade, a

    partir da insero das tecnologias nesse universo de troca de experincias,

    conhecimentos e costumes.

    Teorias que analisaram o impacto das tecnologias da comunicao,

    segundo as quais resultaria em transformaes contundentes na cultura do

    homem, como as observou Marshall McLuhan, em A Galxia de Gutenberg

    (1962), que apresenta uma viso totalizante sobre a passagem de uma

    sociedade tribalizada para outra destribalizada, devido as mudanas

    decorrentes da emergncia do livro, a popularizao da imprensa na segunda

    metade do milnio passado.

    Outra viso que merece destaque a Teoria Crtica, que tem como

    grande acontecimento a publicao de A Dialtica do Esclarecimento: A

    indstria Cultural como mistificao das massas (1949), por Theodore Adorno e

    Max Horkheimer. Os alemes da Escola de Frankfurt, com uma abordagem

    mais sociolgica, realizam uma crtica sobre os reflexos na sociedade da

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    interao do homem com o rdio, cinema, msica, entre outros elementos que

    os pesquisadores denominaram como produtos da indstria cultural, que

    estaria imbuda no mais em comunicar, mas em entreter e massificar a

    cultura.

    J na era da televiso, Os Meios de Comunicao como extenses do

    homem (1969), tambm de autoria de Marshall Mcluhan, provocaria a

    sociedade acadmica, com sua viso tambm generalista, porm, partindo da

    hiptese de que os meios de comunicao podem ser vistos como

    prolongamentos dos sentidos humanos. Abordagem funcionalista que foi e

    continua sendo compartilhada por pesquisadores de todo ocidente, por isso,

    sua importncia como referncia nesse trabalho.

    Porm, outros autores optaram por vises mais comedidas sobre essa

    relao, como o trabalho de John B. Thompson, em Ideologia e Cultura

    Moderna (1995), em que analisa, entre outras temas entender a interao, ou

    quase-interao do homem com os meios de comunicao, sobretudo, a

    televiso como grande mdia de seu tempo, permeando sua teoria.

    Trazendo a discusso para a contemporaneidade, optou-se por analisar

    os trabalhos de Manuel Castells, sobretudo, seu Sociedade em Rede: A Era da

    Informao (1996-1998), o qual atualiza o contexto da comunicao s novas

    tecnologias da informao (computador, celulares), sobretudo, o impacto da

    internet nesse novo cenrio miditico.

    E ainda sobre a atualidade, outros pensadores importantes foram

    especialmente reunidos nesse trabalho. So eles, Jonathan Steuer, Edna L.

    Rogers, Alex Primo, Andr Lemos, Rafaeli Sheizaf, entre outros que analisaram

    a relao homem-mquina, atualizando, reformulando e desenvolvendo novas

    modelos e teorias sobre a questo da interatividade. Alguns claramente

    influenciados pelas ideias de McLuhan, Shannon e Weaver, que propuseram

    em seus estudos, outras abordagens para antigos paradigmas luz de

    consagradas teorias do campo da comunicao.

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    Desta maneira, primeiramente, pretende-se apresentar um panorama

    dos estudos da comunicao tendo como ponto de partida o paradigma da

    interatividade, revisando esse rico acervo terico sobre os impactos dos meios

    de comunicao na sociedade, priorizando uma atualizao do conceito de

    interatividade, pelo intermdio das principais vozes que fundamentam o campo.

    Sabe-se, por exemplo, que as mdias digitais possibilitam comunicao

    interativa, sendo essa caracterstica uma das principais responsveis por uma

    avalanche de produtos tecnolgicos com essa configurao, no entanto, sabe-

    se tambm que muito do que vm sendo anunciado como interativo, na

    verdade fruto da especulao mercadolgica, da a necessidade de se

    desenvolver um estudo que permita separar o que realmente interatividade

    do que supostamente propaganda.

    Por exemplo, os estudos epistemolgicos da comunicao, no

    consideram a interatividade como algo novo, pois seus representantes

    acreditam que tal fenmeno sempre esteve presente no processo de

    comunicao humana. Segundo tal abordagem, o homem primitivo, para

    entender o mundo a seu redor explorava outros sentidos como o tato e o

    paladar, de modo que os primeiros contatos com alimentos foram atravs

    desses sentidos, impulsos que permitiram o homem fazer suas primeiras

    descobertas e comunic-las a seus semelhantes.

    Desse modo, o conceito de interatividade estaria inserido em um

    universo semntico muito amplo e muito alm das novas possibilidades

    tecnolgicas, que acabam por ampliar ainda mais sua subjetividade. Uma tima

    metfora para os estudos da interatividade na atualidade a do capito do

    navio que surpreendido por uma tempestade, sem bssola ou qualquer outro

    instrumento de navegao. Sem destino, deriva, o capito busca uma rota

    num oceano de possibilidades.

    Por outro lado, sabe-se tambm, que as hiprboles publicitrias,

    trabalham com o imaginrio, com os sonhos e desejos do ser humano, a partir

    de anseios que so compartilhados por uma maioria de consumidores, que

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    atravs de um processo simbitico com a mdia, ditam modismos, conceitos e

    valores, que podem se configurar como frao de uma cultura.

    Por causa disso, optou-se por reservar um espao para uma anlise do

    impacto das novas tecnologias interativas no processo de formao cultural da

    sociedade contempornea, apresentando dados sobre sua penetrao nas

    diversas partes do mundo, as transformaes na economia do ramo das

    telecomunicaes, sobretudo, o quanto o consumidor/telespectador/usurio faz

    parte da produo dos contedos que so veiculados por essa nova rede de

    comunicaes.

    Em face das novas possibilidades de troca de informaes que as

    tecnologias digitais vm proporcionando, no incio do novo milnio, entender a

    interatividade emergencial e necessria para o desenvolvimento das

    pesquisas em Comunicao.

    A questo repercute na mdia, e na academia, o assunto recebe cada

    vez mais ateno de pesquisadores de diversas disciplinas, que atravs de

    suas resenhas, publicaes, ensaios de todas as sortes, atualizam, discutem a

    questo, atravs de teorias e critrios de anlise que possibilitam compreenso

    mais objetiva acerca da interatividade.

    No entanto, esse pensar caracterstico de reas correlatas da

    Comunicao, como as Cincias da Computao, Engenharia de

    Telecomunicaes, sendo pouco discutido luz das Teorias da Comunicao,

    dando maior relevncia a esse estudo, que pretende revisar os principais

    conceitos que fundamentam o grande campo da Comunicao Social,

    relacionando-os as mais recentes abordagens sobre a interatividade. Pode-se

    dizer que esse trabalho, pretende definir um espao novo de estudos com

    ancoragens seguras para que qualquer outro pesquisador possa aportar suas

    pesquisas.

    Alm disso, outra ordinria pretenso desse estudo estaria na

    identificao, seleo e separao dos aspectos especulativos que se atribuem

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    ao conceito de interatividade. Sabe-se que depois das crenas e religies, a

    publicidade a grande fbrica de mitos da sociedade, como por exemplo, o

    mito da famlia perfeita como arqutipo de diversas campanhas, o mito do rosto

    e do corpo perfeito nas campanhas de cosmticos e grifes de todas as sortes.

    Poucas ideias escapam de sua lgica, e com a interatividade no foi diferente.

    Desde sua emergncia como apelo comercial, em meados dos anos

    1990, a interatividade possu um papel fundamental nas campanhas

    publicitrias de diversas indstrias, sejam elas das prprias emissoras, sejam

    dos fabricantes de aparelhos eletroeletrnicos, como seus celulares interativos,

    TVs interativas, aparelhos de todas sortes que necessariamente devem possuir

    a prerrogativa interativo, como observou Alex Primo dizendo que os termos

    interatividade e interativo circulam hoje por toda parte, nas campanhas de

    marketing, nos programas de TV e rdio, nas embalagens de programas

    informticos e jogos eletrnicos, como tambm nos trabalhos cientficos de

    comunicao e reas afins.O tema na internet encontra resultados to amplos

    e variados que se torna quase impossvel avaliar todas as informaes

    relativas ao tema.

    No entanto, sabe-se que tal conduta tpica dessa indstria, que h

    muito tempo no se preocupa em esconder suas estratgias comerciais

    mitolgicas, ou seja, para vender, mais do que ser preciso parecer ser, e

    com essa receita, a propaganda acabou por massificar uma ideia de

    interatividade que nem sempre condiz com a realidade tecnolgica oferecida. E

    desmistificar tudo isso, ou seja, separar as falcias da lgica tecnolgica gera

    expectativas interessantes aos resultados esperados no desenrolar desse

    trabalho de pesquisa.

    Desse modo, a busca por informaes mais seguras sobre o conceito de

    interatividade orientou as principais hipteses dessa pesquisa, que no incio

    teve como principal desafio desmembrar o que era publicidade do que era

    realidade.

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    Questo que foi o ponto de partida para um estudo que acabou por

    revelar questes elementares sobre o assunto, tais como: O que

    interatividade? Quais as caractersticas dos processos interativos? O que

    caracteriza um meio de comunicao interativo? Interatividade existe sozinha?

    Questionamentos que foram ganhando importncia medida que

    percebia a dificuldade de se encontravam estudos especficos sobre o assunto,

    sobretudo, referncias que se alinhassem s perspectivas teorias do campo da

    comunicao. Desse modo, adequar o conceito de interatividade s essas

    teorias passou a ser outro motivo dessa pesquisa, com o objetivo de

    desenvolver um material que fundamentasse de forma ampla e com rigor

    cientfico, as principais caractersticas que podem ser atribudas a esse

    fenmeno, ou seja, iluminar suas particularidades, suas singularidades,

    construindo a prpria arquitetura da interatividade, e com isso, abastecer

    futuras demandas cientficas do campo.

    Um objeto de estudo cientfico em tese deve conter um bom motivo de

    investigao. Esse motivo, quando no uma nova teoria, parte da premissa

    que na cincia tudo pode ser organizado, revisado e sintetizado, de forma que

    o produto desse trabalho possa contribuir para outros estudos e pesquisas. De

    certo modo, esse trabalho tem essa pretenso, ou seja, prover informaes

    organizadas sobre a questo da interatividade com o objetivo de abastecer o

    campo de dados revisados, e ainda atualiz-lo trazendo mais teorias e ideias

    sobre a questo.

    No entanto, neste caso, h outros argumentos que reforam sua

    urgncia. Sabe-se que junto com a emergncia das tecnologias digitais na

    aurora do sculo XXI, surgem tambm especulaes sobre as novas

    possibilidades de interatividade homem-mquina, de modo que justifica-se um

    estudo que proporcione mais entendimento sobre esse suposto novo processo,

    ou ento - como tais recursos tecnolgicos, estariam realizando tal

    transformao nos processos de comunicao? Estariam esses instrumentos

    reproduzindo as necessidades humanas ou as j conhecidas necessidades

    econmicas?

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    Assim, em seu objetivo mais amplo, esse trabalho pretende redefinir, ou

    melhor definir interatividade, distinguir uma mdia1 interativa de uma no

    interativa, identificar os diferentes graus de interatividade disponveis na

    atualidade, que recursos uma tecnologia deve possuir para se caracterizar

    como interativa, enfim, questes que precisam de mais ateno cientfica pois,

    conforme vm-se observando nas publicaes de muitos pesquisadores, a

    interatividade parece ser apenas um bom apelo publicitrio, sem muito

    esclarecimento sobre de fato do que se trata e de repente, parece que todos

    falam de televiso interativa, cabo interativo, telefones interativos, servios

    interativos de computador, jogos interativos, comerciais interativos, compact

    disc interativos, e at latas de cerveja interativas (com chips de computador

    que falam com voc quando se abre a tampa). Entretanto, no to fcil definir

    exatamente o que significa interatividade.

    Essa dvida, compartilhada por esses pesquisadores, justifica uma

    pesquisa sobre o assunto. Estudo que pode esclarecer o que interatividade

    no contexto comunicativo, sobretudo, analisar como a questo definida pelos

    autores que estudam o processo de comunicao, pois, embora existam

    ensaios diversos sobre o assunto, h poucos trabalhos engajados a explicar o

    fenmeno.

    Problema que j foi mencionado em estudos anteriores, como em

    Interactivity: from new media to communication2 de Rafaeli Sheizaf3, publicado

    em 1988, que observa que a Interatividade um termo amplamente

    utilizado com um apelo intuitivo, mas continua sendo um conceito subdefinido.

    (RAFAELI, 1988).

    1Vocbulo transcrito da pronncia inglesa para o plural latino de medium, que tanto em latim quanto em ingls se

    escreve media. A palavra mdia utilizada na lngua portuguesa (Brasil) para significar meios de comunicao instrumentos tecnolgicos que servem para a difuso das mensagens..(SOUZA, Juliana Pereira de, Enciplopdia INTERCOM de Comunicao, 2010, ps. 816-817) 2 Interatividade: Das novas mdias a comunicao. 3 Professor Sheizaf Rafaeli ( ), um israelense pesquisador erudito, da comunicao mediada por computadores , cientista da computao, e colunista de jornal. Ele professor e decano da Escola de Gesto (Graduate School of Business Administration) Haifa GSB , da Universidade de Haifa Israel e, adicionalmente, diretor do Centro de Pesquisa Sagy Internet (Anteriormente conhecido como o Centro para o Estudo da Sociedade da Informao) e do jogos para gerentes de projeto . Na dcada de 1980 e 1990 ele trabalhou como chefe da rea de Sistemas de Informao na Graduate School of Business na Universidade Hebraica de Jerusalm .

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    E, em um pouco mais de duas dcadas, a cada nova tecnologia da

    comunicao anunciada, novas acepes somavam-se ao termo interatividade,

    a ausncia de critrio cientfico contribui para que, cada vez mais, este campo

    fique nebuloso frente s tecnologias, perpetuando um ciclo de confuso

    semntica. Nunca antes se falou tanto em interatividade, sem saber, no

    entanto, do que realmente se trata. Sem dvida a digitalizao da informao

    lanou luz sobre novas possibilidades e, em grande medida, tambm contribuiu

    para que tudo passasse a ser vendido como interativo como se a

    interatividade nunca antes tivesse existido e fosse caracterstica exclusiva das

    novas tecnologias.

    Pode-se citar ainda outra questo que gira entorno do apelo

    interatividade, ou seja, necessidade de esclarecer o que novo nesse

    contexto, pois como j aconteceu antes, muitas novidades so na verdade

    releituras de ideias anteriores. Desse modo, justifica-se uma pesquisa que

    possa revisar e atualizar o assunto.

    Sabe-se, porm, que na histria da humanidade, sempre que uma

    novidade tecnolgica apresentada surgem esses cenrios apocalpticos,

    utpicos, que vislumbram um mundo sem fronteiras, onde a informao estaria

    disposio de todos em todo momento. Por outro lado, tais anncios podem

    causar um tipo de ansiedade que campo frtil para o desenvolvimento de

    mitos, e por isso tambm se justificaria uma investigao cientfica, objetivando

    desmistificar as falcias publicitrias.

    O pesquisador Marco Silva afirma que o termo virou marketing de si

    mesmo. Vende mdias, vende notcias, vende tecnologias, vende shows e

    muito mais. a chamada indstria da interatividade. (SILVA, 1995, p. 01).

    Nessa mesma direo, Alex Primo observa que os termos interatividade e

    interativo circulam hoje por toda parte, nas campanhas de marketing, nos

    programas de TV e rdio, nas embalagens de programas informticos e jogos

    eletrnicos, como tambm nos trabalhos cientficos de comunicao e reas

    afins.

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    Assim, v-se que a questo se delineia para diversas esferas da

    indstria e da prpria sociedade, contudo, como adverte Primo, a questo

    merece ateno cientfica, pois, se no pode esperar preciso no uso popular e

    mercadolgico do termo, a referncia cientfica interatividade ou

    interao mediada por computador, como ser aqui preferido demanda uma

    conceituao mais rigorosa.

    Desse modo, o pesquisador brasileiro, salienta a importncia de se

    desenvolver uma pesquisa que abarque todas as suas possibilidades e as

    organizem em enfoques que valorizem a complexidade do contexto da

    comunicao.

    Por outro lado, o interesse dos mecanismos de interatividade por todas

    as camadas da sociedade, justifica uma anlise dos processos de formao

    cultural, pois observa-se nesse novo momento histrico, a fora que gravita em

    torno das novas tecnologias interativas, desse modo, realizar uma anlise do

    impacto desses mecanismos de troca de informaes, valores e

    conhecimentos, podem esclarecer tambm como vm construindo a cultura

    contempornea.

    Para atingir os objetivos dessa pesquisa, a estrutura da dissertao foi

    dividida em quatro etapas distintas. A primeira exatamente esta que

    prossegue apresentando o tema, os problemas de estudo e por fim a sua

    estrutura, sendo este o captulo primeiro, o arcabouo metodolgico desse

    trabalho.

    O captulo segundo, Conceitos Fundamentais do Campo da

    Comunicao, apresenta as principais opinies sobre os preceitos que

    inauguram o pensamento sobre a Comunicao. Uma anlise que ocorre

    atravs de metforas que buscam ilustraes sobre as origens da

    comunicao, de sua gnesis antropomrfica.

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    Uma breve introduo ficcional que abre caminho para uma discusso

    mais objetiva e factvel sobre as origens da comunicao mediada por

    tecnologia, desenvolvendo uma breve anlise sobre tcnica e tecnologia,

    dando vazo para autores consagrados como Marshall McLuhan, com seus A

    Galxia de Gutenberg e os Meios de Comunicao como Extenses do

    Homem, ttulos imprescindveis quando o assunto o impacto das tecnologias

    nas relaes do homem com os meios de comunicao.

    Nesse captulo, destaca-se tambm os trabalhos de Luiz C. Martino,

    Andr Lemos, Ciro Marcondes Filho, Luiz Beltro, entre outros que

    enriqueceram o debate sobre os conceitos de Comunicao, Comunicao,

    Tcnica e Tecnologia, formando uma base discursiva interessante nesse

    captulo conceitual.

    Ainda no captulo segundo, com o objetivo de contextualizar e definir o

    terreno epistemolgico que esse estudo est inserido, inclui-se uma anlise

    das principais teorias que compem os estudos da comunicao, tais como: a

    Teoria Aristotlica, Funcionalista, Teoria Crtica, Matemtica, entre muitas

    outras, que fundamental o campo, com teoremas, esquemas e modelos que

    em essncia so os prprios estudos da Comunicao. Perspectivas aceitas,

    renovadas, que perduram e continuam como as principais referncias, em

    publicaes, ensaios e dissertaes de todas as sortes na grande rea da

    Comunicao Social.

    Considerando que h um vasto arsenal de possibilidades tericas, a

    empreitada no mnimo desafiadora, no entanto, como objetivo do trabalho

    encontrar nas teorias da comunicao os elementos conceituais que possam

    subsidiar uma teoria da interatividade, essa investigao acaba por inclinar-se

    para aquelas que fundamentam o motivo dessa pesquisa, que entender a

    interatividade.

    Em seguida, aps toda essa contextualizao terica, chegada a vez

    do captulo terceiro ou Arquitetura da Interatividade, etapa responsvel pela

    temtica dessa pesquisa. Nesse espao, o ponto de partida uma anlise

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    sobre as diferenas e similitudes existentes entre os conceitos de interao e

    interatividade, com o objetivo de entender e desprender um conceito do outro.

    Dilema que decorre da grande confuso que tais denominaes geram

    quando colocada lado a lado. A primeira, interao, que entre outras

    aplicabilidades em outras disciplinas (Na Qumica - interao entre

    substncias; Na Fsica Interao entre foras), foi introduzida na sociologia

    ainda no sculo XVIII, cujo objetivo conceitual estaria muito mais imbudo no

    entendimento do processo social, proveniente das relaes humanas,

    mediadas ou no por meios de comunicao de massa. J o conceito de

    interatividade, supostamente teve suas origens nas cincias da informao,

    com o objetivo de explicar as relaes entre os homens e as mquinas.

    Aps esse estudo, a etapa seguinte definir, claramente o que

    interatividade. Quais so suas caractersticas? Quais so seus modelos

    tericos? Suas perspectivas e enfoques mais reverenciados pelos principais

    especialistas no assunto, descrita de tal forma que outros pesquisadores

    possam se apropriar seguramente de tais estudos, com a prerrogativa de

    serem vlidos para futuras pesquisas.

    Desse modo, esse captulo visa iluminar as diversas formas que se v o

    fenmeno da interatividade, suas singularidades, seus principais atores,

    sobretudo, encontrar nessas definies vises que se alinham s Teorias da

    Comunicao. Com isso, espera-se construir um edifcio conceitual que rena

    dados que fundamentem a interatividade. Alm disso, organizar um rico acervo

    de informaes com a finalidade de explicar suas caractersticas, suas

    aplicabilidades, suas fronteiras tecnolgicas e culturais.

    O quarto e ltimo captulo, Sociedade Interativa na Cultura Digital, uma

    anlise sobre o impacto das tecnologias interativas, no mercado, nas relaes

    humanas, na cultura de um modo geral. Um espao que apresenta dados

    sobre os interesses das grandes corporaes que exploram a indstria de bens

    culturais nessas novas tecnologias, sobretudo, a dificuldade de se monopolizar

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    um mercado que cada vez mais amplo, descentralizado e de consumidores

    ativos no processo de produo.

    A discusso parte do princpio que estaramos vivendo um novo

    momento paradigmtico como ocorreu na incluso do livro nas sociedades pr-

    modernas, e posteriormente, da televiso nos ltimos sessenta anos. Atribui-

    se, porm, as tecnologias interativas, outro momento de transformao, que

    estaria mais uma vez transformando a forma do homem se relacionar, interagir

    e trocar informaes.

    Presume-se que ao investigar o conceito de interatividade, atravs das

    teorias da comunicao, ser possvel responder as indagaes mais

    elementares que confundem os conceitos de comunicao e interatividade.

    Alm disso, supe-se que tais esclarecimentos podem definir um vis que

    acentuam o impacto das tecnologias nos processos de comunicao do

    homem, que se redefinem naquilo que hoje se denomina como interatividade.

    No entanto, longe de encerrar a discusso sobre a questo, acredita-se

    que ao passar o conceito de interatividade pelo crivo cientfico, espera-se que

    esse estudo, em primeiro lugar contribua para o esclarecimento sobre os

    conceitos de comunicao e interatividade, sobretudo, onde comea um e

    termina o outro, e em segundo lugar entender como as tecnolgicas esto

    envolvidas nos processos de comunicao do homem, no desenvolvimento de

    sua cultura, sobretudo, como os ltimos acontecimentos estariam agindo nesse

    universo de produo e troca de conhecimentos.

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    Captulo 2

    Conceitos Fundamentais da Comunicao

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    2. Conceitos Fundamentais da Comunicao

    O conceito de Comunicao polissmico, multifacetado, inserido em

    um campo marcado pela interdisciplinaridade, pela pluralidade de teorias,

    vieses e vozes, desafiando e ao mesmo tempo instigando pesquisadores que

    buscam seu entendimento.

    Desse modo, entende-se que qualquer estudo da comunicao,

    primeiramente deve contextualizar seus os conceitos fundamentais,

    desenhando um mapa terico do campo que permita ao pesquisador uma viso

    geral das principais teorias que o compem. Essa etapa inicial mais do que

    um formalismo acadmico, mas sim uma necessidade metodolgica que tem

    como meta, uma delimitao clara do espao cientfico que se pretende

    ancorar a investigao, o qual em si deve contemplar as principais teorias que

    devem iluminar esse estudo.

    Para isso, tem-se como ponto de partida os estudos epistemolgicos da

    comunicao, privilegiando vises que sustentem discursos que fazem luz aos

    primrdios do campo, resenhando suas origens desde a comunicao oral ao

    desenvolvimento de tcnicas e tecnologias, que auxiliaram o homem no seu

    aprimoramento no processo comunicativo.

    Abre-se espao tambm para o entendimento de como constitudo os

    estudos do campo, de modo a discorrer sobre suas caractersticas especiais,

    que o distinguem de outras cincias, como por exemplo, sua natureza

    interdisciplinar que obriga ao pesquisador um olhar holstico, pois, suas

    referncias provm de mltiplas disciplinas.

