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    LIVRO I DAS PESSOAS Art. 11

    ` Registros. Filhos. Retificao. Nome. Genitora.1. O princpio da verdade real norteia o registro pblico e tem por finalidade a segurana jurdica. Por isso que necessita espelhar a verdade existente e atual e no apenas aquela que passou.2. Nos termos de precedente deste STJ admissvel a alterao no registro de nascimento do filho para a averbao do nome de sua me que, aps a separao judicial, voltou a usar o nome de solteira; para tanto, devem ser preenchidos dois requisitos: (i) justo motivo; (ii) inexistncia de prejuzos para terceiros (REsp1.069.864-DF). REsp1.123.141, rel. Min. Luis F. Salomo,28.9.10.4 T. (Info449,2010)

    ` Relao avoenga. Ancestralidade. Direito personalssimo. Os direitos da personalidade, entre eles o direito ao nome e ao conhecimento da origem gentica, so inalienveis, vitalcios, intransmissveis, extrapatrimoniais, irrenunciveis, imprescritveis e oponveis erga omnes. Os netos, assim como os filhos, possuem direito de agir prprio e personalssimo, de pleitear declaratria de relao de parentesco em face do av ou dos herdeiros, se morto aquele, porque o direito ao nome, identidade e origem gentica est intimamente ligado ao conceito de dignidade da pessoa humana. O direito busca da ancestralidade personalssimo e, dessa forma, possui tutela jurdica integral e especial nos moldes dos arts.5 e226 da CF. O art.1.591 do CC/2002, ao regular as relaes de parentesco em linha reta, no estipula limitao dada sua infinidade, de modo que todas as pessoas oriundas de um tronco ancestral comum sempre sero consideradas parentes entre si, por mais afastadas que estejam as geraes. Dessa forma, uma vez declarada a existncia de relao de parentesco na linha reta a partir do segundo grau, essa gerar todos os efeitos que o parentesco em primeiro grau (filiao) faria nascer. REsp807.849, rel. Min. Nancy Andrighi,24.3.2010 (v. Infos.257 e425).2 S. (Info428,2010)

    ` CAPTULO II DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

    Art.11. Com exceo dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade so intransmissveis e irrenunciveis, no podendo o seu exerccio sofrer limitao voluntria.

    1. BREVES COMENTRIOS

    So direitos da personalidade os direitos subjetivos reconhecidos a pessoa para a garantia de sua dignidade, vale dizer, para a tutela dos seus aspectos fsicos, psquicos e intelectuais, dentre outros no mensurveis economicamente, porque dizem respeito prpria condio de pessoa, ou seja, ao que lhe significativamente mais ntimo.

    Caractersticas dos direitos da personalidade. Representam o conjunto de garantias destinadas preservao dos modos de ser do indivduo, e suas caractersticas podem ser assim sintetizadas: (a) so absolutos, ou seja, oponveis erga omnes, impondo coletividade o dever de respeit-los; (b) so extrapatrimoniais, uma vez que seu contedo patrimonial no suscetvel de aferio objetiva; (c) so indisponveis, ou seja, no permitem abandono por vontade do seu titular (irrenunciveis), tampou-co sua cesso, seja gratuita ou onerosa, em benefcio de terceiro ou da coletividade, razo pela qual podem ser reconhecidos por sua intransmissibilidade e impenhorabilidade; (d) so imprescritveis, uma vez que no se extinguem pelo no uso, nem pela inrcia na pretenso de defend-los; (e) so vitalcios, j que acompanham a pessoa desde seu nascimento at sua morte e no podem ser retirados da pessoa. O rol dos direitos da personalidade apresentado no CC/02 meramente exemplificativo, ou seja, no se limita aos expressamente mencionados.

    Vale destacar que o Enunciado n274 das Jornadas de Direito Civil organizadas pelo Conselho da Justia Federal (CJF) dispe que tais direitos so expresses da clusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art.1, III, da Constituio (princpio da dignidade da pessoa humana), o que justifica sua regulamentao no exaustiva pelo Cdigo Civil vigente e a necessidade de ponder-los em caso de coliso entre eles, uma vez que nenhum pode sobrelevar os demais, devendo o intrprete assegurar-lhes coexistncia, mediante preenchimento de seu contedo no caso concreto.

    Apesar da indisponibilidade que lhes caracterstica, a doutrina vem admitindo que o exerccio dos direitos da personalidade possa sofrer limitao voluntria, ainda que no especificamente prevista em lei, desde que tal limitao no seja permanente nem geral, e no contrarie a boa-f objetiva e os bons costumes, hiptese em que restaria configurado o abuso de direito de seu titular.

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    Art. 11 TTULO I DAS PESSOAS NATURAIS.

    Do mesmo modo, excepcionalmente, admite-se a cesso gratuita de partes do corpo e a cesso patrimonial de direitos autorais, conforme previsto nos arts.28 a30 da Lei9.610/98.

    Acrescente-se ainda que a no sujeio dos direitos da personalidade aos prazos prescricionais (imprescritibilidade) tambm no absoluta, quando se estiver diante de meros efeitos patrimoniais reflexos.

    A seguir, tem-se quadro comparativo entre os direitos de natureza obrigacional e os direitos da personalidade, extrado da obra Figueiredo, Luciano Lima & Figueiredo, Roberto Lima. Direito Civil Obrigaes e Responsabilidade Civil (Coleo Sinopses para Concursos).3. ed. Salvador: Editora JusPodivm,2014.

