of 24/24

1573 leia algumas paginas

  • View
    223

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of 1573 leia algumas paginas

  • 43

    Introduo ao Direito Eleitoral

    captulo i

    intRoduo ao diReito eleitoRal

    SUMRIO 1. Introduo ao Direito Eleitoral. 1.1. Conceito de Direito Eleitoral. 1.2. Objeto. 1.3. Taxonomia e autonomia. 1.4. Fontes. 1.4.1. Fontes diretas. 1.4.2. Fontes indiretas. 1.5. Codificaes eleitorais. 1.6. Competncia legislativa. 1.7. Princpios eleitorais. 1.7.1. Conceito de princpio. 1.7.2. Princpios eleitorais em espcie. 1.7.2.1. Princpio da anualidade ou da anterioridade da lei eleitoral. 1.7.2.2. Princpio da celeridade. 1.7.2.3. Princpio da periodicidade da investidura das funes eleitorais. 1.7.2.4. Princpio da lisura das eleies ou da isonomia de oportunidades. 1.7.2.5. Princpio da responsabilidade solidria entre candidatos e partidos polticos. 2. Sinopse. 3. Para conhecer a jurisprudncia. 3.1. Informativos. 3.2. Jurisprudncia selecionada. 4. Questes de exames e concursos. 4.1. Questo extra. 5. Gabarito.

    1. INTRODUO AO DIREITO ELEITORAL

    1.1. Conceito de Direito EleitoralSegundo Fvila Ribeiro1, o Direito Eleitoral, precisamente, dedica-se ao estudo das normas

    e procedimentos que organizam e disciplinam o funcionamento do poder de sufrgio popular, de modo a que se estabelea a precisa adequao entre a vontade do povo e a atividade governamental.

    De acordo com Omar Chamon2, o Direito Eleitoral, ramo autnomo do direito pblico, regula os direitos polticos e o processo eleitoral. Todas as Constituies trataram dessa matria. Cuida-se de instrumento para a efetiva democracia, ou seja, estuda-se a influncia da vontade popular na atividade estatal.

    Na lio de Joel Jos Cndido3, Direito Eleitoral o ramo do Direito Pblico que trata de institutos relacionados com os direitos polticos e das eleies, em todas as suas fases, como forma de escolha dos titulares dos mandatos eletivos e das instituies do Estado.

    Conceituamos o Direito Eleitoral como o ramo do Direito Pblico constitudo por normas e princpios disciplinadores do alistamento, da conveno partidria, do registro de candidatos, da propaganda poltica, da votao, da apurao e da diplomao dos eleitos, bem como das aes, medidas e demais garantias relacionadas ao exerccio do sufrgio popular.

    1.2. ObjetoIncumbe ao Direito Eleitoral tratar sobre:

    1. RIBEIRO,Fvila.Direitoeleitoral,RiodeJaneiro:Forense,2000,p.04.

    2. CHAMON,Omar.Direitoeleitoral.SoPaulo:Mtodo,2006,p.21.

    3. CNDIDO,JoelJos.Direitoeleitoralbrasileiro.SoPaulo:Edipro,2004,p.20.

  • 44

    Roberto Moreira de Almeida

    A organizao da Justia e do Ministrio Pblico Eleitoral;

    As diversas fases do processo eleitoral:

    a) o alistamento eleitoral: inscrio, transferncia, reviso, cancelamento e excluso de eleitores;

    b) a conveno partidria: momento e disciplinamento para escolha de candidatos e forma-lizao de coligaes;

    c) o registro de candidatos: competncia dos rgos jurisdicionais, documentao necessria para o registro e demais regras especficas;

    d) a propaganda poltica: o disciplinamento da propaganda partidria, intrapartidria e eleitoral;

    e) os atos preparatrios votao: distribuio das sees eleitorais e sua composio, material para votao, organizao das mesas receptoras e respectiva fiscalizao;

    f ) a votao: a forma do voto e do sufrgio, os lugares de votao, a polcia dos trabalhos, o horrio de incio e de encerramento da votao;

    g) a apurao; e

    h) a diplomao dos eleitos.

    A estruturao dos partidos polticos;

    A fixao das regras de competncia e procedimentos em matria eleitoral;

    O estabelecimento de punies administrativas e criminais no mbito eleitoral, etc.

    1.3. Taxonomia4 e autonomia

    O Direito Eleitoral, na atualidade, , indubitavelmente, ramo do direito pblico, pois cuida, sobretudo, das medidas e demais garantias relacionadas ao exerccio do sufrgio popular.

    No menos indiscutvel asseverar que o Direito Eleitoral adquiriu autonomia cientfica, didtica e normativa.

    Dizemos que h autonomia cientfica porque existem normas e princpios prprios de Di-reito Eleitoral.

    A autonomia didtica calca-se na presena de disciplinas especficas de Direito Eleitoral nos cursos de graduao e ps-graduao em direito.

    No que concerne autonomia normativa, encontramos no ordenamento jurdico brasileiro uma grande quantidade de normas jurdicas autnomas e especficas de Direito Eleitoral, exempli gratia, dentre outras, a Lei n 4.737, de 15 de julho de 1965 (Cdigo Eleitoral); a Lei n 9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei Orgnica dos Partidos Polticos); a Lei n 9.504, de 30 de se-tembro de 1997 (Lei das Eleies); e a Lei Complementar n 64, de 18 de maio de 1990 (Lei das Inelegibilidades). Tais diplomas legais so normas jurdicas de efeito cogente ou imperativas, isto

    4. Taxonomiaoutaxionomiaconsistenacinciadaclassificao.

  • 45

    Introduo aoDireito Eleitoral

    , no podem ser alteradas em prol de interesses de particulares (eleitores, candidatos ou partidos polticos) envolvidos no processo eleitoral.

    1.4. Fontes

    As fontes5 do Direito Eleitoral, isto , aquelas que dizem respeito sua origem ou ao fun-damento do direito, esto classificadas em dois grandes grupos: fontes diretas ou primrias e indiretas ou secundrias.

    1.4.1. Fontes diretas

    So fontes diretas ou primrias do Direito Eleitoral, dentre outras:

    A) A Constituio Federal6

    a fonte suprema.

    O Direito Eleitoral brasileiro, como todos os demais ramos da dogmtica jurdica, retira seu fundamento de validade da Constituio Federal promulgada e publicada em cinco de outubro de 1988.

    nela onde esto inseridos os princpios fundamentais eleitoralsticos, as disposies acerca da forma e do sistema de governo; regras gerais sobre nacionalidade, direitos polticos e partidos polticos, bem como, dentre outros relevantes temas, a organizao da Justia Eleitoral e a com-petncia legislativa em matria eleitoral.

    B) O Cdigo Eleitoral (Lei n 4.737, de 15.07.1965) e leis posteriores que o alteraram

    O Cdigo Eleitoral, embora promulgado poca de sua edio como lei ordinria, foi re-cepcionado como lei complementar pelo art. 121 da Lei pice de 1988.

    Dispe acerca da organizao e do exerccio de direitos polticos, precipuamente os de votar e o de ser votado; estabelece a composio e competncia da Justia Eleitoral; fixa as regras atinentes ao alistamento eleitoral, aos sistemas eleitorais, ao registro de candidaturas, propaganda poltica, aos atos preparatrios e votao propriamente dita, apurao e diplomao dos eleitos.

    5. Ovocbulofonte,originariamente,refere-seaolocalondealgoproduzido,isto,suaprocednciaousuaorigem.Designaanascenteouaminadgua.Nocampojurdico,falam-seemfonteshistricas,materiais(reais)eformais.NasliesdeJohnGilissen:a)fonteshistricas:sotodososdocumentosprviosqueinfluenciaramaformaododiplomanormativo;b)fontesmateriaisoureais:soasconcepesfilosficas,doutrinriaseatreligiosasquejustificamodireitopostoemdeterminadapoca;ec)fontesformais:soasformasdeexpressododireitoerefletemosmeiosdeelaboraoesistematizaodasnormasjurdicasedodireitoemumdeterminadogruposociopoltico[GILISSEN,John,Introduohistricaaodireito.Lisboa:CalousteGulbenkian,1986,p.135].Elencam-seaindaasfontesformaisestatais(asoriundasdodevidoprocessolegislativo)easfontesformaisnoestatais(aquelasnopositivadas,ouseja,oscostumeseonegciojurdico).

    6. Porsimetriaconstitucional,pode-sedizerqueasConstituiesEstaduais,aLeiOrgnicadoDistritoFederaleasLeisOrgnicasdosMunicpiostambmsofontesdiretasdeDireitoEleitoral.

  • 46

    Roberto Moreira de Almeida

    Aborda, ademais, as garantias eleitorais, os recursos e as disposies penais e processuais penais eleitorais.

    Est em vigor, salvo na parte no recepcionada pelo texto constitucional, bem como na parte derrogada pela legislao superveniente.

    C) A Lei Orgnica dos Partidos Polticos (Lei n 9.096, de 19.09.1995)

    A LOPP dispe, dentre outros assuntos, sobre a criao e o registro dos partidos polticos; o funcionamento parlamentar; o programa, o estatuto e a filiao partidria; a fidelidade e a disciplina partidrias; a fuso, a incorporao e a extino das agremiaes partidrias; a pres-tao de contas e o fundo partidrio, bem como o acesso gratuito das entidades partidrias ao rdio e televiso.

    D) A Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar n 64, de 18.05.1990)

    A LC n 64/90 regulamenta o 9 do art. 14 da Constituio Federal, ao fixar os casos especficos de inelegibilidade, os prazos de cessao e determina outras providncias. Foi substan-cialmente alterada pela Lei da Ficha Limpa (LC n 135/10).

