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    Frederico AmAdo

    Beneficiriosapenas o segurado empregado, o trabalhador avulso e o segurado especial (art. 18, 1, da Lei 8.213/91).

    Carncia no h.

    Valor 50% do salrio de benefcio.

    Outras informaes

    A) o nico benefcio previdencirio exclusivamente indenizatrio.B) O auxlio-acidente ser devido a partir do dia seguinte ao da

    cessao do auxlio-doena, independentemente de qualquer remunerao ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulao com qualquer aposentadoria.

    Outras informaes

    C) A perda da audio, em qualquer grau, somente proporcionar a concesso do auxlio-acidente, quando, alm do reconheci-mento de causalidade entre o trabalho e a doena, resultar, comprovadamente, na reduo ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.

    D) O STJ entende que no imprescindvel que a molstia seja irre-versvel para a concesso deste benefcio (REsp 1.112.866, de 25.11.09).

    10. PENSO POR MORTE

    Regulamentao bsica: artigos 74/79, da Lei 8.213/91; artigos 105/115, do RPS (Decreto 3.048/99).

    Cdigos de concesso: 93 Penso por morte por acidente do trabalho e 21 Penso por morte previdenciria.

    A penso por morte um benefcio previdencirio dos depen-dentes dos segurados, assim consideradas as pessoas listadas no artigo 16, da Lei 8.213/91, devendo a condio de dependente ser aferida no momento do bito do instituidor, e no em outro marco , pois com o falecimento que nasce o direito.

    `` Importante:Todos os segurados podero instituir penso por morte se deixarem de-pendentes, sendo que o benefcio independia de carncia at o advento da Medida Provisria 664, de 30/12/2014. Desde ento, o artigo 25 da Lei 8.213/91 passou a exigir carncia de 24 recolhimentos mensais para a concesso da penso por morte como regra geral, salvo nas excees a serem vistas. Excepcionalmente, a penso por morte somente dispensa-r a carncia apenas em duas situaes: A) Quando o segurado falecido

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    estava em gozo de auxlio-doena ou aposentadoria por invalidez; B) Quando a morte do segurado decorreu de acidente de trabalho (tpico, por equiparao ou no caso das doenas ocupacionais).

    Nos termos do artigo 5, inciso III, da MP 664/2014, as alteraes perpetradas na carncia da penso por morte somente possuem vi-gncia a partir do primeiro dia do terceiro ms subseqente data de publicao desta Medida Provisria, ou seja, somente se aplica aos bitos perpetrados a partir de 01 de maro de 2015.

    A exigncia de carncia para a penso por morte como regra geral (24 contribuies mensais) busca reduzir os enormes impactos deste benefcio na Previdncia Social brasileira, assim como impedir filiaes beira da morte apenas com o objetivo de gerar a penso por morte.

    Vale relembrar que os dependentes da classe I (artigo 16, da Lei 8.213/91) so preferenciais e possuem presuno absoluta de de-pendncia econmica: o cnjuge, a companheira, o companheiro e o filho no emancipado, de qualquer condio, menor de 21 (vinte e um) anos ou invlido ou que tenha deficincia intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado ju-dicialmente.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?Consoante densamente comentado anteriormente entende o STJ que a mulher que renunciou aos alimentos na separao judicial tem direito penso previdenciria por morte do ex-marido, comprovada a necessi-dade econmica superveniente (Smula 336).

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Procurador do Municpio de Natal em 2008, foi considerado correto o seguinte enunciado: A mulher que renunciou aos alimentos na separao judicial tem direito a penso previdenciria por morte do ex-marido, desde que comprovada a necessidade econmica su-perveniente. Por outro lado, no concurso para Procurador do Estado de Alagoas em 2008, foi considerado errado o seguinte enunciado: A mulher que renunciou aos alimentos na separao judicial no tem direito penso por morte do ex-marido, ainda que comprove a necessidade econmica superveniente.

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    Frederico AmAdo

    Tambm sero dependentes preferenciais o parceiro homoafeti-vo e o ex-cnjuge ou companheiro(a) que perceba alimentos, assim como os equiparados a filho (enteado e tutelado), estes dois sem presuno de dependncia econmica.

    O cnjuge separado de fato apenas far jus penso por morte se demonstrar a dependncia econmica, inclusive em concorrncia com eventual companheiro(a).

    A Lei 8.213/91 no exige que a comprovao da unio estvel se d atravs do incio de prova material, podendo ser comprovada apenas por testemunhos, vigorando o Princpio do Livre Convenci-mento Motivado, razo pela qual a previso do artigo 143 do Regula-mento da Previdncia Social ilegal neste ponto.

    `` Qual o entendimento da TNU sobre o assunto?Smula 63 A comprovao de unio estvel para efeito de concesso de penso por morte prescinde de incio de prova material.

    A penso por morte somente ser devida ao filho e ao irmo cuja invalidez tenha ocorrido antes da emancipao ou de completar a idade de vinte e um anos, nos termos do Regulamento da Previdncia Social, desde que reconhecida ou comprovada, pela percia mdica do INSS, a continuidade da invalidez at a data do bito do segurado.

    obrigatrio que o pensionista invlido se submeta a exame mdico a cargo da previdncia social, processo de reabilitao pro-fissional por ela prescrito e custeado e tratamento dispensado gra-tuitamente, exceto o cirrgico e a transfuso de sangue, que so fa-cultativos, independentemente de sua idade, sob pena de suspenso do benefcio.