    Em seguida, pretende-se percorrer as principais teorias da comunicao,

    com o objetivo de organizar o terreno para uma discusso mais determinante a

    respeito da interatividade. Naturalmente, tal organizao deve proporcionar

    uma viso geral do universo cientfico do campo, exceto s teorias que

    contribuem, metodologicamente, os objetivos pr-definidos essa dissertao,

  • 26

    ou seja, aquelas que buscaram elementos que pudessem descrever como se

    d o processo comunicativo da interao do homem com as mquinas.

    2.1 A Gneses da Comunicao: Do Homo Loquens ao Tipogrfico

    A histria do homem, da civilizao humana tambm a histria da

    comunicao, pois o fenmeno tem papel contundente para sobrevivncia,

    desenvolvimento e a conquista da espcie dos quatros cantos do mundo. A

    capacidade do homem de se adaptar ao meio, de construir tecnologias para tal

    empreitada, resultado de um processo continuo de criatividade e

    comunicao. Caracterstica especial espcie humana, cuja ausncia fadaria

    o homem a uma condio primitiva, talvez a sua prpria extino.

    Luiz Beltro, importante nome dos estudos da folkcomunicao no

    Brasil, discorre sobre o tema, afirmando que as,

    similitudes do seu meio ambiente, o Homo Loquens4 conseguiu domin-lo no apenas com o uso do seu machado rudimentar, mas tambm com reconhecimento e a nominao de classes de seres, coisas, objetos e monumentos com os quais tomava contato. (BELTRO, 1986, p. 42)

    Uma boa ilustrao para a constatao de Beltro encontrada no

    clssico da fico cientfica, 2001: Uma Odissia no Espao (1968), de Stanley

    Kubrick e Arthur C. Clark, que os cineastas americanos, buscando retratar a

    aurora do homem primordial, apresentam um cenrio onde os protagonistas

    (homindeos) atravs de gestos, grunhidos, sons desarticulados, urros, tentam

    estabelecer comunicao com seus semelhantes (KUBRICK; CLARK, In:

    SCHETTINO, 2006).

    As metforas de Kubrick, Clark, assim como a pesquisa de Beltro, so

    excelentes demostraes da importncia da comunicao para espcie

    humana, caracterstica que segundo Antonio Hohlfeldt, em As Origens Antigas:

    Comunicao e As Civilizaes, exclusivamente humana[...] ela ocorre

    atravs da linguagem, que tambm uma capacidade que pertence apenas ao

    4 Antropologia : definio para homem como nico animal capaz de desenvolver linguagem(J.G. Herder, 1772, J.F. Blumenbach, 1779)

  • 27

    ser humano (HOHLFELDT, 2007, p. 61). Ezra Pound, em o abc da Literatura,

    tambm eixou suas consideraes sobre o assunto, afirmando que a

    linguagem foi obviamente criada e , utilizada para a comunicao(POUND,

    1990, p. 33).

    E mais do que uma estratgia intelectual determinante na disciminao

    de conhecimento e cultura, sua funo tambm associada, diretamente, a

    sobrevivncia do homem, pois como asseguram Eugene L. Hartley e Ruth E.

    Hartley, em A Importncia e a Natureza da Comunicao,

    Imagine o leitor, se lhe for possvel, como se sentiria se, de repente, visse cortada tda e qualquer comunicao com seus semelhantes, passados ou presentes. Levaria uma existncia completamente solitria, visto que s atravs da comunicao pode estabelecer e manter contacto com outros indivduos. Nenhuma escie de mensagem poderia chegar-lhe s mos. No lhe seria dada a sensao de pertencer ao que quer que fsse. No sentiria qualquer movimento de comunidade viva; nem poderia, em situao alguma, consequir auxlio. Incapaz de servir e ser servido, provvel que em pouco tempose sentisse incapaz at de continuar a existir. (HARTLEY E. L & HARTLEY R. E., In: STEINBERG, 1972, p. 24).

    Existncia que foi retratada em A Histria de Minha vida, autobiografia

    de Helen Keller, que discorre sobre sua dificuldade em se comunicar com as

    pessoas devido uma doena degenerativa que causou-lhe a perda da viso e

    da audio , conforme relata a autora logo senti a necessidade de alguma

    comunicao com outros e principiei a fazer sinais toscos. Um meneio de

    cabea significa No, uma inclinao, Sim; um puxo significava Venha e

    um empurro V (KELLER, Hellen, HARTLEY & HARTLEY, STEINBERG,

    1972, p. 24).

    Sobre esse mesmo ponto de vista, em Subsdios para uma Teoria da

    Comunicao de Massa, Luiz Beltro cita o trabalho de Singh e Zingg, que

    afirmam que Ficou provado que crianas encontradas longe de qualquer

    contato com outros seres humanos procediam de maneira animalescas e no

    falavam: simplesmente emitiam grunhidos reveladores de suas emoes ou

    instintos. (BELTRO, 1986, p. 44).

  • 28

    Outra produo cinematrogrfica que ilustra essa observao de Beltro,

    o filme Nell, dirigido por Michel Apted em 1994. A fico narra a histria de

    uma mulher que criada por sua me em uma floresta isolada de qualquer tipo

    de civilizao. Aps a morte prematura de sua me em decorrncia de um

    derrame, isolada de qualquer contato com outros seres humanos, Nell entre

    outros aspectos particulares desenvolve uma linguagem prpria, prxima a

    grunhidos, que segundo os personagens (mdico) da narrativa, provavelmente

    teria sido ensinado por sua me, antes de morrer, incapacitada de pronunciar

    com clareza o ingls devido a doena.

    De alguma forma, o filme ilustra tambm a teoria de Vygotsky, que entre

    suas principais consideraes, dizia que os pensamentos surgem nas

    linguagens (oral, gestual, facial) que por sua vez, so proveninentes das

    interaes humanas, ou seja, a teoria de Vygotsky a anttese do que

    aconteceu a Nell, pois segundo esse autor, d unio de duas conscincias

    humanas que se d a comunicao em sua plenitude e que nos distingue dos

    outros seres vivos.

    Embora aja comunicao tambm entre os animais irracionais e entre os

    seres humanos e os animais, tais investidas esto mais como respostas dos

    instintos em detrimento s necessidades de sobrevivncia desses animais. Por

    outro lado, os seres humanos, desenvolveram uma capacidade de raciocnio e

    de transmisso dessa racionalidade, atravs de um processo comunicativo que

    mistura inmeros sentidos, como descrito nas palavras de McLuhan,

    Pode dar-se que grande parte do segredo do poder cerebral resida na enorme possibilidade de interao entre os efeitos dos estmulos de cada parte dos campos receptores. esta proviso de lugares-de-interao ou de lugares-de-mistura que nos permite reagir ao mundo como um todo num grau muito maior do que o facultado a quase todos os outros animais. (MCLUHAN, 2005, p. 278)

    Desse modo, a capacidade de trocar ideias, contedos e

    conhecimentos, caracterstica especial do homem enquanto ser social, como

    observou tambm Geoge Gerbner, em Os Meios de Comunicao de Massa e

    a Teoria da Comunicao Humana,

  • 29

    A comunicao o elemento mais singularmente humanizador dessa configurao. singular nico especialmente no que respeita sua representao e recriao e transmisso simblicas de aspectos da condio humana, em formas que possam ser apreendidas e partilhadas. Somente o crebro humanide poderia regular o organismo, responder ao meio ambiente imediato e ainda manter a capacidade de reserva e a calma mecnica necessria para reter uma imagem tempo bastante para reflexionar sobre ela, restr-la, guard-la e restaur-la sob forma de mensagens. Tal habilidade era o requisito preliminar para a comunicao humana interao social atravs de mensagens.(GERBNER, 1967, p. 58).

    No entanto, a medida que o homem avanava escrevendo sua histria,

    sobretudo, quando inicia-se os processos de formao das primeiras tribos,

    grupos, socialmente organizados, muitas vezes coexistindo em diferentes

    espaos territoriais, a eficincia de sua comunicao encontra uma barreira: a

    distncia.

    Para vencer esse obstculo, o homem precisou desenvolver meios que

    possibilitassem ampliar sua capacidade comunicativa, conforme resenha Luiz

    Beltro,

    A histria da civilizao tambm a histria da inveno de meios cada vez mais eficientes para a difuso e intercmbio de informaes que permitissem s sociedades estruturadas a obteno de suas metas. Quando se estabelecem relaes de cooperao/ dominao (comrcio/ conquista) entre grupos humanos prximos ou estabelecidos a razovel distncia, comunicao se faz diretamente, pela palavra, gestos, ritos e cerimnias que impem leis, implantam costumes e criam tradies. Os veculos de mensagens distncia so monumentos, desenhos, objetos, sinais convencionados de fogo e bandeiras, sons ritmados arrancados de instrumentos de percusso como ainda hoje se observa em tribos indgenas na Amrica e na frica. (BELTRO, 1986, p. 22)

    Nas palavras de Beltro, o homem avana atravs de um processo que

    envolve de um lado o domnio das tcnicas, da natureza, e de outro a

    capacidade de registrar, perpetuar, comunicar tais conhecimentos s novas

    geraes, proporcionando o desenvolvimento gradual de sua prpria cultura.

    Caracterstica que foi determinante para primeiramente habitar diversos

    territrios e em seguida de sua reconquista seja atravs do comrcio ou

    atravs de guerras,

  • 30

    Ao se constiturem os grandes imprios da antiguidade Egito, Caldia, Grcia, Roma -, ao se expandir o comrcio entre os povos, ao se estabelecerem, portanto, aquelas relaes entre naes distantes umas das outras, verifica-se o surgimento de formas indiretas de comunicao, a escrita desponta como a soluo para manter em comunho indivduos e grupos humanos separados por longas distncias resultantes da descoberta e fixao de rotas martimas e terrestres. (BELTRO, p. 22, 1986)

    E aps anos desenhando em cavernas, comunicando suas experincias

    para as geraes futuras de forma rudimentar e pouco especializada, como

    nota-se na citao acima, o homem consegue desenvolver tecnologias, como a

    escrita, que possibilitaria em primeiro lugar a perpetuao de sua existncia, e

    ao mesmo tempo a disseminao cultural para povos que no estariam

    localizados no mesmo espao-tempo. No entanto, muitas outras invenes

    seriam necessrias para que essa nova realidade fosse possvel, conforme

    observa Beltro,

    Explorando os recursos naturais e manufaturando produtos vegetais e minerais, o homem escreve em papiro, pergaminho, tijolos e tabuinhas enceradas as suas mensagens de atualidade. A escrita serve, ainda, como o grande recurso da documentao perene de seus feitos e conquistas. sua sombra que florescem a literatura, as artes, a cincia; atravs dela, as geraes se comunicam mais perfeitamente do que pelos monumentos e pela tradio oral. A sociedade se enriquece com experincia do passado, o relato do presente e as especulaes e projetos do homem para o futuro. (BELTRO, p. 22, 1986)

    E com o avanar do tempo, o conhecimento dos povos, passam a ser

    decorrncia do desenvolvimento de tecnologias que por sua vez

    proporcionariam acesso a novos saberes. Sobre essa afirmao, Beltro

    observa que da escrita, sobretudo, decorrer uma nova linguagem, a

    cientfica, que ir permitir o desenvolvimento do esprito inventivo e abrir

    perspectivas insuspeitadas evoluo social. (BELTRO, p. 22, 1986).

    Lembrando que para isso, j na Idade Mdia, Johan Gutenberg torna-se

    um dos principais atores da histria da comunicao, pois desenvolve a

    prensa, que daria outro salto com a publicao de textos, livros, o

    desenvolvimento da imprensa jornalstica nos sculos seguintes.

    No entanto, apenas a inveno Gutenberguiana no seria capaz de

    transformar a cultura de uma poca marcada pelas trevas, e a tirania crist.

  • 31

    Primeiramente, foi preciso vencer o absolutismo quando o poder e a cultura

    intelectual deixam de ser privilgios da Igreja e da nobreza [...] e a liquidao

    do latim como lngua internacional dos eruditos(ibidem), abrindo caminho para

    publicaes em outros idiomas, reprimidos at ento.

    O surgimento do livro tipogrfico acelera o movimento de expanso educacional, ampliando consideravelmente a faixa de alfabetizados e letrados... As lnguas nacionais vo se aperfeioando paulatinamente e adquirindo padres de lnguas literrias... Esse fenmeno desencadeou ( ou se fez paralelo) a criao dos modernos estados nacionais, afastando-se tambm daquela centralizao poltica europia, durante algum tempo alimentada pela Igreja... A cultura manuscrita era essencialmente coletivista j que os livros eram pouco numerosos e estavam presos aos grilhes das bibliotecas. A leitura era feita em voz alta, afigurando-se como uma atividade grupal, o que obrigava os indivduos a um esforo desmesurado de memorizao e reflexo concomitantes. O livro impresso permite a posse individual e possibilita a leitura silenciosa, isolada... tornando a meditao patrimnio de um maior nmero de pessoas... estimula em grande parte a reflexo e cria um esprito de crtica do leitor...A possibilidade de ter sua disposio maior quantidade de livros... leva o indivduo a usar mais e mais a razo. O racionalismo, neutralizando a f, incrementa o esprito de pesquisa e contribui para o amplo desenvolvimento cultural que o homem experimenta a partir de ento... (BELTRO, p. 24, 1986)

    Desse modo, pode-se constar que a comunicao humana, deixa de ser

    apenas uma funo biolgica, fundamental para sobrevivncia humana, e

    passa a ter uma funo cultural, poltica e no desenvolvimento de cincias de

    todas as sortes, como os prprios estudos da comunicao que vm se

    consolidando, cada vez mais, como grande espao descobertas e cincias.

    2.2 Um Estudo Sobre A Comunicao Mediada

    A comunicao enquanto fenmeno caracterstico da espcie humana

    h muito tempo deixou de ser apenas o resultado de nossos sentidos

    orgnicos. Como foi apresentado no item anterior, medida que o homem

    percorre a histria, este desenvolve tcnicas que, conforme observou McLuhan

    (2006), ampliariam seus sentidos, de tal modo que hoje uma pessoa pode

    viver na cidade de So Paulo e conversar com um parente que reside em Tkio

    utilizando, por exemplo, um aparelho celular.

    Essa comunicao mediada por uma tecnologia fruto do

    desenvolvimento das cincias das telecomunicaes, eletrnica, matemtica,

  • 32

    sistemas e da prpria comunicao, cujos esforos resultaram nessa rede de

    comunicaes intercontinental.

    Por isso, quando se pensa o conceito de comunicao, deve-se levar em

    considerao as tecnologias aplicadas para seu desenvolvimento, como

    observa Martino,

    o fenmeno no se restringe exclusivamente ao envolvimento entre duas pessoas. Sem maiores problemas, aceitamos que [...] a comunicao [...] entre aparelhos tcnicos ( dois computadores ligados por modem, por exemplo); mas tambm outros sentidos so igualmente admitidos como legtimos, tais como a comunicao visual ou por gestos e ainda comunicao de massa... Diversidade que nos leva para muito longe daquela situao inicial, descrita pelo dilogo. (MARTINO, 2007, p. 11)

    Por isso, tarefa de estudar comunicao deve-se incluir um estudo

    sobre as tecnologias aplicadas a comunicao, pois alm de sua importncia

    nos processos de trocas de informaes entre os seres humanos, a inveno

    de instrumentos e o domnio de suas tcnicas so considerados marcos na

    histria da humanidade.

    Por exemplo, para antropologia, considera-se como Idade da Pedra o

    perodo em que o homem levado pela necessidade de sobrevivncia, cria

    ferramentas a partir de fragmentos de pedra, que presume-se que foram

    utilizadas para caa e para sua prpria proteo, de tal modo que essa

    tecnologia apontada como a grande responsvel pela sobrevivncia do

    homem naquele perodo. Da mesma forma na comunicao, o esprito

    inventivo do ser humano, criou tecnologias, que foram determinantes para seu

    desenvolvimento.

    Analisando as origens dos conceitos de tcnica e tecnologia, Andr

    Lemos, em Cibercultura: tecnologia e a vida social da cultura contempornea,

    explica que etimologicamente,

    tcnica tem origem na teckhn grega que designava a arte, as habilidades do arteso e do mdico. Teckhn simboliza as artes manuais, artesanais, plsticas; trata-se do saber fazer humano. As artes prprias do homem. Essa

  • 33

    idia contrape-se diretamente ao phusis que designa o princpio de gerao das coisas naturais. Neste momento, busca-se a diferenciao entre aquilo que produto da natureza e do homem. As duas terminologias designam essencialmente os processos chamados de poisis que significa vir tona, configurar-se como algo real e existente, passar da ausncia presena. (LEMOS, 2004)

    Sabe-se tambm que na Grcia antiga, tcnica era conhecida como a

    arte de imitar a natureza e que tal habilidade era concedida ao homem pelos

    deuses, de tal forma que aqueles que criavam instrumentos sem o

    consentimento do Olmpo poderia ser castigado por Zeus por violao e

    profanao da natureza.

    Ciro Marcondes, discorrendo sobre o conceito de tcnica tambm

    remete a esse perodo, pois, segundo ele,

    O termo tcnica referia-se, na Antiguidade, a um sistema organizado e codificado de gestos e regras operatrias, que permitiam reproduzir indefinidamente o analogon do objeto. o saber potico (do fazer), em oposio a dois saberes: o terico (do ver), que deixa intacto seu objeto, e o prtico, que visa perfeio (moral e poltica) da pessoa que o executa. Esse conceito clssico, assim, refere-se s formas do fazer, em oposio s formas do ver e do aperfeioar (MARCONDES, 2002, p. 107).

    Dessa disputa entre o saber fazer e ver e aperfeioar, como

    acreditam alguns pensadores (MARCONDES, 2002), surgem as primeiras lutas

    pelo poder. Acredita-se que o domnio de tais tcnicas poderia sucumbir

    governos, e por isso, esse saber acabou torna-se privilgios de poucos na

    antiguidade. E mesmo aps o domnio do Imprio Romano sob a Grcia, a

    cultura grega prevaleceu e regras continuaram vlidas no decorrer do

    governo romano. E, em seguida, com a ascenso do Cristianismo, a trade,

    saber fazer, ver e aperfeioar, era dom de deus, sendo assim, qualquer

    desenvolvimento nesse perodo passava primeiramente pelo crivo das

    autoridades religiosas, que atribuam to invento, saber, a uma iluminao

    divina, um milagre de deus.

    Perodo que posteriormente ficou conhecido como Idade das Trevas,

    devido as barbaridades cometidas pelos homens da inquisio, que

    queimavam aqueles que contrariavam a ordem papal. Entre eles, destaca-se a

  • 34

    passagem de Galileu, que precisou desmentir sua descoberta sobre o sistema

    solar, pois tal esclarecimento colocaria em risco a autoridade papal. Muitos

    inventos, pensamentos e cincias foram ocultadas nesse perodo, que

    posteriormente ganharam as luzes no Renascimento.

    Felizmente, quase no fim desse perodo, o contexto comea a mudar e

    algumas invenes acabariam por potencializar tais transformaes, de modo a

    tcnica, gradativamente, deixa de ser associada ao poderio de negcios

    religiosos e passa a ser atribuda capacidade humana.

    Essa quebra de paradigma ideolgico acaba por atrair a tcnica e a

    tecnologia para outro contexto, ou seja, seu processo inventivo no se resume

    mais ao desenvolvimento de feitiarias, ou novas ferramentas de guerra, mas

    tambm a desenvolver instrumentos que proporcionassem ao homem maior

    entendimento sobre o mundo e os desafios que o circundava, propiciando com

    isso a origem das cincias, como conhecemos hoje.

    Conforme explica Lemos, a cincia passa a sentir a necessidade da

    tcnica, assim como a tcnica sente a necessidade de cincia. Nesse contexto,

    a tecnologia ainda que no fosse assim entendida encarada como

    resultado de um processo cientfico de empirismo. (LEMOS, 2004). Desse

    modo, a necessidade de se criar instrumentos que ampliassem a capacidade

    de entender as coisas, impulsionaram o desenvolvimento de tecnologias que

    transgrediram as leis e regras impostas pelos governos da poca.

    E foi em meio ao perodo medieval, que uma srie de inovaes tcnicas

    como necessrias para facilitar a vida do homem que surgem trs grandes

    invenes que acabariam por revolucionar o seu tempo, conforme observa

    Lemos,

    [...] no Renascimento quando o trio plvora, bssola e imprensa proporciona uma revoluo que demanda um novo sistema tcnico que termina por colocar em discusso a natureza onto-teolgica do mundo em prol de uma viso onto-antropolgica. (LEMOS, 2004, p. 43).

  • 35

    Em outras palavras, entende-se que esse momento que o homem

    deixa de atribuir suas invenes a um poder divino e passa a dar

    responsabilidade para suas criaes, si prprio ou sua prpria razo. Por

    outro lado, importante destacar o advento da prensa por Gutenberg, que pelo

    intermdio de seu invento, a cincia ganha uma ferramenta que serviria de

    base para uma verdadeira revoluo nos sculos seguintes.

    Segundo Marshall McLuhan, em seu A Galxia de Gutenberg, a

    inveno da prensa, sobretudo a aceitao e industrializao que ocorre nos

    anos seguintes, proporcionou uma verdadeira revoluo na sociedade, pois,

    A diferena entre o homem da imprensa e o homem de cultura escribal quase to grande como a que separa os letrados dos analfabetos. Os elementos constitutivos da tecnologia gutenberguiana no eram novos mas a sua reunio, no sculo XV, produziu uma acelerao da actividade social e pessoal equivalente a uma "deslocagem", no sentido que W.W. Rostow d a este conceito em "The Stages of Economic Growth": "esse perodo decisivo da histria de uma sociedade em que o progresso se transforma no seu estado normal (MCLUHAN,1997, p. 90).

    Desse modo, a imprensa enquanto instrumento de comunicao, talvez

    seja a primeira tecnologia que trouxe grande impacto na sociedade, pois

    proporcionou a posse e a portabilidade do conhecimento, que at ento sofria

    de uma inrcia devido ao deslocamento praticamente nulo das informaes,

    exceto as cartas, mensagens, que eram enviadas individualmente, ou seja,

    endereadas para algum, e no de algum para todos, como ocorre na

    emergncia dos primeiros livros. Essa nova forma de sorver conhecimento abre

    caminho para a Revoluo Industrial no sculo XVIII.

    Em seguida, as experincias fotogrficas, o rdio e o cinema, ampliariam

    consideravelmente as possibilidades de comunicao intermediada por

    tecnologia, de tal modo, que esses eventos em conjunto, mais o advento e a

    popularizao da televiso no sculo XX, dariam impulso necessrio para

    consolidao de uma sociedade massificada pelos meios de comunicao, e

    para transmisso de informaes.

  • 36

    Somente no final do sculo XX e incio do sculo XXI, que outra

    tecnologia, a internet, causaria grandes transformaes, de tal modo que

    atualmente podemos contemplar o nascimento de outra galxia, desta vez da

    internet, como anunciam os arautos dos estudos sobre o impacto das novas

    tecnologias da informao.

    Atualmente, usa-se o termo tecnologizao para defender a ideia de que

    as tecnologias estariam to impregnadas em nossas atitudes, das mais

    complexas as mais triviais, que tais instrumentos estariam migrando da

    categoria de objetos mecnicos, para a categoria de objetos naturais, conforme

    observa Sebastio Amodo,

    A tecnologizao [...], poder-se-ia dizer que o ambiente tcnico, aquilo que definimos como ambiente artificial, estende-se por toda a superfcie do planeta, tornando-se o meio 'natural' em que os seres humanos vivem e so produzidos. [...] Crianas muito pobres costumam, tambm, pedir como presente de natal brinquedos acionados por controle remoto, bonecas que falam, cantam e se movimentam, celulares, Nintendos, robs, rdios portteis, iPods, televises de plasma e notebooks. Essas crianas esto inseridas num novo tempo, dito tecnologizado. Um tempo em que a vida se organiza dentro do universo tecnolgico, modificando as formas de pensar, sonhos, desejos e significados. Elas sofrem a influncia, muitas vezes nefasta, da tecnolgica dita ps-moderna. (AMODO, COMUNICAO, Enciclopdia, 2010, p. 1152)

    Por outro lado, desde a origem do livro impresso como veculo de

    transmisso de conhecimento, a cada nova descoberta, como o cinema, a

    televiso, inmeras pesquisas so desenvolvidas no intuito de entender esses

    avanos tecnolgicos, sobretudo, quando se pretende com esses inventos

    ampliar, aprimorar os processos de comunicao entre os seres humanos.