    Direitos Obrigacionais Direitos da Personalidade

    Patrimoniais Extrapatrimoniais

    Inter partes Erga omnes

    Prescritveis Imprescritveis

    Transmissveis (inter-vivos ou mortis causa)

    Intransmissveis

    Disponveis Indisponveis

    Penhorveis Impenhorveis

    Compensveis Incompensveis

    Transacionveis Intransacionveis

    Renunciveis Irrenunciveis

    Cessveis Incessveis

    Relativos. Absolutos

    A tutela da dignidade e o direito ao esquecimento. Atualmente vem crescendo na doutrina as discusses sobre direito ao esquecimento e o conflito entre direitos fundamentais privacidade vs livre manifestao do pensamento. Ser que aquele que no tem o status de uma personalidade pblica tem de aceitar que os seus dados pessoais sejam acessados e divulgados sem qualquer limitao? Na justificativa do Enunciado n 531 do CJF afirmou-se que no atribui a ningum o direito de apagar fatos ou reescrever a prpria histria, mas, em contrapartida, assegurou-se a possibilidade de discu-tir o uso que dado aos fatos pretritos, mais especificamente o modo e a finalidade com que so lembrados. A discusso j chegou ao Superior Tribunal de Justia, que ao apreciar o tema, assim se pronunciou:(...) No obstante o cenrio de perseguio e tolhimento pelo qual passou a imprensa brasileira em dcadas pretritas, e a par de sua inegvel virtude histrica, a mdia do sculo XXI deve fincar a legi-timao de sua liberdade em valores atuais, prprios e decorrentes diretamente da importncia e nobreza da atividade. Os antigos fantasmas da liberdade de imprensa, embora deles no se possa esquecer jamais, atualmente, no autorizam a atuao informativa desprendida de regras e princpios a todos impostos.7. Assim, a liberdade de imprensa h de ser analisada a partir de dois paradigmas jurdicos bem distantes um do outro. O primeiro, de completo menosprezo tanto da dignidade da pessoa humana quanto da liberdade de imprensa; e o segundo, o atual, de dupla tutela constitucional de ambos os valores.8. Nesse passo, a explcita conteno constitucional liberdade de informao, fundada na inviolabilidade da vida privada, intimidade, honra, imagem e, de resto, nos valores da pessoa e da famlia, prevista no art.220, 1, art.221 e no 3 do art.222 da Carta de1988, parece sinalizar que, no conflito aparente entre esses bens jurdicos de especialssima grandeza, h, de regra, uma inclinao ou predileo constitucional para solues protetivas da pessoa humana, embora o melhor equacionamento deva sempre observar as particularidades do caso concreto. Essa constatao se mostra consentnea com o fato de que, a despeito de

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    LIVRO I DAS PESSOAS Art. 11

    a informao livre de censura ter sido inserida no seleto grupo dos direitos fundamentais (art.5, inciso IX), a Constituio Federal mostrou sua vocao antropocntrica no momento em que gravou, j na porta de entrada (art.1, inciso III), a dignidade da pessoa humana como mais que um direito um fundamento da Repblica, uma lente pela qual devem ser interpretados os demais direitos posteriormente reconhecidos. Exegese dos arts.11,20 e21 do Cdigo Civil de2002. (Superior Tribunal de Justia Recurso Especial. n1334.097-RJ.4 Turma. Rel. Min. Luis Felipe Salomo. Ac de28/05/2013, DJe n31006510de10/09/2013)

    Fonte: Figueiredo, Luciano Lima & Figueiredo, Roberto Lima. Direito Civil Obrigaes e Responsabilidade Civil (Coleo Sinopses para Concursos).3. ed. Salvador: Editora JusPodivm,2014.

    2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

    ` Enunciado532 art.11: permitida a disposio gratuita do prprio corpo com objetivos exclusivamente cientficos, nos termos dos arts.11 e13 do Cdigo Civil.

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    Art. 11 TTULO I DAS PESSOAS NATURAIS.

    ` Enunciado531 art.11: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informao inclui o direito ao esquecimento

    ` Enunciado4 Art.11: o exerccio dos direitos da personalidade pode sofrer limitao voluntria, desde que no seja permanente nem geral.

    ` Enunciado139 Art.11: Os direitos da personalidade podem sofrer limitaes, ainda que no especificamen-te previstas em lei, no podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente boa-f objetiva e aos bons costumes.

    ` Enunciado274 Art.11. Os direitos da personalidade, regulados de maneira no exaustiva pelo Cdigo Civil, so expresses da clusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art.1, III, da Constituio (princpio da dignidade da pessoa humana). Em caso de coliso entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar a tcnica da ponderao.

    3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDNCIAS

    ` STF450 Quebra de Sigilo Bancrio e Direito Intimidade O Tribunal, por maioria, deu parcial provimento a agravo regimental interposto contra deciso do Min. Joaquim Barbosa, relator, proferida nos autos de inqu-rito instaurado para apurar a suposta prtica dos crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gesto fraudulenta, corrupo ativa e passiva e evaso de divisas, pela qual deferira a quebra de sigilo bancrio de conta de no residente da agravante, utilizada por diversas pessoas fsicas e jurdicas, determinando a remessa de informaes ao STF unicamente no que concerne aos dados dos titulares dos recursos movimentados na referida conta. Entendeu-se que, em face do art.5, X, da CF, que protege o direito intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, a quebra do sigilo no poderia implicar devassa indiscriminada, devendo circunscrever-se aos nomes arrolados pelo Ministrio Pblico como objeto de investigao no inqurito e estar devidamente justificada. Recurso parcialmente provido para que fique autorizada a remessa relativa a duas pessoas fsicas e uma pessoa jurdica, deixando ao Ministrio Pblico a via aberta para outros pedidos fundamentados. Vencidos os Ministros Joaquim Barbosa, relator, e Carlos Britto que negavam provimento ao recurso, por considerar que o sigilo bancrio, apesar de constitucionalmente amparado, no se reveste de carter absoluto e pode ser afastado por ordem judicial, desde que tal quebra seja concretamente necessria apurao de fatos delituosos previamente investigados, como no caso, em que presentes fortes indcios da prtica de ilcitos, ressaltando, ademais, inexistir devassa, haja vista que as informaes cujo fornecimento a deciso agravada determina no incluem os valores movimen-tados. Inq2245 AgR/MG, rel. Min. Joaquim Barbosa, rel. p/ o acrdo Min. Crmen Lcia,29.11.2006. (Inq-2245)