    E) A Lei das Eleies (Lei n 9.504, de 30 de setembro de 1997)

    A LE Fixa normas gerais para as eleies brasileiras, tais como as regras atinentes formao de coligaes, ao registro de candidatos, arrecadao e aplicao de recursos nas campanhas eleitorais, prestao de contas, s pesquisas e testes pr-eleitorais, propaganda eleitoral em geral, ao direito de resposta, ao sistema eletrnico de votao e totalizao dos votos, s Mesas Receptoras, fiscalizao das eleies, assim como s condutas vedadas aos agentes pblicos em campanhas eleitorais.

    X INDAGAO DIDTICA 3 Medida provisria pode ser editada sobre matria eleitoral ou partidria?

    No. vedada a edio de medidas provisrias sobre matria relativa a nacionalidade, a cidadania, a direitos polticos, a partidos polticos e a Direito Eleitoral (CF, art. 22, 1, inc. I, alnea a, de acordo com a EC n 32/01).

    1.4.2. Fontes indiretasSo chamadas fontes indiretas ou subsidirias porque podem ser aplicadas supletivamente

    ao Direito Eleitoral, a saber:

    A) Cdigo Penal (CP)

    O CP fixa as regras gerais para a aplicao da lei penal (anterioridade da lei, lei penal no tempo, lei excepcional ou temporria, tempo do crime, territorialidade, lugar do crime, extraterritorialidade, pena cumprida no estrangeiro, eficcia de sentena estrangeira, contagem de prazo e fraes no computveis da pena), do crime (relao de causalidade, supervenincia de causa independente,

  • 47

    Introduo aoDireito Eleitoral

    relevncia da omisso, crime consumado e tentado, desistncia voluntria e arrependimento eficaz, arrependimento posterior, crime impossvel, crimes dolosos e culposos, descriminantes putativas e erros sobre elementos do tipo e sobre a ilicitude do fato, coao irresistvel e obedincia hierrquica e excluso da ilicitude por estado de necessidade, legtima defesa, estrito cumprimento do dever legal ou por exerccio regular do direito), da imputabilidade penal, do concurso de pessoas, das penas (privativas de liberdade, restritivas de direitos e multa), da aplicao da pena (fixao da pena, critrios especiais da pena de multa, circunstncias agravantes e atenuantes, clculo da pena no concurso material, no concurso formal e no crime continuado, limites das penas em trinta anos), da suspenso condicional da pena, do livramento condicional, dos efeitos da condenao, da reabilitao, das medidas de segurana e da extino de punibilidade7.

    B) Cdigo de Processo Penal (CPP)

    O CPP estabelece o disciplinamento relativo ao processo penal em geral8 [inqurito poli-cial, ao penal, ao civil, competncia, questes prejudiciais e processos incidentes, conflito de jurisdio, restituio das coisas apreendidas, medidas assecuratrias, incidentes de falsidade e mental do acusado, meios de prova em geral, atores processuais (juiz, Ministrio Pblico, acusa-do, defensor, assistentes e auxiliares da justia), priso, medidas cautelares e liberdade provisria, citaes e intimaes, aplicao provisria de interdies de direitos e medidas de segurana e sentena], aos processos em espcie, execuo, s nulidades e aos recursos em geral, bem como s relaes jurisdicionais com autoridades estrangeiras.

    C) Cdigo Civil (CC).

    O Direito Civil fornece ao Direito Eleitoral, dentre outros, os conceitos de domiclio, pessoa fsica e jurdica, capacidade, responsabilidade, direitos de personalidade, decadncia e prescrio.

    Tambm fixa os graus de parentesco e regramentos para casamento, unio estvel e unio homoafetiva, temas indispensveis para a aplicabilidade das diretrizes atinentes s inelegibilidades.

    Por fim, nas campanhas eleitorais, indispensvel conhecer diversos institutos jurdicos ori-ginalmente civilsticos, tais como doao de recursos (a partidos polticos e candidatos), assuno de dvidas e cesses de dbitos, fornecimento de materiais e prestao de servios.

    D) Cdigo de Processo Civil (CPC).

    O CPC orienta os operadores do direito como devem proceder na contagem dos prazos processuais e estabelece diretrizes gerais recursais.

    aplicado subsidiariamente ao processo eleitoral em tudo aquilo em que a lei eleitoral no tenha disposto de forma diversa.

    7. Especialdestaqueestcontidonoart.12doCdigoPenal:AsregrasgeraisdesteCdigoaplicam-seaosfatosincriminadosporleiespecial,seestanodispuserdemododiverso.Nomesmodiapaso,dispeoart.287doCdigoEleitoral:Aplicam-seaosfatosincriminadosnestaLeiasregrasgeraisdoCdigoPenal.

    8. ApropsitodaaplicaosubsidiriaousupletivadoCPPaoprocessopenaleleitoral,rezaoart.364doCdigoEleitoral:Noprocessoejulgamentodoscrimeseleitoraisedoscomunsquelheforemconexos,assimcomonosrecursosenaexecuo,quelhesdigamrespeito,aplicar-se-comoleisubsidiriaousupletiva,oCdigodeProcessoPenal.

  • 48

    Roberto Moreira de Almeida

    E) Resolues do Tribunal Superior Eleitoral910

    De grande valia as resolues emanadas do TSE (plenrio do TSE).

    Esto relacionadas ao poder normativo da Justia Eleitoral, cujo respaldo legal est encartado nos arts. 1, pargrafo nico c/c o art. 23, inc. IX do Cdigo Eleitoral.

    Entendemos que, no obstante figurarem como uma das fontes de maior importncia do Direito Eleitoral, devem ser editadas no exerccio do poder regulamentar, ou seja, como norma secundum legem.

    Com efeito, reza a Lei das Eleies: At o dia 5 de maro do ano da eleio, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao carter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanes distintas das previstas nesta Lei, poder expedir todas as instrues necessrias para sua fiel execuo, ouvidos, previamente, em audincia pblica, os delegados ou representantes dos partidos polticos (Lei n 9.504/97, art. 105, caput, com redao dada pela Lei n 12.034/09).

    Na prtica, todavia, tem-se observado crescente expanso da atividade regulamentar do TSE, com a edio de resolues com contedo de norma autnoma no emanada do Congresso Nacional, o que fez, certamente, alguns doutrinadores a classificarem tais atos normativos como fontes primrias ou diretas de Direito Eleitoral11.

    F) Consultas12

    O TSE pode responder, sobre matria eleitoral, s consultas que lhe forem feitas, em tese, por autoridade com jurisdio federal ou por rgo nacional de partido poltico (competncia consultiva prevista no inc. XII do art. 23 do Cdigo Eleitoral decorrente de delegao constitu-cional contida no art. 121 da CF/88).

    Dois so os requisitos para que possam ser respondidas (condies de admissibilidade):

    i) apresentao por autoridade competente [com jurisdio federal (exempli gratia, Tribunal Regional Eleitoral, Senador da Repblica, Deputado Federal) ou por rgo nacional de agremiao partidria (verbi gratia, presidente do diretrio nacional do PSTU)]; e

    ii) indagao em tese: jamais dever ser respondida consulta formulada sobre fato concreto. Inobstante no terem carter vinculante, podem servir as respostas dadas s consultas como suporte para futuras decises judiciais.

    9. TambmconsideramasresolueseditadaspeloTSEcomofontesindiretasousubsidiriasdeDireitoEleitoral:FvilaRibeiro,FranciscoDirceuBarros,ThalesTcitoCerqueira,CamilaAlbuquerqueCerqueiraeOmarChamon.Esteltimochegaareconhecerquenotarefapacficainformaranaturezajurdicadasresoluesaoasseverar,inverbis:Parece-nosque,porabsolutaausnciadeautorizaoconstitucional,aJustiaEleitoralnotemcom-petnciaparaeditarnormascomopatamardelei.Ajurisprudnciaencontra-sedivididasobreotema(DireitoEleitoral,p.26).

    10. NombitoestadualenoterritriodoDistritoFederal,ostribunaisregionaiseleitoraisdevemcumprirefazercumprirasdeciseseinstruesdoTribunalSuperiorEleitoral(CE,art.30,inc.XVI).

    11. JoelJosCndido,porexemplo,consideraaresoluodoTSEfontediretadeDireitoEleitoral.Asseveraquetalatonormativotemforadeleiordinria(Direitoeleitoralbrasileiro,p.20)

    12. Ostribunaisregionaiseleitoraistambmrespondemaconsultas,sobrematriaeleitoral,emtese,quandoformu-ladasporautoridadepblicaestadualoudoDistritoFederal(exemplo:JuizEleitoral,DeputadoEstadual,diretrioestadual/distritaldepartidopoltico,etc.(CE,art.30,inc.VIII).

  • 49

    Introduo aoDireito Eleitoral

    Da a importncia das consultas para o Direito Eleitoral.

    Acerca das consultas respondidas pelo TSE, a propsito, j assentou o STF13 ser ato norma-tivo em tese, sem efeitos concretos, por se tratar de orientao sem fora executiva com referncia a situao jurdica de qualquer pessoa em particular.

    1.5. Codificaes eleitorais14

    A partir da Revoluo de 1930, o Brasil ingressou na era das codificaes eleitorais. Desde ento, o pas j contou com quatro cdigos, a saber:

    A) O Decreto n 21.076, de 24.02.1932

    O Decreto n 21.076/32 possua 144 artigos e era dividido em cinco partes, o que foi seguido pelos demais cdigos.

    considerado o primeiro Cdigo Eleitoral brasileiro.

    Foi editado sob os reclamos oriundos da Revoluo de 1930.

    Criou a Justia Eleitoral; instituiu o voto feminino; previu o sufrgio universal, o voto direto e secreto em cabina indevassvel; e o eleitor tinha legitimidade para propor ao penal eleitoral.

    B) A Lei n 48, de 04.05.193515

    Tal qual o primeiro, o segundo Cdigo Eleitoral adveio sob a Era Vargas.

