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    L I N H A S I N T R O D U T R I A S

    C A P T U L O I

    Linhas introdutrias

    Sumrio 1. Direito Processual Penal: 1.1. Conceito e finalidade; 1.2. Caractersticas; 1.3. Posio enciclopdica 2. Entendendo o tema: 2.1. Interesse; 2.2. Pretenso; 2.3. Lide; 2.4. Ao; 2.5. Processo: 2.5.1. Procedimento (aspecto objetivo do processo); 2.5.2. Relao jurdica processual (aspecto subjetivo do processo) 3. Sistemas processuais: 3.1. Sistema inquisitivo 3.2. Sistema acusatrio; 3.3. Sistema misto ou acusatrio formal 4. Fontes: 4.1. Conceito; 4.2. Classificao 5. Analogia: 5.1. Conceito; 5.2. Espcies; 5.3. Aplicao subsidiria do Novo Cdigo de Processo Civil 6. Interpretao da Lei Processual: 6.1. Quanto origem ou ao sujeito que a realiza; 6.2. Quanto ao modo ou aos meios empregados; 6.3. Quanto ao resultado 7. A Lei Processual Penal no Tempo: 7.1. Retroatividade pro ru; 7.2 Vacatio legis do Novo Cdigo de Processo Civil 8. A Lei Processual Penal no Espao 9. Princpios processuais Penais: 9.1. Princpio da presuno de inocncia ou da no-culpabilidade; 9.2. Princpio da imparcialidade do juiz; 9.3. Princpio da igualdade processual; 9.4. Princpio do contraditrio ou bilateralidade da audincia; 9.5. Princpio da ampla defesa; 9.6. Princpio da ao, demanda ou iniciativa das partes; 9.7. Princpio da oficialidade; 9.8. Princpio da oficiosidade; 9.9. Princpio da verdade real; 9.10. Princpio da obrigatoriedade; 9.11. Princpio da indisponibilidade; 9.12. Princpio do impulso oficial; 9.13. Princpio da motivao das decises; 9.14. Princpio da publicidade; 9.15. Princpio do duplo grau de jurisdio; 9.16. Princpio do juiz natural; 9.17. Princpio do promotor natural ou do promotor legal; 9.18. Princpio do defensor natural; 9.19. Princpio do devido processo legal; 9.20. Princpio do favor rei ou favor ru; 9.21. Princpio da economia processual; 9.22. Princpio da oralidade; 9.23. Princpio da autoritariedade; 9.24. Princpio da durao razovel do processo penal; 9.25. Princpio da proporcionalidade; 9.26. Princpio da inexigibilidade de autoincriminao; 9.27. Princpio da cooperao processual (positivado pelo Novo CPC) 10. Quadro Sintico 11. Smulas Aplicveis; 11.1. STJ; 11.2. STF 12. Informativos recentes: 12.1. STJ; 12.2. STF 13. Questes de concursos pblicos 14. Gabarito Anotado 15. Questes discursivas com comentrios 16. Questes para treinar (sem comentrios); 16.1. Gabarito.

    1. DIREITO PROCESSUAL PENAL

    1.1. Conceito e finalidade

    O direito um s e constitudo pela linguagem. A linguagem a tessitura cons-titutiva do mundo, dentro de um prisma fenomenolgico-existencialista1. No ponto, pode-se anuir com Edvaldo Brito quando enfatiza que a realidade do direito , em si, linguagem2. Esse modo de enxergar o direito importantssimo para sua aplicao contextualizada socialmente. assim que o direito processual penal compreender a interpretao/aplicao normativa penal sem descurar da Constituio e dos fatos da atualidade.

    Com essa advertncia que deve permear o estudo deste livro , calha trazer baila a lio de Frederico Marques, especialmente quando aduz que o direito processual penal o conjunto de princpios e normas que regulam a aplicao jurisdicional do direito penal, bem como as atividades persecutrias da Polcia Judiciria, e a estrutu-rao dos rgos da funo jurisdicional e respectivos auxiliares3.

    As disposies constitucionais sobre matria criminal fazem parte desse conjunto e a sua interpretao/aplicao, nas palavras de Thiago Bomfim, no pode ser uma atividade puramente mecnica, porm deve convergir para uma atividade criadora,

    1. STRECK, Lenio Luiz. Jurisdio constitucional e hermenutica. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. p.5.2. BRITO, Edvaldo. Limites da reviso constitucional. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1993. p.16.3. MARQUES, Jos Frederico. Elementos de direito processual penal. 2. ed. Campinas: Millennium, 2003. v.1. p.16.

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    responsvel por reconhecer como sendo parte integrante do sistema valores que at en-to se apresentavam sob uma perspectiva eminentemente filosfica, sociolgica e tica4.

    Com efeito, o processo penal deve ser compreendido de sorte a conferir efetivida-de ao direito penal, fornecendo os meios e o caminho para materializar a aplicao da pena ao caso concreto. Deve-se ter em vista que o jus puniendi concentra-se na figura do Estado. Essa caracterstica no se modifica quando se cuida de ao penal privada, eis que aqui o querelante passa a figurar como substituto processual.

    Outrossim, estando a vingana privada banida, como regra, do estado democrtico de direito, com a tipificao criminal do exerccio arbitrrio das prprias razes como crime contra a administrao da justia (art. 345 do CP), resta confiar ao direito processual penal a soluo das demandas criminais, delineando toda a persecuo penal do Estado, j que se cuida daquela parte do direito que regula a atividade tutelar do direito penal5.

    No que tange finalidade do direito processual penal, ela pode ser dividida em mediata e imediata: aquela diz respeito prpria pacificao social obtida com a solu-o do conflito, enquanto a ltima est ligada ao fato de que o direito processual penal viabiliza a aplicao do direito penal, concretizando-o.

    FINALIDADE DO DIREITO PROCESSUAL PENAL

    Mediata Imediata

    alcanar a pacificao social com a soluo do conflito

    viabilizar a aplicao do direito penal, concretizando-o

    1.2. CaractersticasA doutrina costuma discorrer sobre trs caractersticas do direito processual penal.

    Seno vejamos.1) Autonomia: o direito processual no submisso ao direito material, isto porque

    tem princpios e regras prprias e especializantes.2) Instrumentalidade: o meio para fazer atuar o direito material penal, consubstan-

    ciando o caminho a ser seguido para a obteno de um provimento jurisdicional vlido.3) Normatividade: uma disciplina normativa, de carter dogmtico, inclusive com

    codificao prpria (Cdigo de Processo Penal: Dec-Lei n 3.689/41).