    ` STF541 ADPF e Lei de Imprensa O Tribunal iniciou julgamento de mrito de arguio de descumprimento de preceito fundamental proposta pelo Partido Democrtico Trabalhista PDT contra a Lei5.250/67 Lei de Imprensa v. Informativos496 e518. O Min. Carlos Britto, relator, julgou procedente o pedido formulado, para o efeito de declarar como no recepcionado pela Constituio Federal todo o conjunto de dispositivos da lei impugnada, no que foi acompanhado pelo Min. Eros Grau, que se reportou aos fundamentos que expendera no julgamento da medida cautelar. Inicialmente, tendo em conta o disposto nos artigos220, 1,2 e3, e222, todos da CF, o relator afirmou que, do ngulo objetivo, a imprensa seria uma atividade, enquanto, do ngulo subjetivo ou orgnico, constituir-se-ia num conjunto de rgos, veculos, empresas e meios, juridicamente per-sonalizados, sendo a comunicao social seu trao diferenciador ou signo distintivo. Disse que a modalidade de comunicao que a imprensa encerraria seria dirigida ao pblico em geral, ou seja, ao maior nmero possvel de pessoas, com o que a imprensa passaria a se revestir da caracterstica central de instncia de comunicao de massa, de modo a poder influenciar cada pessoa de per se e inclusive formar a opinio pblica. Por isso, incum-biria imprensa o direito e tambm o dever de sempre se postar como o olhar mais atento sobre o dia-a-dia do Estado e da sociedade civil. Sendo, portanto, matriz por excelncia da opinio pblica, rivalizaria com o prprio Estado nesse tipo de interao de mxima abrangncia pessoal. Explicou que foi em razo desse abrangente crculo de interao humana que a Constituio Federal teria reservado para a imprensa todo um bloco nor-mativo (captulo V do ttulo VIII) e que o estdio multifuncional da imprensa seria, em si mesmo, um patrimnio imaterial que corresponderia a um atestado de evoluo poltico-cultural de todo um povo. ADPF130/DF, rel. Min. Carlos Britto,1.4.2009. (ADPF-130)

    ` STF541 ADPF e Lei de Imprensa2 Concluiu o relator, em sntese, que a Constituio Federal se posicionou diante de bens jurdicos de personalidade para, de imediato, fixar a precedncia das liberdades de pensamento e de expresso lato sensu as quais no poderiam sofrer antecipado controle nem mesmo por fora do Direito-lei,

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    LIVRO I DAS PESSOAS Art. 11

    inclusive de emendas constitucionais, sendo reforadamente protegidas se exercitadas como atividade profissional ou habitualmente jornalstica e como atuao de qualquer dos rgos de comunicao social ou de imprensa. Isso estaria conciliado, de forma contempornea, com a proibio do anonimato, o sigilo da fonte e o livre exerccio de qualquer trabalho, ofcio, ou profisso; a posteriori, com o direito de resposta e a reparao pecuniria por eventuais danos honra e imagem de terceiros, sem prejuzo, ainda, do uso de ao penal tambm ocasionalmente cabvel, nunca, entretanto, em situao de maior rigor do que a aplicvel em relao aos indivduos em geral. Alm disso, para o relator, no haveria espao constitucional para a movimentao interferente do Estado em qualquer das matrias essencialmente de imprensa, salientando ele que a lei em questo, sobre disciplinar tais matrias, mis-turada ou englobada com matrias circundantes ou perifricas e at sancionatrias, o teria feito sobestruturao formal estatutria, o que seria absolutamente desarmnico com a Constituio de1988, a resultar no juzo da no recepo pela nova ordem constitucional. Observou, por fim, que a Lei de Imprensa foi concebida e promulgada num longo perodo autoritrio, o qual compreendido entre31.3.64 e o incio do ano de1985 e conhecido como anos de chumbo ou regime de exceo, regime esse patentemente inconcilivel com os ares da democracia resgatada e proclamada na atual Carta Magna. Essa impossibilidade de conciliao, sobre ser do tipo material ou de substncia, contaminaria grande parte, seno a totalidade, da Lei de Imprensa, quanto ao seu ardiloso ou su-bliminar entrelace de comandos, a servio da lgica matreira de que para cada regra geral afirmativa da liberdade aberto um leque de excees que praticamente tudo desfaz; e quanto ao seu spiritus rectus ou fio condutor do propsito ltimo de ir alm de um simples projeto de governo para alcanar a realizao de um projeto de poder. ADPF130/DF, rel. Min. Carlos Britto,1.4.2009. (ADPF-130)

    ` STF663 Direitos da Personalidade Ementa: investigao de paternidade. Demada anterior julgada impro-cedente. Coisa julgada em sentido material. Supervenincia de novo meio de prova (DNA). Pretendida relativizao da autoridade da coisa julgada. Prevalncia, no caso, do direito fundamental ao conhecimento da prpria ancestralidade. A busca da identidade gentica como expresso dos direitos da personalidade. Acolhimento da postulao recursal deduzida pela suposta filha. Observncia, na espcie, pelo relator, do princpio da colegialidade. REconhecido e provido.

    ` Ressalva da posio pessoal do relator (Ministro Celso de Mello), minoritria, que entende que o instituto da res judicata, de extrao eminentemente constitucional, por qualificar-se como elemento inerente prpria noo conceitual de estado democrtico de direito, no pode ser degradado, em sua condio de garantia fundamental, por teses como a da relativizao da coisa julgada. Na percepo pessoal do relator (Ministro Celso de Mello), a desconsiderao da autoridade da coisa julgada mostra-se apta a provocar consequncias altamente lesivas estabilidade das relaes intersubjetivas, exigncia de certeza e de segurana jurdicas e preservao do equilbrio social. A invulnerabilidade da coisa julgada material deve ser preservada em razo de exigncias de ordem poltico-social que impem a preponderncia do valor constitucional da segurana jurdica, que representa, em nosso ordenamento positivo, um dos subprincpios da prpria ordem democrtica.

    ` Ao de investigao de paternidade e coisa julgada [RPG] Ressalte-se a evoluo dos meios de prova para aferio da paternidade culminada com o advento do exame de DNA e a prevalncia da busca da verdade real sobre a coisa julgada, visto estar em jogo o direito personalidade. RE363889, rel. Min. Dias Toffoli,2.6.11. Repercusso Geral. Pleno. (Info629,2011)

