of 13 /13

1429 leia algumas paginas

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of 1429 leia algumas paginas

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    99

    C a p t u l o 4

    Bens Pblicos e Terras Devolutas

    SUMRIO: 4 Bens pblicos e terras devolutas 4.1 Bens pblicos 4.1.1 Conceito e classificao 4.1.2 Regime jurdico 4.1.3 Afetao e desa-fetao 4.2 Terras devolutas 4.2.1 Conceito e questes gerais 4.2.2 Discriminao de terras devolutas 4.3 Tpicos-sntese.

    \ Leia a lei: art. 98 do Cdigo Civil. Lei n 6.838/1976Este captulo trata das questes envolvendo os bens pblicos que mais diretamente importam ao direito agrrio, como o seu conceito,

    classificao,regimejurdicoesuaafetaoedesafetao.Trata,ain-da, mais detidamente, de uma das espcies de bens pblicos, as cha-madas terras devolutas, com destaque para o procedimento adminis-trativo e judicial de discriminao.4.1 BeNS PBLICOS

    4.1.1 Conceito e classificaoConforme disposto no art. 98 do Cdigo Civil CC, pblicos so os bens de domnio nacional pertencentes s pessoas jurdicas de di-reito pblico interno, quais sejam, Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios, suas autarquias e fundaes, sendo particulares todos os demais, seja qual for a pessoa a que pertencerem. \ Ateno: Domnio pblico x domnio eminente

    A expresso domnio pblico utilizada para designar o poder que o Estado exerce so-bre o seu patrimnio. Como no apenas sobre os bens de sua propriedade que o Estado exerce o seu poder bens privados sofrem diversas restries impostas com fundamento na supremacia do interesse pblico , utiliza-se a expresso domnio emi-nente para caracterizar as prerrogativas do Estado para intervir na propriedade privada (SANTOS, 2012).

    Vriossooscritriosutilizadosparaclassificarosbenspblicos,como a titularidade, a destinao e a disponibilidade.

    DIREITO AGRARIO.indd 99 14/11/2014 08:46:28

  • 100

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMaciel

    Quanto titularidade os bens pblicos podem ser dos entes federativos Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios e de suas entidades autrquicas e fundacionais, conforme estabelecido na CF/88 ou em outras normas. De acordo com o art. 20 da CF/88, so bens da Unio: a) os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribudos;

    b) as terras devolutas indispensveis defesa das fronteiras, das fortificaes e construes militares, das vias federais de comu-nicao e preservao ambiental, definidas em lei; c) os lagos, rios e quaisquer correntes de gua em terrenos de seu domnio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros pa-ses, ou se estendam a territrio estrangeiro ou dele provenham, bem comoosterrenosmarginaiseaspraiasfluviais;d)asilhasfluviaiselacustres nas zonas limtrofes com outros pases; as praias martimas; asilhasocenicaseascosteiras,excludas,destas,asquecontenhamasededeMunicpios,excetoaquelasreasafetadasaoserviopblicoea unidade ambiental federal, e as reas, nas ilhas ocenicas e costeiras, que estiverem no domnio dos Estados, Municpios ou terceiros; e) os recursosnaturaisdaplataformacontinentaledazonaeconmicaex-clusiva; f) o mar territorial; g) os terrenos de marinha e seus acresci-dos; h) os potenciais de energia hidrulica; i) os recursos minerais, in-clusive os do subsolo; j) as cavidades naturais subterrneas e os stios arqueolgicos e pr-histricos; e k) as terras tradicionalmente ocupa-das pelos ndios. No mesmo dispositivo constitucional (art. 20, 2) estabelecido,ainda,queafaixadeatcentoecinquentaquilmetrosdelargura,aolongodasfronteirasterrestres,designadacomofaixadefronteira, considerada fundamental para defesa do territrio nacio-nal, e sua ocupao e utilizao sero reguladas em lei.

    \ Ateno: Decreto-lei n 9.760/1946Com relao aos bens imveis da Unio, o Decreto-lei n 9.760/1946 que traz a dis-ciplina bsica que os regulamentam. Nele estabelecida a proibio de ocupao de imvel da Unio sem autorizao do poder pblico, prevendo o despejo sumrio de quem o fizer.