    4. BOMFIM, Thiago. Os princpios constitucionais e sua fora normativa: anlise da prtica jursiprudencial. Salvador: JusPODIVM, 2008. p. 103.

    5. BELING, Ernst apud TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo penal. So Paulo: Saraiva, 2003. v.1. p. 26.

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    1.3. Posio enciclopdica

    H uma crtica atual dicotomia romana entre jus publicum et jus privatum, nota-damente porque a distino no explica perfeitamente todas as nuances de cada uma das esferas do direito. No obstante, o direito processual penal reconhecido como um dos ramos do direito pblico. O fundamento que um dos sujeitos o Estado e a finali-dade das normas obter a represso dos delitos, atravs do exerccio do jus puniendi, intrnseco quele.

    2. ENTENDENDO O TEMA

    Passaremos aqui, de forma sucinta, a identificar alguns conceitos fundamentais para o estudo da matria, levando-nos a relembrar tpicos da teoria geral do processo, en-frentados embrionariamente.

    2.1. Interesse

    o desejo, a cobia, a vontade de conquistar algo. um conceito extrajurdico, que desperta aquilo que se quer alcanar. O interesse indica uma relao entre as necessi-dades humanas (que so de variadas ordens) e os bens da vida aptos a satisfaz-las.

    Nas palavras de Moacyr Amaral Santos, a razo entre o homem e os bens, ora maior, ora menor, o que se chama interesse. Assim, aquilata-se o interesse da posio do homem, em relao a um bem, varivel conforme suas necessidades. Sujeito do in-teresse o homem; o bem o seu objeto6.

    Nesse sentido, Francisco Wildo destaca que quando existe uma necessidade que pode ser satisfeita por um determinado bem da vida, dizemos que h um interesse por esse bem. Desde Carnelutti, define-se o interesse como uma situao favorvel satis-fao de uma necessidade7.

    2.2. Pretenso

    a inteno de subordinar interesse alheio ao prprio. A beleza da busca do que se pretende o prazer da conquista, que muitas vezes envolve a submisso de um bem jurdico alheio para que prevalea o nosso.

    Pretenso, em direito processual, conceito formado pelos seguintes elementos: (1) intencional, vale dizer, dirige-se a um fim, de cunho teleolgico, expressando a vontade do sujeito ativo em subordinar o sujeito passivo a uma satisfao de necessidade que aquele entende legtima (em direito processual penal, a pretenso punitiva estatal tem seu incio deflagrado a partir do conhecimento do cometimento do crime); (2) dotada de persistncia, pois uma vez deduzida em juzo, perdura no tempo, ainda que desaparea o intento condenatrio do Ministrio Pblico, razo pela qual, ao final, o que a rigor se julga improcedente no a pretenso, porm o pedido condenatrio ( possvel ao juiz,

    6. SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 21. ed. So Paulo: Saraiva, 2008. v.1. p.3-4.7. DANTAS, Francisco Wildo Lacerda. Teoria geral do processo: jurisdio, ao (defesa), processo. 2. ed. So Paulo:

    Mtodo, 2007. p.41.

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    segundo o ordenamento jurdico brasileiro, julgar procedente o pedido condenatrio, mesmo que o Ministrio Pblico tenha requerido absolvio); e (3) exteriorizada pela ao penal, eis que esta veicula o jus puniendi do Estado.

    2.3. Lide

    Como a prevalncia de nosso interesse no se faz sem resistncia, e no mbito dos conflitos penais, a resistncia pretenso punitiva do Estado de rigor (princpio da ampla defesa, consagrado no art. 5, inciso LV da Carta Magna); a lide surge do conflito de interesses qualificado pela pretenso resistida8. No embate criminal, teremos, de um lado, a pretenso do Estado de fazer valer o direito material, aplicando a pena ao caso concreto, e, do outro, o status libertatis do imputado, que s pode ser apenado aps o devido processo legal. Pressupe-se, portanto, uma resistncia necessria do ru, tal como consagra expressamente a Carta Magna, em seu art. 133 ao afirmar que o advo-gado pea essencial administrao da justia , bem como a smula n 523 do STF, que enfatiza que a falta de defesa constitui nulidade absoluta do processo.

    bastante controvertida a questo sobre a existncia de lide no processo penal. Isso porque a presena de interesses antagnicos seria precipitada, j que a acusao e a defesa estariam em busca do mesmo interesse, que a realizao de justia. No processo criminal a figura do Ministrio Pblico, preocupada com o justo provimento, e no com a condenao desmedida, estaria no mesmo sentido da pretenso defensiva, buscando a adequada aplicao da lei penal9.

    Ademais, na esfera penal o conflito entre as partes irrelevante, pois o bem em jogo indisponvel, ao passo que no processo civil, de regra, h poder de disposio das partes em face dos respectivos interesses. Na seara penal h o interesse pblico prevalente na realizao da justia, o que contemporizado nas aes de iniciativa privada, pois a vtima movida pelos princpios da oportunidade, podendo exercer ou no a ao, e da disponibilidade, podendo desistir da demanda, seja perdoando o ru, ou atravs da perempo.

    Gustavo Henrique Righi Ivahy Badar apregoa que a lide no condio essencial para o surgimento e desenvolvimento do processo. Ela pode at existir quando o acu-sado resiste pretenso formulada pela acusao, mas absolutamente irrelevante para o desenvolvimento e a deciso do processo. Em razo da nulla poena sine iudicio, o processo penal ferramenta necessria e incontornvel, j que os interessados tm no judicirio o rgo canalizador da aplicao do direito punitivo, e a necessidade do contraditrio como meio mais eficiente para a descoberta da verdade acaba por ratificar a dependncia processual para resolver a pretenso que nasce insatisfeita10. Por essa razo, a ao penal uma ao necessria, quando se pensa na efetivao da pretenso punitiva.

    8. CARNELUTTI,Francesco. Sistema de direito processual civil. Traduo: Hiltomar Martins Oliveira. So Paulo: Classi-cBook, 2000.v.1. p.93.