    ` Relao avoenga. Ancestralidade. Direito personalssimo. Os direitos da personalidade, entre eles o direito ao nome e ao conhecimento da origem gentica, so inalienveis, vitalcios, intransmissveis, extrapatrimoniais, irrenunciveis, imprescritveis e oponveis erga omnes. Os netos, assim como os filhos, possuem direito de agir prprio e personalssimo, de pleitear declaratria de relao de parentesco em face do av ou dos herdeiros, se morto aquele, porque o direito ao nome, identidade e origem gentica est intimamente ligado ao conceito de dignidade da pessoa humana. O direito busca da ancestralidade personalssimo e, dessa forma, possui tutela jurdica integral e especial nos moldes dos arts.5 e226 da CF. O art.1.591 do CC/2002, ao regular as relaes de parentesco em linha reta, no estipula limitao dada sua infinidade, de modo que todas as pessoas oriundas de um tronco ancestral comum sempre sero consideradas parentes entre si, por mais afastadas que estejam as geraes. Dessa forma, uma vez declarada a existncia de relao de parentesco na linha reta a partir do segundo grau, essa gerar todos os efeitos que o parentesco em primeiro grau (filiao) faria nascer. REsp807.849, rel. Min. Nancy Andrighi,24.3.2010 (v. Infos.257 e425).2 S. (Info428,2010)

    4. QUESTO DE CONCURSO

    01. (PUC PR Juiz de Direito Substituto PR/2014) Sobre personalidade e direitos de personalidade, COR-RETA a assertiva:

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    Art. 11 TTULO I DAS PESSOAS NATURAIS.

    a) Consistem em direitos da personalidade, dentre outros: o direito vida, ao prprio corpo, liberdade de pensamen to e de expresso, liberdade, honra, ao recato, imagem e identidade.

    b) A personalidade civil comea com a concepo.

    c) Os direitos de personalidade so, sem exceo, intransmissveis, irrenunciveis e ilimitados.

    d) Os direitos de personalidade perduram e podem ser exercidos pelo prprio titular, ou representante, exclusivamen te em vida.

    02. (Cespe Juiz de Direito TJ-DFT/2014) Assinale a opo correta luz do entendimento jurisprudencial pre-dominante no STJ.

    a) Admite-se a alterao do regime de bens dos casamentos celebrados aps a vigncia do Cdigo Civil de2002, independentemente de qualquer ressalva em relao a direitos de terceiros, inclusive dos entes pblicos, em respeito ao princpio da autonomia dos consortes.

    b) A paternidade socioafetiva decorrente de adoo brasileira impede a anulao do registro de nascimento para o reconhecimento da paternidade biolgica, ainda quando requerida pelo filho adotado nessas circunstncias.

    c) Permite-se a averbao, no termo de nascimento do filho, da alterao do patronmico materno em decorrncia do casamento, mas no a averbao do nome de solteira da genitora, caso esta, em decorrncia de divrcio ou separao judicial, deixe de utilizar o nome de casada.

    d) A prtica conhecida como adoo brasileira, assim como a adoo legal, rompe definitivamente os vnculos civis entre o filho e os pais biolgicos, desfazendo, por consequncia, todos os consectrios legais da paternidade biolgica, como os registrais, os patrimoniais e os hereditrios.

    e) O direito de reconhecimento da origem gentica insere-se nos atributos da prpria personalidade, de modo que, entre o vnculo socioafetivo decorrente da adoo brasileira e os vnculos biolgicos decorrentes do nascimento, devem prevalecer os vnculos biolgicos, sempre que o filho assim desejar.

    03. (Cespe Juiz de Direito TJ-DFT/2014) Acerca da prescrio e da proteo jurdica intimidade, assinale a opo correta.

    a) A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informao inclui o direito ao esquecimento.

    b) O interesse pblico na divulgao de casos judiciais sempre dever prevalecer sobre a privacidade ou intimidade dos envolvidos.

    c) A exibio no autorizada de imagem de vtima de crime amplamente noticiado poca dos fatos, ainda que uma nica vez, gera, por si s, direito de compensao por danos morais aos seus familiares.

    d) pretenso de cobrana de cotas condominiais aplica-se a regra geral da prescrio decenal, contada a partir do vencimento de cada parcela, conforme disposto no vigente Cdigo Civil.

    e) A veracidade de uma notcia confere a ela inquestionvel licitude, razo pela qual no h qualquer obstculo sua divulgao, dado o direito informao e liberdade de imprensa.

    04. (Juiz/TRT/8R/2007/1 etapa adaptada) Assinale a alternativa correta acerca da disciplina do Cdigo Civil sobre os direitos de personalidade:

    Os direitos da personalidade so intransmissveis e irrenunciveis, no podendo o seu exerccio sofrer limitao voluntria.

    05. (PROC/PR/2007/COPS) Assinale a alternativa incorreta:

    a) A Constituio Federal de1988 e o Cdigo Civil de2002 reconhecem um direito geral personalidade que no se confunde com os direitos de personalidade tipificados.

    b) Os direitos de personalidade podem ser protegidos mediante tutelas ressarcitrias e inibitrias.

    c) Os direitos de personalidade, uma vez que fundados na dignidade da pessoa humana, no admitem conflitos com outros direitos.

    d) O ato de disposio sobre um direito de personalidade pode ser revogado, sem prejuzo do dever de indenizar decorrente do comportamento contraditrio.

    e) A violao do direito de imagem no exige a ocorrncia de danos para ser tutelada.

    06. (Juiz/TJ/PR/2007) Sobre a constitucionalizao do Direito Civil, correto afirmar:

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    LIVRO I DAS PESSOAS Art. 12

    a) As normas constitucionais que possuem estrutura de princpio se destinam exclusivamente ao legislador, que no pode contrari-las ao criar as normas prprias do Direito Civil, no sendo possvel, todavia, ao aplicador do Direito, empregar os princpios constitucionais na interpretao dessas normas de Direito Civil.

    b) A constitucionalizao do Direito Civil se restringe migrao, para o texto constitucional, de matrias outrora prprias do Direito Civil.

    c) A doutrina que sustenta a constitucionalizao do Direito Civil afirma a irrelevncia das normas infraconstitu-cionais na disciplina das relaes interprivadas.

    d) A eficcia dos direitos fundamentais nas relaes entre particulares, seja de forma indireta e mediata, seja de forma direta e imediata, defendida pela doutrina que sustenta a constitucionalizao do Direito Civil.

    07. (PROC/MUN/SOROCABA/2008/VUNESP) Os direitos morais de autor so:

    a) negociveis aps a morte do criador.

    b) negociados da mesma maneira que os patrimoniais.

    c) inalienveis.

    d) renunciveis.

    e) objeto de contratos de licena.