    2.3 O Contexto Cientfico da Comunicao

    A cincia que estuda os fenmenos da comunicao uma disciplina

    relativamente nova, marcada por estudos que ganham projeo a partir da

    dcada de 30 do sculo XX, durante e entre as duas grandes guerras

    mundiais, onde seus atores utilizando meios de comunicao apresentaram o

    poder de tais tecnologias como ferramenta de ideologizao das massas.

  • 37

    E nos 70 anos seguintes, inmeras publicaes, teorias, acabaram por

    construir uma base conceitual do campo, que hoje composta por

    fundamentos aceitos pela grande maioria de pesquisadores da comunicao. E

    embora tais estudos representem um curto espao de tempo, existem estudos

    que analisam a comunicao tendo como objeto, acontecimento bem mais

    distante, como a origem da escrita a aproximadamente 4000 a.C, os estudos

    da persuaso deixado pelos filsofos gregos de 400 a.C, o desenvolvimento da

    prensa por Gutenberg, no sculo XV, no limiar de uma sociedade industrial e a

    era moderna que compreende avanos que decorrem dos Sculos XIII, XIX e

    XX, sendo esse ltimo, o sculo que inaugura os estudos da comunicao,

    como dito aqui antes, a partir de 1930.

    Teorias que desde o incio se propuseram a pensar a comunicao sob

    vrios vieses diferentes, desse modo, proporcionando um rico acervo de

    orientaes ou linhas de pesquisa, subdividindo o campo em estudos da

    comunicao oral, estudos da escrita, dos meios de comunicao de massa,

    estudos culturais, entre muitos outros que emergem desse terreno

    multifacetado.

    No entanto, em meio a tanta diversidade e explicaes interessantes

    para diversos fenmenos da comunicao, ainda existem paradigmas que no

    encontraram solues e definies satisfatrias. Entre eles, podemos destacar

    o problema do conceito de comunicao, possuidor de uma diversidade de

    interpretaes e direes, cabendo em si muitas significaes.

    Comunicao dessas coisas que todo mundo sabe o que , mas ningum consegue definir com preciso. "Ato de comunicar (algo) ou de comunicar-se (com algum)", diz o dicionrio. O verbo vem do latim communicare, que significava participar, fazer saber, tornar comum. Quando eu comunico alguma coisa a algum essa coisa se torna comum a ambos. Quando se publica uma notcia ela passa a fazer parte da comunidade. Comunicao, comunho, comunidade, etc. so palavras que tm a mesma raiz e esto relacionadas mesma idia de algo compartilhado. (PEREIRA, J. H., 2003, pag. 2)

    A descrio do conceito de comunicao de Pereira ilustra com clareza

    a dificuldade de se fechar o conceito devido a diversidade de vieses possveis.

  • 38

    Dificuldade que no nova, como observa Armand Mattelart, em A Inveno

    da Comunicao (1994), quando cita uma afirmao de Denis Diderot (1753),

    Comunicao: este termo possui um grande nmero de acepes. [...] J nesta poca, a comunicao fala a lngua de vrias cincias, artes e ofcios: literatura, fsica, teologia, cincia das fortificaes, processo penal, condutas e esgotos. A sua polissemia remete para as ideia de partilha, de comunidade, de contigidade, de continuidade, de encarnao e de exibio. (DIDEROT In: MATTELART, 1994, p. 9)

    Aqui, o pesquisador Francs, ao citar esse trecho observa a questo da

    interdisciplinaridade, que se apresenta como outro paradigma do campo, ou

    seja, a dificuldade de se encontrar um lugar comum no conceito de

    comunicao em tantas disciplinas disponveis, pois, cada uma delas, como

    por exemplo a Fsica, a Biologia, a Qumica, possuem definies especficas

    sobre o fenmeno.

    Luiz C. Martino tambm faz suas consideraes sobre essa questo,

    salientando que,

    totalidade do conhecimento em torno dos fenmenos comunicacionais. [...] so investigados por uma srie de disciplinas como a Lingustica, a Psicologia, a Sociologia, a Semitica, a Pragmtica, a Retrica, a Literatura e Artes, a Filosofia que evidentemente no poderiam deixar de se interessar por um processo to essencial ao ser humano (MARTINO, 2007, p. 35).

    Desse modo, presume-se que para qualquer estudo da comunicao,

    so necessrias investigaes que abarcam outras disciplinas, sobretudo,

    entender que as Teorias da Comunicao, consistem na reunio de vrios

    estudos, que em sua maioria no foram pensados para rea de comunicao,

    mas que de alguma forma, contribuem para o campo sem se desligar de sua

    origem disciplinar,

    Algumas das mais reconhecidas teorias da nossa rea, como a Teoria Hipodrmica, O Esquema de Laswell, o modelo dos Dois Estgios da Comunicao, a Teoria Crtica (Escola de Frankfurt), a Escola de Chicago que sem dvida constituem elaboraes importantes [...] tais teorias, no entanto, curiosamente nunca reivindicaram para si o ttulo de teorias da comunicao. Ao contrrio, cada uma delas permanece ligada ao seu campo disciplinar de origem (MARTINO, p. 17, 2007).

  • 39

    No entanto, de emprstimo de conhecimentos de outras disciplinas,

    pode ser vista a oportunidade de aumentar, consideravelmente a quantidade

    de teorias disponveis, por outro lado, acaba por suprimir, diluir e dificultar o

    desenvolvimento de uma Teoria Geral da Comunicao.

    Por causa disso, o Governo Brasileiro, atravs da Coordenao de

    Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES), vem investindo em

    linhas de pesquisas inclinadas a resolver essa questo, sobretudo, reunir as

    principais Teorias da Comunicao.

    Luiz C. Martino, pesquisador da Universidade de Brasilia (UNB), em De

    Qual Comunicao Estamos Falando (2007), observa que quando analisamos

    a comunicao, a resposta que espontaneamente vem a nosso esprito a

    situao de dilogo, onde duas pessoas (emissor-receptor) conversam, isto ,

    trocam idias, informaes ou mensagens(MARTINO, 2007, p. 12).

    Explorando a ideia de Martino, pode-se afirmar que: a) comunicao

    um processo; b) um processo dialgico; c) envolve dois indivduos; d) processo

    que permite troca de ideias, informaes/mensagens. Desse modo, o primeiro

    conceito que surge analisando a comunicao humana pode-se definir como

    sendo o processo dialgico, que possibilita troca de informaes entre duas

    pessoas.

    Por outro lado, se for possvel analisar separadamente cada parte do

    processo (emissor, mensagem, receptor) encontra-se outras vises sobre o

    mesmo assunto. Por exemplo, o que mensagem? Pode ser um cdigo, um

    texto, uma imagem, um som, e cada um desses itens h tambm diversas

    subdivises e particularidades.

    Por isso salienta Martino que definir a comunicao uma tarefa muito

    fcil, que se complica bastante se nos afastarmos de nossa idia intuitiva. O

    que parece inevitvel a partir do momento em que voltamos nossa ateno

    para o tema (MARTINO, p. 12, 2007).

  • 40

    2.4 Sntese das Teorias da Comunicao

    Como se constatou, conceituar comunicao depende muito de qual

    ambiente est inserida a discusso, pois, os estudos da comunicao

    estritamente humana, ou seja, entre dois indivduos, diferem daqueles que

    analisam a comunicao intermediada por tecnologia. Alm disso, sabe-se que

    tais conhecimentos so oriundos de disciplinas diferentes, que analisaram o

    fenmeno considerando outras necessidades e solues. Somando a essas

    dificuldades, temos tambm as diferentes abordagens tericas que compem

    as chamadas Teorias da Comunicao, ideias que sero sintetizadas nesse

    item.

    Pode-se dizer que a primeira teoria da comunicao acontece na Grcia,

    e foi desenvolvida por Aristteles (384-322 a.C). Em sua obra, a Arte Retrica,

    o filsofo grego mostra seu interesse por entender os mecanismos de

    persuaso, criando um mtodo que ficaria conhecido pela sua fcil

    aplicabilidade, sobretudo, pela capacidade de se adaptar a diferentes

    necessidades cientficas.

    Tais estudos, realizados h mais de dois mil anos, ainda so utilizados

    atualmente em diversas disciplinas, inclusive a comunicao, sendo

    considerados insuperveis por muitos estudiosos sobre o assunto. No que

    tange comunicao, sua principal importncia est na identificao dos

    elementos bsicos do processo comunicativo.

    Fonte: Beltro(1982, p. 93).

    Figura n 1 Modelo Comunicacional Aristotlico

    Seu modelo terico para o processo comunicativo apresenta uma linha

    bem simples de raciocnio, cuja premissa, parte do pressuposto que para existir

    comunicao, preciso primeiramente de um indivduo (emissor) que fala algo,

    INDIVDUO FALA -----> DISCURSO -----> INDIVDUO OUVE

  • 41

    sendo esse algo o discurso (mensagem), e outro indivduo (receptor) que ouve,

    ou seja, a aquele a quem se enderea a mensagem.

    No exerccio de buscar entender a essncia das coisas, Aristteles

    desenvolve um mtodo que bem mais tarde, no sculo XX, mais precisamente

    em 1948, seria reinterpretado por Harold D. Lasswell (1948), que aprimora o

    esquema de trs pontos de Aristteles propondo outro modelo uma maneira

    conveniente para descrever um ato de comunicao consiste em responder s

    seguintes perguntas: Quem?; Diz o qu?; Em que canal?; Para quem?; Com

    que efeito? (LASSWELL, H. D. In: COHN, G., 1978, p. 105).

    Com essa teoria, o Lasswell consegue ampliar e delinear outras

    possibilidades investigativas, conforme explica nesse trecho,

    O estudo cientfico do processo de comunicao tende a se concentrar em uma ou outra dessas questes. Aqueles que estudam o quem comunicador se interessam pelos fatores que iniciam e guiam o ato comunicativo. Essa subdiviso do campo de pesquisa chamada anlise de controle. Os especialistas que focalizam o diz o que ocupam-se da anlise de contedo. Aqueles que se interessam principalmente pelo rdio, imprensa, cinema e outros canais de comunicao, fazem a anlise de meios (media). Quando o principal problema diz respeito s pessoas atingidas pelos meios de comunicao, falamos de anlise de audincia. Se for o caso do impacto sobre as audincias, o problema ser de anlise de efeitos. (LASSWELL, H. D. In: COHN, G., 1978, p. 105)

    Desse modo, no artigo A estrutura e funo da comunicao na

    sociedade, Lasswell apresenta possibilidades que antes no faziam parte do

    meti dos especialistas no assunto que ventilavam ainda questes

    relacionadas a ideia de agulha hipodrmica, teoria formulada pela escola

    behaviorista Estadunidense, cuja premissa era que contedos dos meios de

    comunicao (rdio, cinema, televiso), massificavam uma audincia sempre

    passiva e pronta para responder aos estmulos miditicos.

    Essa viso totalizante marcou seu tempo, devido a perspectiva

    behaviorista que dominava o pensamento estadunidense do perodo.

    Concomitantemente, pensadores da Frankfurt, Alemanha, desenvolveriam um

    discurso filosfico sobre os efeitos dos meios de comunicao, que traria outro

  • 42

    contorno a discusso. Theodore Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamim,

    Hebert Marcuse e Jurgen Habermas, podem ser considerados os autnticos

    representantes da Escola da Frankfurt, ou os principais responsveis pelo

    desenvolvimento da Teoria Crtica.

    Trata-se de uma crtica indstria cultural - fotografia, rdio, cinema,

    msica que em conjunto estaria estabelecendo um padro cultural no

    ocidente, fruto da massificao desses produtos (contedos e ideias) atravs

    dos meios de comunicao. Mais do que isso, tais contedos eram tambm

    responsveis pela formao de indivduos acrticos, ou com fraca capacidade

    crtica, sendo com isso presas fceis para estratgias comerciais, em um

    crculo vicioso que estaria padronizando a cultura,

    Sob o poder do monoplio, toda cultura de massas idntica, e seu esqueleto, a ossatura conceitual fabricada por aquele, comea a se delinear. Os dirigentes no esto mais sequer muito interessados em encobri-lo, seu poder se fortalece quanto mais brutalmente ele se confessa de pblico. O cinema e o rdio no precisam mais se apresentar como arte. A verdade que no passam de um negcio (ADORNO, HORKHEIMER, 1978, p. 114)

    Influenciados pelas ideias de Karl Marx, o pensamento dos membros da

    Escola de Frankfurt, imortalizado em vrias publicaes, entre elas destaca-se

    o artigo A Indstria Cultural: O Esclarecimento como mistificao das massas

    de 1947, est at hoje vivo nos estudos dos meios de comunicao. De tempos

    em tempos, assistimos releituras e crticas as ideias de Benjamim, sobre a

    reprodutibilidade tcnica e de Adorno e Horkheimer, sobre alienao e a

    estereotipagem da sociedade, e como passar dos anos, construiu-se um

    acervo inesgotvel de informaes e discusses mostrando que tais

    argumentos ainda no estariam superados. Sendo assim, uma referncia

    obrigatria para os estudos que pretendam entender questes relativas

    poltica, ideologia e cultura.

    Por outro lado, outro pensamento emerge quase no mesmo perodo.

    Trata-se dos estudos de Claude Shannon e W. Weaver, publicados em 1948-

    1949, em artigo intitulado como A Teoria Matemtica da Comunicao.

  • 43

    Shannon era estudante no Bell Telephone Laboratories quando desenvolveu o

    seguinte esquema,

    Adaptao do esquema Shannon, Teoria Matemtica da Comunicao. COHN, p. 27)

    Figura n 2 Modelo Comunicacional de Shannon

    Seu trabalho importante, sobretudo, por inaugurar outro olhar, outra

    perspectiva aos estudos da comunicao, a corrente mecanicista como ficou

    conhecida. Embora seu trabalho tenha influenciado em muito os estudos

    referentes engenharia da comunicao, em sua proposta havia muitos

    elementos congruentes Teoria proposta por Lasswell, por exemplo, o carter

    mecanicista se apresenta, quando percebemos que o estudo esta inclinado em

    analisar o canal (anlise dos meios) enquanto elemento mais importante do

    processo de comunicao.

    Por esse vis tecnolgico, a sua teoria permitiu identificar outros

    componentes do processo de comunicao mediado, ou seja, fonte,

    mensagem, transmissor, rudo, mensagem, receptor, mensagem, destino. Para

    Claude Shannon, o processo de comunicao acontece quando,

    A fonte de informao seleciona uma mensagem desejada a partir de um conjunto de mensagens possveis. O transmissor transforma esta mensagem num sinal que enviado ao receptor atravs do canal de comunicao. O receptor uma espcie de transmissor ao inverso, que transforma, novamente, o sinal transmitido em mensagens, levando-a a seu destino. (WEAVER, 1978, p. 27)

    Sinal Sinal Recebido

    Fonte Transmissor Receptor Destino

    mensagem mensagem

    Interferncia (Rudo)

  • 44

    Weaver exemplifica a teoria de Shannon, dizendo que quando eu falo

    com voc, meu crebro a fonte de informao e o seu o destinatrio: meu

    sistema vocal o transmissor e o seu ouvido, como o oitavo nervo, o receptor

    (WEAVER, 1978).

    No entanto, Weaver salienta que neste processo,

    A transmisso de sinal infelizmente caracterstico que certas coisaS no pretendidas pela fonte de informao sejam acrescidas ao sinal. Esses acrescimentos inteis podem ser distores de som (na telefonia, por exemplo), esttica (no rdio), distores na forma ou tons de uma imagem (televiso), erros de transmisso (telegrafia ou fac-smele). Todas essas alteraes do sinal podem ser chamadas de rudo ( WEAVER, 1978, p. 28).

    Desse modo, Shannon percebe que no processo analgico de troca de

    dados, o sinal determinante na qualidade do som que transmitido, ou dos

    textos que so enviados pela telegrafia. Esse paradigma vem sendo atenuado,

    de forma gradativa, medida que os sistemas analgicos esto sendo

    substitudos pelos sistemas digitais, que oferecem maior qualidade e espao

    para o fluxo de informaes.

    Entretanto, no processo de comunicao teorizado por Shannon havia

    outra questo importante por pensar, pois segundo Charles Steinberg em Os

    Meios de Comunicao de Massa, para que ocorra comunicao de fato,

    preciso que haja o comunicador. preciso que haja o destinatrio. preciso que haja o contedo da comunicao. E h, finalmente, a questo do efeito da comunicao. Quem diz o qu, a quem, e com que efeito, eis uma expresso com que se define classicamente o processo de comunicao. Existe constante interao dos que se comunicam, pois a comunicao uma rua de duas mos (STEINBERG, 1972, p. 19).

    Desse modo, h um problema conceitual no esquema de Shannon, pois

    conforme pontua Steinberg, quando duas pessoas realizam uma conversa,

    ambos so emissores e receptores de informao, fazendo com que a

    mensagem flua nas duas direes, proporcionando com isso uma comunicao

    dialgica, princpio bsico para que haja troca de informaes.

  • 45

    Por outro lado, com exceo do telefone, os rdios, a televiso, no

    oferecem um canal de retorno, fazendo com que comunicao flua em uma

    direo s, ou seja, da emissora para os telespectadores, conforme observa

    John B. Thompson, quando explica que a televiso e outros meios geraram

    um novo tipo de domnio pblico, que no tem mais limites espaciais, que no

    est mais necessariamente ligado conversao dialgica (THOMPSON,

    1995, p. 320).

    Ciro Marcondes Filho d uma tima dimenso do problema,

    As novas tecnologias de comunicao colocam uma nova questo sobre as formas de sociabilidade humana: elas dizem ampliar as oportunidades de troca, interao, compartilhamento de sensaes e emoes, em suma, elas acreditam ampliar e melhorar as formas de comunicao. Entretanto, de que comunicao elas falam? Que relacionamento acreditam ampliar? Que trocas de fato efetuam? Ao que tudo indica, as formas modernas de troca de mensagens, de dilogos permeados pelo computador, de interatividade ampliam as capacidades humanas de receber e passar mensagens, mas a pergunta permanece: isso efetivamente comunicao? (MARCONDES, 2002, p. 9).

    Marcondes remete a um dos principais problemas tericos da

    comunicao que est em sua gnese. Segundo Marcondes, o conceito de

    comunicao abarca muitas comunicaes, trazendo em si uma carga

    valorativa to imensa que o conceito se perde em meio a tantas significaes,

    conforme ele mesmo explica, dizendo que o fato que todos falam de

    comunicao, comunicao virou termo da moda, clich cultural que se aplica a

    todas as circunstncias. E, esvazia pelo excesso de uso, ningum mais sabe

    muito bem o que comunicar (MARCONDES, 2002, p. 13).

    E de forma mais potica, outro importante nome do campo, Abraham

    Moles, deixou sua crtica questo do fluxo de informaes que h entre o

    telespectador e o contedo televiso,

    a imagem luminosa unidirecional: ns a vemos, no falamos com ela. A est toda diferena, fundamental, entre difuso e comunicao propriamente dita, assinalada ao nvel da vida cotidiana. [...] Destarte, o mito dinmico da Cultura televisional est longe de ser o da janela aberta para o mundo, to decantado por nossos poetas, pois impossvel nos debruarmos a essa janela (MOLES 1973, p. 72).

  • 46

    Porm, embora as concluses de Thompson e Moles estejam de acordo

    com os fundamentos do campo da comunicao, Robert Escarpit no descarta

    os estudos de Claude Shannon, mesmo que este no vislumbre um canal de

    retorno, pois,

    Um dos mritos de Shannon, maior ainda do que o da avaliao da entropia o fato de ter formulado aquilo a que se chamou teorema do canal de rudo. Este canal [...] baseia-se numa melhor utilizao da codificao: os efeitos da cadeia energtica so corrigidos atravs de melhoramentos no rendimento da cadeia informacional. (ESCARPIT, In: WOLF, M., 2004, p. 50)

    Desse modo, percebe-se que h uma diviso clara nos estudos da

    comunicao, ou seja, estudos que se inclinariam a observar o fenmeno de

    forma mais crtica no que tange aos efeitos da comunicao de massa, e

    outras pesquisas cuja preocupao estaria mais inclinada ao desenvolvimento

    das tecnologias, sobretudo, analisar a capacidade de tais instrumentos de

    imitar e ampliar as possibilidades de comunicao do homem, nem que para

    isso seus atores tivessem que desviar dos fundamentos do campo.

    Ciro Marcondes preferiu descrever essa diviso em trs partes distintas,

    o que facilita uma viso mais ampla das teorias do campo. Segundo o jornalista

    Brasileiro,

    A comunicao pessoal, sem mediao tecnolgica, em que h presena fsica dos atores da comunicao, sejam eles apenas duas pessoas ou toda uma comunidade de fiis, de alunos, de membros de uma comunidade, um partido, etc.; a comunicao irradiante, em que um plo emissor explcito ou mais ou menos difuso ou annimo emite para um pblico ou uma massa annima; e a comunicao espectral, eletrnica, em tempo real, interfacial, virtual. A comunicao telefnica, apesar de se usar de um meio tcnico, entra no primeiro tipo, pois se trata de um dilogo ponto a ponto em que a presena humana mantm as dimenses mais importantes do face-a-face ( percepo da sensibilidade do outro: sinais extra-verbais, sensaes, humores, empatia ou no) (MARCONDES, 2002, p. 91).

    Marcondes salienta ainda que existem formas de comunicao hbridas,

    ou seja, que permitem a comunicao pessoal, irradiante e espectral, pois,

    podem-se encontrar na Internet formas de comunicao que se assemelham

    s da comunicao irradiada (os grandes portais se comportam como se

    fossem grandes jornais impressos ou de televiso), o correio eletrnico

  • 47

    funciona similar ao correio convencional(MARCONDES, 2002) e ainda pode-

    se realizar uma conversao face-a-face com o auxlio de uma webcam.

    Talvez essa caracterstica hbrida que faa da internet um meio de

    comunicao to fascinante, pois suas possibilidades de comunicaes so

    bem mais amplas em comparao com as outras mdias (Os impressos, o

    rdio, a televiso). Ela se adapta a necessidade do usurio, ou seja, em seu

    contedo pode-se encontrar textos, imagens fotogrficas, imagens em

    movimento, e canais de retorno e comunicao diversos (msn, skype, Google

    talk).

    2.4.1 As Idias de McLuhan

    Para falar sobre o trabalho de Marshall McLuhan, optou-se por criar um

    item especial, pois como alguns pensadores atribuem abordagens e ideias

    exploradas pelo canadense, esto entre as principais correntes dos estudos da

    comunicao, pois seu legado perdura e rejuvenesce no decorrer dos anos, em

    diversas publicaes do campo.

    Em seu a Galxia de Gutenberg, McLuhan analisa o impacto do advento

    da imprensa na sociedade pr-industrial, construindo um discurso sobre a

    hiptese do surgimento de uma sociedade destribalizada aps a

    desfronteirizao da cultura conforme ilustra Beltro,

    O mundo destribalizado teria comeado, segundo McLuhan, com a Imprensa, de Gutenberg. Essa destribalizao deve ser entendida como uma queda daquele ambiente nico formado pelo alcance da voz, mantido estvel pela reverncia aos predecessores. Com o advento do livro e dos impressos em geral, a mensagem grafada ou estampada (texto ou gravura) reproduziu-se para alm do controle dos detentores do ensino oficial (BELTRO, 1986, p. 127).

    Tais pensamentos, nada teriam a ver com as questes conceituais no

    que tange ao processo de comunicao em si, to pouco fraes do processo

    de comunicao intermediada como propuseram os tecnicistas, mas sim, uma

  • 48

    anlise mais profunda sobre a forma que o homem, ps-gutenberg, estaria se

    apropriando do conhecimento.

    McLuhan apontaria questes que os cientistas sociais ainda no haviam

    discutido, como a quebra de paradigma didtico que os meios tcnicos de

    comunicao, neste caso o livro, estariam por desvelar, podemos dizer, sem

    exagero, que com Aristteles, os Gregos passaram do ensinamento oral

    leitura" escreve Frederick G. Kenyon em "Books and Readers in Ancient

    Greece and Rome". Apesar de tudo, durante sculos ainda, "ler" ser ler em

    voz alta (MCLUHAN, 1997, p. 82).