    No entanto, desde o advento da Lei 13.063, de 30 de dezembro de 2014, que alterou o artigo 101 da Lei 8.213/91, o pensionista invlido estar isento do exame pericial aps completar 60 (sessenta) anos de idade, salvo se o prprio pensionista solicitar a realizao do exame para verificar a recuperao da sua capacidade de trabalho, caso se julgue apto.

    De acordo com o artigo 114, II, do RPS, o pagamento da cota individual da penso por morte cessa para o pensionista menor de

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    idade, ao completar vinte e um anos, salvo se for invlido, ou pela emancipao, ainda que invlido, exceto, neste caso, se a emancipa-o for decorrente de colao de grau cientfico em curso de ensino superior.

    Por isso, de acordo com a literalidade do Regulamento, apenas no caso de invalidez do dependente, a emancipao decorrente de colao de grau em curso superior antes dos 21 anos de idade no retira a qualidade de dependente.

    Destaque-se que o posicionamento do STF e do STJ pela ausn-cia da condio de dependente de segurado do(a) concubino(a), pois se cuida de relao paralela ao matrimnio, conforme visto anterior-mente.

    Desde o advento da MP 664/2014, nos termos da atual redao do artigo 74, 2, da Lei 8.213/91, o cnjuge, companheiro ou companhei-ra no ter direito ao benefcio da penso por morte se o casamento ou o incio da unio estvel tiver ocorrido h menos de dois anos da data do bito do instituidor do benefcio, salvo nos casos em que:

    I - o bito do segurado seja decorrente de acidente posterior ao casamento ou ao incio da unio estvel; ou

    II - o cnjuge, o companheiro ou a companheira for considera-do incapaz e insuscetvel de reabilitao para o exerccio de atividade remunerada que lhe garanta subsistncia, mediante exame mdico-pericial a cargo do INSS, por doena ou aci-dente ocorrido aps o casamento ou incio da unio estvel e anterior ao bito.

    O objetivo deste novo dispositivo prevenir a ocorrncia de frau-des contra a Previdncia Social, pois, no raro, existiam casamentos e unies estveis (reais ou no) firmados de ltima hora para a con-cesso de penso por morte de segurados idosos ou gravemente enfermos.

    De agora em diante, como regra geral, se entre a celebrao do casamento ou termo inicial da unio estvel (e homoafetiva, por analogia) e o falecimento do segurado no se alcanou ao menos o prazo de dois anos, a penso por morte ser indevida, salvo se o se-gurado morreu de acidente aps o enlace matrimonial (infortnio) ou o cnjuge, o companheiro ou a companheira seja permanentemente

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    Frederico AmAdo

    invlido para o trabalho com causa posterior ao casamento ou unio estvel e at o dia da morte do segurado.

    Vale frisar que a vigncia do novo 2 do artigo 74 da Lei 8.213/91 no se deu em 30/12/2014, data da publicao da MP 664/2014, e sim quinze dias aps, em 14 de janeiro de 2015, somente se aplicando aos bitos verificados a contar desta data.

    Conforme j estudado anteriormente, a pendncia em curso uni-versitrio aps os 21 anos de idade no causa de prorrogao da penso por morte no RGPS.

    `` Qual o entendimento da TNU sobre o assunto?

    Smula 37: A penso por morte, devida ao filho at os 21 anos de idade, no se prorroga pela pendncia do curso universitrio,

    J na classe II figuram os pais, ao passo que na classe III esto o irmo no emancipado, de qualquer condio, menor de 21 anos ou invlido ou que tenha deficincia intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicial-mente.

    Caso haja mais de um dependente dentro da mesma classe, ha-ver o rateio em partes iguais da penso por morte e, na medida em que cesse a dependncia de algum, os remanescentes iro acrescen-do proporcionalmente as suas cotas, salvo no caso do acrscimo de 10% por dependente que no ser transferido.

    Outrossim, no haver transferncia de benefcio entre as clas-ses, de modo que um filho menor de 21 anos que alcance a maiorida-de previdenciria no far com que os dependentes da classe II ou III sejam beneficirios da prestao.

    Vale destacar a inovao inaugurada pela Lei 12.470/2011, no que concerne ao filho ou irmo do segurado portador de deficincia in-telectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente, agora inserido como dependente pre-videncirio no artigo 16, incisos I e III, da Lei 8.213/91.

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    `` Importante!De acordo com o 4, do artigo 77, da Lei 8.213/91, a parte individual da penso do dependente com deficincia intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmen-te, que exera atividade remunerada, ser reduzida em 30% (trinta por cento), devendo ser integralmente restabelecida em face da extino da relao de trabalho ou da atividade empreendedora.

    Portanto, o dependente do segurado portador de deficincia in-telectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente, poder exercer naturalmente labor remunerado, mas haver uma reduo temporria de sua cota de penso em 30%, que ser restabelecida no momento da cessao da atividade remunerada.

    No caso de penso por morte paga a mais de um dependente, cada cota poder ser inferior a um salrio mnimo, mas o benefcio, no valor total, ser de um salrio mnimo ao menos, pois substitui o salrio de contribuio.

    `` Importante!A penso por morte era paga no mesmo valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento (100% do salrio de benefcio) at o advento da Medida Provisria 664/2014.