    Conforme art. 26 da CF/88, incluem-se entre os bens dos es-tados: a)asguassuperficiaisousubterrneas,fluentes,emergenteseem depsito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da Unio; b) as reas, nas ilhas ocenicas e costeiras, que estiverem noseudomnio,excludasaquelassobdomniodaUnio,Municpiosou

    DIREITO AGRARIO.indd 100 14/11/2014 08:46:28

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    101

    terceiros; c)asilhasfluviaiselacustresnopertencentesUnio;d) as terras devolutas no compreendidas entre as da Unio.Os bens dos Municpios, por sua vez, no so citados pela CF/88, o quenosignificadizerquenoexistam,aexemplodosprdiospbli-cos, ruas, praas, e bens mveis, como veculos, equipamentos, dvida ativa, dentre outros (SANTOS, 2012).

    \ Ateno: Invaso de Terras PblicasConforme disposto na Lei n 4.947/1966, crime a invaso de terras pblicas.

    Quanto destinao, os bens pblicos podem ser: a) de uso comum do povo; b) de uso especial; e c) dominicais.Bens de uso comum do povo so aqueles que se destinam uti-lizao geral pelos indivduos, podendo ser federais, estaduais e mu-

    nicipais(CARVALHOFILHO,2007,p.969).Nestacategoriaprevalecea destinao pblica, pois todas as pessoas, sem o prvio consenti-mentoestatalpodemutilizartaisbens,queexistemexatamenteparaatender s necessidades da coletividade. Tambm por isso, no po-dem haver restries ao seu uso, a no ser as que derivem da prpria essnciadobem(SANTOS,2012).Sobensdeusocomumdopovoos mares, as praias, rios, estradas, ruas, praas, logradouros pblicos (art. 98, I, do CC), alm do meio ambiente ecologicamente equilibrado (art. 225, da CF/88).

    Bens de uso especial,porsuavez,soosquevisamexecuodosserviosadministrativosedosserviospblicosemgeral(CAR-VALHO FILHO, 2007, p. 970), sejam federais, estaduais ou municipais. Constituem o aparelhamento material da Administrao, para que possa prestar servios coletividade, sendo, portanto, de uso primor-dialdoPoderPblico.Soexemplodebensdeusoespecial,osprdiospblicos, como escolas, hospitais, delegacias de polcia, bem como ou-trosbensafetadosaumadestinaoespecfica,comoparquesnacio-nais, terras indgenas, projetos de assentamento da reforma agrria, etc. (SANTOS, 2012). Tais bens no perdem a sua caracterstica caso estejam sendo utilizados por particulares, sob regime de delegao (CARVALHO FILHO, 2007).

    Bens dominicais,porseuturno,sodefinidospeloCCemcarterresidual (art. 99, pargrafo nico), detendo esta caracterstica os bens

    DIREITO AGRARIO.indd 101 14/11/2014 08:46:28

  • 102

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMacielpertencentes s pessoas jurdicas de direito pblico a que se tenha dadoestruturadedireitoprivado,casonoexista leidispondosemsentido contrrio. Deste modo, dominical o bem pblico que no es-teja afetadoanenhuma finalidadepblica, constituindopatrimniodisponvel da Unio, Estados e Municpios (SANTOS, 2012). So, as-sim, bens dominicais os prdios pblicos desativveis, os bens im-veis inservveis, a dvida ativa, e as terras devolutas.

    Quanto disponibilidade, os bens pblicos podem ser: a) in-disponveis; b) patrimoniais indisponveis; e c) patrimoniais dispon-veis (CARVALHO FILHO, 2007).Indisponveis so os bens que no podem ser alienados, onera-

    dosoudesvirtuadosdesuasfinalidades,poistemoPoderPblicoodeverdeconserv-losembenefciodacoletividade.Soindisponveisos bens de uso comum do povo. Os bens patrimoniais indisponveis, apesar de apresentarem carter patrimonial so suscetveis de avaliao econmica e an-lisedecorrelaodevalor,mantm-seindisponveisenquantoser-viremaosfinsestatais.Sopatrimoniaisindisponveisosbensdeusoespecial enquanto conservarem tal caracterstica. Os bens patrimoniais disponveis, por sua vez, podem ser alie-nados nos termos e condies que a lei estabelecer. So os bens domi-nicais em geral.4.1.2 Regime jurdico