    Consistiu em um diploma legal com 217 artigos.

    Disps, em captulo prprio (arts. 49 a 57), acerca da atuao do Ministrio Pblico em todas as fases do processo eleitoral; e acrescentou, como rgos integrantes do Judicirio, as Juntas Eleitorais (na poca chamadas de Juntas Especiais) incumbidas de apurar as eleies municipais.

    Os Juzes Eleitorais passaram a ter competncia para processar e julgar os crimes eleitorais (competncia esta at ento privativa dos Tribunais Eleitorais).

    Reduziu os prazos prescricionais para a prtica de crimes eleitorais para cinco anos (quando previstas penas privativas de liberdade) e dois anos (nos demais casos)16.

    13. STF,RMSn21.185/DF,RelatorMin.MoreiraAlves,j.de14.12.1990.

    14. TramitanoCongressoNacionalprojetodeleicomplementar(PLCn195/94)quesepropeaserofuturoCdigoEleitoralou,naredaodoprpriodiplomanormativo,oCdigodePoderdeSufrgio.

    15. Em1937foidecretadoumEstadodeexceodemocrticanoBrasilcomaimplantaododenominadoEstadoNovoporGetlioVargas.FoinesseanodecretadaaextinodaJustiaEleitoral,aaboliodasagremiaespartidriasexistenteseasuspensodaseleieslivresnopas.Perdurouoregimeautoritrioat1945,quandosedeuaquedadopresidenteVargas,aredemocratizaonacional,aeleiodopresidenteEuricoGasparDutraeapromulgaodaConstituioFederalde1946(democrtica).

    16. OsegundoCdigoEleitoralteveaplicabilidadeefmera,poisem10denovembrode1937,oPresidenteGetlioVargasdecretouoEstadoNovo,impsofechamentodoCongressoNacional,aextinodospartidospolticoseoutorgouumanovaConstituio,quelheconferiuocontroletotaldoPoderExecutivo,bemcomo,nopermitiuarealizaodeeleies,inclusive,paraoPoderLegislativo.Somenteem29deoutubrode1945,comadeposiodeVargaspelosmilitares,quefoirestabelecidaademocracianoBrasil.

  • 50

    Roberto Moreira de Almeida

    C) A Lei n 1.164, de 24.07.1950O terceiro Cdigo Eleitoral possua 202 artigos.

    Foi editado quando da vigncia da Constituio Federal de 1946.

    Previu o sufrgio universal e o voto direto, obrigatrio e secreto.

    Acolheu, tal como hoje, os sistemas eleitorais proporcional e majoritrio.

    Disps sobre a propaganda eleitoral em captulo especfico.

    No destinou captulo prprio ao Ministrio Pblico Eleitoral.

    D) A Lei n 4.737, de 15.07.1965 o quarto e atual Cdigo Eleitoral. Embora lei ordinria, foi recepcionado como lei com-

    plementar pela Constituio de 1988.

    Possui 383 artigos e est organizado em cinco partes:

    1) Parte Primeira Introduo (arts. 1 a 11);

    2) Parte Segunda Dos rgos da Justia Eleitoral (arts. 12 a 41);

    3) Parte Terceira Do alistamento (arts. 42 a 81);

    4) Parte Quarta Das Eleies (arts. 82 a 233); e

    5) Parte Quinta Disposies vrias (arts. 234 a 383).

    X INDAGAO DIDTICA 3 Houve um quinto Cdigo Eleitoral na histria do Brasil?

    No. Em 28.05.1945 foi editado o Decreto-lei n 7.586, considerado por Pinto Ferreira como um diploma legal eleitoral propriamente dito. Em nenhuma passagem do texto do DL, todavia, houve meno em ser Cdigo Eleitoral. Aludida norma, no entanto, foi de grande relevncia, sobretudo devido ter sido o responsvel pelo renascimento da Justia Eleitoral brasileira, extinta pela Constituio de 1937. A doutrina brasileira, em sua maioria, no o elenca como um Cdigo Eleitoral1.

    1.6. Competncia legislativaA competncia para legislar sobre Direito Eleitoral privativa da Unio. Com efeito, assim

    dispe o inc. I do art. 22 da Lei pice, in verbis:

    Art. 22. Compete privativamente Unio legislar sobre: I direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral...

    No obstante incumbir Unio legislar sobre Direito Eleitoral, nada impede que os Estados e o Distrito Federal legislem especfica e supletivamente sobre os mecanismos de democracia direta nos seus respectivos territrios.

    Esses meios de democracia direta17 esto inseridos nos incisos I a III do art. 14 da Constituio Federal de 1988. So eles: plebiscito, referendo e iniciativa popular.18

    17. Sobreplebiscito,referendoeiniciativapopular,videcaptuloIII,item1.2.,dopresentelivro.

    18. Conf.art.16,CF,comaredaodeterminadapelaEmendaConstitucionaln4,de14desetembrode1993.

  • 51

    Introduo aoDireito Eleitoral

    Por fim, digno de registro informar que, tal qual estatudo no pargrafo nico do art. 22 da Constituio Federal, lei complementar federal poder autorizar que os estados-membros legislem sobre questes especficas de Direito Eleitoral.

    1.7. Princpios do Direito Eleitoral

    1.7.1. Conceito de princpioO vocbulo princpio tem vrios sentidos ou significados.Jnio Quadros19 elencou os seguintes significados da palavra sob disceptao: ato de princi-

    piar; momento em que se faz alguma coisa pela primeira vez ou em que alguma coisa tem origem; causa primria; origem; comeo; razo fundamental; elemento que predomina na constituio de um corpo organizado; regra; teoria; preceito moral; estreia; germe; opinio; modo de ver; o princpio da vida; primcias; rudimentos; antecedentes; opinies; convices; regras fundamentais e gerais de qualquer cincia ou arte.

    No campo jurdico, princpio pode ser empregado no sentido de regra fundamental, regra padro ou regra paradigma cincia do direito20.

    1.7.2. Princpios do Direito Eleitoral em espcie

    1.7.2.1. Princpio da anualidade ou da anterioridade da lei eleitoral o princpio que est inserido no art. 16 da Constituio Federal21, com a redao dada

    pela EC n 4/93, assim redigido: a lei que alterar o processo eleitoral entrar em vigor na data de sua publicao, no se aplicando eleio que ocorra at 1 (um) ano da data de sua vigncia.

    Destarte, para que uma lei modificadora ou alteradora do processo eleitoral produza efic-cia especificamente a determinado pleito, ela ter que ser publicada no Dirio Oficial da Unio (DOU), no mnimo, um ano e um dia antes da data da respectiva eleio.

    O que se deve entender por lei?

    Interessante resposta dada por Rodrigo Moreira da Silva22, qual nos filiamos, in verbis: Repare que a Constituio refere-se a lei que alterar o processo eleitoral. Trata-se, nesse caso, de lei em sentido amplo, ou seja, qualquer norma capaz de inovar o ordenamento jurdico. Ex-cluem-se da os regulamentos, que so editados apenas para promover a fiel execuo da lei e que no podem extrapolar os limites dela. No podem os regulamentos criar algo novo. Em funo disso, [...] essa regra dirige-se ao Poder Legislativo porque apenas ao parlamento dado inovar a ordem jurdica eleitoral. A consequncia prtica disso a inaplicabilidade do princpio ao poder

    19. QUADROS,Jnio.Novodicionrioprticodalnguaportuguesa,p.923.

    20. ALMEIDA,RobertoMoreirade.Teoriageraldoprocesso:civil,penaletrabalhista.4edio,p.24.

    21. Oart.16daCFfoiredigidooriginariamentecomoseguintecontedo:Aleiquealteraroprocessoeleitoralsentraremvigorumanoapsasuapromulgao.Nomeiojurdicotaltextolegalpassouaserintituladoouconhe-cidocomoprincpiodaanualidadeeleitoral.Verificou-se,noentanto,notextotranscrito,umaatecnialegislativa,poishouvenodispositivocertaconfusoentrevignciaeeficciadanorma.AECn4,publicadanoDirioOficialdaUniode15.09.1993,aperfeioouaredaoetornouclaraamatria.Comefeito,comanovelprevisonohdvidasdequealeientraremvigornadatadesuapublicao(vigncia),masnoproduzirefeitosjurdicos(notereficcia)paraeleioqueocorraamenosdeumanodadatadesuapublicao.

    22 SILVA,RodrigoMoreirada.Princpiodaanualidadeeleitoral.Braslia:RevistaEletrnicaEJE,n4,ano3,2013.

  • 52

    Roberto Moreira de Almeida

    normativo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), logo as resolues desse Tribunal, editadas para dar bom andamento s eleies, podem ser expedidas h menos de um ano do pleito eleitoral (art. 105 da Lei n 9.504/1997).

    E o que pode vir a ser entendido por processo eleitoral para fins do referido art. 16 da Constituio Federal?

    A resposta foi dada em duas ocasies pelo prprio Supremo Tribunal Federal.

    A primeira, quando do julgamento da ADI 3.345, na qual se discutia a eventual inconstitu-cionalidade da Resoluo do TSE que fixava o nmero de vereadores. Extrai-se, a propsito, do Informativo STF n 398, de 22 a 26 de agosto de 2005, que a norma do art. 16 da Constituio Federal, consubstanciadora do princpio da anterioridade da lei eleitoral, foi prescrita no intuito de evitar que o Poder Legislativo pudesse inserir, casuisticamente, no processo eleitoral, modifi-caes que viessem a deform-lo, capazes de produzir desigualdade de participao dos partidos e respectivos candidatos que nele atuam.

    A segunda, quando do julgamento da ADI n 3.741, o Pretrio Excelso decidiu haver violao do postulado da anterioridade ou anualidade da lei eleitoral quando a norma:

    a) produzir rompimento da igualdade de participao dos partidos polticos e dos respectivos candidatos no processo eleitoral;

    b) introduzir deformao de modo a afetar a normalidade das eleies; c) contiver dispositivo considerado fator de perturbao do pleito; ou d) derivar de alterao motivada por propsito casustico.