    9. BIZZOTTO, Alexandre; RODRIGUES, Andreia de Brito. Julgamento antecipado civil e penal. Goinia: AB, 1999.p. 120. Tambm fazem registro, preferindo a expresso controvrsia penal: ARAJO CINTRA. Antonio Carlos de; GRINOVER. Ada Pellegrini; DINAMARCO. Cndido R. Teoria geral do processo. 13.ed. Malheiros: So Paulo, 1997. p.132.

    10. BADAR, Gustavo Henrique Righi Ivahy. nus da prova no processo penal. So Paulo: RT, 2003. p. 205-206.

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    O ru no pode voluntariamente submeter-se pretenso acusatria, ressalvada a possibilidade da transao penal, no mbito da justia consensual. Da mesma maneira, se o ru confessar o crime, ou se o Ministrio Pblico requer a absolvio, isso no suficiente para que o processo chegue ao seu final de maneira precipitada. necess-ria cognio exauriente do manancial probatrio para formao do convencimento do julgador, j que estamos diante de bens jurdicos indisponveis, e a lide deve ser vista de forma acidental, secundria, e despicienda para o exerccio jurisdicional em matria criminal. No outra a posio de Afrnio Silva Jardim, que entende que a lide pres-cindvel ao processo; o que indispensvel a pretenso do autor manifestada em juzo, exteriorizada pelo pedido e delimitada pela causa de pedir11.

    2.4. Ao

    Gerindo o Estado a administrao da prpria justia, evitando com isso que ns, anuentes do Pacto Social, faamos justia com as prprias mos, no pode aquele se omitir (non liquet). Tem o dever de agir, cabendo-nos o direito pblico subjetivo de obter uma deciso acerca do fato objeto do processo. Desta forma, enquanto o poder-dever de punir do Estado, a ns cabe o direito de exigir esta punio, que o direito tutela jurisdicional.

    Na senda da doutrina processual majoritria, Jos Antnio Paganella Boschi sustenta que a ao o direito subjetivo pblico de mover a jurisdio, explicando que o poder de mover a jurisdio pode ter natureza de direito subjetivo pblico nas aes de iniciativa privada ou de dever jurdico nas aes pblicas12.

    Interessa anotar, todavia, a crtica de Ovdio Arajo Baptista da Silva, com a qual concordamos, consistente em enfatizar que a doutrina processual, na realidade, con-funde ao processual com o direito subjetivo pblico do litigante de obter prestao jurisdicional. Ao (processual), dessa forma, agir em juzo e no direito subjetivo pblico , no sendo adequado mesclar o conceito de ao, qualquer que seja o nvel em que o conceito seja tomado, e o conceito de direito subjetivo que lhe serve de su-porte, ou mesmo confundir direito pblico subjetivo de ao com a atuao desse direito atravs da ao processual13.

    2.5. Processo

    o instrumento de atuao da jurisdio. a principal ferramenta para solucionar os conflitos de interesse que se apresentam. No lxico, a palavra processo significa ato de proceder ou de andar. Contempla um elemento constitutivo objetivo, qual seja, o procedimento, que a sequncia de atos concatenados a um objetivo final, dizer, o

    11. JARDIM, Afrnio Silva. Direito processual penal. Rio de Janeiro: Forense, 2005.p. 161.12. BOSCHI, Jos Antonio Paganella. Ao penal: denncia, queixa e aditamento. 3. ed. Rio de Janeiro: AIDE, 2002.

    p.21-22.13. SILVA, Ovdio Arajo Baptista da. Direito subjetivo, pretenso de direito material e ao. In: Polmica sobre a ao:

    a tutela jurisdicional na perspectiva das relaes entre direito e processo. Fbio Cardoso Machado; Guilherme Rizzo Amaral (orgs.). Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006. p.31.

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    provimento jurisdicional, e um elemento constitutivo subjetivo, que a relao jurdica processual entre os sujeitos que integram o processo.

    = +2.5.1. Procedimento (aspecto objetivo do processo)

    a sequncia de atos praticados no processo.

    2.5.2. Relao jurdica processual (aspecto subjetivo do processo)

    o nexo que une e disciplina a conduta dos sujeitos processuais em suas ligaes recprocas durante o desenrolar do procedimento, sendo seus elementos identificadores:

    a) Os sujeitos processuais: partes e magistrado.

    b) O objeto da relao:

    b.1) Aspecto material: bem da vida;

    b.1) Aspecto processual: provimento jurisdicional desejado.

    c) Os pressupostos processuais:

    c.1) Subjetivos:

    Relativos ao juiz:

    Investidura: a necessidade de estar investido no cargo em conformidade com a Constituio e a legislao em vigor;

    Competncia: a medida da jurisdio. o limite legal dentro do qual o rgo ju-risdicional poder atuar;

    Ausncia de suspeio: a imparcialidade necessria para o exerccio da jurisdio. As hipteses que levam a suspeio e ao impedimento do magistrado esto listadas nos artigos 252, 253 e 254 do CPP.

    Relativos s partes:

    Capacidade de ser parte: a capacidade de contrair obrigaes e exercer direitos. A capacidade de ser parte refere-se a todas as pessoas, salientando-se que para haver capacidade de ser parte passiva no processo penal, preciso que o agente tenha idade igual ou superior a dezoito anos, considerada poca da ocorrncia dos fatos narrados na denncia;

    Capacidade de estar em juzo sozinho: refere-se necessidade de assistncia e representao daqueles que no gozam da plena capacidade;

    Capacidade postulatria: necessria para o pleito judicial, afinal, como consagra a Carta Magna em seu art. 133, o advogado pea essencial administrao da justia.

    c.2) Objetivos:

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    Extrnsecos: ausncia de fatos impeditivos para o regular tramitar procedimental, a exemplo da inexistncia de coisa julgada ou de litispendncia;

    Intrnsecos: regularidade formal, ou melhor, respeito disciplina normativa do pro-cesso, ao devido processo legal ou ao chamado processo tipificado, isto , aquele previsto em lei.

    3. SISTEMAS PROCESSUAIS

    A depender dos princpios que venham a inform-lo, o processo penal, na sua es-trutura, pode ser inquisitivo, acusatrio e misto. o que Tourinho Filho enquadra como tipos de processo penal14.