    Entretanto, a MP 664/2014 alterou a redao do artigo 75 da Lei 8.213/91, que passou a prever que o valor mensal da penso por morte cor-responde a 50% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento, acrescido de tantas cotas individuais de 10% do valor da mesma aposentadoria, quantos forem os dependentes do segurado, at o mximo de cinco, assegurado o valor de um salrio m-nimo no total, vez que se cuida de benefcio previdencirio que substitui a remunerao do segurado.

    Trata-se de um retrocesso na proteo previdenciria, mas que era necessrio pelos enormes gastos gerados pela penso por morte que iria prejudicar as geraes futuras, vez que os recursos seriam retirados de outras reas sociais.

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    Frederico AmAdo

    H, no entanto, um caso especial de acrscimo de 10% no valor da penso por morte a ser rateado entre os dependentes. Isso no caso de haver filho do segurado ou pessoa a ele equiparada, que seja rfo de pai e me na data da concesso da penso ou durante o perodo de manuteno desta, observado o limite mximo de 100% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento e a maioridade previdenciria do rfo, quando a cota extra cessar.

    Contudo, a aludida cota extra de 10% na penso por morte em que haja pensionista rgo de pai e de me no ser aplicada quan-do for devida mais de uma penso aos dependentes do segurado, a exemplo da concesso de duas penses deixadas pelo pai e me falecidos.

    A cota individual de 10% da penso por morte ir cessar com a perda da qualidade de dependente, revertendo-se em favor dos demais a parte daquele cujo direito penso cessar, mas sem o acrscimo da correspondente cota individual de dez por cento.

    Suponha-se que um segurado faleceu deixando uma esposa e dois filhos menores de 21 anos no emancipados. Neste caso, ser concedida penso por morte de 80% do salrio de benefcio (se o se-gurado estava na ativa) ou de 80% da sua aposentadoria (se morreu j aposentado), pois se aplica o valor bsico de 50% acrescido de 3 cotas de 10%.

    Quando o filho mais velho completar 21 anos de idade (se no in-vlido ou no interditado por problemas mentais), a penso por mor-te ser reduzida para 70% para os dois dependentes remanescentes.

    Por sua vez, quando o segundo filho tambm deixar de ser de-pendente ao alcanar a maioridade previdenciria, a penso por morte percebida exclusivamente pela viva ser de 60%.

    Nos termos do artigo 5, inciso III, da MP 664/2014, as alteraes perpetradas na renda da penso por morte somente possuem vign-cia a partir do primeiro dia do terceiro ms subseqente data de publicao desta Medida Provisria, ou seja, somente se aplica aos bitos perpetrados a partir de 01 de maro de 2015.

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Promotor de Justia do Esprito Santo em 2010, foi considerado correto o seguinte enunciado: Joo, que era casa-do com Maria e tinha um filho menor no emancipado chamado Jnior, exercia, quando veio a falecer, atividade abrangida pelo RGPS, como empregado de uma fbrica h oito meses, recebendo, nesse perodo, um salrio de R$ 700,00. Morava ainda com o casal e o filho menor a me de Joo. Se Maria, sua sogra e Jnior requererem penso por morte, o benefcio ser concedido apenas a Maria e Jnior, em partes iguais, sendo que a parte de cada um poder ser menor que um sa-lrio mnimo.

    Destarte, indiretamente, a penso por morte tambm ser calcu-lada com o manejo do salrio de benefcio.

    `` Importante!Em regra, a penso por morte ser paga a partir do bito do segurado. Contudo, se postulada administrativamente aps 30 dias do falecimento, ser devida apenas a partir da data de entrada do requerimento admi-nistrativo.

    Vale ressaltar que, mesmo nos casos em que o requerimento do benefcio protocolizado aps 30 dias do bito, a data de incio do benefcio ser o dia do falecimento, mas apenas sero devidas as parcelas a contar da data do requerimento.

    que no dia da morte que nasce o direito, independentemente de quando foi requerido o benefcio. Nesse sentido, dispe o artigo 105, inciso I, do RPS, que no caso de requerimento aps 30 dias do falecimento do segurado, a data de incio do benefcio ser a data do bito, aplicados os devidos reajustamentos at a data de incio do pagamento, no sendo devida qualquer importncia relativa ao perodo anterior data de entrada do requerimento.

    No caso dos absolutamente incapazes, pois contra eles no cor-rer a prescrio, a jurisprudncia e o prprio INSS vem entendendo que o benefcio ser devido desde a data do falecimento, mesmo que o requerimento seja protocolizado aps 30 dias do bito, equiparan-do-se ao menor de 16 anos os incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil, conforme o artigo 3, do Cdigo Civil.

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    Frederico AmAdo

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?

    No concurso do CESPE para Advogado da CEF em 2010, foi considera-do correto o seguinte enunciado: Tlio, menor impbere com 15 anos de idade, foi reconhecido judicialmente como filho e nico herdeiro de Adalberto, que havia falecido quando Tlio tinha trs anos de idade. Nessa situao, uma vez reconhecida a paternidade, se Adalberto for se-gurado obrigatrio da previdncia social, Tlio ter direito percepo do benefcio previdencirio denominado penso por morte, podendo pleitear as prestaes vencidas devidas pela previdncia social desde a data do falecimento de seu genitor.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?