    Sendo assim, segundo o canadense, a inveno do alemo foi muito

    alm de apenas propiciar a reproduo em massa de livros, mas tambm, fez

    com que a sociedade se adaptasse a nova ordem cultural que orbitava em

    torno do produto de sua inveno, ou seja, entre outras coisas a forma como o

    indivduo sorvia conhecimento, passava de uma cultura oral para uma cultura

    impressa, e ao mesmo tempo, mudava a forma que esse conhecimento era

    transmitido, ou seja, pela primeira vez o homem no precisaria de

    intermedirios para adquirir informaes e saberes. Uma prova de que suas

    ideias estariam de acordo com contexto histrico do sculo XVI apresentada

    por Beltro, que observou que,

    na verdade, no foi por mero acaso que depois de Gutenberg surgiu Lutero e com ele, em 1517, a reforma religiosa. Pela mesma razo, os filsofos enciclopedistas que preparam a Revoluo Francesa, de 1789, tiveram maior oportunidade de manuseio e comentrio do pensamento antigo: o embate das ideias trouxe entre outras coisas o Iluminismo e reforma das estruturas sociais (BELTRO, 1986, p. 127).

    Desse modo assim com a multiplicao dos livros e a circulao de seus

    exemplares propiciou a descentralizao do conhecimento que at ento

    estaria apenas nas mos das autoridades papais. E embora haja ainda muito a

    se discutir no rico arsenal desse trabalho de McLuhan, em outra publicao de

    sua autoria, Marshall apresentaria outra perspectiva revolucionria sobre os

    meios de comunicao, desta vez como extenses dos sentidos humanos.

  • 49

    Luiz Beltro, analisando esse trabalho de McLuhan, assinala trs tpicos

    principais,

    Em primeiro lugar, a sua preocupao em revelar a interdependncia do meio e a mensagem; depois, o seu esforo por encontrar uma nova definio de meio da comunicao de massa, para esboar sobre ele um conceito mais abrangente e mais lato; finalmente, o ensaio de uma classificao de meio, segundo um critrio muito seu e original (BELTRO, 1986, p. 128).

    Segundo Beltro, McLuhan vai alm das proposies de Abraham Moles

    e de Jean Baudrillard, pois acredita que os efeitos da mensagem so

    inseparveis do prprio meio que difunde, O contedo de um meio como a

    bola de carne que o assaltante leva consigo para distrair o co de guarda da

    mente. O efeito de um meio se torna mais forte e intenso justamente porque o

    seu contedo um outro meio (BELTRO, 1986, p. 128)

    Segundo Beltro, outra contribuio de McLuhan que atestada por

    Marcondes (2002, p. 165), sua anlise sobre os meios quentes e meios

    frios, pois conforme observa o canadense,

    H um princpio bsico pelo qual se pode distinguir um meio quente, como o rdio, de um meio frio, como o telefone, ou um meio quente como o cinema, de um meio frio, como a televiso. Um meio quente aquele que prolonga um nico de nossos sentidos e em alta definio. Alta definio se refere ao um estado de alta saturao de dados. Visualmente, uma fotografia se distingue pela alta definio. J uma caricatura ou um desenho animado so de baixa definio, pois fornecem pouca informao visual (MCLUHAN, 2006, p. 38).

    Desse modo, os estudos do norte-americano iluminaram outras

    possibilidades tericas, sobretudo, encaminharam outros estudos sobre a

    comunicao, que so constantemente atualizados, como o trabalho de Derrick

    Kerckhove, discpulo de McLuhan que analisa os processos de construo de

    conhecimento do homem a partir das atuais mdias.

    Interesso-me especificamente pela relao entre tecnologia e psicologia. Vou tratar desse tema abordando primeiramente a questo de como as mdias editam o ambiente, como elas mudam o ambiente para ns, e, ao fazerem isso, como elas tambm editam o usurio, como as pessoas esto sendo modificadas pelo uso das mdias a que elas esto expostas todos os dias (KERCKHOVE, 2003, p. 15).

  • 50

    Derrick deixa clara a influncia Mcluhiana em suas perspectivas tericas,

    pois, se utilizando de uma abordagem analtica para entender a relao entre

    tecnologia e a psicologia, estaria remetendo ideia de que o meio a

    mensagem, to decantada por seu mentor, porm, atualizando com exemplos

    mais contemporneos, conforme explica nesse trecho,

    uma das questes que devem ser examinadas quanto tempo passamos na frente das mdias, quais so os efeitos das telas de TV, do computador, do vdeo, do palm-top e dos telefones celulares em relao ao modo como vivemos, sentimos e pensamos.( KERCKHOVE, 2003, p. 15)

    E embora as idias de McLuhan continuem sendo uma grande

    referncia nos estudos da Comunicao, suas obras mais conhecidas e mais

    divulgadas surgiram na dcada de 1960. Perodo que coincidiu com diversos

    fatores e pesquisas cientficas tais como, a Ciberntica, a Informtica, o

    lanamento dos primeiros satlites etc.

    Atualmente, seu trabalho retoma esse impulso devido emergncia das

    novas tecnologias da informao, sobretudo, aps o advento da internet e sua

    popularizao. Essa nova busca pelas ideias Mcluhianas pode ser vista como

    resultado de um trabalho de vanguarda, que estaria frente do seu tempo,

    sobretudo, que desde o incio estaria inclinado a pensar a comunicao de

    forma atemporal e abrangente, como toda teoria que pretende se perpetuar no

    pensamento de um campo.

    2.5 Consideraes

    Genesis da comunicao cabe ressaltar sua caracterstica metafrica,

    pois, ainda que os esforos para seu esclarecimentos, sejam oportunos e

    coerentes com o que se tem de factvel sob a perspectiva dos estudos da

    arqueologia, no pode-se ir alm de uma ideia ilustrativa das origens da

    comunicao.

    No entanto, cabe salientar tambm que essa metfora compartilhada e

    facilmente identificada nas publicaes dos principais autores do campo.

  • 51

    Encontramos referncias semelhantes em Luiz Beltro, Ciro Marcondes,

    Marques de Melo, Marshal McLuhan, entre muitos outros vidos pesquisadores

    que buscaram esclarecimentos sobre o assunto.

    Outra importncia do captulo quando ilumina-se o contexto cientfico

    do campo da comunicao, pois, conforme observou-se no discorrer dessa

    parte do captulo, sua caracterstica disciplinar hbrida, permite intercambiar

    dados de vrias reas de conhecimento, favorecendo a solues de problemas

    atravs de um rico processo intertextual. Mais do que isso, possibilita o

    desenvolvimento de anlises atravs de um arsenal de ideias, construdas em

    diferentes contextos cientficos, dando aos estudos da comunicao, maior

    legitimidade e segurana nas argumentaes.

    Da mesma forma ocorreu com os estudos sobre as origens das

    tecnologias da comunicao, que em sua introduo guardou uma dose de

    alegorias necessrias para sequncia do estudo, porm, nesta etapa, a medida

    que a pesquisa se desenvolvia mais factvel tornaram-se os argumentos,

    atestados por suas referncias e citaes, que na maioria das vezes,

    pertencentes aos especialistas do campo.

    Por outro lado, o item sntese das principais teorias da comunicao,

    obviamente no abarcou todas as possibilidades tericas existentes do campo,

    mas sim, aquelas as quais supostamente fundamentariam as anlises dos

    captulos seguintes, sendo com isso coerente com a proposta metodolgica de

    criar um captulo introdutrio, com temas gerais da comunicao, que

    servissem de suporte, orientao conceitual para toda a pesquisa, conforme

    pode ser constatado no prximo captulo.

  • 52

    Captulo III A arquitetura da interatividade

  • 53

    3. A Arquitetura da Interatividade

    Na aurora do novo milnio emergem inovaes tecnolgicas de todas as

    sortes, impulsionadas pela digitalizao dos sistemas e tcnicas, que vm

    redimensionando atividades humanas, da medicina docncia, devido s

    novas possibilidades que surgem a partir de uma relao cada vez mais

    sintonizada entre os homens e as mquinas.

    Nesse contexto, a capacidade de uma tecnologia de proporcionar

    interatividade fator preponderante para o sucesso dessa relao, sobretudo,

    no campo da comunicao quando tal recurso se destaca por seu papel

    fundamental nos processos de trocas de informaes, mensagens, contedos

    de todas as sortes, entre dois ou mais indivduos separados temporal e

    espacialmente.

    Pode-se dizer que a desde a prensa de Gutenberg, no houve um

    momento to paradigmtico como este, pois, conforme salienta Fragoso, a

    interatividade apontada como elemento principal na redefinio de formas e

    processos psicolgicos, cognitivos e culturais decorrentes da digitalizao da

    informao. (FRAGOSO, 2001) Impacto tecnolgico que s foi visto na Idade

    Mdia, com a emergncia do livro impresso, dos jornais, que proporcionaram

    humanidade um salto em direo ao desenvolvimento de cincias,

    conhecimentos que culminaram nas grandes descobertas do Iluminismo.

    E embora, as razes que levaram o homem a tamanhas conquistas

    (mquina a vapor, luz eltrica, fotografia, rdio, cinema...) no perodo de 1450 a

    1920, sejam fruto do desenvolvimento de outras cincias, a difuso desses

    conhecimentos decorrncia direta da inveno gutenberguiana o que faz

    dela, uma mola propulsora fundamental para esses avanos.

    Da mesma forma, acredita-se que as tecnologias interativas, que se

    apresentam na contemporaneidade podem levar o homem para outro patamar,

    pois, mais uma vez, instrumentos tecnolgicos podem ampliar a capacidade de

  • 54

    difuso, portabilidade e troca de conhecimentos, medida que tais inventos

    proporcionam maior interatividade a seus usurios.

    No entanto, ainda que tais anncios repercutam nas mdias, nos

    congressos, em publicaes especializadas, sobre a interatividade ainda h

    muito a se desvelar. O prprio conceito sofre de um esvaziamento devido a

    grande explorao promovida pela indstria de eletrnicos, cujas intenes so

    bvias e dispares a proposta dessa pesquisa.

    Por outro lado, conforme aponta Primo (2000),

    Os termos interatividade e interativo circulam hoje por toda parte, nas campanhas de marketing, nos programas de TV e rdio, nas embalagens de programas informticos e jogos eletrnicos, como tambm nos trabalhos cientficos de comunicao e reas afins. O tema na internet encontra resultados to amplos e variados que se torna quase impossvel avaliar todas as informaes relativas ao tema. Para se ter uma idia, em 13 de Maio de 1999, utilizou-se o mecanismo de busca AltaVista em busca das palavras-chaves interatividade, interativo, interao homem-computador e interao. A seguir, reproduz-se a quantidade de informaes eletrnicas encontradas; interactivity, 186300, interactive, 26.767.916; human computer interaction, 26.744; interaction, 1.113.830.(PRIMO, 2000)

    Neste mesmo artigo Primo ainda salienta que grande parte dos usos

    dessas palavras no se referem discusso do tema, no entanto, pode-se

    dizer que era de grande interesse dos usurios da internet na ocasio.

    Ressalta-se a isso o fato de que mais dez anos se passaram desde essa

    pesquisa, pode-se dizer que esses nmeros j no configuram mais a

    realidade sobre o interesse da sociedade sobre assunto, pois nesse perodo,

    alm de novas camadas da sociedade tiveram acesso a rede mundial de

    computadores, novas tecnologias foram lanadas com o mesmo apelo, fazendo

    com que esse nmero avance consideravelmente.

    Da a importncia de selecionar, organizar e atualizar os principais

    estudos sobre a interatividade, suas distines em relao ao conceito de

    interao, sobretudo, como estaria melhor representado no campo da

    comunicao social, j que sua aplicao cabe em diversas disciplinas, como

    por exemplo, as cincias da computao.

  • 55

    Desse modo, sublinhar as referncias que inclinam seu entendimento

    sobre a interatividade aos fundamentos do campo da comunicao pode

    proporcionar uma nova linha de conhecimento na rea, proporcionando com

    isso, base terica para pesquisas ulteriores.

    3.1 Notas sobre Interao e a interatividade

    Na atualidade, as palavras interao, interatividade, interagir, interativo e

    interacional, so utilizadas de forma trivial devido ao dinamismo da cultura ps-

    moderna, em que tudo cabe e se reinventa, e do ponto de vista lingustico, a

    aptido que o prefixo inter possui, quando facilmente se adapta em diversos

    grupos lexicais, tais como, interdisciplinaridade, intermediar, interligar, entre

    muitas outras expresses que dicionarizam idiomas, sobretudo, lnguas que

    tem sua raiz no latim.

    No entanto, essa trivialidade esconde as origens etimolgicas do termo,

    ocultando tambm explicaes que podem esclarecer e orientar diversos

    estudos na atualidade. Por isso, antes de dar continuidade as teorias sobre a

    interatividade, optou-se por um breve estudo etimolgico dos termos interao

    e interatividade.

    3.1.1 Interao

    Segundo Jean Starobinski, a palavra interao e suas variaes,

    interagir, interativo, interatividade, suplantaram seus termos de origem,

    interdependncia e interdependente. Em seus estudos, o filsofo francs

    observa,

    Interdependncia faz carreira em francs h um sculo e meio. Ns observvamos que, na edio de 1867 do Littr, interdependncia era designada como um neologismo. O termo foi ainda melhor acolhido pelos filsofos na medida em que ele permita exprimir uma solidariedade entre as diversas partes de um todo sem passar pelas expresses mais antigas de influncia recproca ou de simpatia, palavras fortemente marcadas por pertencerem a tradio derivada do pensamento estico. (STAROBINSKI, 2002, p. 206)

  • 56

    Jean continua, realizando uma anlise desde o francs antigo, em que

    segundo suas investigaes o prefixo enter- foi uma derivao vernacular de

    inter-, bastante usado na lngua no fim da Idade Mdia e na Renascena. Por

    outro lado, no ingls antigo, no houve essa variao, conservando as palavras

    com o prefixo inter-,

    Esse o caso da palavra intercouse, cujo homlo do francs antigo entrecours desapareceu. E quando Saussure, para definir uma das duas foras que contribuem para constituir as reas lingsticas ou diletais, recorre noo de intercourse, devido a falta de uma palavra francesa equivalente. Este recurso ao ingls marca perfeitamente uma lacuna no francs lacuna cuja origem os historiadores do francs podem tentar localizar na diacronia lexical. Saussure tinha sua disposio interdependncia e interao, mas ele no recorreu a elas. Para ele intercouse com sua conotao ertica singular parecia mais apropriado para designar a troca verbal, o comrcio e a comunicao entre os homens, isto o ato da conversa. (STAROBINSKI, 2002, p. 206)

    Alex Primo, em Enfoques e desfoques no estudo da interao mediada

    por computador, em suas anlises sobre o conceito de interao, tambm

    remete a Starobinski para iluminar essa questo,

    Ao contrrio do que possa transparecer, a palavra interao, segundo os estudos em lingstica histrica de Starobinski(2002), no apresenta antecedentes da lingua latina clssica. O autor relata que o substantivo interaction figurou pela primeira vez no Oxford English Dictionary em 1832 (apresentado na poca como um neologismo), e o verbo to Interact, no sentido de agir reciprocamente, em 1839. J na Frana, a palavra interao surgiu apenas depois do outro neologismo: interdepedncia (que figurou em dicionrio apenas em 1867). (PRIMO, 2005, p. 3)

    J para OSullivan (1994), interao um conceito multi-discursivo, uma

    vez que, dependendo do discurso, pode ser empregado com diferentes

    significados e conotaes, estando consequentemente atrelado a um contexto

    para que seu significado seja claramente entendido.

    Interessante notar que a expresso interao social, muito utilizada no

    pensamento sociolgico, econmico dos sculos XVIII, XIX e XX, com seus

    representantes Karl Marx, Fredrich, mile Durkheim, surgem no mesmo

    perodo atestado por Jean Starobinski. Ressalva interessante j que o enfoque

  • 57

    sociolgico para interao influenciou todo a crtica sobre os meios de

    comunicao de massa no sculo XX.

    No obstante, encontramos tambm essa tendncia em outras reas,

    como na psicologia nos estudos de Carl G. Jung, Sigmund Freud, Jacques

    Lacan, que tambm se utilizaram em suas receitas o conceito interao com a

    idia do agir reciprocamente, simpatia, conforme citao acima.

    Presumiu-se com isso, que abordagem semntica continuou

    influenciando os pensadores Alemes da famosa Escola de Frankfurt, nas

    publicaes de Theodore Adorno, Max Horkheimer e Walter Benjamim, e

    tambm na segunda gerao em Zigmund Bauman, Edgar Morin, entre muitos

    outros que reverberam os preceitos da Teoria Crtica.

    Esse vis tambm pode ser percebido nos chamados Culturals Studies,

    pensamento de origem britnica, que tem como principais representantes,

    Raymond Willians, Terry Eagleton, J. B. Thompson, e mais tarde Stuart Hall,

    Janet Wolf. Na Amrica Latina, encontramos suas vozes em Nestor Garcia

    Canclni, Jesus-Martin Barbeiro.

    No poderia ser diferente, pois conforme apontam Cassol e Primo,

    Como conceber a sociologia sem a cara discusso sobre a interao social? Como estudar o homem na sociedade sem considerar suas relaes? Alm disso, como poderia-se abordar isso sem tambm avaliar a interao humana e o impacto das normas sociais (regras ou modelos imaginados de conduta presente na conscincia das pessoas que influenciam suas interaes) tais como folclore, etiqueta, rituais, moda e tambm leis de estado? (CASSOL & PRIMO, 1999, p. 68)

    Outros autores se aprofundaram ainda mais nessa direo. Eugene L.

    Harltley e Rute E. Hartley, em A importncia e a Natureza da Comunicao,

    observam que, Comunicao interao. Trata-se de ordinrio, de um

    processo de dois sentidos, que supe a estimulao e a resposta entre

    organismos e ao mesmo tempo, recproco e alternativo. (HARTLEY &

    HARTLEY, STEINBERG, 1972, p. 41)

    Neste trabalho as irms Hartley observariam ainda que,

  • 58

    A afirmao procede at em situaes de comunicao de massa, em que o pblico no se encaixa presente para responder. Se a comunicao for bem sucedida, o pblico responder de alguma forma, e sua resposta influir em futuras comunicaes. (HARTLEY & HARTLEY, STEINBERG, 1972, p. 41)

    Desse modo, mesmo nas comunicaes intermediadas por um meio de

    comunicao como a televiso, segundo as autoras h interao, pois, se o

    pblico responder de alguma forma, em algum momento futuro, estaria

    estabelecido o processo de comunicao.

    Embora vlida as opinies das Hartleys, outras teorias oferecem outras

    abordagens sobre a questo. Por exemplo, para J. B. Thompson, em seu

    Ideologia e Cultura na Modernidade, opina dizendo que da relao do homem e

    a televiso, acontece outro fenmeno cuja denominao nasce da soma do

    advrbio quase, com o substantivo interao, ou quase-interao mediada,

    conforme explica Thompson,

    Os meios de comunicao de massa ampliam a acessibilidade das formas simblicas no tempo e no espao, e fazem isso de uma maneira que permite tipos especficos de interao mediada entre produtores e receptores. Sendo que a comunicao de massa institui uma ruptura fundamental entre a produo e a recepo das formas simblicas, ela torna possvel um tipo particular de interao atravs do tempo e do espao que pode ser descrito como uma quase-interao mediada. (THOMPSON, 1995, p. 299)

    No entanto, tambm podemos encontrar o conceito de interao nos estudos da Escola de Chicago, sobretudo, nas ideias de G. H. Mead. Segundo

    Mead, para haver interao social, deve-se haver reciprocidade comunicativa,

    ou seja,

    aes partilhadas, levados a termo em conjunto, numa situao em que ambos os interlocutores esto implicados. Tal relao estabelece uma afetao de mo dupla: se um sujeito interpela aquele a quem se dirige, afetando-o e demandando respostas, ele tambm, de antemo, afetado pela prpria conscincia da existncia de seu interlocutor. Os agentes organizam sua conduta comunicativa levando em considerao o outro e regulando suas aes a partir das suposies que elaboram a respeito do comportamento dele e das respostas efetivamente obtidas. Numa interao, portanto, um e outro interlocutor se afetam de modo recproco. (LIMA & ALMEIDA , Enciclopdia da Comunicao, 2010, p. 705)

  • 59

    Desse modo, para Mead falar de interao falar de sujeitos que se

    afetam reciprocamente, de tal forma que seja possvel um caminho bilateral no

    processo comunicativo. Marshall McLuhan, em seu O Meio e a Mensagem, a

    sua maneira, faz consideraes semelhantes sobre a questo.

    Para Marshall Mcluhan, nos filmes, novelas e sries transmitidas pelos

    meios de comunicao de massa, as interaes estariam incontidas nas

    formas como so elaboradas suas narrativas, ou seja, na

    identificao do homem comum, isolado, com outros que pensam como ele mesmo, embora distantes e desconhecidos, mas que sentem, pensam e reagem da mesma maneira diante dos acontecimentos difundidos pelos meios de comunicao de massa. Nesse plano o indivduo teria a sua arma na opinio de todos os que se identificam com ele, para contra-atacar as presses diversificadas da sociedade atual; por outro lado, seria ele tambm o seu refgio, os eu consolo na solidariedade dos outros, nos momentos de frustrao. (BELTRO, MCLUHAN, 1986, p. 132)

    Esse tipo de interao, indireta, acaba por destacar a teoria de quase-

    interao proposta por J. B. Thompson, pois, o fluxo de comunicao que

    permeia o processo comunicativo entre um telespectador e o programa de

    televiso, flui apenas em uma direo, ou seja, da emissora, do canal, para o

    indivduo, impossibilitando um processo no caminho inverso, contrariando o

    processo de comunicao fundamental.

    No entanto, como observa Thompson,

    O desenvolvimento da televiso ampliou grandemente a importncia e a penetrabilidade da quase-interao mediada nas sociedades modernas e transformou seu carter. No caso dos meios impressos, tais como livros e jornais, os indivduos quase comunicam muitas vezes permanecem indefinidos. (THOMPSON, 1995, p. 299)

    Ciro Marcondes Filho, atualizando os estudos da comunicao mediada

    contemporaneidade, tem uma opinio mais desconfiada sobre a mesma

    questo, mesmo nesse contexto de transio tecnolgica. Para Marcondes,

    As novas tecnologias de comunicao colocam uma nova questo sobre as formas de sociabilidade humana: elas dizem ampliar as oportunidades de troca, interao, compartilhamento de sensaes e emoes, elas acreditam ampliar e melhorar as formas de comunicao. Entretanto, de que comunicao elas

  • 60

    falam? Que relacionamento acreditam ampliar? Que trocas de fato se efetuam?(MARCONDES, 2002, p. 9)

    Nas palavras de Marcondes, mais uma vez revela-se a dificuldade de se

    considerar dialgico um meio de comunicao, mesmo sob a nova perspectiva

    digital. Posio que contradiz o vis midialgico que tem em Mcluhan seu

    maior expoente.

    Por outro lado, Maria ngela Mattos, abre uma discusso sobre a

    questo em A Enciclopdia da Comunicao, dizendo que, a expresso

    interao midiatizada surge na literatura da Comunicao Social no final do

    Sculo XX, sendo anteriormente pesquisada mais em suas determinaes

    socioculturais do que em seus aspectos comunicacionais (MATTOS, 2010, p.

    706). Em seus estudos, a pesquisadora brasileira revela que na sociologia, a

    discusso sobre a interao das mdias e a sociedade, ocorrem desde a

    emergncia de tais tecnologias.

    Mattos, tambm cita Thompson com o objetivo de classificar os tipos de

    interao mediada.

    1) interao face a face, com a presena dos sujeitos da comunicao; 2) a interao mediada, caracterizada pela separao dos contextos; 3) e a interao quase-mediada, diferente da anterior, pois orientada a um nmero indefinido de receptores, concebendo-a como monolgica. (MATTOS, 2010, p. 706)

    Sendo a terceira classificao de Thompson, a ideia de quase

    interao, de crucial interesse dessa pesquisa.

    Por outro lado, observa-se que o conceito de interao se adequa as

    necessidades metodolgicas dos estudos do campo da sociologia, entretanto,

    deve-se ressaltar que o conceito facilmente encontrado em publicaes cujo

    objetivo discutir a interatividade, conceito este que parece inclinar-se mais

    para perspectivas tecnicistas, mecanicistas, funcionais, conforme anlise a

    seguir.