    A principal funo da estrutura processual, como aponta Geraldo Prado, a de ga-rantia contra o arbtrio estatal, conformando-se o processo penal Constituio Federal, de sorte que o sistema processual penal estaria contido dentro do sistema judicirio, que por sua vez espcie do sistema constitucional, que deriva do sistema poltico15.

    3.1. Sistema inquisitivo

    O princpio inquisitivo caracterizado pela inexistncia de contraditrio e de am-pla defesa, com concentrao das funes de acusar, defender e julgar em uma figura nica (juiz). O procedimento escrito e sigiloso, com o incio da persecuo, produo

    14. TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo penal. So Paulo: Saraiva, 2003. v.1. p.88.15. PRADO, Geraldo. Sistema acusatrio. A conformidade constitucional das leis processuais penais. 4. ed. Rio de Janeiro:

    Lumen Juris, 2006. p. 55.

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    No ponto, registramos nossa discordncia quanto a essa tendncia pretoriana, em razo de findar por tambm relativizar as garantias processuais do acusado.

    Sem embargo, diante da jurisprudncia que tem tratado como nulidade relativa v-cios que outrora eram considerados nulidade absoluta, cabvel a aplicao analgica do princpio da cooperao processual, previsto no Novo CPC, ao processo penal.

    Parte-se da ideia de que, verificando vcio processual, a parte prejudicada no pode, por exemplo, retardar o momento de sua alegao, para futuramente sustentar uma nulidade absoluta, requerendo a invalidao de todo o processo. Nessa senda, afirma-se que no possvel mais tolerar omisses propositais que fujam do escopo da regra do duty to mitigate the loss (dever de reduzir o prejuzo). Da que o Novo Cdigo ordena que todos os sujeitos do processo tm o dever de cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razovel, deciso de mrito justa e efetiva. A disposio encontra sintonia com o princpio constitucional da razovel durao do processo e da boa-f objetiva.

    Outros dois enunciados do Novo CPC que respaldam essa concluso so: (a) o que declara que as partes tm o direito de obter, em prazo razovel, a soluo integral do mrito, includa a atividade satisfativa (art. 4, NCPC); e (b) o que determina que aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-f (art. 5, NCPC). Tais regras, diante da melhor preciso e generalidade de sua aplicao que aquelas de objetivo semelhante do CPP, tm perfeita incidncia no direito processual penal, colmatando as lacunas existentes.

    10. QUADRO SINTICO

    W1dh>K/>/E,^/EdZKhdMZ/^DIREITO PROCESSUAL PENAL

    Conceito e finalidades

    O processo penal deve conferir efetividade ao direito penal, fornecendo os meios e o caminho para materializar a aplicao da pena ao caso concreto. Tem como finalidades a pacificao social obtida com a soluo do conflito (mediata), e a viabilizao da aplicao do direito penal, concretizando-o (imediata).

    1.1

    Caractersticas

    a) Autonomia: o direito processual no submisso ao direito material, isto porque, tem princpios e regras prprias e especializantes.b) Instrumentalidade: o meio para fazer atuar o direito material penal, oferecendo as ferramentas e os caminhos a serem seguidos na obteno de um provimento jurisdicional vlido.c) Normatividade: uma disciplina normativa, de carter dogmtico, inclusive com codificao prpria (Cdigo de Processo Penal: Dec-lei n 3.689/41).

    1.2

    Posio enciclopdica

    um dos ramos do direito pblico, embora haja uma crtica atual dicotomia romana entre jus publicum et jus privatum. 1.3

    ENTENDENDO O TEMA

    Interesse o desejo, a cobia, a vontade de conquistar algo. O interesse indica uma relao entre as necessidades humanas (que so de variadas ordens) e os bens da vida aptos a satisfaz-las.

    2.1

    Pretenso a inteno de subordinar interesse alheio ao prprio. 2.2

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    Lide

    Surge do conflito de interesses qualificado pela pretenso resistida. No em-bate criminal, teremos, de um lado, a pretenso do Estado de fazer valer o direito material, aplicando a pena ao caso concreto, e, do outro, o status li-bertatis do imputado, que s pode ser apenado aps o devido processo legal.

    2.3

    Ao O Estado tem o dever de agir, cabendo-nos o direito pblico subjetivo de obter do mesmo uma deciso acerca da lide objeto do processo. 2.4

    Processo o instrumento de atuao da jurisdio. Contempla um elemento constitu-tivo objetivo (o procedimento), e um elemento constitutivo subjetivo (relao jurdica processual entre os sujeitos que integram o processo).

    2.5

    SISTEMAS PROCESSUAIS

    A depender dos princpios que venham a inform-lo, o processo penal, na sua estrutura, pode ser inquisitivo, acusatrio e misto. com a fundamentao da sentena que so explicitadas as teses da acusao e da defesa, as provas produzidas e as razes do convencimento do juiz.

    3

    Sistema inquisitivo

    Concentra em figura nica (juiz) as funes de acusar, defender e julgar; no h contraditrio ou ampla defesa; o procedimento escrito e sigiloso, com o incio da persecuo, produo da prova e prolao de deciso pelo magistrado.

    3.1

    Sistema acusatrio

    H ntida separao entre as funes de acusar, defender e julgar; o con-traditrio, a ampla defesa e a publicidade regem todo o processo; o rgo julgador dotado de imparcialidade; o sistema de apreciao das provas o do livre convencimento motivado. o sistema adotado no Brasil, com algumas mitigaes.O Novo CPC suprime o termo livre ao sufragar o princpio do "convenci-mento motivado". No entanto, a modificao no traz maior repercusso, salvo em razo de deixar mais claro o dever do magistrado de fundamentar suas decises de forma suficiente (art. 93, IX, CF/1988).

    3.2

    Sistema misto ou acusatrio

    formal

    Caracteriza-se por uma instruo preliminar, secreta e escrita, a cargo do juiz, com poderes inquisitivos, no intuito da colheita de provas, e por uma fase contraditria (judicial) em que se d o julgamento, admitindo-se o exerccio da ampla defesa e de todos os direitos dela decorrentes.