    No entanto, o Superior Tribunal de Justia no vem acatando o entendi-mento do INSS. Isso porque vem utilizando como critrio de menoridade os 18 anos de idade, e no os 16 anos de idade, conquanto se saiba que a prescrio corre para os relativamente incapazes: Informativo 546 DIREITO PREVIDENCIRIO. TERMO INICIAL DE PENSO POR MORTE REQUERI-DA POR PENSIONISTA MENOR DE DEZOITO ANOS. A penso por morte ser devida ao dependente menor de dezoito anos desde a data do bito, ainda que tenha requerido o benefcio passados mais de trinta dias aps completar dezesseis anos. De acordo com o inciso II do art. 74 da Lei 8.213/1991, a penso por morte ser devida ao conjunto dos depen-dentes do segurado que falecer, aposentado ou no, a contar da data do requerimento, caso requerida aps trinta dias do bito. Entretanto, o art. 79 da referida lei dispe que tanto o prazo de decadncia quanto o prazo de prescrio so inaplicveis ao pensionista menor. A meno-ridade de que trata esse dispositivo s desaparece com a maioridade, nos termos do art. 5 do CC segundo o qual "A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada prtica de todos os atos da vida civil" , e no aos dezesseis anos de idade. REsp 1.405.909-AL, Rel. Min. Srgio Kukina, Rel. para acrdo Min. Ari Pargen-dler, julgado em 22/5/2014.

    Na hiptese de morte presumida, a penso por morte ser devida desde a prolao da respectiva deciso judicial, valendo ressaltar que o reconhecimento da morte presumida, com o fito de concesso de penso previdenciria, no se confunde com a declarao de ausn-cia regida pelos diplomas cvel e processual. In casu, obedece-se ao disposto no artigo 78, da Lei 8.213/91 (STJ, REsp 232.893, de 23.05.2000).

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Juiz Federal da 5 Regio em 2009, foi consi-derado errado o seguinte enunciado: A penso por morte ser devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou no, a contar da data do requerimento do benefcio, no caso de morte presumida.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso da FCC para Analista do TRF da 3 Regio em 2014, foi con-siderada correta a letra D: Considere as seguintes hipteses: I. Penso por morte requerida no vigsimo dia aps o bito. II. Penso por morte requerida no trigsimo quinto dia aps o bito. III. Penso por morte requerida no dcimo quinto dia do bito. IV. Penso por morte requerida aps sessenta dias do bito. De acordo com a Lei no 8.213/91, a penso por morte ser devida a partir da data do requerimento APENAS nas hi-pteses: a) I, II e IV. b) II e III. c) I. d) II e IV. e) I e III. :

    Por outro lado, se comprovado o desaparecimento do segurado em consequncia de acidente, desastre ou catstrofe, seus depen-dentes faro jus penso provisria independentemente da decla-rao de ausncia, pois se presume a morte do segurado, sendo de-vido o benefcio desde a data da ocorrncia do evento, se requerida em at 30 dias (artigo 318, II, d, da Instruo Normativa INSS PRES 45/2010).

    Vale ressaltar que a ao judicial para reconhecer a morte pre-sumida para fins de percepo da penso ser de competncia da Justia Federal.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?

    Esse posicionamento foi adotado pela Corte Superior no julgamento do conflito de competncia 20.120, de 14.10.1998.

    A morte presumida ser declarada pela autoridade judicial com-petente, depois de 06 meses de ausncia, sendo concedida penso provisria e pago o benefcio a contar da data de prolao da sen-tena declaratria.

    Contudo, se o desaparecimento do segurado decorrer de aci-dente, desastre ou catstrofe, seus dependentes faro jus penso

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    Frederico AmAdo

    provisria independentemente da declarao, a partir da data do desaparecimento.

    Caso o segurado reaparea, o pagamento da penso cessar imediatamente, desobrigados os dependentes da reposio dos va-lores recebidos, salvo comprovada m-f.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?

    No concurso do CESPE para Advogado da CEF em 2010, foi considerado errado o seguinte enunciado: Renato desapareceu aps sofrer trgico acidente automobilstico e, em virtude desse fato, seus dependentes re-quereram, observados os preceitos legais pertinentes, penso provisria por morte presumida. Aps dois anos, Renato reapareceu, depois de ter--se recuperado de perda de memria decorrente do referido acidente. Nessa situao, verificado o reaparecimento do segurado, o pagamento da penso cessar imediatamente, sendo obrigados os dependentes a repor os valores recebidos a ttulo provisrio.

    Ademais, a concesso da penso por morte no ser protelada pela falta de habilitao de outro possvel dependente, e qualquer inscrio ou habilitao posterior que importe em excluso ou inclu-so de dependente s produzir efeito a contar da data da inscrio ou habilitao.

    Isso quer dizer que o INSS no poder aguardar a habilitao de todos os dependentes para conceder o benefcio, devendo, de logo, deferir ao primeiro que se habilitar, promovendo a insero posterior de outros eventuais dependentes que requerem o benefcio.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Advogado da CEF em 2010, foi considerado errado o seguinte enunciado: Considere que, quando faleceu, Alberto estava impugnando ao de reconhecimento de paternidade que tra-mitava contra ele e que, poca de seu falecimento, sua me era sua nica dependente declarada. Nessa situao, havendo a possibilidade de posterior habilitao de possvel dependente, que importaria na ex-cluso da me de Alberto dessa condio, a concesso da penso por morte poder ser protelada, a critrio da autoridade competente.