  • 61

    3.1.2 Interatividade

    O conceito de interatividade, porm, tem sua origem no neologismo

    ingls, interactivity, e seu uso se deu a partir de 1960 para denominar os

    processos de troca de dados computacionais, no desenvolvimento da

    informtica, sendo assim, a priori, distanciando-se ao conceito de interao

    humana.

    Pois, diferentemente do conceito de interao, interatividade surge em

    um ambiente tecnicista, funcional, estando a uma das diferenas fundamentais

    entre os dois conceitos, pois, por interao entende-se por processos de troca

    de informaes entre e para o desenvolvimento de uma comunicao humana,

    mediados ou no por tecnologia, e o outro, necessariamente envolve

    tecnologia, sem ser condio para sua existncia a atuao humana.

    Andr Lemos, importante pesquisador brasileiro da cibercultura, explica

    essa questo de forma bem esclarecedora,

    o que se compreende hoje por interatividade nada mais que uma forma de interao tcnica, de caratersticas eletrnico-digital, e que se diferencia da interao analgica que caracteriza a mdia tradicional. (CASSOL & PRIMO, LEMOS, 1999, p. 67)

    Quando Lemos refere-se a um tipo de interao tcnica, remete a essa

    condio preponderante da presena de uma tecnologia nesse processo de

    troca de informaes. Por seu turno, quando se inclui o homem nesse

    processo, os termos se confundem, pois as trocas de mensagens, a partir de

    um computador, utilizando como instrumento um programa de troca de

    mensagens em real time como o MSN Messenger, h uma simulao de um

    processo de comunicao semelhante ao face-a-face, o qual dois indivduos

    em interao realizam dilogo, porm, o termo interatividade, seria mais

    apropriado devido a presena de tecnologia nos dois plos.

    No entanto, Andr Barbosa Filho, aponta outra questo sobre o conceito.

    Segundo o pesquisador brasileiro, O termo interatividade foi antecedido pela

  • 62

    expresso comunicao interativa no meio acadmico dos anos 1970, que

    expressava a bidirecionalidade entre emissores e receptores, expressando

    troca e conversao livre e criativa entre os plos do processo comunicacional

    (SILVA & BARBOSA FILHO, Enciclopdia da Comunicao, 2010, p. 708), o

    que de algum modo, remete ao conceito primordial do campo da comunicao,

    discutido no captulo anterior, quando entende-se por comunicao como

    sendo um processo dialgico, bilateral, em via de mo dupla.

    Por outro lado, essa viso apresentada por Silva, apenas uma

    perspectiva terica, como salienta Primo,

    De fato as redes informticas vieram transformar e ampliar as formas de comunicao a distncia. Porm, trabalhar-se (tanto em pesquisa, quanto em desenvolvimento) a interatividade como uma polarizao entre webdesigner e usurio manter-se preso a abordagem transmissionista da comunicao. (PRIMO, 2005, p. 3)

    Na citao, Primo observa a influncia das ideias mecanicista e

    informacional, desenvolvidas na dcada de 1940, por Shannon e Weaver, no

    pensamento cientfico estadunidense nas dcadas de 1960 e 1970.

    Por outro lado, outras correntes estariam presas a um contexto

    tecnolgico analgico, sendo este um grande desafio que daria um grande

    salto nos anos 1980 e 1990, conforme explica Barbosa,

    A interatividade pode ocorrer face a face ou mediada por uma plataforma tecnolgica. A partir do uso da mediao tecnolgica nos anos 1990, a interatividade tornou-se novo campo de investigao. Isso porque as sucessivas inovaes tecnolgicas esto sempre apresentando novidades como intermedirias ou facilitadoras da comunicao humana, superando antigas barreiras, como o tempo e o espao. (BARBOSA FILHO In: Enciclopdia da Comunicao, 2010, p. 707,)

    Desse modo, a expresso a interatividade tornou-se novo campo de

    investigao nos estudos da comunicao a chancela para o

    desenvolvimento de pesquisas, teorias, organizaes que provoquem o avano

    cientfico nessa direo.

  • 63

    Mais do que isso, os ltimos avanos tecnolgicos que se anunciaram

    nos ltimos anos ( Tablets, TV Digital, Iphones...) ressaltam a emergncia de

    revises, atualizaes tericas de todas sortes, que estariam muito alm de

    uma discusso, pura e simplesmente, terminolgica, e sim, partir para um

    estudo que possa desvelar as particularidades nesse novo contexto tecnolgico

    que se abre no sculo XXI.

    Porm, qual a qualidade que especifica a interatividade no campo da

    Comunicao? Sabe-se, por exemplo, que comunicao se define como

    observa Martino, ao em comum [...] algo em comum (MARTINO, 2007, p.

    14), porm, e a questo da interatividade? Qual seria sua essencial

    significao: Possibilitar comunicao?

    Andr Lemos (2004, p. 112), no entanto, explica que: [...] o que

    compreendemos hoje por interatividade nada mais que uma nova forma de

    interao tcnica, de cunho eletrnico digital. Para Gianfranco Bettetini5,

    interatividade, un dilogo hombre-mquina, que haga posible la produccin

    de objetos textuales nuevos, no completamente previsibles a

    priori6(PARAGUASS, R., 2008).

    As afirmaes acima, primeiramente, remetem a uma diferena

    essencial os processos de comunicao e de interatividade. No primeiro, o

    processo de comunicao envolve duas ou mais pessoas, na presena ou no

    de tecnologia. No segundo, o processo envolve uma pessoa e uma mquina,

    ou seja, o processo de interatividade independe da presena de dois seres

    humanos.

    Em segundo lugar, o produto desse dilogo homem-mquina constitui

    em contedos (textos, imagens, sons etc.) novos, ou seja, da relao de seus

    5 Nasceu em Milo, em 16 de janeiro de 1933. Graduado em Engenharia Eltronica, Industrial Politcnico de Milo em 1956. Em 1976 assume a presidncia da Teoria e da tcnica de massa de comunicao. Ensinou histria e crtica do cinema de Milo e Gnova de 1965 a 1978. Professor de teoria e crtica das comunicaes na faculdade de lnguas e literatura da Universidade Catlica de Milo. A investigao dele abrange diversos campos: indstria, cultura , novas tecnlogias. 6 O dilogo homem-mquina e, o que torna possvel a produo de novos objetos textuais, no inteiramente previsvel a priori.

  • 64

    atores, presume-se que tal processo resulte em uma nova idia que a priori

    no poderia ser previsvel por ambas as partes.

    O terceiro ponto capacidade, bilateral, de troca de mensagens que

    supem-se que a tecnologia interativa deve proporcionar, ou seja, a

    capacidade de fluxo de informaes em uma via de mo dupla, se alinhando,

    mais uma vez aos conceitos fundamentais de comunicao.

    No entanto, Arlindo Machado7, faz ressalvas sobre a ideia inicial de

    Bettetini,

    h que se notar a bidirecionalidade deste processo, onde o fluxo se d em duas direes. Um processo bidirecional de um media seria aquele onde os plos emissor e receptor so intercambiveis e dialogam entre si durante a construo da mensagem, o que no se tem podido observar na maioria de nossas relaes com as novas tecnologias, ou com outros homens atravs destas. (PARAGUASS, R., 2008).

    Desse modo, como podemos observar h inmeros paradigmas que

    envolvem a questo da interatividade, ou seja, a questo da inteno, da

    fluncia em via de mo dupla, aos limites tecnolgicos, aos interesses

    comerciais envolvidos nesses processos comunicativos, paradigmas que

    oferecem pesquisa um campo frtil para diversas discusses e debates.

    Para isso, fundamental um trabalho de reviso que aponte as

    principais abordagens, modelos e teorias que busquem compreender a questo

    da interatividade. O prximo item tem justamente essa responsabilidade.

    3.2 Teorias da Interatividade

    Partindo do pressuposto de que interatividade um processo, pode-se

    definir um esquema conceitual que permita ilustrar sua substncia. Com base

    nisso, inmeros pesquisadores apresentam modelos e ideias sobre o assunto,

    porm, lanando olhares diferentes sobre o problema. 7 Doutor em comunicaes e professor de semitica da PUC/SP e do departamento de Cinema, Rdio e Televiso da ECA/USPE. Seu campo de pesquisas abrange o universo das chamadas imagens tcnicas, ou seja, daquelas imagens produzidas por meios de mediaes tecnolgicas diversas, tais como fotografia, cinema, o vdeo e as atuais mdias digitais e telemticas.

  • 65

    Entre as principais teorias pode-se destacar o trabalho de Rogers, Levy,

    Primo, Steuer, Rafaeli, cujos esforos se inclinam no desenvolvimento de

    teorias da interatividade.

    3.2.1 As Ideias de Pierre Levy

    Pierre Levy(2000), em Cibercultura, discute a questo da passividade do

    indivduo em processos interativos. Segundo o autor no h passividade da

    interao do telespectador e um programa de televiso, mas sim diferentes

    tipos e nveis de interao, ou seja, como ele mesmo denomina, h a Interao

    mtua e a Interao Reativa.

    O filsofo francs justifica sua posio denunciando a falta de

    entendimento sobre a questo da interatividade, pois segundo Levy, a

    interatividade muitas vezes invocada a torto e a direito como se todos

    soubessem perfeitamente do que se trata (LEVY, 1999, p. 79). Por isso, antes

    de dar continuidade a sua anlise, Levy realiza uma anlise sobre o conceito

    de interatividade, com o objetivo de pautar seu estudo,

    O termo interatividade em geral ressalta a participao ativa do beneficirio de uma transao de informao. De fato, seria trivial mostrar que um receptor de informao, a menos que esteja morto, nunca passivo. Mesmo sentado na frente de uma televiso sem controle remoto, o destinatrio decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso de muitas maneiras, e sempre de forma diferente de seu vizinho. (LEVY, 1999, p. 79)

    Desse modo, em sua conceituao o autor j apresenta a sua posio

    referente questo da interatividade, ou seja, para ele, o telespectador, jamais

    estaria passivo em um processo de interao com um programa de televiso,

    pois provido de um instrumento( crebro) que lhe proporciona absorver as

    mensagens, decodific-las, armazen-las e descart-las merc de sua

    vontade.

    Entretanto, embora parea ingnua essa viso, sua preocupao

    acerca da conceituao da interatividade no exatamente essa, ao contrrio,

    em tom irnico ele adverte: Estamos querendo dizer, ao falar de interatividade,

  • 66

    que o canal de comunicao funciona nos dois sentidos? (Ibidem, p. 79). Em

    explicando sua ironia Levy provoca fazendo luz a uma constatao que

    comum a todos - neste caso, o modelo da mdia interativa

    incontestavelmente o telefone. Ele permite o dilogo, a reciprocidade, a

    comunicao efetiva, enquanto a televiso, mesmo digital, navegvel possui

    apenas um espetculo para oferecer. (LEVY, 1999, p. 79)

    Nesse momento, o francs demonstra claramente a diferena entre a

    interao unilateral, sem caminho de volta e a interao bilateral, dialgica de

    troca mtua de mensagens. Entretanto nos provoca a questionar se o conceito

    de interatividade no caberia subdivises. Alm disso, Levy tambm sugere um

    mtodo que possibilite julgar a capacidade de interao de um sistema de

    comunicao. Segundo ele,

    O grau de interatividade de uma mdia ou de um dispositivo de comunicao pode ser medido em eixos bem diferentes, dos quais destacamos: - as possibilidades de apropriao e de personalizao da mensagem recebida seja qual for a natureza dessa mensagem; - a reciprocidade da comunicao( a saber, um dispositivo comunicacional um-um ou todos-todos); - virtualidade, que enfatiza aqui o clculo da mensagem em tempo real em funo de dados de entrada(...); - a implicao da imagem dos participantes nas mensagens(...); - telepresena.(LEVY, 1999, p. 82)

    Desse modo, Pierre Levy, faz aluso a um problema que foi melhor

    explorado nas classificaes de Edna L. Rogers e no modelo de Jonathan

    Steuer, que sero apresentados em seguida.

    3.2.2 As classificaes de Rogers 8

    A subdiviso que Pierre Levy, apontou anteriormente, foi desenvolvida

    de forma mais adequada nos estudos de Edna Rogers, que por sua vez faz

    fronteiras com estudos dos meios de comunicao de massa, sobretudo, a

    ideia de quase-interao de Thompson, com as novas possibilidades das

    tecnologias digitais.

    8 Ph.D. Comunicao Michigan State University, Edna L. Rogers Ex-Presidente da Associao Internacional de Comunicao. Ela tem sido professor visitante em vrias universidades de os EUA e Espanha. Suas reas de foco de interesse no estudo das relaes pessoais e familiares.

  • Rogers d incio a sua teoria dizendo que,

    A revoluo da comunicao agora em andamento nas Sociedades da Informao modelos e mtodos. A interatividade das novas tecnologias de comunicao que esto guiando a revoluo epistemolgica na cincia da comunicao. (NOVAES, 2004)

    Com essa perspectiva, Rogers

    classificar a interatividade numa linha contnua, unidimensional variando de

    fraca a forte de acordo com critrios especficos de avaliao.

    autora, a interatividade pode ser definida como a capacidade de um siste

    responder ao comando de um determinado usurio.

    Figura n 3 - Classificaes de Rogers

    O modelo de Rogers interessante para entender as diferenas,

    existentes entre o modelo analgico e o digital, sobretudo, o impacto que essa

    nova forma de transmisso de dados, causou na estrutura fsica e econmica

    dessa indstria. No entanto, pode

    devido a sua natureza tcnica (narrativa linear, custos, formato), mesmo

    formato digital, impede maior interatividade a custo de descaracterizar seu

    conceito.

    incio a sua teoria dizendo que,

    A revoluo da comunicao agora em andamento nas Sociedades da tambm uma revoluo na cincia da comunicao, envolvendo

    modelos e mtodos. A interatividade das novas tecnologias de comunicao que esto guiando a revoluo epistemolgica na cincia da comunicao. (NOVAES, 2004)

    Com essa perspectiva, Rogers desenvolve um estudo que permite

    classificar a interatividade numa linha contnua, unidimensional variando de

    fraca a forte de acordo com critrios especficos de avaliao.

    , a interatividade pode ser definida como a capacidade de um siste

    responder ao comando de um determinado usurio.

    Fonte: Novaes, 2004

    Classificaes de Rogers

    O modelo de Rogers interessante para entender as diferenas,

    existentes entre o modelo analgico e o digital, sobretudo, o impacto que essa

    nova forma de transmisso de dados, causou na estrutura fsica e econmica

    dessa indstria. No entanto, pode-se ressaltar o paradigma dos filmes, que

    devido a sua natureza tcnica (narrativa linear, custos, formato), mesmo

    formato digital, impede maior interatividade a custo de descaracterizar seu

    67

    A revoluo da comunicao agora em andamento nas Sociedades da tambm uma revoluo na cincia da comunicao, envolvendo

    modelos e mtodos. A interatividade das novas tecnologias de comunicao que esto guiando a revoluo epistemolgica na cincia da comunicao.

    desenvolve um estudo que permite

    classificar a interatividade numa linha contnua, unidimensional variando de

    fraca a forte de acordo com critrios especficos de avaliao. Para essa

    , a interatividade pode ser definida como a capacidade de um sistema

    Fonte: Novaes, 2004

    O modelo de Rogers interessante para entender as diferenas,

    existentes entre o modelo analgico e o digital, sobretudo, o impacto que essa

    nova forma de transmisso de dados, causou na estrutura fsica e econmica

    ssaltar o paradigma dos filmes, que

    devido a sua natureza tcnica (narrativa linear, custos, formato), mesmo no

    formato digital, impede maior interatividade a custo de descaracterizar seu

  • 68

    De certa forma, essa questo leva a uma reflexo sobre quais produtos

    dessa indstria teriam mais facilidade de mudana, e por seu turno, aqueles

    que teriam maior dificuldade de transformao de seu formato. Por exemplo,

    em um programa de auditrio, facilmente, podemos vislumbrar espao para

    processos interativos no decurso do evento, entretanto, em uma novela, a

    interatividade no contexto dramatrgico seria mais difcil de imaginar.

    H quem diga que para esses programas de baixo grau de

    interatividade, as possibilidades de trocas aconteceriam entre o usurio e as

    merchandisings9 protagonizadas pelos atores do programa. Por exemplo, em

    um dado trecho narrativo de uma novela, o ator estaria propositalmente

    utilizando um modelo de carro que coincide com o lanamento desse produto

    no mercado. O telespectador, identificando-se com as atitudes do personagem,

    influenciado pelo contexto, pode requerer mais informaes sobre o produto,

    apontando o controle remoto na direo do objeto de seu interesse. Este

    comando ordenar a abertura de uma janela com informaes detalhadas do

    produto (preo, desempenho, qualidade, marca, formas de pagamento, lojas

    mais prximas etc.)

    No entanto, nesse significado a interatividade, escapa a ideia inicial de

    troca de informaes, em via de mo dupla, dando nfase para o exerccio do

    marketing dos patrocinadores, dos interesses comerciais dessa indstria,

    fugindo dos objetivos desse estudo. Porm, a teoria seguinte, retoma a

    discusso apresentando outro modelo interacional.

    3.2.3 O modelo de Steuer 10

    Os estudos de Jonathan Steuer repercutem em diversas publicaes

    acadmicas, sobretudo, sua matriz de vivacidade e interatividade que abre

    espao para uma discusso interessante sobre noes de presena e

    telepresena. Segundo o autor (1993), presena pode ser definida como o 9 Propaganda editorial 10 Jonathan Steuer Phd em Teoria da Comunicao pela Universidade de Stanford, e um AB em Filosofia pela Universidade de Harvard.

  • 69

    sentido de estar em um ambiente, enquanto que telepresena, definida pela

    experincia de presena atravs de um meio de comunicao.

    Essa noo de experincia mediada, muito se assemelha a ideia de

    realidade virtual, que ganhou novo impulso com a emergncia das tecnologias

    digitais nos ltimas duas dcadas. Conforme atestam os especialistas de

    telepresena, atravs desses recursos telemticos, possvel estar em um

    local, pois a tecnologia oferece essa percepo, sem na verdade vivenciar

    fisicamente a experincia. No entanto, em seus estudos Steuer adverte para o

    perigo de se confundir suas ideias de telepresena, interatividade e vivacidade,

    com teletransporte, ou qualquer outra viso alegrica que inundam os filmes de

    fico cientifica.

    Pode-se dizer que sua viso, se aproxima muito das ideias de meios de

    comunicao como extenses do homem, de McLuhan, porm atualizadas e

    contextualizadas ao momento tecnolgico contemporneo. Conforme observa

    em seus estudos, the representational richness of a mediated environment as

    defined by its formal features, that is, the way in which an environment presents

    information to the senses(STEUER, 2005), ou seja, a riqueza da

    representao de um ambiente mediado, pode ser definido por suas

    caractersticas formais, isto , pela maneira em que um ambiente apresenta

    informaes para os sentidos humanos.

    Como McLuhan observar em suas teorias sobre meios de comunicao

    como extenses dos sentidos humanos, porm, dando maior nfase a

    qualidade tecnolgica de simular a realidade. Esse modelo pode ser ilustrado

    conforme figura a seguir.

  • Figura n 4 - Modelo

    O modelo de Steuer

    fundamentais: a vivacidade e a interatividade. A primeira subdivide

    nitidez e qualidade, estando nesses critrios a preocupao em demonstrar

    que em tal simulao, deve

    preponderantes para o seu sucesso

    A segunda, a interatividade, subdivide

    velocidade, amplitude e mapeamento,

    devem resolver tais funcionalidades para que ocorra um nvel de interatividade

    satisfatrio ao usurio.

    Desse modo, Steuer

    dos estudos da comunicao, pois, assim como Shannon, seus es

    analisam as caractersticas tcnicas dos meios de comunicao, com o objetivo

    de criar um ambiente miditico, capaz de

    uma mensagem de um emissor para um receptor, no se preocupando com o

    contedo da mensagem, nem

    receptor/indivduo.

    Fonte: Steuer (1993, p. 11)

    Modelo de Telepresena de Steuer

    Steuer de telepresena apresenta duas cararactersticas

    fundamentais: a vivacidade e a interatividade. A primeira subdivide

    nitidez e qualidade, estando nesses critrios a preocupao em demonstrar

    que em tal simulao, deve-se considerar esse dois fatores

    preponderantes para o seu sucesso da comunicao.

    A segunda, a interatividade, subdivide-se em trs aspectos, ou seja,

    velocidade, amplitude e mapeamento, em que seus componentes tcnicos

    devem resolver tais funcionalidades para que ocorra um nvel de interatividade

    Steuer revela sua viso informacional do ponto de vista

    dos estudos da comunicao, pois, assim como Shannon, seus es

    analisam as caractersticas tcnicas dos meios de comunicao, com o objetivo

    de criar um ambiente miditico, capaz de transmitir, com menor grau de rudo

    uma mensagem de um emissor para um receptor, no se preocupando com o

    contedo da mensagem, nem com o emissor/produtor nem o

    70

    Fonte: Steuer (1993, p. 11)

    de telepresena apresenta duas cararactersticas

    fundamentais: a vivacidade e a interatividade. A primeira subdivide-se em

    nitidez e qualidade, estando nesses critrios a preocupao em demonstrar

    iderar esse dois fatores como

    se em trs aspectos, ou seja,

    componentes tcnicos

    devem resolver tais funcionalidades para que ocorra um nvel de interatividade

    revela sua viso informacional do ponto de vista

    dos estudos da comunicao, pois, assim como Shannon, seus estudos

    analisam as caractersticas tcnicas dos meios de comunicao, com o objetivo

    , com menor grau de rudo

    uma mensagem de um emissor para um receptor, no se preocupando com o

    com o emissor/produtor nem o

  • 71

    3.2.4 O modelo de Rafaeli 11

    Como se observa nas pesquisas em comunicao, muitas das teorias

    que buscam entendimento sobre seu processo, evocam o modelo aristotlico,

    ou, emissor mensagem receptor para explicar como acontece as trocas de

    informaes, enfim, o prprio fenmeno da comunicao.

    Rafaeli, no entanto, prope um discurso pautado em uma etapa, muito

    estudada pela Escola de Chicago, porm, desprovido das intenes

    behavioristas. Trata-se de um estudo sobre o processo de feedback. Para o

    autor israelense, a interao foi alvo de estudo da Sociologia e da

    Comunicao, como um veculo atravs do qual a comunicao humana

    tornava-se possvel.

    Porm, do ponto de vista sociolgico, a interatividade trata-se da

    potencializao da reciprocidade do processo comunicacional, ou seja,

    diferente da interao que condio para existncia de um processo

    socializao, a interatividade, pode ser um fator de acelerao, auxlio, melhor

    desempenho desse processo.

    Por outro lado, no se pode ver a interatividade como a responsvel por

    todo o processo. Segundo Rafaeli, as tecnologias podem possibilitar e ao

    mesmo tempo regular essa interao, conforme apresenta em seu modelo de

    fluxo comunicacional, dividindo o processo em trs comunicaes: a)

    comunicao face-a-face; b) comunicao reativa e c) comunicao interativa.

    Na primeira situao, um sujeito (A) transmite uma mensagem (M1) para

    um sujeito (B), este ltimo recebe e retransmite a mensagem (M2) para (A), em

    um processo contnuo sem intermedirios. J no processo de comunicao

    reativa, a diferena est reelaborao da mensagem, ou seja, (A) emite uma

    mensagem (M1) para (B), que reelabora e retransmite outra mensagem (M2)

    para (A), que por sua vez reelabora a M2.

    11 Nota biogrfica na pgina 18 dessa pesquisa.

  • 72

    Na terceira situao, ou seja, no processo de comunicao interativa,

    Rafaeli pressupe incorporaes das mensagens M1, M2, M3, em um

    processo de reelaborao continuo, ou seja, as mensagens vo se

    incorporando, gerando sempre uma nova mensagem.

    Fonte: Mattos Dos Santos, 2007, p. 142

    Figura n 5 Modelo de Interao de Rafaeli

    Trazendo essa discusso para a realidade dos processos comunicativos

    pelo intermdio de tecnologias, podemos dizer que a situao 1, face-a-face,

    ela se encaixa perfeitamente em uma conversa casual, sem maiores

    intencionalidades.