    1.7.2.2. Princpio da celeridade

    Em razo da temporariedade do exerccio dos mandatos eletivos, o Poder Judicirio tem de dar a maior prioridade possvel na apreciao dos feitos eleitorais.

    Com efeito, estando para ser apreciado um processo oriundo da Justia Eleitoral e outro advindo da Justia Comum, o magistrado dar prioridade quele, ressalvados apenas os casos de habeas corpus e de mandado de segurana.

    A rapidez na tramitao processual, portanto, deve ser a marca registrada do processo eleitoral.

    Como reflexo do princpio da celeridade no processo eleitoral, possvel elencar:

    a) recursos: devem os recursos eleitorais, na sua maioria, ser interpostos no prazo de 3 (trs) dias (CE, art. 258), salvo excees expressamente previstas em lei23 e, via de regra, no tero efeito suspensivo24 (CE, art. 257);

    23. Hrecursoseleitoraisaserapresentadosnoprazode24(vinteequatrohoras),taiscomo,porexemplo,naLein9.504/97:i)art.58,5:dadecisosobreoexercciododireitoderespostacaberecursosinstnciassuperiores,emvinteequatrohorasdadatadasuapublicaoemcartrioousesso;ii)art.96,8:quandocabvelrecursocontraadeciso,estedeverserapresentadonoprazodevinteequatrohorasdapublicaodadecisoemcartrioousesso,asseguradoaorecorridoooferecimentodecontrarrazes,emigualprazo,acontardasuanotificao.Sobrerecursoseleitorais,videCaptuloXV.

    24. Hexcees,isto,existemrecursoseleitoraisrecebidosnosefeitosdevolutivoesuspensivo.Soexemplos:a)quandosenega,cancelaouanulaopedidoderegistrocombaseemdecisoproferidaemAIRC:aplica-searegracontidanoart.15daLCn64/90,pois,enquantonotransitaremjulgadoadeciso,ocandidatosubjudice

  • 53

    Introduo aoDireito Eleitoral

    b) irrecorribilidade das decises do TSE: o TSE a ltima instncia possvel para recursos em matria estritamente eleitoral25;

    c) precluso instantnea: como o processo eleitoral composto de uma sucesso de fases bem definidas e sucessivas (alistamento, conveno partidria, registro de candidaturas, propaganda eleitoral, votao, etc.), concluda uma, no podem mais ser impugnadas eventuais nulidades ocorridas em fases anteriores, salvo matrias de ordem constitucional ou legal de ordem pblica, isto , as impugnaes decorrentes de irregularidades ou nulidades relativas devem ser alegadas de imediato, sob pena de precluso (exempli gratia: i) art. 147, 1 do CE: A impugnao identidade do eleitor, formulada pelos membros da mesa, fiscais, delegados, candidatos ou qualquer eleitor, ser apresentada verbalmente ou por escrito, antes de ser o mesmo admitido a votar; ii) art. 149 do CE: No ser admitido recurso contra a votao, se no tiver havido impugnao perante a Mesa Receptora, no ato da votao, contra as nulidades arguidas); e

    d) prazo de um ano como durao razovel do processo eleitoral que possa resultar em perda de mandato: a tramitao do processo eleitoral que possa redundar em perda de mandato eletivo (em todas as suas fases e graus de jurisdio) no poder ultrapassar o prazo de um ano26.

    INFORMAO JURISPRUDENCIALExcesso de prazo para concluso de inqurito policial e durao razovel do processo eleitoral

    EMENTA. ELEIES 2010. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRI-ME DE CORRUPO ELEITORAL. ART. 299 DO CE. RECURSO EM HABEAS CORPUS. EXCESSO DE PRAZO PARA A CONCLU-SO DE INQURITO POLICIAL. REALIZAO DE INMERAS DILIGNCIAS, J ULTIMADAS. PERODO SUPERIOR A TRS ANOS. PRINCPIO DA RAZOVEL DURAO DO PROCESSO. ART. 5, LXXVIII, DA CF/88. FALTA DE JUSTIFICATIVA PARA AS PRORROGAES. TRANCAMENTO. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA.

    poderfazercampanhaeterseunomenaurnaeletrnica;b)quandosedeclarainelegibilidadeporabusodopodereconmicooupoltico,comsupedneonoart.1,d,daLCn64/90,comredaodadapelaLCn135/10:soinelegveisosquetenhamcontrasuapessoarepresentaojulgadaprocedentepelaJustiaEleitoral,emdecisotransitadaemjulgadoouproferidaporrgocolegiado,emprocessodeapuraodeabusodopodereconmicooupoltico,paraaeleionaqualconcorremoutenhamsidodiplomados,bemcomoparaasqueserealizaremnos8(oito)anosseguintes(exige-se,portanto,trnsitoemjulgadodadecisooudadecisoproferidaporrgocolegiadoparasegerarainelegibilidade);c)quandoseproferedecisopenalcondenatriaouabsolutria:DasdecisesfinaisdecondenaoouabsolviocaberecursoparaoTribunalRegional,aserinterpostonoprazode10(dez)dias(CE,art.362).

    25. DispeaLeipice:SoirrecorrveisasdecisesdoTribunalSuperiorEleitoral,salvoasquecontrariaremestaConstituioeasdenegatriasdehabeas-corpusoumandadodesegurana(CF,art.121,3).

    26. RezaaLeidasEleies:Art.97-A.NostermosdoincisoLXXVIIIdoart.5daConstituioFederal,considera-seduraorazoveldoprocessoquepossaresultaremperdademandatoeletivooperodomximode1(um)ano,contadodasuaapresentaoJustiaEleitoral.1.AduraodoprocessodequetrataocaputabrangeatramitaoemtodasasinstnciasdaJustiaEleitoral.2.Vencidooprazodequetrataocaput,seraplicvelodispostonoart.97,semprejuzoderepresentaoaoConselhoNacionaldeJustia(Lein9.504/97,art.97-A,includopelaLein12.034/09).

  • 54

    Roberto Moreira de Almeida

    1. O limite da razovel durao do inqurito policial o perodo de tempo necessrio obteno dos elementos que formaro a convico do titular do monoplio da ao penal pblica acerca de sua viabilidade. Em outras palavras, a durao do inqurito ser razovel e justificada enquanto houver diligncias a serem realizadas pela autoridade policial que sirvam ao propsito de oferecer fundamentos formao da opinio delicti do Ministrio Pblico.

    2. In casu, embora no se constate inrcia ou falta de interesse por parte da autoridade policial na apurao dos fatos em apreo, passados mais de trs anos da instaurao do inqurito sem que o Ministrio Pblico tenha concludo pela viabilidade ou no da ao penal, impe-se a fixao de prazo para sua concluso em ateno ao princpio da razovel durao do processo de investigao, a fim de que o paciente no seja submetido a um procedimento eterno.

    3. Recurso em habeas corpus a que se d parcial provimento para conce-der prazo de um ano para a concluso do inqurito policial. Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em prover parcialmente o recurso para fixar o prazo de um ano para a concluso do inqurito, nos termos do voto da Relatora (TSE, Recurso em Habeas Corpus n 64-53/MG Relatora: Ministra Luciana Lssio, j. 3.09.2014).

    1.7.2.3. Princpio da periodicidade da investidura das funes eleitoraisOs magistrados e os membros do Ministrio Pblico Eleitoral so investidos na funo eleitoral,

    salvo motivo justificado, por um prazo de dois anos e nunca por mais de dois binios consecutivos. V-se, destarte, a ausncia do princpio constitucional da vitaliciedade inerente magistratura e ao MP, mas sim a presena da regra da periodicidade da investidura das funes eleitorais.

    Nesse sentido, dispe o 2 do art. 121 da Constituio Federal de 1988, in verbis: Os juzes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, serviro por dois anos, no mnimo, e nunca por mais de dois binios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasio e pelo mesmo processo, em nmero igual para cada categoria.

    1.7.2.4. Princpio da lisura das eleies ou da isonomia de oportunidades

    As eleies em um regime verdadeiramente democrtico devem ser pautadas pela igualdade de oportunidades entre todos os candidatos em disputa.

    A garantia da lisura das eleies no Brasil est calcada na ideia de cidadania, de origem popular do poder e no combate influncia do poder econmico ou poltico nas eleies.

    Com efeito, na Constituio Federal de 1988 h diversos dispositivos voltados ao tema, dentre os quais se podem elencar, a ttulo meramente exemplificativo:

    a) a Repblica Federativa do Brasil, formada pela unio indissolvel dos Estados e Municpios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrtico de Direito e tem como um de seus fundamentos a cidadania (art. 1, inc. II); e

    b) todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou direta-mente, nos termos desta Constituio (art. 1, pargrafo nico); e

  • 55

    Introduo aoDireito Eleitoral

    c) Lei complementar estabelecer outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessao, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exerccio de mandato considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleies contra a influncia do poder econmico ou o abuso do exerccio de funo, cargo ou emprego na administrao direta ou indireta (art. 14, 9, com redao dada pela ECR n 4/94).

    Por seu turno, no plano infraconstitucional, o princpio est expressamente tratado no art. 23 da Lei das Inelegibilidades (LC n 64/90), in verbis: O Tribunal formar sua convico pela livre apreciao dos fatos pblicos e notrios, dos indcios e presunes e prova produzida, atentando para circunstncias ou fatos, ainda que no indicados ou alegados pelas partes, mas que preservem o interesse pblico de lisura eleitoral.