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    De acordo com o artigo 114, do RPS, cessar o pagamento da cota da penso por morte: pela morte do pensionista;para o pensionista menor de idade, ao completar vinte e um anos, salvo se for invlido, ou pela emancipao, ainda que invlido, exceto, neste caso, se a emancipao for decorrente de colao de grau cientfico em curso de ensino superior; ou para o pensionista invlido, pela cessao da invalidez, verificada em exame mdico-pericial a cargo da previdn-cia social; pela adoo, para o filho adotado que receba penso por morte dos pais biolgicos.

    Todavia, a previso regulamentar de cessao da cota de pen-so por morte pela adoo desprovida de amparo legal, pois no listada do artigo 77, 2, da Lei 8.213/91, tendo o condo de inibir as adoes para a manuteno do benefcio.

    `` Importante!Aps a publicao da Medida Provisria 664/2014, a penso por morte no Regime Geral de Previdncia Social para cnjuges, companheiros e companheiras passou a ser temporria ou vitalcia, a depender da ex-pectativa de sobrevida do dependente aferida no momento do bito do instituidor segurado.

    Anteriormente, para os citados dependentes, a penso por mor-te era vitalcia, vedada a acumulao de mais de uma penso deixa-da por cnjuge ou companheiro, ressalvada a opo pela mais van-tajosa.

    A expectativa de sobrevida ser obtida a partir da Tbua Comple-ta de Mortalidade - ambos os sexos - construda pela Fundao Ins-tituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE, vigente no momento do bito do segurado instituidor, que publicada anualmente no dia 1 de dezembro.

    Para que seja definitiva a penso por morte, necessrio que o dependente, no dia do bito do segurado, possua uma expectativa de sobrevida de at 35 anos. Caso a expectativa de sobrevida do dependente no dia do bito do segurado supere a 35 anos, ser concedida a penso por morte temporria, observada a seguinte tabela:

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    Frederico AmAdo

    EXPECTATIVA DE SOBREVIDA DO DEPENDENTE NO DIA DO BITO DO

    SEGURADO/TABELA IBGE

    ANOS DE DURAO DA PENSO POR MORTE

    Maior que 35 e at 40 anos 15 anos

    Maior que 40 e at 45 anos 12 anos

    Maior que 45 e at 50 anos 09 anos

    Maior que 50 e at 55 anos 06 anos

    Maior que 55 anos 03 anos

    Considerando que a tbua do IBGE em vigor a partir de 01/12/2014 previu que a pessoa com 44 anos de idade possui uma expectativa de sobrevida de 35,0 anos, conclui-se que para os bitos ocorridos at 30/11/2015, o dependente cnjuge, companheiro ou companheira com 44 anos ou mais de idade no dia da morte ter direito penso por morte vitalcia, devendo-se adotar uma nova tabela aps a cita-da data, vez que em 01/12/2015 ser publicada uma nova tbua de expectativa de sobrevida pelo IBGE.

    Para os pensionistas na condio de cnjuges, companheiros ou companheiras mais jovens, ser adotada a seguinte tabela para os bitos ocorridos at 30/11/2015:

    FAIXA ETRIA DURAO DA PENSO POR MORTE

    De 39 at antes de completar 44 anos de idade 15 anos

    De 33 at antes de completar 39 anos de idade 12 anos

    De 28 at antes de completar 33 anos de idade 9 anos

    De 22 at antes de completar 28 anos de idade 6 anos

    At antes de completar 22 anos de idade 3 anos

    No entanto, existe uma segunda possibilidade de concesso de penso por morte vitalcia. Isso se, independentemente da sua ex-pectativa de sobrevida, o cnjuge, o companheiro ou a companheira for considerado incapaz e insuscetvel de reabilitao para o exerc-cio de atividade remunerada que lhe garanta subsistncia, mediante exame mdico-pericial a cargo do INSS, por acidente ou doena ocor-rido entre o casamento ou incio da unio estvel e a cessao do pagamento do benefcio.

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    Nos termos do artigo 5, inciso III, da MP 664/2014, a concesso da penso por morte temporria somente possui vigncia a partir do primeiro dia do terceiro ms subseqente data de publicao desta Medida Provisria, ou seja, somente se aplica aos bitos per-petrados a partir de 01 de maro de 2015.

    `` Importante!Com o advento da Lei 12.470/2011, que alterou a redao do artigo 77, da Lei 8.213/91, passou a ser causa de cessao da penso por morte o le-vantamento da interdio para o pensionista com deficincia intelectual ou mental que era enquadrado como absoluta ou relativamente incapaz.

    De acordo com a atual legislao, o novo casamento do pensionis-ta no far cessar a penso por morte, como ocorria no regramento pretrito, em que o casamento do pensionista do sexo feminino ex-tinguia a penso. Alis, antigamente apenas o marido invlido tinha direito penso por morte, o que foi alterado com a nova legislao.