    08. (AUD/TCE/SP/2008/FCC) Os direitos da personalidade, com exceo dos casos previstos em lei, so:

    a) irrenunciveis, mas seu exerccio sempre pode sofrer limitao voluntria.

    b) irrenunciveis, mas no so intransmissveis.

    c) intransmissveis, mas no so irrenunciveis.

    d) intransmissveis e irrenunciveis, no podendo o seu exerccio sofrer limitao voluntria.

    e) transmissveis e renunciveis, mas seu exerccio no pode sofrer qualquer outro tipo de limitao voluntria.

    09. (ANALIS/JUD/TRE/MS/2007/FCC adaptada) No que concerne aos direitos da personalidade correto afirmar que:

    Eles so intransmissveis e irrenunciveis, em regra, mas o seu exerccio poder sofrer limitao voluntria.

    GAB 1 A 2 E 3 A 4 E 5 C 6 D 7 C 8 D 9 E

    Art.12. Pode-se exigir que cesse a ameaa, ou a leso, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuzo de outras sanes previstas em lei.

    Pargrafo nico. Em se tratando de morto, ter legitimao para requerer a medida prevista neste artigo o cnjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral at o quarto grau.

    1. BREVES COMENTRIOS

    Legitimidade. O dispositivo trata da questo da legitimao e do momento adequado para a defesa dos direitos da personalidade. Inicialmente, compete exclusivamente ao titular do direito a legitimidade processual para a defesa deles em Juzo, j que ningum pode, em nome prprio, pleitear direito alheio, salvo quando autorizado por lei, conforme dispe o art.6 do CPC. No entanto, o dispositivo em anlise prescreve que, em se tratando de morto, ter legitimao o cnjuge (ou com-panheiro) sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral at o quarto grau.

    Preveno e represso. O dispositivo menciona a possibilidade de se recorrer ao Judicirio contra leso (dano j ocorrido) ou ameaa (dano prestes a acontecer) a direito da personalidade. Considerada a perspectiva existencialista da codificao vigente, no se afigura razovel aguardar a concretizao do prejuzo se h como evitar sua ocorrncia e reafirmar a supremacia do princpio da dignidade da pessoa humana. Afinal, se a perspectiva patrimonialista cedeu lugar proteo dos direitos existenciais dos indivduos, deve o julgador utilizar a tcnica processual dentro deste norte, prestigiando a proteo dos direitos, no sua mera reparao ou compensao.

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    Art. 12 TTULO I DAS PESSOAS NATURAIS.

    2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDNCIAS

    ` DIREITO CIVIL. DANO MORAL DECORRENTE DA UTILIZAO NO AUTORIZADA DE IMAGEM EM CAM-PANHA PUBLICITRIA. Configura dano moral a divulgao no autorizada de foto de pessoa fsica em campanha publicitria promovida por sociedade empresria com o fim de, mediante incentivo ma-nuteno da limpeza urbana, incrementar a sua imagem empresarial perante a populao, ainda que a fotografia tenha sido capturada em local pblico e sem nenhuma conotao ofensiva ou vexaminosa. Efetivamente, cabvel compensao por dano moral decorrente da simples utilizao de imagem de pessoa fsica, em campanha publicitria, sem autorizao do fotografado. Essa a interpretao que se extrai dos precedentes que definiram a edio da Smula403 do STJ, segundo a qual "Independe de prova do prejuzo a indenizao pela publicao no autorizada de imagem de pessoa com fins econmicos ou comerciais". Prece-dentes citados: EREsp230.268-SP, Segunda Seo, DJ de4/8/2003; AgRg no REsp1.252.599-RS, Terceira Turma, DJe de5/5/2014; e AgRg no AREsp148.421-SP, Quarta Turma, DJe de25/10/2013. REsp1.307.366-RJ, Rel. Min. Raul Arajo, julgado em3/6/2014.

    ` STJ495 DANOS MORAIS. LEGITIMIDADE AD CAUSAM. NOIVO. MORTE DA NUBENTE. Inicialmente, des-tacou o Min. Relator que a controvrsia em exame legitimidade para propor ao de reparao por danos extrapatrimoniais em decorrncia da morte de ente querido apesar de antiga, no est resolvida no mbito jurisprudencial. Entretanto, alguns pontos vm se firmando em recentes decises judiciais. De fato, no h dvida quanto legitimidade ativa do cnjuge, do companheiro e dos parentes de primeirograu do falecido. Da mesma forma, unssono que, em hipteses excepcionais, o direito indenizao pode ser es-tendido s pessoas estranhas ao ncleo familiar, devendo o juiz avaliar se as particularidades de cada caso justificam o alargamento a outros sujeitos que nele se inserem. Nesse sentido, inclusive, a Turma j conferiu legitimidade ao sobrinho do falecido que integrava o ncleo familiar, bem como sogra que fazia as vezes da me. Observou o Min. Relator que, diante da ausncia de regra legal especfica acerca do tema, caberia ao juiz a integrao hermenutica. (...) sustentou-se que o esprito do ordenamento jurdico brasileiro afasta a legitimao daqueles que no fazem parte do ncleo familiar direto da vtima. Dessarte, concluiu-se que a legitimao para a propositura da ao por danos morais deve alinhar-se ordem de vocao hereditria, com as devidas adaptaes, porquanto o que se busca a compensao exatamente de um interesse extrapatrimonial. (...). Segundo se afirmou, conferir a possibilidade de indenizao a sujeitos no inse-ridos no ncleo familiar acarretaria a diluio indevida dos valores em prejuzo dos que efetivamente fazem jus reparao. Acrescentou-se, ainda, o fato de ter havido a mitigao do princpio da reparao integral do dano, com o advento da norma prevista no art.944, pargrafo nico, do novo CC. O sistema de responsabilidade civil atual rechaa indenizaes ilimitadas que alcanam valores que, a pretexto de reparar integralmente vtimas de ato ilcito, revelam ntida desproporo entre a conduta do agente e os resultados ordinariamente dela esperados. Assim, conceder legitimidade ampla e irrestrita a todos aqueles que, de alguma forma, suportaram a dor da perda de algum significa impor ao obrigado um dever tambm ilimitado de reparar um dano cuja extenso ser sempre desproporcional ao ato causador. Portanto, alm de uma limitaoquantitativa da condenao, necessria a limitaosubjetiva dos beneficirios nos termos do artigo supracitado. (...).Precedentes citados: REsp239.009-RJ, DJ4/9/2000, e REsp865.363-RJ, DJe11/11/2010. REsp1.076.160-AM, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em10/4/2012.