    3.3

    Procedimento a sequncia de atos praticados no processo. 3.3.1

    Relao jurdica processual

    o nexo que une e disciplina a conduta dos sujeitos processuais em suas ligaes recprocas durante o desenrolar do procedimento, sendo seus ele-mentos identificadores:a) os sujeitos processuais: partes e magistrado.b) o objeto da relao: Aspecto material: bem da vida; Aspecto processual: provimento jurisdicional desejado.c) os pressupostos processuais:c.1) subjetivos: Relativos ao juiz: Investidura, Competncia, Ausncia de suspeio Relativos s partes: Capacidade de ser parte, Capacidade de estar em juzo sozinho, Capacidade postulatria.c.2) Objetivos: Extrnsecos; Intrnsecos.

    3.3.2

    FONTES

    Conceito tudo aquilo de onde provm um preceito jurdico. a origem do prprio direito. 4.1

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    11. SMULAS APLICVEIS

    11.1. STJ

    Smula n 21: Pronunciado o ru, fica superada a alegao do constrangimento ilegal da priso por excesso de prazo na instruo.

    Smula n 52: Encerrada a instruo criminal, fica superada a alegao de constrangimento por ex-cesso de prazo.

    Smula n 64: No constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instruo, provocado pela defesa.

    Smula n 501: cabvel a aplicao retroativa da Lei n 11.343/2006, desde que o resultado da inci-dncia das suas disposies, na ntegra, seja mais favorvel ao ru do que o advindo da aplicao da Lei n 6.368/1976, sendo vedada a combinao de leis.

    11.2. STF

    Smula Vinculante n 14. direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, j documentados em pro-cedimento investigatrio realizado por rgo com competncia de polcia judiciria, digam respeito ao exerccio do direito de defesa.

    Smula n 523: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficincia s o anular se houver prova de prejuzo para o ru.

    Smula n 611: Transitada em julgada a sentena condenatria, compete ao juzo das execues a aplicao da lei mais benigna.

    Smula n 697: A proibio de liberdade provisria nos processos por crimes hediondos no veda o relaxamento da priso processual por excesso de prazo.

    Smula n 708: nulo o julgamento da apelao se, aps a manifestao nos autos da renncia do nico defensor, o ru no foi previamente intimado para constituir outro.

    Smula n 716: Admite-se a progresso de regime de cumprimento da pena ou a aplicao imediata do regime menos severo nela determinada, antes do trnsito em julgado da sentena condenatria.

    Smula n 717: No impede a progresso de regime de execuo da pena, fixada em sentena no transitada em julgado, o fato de o ru se encontrar em priso especial.

    12. INFORMATIVOS RECENTES

    12.1. STJ

    Direito processual penal. Denncia formulada pelo mp estadual. Necessidade de ratificao pela PGR para processamento no STJ.

    No possvel o processamento e julgamento no STJ de denncia originariamente apresentada pelo Ministrio Pblico estadual na Justia esta-dual, posteriormente encaminhada a esta corte superior, se a exordial no for ratificada pelo Procurador-Geral da Repblica ou por um dos Subprocuradores-Gerais da Repblica. A partir do momento em que houve modificao de compe-tncia para o processo e julgamento do feito, a denncia oferecida pelo parquet estadual somente poder ser examinada por esta Corte se for rati-ficada pelo MPF, rgo que tem legitimidade para atuar perante o STJ, nos termos dos arts. 47, 1, e 66 da LC n 35/1979, dos arts. 61 e 62 do RISTJ e em respeito ao princpio do promotor natural. Prece-dentes citados: AgRg no Ag 495.934-GO, DJ 3/9/2007, e AgRg na SS 1.700-CE, DJ 14/5/2007. APn 689-BA, Rel. Min. Eliana Calmon, julgada em 17/12/2012 (Info 511).

    Direito penal e processual penal. Natureza da ao penal. Norma processual penal material.

    A norma que altera a natureza da ao penal no retroage, salvo para beneficiar o ru. A norma que dispe sobre a classificao da ao penal in-fluencia decisivamente o jus puniendi, pois interfere nas causas de extino da punibilidade, como a decadncia e a renncia ao direito de queixa, por-tanto tem efeito material. Assim, a lei que possui normas de natureza hbrida (penal e processual) no tem pronta aplicabilidade nos moldes do art. 2 do CPP, vigorando a irretroatividade da lei, salvo para beneficiar o ru, conforme dispem os arts. 5, XL, da CF e 2, pargrafo nico, do CP. Preceden-te citado: HC 37.544-RJ, DJ 5/11/2007. HC 182.714-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/11/2012. (Info 509)

    Nulidade. Jri. Ausncia de defesaIn casu, o paciente foi condenado pena de 14 anos de recluso, como incurso no art. 121, 2, I e IV, do CP. Sustenta-se a nulidade do processo

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    por ausncia de defesa tcnica efetiva, pois o patrono do paciente, na sesso plenria do jri, teria utilizado apenas quatro minutos para proferir sua sustentao oral. Invoca a aplicao da Sm. n 523/STF, asseverando que, aps a sustentao proferida, deveria ter a magistrada declarado o ru indefeso, dissolvendo o conselho de sentena e preservando, assim, o princpio do devido pro-cesso legal. O Min. Relator observou que a matria objeto da impetrao no foi suscitada e debatida previamente pelo tribunal a quo, razo pela qual o habeas corpus no deve ser conhecido, sob pena de supresso de instncia. Contudo, entendeu a existncia de ilegalidade flagrante, visto que emer-ge dos autos que a atuao do defensor do pa-ciente, na sesso de julgamento do tribunal do jri, no caracterizou a insuficincia de defesa, mas a sua ausncia. Como se verificou, o defensor dativo utilizou apenas quatro minutos para fazer toda a defesa do paciente. certo que a lei processual penal no estipula um tempo mnimo que deve ser utilizado pela defesa quando do julgamento do jri. Contudo, no se consegue ver razoabilidade no prazo utilizado no caso concreto, por mais sin-ttica que tenha sido a linha de raciocnio utilizado. O art. 5, XXXVIII, da CF assegura a plenitude de defesa nos julgamentos realizados pelo tribunal do jri. Na mesma linha, o art. 497, V, do CPP estatui ser atribuio do juiz presidente do tribunal do jri nomear defensor ao acusado, quando consi-der-lo indefeso, podendo, neste caso dissolver o conselho e designar novo dia para o julgamen-to, com a nomeao ou a constituio de novo defensor. Cabia, portanto, a interveno do juiz presidente, a fim de garantir o cumprimento da norma constitucional que garante aos acusados a plenitude de defesa, impondo-se que esta tenha carter material, no apenas formal. Diante dessa e de outras consideraes, a Turma concedeu a ordem de ofcio, para anular o processo desde o julgamento pelo tribunal do jri e determinar outro seja realizado e ainda o direito de responder ao processo em liberdade, at deciso final transitada em julgado, salvo a supervenincia de fatos novos e concretos que justifiquem a decretao de nova custdia. HC 234.758-SP, Rel. Min. Sebastio Reis J-nior, julgado em 19/6/2012. (Info 500)