    Em obedincia ao Princpio do Tempus Regit Actum, tendo em vista que no momento do bito que nasce o direito ao benefcio, a lei em vigor na data da morte definir o regime jurdico da penso por morte, pouco importando a data de entrada do requerimento admi-nistrativo ou outro marco qualquer.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?Smula 340 A lei aplicvel concesso de penso previdenciria por morte aquela vigente na data do bito do segurado.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Defensor Pblico da Unio em 2010, foi con-siderado correto o seguinte enunciado: A jurisprudncia consolidou o entendimento de que a concesso da penso por morte regida pela norma vigente ao tempo da implementao da condio ftica neces-sria concesso do benefcio, qual seja, a data do bito do segurado. Outrossim, no concurso para Procurador do Municpio de Natal em 2008, foi considerado correto o seguinte enunciado: A lei aplicvel concesso de penso previdenciria por morte aquela vigente na data de bito do segurado. Por outro lado, no concurso para Juiz Federal da 1 Regio em 2009, foi considerado errado o seguinte enunciado: A lei aplicvel concesso de penso previdenciria por morte a que esteja vigente na data do requerimento administrativo formulado pelos beneficirios, e no a vigente data do bito do segurado.

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    Ademais, considerando que a concesso da aposentadoria por idade, tempo de contribuio e especial independente da manuten-o da condio de segurado, a teor do artigo 3, da Lei 10.666/2003, desde que o segurado j preenchesse os requisitos para se aposen-tar, os seus dependentes tero direito penso por morte.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?Smula 416- devida a penso por morte aos dependentes do segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos le-gais para a obteno de aposentadoria at a data do seu bito.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Defensor Pblico da Unio em 2007, foi consi-derado correto o seguinte enunciado: Atualmente, possvel a concesso de penso por morte aos dependentes, mesmo que o segurado tenha falecido aps perder a qualidade de segurado. Para isso, indispensvel que os requisitos para obteno da aposentadoria tenham sido preen-chidos de acordo com a legislao em vigor poca em que os requisitos foram atendidos.

    Para exemplificar o caso, suponha-se que Alex tenha completado 65 anos de idade e j tenha a carncia de 180 contribuies mensais para se aposentar por idade. Contudo, como no estava mais traba-lhando h muitos anos e por desconhecimento da legislao previden-ciria, ele faleceu sem sequer sonhar que tinha direito ao benefcio.

    Neste caso, se tiver deixado dependentes, estes tero direito penso por morte, pois passou a ser irrelevante o fato de Alex no mais ser segurado do RGPS, bastando o preenchimento dos pressu-postos para a aposentao, como ocorreu na hiptese.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso para Juiz Federal da 2 Regio em 2011, foi cobrada a seguin-te questo dissertativa: Asdrbal vive com Cleopatra, com quem casado desde 1970. Desde 1998, Asdrbal, margem do casamento, mantm um relacionamento amoroso com Juanita. Esta sustentada por Asdrbal, que lhe alugou um apartamento e arca com praticamente a totalidade de suas despesas. Em janeiro de 2012, Asdrbal, que tinha 67 anos, e Cleopatra morrem em um acidente de carro. Juanita ajuza ao ordinria em face do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na qual postula a

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    condenao da autarquia federal a conceder-lhe penso pela morte de Asdrbal em razo da sua qualidade de companheira. Citado, o INSS plei-teia, na contestao, a improcedncia do pedido, sustentando que: (i) Juanita no se insere no rol de dependentes previsto na legislao pre-videnciria; (ii) ao tempo do bito, Asdrbal no ostentava mais a quali-dade de segurado, visto que, conforme as alegaes contidas na petio inicial, os documentos apresentados pela autora e as informaes cons-tantes do Cadastro Nacional de Informaes Sociais CNIS, o falecido so-mente teve, em toda sua vida, um nico vnculo empregatcio, com a res-pectivas contribuies, no perodo compreendido entre janeiro de 1989 e dezembro de 2005, no havendo a comprovao de qualquer outra das hipteses previstas nos artigos 11 e 13 da Lei n. 8.213/91. Presumindo-se a veracidade dos fatos narrados na questo, analise a pertinncia dos argumentos de defesa da autarquia para o indeferimento da concesso do benefcio previdencirio pretendido, com a indicao dos dispositivos legais ou constitucionais pertinentes.

    Este, inclusive, o atual posicionamento administrativo do INSS, sendo concedida penso aos dependentes mesmo que o bito te-nha ocorrido aps a perda da qualidade de segurado, desde que o instituidor do benefcio tenha implementado todos os requisitos para obteno de uma aposentadoria at a data do bito ou fique reconhecido o direito, dentro do perodo de graa, aposentado-ria por invalidez, a qual dever ser verificada por meio de parecer mdico-pericial do INSS com base em atestados ou relatrios m-dicos, exames complementares, pronturios ou outros documentos equivalentes, referentes ao ex-segurado, que confirmem a existncia de incapacidade permanente at a data do bito.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Juiz Federal da 1 Regio em 2009, foi con-siderado errado o seguinte enunciado: Maria, segurada obrigatria do RGPS, preenchia todos os requisitos para a obteno da aposentadoria por tempo de servio, de acordo com as exigncias previstas na Lei n. 8.213/1991. Entretanto, no momento de requerer a aposentadoria, ela desistiu. Pouco tempo depois, por no concordar mais com as ordens emitidas por seu empregador, Maria resolveu deixar o emprego. Aps 38 meses sem contribuir para a previdncia social, Maria sofreu um ataque cardaco e faleceu, sem haver requerido aposentadoria. Nessa situao hipottica, com relao ao benefcio da penso por morte, os dependentes

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    de Maria no tero direito de receb-lo, nos termos da Lei n. 8.213/1991, uma vez que Maria no havia requerido aposentadoria previdncia so-cial. Por outro lado, foi considerado correto o seguinte enunciado: Nessa situao hipottica, com relao ao benefcio da penso por morte, os dependentes de Maria tero direito de receb-lo, pois Maria havia pre-enchido todos os requisitos para requerer a aposentadoria por tempo de servio.