    Os bens pblicos so: a) inalienveis, a no ser os bens domini-caisnascondiesespecficasestabelecidasemlei;b) impenhorveis; c) imprescritveis, isto , no esto sujeitos a usucapio; d) no pass-veis de sofrer onerao, ou seja, de serem gravados com direitos reais de garantia.4.1.3 Afetao e desafetao

    Aafetaoedesafetaoreferem-seaosfinsaqueestsendouti-lizado o bempblico.Diz-se afetado a umadeterminada finalidadepblicaobempblicoutilizadoparatalfim,comoumapraa(bemdeuso comum do povo) e uma escola (bem de uso especial). quando o bempbliconuncacumpriuoudeixadeserusadoparaqualquerfimpblico, ocorre a desafetao.

    DIREITO AGRARIO.indd 102 14/11/2014 08:46:28

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    103

    Afetao, portanto, o fato administrativo que atribui a deter-minadobempblicoumafinalidadetambmpblicaeespecfica,en-quanto desafetao o fato administrativo pelo qual o bem pblico deixadecumprirafinalidadepblicaanteriormenteexercida(SAN-TOS, 2012, p. 714).

    \ Ateno: Alienao de bem imvel e desafetaoConforme disposto na Lei n 8.666/1993, a alienao de bem imvel pelo Estado depen-de da sua desafetao por lei (art. 17, I).

    4.2 TeRRAS DeVOLUTAS

    4.2.1 Conceito e questes geraisComo visto na parte relativa ao histrico do direito agrrio brasi-leiro, o instituto das terras devolutas especfico do direito ptrio, e encontra-se definido na Lei de Terras de 1850 como sendo as terras que: a) no se achassem aplicadas a algum uso pblico ou de domnio particular por ttulo legtimo; b) tenham sido sesmarias in-cursas em comisso por falta de cumprimento das condies do ttulo ou no revalidadas pela Lei; e c) no sejam posses que, apesar de no se fundarem em ttulo legal, tenham sido legitimadas pela Lei. Como sepoderperceber,umadefinioporexcluso.

    At a Constituio de 1891, as terras devolutas existentes eram todas da Unio. A partir de ento, as terras devolutas foram transferidasaosEstados,ficandoreservadasUnioapenasasreasdestinadasdefesadasfronteiras,fortificaes,construesmilitarese estradas de ferro e os terrenos de marinha. Por sua vez, as Constituies de 1934 e 1937 dispuseram ser do domnio da Unio os bens que a esta pertencessem nos termos das leis poca em vigor. Da mesma forma, dispuseram ser do domnio dos Estados os bens da propriedade destes pela legislao atualmente emvigor....AConstituio de 1946, estabelecia em seu art. 34, inciso II, que se incluem entre os bens da Unio, a poro de terras devolutas indispensveis defesa das fronteiras, s fortificaes, construesmilitares e estradas de ferro. A Constituio de 1967 e a emenda n 01/1969, no mes-mo compasso, incluram entre os bens da Unio a poro de terras

    DIREITO AGRARIO.indd 103 14/11/2014 08:46:28

  • 104

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMacieldevolutas tidas como indispensveis defesa do territrio nacional ou essencial ao seu desenvolvimento econmico. Nestecontexto,em1deabrilde1971, foi editado o Decreto-

    -lei n 1.164, declarando indispensveis segurana e ao desenvol-vimentonacionaisas terrasdevolutassituadasna faixadecemqui-lmetrosde larguraemcada ladodoeixoderodoviasnaAmaznialegal, incluindo-as como bens da Unio. Ou seja, a partir da edio de tal Decreto-lei, tais terras devolutas passaram a ser da Unio e no dos Estados. Tais terras devolutas permaneceram sob o domnio da Unio at a edio do Decreto-lei n 2.375/1987. A CF/88 inclui como bens da Unio as terras devolutas indispen-sveisdefesadasfronteiras,dasfortificaeseconstruesmilita-res, das vias federais de comunicao e preservao ambiental, de-finidasemlei(art.20,II),cabendoaosEstadosorestante(art.26).