    Hc. Advogado. Acesso. Denncia.In casu, requerem os impetrantes o reconheci-mento do direito de ter acesso denncia de uma ao penal na qual no possuem procurao, visando instruir a defesa de seu cliente na ao

    penal a que responde. Noticiam os autos que o paciente foi denunciado e pronunciado por homi-cdio qualificado com dolo eventual, acusado de ter causado a morte de nove pessoas ao dirigir embriagado. Com base em notcias vinculadas na imprensa nacional, a defesa do paciente solicitou ao juzo processante cpia da exordial acusatria de uma ao penal em trmite no rgo especial do Tribunal de Justia estadual, envolvendo um promotor pblico que teria, tambm, atropelado e matado trs pessoas, vindo a ser denunciado por homicdio culposo. Alegam os impetrantes que o paciente e o aludido promotor de justia, embora tenham praticado a mesma conduta, receberam tratamentos legais e processuais diversos, razo pela qual o elemento de prova pretendido seria essencial tese da defesa, visando desclassi-ficao do tipo denunciado. Com o indeferimen-to do pedido, a defesa impetrou habeas corpus na corte local, tambm denegado. Inicialmente, observou o Min. Relator que, por determinao constitucional, assegurado aos membros do Parquet foro especial por prerrogativa de funo, criado para proteger determinados cargos ou funes pblicas diante de sua relevncia, j que as decises referentes aos delitos praticados por seus ocupantes poderiam ocasionar uma srie de implicaes. Por outro vrtice, ainda que a regra seja a da publicidade nos termos do art. 93, IX, da CF, excepcionalmente, a fim de que se preserve a intimidade do ru e desde que no prejudique o interesse pblico informao, a autoridade competente poder decretar o sigilo processual. o que aparenta ser o caso da ao penal movida em desfavor do promotor. Tambm, certo que a ampla defesa deve abranger tanto o direito de o acusado ser assistido por profissional habilita-do, como o direito de defender-se com a maior amplitude possvel, e certo que a imputao de responsabilidade penal a qualquer acusado deve observar o devido processo legal e permitir o pleno exerccio da ampla defesa e do contradit-rio. Nesse vis, cabe ao magistrado a faculdade do indeferimento, de forma motivada, das provi-dncias que julgar protelatrias, irrelevantes ou impertinentes. Ressaltou, ainda, o Min. Relator que, no caso, restou equivocadamente fundamentada a negativa de acesso cpia da denncia, limi-tando-se o magistrado processante a afirmar que a eventual simetria entre os fatos no justifica a juntada ou a quebra de sigilo decretado por outro juzo. exatamente a aparente simetria entre os fatos que justifica o pedido do paciente para ter acesso cpia da exordial de outra ao penal,

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    visando ao cotejo entre aquela e a sua acusao. Diante dessa e de outras consideraes, a Turma concedeu a ordem. HC 137.422-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 10/4/2012. (Info 495)

    Princpio da identidade fsica do juz. Juza substituta.

    No h ofensa ao art. 399, 2 do CPP, que es-tatui que o juiz que presidiu a instruo dever proferir a sentena identidade fsica , na hip-tese de juza substituta tomar os depoimentos das testemunhas de acusao e, posteriormente, ser sucedida pela juza titular que prosseguiu com a audincia, ouvindo as testemunhas de defesa e proferindo sentena de mrito que condenou o impetrante. Ademais, a juza substituta estava exercendo o seu munus em carter temporrio, podendo ser designada, por ato da presidncia do tribunal, a atuar em qualquer outra vara. Por outro lado, a juza titular tem por funo, dentre outros atos, a entrega da prestao jurisdicional nos feitos conclusos para sentena. HC 219.482-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/3/2012. (Info 495)

    Protesto por novo jri. Norma processual pe-nal. Tempus regit actum.

    A Turma firmou o entendimento de que a excluso do ordenamento jurdico do protesto por novo jri, nos termos da redao conferida pela Lei n 11.689/2008, tem aplicao imediata aos processos pendentes em consonncia com o princpio tempus regit actum, previsto no art. 2 do CPP. Segundo se afirmou, o interesse recursal do paciente surgiu to somente no momento em que j no havia previso legal do recurso de protesto por novo jri, pois a sentena condenatria foi proferida em 12/4/2011. Alm disso, no obstante o fato cri-minoso ter sido praticado antes da edio da lei em questo, tal circunstncia no teria o condo de manter a aplicao de dispositivo outrora revo-gado, visto que o tema circunscreve-se matria estritamente processual, de incidncia imediata. Precedente citado: RHC 26.033-RO, DJe 1/8/2011. RHC 31.585-SP, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Desem-bargador convocado do TJ-RS), julgado em 22/3/2012. (Info 493)

    Uso de documento falso: tipicidade da conduta e princpio da autodefesa.