    J na segunda, observa-se o interesse de que o receptor da mensagem

    incorpore a primeira mensagem. Podemos dar como exemplo, as mensagens

    publicitrias, que o feedback corresponde a compra de um dado produto, se a

  • 73

    mensagem for incorporada, o consumidor responde na compra do produto, se

    no, sua resposta merece uma reelaborao do discurso publicitrio.

    No entanto, a terceira comunicao, a interativa, nota-se a possibilidade

    de dilogo, mesmo que com reservas a intencionalidade de quem abre a

    conversa, h espao para reelaborao da mensagem de forma contnua e

    dinmica.

    Entretanto, convm ressaltar o trabalho de Ervin Golffman, em A

    Representao do Eu na Vida Cotidiana, onde o autor observa que mesmo em

    interaes face-a-face, ou mesmo em situaes de comunicao interativa,

    como as sugeridas pelos exemplos acima, existem, condutas sociais que

    escondem as reais comunicaes que poderiam ser elaboradas em um

    ambiente totalmente livre de personificaes.

    Goffman observou que,

    o proprietrio de terras escocs mdio e sua famlia viviam mais frugalmente no cotidiano do que quando recebiam visitas. A eles punham altura da grande ocasio e serviam pratos que lembravam os banquetes da nobreza medieval, mas tambm como aqueles mesmos nobres, fora das festividades, guardavam o segredo da casa, como se costuma dizer, e comiam do mais simples. Mesmo Edward Burt, com todo o seu conhecimento dos escoceses, achava difcil descrever-lhes as refeies dirias. (GOFFMAN, 1985, p. 43)

    Desse modo, o que Ervin traz tona a eterna representao de papis

    que existe na sociedade. Conforme o autor observa em outro trecho,

    Poucos diretores percebem quanto pode ser decisivamente importante sua aparncia fsica para um empregador. Ann Hoff, uma expert ao assunto, observa que os empregadores atualmente parecem estar procurando um tipo hollywoodiano ideal. Uma companhia rejeitou um candidato porque tinha dentes muito quadrados, e outros forma desqualificados por terem orelhas de abano ou por beberem ou fumarem abundantemente, durante uma entrevista. Muitas vezes os empregadores estipulam tambm francamente atributos raciais e religiosos.(GOFFMAN, 1985, p. 51)

  • 74

    Por isso, mesmo em um frum livre de conversas pela internet, ou em

    uma conversa corporativa via e-mails, dificilmente podemos garantir

    interatividade no seu sentido mais puro. Sempre haver espao para

    desconfiana.

    3.2.5 Os Enfoques de Alex Primo

    Alex Primo, em Enfoques e desfoques no estudo da interao mediada

    por computador, realiza uma anlise primorosa sobre o conceito de

    interatividade luz dos conceitos fundamentais da comunicao. Segundo

    Primo, a interatividade pode ser vista por a) Enfoque transmissionista; b)

    Enfoque Informacional; c) Enfoque Tecnicista; d) Enfoque Mercadolgico e e)

    Enfoque antropomrfico. Primo ainda tece consideraes sobre a abordagem

    sistmico-relacional de interao, onde analisa o pensamento de Gregory

    Batenson.

    O Enfoque Transmissionista tem em sua espinha dorsal o teorema de

    Shannon e Weaver, ou Teoria Matemtica da Comunicao, publicada na

    dcada de 1940, onde,

    A cadeia emissor-mensagem-canal-receptor [...] A rigor, tal modelo parecia ajustar-se bem ao estudo da comunicao de massa posicionava-se em um plo, por exemplo, uma empresa de televiso e de outro o telespectador. (PRIMO, 2005, p. 3)

    No entanto, sabe-se que tal modelo, foi suficiente para a pesquisa de

    problemas tcnicos na transmisso telefnica, se mostrou deficiente ao ser

    transportado para o contexto mais amplo da comunicao humana. (PRIMO,

    2005, p. 3)

    Primo ressalta que embora o esquema de Shannon, d conta para

    explicar as trocas de mensagens atravs de um meio de comunicao (no

    estudo o meio foi o telefone), quando esse modelo aplicado comunicao

    entre os seres humanos, falta-lhe argumentos, pois, facilmente podemos nos

    convencer de que os processos de comunicao humana, so mais

  • 75

    sofisticados (gestos, tato, expresses, aromas ...) e as tecnologias, ainda no

    conseguiram suplantar tantas possibilidades interativas.

    Alm disso, segundo Primo, o enfoque transmissionista muito limitado

    para o estudo de uma conversa, por exemplo, em uma sala de bate-papo, pois

    reduz o processo interativo ao burocrtico vai-e-vem de mensagens (PRIMO,

    2005, p. 4).

    Buscando uma alternativa a esse impasse, tericos recorrem ao

    conceito de bidirecionalidade como caracterstica fundamental da

    interatividade. A idia bidirecional, como fluxo de mensagens em uma via de

    mo dupla, acaba por resolver atenuar a questo reducionista do modelo,

    porm, levanta outro problema, a confuso com o conceito de interao social.

    From the users perspective, the transition to nonbatch systems allowedtwo-way flow of messages (bidirectionality), rapid exchange (quickresponse), larger volume of transaction per time unit (bandwith), and a vast increase in the combinatorial measure of the number of possible responses, the choice and variety made available to the user. [...] This technical titfor- tat reciprocity, however, does not have an obvious reflection on the social relations involved. (RAFAELI, S. In: PRIMO, 2005, p. 4)12

    Porm, a confuso termina quando Rafaeli explica que essa

    reciprocidade tecnolgica toma-l-d-c, no entanto, no tem um reflexo bvio

    nas relaes sociais envolvidas, pois a priori aconteceria apenas em relao

    ao tempo (velocidade) e quantidade de dados que so trocados.

    O enfoque informacional , tambm incorpora elementos da Teoria

    Matemtica da Comunicao, porm, desta vez, valorizando o conceito de

    entropia utilizado por Shannon e Weaver.

    Segundo Weaver (1978, p. 28) a palavra informao no se refere tanto

    ao que voc realmente diz, mas ao que poderia dizer, Isto : informao uma

    12 Traduo do autor: Pela perspectiva do usurio, a transio para sistemas nonbatch [de uso compartilhado] permitiu o fluxo de mensagens em dupla-via (bidirecionalidade), rpida troca (resposta veloz), volume maior de transao por unidade de tempo (largura de banda), e um vasto aumento na medida combinatria do nmero de respostas possveis, a escolha e a variedade disponibilizadas ao usurio. [...] Essa reciprocidade tecnolgica toma-l-d-c, no entanto, no tem um reflexo bvio nas relaes sociais envolvidas.(Ibidem)

  • 76

    medida de sua liberdade de escolha quando seleciona uma mensagem.

    Segundo Primo (2005, p. 5), a discusso de Brenda Laurel13 sobre

    interatividade trafega justamente por esse caminho,

    Laurel (1991, citada por Loes de Vos, 2000) sugere trs variveis que devem se consideradas no estudo da interatividade: freqncia (em que momentos se pode reagir), amplitude (quantas escolhas esto disponveis) e significncia (que impacto as escolhas tm)(PRIMO, 2005, p. 5)

    O modelo de Laurel classifica a interatividade a partir do nmero de

    possibilidades de interao que o emissor (programador do contedo,

    programa de televiso, etc.) disponibiliza ao usurio.

    Observa-se que essa teoria est baseada em fatores reativos, seletivos,

    alternativos, cuja essncia continua sendo um processo previsvel, ou conforme

    observa Primo, insuficiente para pensar outras formas como a criao ou

    mesmo um dilogo amistoso atravs de e-mails. (PRIMO, 2005, p. 5)

    Marco Silva, buscando alternativas para esse impasse, observa que,

    A liberdade de navegao aleatria garantida por uma disposio tecnolgica que faz do computador um sistema interativo. Esta disposio tecnolgica permite ao usurio atitudes permutatrias e potenciais. Ou seja: o sistema permite no s o armazenamento de grande quantidade de informaes, mas tambm ampla liberdade para combin-las (permutabilidade) e produzir narrativas possveis (potencialidade). (SILVA, 2000, p. 137)

    Porm, essa ideia de troca de informaes atravs de sistemas

    interativos, continuaria sendo criticada por seu contedo predeterminado e

    limitado. Para Raymond Williams, importante nome da escola inglesa The

    Culturals Studies, adverte que the range of choices both in detail and in scope,

    is pre-set14(PRIMO, 2005, p. 5)

    13 Brenda Laurel um designer, pesquisador e escritor. O seu trabalho centra-se na narrativa interativa, interao humano-computador, e os aspectos culturais da tecnologia. Ela atualmente serve como presidente do novo Programa de Ps-Graduao em Design na California College of the Arts . Sua carreira na interao humano-computador se estende por mais 25 anos. Ela tem mestrado e doutorado no teatro da Ohio State University. Sua tese de doutorado foi o primeiro a propor uma arquitetura abrangente para computador baseado em fantasia e fico interativa. 14 Traduo do autor: a extenso de escolhas, tanto em detalhe quanto em amplitude, predeterminada

  • 77

    No entanto, essa predefinio passa despercebida pela maioria dos

    usurios de computador, internet, jogos eletrnicos, como observa Jean

    Starobinski, em seu Ao e Reao,

    Com a ajuda da comunicao de massa, os jogos interativos entraram na linguagem corrente. preciso observar que a estrita reciprocidade no se encontra mais nestes jogos, j que o utilizador do procedimento interativo sempre cativo do sistema preparado pelo programador. O utilizar faz as escolhas que o programador colou no sistema. Por mais numerosas que sejam as opes possveis, elas esto sempre sob controle. (STAROBINSKI, 2006, p. 205)

    Desse modo, ainda que as possibilidades de troca de mensagens sejam

    finitas e controladas, e com isso, criticada por autores que defendem uma

    noo mais recproca do processo comunicativo, o modelo de Laurel pode-se

    ser visto como uma interao, porm limitada. Diferente do conceito de

    Thompson de quase-interao, onde o emissor no disponibiliza nenhuma

    opo de interao para o receptor.

    Primo salienta ainda que, segundo esse enfoque, as escolhas de

    alternativas, a permutao e a combinatria apresentadas como caractersticas

    fundamentais da interatividade, podem no passar de meros processos

    potenciais (PRIMO, 2005, p. 6), ou seja, uma ideia de ao recproca, em uma

    via de mo dupla, conforme sugerem o pensamento puro da comunicao,

    ainda no estaria revelado nesse modelo.

    No entanto, h tambm o enfoque tecnicista, cuja preocupao

    entender a capacidade do canal de possibilitar comunicao. Essa abordagem,

    tambm tem sua origem na Teoria Matemtica da Comunicao, onde Weaver

    salienta que,

    A capacidade de um canal de comunicao deve ser descrita em termos de quantidade de informao que ele pode transmitir, ou melhor, em termos de sua capacidade de transmitir aquilo que produzido a partir de uma fonte de informao de dada (COHN, 1978, p. 30).

    Essa preocupao com a quantidade de informao que um canal

    poderia suportar, era prioritria para Shannon, pois baseava sua teoria na ideia

  • 78

    de deixar disposio do sistema uma quantidade de informaes n cujas

    possibilidades fossem igual ou maior que as probabilidade.

    Weaver explica que as,

    Situaes artificialmente simples, em que a fonte de informao livre para escolher entre diversas mensagens definitivas como um homem que escolhe um, dentre um conjunto padronizado de cartes de Boas Festas. [...] a fonte de informao faz uma sequncia de escolhas a partir de um conjunto de smbolos elementares, sendo que a sequncia selecionada forma, ento, a mensagem. (COHN, 1978, p. 29)

    De certa forma, esse enfoque tenta explicar a interatividade como

    espcie de memria reativa que uma mquina possui em detrimento de um

    comando humano. Por outro lado, pode ser vista, conforme explica Steuer,

    como a extenso em que os usurios podem participar modificando a forma e

    o contedo do ambiente mediado em tempo real (PRIMO, 2005, p. 7).

    Para Steuer, Interatividade se diferencia de termos como engajamento

    e envolvimento, sendo uma varivel direcionada pelo estmulo e determinada

    pela estrutura tecnolgica do meio. (ibidem). Sendo uma varivel, ela pode ser

    classificada em,

    a) Velocidade, a taxa com que um input pode ser assimilado pelo ambiente mediado; b) amplitude (range), refere-se ao nmero de possibilidades de ao em cada momento; c) mapeamento, a habilidade do sistema em mapear seus controles em face das modificaes no ambiente mediado de forma natural e previsvel. (PRIMO, 2005, p. 7)

    Em seguida Primo acrescenta que tal abordagem nada mais do que

    uma anlise do desempenho do meio, ou seja, o autor descreve a capacidade

    de tempo, quantidade e adaptao do sistema de acordo com os princpios

    tecnicistas, porm, no convence quando aplicamos em seu modelo a ideia

    purista de reciprocidade que deve conter no conceito de interatividade luz da

    comunicao.

    No entanto, outros autores afiliaram-se a essa corrente, como observa

    Luiza Novaes,

  • 79

    Uma importante contribuio no campo do estudo das mdias, apontada por Jens Jensen em seu artigo Interactivity Tracking a New Concept in Media and Communication Studies (1999), foi o trabalho de Bordewijk e Kaam no qual eles desenvolvem uma tipologia de mdia baseada em dois aspectos centrais do trfego de informaes: quem detm e gera a informao, e quem controla a distribuio no que diz respeito ao timing e assunto. A partir do cruzamento dessas variveis, quatro padres de comunicao diferentes foram propostos: transmisso, conversao, consulta e registro. (NOVAES, 2004, p. 1)

    Primo salienta que a partir dessa base transmissionista, Jensen prope

    uma classificao que estuda a interatividade a partir das caractersticas dos

    meios (PRIMO, 2005, p. 7), conforme ilustrao abaixo.

    Informao produzida por um fornecedor central

    Informao produzida pelo consumidor

    Distribuio controlada por um fornecedor central

    1) TRANSMISSO 4) REGISTRO

    Distribuio controlada pelo consumidor

    3) CONSULTA 2) CONVERSAO

    Fonte: Jensen, p. 9, 1999

    Figura n 6 - Modelo interativo de Jensen

    E seguindo esse modelo, conforme observa Primo, um programa de TV

    seria definido como uma transmisso, um dilogo telefnico, uma conversao,

    navegar em um site uma consulta, e por seu turno, uma participao votante

    em um programa de TV, um registro. Segundo Primo, apenas a transmisso

    seria considerada comunicao unilateral (PRIMO, 2005, p. 8).

    Ainda seguindo esse esquema, Bordewijk e Kaam e Jensen apresentam

    mais quatro subconceitos ou dimenses da interatividade,

    a) interatividade de transmisso, medida do potencial do meio em permitir que o usurio escolha qual fluxo de informaes em mo nica ele quer receber (no existe a possibilidade de fazer solicitaes); b) interatividade de consulta, medida do potencial do meio em permitir que o usurio solicite informaes em um sistema de mo dupla com canal de retorno; c) interatividade de conversao, medida do potencial do meio em permitir que o usurio produza e envie suas prprias informaes num sistema de duas mos; d) interatividade de registro,

  • 80

    uma medida do potencial do sistema em registrar informaes do usurio e responder s necessidades e aes dele (PRIMO, 2005, p. 8).

    Ao final dessa anlise, Primo salienta que o modelo propem sadas

    para o conceito de interatividade, e neste caso, a interao (como ao em

    conjunto) no deve ser vista como caracterstica do meio, mas como um

    processo desenvolvido entre os interagentes, ou seja, entre o ser humano e o

    sistema.

    No Enfoque Mercadolgico, o pesquisador brasileiro discute a relao

    da interatividade com a propaganda, sobretudo as hiprboles publicitrias que

    exploram o apelo interatividade at este se esvaziar e perder seu sentido

    mais original.

    A especulao tamanha, que acabou por superqualificar o termo

    interatividade, responsabilizando-o por qualquer atividade que envolva um

    processo de estmulo e resposta, como as latinhas de cerveja interativas,

    A Skol lana as Latas Torcedoras. A novidade integra as aes da marca da Ambev durante a Copa e apresenta latas que falam e torcem pelo Brasil. As embalagens falantes so desenvolvidas com tecnologia foto sensvel e tm o mesmo visual e peso de uma lata de 350 ml. As Latas Torcedoras so resultado de um trabalho em conjunto com equipes de inovao de pases como China, Brasil e Estados Unidos. Quando o consumidor abre a lata, a penetrao da luz ativa aciona o dispositivo que faz a embalagem falar. Para repetir a fala, basta fechar a lata com a mo e abrir novamente. As latas que falam podem ser encontradas nos packs da marca em todo o pas. A embalagem foi produzida pela F/Nazca e os rtulos pela Design Absoluto. (PALIANTE, A. V, 2011)

    Nos Estados Unidos, outra marca de cerveja, tambm utilizou a

    interatividade como estratgia de marketing da empresa. Porm, ao invs de

    latas que falam, optou-se por rtulos de garrafas de cerveja que servem de

    suporte para pequenas mensagens,

    Cerveja Bud Light apresenta rtulo interativo. A AB-Inbev lanou nos Estados Unidos uma edio limitada da cerveja Bud Light com um rtulo tipo raspadinha, que permite ao consumidor escrever no rtulo da garrafa com chaves, moedas ou qualquer outro objeto metlico.(EMBALAGENS, R. 2011).

  • 81

    Desse modo, conforme nota-se pelos exemplos acima, no difcil

    perceber como a indstria incorporou em suas estratgias os anseios de

    consumo da sociedade contempornea. Interatividade ento deixa de ser

    apenas um processo comunicativo e desempenha um novo papel: de

    mercadoria.

    No entanto, observa-se que em ambos os casos no h interatividade, e

    sim uma iluso caractersticas das falcias publicitrias, pois, no primeiro caso,

    a lata responde a um estmulo de um dispositivo que acionado quando abre-

    se a lata, resultando em uma resposta padro para qualquer que seja o

    estmulo. No segundo caso, ainda mais fcil de perceber a deturpao, pois,

    o rtulo no responde, nem oferece interatividade, e sim, apenas um suporte

    (como uma folha de papel qualquer) para recados. Nada mais do que isso.

    Alex Primo, analisando o assunto acrescenta que,

    Para Sfez(1994), a interatividade cria apenas uma iluso de expresso. Para ele, o espetculo que hoje exibe parece nos incluir na cena e nos faz crer nessa incluso. Impiedoso, o autor apresenta a interatividade como argumento de venda no apenas na economia, mas tambm no mercado terico. (PRIMO, 2005, p. 9)

    Fenmeno que no novidade na histria dos meios de comunicao,

    pois, assim como a internet hoje, a televiso na dcada de 1940, ou melhor

    ainda, no seu auge na dcada de 1960, a propaganda, o discurso publicitrio

    mitificou a televiso, e tudo que poderia orbitar a sua volta, de modo que nos

    ltimos 60 anos, essa mdia dominou a economia do setor, e foi a grande mdia

    daqueles que disputaram o poder.

    No entanto, o fenmeno publicitrio da interatividade mais pulverizado

    e descentralizado, de modo que hoje, seu apelo encontrado em diversos

    produtos, de vrias indstrias diferentes, no se limitando a tecnologias da

    informao.

  • 82

    Porm, sua explorao a exausto repercute de forma negativa como

    observa Primo citando Bucci esta tal de interatividade deveria se chamar

    interpassividade. Nada mais. Interpassividade consumista: anabolizante para o

    comrcio, nuvem de fumaa para a democracia (BUCCI, PRIMO, 2005, p. 9).

    O autor questiona ainda como os prprios propagandistas utilizam essa

    ferramenta de marketing.

    Al Ries e sua filha Laura Ries(2001), no livro As 11 consagradas leis de marcas na Internet apresentam a Lei da Interatividade. Trata-se da possibilidade de se inserir dados, de acordo com as instrues apresentadas no site, e obter as informaes solicitadas. Os autores, contudo, no apontam em momento algum o dilogo como exemplo de interatividade (como se ele no fosse interativo!) (BUCCI, PRIMO, 2005, p. 9).

    Fraudes mercadolgicas ou no, os estudos mostram que a ideia de

    interatividade, ou a simples aluso, uma regra para os homens de negcios.

    No entanto, importante ressaltar que a incluso dessas anlises tm a funo

    de chamar a ateno para opinies precipitadas sobre o assunto, pois como

    observa Primo, preciso tomar cuidado com as metforas tecnicistas, que, por

    exemplo, comparam um mecanismo de busca a um dilogo (PRIMO, 2005, p.

    9)

    H tambm o enfoque antropomrfico, cuja abordagem parte da

    premissa de que por interativo podemos entender todo sistema de

    computao onde se manifesta um dilogo entre o usurio e a mquina

    (Ibidem). Entretanto este modelo, mais uma vez, pe em cheque o conceito de

    comunicao dialgica, pois, o modo como apresenta Bairon, o autor dessa

    teoria, sua identidade a mesma do conceito de comunicao, ou seja, um

    dilogo, em uma via de mo dupla.

    A pergunta mas o usurio de fato dialoga com o sistema

    informtico? (PRIMO, 2005, p. 9). Desse modo, primeiramente deve-se

    esclarecer esse impasse. Primo em uma citao busca uma soluo para o

    problema,

  • 83

    Eu dialogo com a mensagem quando eu a construo ou a consulto. Essas manipulaes que visam a modificar a mensagem, portanto os elementos textuais ou sonoros que a compem se operam atravs de uma tela interativa. Interativa porque ela lugar de dilogo, mas tambm porque ela o meio desse dilogo. A tela transparente, simplesmente irradiada do interior, desapareceu. Ela se tornou inteligente (MARCHAND & SILVA, PRIMO, p. 2005, p. 10)

    Esse entendimento atribui a tela uma qualidade, inteligncia, no mnimo

    contestvel, pois o uso por demais frouxo e generalizado de dilogo e

    inteligncia desconsidera as diferenas singulares entre o funcionamento da

    mquina e o comportamento humano (PRIMO, 2005, p. 10). Mais do que isso,

    a pretenso do autor seria melhor aceita como argumento de um filme de

    fico cientfica do que para a prpria cincia, enquanto instrumento que

    depende da preciso conceitual. Esse ideal, conforme observa Rafaeli (1988),

    aproxima-se dos posicionamentos da cincia da computao que compara o

    computador inteligncia humana. (RAFAELI, PRIMO, 2005, p. 10)

    Contrrio a esse posicionamento, continua Primo,

    Searle salienta que as mquinas no possuem o que ele chama de intencionalidade intrnseca. Trata-se de um fenmeno de natureza biolgica dos seres humanos e outros animais. Logo, ao dizer-se que um computador dialoga, estaria-se fazendo uma referncia apenas intencionalidade como-se. Searle entende que preciso opor a coisa real mera aparncia da coisa (em suas palavras, como-se-tivesse-intencionalidade). (PRIMO, 2005, p. 10)

    A crtica apresentada por Searle15 estaria de acordo com o pensamento

    ainda corrente da comunicao social, marcado pela denncia aos exageros

    que so atribudos eficcia do modelo comunicacional empreendido pelos

    meios de comunicao, que segundo apontam seus principais representantes,

    ainda no suplantaram a comunicao humana, sendo por isso, alvo de crticas

    de todas as sortes.

    15 John Rogers Searle (nascido em 31 de julho de 1932 em Denver , Colorado ) um filsofo americano e atualmente Professor da Slusser de Filosofia na Universidade da Califrnia, Berkeley . Searle comeou sua educao universitria na Universidade de Wisconsin-Madison , e posteriormente tornou-se um Rhodes Scholar em Oxford University , onde obteve um diploma de graduao e um doutorado em filosofia e tica. Amplamente conhecido por suas contribuies filosofia da linguagem, filosofia da mente e filosofia social

  • 84

    Primo destaca ainda aquilo que chamou de abordagem sistmico-

    relacional de interao. Segundo o pesquisador brasileiro,

    Essa abordagem se ergue em torno da proposta original de Gregory Bateson de uma epistemologia da forma, que busca destacar os padres de interao em vez dos atos individuais, os inter-relacionamentos em vez da causalidade unilateral (PRIMO, 2005, p. 11).