    Como bem pblico, as terras devolutas so bens dominicais e patrimoniais disponveis. Entretanto, determina a CF/88 que a destinao de terras pblicas e devolutas dever ser compatibilizada com a poltica agrcola e com o plano nacional de reforma agrria (art. 188), alm de declarar indisponveis as terras devolutas ou arrecada-das pelos Estados, por aes discriminatrias, que sejam necessrias proteo dos ecossistemas naturais (art. 225 5).4.2.2 Discriminao de terras devolutasA discriminao de terras devolutas segue com o mesmo objetivo descrito na Lei de Terras de 1850, qual seja, o de estremar o domnio pblico do particular.

    Nos termos do art. 11 do Estatuto da Terra, o INCRA o res-ponsvel pela discriminao das terras da Unio, como represen-tante desta.TambmaLein6.383/1976oprevemsemart.11.Todavia a Lei n 11.952/2009 (art. 33) transferiu do INCRA para o Ministrio do Desenvolvimento Agrrio MDA, pelo prazo de cin-co anos, renovvel por igual perodo, nos termos do regulamento, em carterextraordinrio,as competnciasparacoordenar,normatizare supervisionar o processo de regularizao fundiria de reas rurais naAmazniaLegal,inclusivequantoexpediodettulosdedomniocorrespondentesedoaes,ressalvadasascompetnciasdoMinist-rio do Planejamento, Oramento e Gesto.

    DIREITO AGRARIO.indd 104 14/11/2014 08:46:28

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    105

    A discriminao de terras devolutas da Unio encontra-se re-gulada pela Lei n 6.383/1976. O processo discriminatrio da Lei n 6.383/1976 aplica-se, no que couber, s terras devolutas estaduais. O processo discriminatrio pode se dar por via administrativa ou judicial. O processo discriminatrio administrativo instaurado por comissesespeciaisconstitudaspor trsmembros, criadasporatodo presidente do INCRA (art. 2). Inicialmente, o processo instrudo com memorial descritivo da rea que se pretende trabalhar, no qual deveconstar:a)opermetrocomsuascaractersticaseconfinncia,certaouaproximada,aproveitando,emprincpio,osacidentesnatu-rais; b) a indicao de registro da transcrio das propriedades; c) o rol das ocupaes conhecidas; d) o esboo circunstanciado da gleba a ser discriminada ou seu levantamento aerofotogramtrico; e e) outras informaes de interesse (art. 3). O presidente da comisso deve co-municar a instaurao do processo discriminatrio administrativo a todososoficiaisderegistrodeimveisdajurisdio(art.15),quenopodero efetuar matrcula, registro, inscrio ou averbao estranhas discriminao, nos imveis situados, total ou parcialmente, na rea discriminada, sem que deles tenham prvio conhecimento da comis-so (art. 16).Aps, o presidente da Comisso convoca os interessados para apresentar, no prazo de 60 dias, seus ttulos, documentos, informa-es de interesse como localizao, valor estimado da rea, confronta-es, benfeitorias, nus incidentes e, se for o caso, rol de testemunhas. O edital de convocao deve conter a delimitao perimtrica da rea a ser discriminada, e ser dirigido nominalmente a todos os interes-sados, com a maior divulgao possvel (art. 4). O no atendimento aoeditaldeconvocaoounotificao,estabeleceapresunodediscordnciadointeressado,quepoderteroacessoaocrditooficialoubenefciosfiscaissuspensos,bemcomocanceladoocadastroruraldo imvel, e acarreta a imediata propositura da ao discriminatria judicial (art. 14).

    Constitudooprocesso,deveserrealizadavistoriaparaaidentifi-caodosimveise,seforemnecessrias,outrasdiligncias(art.6).Encerrado o prazo estabelecido no edital de convocao, o presidente da Comisso, dentro de 30 dias improrrogveis, deve pronunciar-se sobre as alegaes de ttulos de domnio dos interessados e da boa-f