    ` STJ500 REDES SOCIAIS. MENSAGEM OFENSIVA. REMOO. PRAZO. A Turma entendeu que, uma vez noti-ficado de que determinado texto ou imagem possui contedo ilcito, o provedor deve retirar o material do ar no prazo de24 horas, sob pena de responder solidariamente com o autor direto do dano, pela omisso praticada. Consignou-se que, nesse prazo (de24 horas), o provedor no est obrigado a analisar o teor da denncia recebida, devendo apenas promover a suspenso preventiva das respectivas pginas, at que tenha tempo hbil para apreciar a veracidade das alegaes, de modo que, confirmando-as, exclua definiti-vamente o perfil ou, tendo-as por infundadas, restabelea o seu livre acesso. Entretanto, ressaltou-se que o diferimento da anlise do teor das denncias no significa que o provedor poder posterg-la por tempo indeterminado, deixando sem satisfao o usurio cujo perfil venha a ser provisoriamente suspenso. (...). Por fim, salientou-se que, tendo em vista a velocidade com que as informaes circulam no meio virtual, indispensvel que sejam adotadas, clere e enfaticamente, medidas tendentes a coibir a divulgao de contedos depreciativos e aviltantes, de sorte a reduzir potencialmente a disseminao do insulto, a fim de minimizar os nefastos efeitos inerentes a dados dessa natureza. REsp1.323.754-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em19/6/2012.

    ` STJ500 CDC. RESPONSABILIDADE CIVIL. PROVEDOR DE INTERNET. ANNCIO ERTICO. Para a Turma, o recorrente deve ser considerado consumidor por equiparao, art.17 do CDC, tendo em vista se tratar de ter-ceiro atingido pela relao de consumo estabelecida entre o provedor de internet e os seus usurios. Segundo

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    o CDC, existe solidariedade entre todos os fornecedores que participaram da cadeia de prestao de servio, comprovando-se a responsabilidade da segunda recorrida, que divulgou o anncio de cunho ertico e homos-sexual, tambm est configurada a responsabilidade da primeira recorrida, site hospedeiro, por imputao legal decorrente da cadeia de consumo ou pela culpa in eligendo, em razo da parceria comercial. Ademais, incua a limitao de responsabilidade civil prevista contratualmente, pois no possui fora de revogar lei em sentido formal. REsp997.993-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em21/6/2012.

    ` STJ499 INDENIZAO. MATRIA JORNALSTICA. DIREITO DE INFORMAR. LIBERDADE DE IMPRENSA. A Turma deu provimento ao recurso para afastar a responsabilizao da empresa jornalstica, ora recorrente, pelo pagamento de indenizao ao recorrido (magistrado), sob o entendimento de que, no caso, no existiria ilcito civil, pois a recorrente teria atuado nos limites do exerccio de informar e do princpio da liberdade da imprensa. (...). Na hiptese dos autos, tem-se que a matria jornalstica relacionou-se a fatos de interesse da coletividade, os quais dizem respeito diretamente aos atos e comportamentos do recorrido na condio de autoridade. Tratou a recorrente, na reportagem, em abordagem no apenas noticiosa, mas sobretudo de cida crtica que atingiu o ora recorrido, numa zona fronteiria, de marcos imprecisos, entre o limite da liberdade de expresso e o limiar do abuso do direito ao exerccio dessa liberdade. Esses extremos podem ser identificados no ttulo e noutras passagens sarcsticas da notcia veiculada de forma crtica. Essas, porm, esto inseridas na matria jornalstica de cunho informativo, baseada em levantamentos de fatos de interesse pblico, que no extrapola claramente o direito de crtica, principalmente porque exercida em relao a casos que ostentam gravidade e ampla repercusso social. O relatrio final da CPI do Judicirio fora divulgado no mesmo ms da publicao da matria jornalstica, em dezembro de1999; elaborada, portanto, sob o impacto e a influncia daquele documento pblico relevante para a vida nacional. E como fatos graves foram imputados ao ora recorrido naquele relatrio, natural que revista de circulao nacional tenha dado destaque notcia e emitido custica opinio, entendendo-se amparada no teor daquele documento pblico. Portanto, essa contem-poraneidade entre os eventos da divulgao do relatrio final da CPI e da publicao da notcia eivada de cida crtica ao magistrado levada em conta para descaracterizar o abuso no exerccio da liberdade de imprensa. Desse modo, embora no se possa duvidar do sofrimento experimentado pelo recorrido, a revelar a presena de dano moral, este no se mostra indenizvel, dadas as circunstncias do caso, por fora daquela imperiosa clusula de modicidade subjacente a que alude a Suprema Corte no julgamento da ADPF130-DF. Precedentes citados do STF: ADPF130-DF, DJe de5/11/2009; do STJ: REsp828.107-SP, DJ25/9/2006. REsp801.109-DF, Rel. Min. Raul Arajo, julgado em12/6/2012.

    Observao dos autores: A imperiosa clusula de modicidade a que se refere o informativo, destacada quando da ADPF130-DF, em que se julgou no recepcionada (inconstitucional) a Lei de Imprensa, estabelece que o agente pblico ou que exera funo pblica est sob constante viglia social, no estando, portanto, imune a crticas. Qualquer suposta agresso honra de um agente pblico deve ser sopesada com ateno especial, pois do contrrio correr-se-ia o risco de criar nebulosa viso da sociedade sobre os atos por tais pessoas efetivados, o que, de mais a mais, poderia at mesmo impossibilitar a fiscalizao sobre estes agentes.

    ` STJ497 DIREITO AUTORAL. RETRANSMISSO. TV. CLNICA MDICA. A Turma, seguindo entendimento firmado nesta Corte, assentou que legtima a cobrana de direito autoral de clnicas mdicas pela dis-ponibilizao de aparelhos de rdio e televiso nas salas de espera. Segundo a legislao de regncia, a simples circunstncia de promover a exibio pblica da obra artstica em local de frequncia coletiva caracteriza o fato gerador da contribuio, sendo irrelevante o auferimento de lucro como critrio indicador do dever de pagar retribuio autoral. Nos termos do disposto nos arts.28 e29, VIII, da Lei n 9.610/1998, a utilizao direta ou indireta de obra artstica por meio de radiodifuso sonora ou televisiva enseja direito patrimonial ao autor, titular exclusivo da propriedade artstica. Alm disso, a hiptese dos autos estaria expressamente prevista em lei. Precedentes citados: REsp556.340-MG, DJ11/10/2004, e REsp742.426-RJ, DJe15/3/2010. REsp1.067.706-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em8/5/2012.