    Ademais, grande passo no sentido de buscar a lisura nas eleies brasileiras foi dado com a aprovao da:

    a) Lei de Combate Corrupo Eleitoral ou Lei da Captao Ilcita de Sufrgios (Lei n 9.840/99): com o objetivo de combater a prtica nefasta da compra de votos nas eleies brasileiras, foram acrescentados o art. 41-A e 1 Lei n 9.504/97, atualmente com a seguinte redao: Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captao de sufrgio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou funo pblica, desde o registro da candidatura at o dia da eleio, inclusive, sob pena de multa de mil a cinquenta mil Ufir, e cassao do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Com-plementar n 64, de 18 de maio de 1990. Para a caracterizao da conduta ilcita, desnecessrio o pedido explcito de votos, bastando a evidncia do dolo, consistente no especial fim de agir;

    b) Lei das Eleies (Lei n 9.504/97): visando coibir a prtica de abuso do poder econmico e poltico nos pleitos eleitorais brasileiros, sobretudo aps o advento da Emenda Constitucional da Reeleio no pas para cargos do Poder Executivo (EC n 16/97), o legislador previu uma srie de condutas vedadas, sob pena de multa e eventual cassao do registro e do diploma, bem como a declarao de inelegibilidade27; e

    c) Lei da Ficha Limpa (LC n 135/10)28: foi aprovada a partir de uma mobilizao de enti-dades da sociedade civil, com o objetivo de se aferir a idoneidade dos candidatos a cargos eletivos e impedir, pelo prazo de oito anos, candidaturas de pessoas condenadas por deciso judicial transitada em julgado ou por deliberao de rgo colegiado do Poder Judicirio, dentre outras hipteses legalmente elencadas.

    1.7.2.5. Princpio da responsabilidade solidria entre candidatos e partidos polticos

    O princpio da responsabilidade solidria entre candidatos e partidos polticos na propaganda eleitoral est expressamente contido no art. 241 do Cdigo Eleitoral: Toda propaganda eleitoral ser realizada sob a responsabilidade dos partidos e por eles paga, imputando-lhes solidariedade nos excessos praticados pelos seus candidatos e adeptos.

    27. Oestudodascondutasvedadas,bemcomodasprticasdenominadasdeabusodepodereconmico,polticoedosmeiosdecomunicao,podeserrealizadocomaleituradoscaptulosXIIeXVI.

    28. SobreLeidaFichaLimpaouPolticoFichaLimpa,recomendamosaleituradoCaptuloIII,item1.4.

  • 56

    Roberto Moreira de Almeida

    Todavia, com o advento da Lei n 12.891/13, houve restrio responsabilidade solidria entre candidatos e partidos, ao se acrescentar o pargrafo nico ao supratranscrito art. 241 do CE, assim redigido: a solidariedade prevista neste artigo restrita aos candidatos e aos respectivos partidos, no alcanando outros partidos, mesmo quando integrantes de uma mesma coligao.

    Por seu turno, a Lei n 9.504/97 tambm torna explcito o aludido princpio da responsa-bilidade solidria quando assevera:

    a) As despesas da campanha eleitoral sero realizadas sob a responsabilidade dos partidos, ou de seus candidatos, e financiadas na forma desta Lei (art. 17);

    b) O candidato solidariamente responsvel com a pessoa indicada na forma do art. 20 desta Lei pela veracidade das informaes financeiras e contbeis de sua campanha, devendo ambos assinar a respectiva prestao de contas (art. 21, com redao dada pela Lei n 11.300/06); e

    c) Independe da obteno de licena municipal e de autorizao da Justia Eleitoral a veicu-lao de propaganda eleitoral pela distribuio de folhetos, adesivos, volantes e outros impressos, os quais devem ser editados sob a responsabilidade do partido, coligao ou candidato (art. 38, caput, com redao dada pela Lei n 12.891/13).

    O TSE, por sua vez, tradicionalmente tem se posicionado pela responsabilidade solidria entre partidos polticos e seus candidatos por excessos na propaganda eleitoral. Nesse sentido os seguintes arestos jurisprudenciais:

    Propaganda eleitoral irregular. Placas. Comit de candidato. Bem particular. Retirada. [...] 4. Nos termos do art. 241 do Cdigo Eleitoral, os partidos polticos respondem solidariamente pelos excessos praticados por seus candidatos e adeptos no que tange propaganda eleitoral, regra que objetiva assegurar o cumprimento da legislao eleitoral, obrigando as agremiaes a fiscalizar seus candidatos e filiados. [...] (TSE, Ac. de 22.2.2011 no AgR-AI n 385447, rel. Min. Arnaldo Versiani); e

    [...]. Propaganda eleitoral extempornea. Multa. Responsabilidade solidria do partido e do locutor da propaganda eleitoral extempornea. Art. 241 do CE. Omisso configurada. [...] 2. Configurada omisso quanto suposta violao do art. 241 do Cdigo Eleitoral. No entanto, corretos os fundamentos adotados no acrdo proferido pelo TRE/MG que aplicou o princpio da solidariedade entre o partido poltico e o interlocutor da propaganda eleitoral extempornea. Carece de fundamento o pedido de reduo da multa ao mnimo legal, haja vista o aresto que julgou o recurso na representao ter estipulado a penalidade neste patamar, conforme se verifica da leitura da ementa (fls. 94-95). 4. No se vislumbra a ocorrncia de bis in idem inconstitucional ao se aplicar multa ao partido poltico e ao interlocutor de propaganda eleitoral extempornea quando este ltimo for nota-damente candidato a cargo poltico. [...].(TSE, Ac. de 15.3.2007 nos EDclREspe no 26.189, rel. Min. Jos Delgado.)

    Por seu turno, digno informar, ainda sobre o tema da responsabilidade, que o art. 15-A da Lei n 9.096/95 (LOPP), cujo caput foi modificado pela Lei n 12.034/09 e pargrafo nico acrescentado pela Lei n 12.891/13, passou a ter a seguinte redao, in litteris:

    Art. 15-A. A responsabilidade, inclusive civil e trabalhista, cabe exclusivamente ao rgo partidrio municipal, estadual ou nacional que tiver dado causa ao no cumprimento da obrigao, violao de direito, a dano a outrem ou a qualquer ato ilcito, excluda a solidariedade de outros rgos de direo partidria.

  • 57

    Introduo aoDireito Eleitoral

    Pargrafo nico. O rgo nacional do partido poltico, quando responsvel, somente poder ser demandado judicialmente na circunscrio especial judiciria da sua sede, inclusive nas aes de natureza cvel ou trabalhista.

    Na linha do art. 15-A da LOPP, pela responsabilidade individual e no solidria entre os diversos rgos de direo partidria, assim decidiu o TSE:

    EMENTA. PRESTAO DE CONTAS ANUAL. EXERCCIO FINANCEIRO DE 2009. PARTIDO REPUBLICANO BRASILEIRO (PRB). APROVAO COM RESSALVAS.

    1. A responsabilidade pela apropriao contbil das sobras da campanha municipal de 2008 do respectivo rgo de direo municipal, a teor do art. 31, caput, da Lei 9.504/97, reproduzido no art. 28 da Res.-TSE 22.715/2008. Assim, descabe penalizar o rgo de direo nacional pela ausncia de informao sobre sua existncia. Precedente.

    2. A comprovao das despesas com aluguel de bem imvel se d pela apresentao de recibo, nos termos do disposto no art. 1 da Lei 8.846/94 c.c. art. 9, II, da Res.-TSE 21.841/2004. Na espcie, a ausncia desse documento pode ser suprida por depsito na conta bancria do locador ante a sua recusa em emitir recibo por estar em contenda judicial com o partido, no havendo comprometimento da regularidade das contas e do seu efetivo controle pela Justia Eleitoral.

    3. A comprovao da doao de servios estimveis em dinheiro efetuada por pessoa jurdica se d pela apresentao de termo de doao e da nota fiscal ou recibo da prestao dos servios. A ausncia de tais documentos no compromete a regulari-dade das contas no presente caso, tendo em vista que o prprio prestador de servios informou a doao estimvel Justia Eleitoral. Precedente.

    4. Contas aprovadas com ressalvas [Prestao de Contas n 927-11/DF Relator: Ministro Joo Otvio de Noronha DJE de 14.11.2014].

    Incumbe acrescentar, por ltimo, que, eventual responsabilidade penal por crime eleitoral ser individual do infrator (sempre pessoa fsica), pois no h previso legal de punio por prtica de aludido delito por pessoa jurdica.

    2. SINOPSE

    INTRODUO AO DIREITO ELEITORAL

    2.1. Conceito de Direito Eleitoral

    o ramo do Direito Pblico constitudopornormaseprincpios disciplinadores do alistamento, da convenopartidria,doregistrodecandidatos,dapropagandapoltica,davotao,daapuraoedadiplomao dos eleitos, bem como das aes,medidasedemaisgarantiasrelacionadasaoexercciodo sufrgio popular.

    2.2. Objeto

    O Direito Eleitoral cuida, dentre outras matrias, da organizaodaJustia e do Ministrio Pblico Eleitoral;dasdiversasfasesdoprocessoeleitoral(doalistamentoatadiplomaodoseleitos);da disciplina dos partidospolticos;dafixaoderegrasdecompetncia e procedimentos em ma-tria eleitoral, bem como do estabelecimento de puniesadministrativasecriminais no mbito eleitoral.

  • 58

    Roberto Moreira de Almeida

    INTRODUO AO DIREITO ELEITORAL

    2.3. Taxonomia e autonomia

    O Direito Eleitoral ramo do direito pblico. Possui autonomiadidtica,cientficaenormativa.

    2.4. Fontes

    Fontes diretas (Constituio Federal e leis eleitorais) e fontes indiretas (CdigoPenal, CdigodePro-cessoPenal,CdigoCivileCdigodeProcessoCivil,ResoluesdoTSEeConsultas).