    A Turma denegou habeas corpus no qual se pos-tulava o reconhecimento da atipicidade da con-duta praticada pelo paciente uso de documen-to falso (art. 304 do CP) em razo do princpio

    constitucional da autodefesa. Alegava-se, na esp-cie, que o paciente apresentara autoridade poli-cial carteira de habilitao e documento de iden-tidade falsos, com objetivo de evitar sua priso, visto que foragido do estabelecimento prisional, conduta plenamente exigvel para a garantia de sua liberdade. O Min. Relator destacou no des-conhecer o entendimento desta Corte de que no caracteriza o crime disposto no art. 304, tampouco no art. 307, ambos do CP, a conduta do acusado que apresenta falso documento de identidade autoridade policial para ocultar antecedentes cri-minais e manter o seu status libertatis, tendo em vista se tratar de hiptese de autodefesa, j que atuou amparado pela garantia consagrada no art. 5, inciso LXII, da CF. Considerou, contudo, ser ne-cessria a reviso do posicionamento desta Corte para acolher entendimento recente do Supremo Tribunal Federal em sentido contrrio, proferido no julgamento do RE 640.139-DF, quando reconhe-cida a repercusso geral da matria. Ponderou-se que, embora a aludida deciso seja desprovida de carter vinculante, deve-se atentar para a fi-nalidade do instituto da repercusso geral, qual seja, uniformizar a interpretao constitucional. Conclui-se, assim, inexistir qualquer constrangimen-to ilegal suportado pelo paciente uma vez que tpica a conduta daquele que autoridade policial apresenta documentos falsos no intuito de ocultar antecedentes criminais negativos e preservar sua liberdade. HC 151.866-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 1/12/2011 (Info 488)

    Princpio do juiz natural. Cmara composta ma-joritariamente por juzes convocados.

    A Turma, em questo de ordem, retratou a deci-so anterior e denegou o habeas corpus. Na es-pcie, a ordem havia sido concedida para anular o julgamento da apelao proferido por cmara composta majoritariamente por juzes de primeiro grau convocados, conforme o entendimento ado-tado, poca, pelo STJ. Contra esse julgado, o MPF interps recurso extraordinrio e, diante do que ficou assentado pelo STF no julgamento do RE 597.133-RS, os autos foram devolvidos Min. Relatora para os efeitos do art. 543-B, 3, do CPC. Com essas consideraes, adotou-se o posiciona-mento do STF de que, na hiptese, no h ofensa ao princpio constitucional do juiz natural. Anote-se que, na mesma assentada, esse entendimento foi aplicado no julgamento de outros HCs. Precedente citado do STF: HC 96.821-SP, DJe 24/6/2010. QO no HC

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    julgado da condenao e determinar ao tribunal de justia que, superada a intempestividade do recurso interposto, proceda a novo juzo de ad-missibilidade. Determinou, ainda, fosse oficiado ao juzo das execues para sobrestar o andamento da execuo e recolher o mandado de priso. Na espcie, o acrdo da apelao fora publicado em determinada data, a constar deciso unnime, e o voto divergente a ele fora juntado posterior-mente. A Turma asseverou que, ante a ausncia do mencionado voto, a defesa teria sido impe-dida de verificar os fundamentos e a extenso da divergncia para apresentar o recurso cabvel. Acentuou que esse fato no poderia ser tratado como mera irregularidade, em face do manifesto prejuzo ao paciente. HC 118344/GO, rel. Min. Gilmar Mendes, 18.3.2014. (Info 739)

    13. QUESTES DE CONCURSOS PBLI-COS

    01. (Vunesp Delegado de Polcia SP/2014) A respeito do direito ao silncio do acusado no inqurito policial, correto afirmar que

    (A) no importar em confisso, mas em presun-o de culpabilidade.

    (B) importar em confisso.

    (C) importar em confisso, exceto se o acusado manifestar o direito constitucional de somente falar em juzo.

    (D) no importar em confisso, entretanto, po-der consti tuir elemento para formao do convencimento do juiz em eventual processo penal.

    (E) no importar em confisso.

    02. (Vunesp Delegado de Polcia SP/2014) A lei processual penal

    (A) tem aplicao imediata, sem prejuzo dos atos realizados sob a vigncia de lei anterior.

    (B) somente pode ser aplicada a processos inicia-dos sob sua vigncia.

    (C) tem aplicao imediata, devendo ser declara-dos inv lidos os atos praticados sob a vigncia de lei anterior.

    (D) tem aplicao imediata, devendo ser renova-dos os atos praticados sob a vigncia da lei anterior.

    (E) retroativa aos atos praticados sob a vigncia de lei anterior.

    03. (Vunesp Delegado de Polcia SP/2014) So princpios constitucionais explcitos do proces-so penal:

    (A) ampla defesa e interveno mnima.

    (B) presuno de inocncia e lesividade.

    (C) interveno mnima e duplo grau de jurisdio.

    (D) presuno de inocncia e ampla defesa.

    (E) lesividade e interveno mnima.

    04. (Vunesp Delegado de Polcia SP/2014) Em se tratando de processo penal, assinale a alterna-tiva que apresenta, correta e respectivamente, uma fonte direta e uma fonte indireta.

    (A) Costume e lei.

    (B) Costume e jurisprudncia.

    (C) Doutrina e jurisprudncia.

    (D) Princpios gerais do direito e doutrina.

    (E) Lei e costume.

    05. (FEPESE Promotor de Justia SC/2014 Adap-tada) So efeitos do princpio tempus regit ac-tum, previsto no Cdigo de Processo Penal: a) os atos processuais realizados sob a gide da lei anterior so considerados vlidos; b) as normas processuais tm aplicao imediata, pouco importando se o fato que deu origem ao processo anterior sua entrada em vigor.

    06. (FEPESE Promotor de Justia SC/2014 Adap-tada) Segundo o Cdigo de Processo Penal, a lei processual penal admitir interpretao extensiva e aplicao analgica.

    07. (Vunesp Juiz de Direito Substituto PA/2014) Em matria processual penal, o duplo grau de jurisdio

    (A) no previsto expressamente pela Conveno America na de Direitos Humanos, mas pela CR/88.

    (B) no previsto expressamente pela CR/88, mas pela Conveno Americana de Direitos Hu-manos.

    (C) no previsto expressamente nem pela CR/88 nem pela Conveno Americana de Direitos Hu-manos.

    (D) direito fundamental previsto expressamente tanto pela CR/88 quanto pela Conveno Ame-ricana de Direitos Humanos.

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    (C) O contraditrio a cincia bilateral dos atos e termos processuais e a possibilidade de con-trari-los.

    (D) A ampla defesa desdobra-se em autodefesa e defesa tcnica, sendo a primeira exercida pessoalmente pelo acusado e a segunda por profissional habilitado, com capacidade postu-latria e conhecimentos tcnicos.

    (E) A defesa tcnica irrenuncivel, por se tratar de garantia da prpria jurisdio.