    No que concerne ao contribuinte individual que trabalha por con-ta prpria, a sua filiao no ocorre to somente com o exerccio de atividade laborativa remunerada, sendo condicionada ao recolhimen-to da contribuio previdenciria, no sendo vlidos recolhimentos aps a morte para a regularizao da sua condio de segurado para fins de deferimento da penso por morte aos seus dependentes (ve-dao inscrio post mortem do contribuinte individual que trabalha por conta prpria).

    `` Qual o entendimento da TNU sobre o assunto?Smula 52 Para fins de concesso de penso por morte, incabvel a regularizao do recolhimento de contribuies de segurado contribuinte individual posteriormente a seu bito, exceto quando as contribuies devam ser arrecadadas por empresa tomadora de servios.

    `` Qual o entendimento do STJ sobre o assunto?Em relao ao recolhimento post mortem das contribuies previdenci-ria, esta Corte vem firmando orientao no sentido de que imprescind-vel o recolhimento das contribuies respectivas pelo prprio segurado quando em vida para que seus dependentes possam receber o benefcio de penso por morte. Desta forma, no h base legal para uma inscrio post mortem ou para que sejam regularizadas as contribuies pretritas, no recolhidas em vida pelo de cujus." (REsp1.346.852, de 21/05/2013).

    Questo que traz polmica saber se o segurado em gozo de au-xlio-acidente, benefcio exclusivamente indenizatrio, que no mais desenvolve atividade laborativa remunerada, poder ou no instituir penso por morte pelo seu falecimento.

    O INSS, na via administrativa, indefere a penso por morte. To-davia, a Lei 8.213/91 no traz qualquer restrio, pois o segurado em

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    gozo de benefcio mantm a qualidade de segurado, mesmo sem verter contribuies previdencirias, a teor do artigo 15, I, da Lei 8.213/91.

    Deveria a Lei 8.213/91 ter excludo a concesso da penso por morte para os dependentes de segurado em gozo de auxlio-acidente que no mais desenvolve atividade remunerada, por se tratar de verba indenizatria, pois no visa substituir a remunerao.

    Assim sendo, diante da lacuna legal, a jurisprudncia vem defe-rindo a penso por morte nesta hiptese, a exemplo do posiciona-mento do Tribunal Regional Federal da 3 Regio, no julgamento da APELREE 2002.61.04.009993-1, de 01.12.2008.

    Foi dito anteriormente que a renda mensal inicial da penso por morte no mesmo valor da aposentadoria percebida pelo segurado ou, se ativo, no montante da aposentadoria por invalidez que teria direito (100% do salrio de benefcio), at o advento da MP 664/2014.

    Mas nem sempre a penso por morte era paga no valor integral no RGPS, sendo inovao da Lei 9.032/95, que alterou a redao do artigo 75, da Lei 8.213/91.

    Na vigncia da Lei 3.807/60 (Lei Orgnica da Previdncia Social), o valor bsico era 50% do valor da aposentadoria que o segurado percebia ou daquela a que teria direito se na data do seu falecimento fosse aposentado, e mais tantas parcelas iguais, cada uma, a 10% do valor da mesma aposentadoria quantos forem os dependentes do segurado, at o mximo de cinco.

    Posteriormente, o originrio artigo 75, da Lei 8.213/91, previu o valor da penso por morte em 80% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou teria direito, mais 10% por dependente, at o mximo de 100%, exceto no que concerne ao falecimento decorrente de acidente de trabalho, cujo pagamento era integral.

    Por conseguinte, os pensionistas que no recebiam a penso por morte integral, pois com data de incio anterior vigncia da Lei 9.032/95, comearam a propor as respectivas aes judiciais revisionais, tendo em conta o indeferimento administrativo perpetrado pelo INSS.

    A jurisprudncia se posicionava pacificamente pela possibilidade de reviso, inclusive o STJ. Mas o tratamento do tema mudou drasti-camente com o posicionamento do STF.

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    `` Qual o entendimento do STF sobre o assunto?A Suprema Corte acolheu os argumentos do INSS, que sustentava a impos-sibilidade jurdica da reviso da penso por morte para 100% do salrio de benefcio, pois inexistente prvia fonte de custeio para a majorao, devendo tambm prevalecer o Princpio do Tempus Regit Actum, posicio-namento tomado no julgamento do RE 415.454.

    Assim, a posio firmada pelo STF pela ausncia de direito dos dependentes dos segurados de revisar as penses por morte conce-didas antes da Lei 9.032/95. Com o advento da MP 664/2014 voltou-se ao valor da penso por morte adotado antes do advento da Lei 8.213/91.

    `` Como esse assunto foi cobrado em concurso?No concurso do CESPE para Procurador do Tribunal de Contas da Bahia em 2010, foi considerado correto o seguinte enunciado: Segundo en-tendimento do STF, lei nova mais benfica que altere a forma de cl-culo da renda mensal inicial da penso por morte, aumentando seu percentual, no se aplicar aos benefcios previdencirios concedidos antes de sua vigncia.