    ` STJ497 DIREITO PATRIMONIAL. OBRA CINEMATOGRFICA. A remunerao dos intrpretes em obra cine-matogrfica, salvo pactuao em contrrio, a previamente estabelecida no contrato de produo o que no confere ao artista o direito retribuio pecuniria pela explorao econmica posterior do filme. Com base nesse entendimento, a Turma negou atriz principal o repasse dos valores recebidos pela produtora na comercializao e distribuio das fitas de videocassete do filme em que atuou. Asseverou-se que os direi-tos patrimoniais decorrentes da exibio pblica da obra, em regra, devem ser recolhidos por seus

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    Art. 12 TTULO I DAS PESSOAS NATURAIS.

    autores diretor, produtor ou emissoras de televiso, conforme o caso (art.68, 3, da Lei n 9.610/1998). REsp1.046.603-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em8/5/2012.

    ` STJ495 DANOS MORAIS. MATRIA JORNALSTICA. PUBLICAO DE FOTO SEM AUTORIZAO. A Turma negou provimento ao especial e manteve a indenizao em favor do recorrido na importncia de R$50 mil, pelo uso indevido de sua imagem em matria jornalstica. Trata-se, na espcie, de ao de reparao de danos morais proposta contra editora em razo da publicao da fotografia e nome do recorrido sem sua autorizao, em reportagem na qual consta como testemunha de homicdio estava na companhia do jovem agredido e morto ocorrido na Praa da Repblica, na capital paulista, por motivos homofbicos. O Min. Relator destacou que o direito imagem, qualificado como direito personalssimo, assegura a qualquer pessoa a oposio da divulgao da sua imagem, em circunstncias concernentes a sua vida privada e intimidade. Observou, contudo, que a veiculao de fotografia sem autorizao no gera, por si s, o dever de indenizar, sendo necessria a anlise especfica de cada situao.No presente caso, reputou-se que a matria jornalstica teve como foco a intimidade do recorrido, expondo, de forma direta e clara, sua opo sexual. (...). REsp1.235.926-SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em15/3/2012.

    ` STJ495 INDENIZAO. MATRIA JORNALSTICA. DIREITO DE INFORMAR. LIBERDADE DE IMPRENSA. (...) Inicialmente, observou o Min. Relator que, em se tratando de matria veiculada pela imprensa, a responsabili-dade civil por danos morais emerge quando a reportagem for divulgada com a inteno de injuriar, difamar ou caluniar. Nessas hipteses, a responsabilidade das empresas jornalsticas seria de natureza subjetiva, dependendo da aferio de culpa, sob pena de ofensa liberdade de imprensa. Assentou, ainda, que, se o fato divulgado for verdico e estiver presente o interesse pblico na informao, no h que falar em abuso na veiculao da notcia, caso em que, por consectrio, inexiste o dever de indenizar, sendo essa a hiptese dos autos. (...). Con-signou, ademais, que a matria escorou-se em fatos objetivos e de notria relevncia, o que afasta a ilicitude da divulgao, sendo que, em momento algum, foi publicada a fotografia ou o nome completo da recorrida. Pelo contrrio, a reportagem trouxe a imagem da verdadeira autora do discurso, identificando-a pelo seu prprio nome. Dessa forma, ainda que tenham nomes similares, no seria crvel ter havido confuso entre aquela e a ora recorrida. REsp1.268.233-DF, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em15/3/2012.

    ` STJ495 DANO MORAL. DIREITO DE INFORMAR E DIREITO IMAGEM. O direito de informar deve ser ana-lisado com a proteo dada ao direito de imagem. O Min. Relator, com base na doutrina, consignou que, para verificao da gravidade do dano sofrido pela pessoa cuja imagem utilizada sem autorizao prvia, devem ser analisados: (i) o grau de conscincia do retratado em relao possibilidade de captao da sua imagem no contexto da imagem do qual foi extrada; (ii) o grau de identificao do retratado na imagem veiculada; (iii) a amplitude da exposio do retratado; e (iv) a natureza e o grau de repercusso do meio pelo qual se d a divulgao. De outra parte, o direito de informar deve ser garantido, observando os seguintes parmetros:(i) o grau de utilidade para o pblico do fato informado por meio da imagem; (ii) o grau de atualidade da imagem; (iii) o grau de necessidade da veiculao da imagem para informar o fato; e (iv) o grau de preservao do contexto originrio do qual a imagem foi colhida. (...)Precedentes citados: REsp267.529-RJ, DJ de18/12/2000; REsp1.219.197-RS, DJe de17/10/2011; REsp1.005.278-SE, DJe de11/11/2010; REsp569.812-SC, DJ de1/8/2005. REsp794.586-RJ, Rel. Min. Raul Arajo, julgado em15/3/2012.

    ` STJ495 DANO MORAL. PUBLICAO. REVISTA. (...) A Turma, por maioria, deu provimento ao recurso por entender que a lei no fixa valores ou critrios para a quantificao do valor do dano moral. Ademais, essa Corte tem-se pronunciado no sentido de que o valor de reparao do dano deve ser fixado em montante que desestimule o ofensor a repetir a falta, sem constituir, de outro lado, enriquecimento indevido. No caso, o desestmulo ao tipo de ofensa, juridicamente catalogada como injria, deve ser enfatizado. No importa quem seja o ofendido, o sistema jurdico reprova sejam-lhe dirigidos qualificativos pessoais ofensivos honra e dignidade. A linguagem oferece larga margem de variantes para externar a crtica sem o uso de palavras e expresses ofensivas. O desestmulo ao escrito injurioso em grande e respeitado veculo de comunicao autoriza a fixao da indenizao mais elevada, moda do punitive damage do direito anglo-americano, revi-vendo lembranas de suas consequncias para a generalidade da comunicao de que o respeito dignidade pessoal se impe a todos. Por outro lado, no se pode deixar de atentar aos fundamentos da qualidade da ofensa pessoal considerados pela douta maioria no julgamento, salientando que o recorrente, absolvido, mesmo que por motivos formais, da acusao da prtica do crime de corrupo e ainda que sancionado com o julgamento poltico do impeachment, veio a cumprir o perodo legal de excluso da atividade poltica e, posteriormente, eleito senador da Repblica, chancelado pelo respeitvel fato da vontade popular. (...). Vencidos em parte o Min. Relator e o Min. Paulo de Tarso Sanseverino, que proviam em menor extenso ao fixar a indenizao em R$150 mil. REsp1.120.971-RJ. Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em28/2/2012.