    2.5. Codificaes eleitorais

    OBrasil,apsaRevoluode1930,ingressounaeradascodificaeseleitorais. Desde ento, opasjcontou com quatrocdigoseleitorais (1CdigoEleitoral:Decreton21.076,de24.02.1932;2Cdigo Eleitoral:Lein48,de04.05.1935;3CdigoEleitoral:Lein1.164,de24.07.1950;e4Cdigo Eleito-ral:Lein4.737,de15.07.1965(CDIGOATUALMENTEEMVIGOR).

    2.6. Competncia legislativa

    IncumbeUniolegislarprivativamente sobre Direito Eleitoral(art.22,inc.I,daConstituioFederal).

    2.7. Princpios eleitorais

    Otermoprincpiopodeserempregadonosentidoderegrafundamental,regrapadroouregrapa-radigmacinciadodireito.Soelencadoscomoprincpioseleitorais:a)anualidadeoudaanteriori-dadedaleieleitoral;b)celeridade;c)periodicidadedainvestiduradasfuneseleitorais;d)lisuradaseleiesoudaisonomiadeoportunidades;ee)responsabilidadesolidriaentrecandidatosepartidospolticos.

    3. PARA CONHECER A JURISPRUDNCIA

    3.1. Informativos

    I) Informativo STF n 398 Resoluo do TSE. Fonte do Direito Eleitoral. Princpio da Anterioridade da Lei Eleitoral.Emrelaoaomrito,concluiu-sepelainexistnciadasapontadasviolaesaosprincpiosdareservadelei,daseparaodepoderes,daanterioridadedaleieleitoraledaautonomiamunicipal.

    Esclareceu-sequeaResoluo21.702/2004foieditadacomopropsitodedarefetividadeeconcreoaojulgamentodoPlenonoRE197917/SP(DJUde27.4.2004),jqueneleoSTFderainterpretaodefini-tivaclusuladeproporcionalidadeinscritanoincisoIVdoart.29daCF,conferindoefeitotranscendenteaosfundamentosdeterminantesquederamsuporteaomencionadojulgamento.

    Salientandoqueanormadoart.16daCF,consubstanciadoradoprincpiodaanterioridadedaleieleito-ral,foiprescritanointuitodeevitarqueoPoderLegislativopudesseinserir,casuisticamente,noprocessoeleitoral,modificaesqueviessemadeform-lo,capazesdeproduzirdesigualdadedeparticipaodospartidoserespectivoscandidatosqueneleatuam,entendeu-senohaverafrontaaoreferidodispositi-vo,umavezqueaResoluosobanlisenoocasionouqualqueralteraoquepudessecomprometerafinalidadevisadapelolegisladorconstituinte.

    Damesmaforma,foramafastadasasdemaisalegaesdeinfringnciaapostuladosconstitucionais.

    Afirmou-sequeoTSE,dandoexpansointerpretaoconstitucionaldefinitivaassentadapeloSupremonasuacondiodeguardiomaiordasupremaciaedaintangibilidadedaConstituioFederalemrelaocitadaclusuladeproporcionalidade,submeteu-se,naelaboraodoatoimpugnado,aoprin-cpiodaforanormativadaConstituio,objetivandoafastarasdivergnciasinterpretativasemtornodessaclusula,demodoaconferiruniformidadedecritriosdedefiniodonmerodeVereadores,bemcomoassegurarnormalidadeseleiesmunicipais.

    VencidooMin.MarcoAurlioquedavapelaprocednciadospedidos, ao fundamentodequeoTSE

  • 59

    Introduo aoDireito Eleitoral

    extrapolousuacompetnciaparaeditarresoluesaqualestarialimitadaaocumprimentodoCdigoEleitoral(Cd.Eleitoral,art.23,IX)aofixartabelaquantoaonmerodevereadores,cujaincumbncia,nostermosdoincisoIVdoseuart.29daCF,edesdequeobservadososlimitesmnimoemximoprevis-tosnesteltimodispositivo,seriadecadaCmaradeVereadores,pormeiodeLeiOrgnicadosMunic-pios.ADI3345/DFeADI3365/DF,rel.Min.CelsodeMello,25.8.2005.(ADI-3345)(ADI-3365).

    II) Informativo STF n 562 Norma de Direito Eleitoral. Competncia legiferante privativa da Unio. Governador e Vice-Governador: Dupla Vacncia e Eleio Indireta pela Assembleia Legislativa.

    Noqueserefere,dopontodevistadasuagnese,naturezadaleiquepredicaaConstituioFederalnoart.81,1,bemcomoadeleiestadualqueregulamenteprevisoidnticadaConstituioestadual,orelatorsalientouserindiscutvelacompetnciarationemateriaeprivativadaUnioparalegislarsobredireitoeleitoral(CF,art.22,I),masconsiderouque,quandooconstituinteestadualreproduzaregradeeleioindiretapelosrepresentantesdoPoderLegislativo,naformadalei,aleiexigidaseriadecompe-tnciadoEstado,pornopossuircarterjurdico-eleitoral.

    Explicounoseter,nessecaso,umaleimaterialmenteeleitoral,hajavistaqueelasimplesmenteregulaasucessodoChefedoPoderExecutivo,sucessoestaextravagante.

    Reportou-seorientaofirmadanaADI2709/SE(DJEde16.5.2008),nosentidodaconstitucionalidadedenormaconstitucionalestadualquedisciplinaoprocessodeescolhadegovernantesemcasodeduplavacncia.Aduziuque,emboranodeixemderevelarcertaconotaoeleitoral,porquedispemsobreoprocedi-mentodeaquisioeletivadopoderpoltico,nohaveriacomoreconhecerouatribuircaractersticasdedireitoeleitoralstrictosensusnormasqueregemaeleioindiretanocasodeduplavacncianoltimobiniodomandato.

    Emltimainstncia,essasleisteriamporobjetomatriapoltico-administrativaquedemandariatpicadecisodopodergeraldeautogoverno,inerenteautonomiapolticadosentesfederados.

    Emsuma,areservadeleiconstantedoart.81,1,daCF,ntidaeespecialssimaexceoaocnonedoexercciodiretodosufrgio,diriarespeitosomenteaoregimededuplavacnciadoscargosdePresidenteeVice-PresidentedaRepblica,e,comotal,dabviacompetnciadaUnio.

    Porsuavez,consideradosodesenhofederativoeainaplicabilidadedoprincpiodasimetriaaocaso,com-petiriaaosEstados-membrosadefinioearegulamentaodasnormasdesubstituiodeGovernadoreVice-Governador.Demodoque,quando,comonaespcie,tivesseoconstituinteestadualreproduzidoopreceito constitucional federal, a reservade lei nopoderiadeixarde se referir competnciadoprprioentefederado.Nomais,predefinidoseucarterno-eleitoral,nohaveriasefalaremofensaaoprincpiodaanterioridadedaleieleitoral(CF,art.16).ADI4298MC/TO,rel.Min.CezarPeluso,7.10.2009.(ADI-4298).

    III) Informativo TSE n 31 Norma de Direito Eleitoral. Prestao de contas. Matria processual. Lei nova. Aplicao imediata. Irretroatividade.

    Aaplicabilidadeimediatadaleiprocessualnotemefeitoretro-operanteemrelaoasituaesjurdicasconsolidadassobagidedaleianterior,devendorespeitaroatojurdicoperfeito,odireitoadquiridoeacoisajulgada.

    AdespeitodainovaotrazidapelaLein12.034/2009queacrescentouospargrafos6e7aoart.30daLein9.504/1997paraassentarocarterjurisdicionaldaprestaodecontaseocabimentoderecursoespecialobserva-seque,peloprincpiotempusregitactum,aeficciaimediatadaleinovanoalcanaosatosconsumadosnavignciadaleianterior,aexemplodoacrdoregionalproferidosoboentendimentodequeaprestaodecontasostentacartermeramenteadministrativoe,portanto,nodesafiaainterposioderecursoespecial.

    ConformeentendimentojurisprudencialdoTribunalSuperiorEleitoral,ainterposioderecursorege-sepelaleiemvigornadatadapublicaodadecisorecorrida.

    Naespcie,orecursoespecialeleitoralincabvel,porquantointerpostocontraacrdopublicadoem2.9.2009,antesdaLein12.034/2009,emvigordesde30.9.2009.Nesseentendimento,oTribunal,por

  • 60

    Roberto Moreira de Almeida

    unanimidade,desproveuoagravoregimental(AgravoRegimentalnoAgravodeInstrumenton12.268/SP,rel.Min.NancyAndrighi,em13.10.2011).

    3.2. Jurisprudncia selecionada

    Lei eleitoral e princpio da anterioridade da lei eleitoralEMENTA: AODIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 11.300/2006 (MINIRREFORMA ELEITORAL).ALEGADAOFENSAAOPRINCPIODAANTERIORIDADEDALEIELEITORAL(CF,ART.16). INOCORRNCIA.MEROAPERFEIOAMENTODOSPROCEDIMENTOSELEITORAIS. INEXISTNCIADEALTERAODOPRO-CESSOELEITORAL.PROIBIODEDIVULGAODEPESQUISASELEITORAISQUINZEDIASANTESDOPLEI-TO.INCONSTITUCIONALIDADE.GARANTIADALIBERDADEDEEXPRESSOEDODIREITOINFORMAOLIVREEPLURALNOESTADODEMOCRTICODEDIREITO.PROCEDNCIAPARCIALDAAODIRETA.

    I Inocorrnciaderompimentoda igualdadedeparticipaodospartidospolticosedosrespectivoscandidatos no processo eleitoral.IILegislaoquenointroduzdeformaodemodoaafetaranormalidadedaseleies.

    IIIDispositivosquenoconstituemfatordeperturbaodopleito.

    IVInexistnciadealteraomotivadaporpropsitocasustico.

    VInaplicabilidadedopostuladodaanterioridadedaleieleitoral.