    Desse modo, o que a proposta de Barteson16 sugere que a interao

    resulta em uma viso compartilhada em uma situao comunicacional

    hipottica. Sua metfora sugere

    pensar a interao entre duas pessoas como dois olhos, cada um dando uma viso monocular do que acontece entre elas. Juntos, esses dois olhos dariam uma viso binocular mais aprofundada. O relacionamento seria essa viso dupla. A relao, pois, uma dupla descrio (PRIMO, 2005, p. 11) .

    Logo, sua perspectiva inclina-se muito mais a entender o resultado

    dessa interao, seja ela, de um processo envolvendo somente seres humanos

    ou envolvendo seres humanos e as mquinas, do que propriamente os

    processos que os unem. Segundo Primo, esse trabalho inspirou o pensamento

    da Escola de Palo Alto17, conhecido como perspectiva pragmtica da

    comunicao18, cuja temtica valoriza os relacionamentos desse processo,

    deixando de analisar somente o indivduo (interagente) isoladamente, ou da

    mesma forma, somente as mensagens.

    Desse modo, modelos transmissionistas, informacionais e tecnicistas

    no interessam aos pensadores da perspectiva pragmtica, pois, consideram

    como fator fundamental para a construo da inteligncia nem o indivduo nem

    o conjunto de indivduos, mas a relao entre indivduos, e uma relao

    16 Gregory Bateson (Grantchester, Inglaterra, 9 de maio de 1904 So Francisco, Califrnia, 4 de julho de 1980) foi bilogo e antroplogo por formao. Contudo, como grande pensador sistmico e epistemlogo da comunicao, 17 A Escola de Palo Alto surgiu nos Estados Unidos, Califrnia. Tambm chamada de Colgio Invisvel, a escola inicia seus estudos em 1942, impulsionada pelo antroplogo Gregory Barteson. Os estudiosos da Escola de Palo Alto se contrapem com o modelo linear e telegrfico, desenvolvido pela teoria matemtica. Eles tentam aplicar outro modelo que o circular retroativo, do qual a voz do receptor tem grande importncia tanto quanto a do emissor. O princpio da retroao e feedback do esquema circular foi criado por Norbert Wiener (1948), um dos estudiosos da teoria matemtica. Bateson e seus seguidores da Escola de Palo Alto acreditavam que a comunicao deveria ser estudada a partir de um modelo prprio, das cincias humanas, e no das lgicas matemticas. 18 Tambm conhecido como enfoque interacional ou enfoque relacional.

  • 85

    modificando ininterruptamente as conscincias individuais elas mesmas

    (PIAGET In: PRIMO, 2005, p. 12).

    E sob a perspectiva, Primo desenvolve uma anlise identificando

    diferentes tipos de interao mediada por computador, relacionando-as em dois

    grupos, ou, interaes mtuas e interaes reativas. Segundo Primo, as

    interaes mtuas ocorrem em um processo onde cada comportamento na

    interao construdo em virtude de aes anteriores. A construo do

    relacionamento, no entanto, no pode jamais ser prevista. (PRIMO, p. 13,

    2005). Esse tipo de interao pode ser ilustrada em um frum na internet, onde

    uma diversidade de interagentes, se unem para discutir uma determinada

    problemtica e suas opinies ou solues no podem ser previstas.

    Por outro lado, a interao reativa, depende da previsibilidade e da

    automatizao nas trocas. Uma interao reativa pode repetir-se infinitamente

    numa mesma troca: sempre os mesmo outputs para os mesmo inputs

    (PRIMO, p. 13-14, 2005). A interao reativa pode ser ilustrada na situao de

    um indivduo jogando um videogame, onde as reaes do personagem do jogo

    respondem a um comando do jogador (indivduo), que atravs do joystick

    controla as aes do personagem, mas no segundo um parmetro pessoal,

    mas sim de programaes, predefinidas pelo designer do jogo.

    Consideraes

    Tnhamos como objetivo construir um edifcio conceitual, de tal modo

    que seus andares representassem as diferentes ideias, teorias, modelos e

    enfoques, sobre a questo da interatividade.

    Partindo de uma anlise etimolgica das palavras interao e

    interatividade, foi possvel constatar as diferentes origens e por sua vez, os

    diferentes caminhos que cada um dos termos percorrem, em diferentes

    disciplinas, sobretudo, apresentando como estes conceitos foram

    gradativamente ganhando seu espao no campo da comunicao.

  • 86

    Em seguida, inicia-se uma investigao sobre o conceito de

    interatividade, atravs de vrias vozes, sendo que primeira delas, representada

    por Andr Lemos, que analisa trs condies para que ocorra interatividade, ou

    seja, em primeiro lugar preciso que hajam interagentes (duas ou mais

    pessoas), em segundo lugar que estes indivduos estejam em processo de

    dilogo, e em terceiro lugar que esse dilogo seja intermediado por tecnologia

    capaz de fluir mensagens de forma bilateral.

    Logo aps, repercutem as Classificaes de Rogers, segundo as quais,

    em uma linha contnua pode-se definir nveis, que variam de fraco a forte, o

    potencial de interatividade de diferentes mdias. Em seguida, foi a vez dos

    estudos de telepresena de Steur, onde seu autor, claramente influenciado

    pelas ideias de Shannon, analisa a qualidade de ambientes telemticos, a partir

    de uma classificao de dois critrios, vivacidade e interatividade. Segundo

    este autor, o modelo ideal estaria em sua qualidade de simular a realidade.

    Depois, foi a vez de apresentar as ideias de participao e passividade

    de Pierre Levy, onde o autor, defende a teoria de que na relao entre o um

    telespectador e um programa de televiso, no h passividade e sim, duas

    outras formas de interao: a mtua e a reativa.

    J Rafaeli Sheizaf, distncia dessa discusso sociolgica, e parte para

    um estudo mais tecnicista, tambm com bases na Teoria Matemtica da

    Comunicao de Shannon. Rafaeli, se permite estudar os mecanismos de

    feedback, ou seja, como as mensagens so construdas a partir de um

    processo contnuo de troca de mensagens.

    Em seguida, resenha-se os enfoques e abordagens de Alex Primo cuja

    contribuio est em sua capacidade de contextualizar as Teorias da

    Comunicao em seus estudos. Primo, apresenta correlaes das teorias da

    interatividade com ideias transmissionista, informacionais, tecnicistas,

    mercadolgicas e antropolgicas, mostrando que tais modelos tericos, tem

    sim bases nos principais estudos da comunicao.

  • 87

    Dessa forma, foi possvel apresentar um panorama dos principais

    estudos sobre a questo da interatividade, que embora no esgote o assunto,

    to pouco suas possibilidades de anlises, os autores e suas respectivas

    teorias, trouxeram tona uma diversidade de perspectivas que se espera que

    possam contribuir outros estudos e publicaes.

    Mais do que isso, conforme os objetivos iniciais dessa pesquisa foi

    possvel selecionar os estudos cientficos das falcias publicitrias, dando com

    isso uma boa base conceitual para explicar o fenmeno da interatividade, em

    seus diversos enfoques e possibilidades.

    Pode-se dizer que antes desse estudo, havia uma ideia vaga sobre o

    conceito de interatividade, que devido a falta de entendimento sobre o tema,

    acabava por provocar uma reao totalizante sobre seu real significado, cuja

    inclinao acaba sempre em preconceitos ideolgicos sobre a real importncia

    do desenvolvimento das tecnologias da comunicao.

    No entanto, embora essa seja uma viso vlida e aceita por muitos

    pesquisadores do campo, h sem dvida, teorias e possibilidades interessantes

    na outra margem do rio. Deve-se ressaltar o interesse de uma parte da

    comunidade cientfica em produzir um mecanismo de troca de informaes que

    permitam o fluxo de mensagens em uma via de mo dupla, que possibilite pelo

    menos imitar a performance humana.

    Por outro lado, conforme ser observado no captulo a seguir, muito

    dessa imaginao cientfica, no interessa apenas a aqueles que valorizam o

    desenvolvimento da cincia, em uma comunicao mediada que possibilite

    conversao, na acepo mais pura da palavra, mas, sobretudo, interessa para

    aqueles que lucram, que esto na presidncia das grandes corporaes da

    comunicao espalhadas pelo mundo inteiro. Fazendo com que a uma mesma

    ideia, represente de um lado a soluo de um dos principais paradigmas

    comunicacional - a bilateralidade, e de outro, represente o fim de um modelo de

    negcio cuja bases estaria justamente em sua anttese a unilateralidade.

  • 88

    Captulo IV Sociedade Interativa na Cultura Digital

  • 89

    4. Sociedade Interativa na Cultura Digital

    Para entender a proposta de anlise cultural dessa etapa da pesquisa,

    primeiramente, optou-se por esclarecimentos sobre o conceito de cultura, de

    modo que quando o conceito for abordado no decorrer do captulo, este esteja

    fundamentado e orientado por uma ideia de cultura j contextualizada essa

    pesquisa.

    Em seguida, pretende-se apresentar um panorama da cultura na

    atualidade, porm partindo de uma reflexo que sugere uma participao ativa

    das tecnologias nos processos de troca de valores, conhecimentos, ou seja, no

    fomento cultural da atualidade. Discurso que ter em seus principais

    representantes, os estudos de Marshall McLhuan, Manuel Castells, Luiz

    Beltro, Jos Marques de Mello, Osvando J. de Morais, entre outros

    pesquisadores e pensadores que vm contribuindo com importantes anlises

    sobre a influncia dos meios de comunicao na cultura da sociedade.

    Por fim, ainda com o objetivo de construir uma anlise sobre a cultura,

    optou-se por um estudo sobre a economia do setor das telecomunicaes,

    sobretudo, como a emergncia de um ambiente digital vm propiciando

    mudanas, cada vez mais significativas nesses conglomerados devido a

    quebra do cultural, impulsionado pelo advento de tecnologias interativas, que

    possibilitam maior participao do indivduo nos programas que assiste ou

    interage, na escolha e na seleo desses contedos, sobretudo, na produo

    de produtos miditicos a partir de uma base tecnolgica disponibilizada na

    internet, que funde meio de produo (editores de texto, imagens, udio) com

    meio de produo, dando com isso as ferramentas para que o usurio torne-se

    o protagonista de seu prprio contedo.

    Desse modo, com essas anlises, espera-se trazer tona dados,

    informaes, que possibilitem dar a dimenso de uma sociedade que se

    presume estare cada vez mais prxima de uma participao real nos processos

    de comunicao mediada.

  • 90

    4.1 Reflexes sobre o conceito de cultura

    A ideia de discorrer sobre o conceito de cultura vem de encontro com o

    impacto dos novos processos interativos na comunicao entre os homens,

    principalmente, no que tange o comportamento social, que segundo os estudos

    apresentados nessa pesquisa, vm transformando a cultura.

    Desse modo, alm de pensar a tecnologia, a comunicao, a

    interatividade, soma-se a esse contexto o conceito de cultura, quando se

    questiona a capacidade da interatividade, de influir no modo como as pessoas

    se comunicam nesse momento histrico, pois da supem-se que da forma, que

    a pedra lascada e o fogo, tiveram suas influncias, mudando o panorama do

    homem primitivo na pr-histria, possvel que as tecnologias interativas,

    possam influir e marcar seu tempo na linha do tempo humana.

    Para tanto, faamos luz definio de cultura de Terry Eagleton, em A

    Idia de Cultura,

    o conceito de cultura, etimologicamente falando, um conceito derivado de natureza. UM de seus significados originais lavoura ou cultivo agrcola, o cultivo do que cresce naturalmente. O mesmo verdadeiro no caso do ingls, a respeito das palavras para lei e justia, assim como de termos como capital, estoque, pecunirio e esterlino. A palavra inglesa coulter, que cognato de cultura, significa relha de arado. Nossa palavra para a mais nobre das atividades humanas, assim, derivada de trabalho e agricultura, colheita e cultivo.(EAGLETON, 2005, p. 9)

    Desse modo, inicia Terry Eagleton a sua busca pelo entendimento do

    conceito de cultura. Representante do The Cultural Studies, Eagleton ainda

    citaria Bacon para dar uma nova abordagem para o assunto, pois conforme

    observa

    Francis Bacon escreve sobre o cultivo de adubao de mentes, numa hesitao sugestiva entre estrume e distino mental. Cultura, aqui, significa uma atividade, e passou-se muito tempo at que a palavra viesse a denotar uma entidade. (EAGLETON, 2005, p. 9)

    Sugere o britnico atravs da observao de Bacon que o conceito de

    cultura, passa por um longo perodo de incubao para que ento aludisse

  • 91

    identidade, ao esprito de um povo, conforme aponta Eagleton em seguida,

    dizendo que cultura denotava de incio um processo completamente material,

    que foi depois metaforicamente transferido para questes do esprito (ibidem).

    Outro autor dessa mesma escola, tambm persegue essa ideia de

    cultivao do esprito. Trata-se de Raymond Willians, que em seu Cultura,

    observa que a histria do uso do termo,

    comea como nome de um processo - cultura (cultivo) de vegetais ou (criao e reproduo) de animais e, por extenso, cultura (cultivo ativo) da mente humana ele se tornou, em fins do sculo XVIII, particularmente no alemo e no ingls, um nome para configurao ou generalizao do esprito que informava o modo de vida global de terminado povo.(WILLIANS, 1992, p. 10)

    No entanto, medida que o conceito toma essa nova direo mais

    metafrica como apontou Eagleton, sobretudo, revelando sua vocao para as

    questes relacionadas ao esprito inventivo, o termo atribui ao ser dotado de

    cultura, o status de civilizado, subvertendo a lgica de sua origem, conforme

    observa o autor,

    Talvez, por detrs do prazer que espera que tenhamos diantes de pessoas cultas se esconda uma memria coletiva de seca e fome. Mas essa mudana semntica tambm paradoxal: so os habitantes urbanos que so cultos, e aqueles que realmente vivem lavrando o solo no o so. Aqueles que cultivam a terra so menos capazes de cultivar a si mesmos. A agricultura no deixa lazer algum para a cultura.(EAGLETON, 2005, p. 10)

    Por outro lado, ocupando-se a analisar a origem latina do termo cultura,

    Terry observa tambm que no latim antigo, a palavra tem uma abordagem

    diferente do ingls da Idade Moderna. Conforme os estudos do britnico, a

    palavra tem sua gnesis da palavra latina colere, que pode significar qualquer

    coisa, desde cultivar e habitar e adorar e proteger. (EAGLETON, 2005, p. 10)

    Porm, colere, como observa Eagleton,

    Desemboca, via latin cultus, no termo religioso culto, assim como a prpria ideia de cultura vem na Idade Moderna a colocar-se no lucar de um sentido desvanecente de divindade e transcendncia. Verdades culturais trata-se da arte elevada ou das tradies de um povo so algumas vezes verdades sagradas, a serem protegidas e reverenciadas.(EAGLETON, 2005, p. 10).

  • 92

    Talvez essa anlise explica a ideia de que obras como a A Capela

    Cistina de Leonardo da Vinci, possuam aura de cultura superior, sendo esse

    superior a prpria mo de Deus, dando ao trabalho do autor carter de

    sagrado, divino.

    Sendo que esse conceito de aura, estaria de acordo com os preceitos

    Benjaminianos que viu nos processos tcnicos de reproduo da cultura o

    declnio da arte pura,

    E, se verdade que as modificaes a que assistimos no meio onde opera a percepo podem exprimir como um declnio da aura, permanecemos em condies de indicar as causas sociais que conduziram a tal declnio. nos processos histricos que aplicaramos mais amplamente essa noo de aura, para melhor elucidao, seria necessrio considerar a aura de um objeto natural. Poder-se-ia defini-la como a nica apario de uma realidade longnqua, por mais prxima que esteja. (BENJAMIM, 1980, p. 9)

    Viso que ainda no foi superada, e pauta de debates em diversos

    congressos, e estudos sobre arte e cultura no mundo inteiro. No entanto, o que

    tal enfoque nos propicia mais uma vez, pensar a ideia de cultura em sua

    origem, como fruto de um cultivo tcnico, porm, desta vez o campo arado no

    a natureza, propriamente dita, mas sim o prprio ambiente tecnolgico, como

    terreno de experimentos de todas as sortes que estariam por produzir a

    expresso imagtica da contemporaneidade.

    Outra viso sobre o conceito de cultura atribuda por Adam Kuper em

    Cultura: A Viso dos Antropolgos, adverte que,

    todo mundo est envolvido com cultura atualmente. Para os antroplogos, esse j foi um termo ligado s artes. Hoje, os nativos falam de suas culturas. Cultura a prpria palavra, ou algum equivalente oral est na boca de todos, observou Marshall Sahlins. Tibetanos, havaianos, equims, cazques, mongis, aborgenes australianos, balineses, caxemirenses, Ojibway, Kwakiult e Maori neozelandeses: todos descobrem que tm uma cultura (KUPER, 2002, p. 23)

    O enfoque sociolgico ao conceito de cultura abre espao para uma

    discusso mais ampla sobre o impacto dos meios de comunicao, sobretudo,

  • 93

    seus contedos, nas tradies, valores de diversas culturas que se espraiam

    por diversas reas de globo.

    medida que o mundo se aplaina, conforme observou Thomas

    Friedman, em seu O Mundo Plano,

    Quanto mais uma cultura se glocaliza naturalmente, isto , quanto mais uma cultura absorva com facilidade idias e melhores prticas estrangeiras, mesclando-as com suas prprias tradies, maiores vantagens ter no mundo plano. A capacidade natural de glocalizar tem sido um dos pontos fortes das culturas indiana, norte-americana, japonesa e, recentemente, a chinesa. (FRIEDMAN, 2005, p.292)

    Essas culturas recebem influncia dos contedos transmitidos pelos

    canais de comunicao, trazendo tona uma nova acepo cultural, o conceito

    de culturas hbridas, conforme observaram Nstor Garcia Canclini, Michel

    Maffesoli, Edgar Morin, Zigmunt Buaman, estandartes dos estudos da ps-

    modernidade.

    4.2 Cultura Digital

    Como constatou-se no item anterior, cultura pode ser definida como

    valores, crenas, prticas, que so passadas de gerao em gerao, criando

    com isso tradies e caracterizam as sociedades. No entanto, nota-se tambm,

    que existem aspectos que relacionam culturas de tal modo, que alguns

    ambientes, sejam eles fsicos ou tecnolgicos, so comuns nas mais diversas

    regies do planeta. A esses aspectos, cientistas sociais e pesquisadores de

    reas afins, do o nome de globalizao.

    Terminologia que abarca diversos fenmenos da sociedade, entre eles,

    a cultura digital possui seu papel de destaque, devido a sua presena, cada

    vez mais marcante nos processos de trocas de dados, mensagens e contedos

    e informaes de todas as sortes, provenientes de um ambiente tecnolgico

    que homogeneza, e conecta indivduos de todas as partes do globo.

  • 94

    Ambiente que vm se consolidando em uma rede de comunicao

    global, desde a emergncia da internet na dcada de 1990, e medida que se

    ampliam os pontos, e paralelamente emergem novas tecnologias com maior

    velocidade e capacidade de fluxo de mensagens, maior capacidade de

    armazenamento de dados, sejam eles na rede, ou em aparelhos com

    dispositivos de grande capacidade de memria. Toda essa estrutura,

    construda a partir de um mesmo cdigo, o binrio, que possibilita o

    desenvolvimento mecanismos de comunicao (facebook, MSN, e-mails, chats,

    portais, skype...), tambm intercambiam contedos (filmes, msica, e-books,

    fotografias...) atravs de aplicativos, desenvolvidos por programadores/

    usurios, em sua maioria annimos, ou seja, no representam nenhuma

    empresa em particular, mas disponibilizam seus produtos na internet.

    Produtos, que so fruto de uma cultura que tem suas razes em

    conceitos, que em tese, divergem dos antigos preceitos da formalizada

    industria cultural, conforme observa Srgio Amadeu Silveira, analisando o

    impacto da internet a poltica de negcio que sempre orientou aqueles que

    dirigiam os meios tradicionais de comunicao,

    Alguns no entendiam o esprito que estava gerando aquela configurao especfica da internet. No conseguiam entender os motivos que levaram Berners-Lee a liberar o HTTP pela rede, em vez de tentar apropriar-se privadamente da sua soluo genial. O esprito da ddiva19, a lgica do hacker e a ideia do compartilhamento do conhecimento estavam ali presentes (SILVEIRA, 2007, p. 25).

    Desse modo, observa-se que a cultura digital, traria consigo suas

    prprias regras e valores, de modo que sua influncia no estaria apenas na

    abertura para novas possibilidades comunicativas, mas sobretudo, na maneira

    de apropriao desses contedos, das ideias, das solues e conhecimentos.

    Enquanto o negcio das emissoras de televiso, sempre foi a venda de

    patrocnios, ou de assinaturas, para custear sua produo cultural (novelas,

    19 Nota do autor: Esprito da ddiva uma expresso e tambm ttulo do livro escrito pelo professor Jacques T. Godbout, da Universidade de Quebec, auxiliado por Alain Caill, professor da Universidade de Caen e diretor do Revue Du Mauss. Trata-se de uma reflexo sobre o papel da ddiva n a sociedade atual. Estudado pelo antroplogo Marcel Mauss, a ddiva foi entendida como prtica universal nas antigas sociedades. Mas a ddiva nunca deixou de existir. No universo de redes informacionais, as prticas de compartilhamento demostram um novo impulso para a ddiva como paralela economia completamente mercantilizada. Existem vrios estudos sobre a economia da ddiva, gift economy, em ingls.

  • 95

    sries, jornais, transmisso de campeonatos esportivos etc.), na internet, para

    o usurio ter acesso a tais contedos, bastava uma conexo ( discada ou

    banda larga) para ter acesso a todo o contedo desejado, com ressalvas

    claro para o acesso a portais das prprias emissoras de televiso. Mesmo

    assim, muitos produtos da indstria acabaram pirateados por hackers que

    faziam questo de disponibilizar e divulgar o endereo (link) onde tais

    informaes estariam a merc de quem mais quiser.

    Por hora, essa discusso econmica termina aqui, no entanto, no item

    seguinte dessa dissertao, mais informaes sero apresentadas para dar a

    real dimenso do problema que aflige as principais corporaes do mundo no

    ramo das telecomunicaes.

    4.3 A Cultura dos Aplicativos

    Um pouco mais de duas dcadas aps liberao do cdigo World Wilde

    Web criado por Tim Berners-Lee na dcada de 1980 e publicado na dcada de

    1990, a Web estaria em declnio. Trata-se da viso apocalptica do Fsico

    estadunidense Cris Anderson revela sem seu artigo The Web Is Dead20, onde

    editor chefe da Revista Wired, observa que,

    Ao longo dos ltimos anos, uma das mudanas mais importantes no mundo digital foi o movimento da Web que se abre para plataformas semi fechadas que usam a Internet para o transporte, mas no o navegador para mostrar. impulsionado principalmente pelo crescimento do modelo de computao mvel iPhone, e um mundo Google que no se pode rastrear, onde um HTML no regra. E o mundo que os consumidores esto cada vez mais a escolher, no porque est rejeitando a idia da Web, mas porque estas plataformas direcionadas, agilizam o acesso e se encaixam melhor as necessidades de suas vidas (a tela vem com eles, eles no tem que ir para a tela).(ANDERSON, 2010).

    O que Cris Anderson percebeu que as pessoas, ao interagir com os

    contedos da internet, no estariam to dispostas a escrever todo um endereo

    eletrnico para utilizar uma funo da web, elas esto optando por utilizar os

    20 A Web est Morta

  • 96

    aplicativos (Gagets) disponveis na internet, ou pr-selecionados por

    corporaes que j perceberam essa tendncia.

    Na publicao, Anderson ilustra sua viso descrevendo o dia-a-dia de

    um usurio de aplicativos,

    Voc acorda e verifica seu e-mail em seu iPad de cabeceira - que um aplicativo. Durante caf da manh voc navega Facebook, Twitter, e The New York Times - mais trs aplicativos. No caminho ao escritrio, voc ouve um Podcast no seu Smartphone, outro aplicativo. No trabalho, voc rola atravs de feeds RSS em um leitor e ter conversas Skype e IM. Mais aplicaes. No final do dia, voc chega em casa, faz o jantar enquanto ouve a Pandora, joga alguns Games no Xbox Live, e assiste a um filme no servio de streaming da Netflix. Voc passou o dia na Internet - mas no na web (ANDERSON, 2010).