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    ` RE-ARE660.861-MG. Rel. Min. Luiz FuxGoogle. Redes sociais. Sites de relacionamento. Publicao de men-sagens na internet. Contedo ofensivo. Responsabilidade civil do provedor. Danos morais. Indenizao. Coliso entre liberdade de expresso e de informao vs. Direito privacidade, intimidade, honra e imagem. Repercusso geral reconhecida. (Info687,2012)

    ` Ao indenizatria. Legitimidade. Se reconhece, ante as particularidades do caso concreto, a legitimidade da sogra para propor ao indenizatria por acidente de trnsito que vitimou o genro. Na espcie, ficaram demonstradas a relao de proximidade entre ambos, j que a vtima morava na casa da autora e era ela a responsvel pela criao dos netos, e a sade debilitada de sua filha, companheira da vtima. REsp865.363, rel. Min. Aldir Passarinho Jr.,21.10.10.4 T. (Info452,2010)

    ` Dano moral. Uso indevido. Imagem. Trata-se de ao de indenizao por danos morais pelo uso indevido de imagem em programa de TV (recorrente) que filmou a autora aps despejar baratas vivas quando ela transitava em via pblica, o que, segundo o TJ, no se poderia confundir com mera brincadeira devido ao terror imposto que, inclusive, repercutiu na atividade psquica da vtima. Para coibir esse tipo de conduta, o TJ fixou a inde-nizao em montante equivalente a500 salrios mnimos. Agora, a TV alega a ocorrncia da decadncia nos termos da Lei5.250/67 (Lei de Imprensa) e a necessidade de reduo do valor da indenizao. A limitao do prazo decadencial disposta na citada lei no foi recepcionada pela CF, uma vez que incompatvel com seu art.5, X, que erigiu o dano moral a direito fundamental do cidado, de sorte que inadmissvel tratamento temporal diferenciado e privilegiado para essa espcie de leso, apenas porque perpetrada pela mdia, seus agentes e colaboradores. Ademais, o Plenrio do STF declarou inconstitucional a Lei de Imprensa por inteiro. Considera-se elevado o quantum arbitrado, embora ressalte no desconhecer a situao de absoluto constrangimento, pavor e ridicularizao sofrida pela recorrida, que teve despejadas inmeras baratas vivas sobre seu corpo, agravada pelo fato de que essas imagens foram veiculadas em programa televisivo sem a devida autorizao. Assim, devido aos constrangimentos sofridos pela recorrida, adequou a condenao em proporcionalidade leso e fixou o valor indenizatrio em cem mil reais, englobando os danos morais e a exposio indevida da imagem, corrigidos a partir da data desse julgamento. REsp1.095.385, rel. Min. Aldir Passarinho Jr.,7.4.11.4 T. (Info468,2011)

    ` Dano moral. Nepotismo cruzado. Reportagem televisiva. Busca-se, em sntese, a qualificao jurdica a ser conferida divulgao de imagens de magistrados (desembargadores estaduais), entre as quais a do ora recorrido, reunidos no ambiente habitual de trabalho, com o escopo de ilustrar reportagem sobre a prtica do denominado nepotismo cruzado no mbito dos Poderes locais, veiculada em programa jornalstico apresen-tado pela emissora de TV ora recorrente. No a simples divulgao da imagem que gera o dever de indenizar; faz-se necessria a presena de outros fatores que evidenciem o exerccio abusivo do direito de informar ou mesmo de divulgar a imagem, causando situao vexatria no caso das pessoas pblicas, assim denominadas pela doutrina. Consoante a sentena confirmada pelo acrdo recorrido, a primeira imagem que aparece na reportagem televisiva questionada a do recorrido, cinematografada em close-up, ligando diretamente a pessoa dele ao nepotismo cruzado, e a matria veiculada (com som e imagem) exatamente no sentido de abominar os envolvidos em tal prtica. A exposio da imagem dos magistrados presentes sesso de julgamento, com a focalizao em close up do recorrido, juiz no vinculado com os fatos noticiados, no incio da matria no era necessria para o esclarecimento do objeto da reportagem, consistindo, portanto, dada a interpretao da prova prevalente nas instncias ordinrias, em abuso do direito de noticiar. Quanto ao valor da indenizao, es-tabelecido em R$50 mil em outubro de2008, considerou-o adequado, tendo em vista o grande alcance do meio de comunicao utilizado para veicular, em horrio nobre, a imagem causadora do dano moral. REsp1.237.401, rel. Min. Maria Gallotti,21.6.11.4 T. (Info478,2011)

    ` Dano. Imagem. Nome. Guia. Plano. Sade. O nome um dos atributos da personalidade, pois faz reconhecer seu portador na esfera ntima e em suas relaes sociais. O nome personifica, individualiza e identifica a pessoa de forma a poder impor-lhe direitos e obrigaes. Desse modo, a incluso dos nomes dos mdicos recorridos em guia de orientao de plano de sade sem que haja a devida permisso dano presumido imagem, o que gera indenizao sem que se perquira haver prova de prejuzo. REsp1.020.936, rel. Min. Luis Salomo,17.2.11.4 T. (Info463,2011)

    ` Direito civil. Danos morais. Matria jornalstica sobre pessoa notria. No constitui ato ilcito apto pro-duo de danos morais a matria jornalstica sobre pessoa notria a qual, alm de encontrar apoio em matrias anteriormente publicadas por outros meios de comunicao, tenha cunho meramente investigativo, revestindo--se, ainda, de interesse pblico, sem nenhum sensacionalismo ou intromisso na privacidade do autor. O embate em exame revela, em verdade, coliso entre dois direitos fundamentais, consagrados tanto na CF quanto na legislao infraconstitucional: o direito de livre manifestao do pensamento de um lado e, de outro lado, a