14 PDF Sumarios Desenvolvidos Financas Publicas

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    Fundação das Universidades Portuguesas Universidade Nacional Timor Lorosa’e

    FINANÇAS PÚBLICAS

    Disciplina leccionada ao terceiro ano do Curso de Direito

    Ano lectivo 2009/2010

    SUMÁRIOS DESENVOLVIDOS 

    1. Conceitos fundamentais; 2. Orçamento Geral do Estado;

    3. Despesa Pública; 4. Crédito Público;

    5. Receitas Públicas; 6. Políticas Financeiras.

    Ana Amorim

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    Fundação das Universidades Portuguesas Universidade Nacional Timor Lorosa’e 

    Finanças Públicas: Sumários Desenvolvidos  

    1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS

     As Finanças Públicas correspondem ao estudo da aquisição e utilização dos instrumentos ou

    meios financeiros destinados à satisfação de necessidades colectivas, enquanto incumbência

    essencial do Estado. Com vista a satisfazer as necessidades dos indivíduos, o Estado realiza

    despesas com a produção de bens e a prestação de serviços. Já as receitas resultam

    sobretudo de operações de troca e da cobrança de taxas e impostos aos contribuintes.

    A) Necessidades cuja satisfação incumbe ao Estado:

    •  Necessidades colectivas (por exemplo, a defesa nacional e a saúde pública): a

    concreta determinação das necessidades colectivas a satisfazer pelo Estado em

    cada momento depende de uma opção política;

    •  Necessidades colectivas e simultaneamente individuais, em que o Estado suporta

    uma parte ou a totalidade do custo, sendo o preço pago pelos cidadãos inferior ao

    custo efectivo do bem produzido ou do serviço prestado (por exemplo, a educação,

    a saúde individual e a justiça); 

    •  Bens que apenas o Estado pode produzir, uma vez que, no que respeita ao seu

    financiamento, dependem estritamente da imposição coactiva (por exemplo, a

    redistribuição de rendimento e as políticas de estabilidade económica). 

    B) Necessidades cuja satisfação incumbe aos particulares:

    •  Necessidades individuais; 

    •  Necessidades colectivas e simultaneamente individuais, desde que as oferta

    privada dos bens e serviços sejam consideradas adequadas à satisfação das necessidades existentes (por exemplo, a alimentação); 

    •  Necessidades colectivas e simultaneamente individuais, mediante imposição ao

    particular de obrigações de serviço público e a correlativa atribuição de uma

    compensação financeira, sempre que a oferta em condições de mercado não seja

    apta a satisfazer todas as necessidades: é o que acontece, designadamente, no

    âmbito dos serviços de interesse económico geral, na medida em que o Estado

    deve garantir a todos os cidadãos um núcleo de serviços essenciais à vida, como o

    fornecimento de água, electricidade, transportes públicos e telecomunicações. 

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    Finanças Públicas: Sumários Desenvolvidos  

    O cumprimento das obrigações de serviço público requer, assim, em alternativa, a

    tradicional prestação directa pelos próprios poderes públicos ou a sua prestação por operadores privados, mediante imposição de certos deveres. 

    Classificação das necessidades

    (i) Necessidades de satisfação activa: exigem uma dada actividade do consumidor. Pode

    ser cobrado um preço pela utilização dos bens ou serviços, o que determina a

    existência de um princípio de exclusão (o preço exclui aqueles que não podem pagar);

    (ii) Necessidades de satisfação passiva: satisfazem-se pela mera existência dos bens ou

    serviços, pelo que beneficiam automaticamente todos os cidadãos (veja-se o exemplo

    paradigmático da defesa nacional), o que determina a existência de um princípio de

    não exclusão e não rivalidade. Na medida em que não pode ser exigido aos cidadãos

    o pagamento de qualquer preço, a utilização passiva destes bens ou serviços apenas

    pode ser financiada de forma coactiva, pelo que apenas o Estado estará em condições

    de assegurar a satisfação destas necessidades, mediante recurso aos seus meios de

    financiamento próprios, onde se incluem especialmente:

    •  Preço dos bens produzidos e vendidos pelo Estado como qualquer particular,

    mediante obtenção de lucro: resultam de operações de troca, ou seja, de negócios

     jurídicos em que o Estado surge como vendedor do seu património privado. São

    receitas patrimoniais voluntárias, cujo montante é estabelecido contratualmente;

    •  Empréstimos: resultam de operações de troca em que o Estado surge na qualidade

    de devedor (o recurso ao crédito deve ser pontual e não definitivo);

    •  Impostos: não resultam de operações de troca mas de uma imposição com fonte

    legal. São receitas coactivas e, enquanto tal, necessariamente públicas, sendo o

    respectivo montante estabelecido de forma unilateral pelos poderes públicos.