    VIDiretoinformaolivreepluralcomovalorindissociveldaideiadedemocracia.

    VIIAodiretajulgadaparcialmenteprocedenteparadeclararainconstitucionalidadedoart.35-AdaLeiintroduzidopelaLei11.300/2006naLei9.504/1997.

    DecisoOTribunal,porunanimidade,julgouaaodiretaprocedente,emparte,paradeclararinconstitucionaloartigo35-A,conformearedaoquelhedeuaLein11.300,de10demaiode2006,eimprocedentenomais,nostermosdovotodoRelator.VotouaPresidente,MinistraEllenGracie.Ausentes,justificada-mente,osSenhoresMinistrosGilmarMendeseCezarPeluso.Faloupelorequerente,PartidoSocialCris-toPSC,oDr.VtorNsseis.Plenrio,06.09.2006(ADI3741/DFDISTRITOFEDERAL.AODIRETADEINCONSTITUCIONALIDADE.Relator(a):Min.RICARDOLEWANDOWSKI.rgoJulgador:TribunalPleno).

    Emenda constitucional e aplicao do princpio da anterioridade da lei eleitoral

    EMENTA:AODIRETADEINCONSTITUCIONALIDADE.ART.2DAEC52,DE08.03.06.APLICAOIME-DIATADANOVAREGRASOBRECOLIGAESPARTIDRIASELEITORAIS,INTRODUZIDANOTEXTODOART.17,1,DACF.ALEGAODEVIOLAOAOPRINCPIODAANTERIORIDADEDALEIELEITORAL(CF,ART.16)ESGARANTIASINDIVIDUAISDASEGURANAJURDICAEDODEVIDOPROCESSOLEGAL(CF,ART.5,CAPUT,ELIV).LIMITESMATERIAISATIVIDADEDOLEGISLADORCONSTITUINTEREFORMADOR.ARTS.60,4,IV,E5,2,DACF.

    1.Preliminarquantodeficincianafundamentaodopedidoformuladoafastada,tendoemvistaasucintapormsuficientedemonstraodatesedeviolaoconstitucionalnainicialdeduzidaemjuzo.

    2.A inovao trazidapelaEC52/06 conferiu status constitucional matriaatento integralmenteregulamentadaporlegislaoordinriafederal,provocando,assim,aperdadavalidadedequalquerres-trioplenaautonomiadascoligaespartidriasnoplanofederal,estadual,distritalemunicipal.

    3.Todavia,autilizaodanovaregraseleiesgeraisqueserealizaroamenosdesetemesescolidecomoprincpiodaanterioridadeeleitoral,dispostonoart.16daCF,quebuscaevitarautilizaoabusivaoucasusticadoprocessolegislativocomoinstrumentodemanipulaoededeformaodoprocessoeleitoral(ADI354,rel.Min.OctavioGallotti,DJ12.02.93).

    4.Enquantooart.150,III,b,daCFencerragarantiaindividualdocontribuinte(ADI939,rel.Min.SydneySanches,DJ18.03.94),oart.16representagarantiaindividualdocidado-eleitor,detentororiginriodopoderexercidopelosrepresentanteseleitoseaquemassisteodireitodereceber,doEstado,oneces-sriograudeseguranaedecertezajurdicascontraalteraesabruptasdasregrasinerentesdisputaeleitoral (ADI3.345, rel.Min.CelsodeMello).5.Almdeo referidoprincpio conter,emsimesmo,

  • 61

    Introduo aoDireito Eleitoral

    elementosqueocaracterizamcomoumagarantiafundamentaloponvelatmesmoatividadedolegis-ladorconstituintederivado,nostermosdosarts.5,2,e60,4,IV,aburlaaoquecontidonoart.16aindaafrontaosdireitosindividuaisdaseguranajurdica(CF,art.5,caput)edodevidoprocessolegal(CF,art.5,LIV).

    6.Amodificaonotextodoart.16pelaEC4/93emnadaalterouseucontedoprincipiolgicofunda-mental.Tratou-sedemeroaperfeioamentotcnicolevadoaefeitoparafacilitararegulamentaodoprocesso eleitoral.7.Pedidoquesejulgaprocedenteparadarinterpretaoconformenosentidodequeainovaotrazidanoart.1daEC52/06somentesejaaplicadaapsdecorridoumanodadatadesuavigncia.

    DecisoOTribunal,porunanimidade,resolveuquestodeordemsuscitadapelaRelatoranosentidodequenoojulgamentodaAodeDescumprimentodePreceitoFundamentalprioritrioemrelaoaodaAoDiretadeInconstitucionalidade,podendoseriniciadoojulgamentodesta(...).OTribunal,pormaioria,julgouprocedenteaaoparafixarqueo1doartigo17daConstituio,comaredaodadapelaEmendaConstitucionaln52,de8demarode2006,noseaplicaseleiesde2006,remanescendoaplicveltaleleioaredaooriginaldomesmoartigo...Plenrio,22.03.2006(ADI3685/DFDISTRI-TOFEDERAL.AODIRETADEINCONSTITUCIONALIDADE.Relator(a):Min.ELLENGRACIE.rgoJulga-dor:TribunalPleno).

    4. QUESTES DE EXAMES E CONCURSOS

    01. (MPF/PROCURADOR DA REPBLICA 19 CONCURSO).Aleiquealteraroprocessoeleitoral

    a) tervignciaimediata,aplicando-seseleiesemcursoesquevenhamaserrealizadasembreve,sejescolhidososcandidatosemconvenespartidrias;

    b) somenteentraremvigorumanoapssuapromulgao;

    c) noprejudicarorecursocabvel,segundoaConstituio,paraoTribunalSuperiorEleitoral,dede-cisesdosTribunaisRegionaisEleitoraisqueanulemdiplomasouversemsobreinelegibilidadenaseleiesmunicipais;

    d) entraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraatumanodadatade sua vigncia.

    02. (MP/PI PROMOTOR DE JUSTIA).Assinaleaalternativaincorreta

    a) competnciaprivativadaUniolegislarsobreDireitoEleitoral.

    b) ademocraciatemarcabouonaconcepodopovocomoautnticotitulardopodersoberano,logo,estequelegitimaainvestiduraeoexercciodopodergovernamental.

    c) osTribunaiseJuzesEleitoraissorgosdoPoderJudicirio.

    d) oDireitoEleitoral tratadeestabelecera formadeparticipaonoexercciodopoder,sejaparaaocupaodasinstituies,ouparaexercerdosufrgiouniversal.

    e) oplebiscitoummododeparticipaonoexercciodopoder,sendoumamanifestaodeassenti-mentoexaradapelovotopopularparaconferirvalidadeaumaproposionormativaordinria.

    03. (MP/PI PROMOTOR DE JUSTIA).Assinaleaalternativaincorreta.objetodoDireitoEleitoral

    a) adistribuiodocorpoeleitoral(divisodoeleitoradoemcircunscrio);

    b) aorganizaodosistemaeleitoral(sufrgiouniversalourestrito);

    c) ditarnormasquesedevemcumprirquantoforma(votosecretooupblico,cdulaindividualounica),quantomecnicaderepresentaoproporcional;quantosregrassobreaquisioeperdadacapacidade;

    d) oprocessoeleitoralpropriamentedito(conjuntodeatos,desdeaorganizaoedistribuiodeme-

  • 62

    Roberto Moreira de Almeida

    sasreceptorasdevotos,arealizaoeapuraodaseleies,atoreconhecimentoediplomaodoseleitos,quesedesenvolveperanteosJuizadosCriminais);

    e) aespecializaodoconjuntonormativopertinenteseleiesmajoritriaseproporcionais.

    04. (MP/PI PROMOTOR DE JUSTIA).Assinaleaalternativacorreta.SodisposiesprpriasdoCdigoEleitoralparaosfinseleitorais.

    a) oconceitodefuncionriodaJustiaEleitoraledefuncionriopblico,

    b) asrelativasaoscrimeseaspenasesuaaplicao,atinentessquestesdeimprensa,rdio,transpor-te de eleitores, processamento de dados, dentre outras.

    c) quantoaopenaleleitoral,quepblicacondicionada.

    d) relativamenteaorgocomatribuiesemmatriadecrimeeleitoral,queoMinistrioPublicojuntoaoTribunaldeContas,queatuacomocustoslegis;

    e) aspertinentesespecializaodoscrimeseleitorais,sendoquealgunsestonalegislaocomum,taiscomoaabusivapropagandaeleitoraleacorrupoeleitoral.

    05. (MP/PI PROMOTOR DE JUSTIA). fonte direta do Direito Eleitoral, salvoa) ResoluodoTribunalSuperiorEleitoral;

    b) ConstituioEstadual;

    c) LeidasInelegibilidades;

    d) ConstituioFederal;

    e) CdigoEleitoral.

    06. (MP/MT PROMOTOR DE JUSTIA).Aleiquealteraoprocessoeleitoral

    a) entraemvigorapsumanodesuapublicao;

    b) entraemvigornadatadesuapublicao;

    c) sentraemvigornadatadapublicaoquandonoheleioprevistaparaatumanodepois;

    d) nenhuma.

    07. (MP/MG PROMOTOR DE JUSTIA XL CONCURSO). O art. 16 da Constituio Federal dispe que a lei que alterar o processo eleitoral entrar em vigor na data de sua publicao, no se aplicando eleio que ocorra at 1 (um)anodadatadesuavigncia.Considerandoasteoriasquetratamdaaplicabilidadeedaeficciadasnormasconstitucionais,anormaacimapodeserconsiderada

    a) deaplicabilidadeimediataeeficciacontidaporquanto,conformedispeemsimesma,aaplicaodaleireferidaficarcontidaemrelaoeleiosubsequentequeocorreratumanoapssuavi-gncia;

    b) deaplicabilidadeimediataeeficciaplena,independentementedaleireferida;

    c) deaplicabilidadeimediataeeficcialimitadavezquelimitanotempoaaplicaodaleireferida;

    d) equivalentesnormasnotself-executingdadoutrinaconstitucionalnorte-americana;

    e) deaplicabilidadeimediataeeficciarestringvel,postoquerestrinjatemporalmenteavontadedolegisladorinfraconstitucional.