    O jornalista americano, ainda acrescenta esse comportamento mais

    comum do que se imagina, e isso j foi percebido pelos gigantes que buscam

    convergir em seus portais a maior quantidade de aplicativos possveis e

    imaginveis. Segundo Anderson, trata-se de uma quebra de paradigma

    funcional, que coloca o tradicional formato www em segundo plano Claro,

    sempre teremos pginas na Web. Ainda temos cartes postais e telegramas,

    no ? Mas o centro de mdia interativa cada vez mais, o centro de gravidade

    de toda a mdia est se movendo para um ambiente de ps-HTML

    (ANDERSON, 2011).

    Somado a essa quebra de paradigma os dispositivos mveis, que

    permitem a portabilidade de tecnologias com acesso a rede, possvel projetar

    um cenrio onde os Desktops (computadores de mesa) tambm teriam seus

    dias contados. O reprter Rodrigo Carvalho, em reportagem para o programa

    Espao Aberto Cincia e Tecnologia da Globo News, intitulada Mobilidade:

    Uma Tendncia Irreversvel de Uso e de Negcios, revela que no primeiro

    semestre de 2011, a Anatel divulgou que h 217,3 milhes de celulares

    operando no Brasil, ou seja, mais de um celular para cada brasileiro,

    mostrando o auto nvel de penetrao da tecnologia no pas.

    Na mesma reportagem, Rodrigo apresenta dados do mercado norte-

    americano, referentes a quantidade de tempo que os usurios de minutos por

  • dia que os usurios de internet estariam acessando a rede a partir de

    dispositivos mveis e seus aplicativos.

    Figura n 7 Navegao na WEB x aplicativos mveis

    Na ilustrao apresentada pela reportagem da Rede

    verificar a tendncia dos usurios pelo

    de todas as sortes, atravs desses aplicativos interativos, disponveis

    os tipos de tecnologias mveis

    Tendncia cujo impacto repercute tambm em antigos modelos de

    negcios, que por muito tempo, reinaram absolutos nesse ramo.

    cenrio onde a televiso reinava absoluta j passado, pois cada vez mais as

    verbas publicitrias so pulverizadas em aes de propag

    onde prevalece essa nova lgica de mercado.

    E embora o objetivo por

    manter clientes (LEVITT, 1990), a integrao de redes sociais, aplicativos no

    composto de comunicao decorre da fora que ta

    comunicao possuem quando o assunto

    extratos sociais.

    100

    Min

    utos

    por

    dia

    web

    aplicativos mveis

    Navegao na web x aplicativos mveis

    dia que os usurios de internet estariam acessando a rede a partir de

    e seus aplicativos.

    Fonte: Globo News

    Navegao na WEB x aplicativos mveis

    Na ilustrao apresentada pela reportagem da Rede Globo, possvel

    ar a tendncia dos usurios pelo consumo de contedos e informaes

    de todas as sortes, atravs desses aplicativos interativos, disponveis

    os tipos de tecnologias mveis (Smart Phones, Iphones, Ipad. Tablets

    cujo impacto repercute tambm em antigos modelos de

    negcios, que por muito tempo, reinaram absolutos nesse ramo.

    cenrio onde a televiso reinava absoluta j passado, pois cada vez mais as

    verbas publicitrias so pulverizadas em aes de propaganda e marketing,

    onde prevalece essa nova lgica de mercado.

    E embora o objetivo por trs das campanhas seja o mesmo, atrair e

    LEVITT, 1990), a integrao de redes sociais, aplicativos no

    composto de comunicao decorre da fora que tais ferramentas de

    comunicao possuem quando o assunto interatividade com os mais diversos

    020406080

    100

    jun/

    10ju

    l/10

    ago/

    10se

    t/10

    out/1

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    11m

    ar/1

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    /11

    jun/10 dez/10 jun/11

    64 70 74

    aplicativos mveis 43 66 81

    Navegao na web x aplicativos mveis

    97

    dia que os usurios de internet estariam acessando a rede a partir de

    Fonte: Globo News

    Globo, possvel

    consumo de contedos e informaes

    de todas as sortes, atravs desses aplicativos interativos, disponveis a todos

    Smart Phones, Iphones, Ipad. Tablets...).

    cujo impacto repercute tambm em antigos modelos de

    negcios, que por muito tempo, reinaram absolutos nesse ramo. Aquele

    cenrio onde a televiso reinava absoluta j passado, pois cada vez mais as

    anda e marketing,

    das campanhas seja o mesmo, atrair e

    LEVITT, 1990), a integrao de redes sociais, aplicativos no

    is ferramentas de

    interatividade com os mais diversos

    mai

    /11

    jun/

    11

  • 98

    Essa reconfigurao do cenrio dos fluxos de comunicao, foi ilustrado

    por Pedro Jorge Braumann, no I Congresso Mundial de Comunicao Ibero-

    Americana,

    Fonte: Braumann, 2011

    Figura n 8 The River X The Lake

    Braumann apresenta essa quebra de paradigma atravs do modelo de

    anlise de fluxos de informaes desenvolvido por Cristian Nissen, onde esse

    mostra como o processo de comunicao mediada vem se transferindo de um

    modelo unidirecional, representado pela metfora do rio(The River) para um

    modelo multidirecional, interativo, representado pela metfora do lago (The

    Lake).

    No prximo item, pode-se ter uma dimenso do problema, que vm

    reestruturando toda uma cadeia de suprimentos tcnicos, humanos, sobretudo,

    desmistificando a lgica de um negcio que garantiu o sucesso da televiso

    nos ltimos sessenta anos.

  • 99

    4.5 A Economia da Interatividade no Sculo XXI

    Novamente a televiso est no epicentro de discusses apocalpticas

    como em sua emergncia na dcada de 1940. Desta vez as especulaes

    ganham contornos controvrsos, onde de um lado cientistas vislumbram um

    horizonte pouco promissor devido a acensso da internet e uma suposta

    migrao de telespectadores para usurios da internet, e de outro aqueles que

    apostam suas fixas na popularidade da televiso e nas possibilidades de

    modernizao da tv, nessa mudana de analgica para digital, que

    proporcionaria o telespectador em usurio de tv.

    Definir o vencedor dessa batalha arriscado, sobretudo, devido aos

    interesses que envolvem tais transformaes. Entretanto, visvel que a

    digitalizao, principalmente, a emergncia da internet fez os poderosos

    conglomerados da comunicao balanar e rever suas estratgias.

    Diante das possibilidades de digitalizao, at a poderosa mdia televisiva rendeu-se, abandonando suas aspiraes analgicas. As empresas de radiodifuso passaram a digitalizar todo o seu contedo, bem como o modo como ele transmitido (SILVEIRA, 2007, p. 28).

    Tais investimentos, so da ordem de milhes de dlares, e apontam para a

    direo daquilo que garante o sucesso da Internet: a interatividade.

    Assim, o que est emergindo um ambiente de integrao crescente entre as mltiplas possibilidades de produo, edio e veiculao de contedos digitais e as diversas formas de captao dessa produo digitalizada. Aparelhos que processam informaes, fixos e mveis, tm recebido e ainda receberam diversos nomes fantasia a depender de sua configurao, mas todos sero comparveis a pequenos computadores. So mquinas de processar dgitos, e como mquinas de processar podem realizar comunicao interativa (SILVEIRA, 2007, p. 28).

    Para acompanhar essas mltiplas formas de interao, a televiso deve

    decodificar outras linguagens21 que j so processadas pelo computador e

    circulam livremente na internet e so responsveis pela interatividade entre os

    21 HTML, MPEG, JPEG, MP3, s para citar alguns formatos de arquivos que circulam na internet.

  • 100

    usurios. Entretanto, essa interao, no a marca do negcio lucrativo que

    fez o sucesso da televiso analgica. Mais ainda, a internet se popularizou com

    tamanha velocidade, devido liberdade de expresso, gratuidade dos

    contedos e a possibilidade de escolha dos contedos, modelo que mina o

    antigo modelo de negcio dos meios de comunicao. por isso, que os

    principais conglomerados do pas, esto se mobilizando e utilizando todos os

    recursos disponveis para tentar frear esse formato de livre comrcio de

    mensagens.

    Isto esclarece uma das principais razes pelas quais a Rede Globo fez um forte lobby sobre o governo para impor um padro de TV Digital que possibilite a menor entrada de um grande nmero de novos veiculadores de contedo. Representantes da Globo diziam abertamente que precisavam proteger a nica multinacional brasileira que exporta contedos televisivos da concorrncia aberta dos grupos internacionais de telecomunicaes (SILVEIRA, 2007, p. 37).

    Entretanto, essa zona de conflito gerada pela chegada de uma nova

    tecnologia, no bem uma novidade, pois como j foi percebido por Mcluhan

    quando afirmou que - toda tecnologia nova cria um ambiente que logo

    considerado corrupto e degradante. (MCLUHAN, 2006, p. 12) , se referindo a

    chegada da televiso na dcada de 1940, no foi diferente com a chegada da

    internet, pois a sua capacidade produo descentralizada, gerou discursos

    condenativos dos arautos que defendiam o antigo modelo de comunicao

    mediada.

    De profissionais de jornalismo aos presidentes da organizaes, todos,

    de alguma forma se sentiram ofendidos e impotentes frente democratizao

    da comunicao e da produo proposta pela internet e as tecnologias da

    informao. Naturalmente, o incmodo maior foi sentido no bolso dos

    acionistas dos conglomerados da comunicao, que se viram a merc da

    vontade de seus consumidores. Uma corrida desorganizada pelo monoplio

    das telecomunicaes foi o primeiro indcio de que a mina estava secando.

    O ano 2000 comeou com uma fuso espetacular: o casamento da Time Warner com a AOL possibilitou a criao de um grupo com faturamento total de

  • 101

    quase 32 bilhes de dlares e mais 82 mil empregados. Essa fuso consagrou a preponderncia da Internet, j que, ao final da transao, ao acionistas da AOL, teriam 55% do capital do novo grupo, quando a AOL representava apenas 20% do fluxo de caixa do conjunto( para um faturamento de cerca de cinco bilhes de dlares). A presidncia foi confiada ao atual presidente da AOL, Steve Case. A fuso deu AOL, o acesso a uma rede de banda larga (por cabo) que se propunha oferecer aos assinantes programas, informao e comrcio eletrnico... No entanto, dois anos depois dessa fuso espetacular, chegou a hora de avaliar os resultados. Contrariamente s previses feitas no auge da especulao sobre o novo grupo, a Internet de banda larga atraiu apenas 10% das famlias norte-americanas e 2% das europias...O grupo retornou seu nome anterior, Time Warner, e decidiu, no final de 2003, abandonar as atividades musicais para reduzir o endividamento (BENHAMOU, 2000, p. 145).

    Entretanto, todo esse movimento econmico, poltico e social, s o

    incio de uma grande revoluo que continua em andamento, e provocou essa

    corrida dos produtores da antiga televiso, esttica, para a nova proposta,

    dinmica, da televiso digital. O que os donos dos conglomerados parecem

    ainda no ter percebido, que o usurio de internet, tem outra relao com a

    tecnologia de recepo e transmisso de dados. Sobretudo, este novo sujeito

    entende a interatividade como parte essencial do processo comunicativo, ou

    seja, no mais um telespectador passivo, parte integrante do espetculo

    mediado, logo, se a tecnologia no proporcionar interatividade, em algumas

    geraes, esse equipamento se transformar em pea de museu. Alm disso,

    a relao com os canais (emissoras) so diferentes:

    possvel afirmar que o poder comunicacional tem-se alterado pela interatividade e tende a ser mais desconcentrado no ambiente de rede. Ter poder comunicacional no implica o domnio sobre a esfera pblica ou no controle ou manipulao da opinio. Ele representa maior ou menor possibilidade de influir (SILVEIRA, 2007, p. 33).

    Dessa forma, modelo que consagrou a imprensa como o quarto poder,

    detentora do monoplio da informao, parece estar em declnio, justamente,

    devido a sua pequena capacidade de interao com o telespectador. Na

    verdade, o papel da televiso na sociedade est se modificando, como nas

    palavras de Bertold Brecht,

  • 102

    A radiodifuso h de ser transformar em aparelho de distribuio em aparelho de comunicao. A radiodifuso poderia ser o mais fantstico meio de comunicao imaginvel na vida pblica, um imenso sistema de canalizao. Quer dizer: isto se falasse, no ficasse isolado, mas relacionado...Irrealizveis na presente ordem social, porm realizveis em outras, essas propostas, que so simplesmente a conseqncia natural do desenvolvimento tcnico, constituem um instrumento para a propagao e formao de uma outra ordem social.(BRECHT, B. In: SILVEIRA, 2007, p. 48)

    Excelente observao do alemo, que em 1932, no texto Radiotheorie j

    conferia essa ideia que agora possvel pelos avanos tecnolgicos.

    Entretanto, uma pergunta retrica faz-se necessria nesse contexto, pois, a

    interatividade, a liberdade de produo, seria interessante comercialmente?

  • 103

    5. Consideraes Finais

    Pensar a interatividade pelo veis da comunicao no uma tarefa fcil,

    pois como observamos no decorrer desse trabalho, os principais modelos

    tericos so oriundos de outras cincias que embora faam fronteiras com as

    cincias sociais, seus personagens e conceitos inclinam-se mais engenharia

    das telecomunicaes e a informtica, do que no prprio campo da

    comunicao.

    E este foi nosso primeiro grande desafio, ou seja, quebrar um paradigma

    terico que pauta h muito tempo pesquisas e estudos que na maioria das

    vezes, esto inclinados preceitos marxista, presentes, desde que a Teoria

    Crtica ganhou o mundo na dcada de 1950. E desde ento, cada nova

    gerao de pesquisadores, a teoria acabaria se reinventando at os estudos

    culturais que atualmente proliferam as academias.

    Por isso, nota-se que pesquisadores do campo da comunicao tm

    dificuldade em aceitar pontos de vistas funcionalistas, sobretudo, as escolas

    latino-americanas onde as linhas de investigao persistem explicar os efeitos

    sobre a sociedade dos contedos telemticos, enquanto outras escolas, como

    por exemplo, a norte-americana( Canad e Estados Unidos), investem e

    apiam estudos cujo objetivo entender as funes dos canais de

    comunicao enquanto extenses dos sentidos humanos como h muito tempo

    sugeriu McLuhan.

    Esse fato facilmente identificado na pequena quantidade de

    publicaes com propostas tericas sobre a interatividade nos pases latino-

    americanos, obrigando o pesquisador importar o pensamento cientfico de

    pases cujas pesquisas em comunicao apostam suas fichas em hipteses

    que investigam outros paradigmas do complexo fenmeno da comunicao. E

    nesse contexto, destaca-se as Escolas Estadunidense, Canadenses, Italiana e

    Israelense, onde foi possvel encontrar trabalhos interessantes sobre a questo

    da interatividade.

  • 104

    E analisando os trabalhos desses pensadores, observamos que tais

    abordagens suscitam novas possibilidades de investigao e oferecem ao

    campo uma dupla contribuio: de um lado atualizam as bases de dados sobre

    o assunto no mundo inteiro, inclusive no Brasil, e de outro abrem espao para

    novas discusses que estariam soterradas embaixo de pilhas de trabalhos

    sobre os efeitos alienantes da comunicao mediada.

    Trazem a tona antigas teorias que ganham novo impulso na era digital,

    como a Teoria Matemtica da Comunicao que continua influenciando

    diversos trabalhos e pesquisadores na atualidade, sobretudo, quando a cada

    nova gerao de tecnologias da informao ampliam-se as possibilidades e

    espaos de comunicao.

    Por isso demos destaque para esse ponto, pois o regaste terico acabou

    atualizando os estudos no Brasil, trazendo tona as origens do pensamento

    funcionalista e onde essas ideias se interagem com outras disciplinas como a

    Informtica e a Engenharia das Telecomunicaes.

    E embora no seja o foco desse estudo o aprofundamento nesses dois

    campos, sobretudo no que tange as suas especificaes tcnicas e linguagens

    especficas, a grande valia est na identificao do terreno de estudos, que

    acreditamos que deve contribuir para futuras pesquisas sobre a interatividade,

    e s por isso, j podemos considerar um grande avano.

    Ainda sobre esse ponto de vista, o estudo tambm contribuiu na

    identificao e na organizao de autores nacionais e internacionais que

    estariam inclinados em entender esses processos, sobretudo em temas onde

    h grande carncia de referncias e bibliografias, respondendo um dos

    questionamentos desse trabalho que se referia justamente na identificao dos

    principais modelos tericos sobre a questo da interatividade.

    Para se ter uma idia do tamanho do problema, o que nos chamou

    ateno logo nas primeiras investidas sobre o tema, foi a quantidade de

  • 105

    pensadores Brasileiros, inclusive aqueles que estariam a frente das principais

    pesquisas sobre o tema que no conseguem explicar facilmente as diferenas

    entre interao e interatividade. Problema que parece resolvido em outros

    centros de pesquisa e que aqui continua a reverberar em publicaes e

    congressos.

    Por conta disso, nossa preocupao foi tambm encontrar explicaes

    que nos ajudassem a resolver essa questo, ou pelo menos proporcionar um

    porto seguro para pesquisadores cujos trabalhos esbarram nesse problema

    conceitual.

    Um problema, aparentemente desinteressante, de natureza etimolgica,

    e que acabou funcionando como um argumento para reforar de um lado a

    escolha dos autores que aqui discorreram sobre a interatividade e de outro

    como argumento para explicar a diferena do prprio conceito em relao ao

    de interao.

    Assim, observamos que a palavra interao, tinha sua raiz associada ao

    pensamento social, ou seja, tal termo surge na Sociologia e ainda utilizado

    para explicar como se constroem as relaes entre os grupos sociais

    Entendeu-se, por exemplo, que os valores de uma sociedade so

    construdos a partir da constante interao de mensagens entre indivduos,

    mediados ou no por tecnologia. Mensagens estas que trazem grande carga

    valorativa (costumes, tradies, crenas etc.) que com o tempo acabam se

    consolidando na prpria cultura de uma sociedade.

    E nesse contexto cientfico (sociolgico) o ideia de interatividade e

    interao so semelhantes, pois sua funo quase a mesma, ou seja,

    proporcionar interao, troca, comunicao entre um ou mais indivduos com o

    objetivo de proporcionar o intercmbio de valores. O que queremos dizer que

    o foco da discusso sociolgica no est em como acontece a troca, mas sim

    de qual o contedo e a inteno dos agentes envolvidos nesse processo.

  • 106

    Tema interessante que pode ser encontrado nos trabalhos de Charles

    Steinberg, Abraham Moles, J. B. Thompsom, que buscaram explicar como se

    d a comunicao de ideias, de costumes, de ideologias na sociedade, mas

    que em tese, em nada tem haver com objetivo dessa pesquisa.

    Por sua vez, o termo interatividade pouco utilizado nessas

    publicaes, pois, sua origem e contexto outro, ou seja, surge da corrente

    funcionalista e sua definio volta-se mais para entender como se d o

    processo de troca, como uma tecnologia pode proporcionar interatividade e

    qual modelo tecnolgico poderia facilitar, ampliar a interao entre os

    envolvidos.

    Isso no que dizer que ao aumentar os espaos de troca de mensagens

    no aumente tambm as possibilidades de manipulao, ao contrrio,

    acreditamos que as duas coisas andam juntos, no entanto no o objetivo

    desse trabalho provar que existe ou no manipulao por traz dessa

    engenharia, e sim, entender, de forma mais imparcial possvel, como se do

    essas trocas.

    E foi justamente quando separamos o conceito de interatividade da ideia

    de transmisso que encontramos a diferena fundamental entre os dois termos,

    ou seja, interao correlaciona-se com troca de mensagens e interatividade

    com ampliao e facilitao dessa troca. Entendemos que a palavra interao

    est para os estudos sobre a formao da cultura, assim como interatividade

    est para os estudos sobre o desenvolvimento de tecnologias da comunicao.

    Do ponto de vista epistemolgico chegamos a um ponto interessante

    que nos permite identificar claramente quais atores e sob quais influncias

    tericas esses personagens atuam no campo da Comunicao Social.

    Foi nesse momento, aps essa organizao terica que demos os

    primeiros passos para resolver os problemas propostos dessa pesquisa os

    quais reiteramos: O que interatividade? Quais as caractersticas dos

    processos interativos? O que caracteriza um meio de comunicao interativo?

  • 107

    A primeira questo sobre o que seria interatividade, ainda que no em

    sua totalidade, foi resolvida quando encontramos sua corrente terica no

    pensamento funcionalista.

    A partir das revises tericas, em primeiro lugar entendemos que

    interatividade um processo que depende, necessariamente, da presena de

    uma tecnologia. Embora o termo explique inmeras outras atividades humanas,

    como recreao, dinmicas de grupo, at propagandas de diversos produtos,

    do ponto de vista da comunicao defendemos a tese de que interatividade

    um processo que depende de uma tecnologia para existir.

    O segundo ponto sua funcionalidade. Entendemos que interatividade

    a capacidade de uma tecnologia de proporcionar troca de mensagens, onde

    essa qualidade est em seu DNA, como observamos nas teorias de diversos

    autores, que denotam interatividade como mecanismo que amplia e facilita o

    dilogo entre emissores e receptores, de tal modo que seus papeis sejam

    idnticos.

    O terceiro ponto a questo do tempo. Embora seja crucial o canal de

    retorno, ou de resposta no processo interativo, no encontramos em nenhuma

    referncia que interatividade deva ser simultnea, ou seja, ainda que usurio

    de uma TV Digital no responda imediatamente ao comunicado de um

    programa qualquer, se este responder futuramente na mesma plataforma

    tecnolgica que lhe fez contato, este estaria em interatividade com o programa.

    O quarto ponto so os diferentes nveis de interatividade. Segundo

    vrios autores h a interatividade reativa, interatividade ativa, interatividade

    continua, enfim, interatividade de todas as sortes e que devem ganhar ainda

    novas possibilidades a medida que avanam as propostas e usos das

    tecnologias da informao.

    Com isso, podemos definir interatividade como um processo dialgico de

    comunicao mediada por tecnologia, que amplia os espaos de troca de

  • 108

    mensagens, atravs de mecanismos que facilitam o retorno de uma informao

    eletrnica, seja ela verbal, auditiva, visual ou ttil.

    A segunda pergunta que fizemos e que gostaramos de comentar,

    sobre as caractersticas de uma tecnologia interativa. Um telefone uma mdia

    interativa, o programa na TV analgica que permite o telespectador participar

    do programa atravs do telefone est em interatividade com aquele

    telespectador, no entanto, a tecnologia digital ampliou esses espaos de

    interatividade.

    Em um mesmo programa, posso enviar uma mensagem de texto via E-

    mail, SMS, Twitter, vdeo, telefone e MSN, enfim, dependendo do equipamento

    do usurio e das portas disponveis oferecidas pela emissora, o usurio pode

    interagir de diversas formas diferentes.

    Nesse contexto a TV Digital vem como promessa de reunir todas essas

    possibilidades no mesmo centro de multimdia do usurio. Funcionaria como

    um computador, porm com inputs diferentes liberados de acordo com o

    contrato firmado entre o usurio e a emissora.

    No vamos confundir interatividade com compras via televiso, ou

    qualquer outra atividade cuja lgica no seja comunicao. H muita

    especulao e propaganda quando se fala em TV Digital, sobretudo, quando

    interatividade tornou-se apelo para vender televisores, carros etc.

    Ressaltamos que interatividade, embora no seja a troca em si, um

    processo que amplia esse processo comunicativo e por isso, deve resolver em

    outras comunicaes, bilaterais, dialgicas, buscando se aproximar cada vez

    mais da comunicao face a face.

    H quem venda bebidas apelando para latas interativas. H quem

    compre essa ideia. No entanto, isso no valida nem to pouco atesta que tais

    produtos sejam interativos. Esse no o problema, pois j conhecemos esse

    negcio. So apenas falcias publicitrias da moda. O problema quando ns

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    pesquisadores da comunicao, os arautos da razo, damos como verdade o

    mito da semana.

    Desse modo, entendemos que embora os diversos modelos aqui

    apresentados sejam importantes e necessrios para o desenvolvimento do

    campo da comunicao, tais estudos so apenas sombras, rascunhos,

    rabiscos de um processo muito mais complexo, muito mais profundo que

    ousamos chamar de interatividade, mas que de fato continua procurando seu

    significado.

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