    DIREITO AGRARIO.indd 105 14/11/2014 08:46:28

  • 106

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMacieldas ocupaes (art. 7). Caracterizada a dvida sobre a legitimidade do ttulo, o presidente da comisso deve reduzi-las a termo e enca-minhar o processo administrativo para a propositura da ao judicial competente (art. 8).Encontradas ocupaes, legitimveis ou no, os termos de iden-tificaosoencaminhadosaossetoresresponsveis,bemcomocon-vocados os interessados para celebrar com a Unio os termos cabveis (arts. 9 e 10). Celebrados os termos, o presidente da comisso deve designar agrimensor para iniciar o levantamento geodsico e topogr-ficodasterras,afimdedemarcarasterrasdevolutas,bemcomodasretificaesobjetodeacordo.Os interessadospodem indicarperitopara colaborar com o agrimensor designado (art. 11).Com a concluso dos trabalhos demarcatrios, o presidente da Comisso encerra a discriminao administrativa, por meio de termo que deve conter: a) o mapa detalhado da rea discriminada; b) o rol de terras devolutas apuradas, com suas respectivas confrontaes; c) a descrio dos acordos realizados; d) a relao das reas com titulao transcrita no Registro de Imveis, cujos presumidos proprietrios ou ocupantesnoatenderamaoeditaldeconvocaoounotificao;e)o rol das ocupaes legitimveis; f) o rol das propriedades reconheci-das; e g) a relao dos imveis cujos ttulos suscitaram dvidas (art. 12).

    encerrado o processo discriminatrio administrativo, o IN-CRA providenciar o registro, junto ao Registro de Imveis, em nome da Unio, das terras devolutas discriminadas, definidasemlei, como bens da Unio (art. 13).No processo discriminatrio administrativo no h o pagamento de custas pelos particulares, salvo para o caso de servios de demar-caoedilignciasdeseuexclusivointeresse(art.17).

    O processo discriminatrio judicial ser promovido: a) quando o processo discriminatrio administrativo for dispensado ou interrompido por presumida ineficcia; b) contra aqueles que noatenderemaoeditaldeconvocaoounotificaonoprocessoadministrativo; c) quando, aps iniciado o processo discriminatrio administrativo, forem alteradas as divisas na rea discriminada, ou derrubada a cobertura vegetal ou construdas benfeitorias a qualquer ttulo, sem o assentimento do INCRA (art. 19).

    DIREITO AGRARIO.indd 106 14/11/2014 08:46:28

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    107

    Compete justia federal o julgamento do processo discrimina-trio judicial referente s terras devolutas da Unio, que obsevar o procedimento sumrio (arts. 20 e 21). A petio inicial deve ser ins-truda com o memorial descritivo, e a citao ser feita por edital. Da sentena proferida cabe apelao apenas no efeito devolutivo, sendo facultadaaexecuoprovisria(art.21).Ademarcaodareaserprocedidaaindaqueemsededeexecuoprovisria,valendoasen-tena, para efeitos de registro, como ttulo de propriedade (art. 22).O processo discriminatrio judicial tem carter preferencial e prejudicial em relao s aes em andamento que digam respeito ao domnio ou a posse de imveis situados, no todo ou em parte, na rea discriminada,determinando-seodeslocamentodacompetnciaparaa justia federal (art. 23).

    A Lei n 6.383/1976 prev, ainda, a possibilidade de arre-cadao sumria, semprequeseapurara inexistnciadedomnioparticular em reas rurais declaradas indispensveis segurana e ao desenvolvimento nacionais, mediante ato do presidente do INCRA, do qual constar: a) a circunscrio judiciria ou administrativa em que est situado o imvel, conforme o critrio adotado pela legislao lo-cal; b) a eventual denominao, as caractersticas e confrontaes do imvel.4.3 TPICOS-SNTESE

    Tpico-sntese: Bens Pblicos

    Conceitobens de domnio nacional pertencentes s pessoas jurdicas de direito pblico interno,

    Classificao

    Quanto titulari-dade

    podem ser dos entes federativos Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios e de suas entidades au-trquicas e fundacionais, conforme es-tabelecido na CF ou em outras normas.

    Quanto destina-o

    a) de uso comum do povo;b) de uso especial; ec) dominicais.

    Quanto disponibi-lidade

    a) indisponveis;b) patrimoniais indisponveis; ec) patrimoniais disponveis

    DIREITO AGRARIO.indd 107 14/11/2014 08:46:28

  • 108

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMaciel

    Regime Jurdico

    a) inalienveis, a no ser os bens dominicais nas condies espe-cficas estabelecidas em lei;

    b) impenhorveis; c) imprescritveis

    d) no passveis de sofrer onerao

    Afetao e desa-fetao

    9 afetao o fato administrativo que atribui a determinado bem pblico uma finalidade tambm pblica e especfica;

    9 desafetao o fato administrativo pelo qual o bem pblico deixa de cumprir a finalidade pblica anteriormente exercida (SANTOS, 2012, p. 714).