     A possibilidade de existirem receitas coactivas, que representam a maior parte das receitas do

    Estado, distingue as finanças públicas das finanças privadas, assentes em puras relações de

    troca com finalidade lucrativa  e em que as despesas são estritamente determinadas pelo

    valor das receitas. Já a actividade do Estado não tem uma finalidade lucrativa mas a mera

    satisfação de necessidades, dado que:

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    Finanças Públicas: Sumários Desenvolvidos  

    o  Na produção de bens públicos (que apenas satisfazem necessidades colectivas), o

    Estado tem despesas mas não cobra aos cidadãos qualquer preço, encontrando-se inviabilizada a obtenção de lucro;

    o  Na produção de bens semipúblicos (destinados à satisfação das necessidades

    individuais julgadas convenientes), o preço estabelecido pelo Estado não tem como

    objectivo a obtenção de lucro e fica muitas vezes abaixo do custo de produção. Neste

    sentido, o Estado não se propõe obter receitas superiores às despesas.

    2. ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO

    O Orçamento Geral do Estado corresponde a uma previsão de despesas e receitas a realizar

    pela Administração Pública num determinado período limitado de tempo (nos termos da Lei n.º

    8/2007, de 21 de Setembro, o Período Orçamental inicia-se a 1 de Janeiro e termina a 31 de

    Dezembro de cada ano). A limitação estabelecida quanto à vigência orçamental justifica-se

    pela impossibilidade de prever com rigor as despesas e receitas a realizar num futuro distante.

     Assim, à semelhança do que sucede na contabilidade das empresas privadas, foi estabelecida relativamente ao Orçamento Geral do Estado a regra da anualidade orçamental.

     Ao contrário do Orçamento, que corresponde a uma previsão de despesas e receitas a realizar

    (futuro), a Conta representa a efectivação das despesas e receitas realizadas (passado) e o

    Balanço o quadro de uma situação patrimonial existente (presente).

    Orçamento de gerência e de exercício

    •  Orçamento de gerência: conjunto de cobranças e pagamentos realizados num dado

    período. Na medida em que reporta ao momento da cobrança e pagamento, engloba

    as receitas que o Estado irá cobrar e as despesas que irá pagar durante o ano;

    •  Orçamento de exercício: conjunto de cobranças e pagamentos resultantes de créditos

    e dívidas nascidos num dado período. Na medida em que reporta ao momento do

    surgimento, engloba os créditos e as dívidas que irão surgir a favor e contra o Estado

    durante o ano, permitindo saber se os créditos serão suficientes para cobrir as dívidas

    e consequentemente ter uma visão global da situação financeira do Estado.

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    Finanças Públicas: Sumários Desenvolvidos  

    Considerando a possibilidade de ampla variação das despesas ao longo dos tempos, importa

    salientar as vantagens do orçamento de gerência, que determinam a sua adopção preferencial face ao orçamento de exercício:

    o  Permite organizar melhor a entrada e saída de capitais, garantindo que as cobranças

    de determinado período financeiro são suficientes para realizar os pagamentos;

    o  É de fácil elaboração.

    Neste contexto, tratando-se de despesas plurianuais, devem inscrever-se no orçamento de

    cada período financeiro apenas as parcelas respeitantes ao mesmo.

    Funções do Orçamento Geral do Estado

    •  Relacionação de despesas e receitas, visando garantir que as receitas são

    suficientes para cobrir as despesas;

    •  Fixação das despesas, que correspondem a autorizações de montantes máximos

    de despesa para cada serviço;

      Exposição do plano financeiro (por exemplo, previsão de incentivos a determinada actividade económica, mediante isenções fiscais).

    Regras de organiza