    H uma regra especial de sucesso na legislao previdenciria que afasta os dispositivos do Cdigo Civil por sua especialidade. Deveras, de acordo com o artigo 112, da Lei 8.213/91, o valor no recebido em vida pelo segurado s ser pago aos seus dependen-tes habilitados penso por morte ou, na falta deles, aos seus sucessores na forma da lei civil, independentemente de inventrio ou arrolamento.

    Hiptese comum no foro a penso por morte apenas deferida ao filho do(a) falecido(a), mas no em favor do(a) companheiro(a) pela no comprovao de unio estvel, sendo questionado judicial-mente quando o filho completa 21 anos de idade e o benefcio naturalmente cessado.

    Neste caso, uma vez comprovada unio estvel, o(a) compa-nheiro(a) ter direito percepo da penso por morte, mas sem direito percepo das parcelas no perodo que o filho recebeu.

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    Benefcios e servios do regime geral de Previdncia social

    que o benefcio foi revertido em favor do lar, sacado pelo(a) companheiro(a) do instituidor na condio de representante legal do menor previdencirio, conforme a melhor jurisprudncia (TRF da 4 Regio, AC 2008.71.99.001312-4, de 25.08.2008).

    Questo curiosa e que desperta a ateno dos alunos em sala de aula a possibilidade do deferimento de penso por morte a depen-dente que praticou delito de homicdio contra o instituidor.

    Talvez o caso mais comum seja o da popular viva negra. Vale registrar que expressamente a Lei 8.213/91 no vedava o pagamento de penso por morte nesta hiptese, pois omissa a respeito.

    Contudo, entendia-se que em se tratando de homicdio doloso h fundamento no ordenamento jurdico para impedir a concesso do benefcio, pois ningum poder se locupletar da prpria torpeza, expresso consagrada como princpio geral do Direito.

    De efeito, era possvel tomar de emprstimo o artigo 220, da Lei 8.112/90, que prev que no faz jus penso o beneficirio conde-nado pela prtica de crime doloso de que tenha resultado a morte do servidor.

    Posteriormente, a MP 664/2014 inseriu vedao no 1 do artigo 74 da Lei 8.213/91, ao estatuir que no ter direito penso por morte o condenado pela prtica de crime doloso de que tenha resultado a morte do segurado.

    Ressalte-se que preciso que haja condenao penal trnsita em julgado para obstar a percepo da penso, sob pena de violao ao Princpio da Presuno de Inocncia, conforme correto posicionamen-to do Tribunal Regional da 5 Regio, tomado na ao cvel 430.140, de 31.03.2008.

    Quadro sinttico Penso por morte

    Cabimento bito do segurado da Previdncia Social que deixar dependentes.

    Beneficirios

    os dependentes, observada a ordem preferencial das classes do artigo 16, da Lei 8.213/91, ressaltando que a classe I tem presuno de dependncia econmica (o cnjuge; a companheira; o compa-nheiro; o filho no emancipado, de qualquer condio, menor de 21 anos ou invlido ou com deficincia intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicial-mente; o parceiro homoafetivo; o ex-cnjuge ou ex-companheiro que percebe alimentos).

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    Quadro sinttico Penso por morte

    OBS - Se entre a celebrao do casamento ou termo inicial da unio estvel (e homoafetiva, por analogia) e o falecimento do segurado no se alcanou ao menos o prazo de dois anos, a penso por morte ser indevida, salvo se o segurado morreu de acidente aps o enlace matrimonial (infortnio) ou o cnjuge, o com-panheiro ou a companheira seja permanentemente invlido para o trabalho com causa posterior ao casamento ou unio estvel e at o dia da morte do segurado.

    Carncia24 contribuies mensais, em regra, salvo se decorrente de aci-dente do trabalho ou de segurado em gozo de auxlio-doena ou de aposentadoria por invalidez.

    Valor

    Cinquenta por cento do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento, acrescido de tantas cotas individuais de dez por cento do valor da mesma aposenta-doria, quantos forem os dependentes do segurado, at o mximo de cinco.

    Outras informaes

    A) A condio de dependente ser aferida no momento do bito, e no posteriormente.

    B) Ser devida desde o falecimento ou do requerimento, se pos-tulada aps 30 dias; no caso de morte presumida, aps a deci-so judicial.

    C) Havendo mais de um dependente da mesma classe, ser divida em partes iguais, excludos os da classe inferior.

    D) Com a morte, a cessao da invalidez, a emancipao ou a maioridade, a cota da penso ser revertida para o outro dependente, no se transmitindo para os dependentes de classe inferior.

    E) De acordo com o artigo 114, II, do RPS, a emancipao por cola-o de grau em curso superior antes dos 21 anos no faz cessar a penso por morte.

    F) Smula 340, STJ: A lei aplicvel concesso de penso previ-denciria por morte aquela vigente na data do bito do segurado.

    G) Smula 336, STJ: A mulher que renunciou aos alimentos na sepa-rao judicial tem direito penso previdenciria por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econmica superve-niente.

    H) Smula 416, STJ- devida a penso por morte aos dependentes do segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, pre-encheu os requisitos legais para a obteno de aposentadoria at a data do seu bito.