    08. (TJ/RN JUIZ ESTADUAL).Suponhaqueumaleiquealtereoprocessoeleitoralsejapromulgadaepublicadaemmarode2002.Suponhaaindaquehajaeleiesemoutubrode2002eemoutubrode2004.Essalei

    a) estaremvigorapenasdoisanosapssuapublicao,aplicando-seeleiode2004essubse-quentes;

    b) entraremvigornadatadesuapublicao,aplicando-sejeleiode2002essubsequentes;

    c) entraremvigorapenasumanoapssuapublicao,aplicando-seeleiode2004essubsequen-

  • 63

    Introduo aoDireito Eleitoral

    tes;

    d) terentradoemvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleiode2002,masapenasde2004essubsequentes.

    e) entraremvigorapenasumanoapssuapublicao,aplicando-seapenasseleiessubsequentesde2004.

    09. (OAB/PE EXAME DA OAB).Assinale,denteositensabaixo,omecanismodeexercciodasoberaniapopularquenoresultadenormadeDireitoEleitoral

    a) plebiscito;

    b) referendo;

    c) iniciativapopular;

    d) eleiodireta.

    10. (OAB/DF EXAME DA ORDEM).luzdoDireitoConstitucional,marqueaopocorreta

    a) ospartidospolticossopessoasjurdicasdedireitopblico;

    b) osEstados,assimcomoaUnio,sodetentoresdesoberania;

    c) competnciaconcorrentedaUnio,dosEstadosedosMunicpioslegislarsobreDireitoEleitoral;

    d) competnciadaUniolegislarprivativamentesobreDireitoEleitoral.

    11. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Julgue o item a seguir Certo ou ErradoI) seumaleiordinriafederalpublicadaem1990criassehiptesedeinelegibilidadeparaprotegera

    legitimidadedaseleiescontraainflunciadopodereconmico,elaseriarecepcionadapelaCons-tituiodaRepblica.

    12. (CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTOR LEGISLATIVO). Julgue o item a seguir Certo ou Errado.Seumaleiordinriafederalpublicadaem2008criassehiptesedeinelegibilidadeparaprotegeralegiti-

    midadedaseleiescontraainflunciadopodereconmico,elaseriarecepcionadapelaConstitui-odaRepblica.

    13. (FCC/TRE/RN ANALISTA JUDICIRIA REA ADMINISTRATIVA).AEmendaConstitucionalno45,de2004,inseriu,noincisoLXXVIIIdoartigo5daConstituioFederal,normaexpressaassegurandoarazovelduraodoprocesso,tantonombitojudicialquantoadministrativo,bemcomoestipulouaolegisladorordinrioaobrigaodepreverosmeiosquegarantamaceleridadedesuatramitao.Nombitoeleitoral,talprincpiotemrelevnciadestacada,especialmentenoprocessoquepossaresultaremperdadomandatoeletivo.Sobtalpremissa,aLeino12.034/09trouxeimportanteinova-o,qualsejaa

    a) fixaodeumcritrioobjetivoparaaconformaodoprincpiodaduraorazoveldoprocesso,considerandocomotalolapsotemporalmximode1ano,contadodaapresentaodoprocessoJustiaEleitoral.

    b) previsodeprazosmaiscurtosdetramitaoparacadafaseprocessual,osquaissodiminudospelametadeemrelaoaosdemaisprocessoseleitorais.

    c) irrecorribilidadedasdecisesinterlocutriaseorecebimentodosrecursosapenasnoefeitodevolu-tivo.

    d) relativizaodoprincpiodamotivaodasdecisesjudiciais,permitindoaosjuzeseleitoraisaado-odefundamentaosucintaeadispensadorelatrionojulgamentodosfeitos.

    e) adoodeprocedimentosumarssimodeinstruoejulgamento,exigindoaconcentraodaprodu-odasprovasemumnicoatoealavraturadasentenapelojuiznoprazomximode5diasapsaaudincia.

  • 64

    Roberto Moreira de Almeida

    4.1. Questes extras

    01. (TJ/SP VUNESP Juiz de Direito Substituto 2014).Sobrealegislaoeleitoral,assinaleaopocorreta.

    a)AleiouResoluodoTSEquealterarouregulamentaroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraatumanodadatadesuavigncia.

    b)Aleiquealteraroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorranoexerccioseguintesuapublicao.

    c)Aleiquealteraroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraatumanodadatadesuavigncia.

    d)AleiouResoluodoTSEquealterarouregulamentaroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorranoexerccioseguintesuapublicao.

    5. GABARITO

    GABARITO COMENTRIOS

    01. D Aleiquealteraroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraat1(um)anodadatadesuavigncia(CF,art.16).

    02. E

    a)Certo.CompeteprivativamenteUniolegislarsobreDireitoEleitoral(CF,art.22,inc.I).

    b)Certo.Todademocraciacalcadanaideiadopovocomosoberanoetitulardopoder,eisquetodoopoderhdeemanardopovoeemseunomeserexercido.

    c)Certo.SorgosdoPoderJudicirio:

    d)Certo.corretoasseverarqueoDireitoEleitoraltratadeestabeleceraformadepar-ticipaonoexercciodopoder,sejaparaaocupaodasinstituies,ouparaexercerdo sufrgio universal.e)Errado.Oplebiscito,emborasejaummododeparticipaonoexercciodopodereumamanifestaodeassentimentoexaradapelovotopopular,noconferevalidadeaumaproposionormativaordinria.Eleprvio,ouseja,utilizadoantesdaproposi-onormativaordinria.Estariacertaaquestosetivesseinseridonolugardeplebis-citootemareferendo.Paraentendermelhoradistinoentreplebiscitoereferendo,recomendamosaleituradocaptulo3,item1.2.

    03. D AalternativaerradaseencontranapartefinaldaletraD.Defato,oprocessoeleitoralnosedesenvolveperanteosjuizadoscriminais,masperanteaprpriaJustiaEleitoral.

    04. A OprprioCdigoEleitoralconceitua,parafinseleitorais,funcionriodaJustiaEleito-ral(art.283,incs.IaIV)efuncionriopblico(1e2doart.283).

    05. A NosofontesdiretasdoDireitoEleitoralasResoluesdoTribunalSuperiorEleitoral.

    06. B Aleiquealteraroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraat1(um)anodadatadesuavigncia(CF,art.16).

    07. B Oart.16daConstituioFederalnormaconstitucionaldeeficciaplenaeaplicabili-dade imediata. Ela vigora independentemente da lei referida.

    08. D Aleiquealteraroprocessoeleitoralentraremvigornadatadesuapublicao,noseaplicandoeleioqueocorraat1(um)anodadatadesuavigncia(CF,art.16).

    09. C Ainiciativapopularencontraprevisono2doart.61daConstituioFederal.

    10. D CompeteprivativamenteUniolegislarsobredireitoeleitoral(conf.art.22,I,CF).

  • 65

    Introduo aoDireito Eleitoral

    GABARITO COMENTRIOS

    11. ERRADOAshiptesesde inelegibilidadedevem ser tratadas em lei complementar, conformedeterminao9doart.14daCF.UmaleiordinriaafrontariaaLeiMaiore,portanto,no seria vlida.

    12. ERRADO

    Ashiptesesde inelegibilidadedevem ser tratadas em lei complementar, conformedeterminao9doart.14daConstituioFederal.Umaleiordinriapublicadaem2008, ao criar hiptese de inelegibilidadepara proteger a legitimidadedas eleiescontraainflunciadopodereconmico,elaseriainconstitucional,porqueviolariaaLeiMaior da Repblica.

    13. A.

    ALein12.034/09fixouumcritrioobjetivoparaaconformaodoprincpiodadura-orazoveldoprocessoaosfeitoseleitorais,considerandocomotalolapsotemporalmximode1ano,contadodaapresentaodoprocessoJustiaEleitoral.Nessesen-tido,foiacrescentadolein9.504/97oart.97-A,comaseguinteredao:Art.97-A.NostermosdoincisoLXXVIIIdoart.5daConstituioFederal,considera-seduraorazoveldoprocessoquepossaresultaremperdademandatoeletivooperodom-ximode1(um)ano,contadodasuaapresentaoJustiaEleitoral.1AduraodoprocessodequetrataocaputabrangeatramitaoemtodasasinstnciasdaJustiaEleitoral.

    01.Extra. C.

    Arespostatranscrioliteraldoart.16daConstituioFederal.

    preciso,contudo,fazeralgunsesclarecimentos.

    ResoluodoTSEnoseconfundecomleieleitoral.

    Aleieleitoral,emrazodoprincpiodaanualidadeencartadonoart.16daConstituioFederal,aosereditada,desdequealtereoprocessoeleitoral,entraremvigornadatadesuapublicao,masnoseaplicareleioqueocorraatumanodadatadesuavigncia.AresoluodoTSE,dadooseucarterdenormasecundriaouregulamentar(noleiemsentidoestrito),podersereditadanomesmoanodaeleioeemsendoedi-tadanoanoeleitoral servirparadisciplinarorespectivopleito.Apropsito, rezaocaputdoart.105daLein9.504/97,comredaodadapelaLein12.034/09:Atodia5demarodoanodaeleio,oTribunalSuperiorEleitoral,atendendoaocarterregulamentaresemrestringirdireitosouestabelecersanesdistintasdasprevistasnestaLei,poderexpedirtodasasinstruesnecessriasparasuafielexecuo,ouvi-dos,previamente,emaudinciapblica,osdelegadosourepresentantesdospartidospolticos.