    Tpico-sntese: Terras devolutas

    Conceito

    o instituto das terras devolutas especfico do direito ptrio, e encontra-se definido na Lei de Terras de 1850 como sendo as ter-ras que: a) no se achassem aplicadas a algum uso pblico ou de domnio particular por ttulo legtimo; b) tenham sido sesmarias incursas em comisso por falta de cumprimento das condies do ttulo ou no revalidadas pela Lei; e c) no sejam posses que, ape-sar de no se fundarem em ttulo legal, tenham sido legitimadas pela Lei. Como se poder perceber, uma definio por excluso.,

    Discriminao de terras devolutas

    (Lei n 6.838/1976)

    Processo discrimi-natrio adminis-trativo

    9 instaurado por comisses especiais constitudas por trs membros, cria-das por ato do presidente do INCRA;

    9 instrudo com memorial descritivo da rea que se pretende trabalhar;

    9 o presidente da comisso deve co-municar a instaurao do processo discriminatrio administrativo a todos os oficiais de registro de im-veis da jurisdio, que no podero efetuar matrcula, registro, inscrio ou averbao estranhas discrimi-nao, nos imveis situados, total ou parcialmente, na rea discrimi-nada, sem que deles tenham prvio conhecimento da comisso;

    9 aps, o presidente da Comisso con-voca os interessados para apresen-tar, no prazo de 60 dias, seus ttulos, documentos, informaes de inte-resse. O no atendimento ao edital de convocao ou notificao, estabelece a presuno de discor-dncia do interessado, que poder

    DIREITO AGRARIO.indd 108 14/11/2014 08:46:28

  • BensPblicoseTerrasDevolutas

    109

    Tpico-sntese: Terras devolutas

    Discriminao de terras devolutas

    (Lei n 6.838/1976)

    Processo discrimi-natrio adminis-trativo

    ter o acesso ao crdito oficial ou be-nefcios fiscais suspensos, bem como cancelado o cadastro rural do imvel, e acarreta a imediata propositura da ao discriminatria judicial;

    9 constitudo o processo, deve ser re-alizada vistoria para a identificao dos imveis e, se forem necessrias, outras diligncias;

    9 com a concluso dos trabalhos de-marcatrios, o presidente da Comis-so encerra a discriminao adminis-trativa, por meio de termo que deve conter: a) o mapa detalhado da rea discriminada; b) o rol de terras devo-lutas apuradas, com suas respectivas confrontaes; c) a descrio dos acordos realizados; d) a relao das reas com titulao transcrita no Re-gistro de Imveis, cujos presumidos proprietrios ou ocupantes no aten-deram ao edital de convocao ou notificao; e) o rol das ocupaes legitimveis; f) o rol das propriedades reconhecidas; e g) a relao dos im-veis cujos ttulos suscitaram dvidas ;

    9 encerrado o processo discriminatrio administrativo, o INCRA providen-ciar o registro, junto ao Registro de Imveis, em nome da Unio, das terras devolutas discriminadas, como bens da Unio.

    Processo discrimi-natrio judicial

    o processo discriminatrio judicial ser promovido: a) quando o processo dis-criminatrio administrativo for dispen-sado ou interrompido por presumida ineficcia; b) contra aqueles que no atenderem ao edital de convocao ou notificao no processo administrati-vo; c) quando, aps iniciado o processo discriminatrio administrativo, forem alteradas as divisas na rea discrimina-da, ou derrubada a cobertura vegetal ou construdas benfeitorias a qualquer ttulo, sem o assentimento do INCRA.

    DIREITO AGRARIO.indd 109 14/11/2014 08:46:28

  • 110

    JosuTomazideCarvalho|JuniorDivinoFideles|MarcelaAlbuquerqueMaciel

    Tpico-sntese: Terras devolutas

    Discriminao de terras devolutas

    (Lei n 6.838/1976)

    Arrecadao su-mria

    sempre que se apurar a inexistncia de domnio particular em reas rurais declaradas indispensveis segurana e ao desenvolvimento nacionaismediante ato do presidente do INCRA

    DIREITO AGRARIO.indd 110 14/11/2014 08:46:28