    20. (Promotor de Justia MS/MPE-MS/2013 Adap-tada) O princpio nemo tenetur se detegere tem aplicao apenas em relao ao mrito do interrogatrio, pois o ru tem o dever de informar seu nome e endereo, no sendo aplicvel o direito ao silncio, at porque o direito penal dos fatos e no do autor.

    14. GABARITO ANOTADO

    01 E

    Vide:

    X Art. 198, CPPX Item 9.26. Princpio da inexigibilidade de au-

    toincriminao

    02 A

    Vide:

    X Art. 2, CPPX Item 7. A Lei Processual Penal no Tempo

    03 D

    Vide:

    X Art. 5, incisos LVII e LV, CF/88X Item 9. Princpios processuais Penais

    04 E

    Vide:

    X Art. 5, 2 e 3 CPP e art. 22, I, CF/88X Art. 4, da LINDBX Item 4.2. Classificao

    05 C

    Vide:

    X Art. 2, CPPX Item 7. A Lei Processual Penal no Tempo

    06 C

    Vide:

    X Art. 3, CPPX Item 4.2. Classificao

    07 B

    Vide:

    X Pacto de So Jos da Costa Rica, art. 8, 2, hX Item 9.15. Princpio do duplo grau de jurisdio

    08 C

    Vide:

    X Art. 5, inc. LVII, da CF/88X Item 9.1. Princpio da presuno de inocncia

    ou da no-culpabilidade

    09 E

    Vide:

    X Art. 5, LV, CFX Item 9.5. Princpio da ampla defesa

    10 E

    Vide:

    X Art. 5, LXXVIII, CF/88X Item 9.24. Princpio da durao razovel do

    processo penal

    11 C

    Vide:

    X Item 9. Princpios processuais Penais12 C

    Vide:

    X Smula n 523, SFT;X Art. 5, LV, CF/88X Item 9.5. Princpio da ampla defesa

    13 C

    Vide:

    X [...] 2. Apesar de ter sido formalmente con-signado no auto de priso em flagrante que o indiciado exerceu o direito de permanecer calado, existe, nos autos da ao penal, gra-vao realizada entre ele e os policiais que efetuaram sua priso, momento em que no foi informado da existncia desse direito,

  • 91

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    assegurado na Constituio Federal. 3. As ins-tncias ordinrias insistiram na manuteno do elemento de prova nos autos, utilizando, de forma equivocada, precedente do Supremo Tribunal Federal no sentido de que no con-siderada ilcita a gravao do dilogo quando um dos interlocutores tem cincia da gravao. 4. Tal entendimento no se coaduna com a situao dos autos, uma vez que alm de a gravao estar sendo utilizada para sustentar uma acusao no caso do precedente citado estava em ponderao o sigilo das comunica-es, enquanto no caso em questo est em discusso o direito constitucional de o acusado permanecer calado, no se autoincriminar ou no produzir prova contra si mesmo. 5. Admitir tal elemento de prova nos autos redundaria em permitir um falso exerccio de um direi-to constitucionalmente assegurado, situao inconcebvel em um Estado Democrtico de Direito. (STJ, HC 244977)

    X Art. 5, LXIII, CF.X Item 9.26. Princpio da inexigibilidade de au-

    toincriminao.

    14 E

    Vide:X Item 9.26. Princpio da inexigibilidade de au-

    toincriminao.

    15 E

    Vide:

    X A sexta turma deste Superior Tribunal firmou o entendimento de que a atribuio de falsa identidade, por meio de apresentao de do-cumento falso, no constitui mero exerccio do direito de autodefesa, a tipificar, portanto, o delito descrito no art. 304 do Cdigo Penal. (STJ AgRg-REsp 1369983)

    X Item 9.26. Princpio da inexigibilidade de au-toincriminao.

    16 E

    Vide:X Art. 2, CPPX Item 7. A Lei Processual Penal no Tempo.

    17 E

    Vide:

    X Art. 2, CPP.X Item 7. A Lei Processual Penal no Tempo.

    18 A

    Vide:

    X Art. 5, LV, CF.X Item 9.5. Princpio da ampla defesa.

    19 B

    Vide:

    X Art. 5, LV, CF.X Item 9.4. Princpio do contraditrio ou bilate-

    ralidade da audincia.

    X Item 9.5. Princpio da ampla defesa.20 C

    Vide:

    X Art. 186, CPP.X Item 9.26. Princpio da inexigibilidade de au-

    toincriminao.

    X Item 2.2.4.1. Preliminares, Cap. 7.

    15. QUESTES DISCURSIVAS COM CO-MENTRIOS

    01. (Vunesp Defensor Pblico MS/2008) Explique a garantia da paridade de armas no processo penal, frente ao princpio do in dbio pro reo.

    Resposta

    A paridade de armas no direito processual penal deve ser compreendida conforme sua finalidade pri-mria, que a de proteger a liberdade, ao lado do fito de fazer atuar o direito penal objetivo. Como o direito processual penal decorre do seu ncleo constitucional sedimentado no art. 5, da CF sistema processual penal acusatrio suas regras so enten-didas como manifestaes de direitos fundamentais de primeira gerao, eis que protegem a liberdade do indivduo contra o arbtrio estatal.

    Da que, ao lado da isonomia formal entre as par-tes, assegurada por diversas regras processuais pe-nais a exemplo da resposta preliminar acusao (art. 396-A, CPP), da oportunidade do acusado para falar sempre por derradeiro em sede de debates orais finais ou memoriais, da oportunidade para ambas as partes apresentar razes e contrarrazes a recursos , o Cdigo de Processo Penal e leis ex-travagantes impem a existncia de defesa tcnica ao acusado por advogado/defensor no bastando a autodefesa , com formas de solucionar deficin-cia ou ausncia de defesa. Ademais, o princpio do

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    favor rei possibilita interpretao mais favorvel ao acusado quando existente dvida (art. 386, CPP) ou para fins de desempate quando de julgamento por rgos colegiados.

    A justificativa para o aparente desequilbrio da pa-ridade de armas no direito processual penal decorre, sobretudo, do princpio constitucional do estado de inocncia, sendo prefervel um culpado impune do que um inocente preso. Decorre, ainda, do reconheci-mento histrico de abusos e erros judicirios quando do julgamento de acusados. O aparato de persecuo penal, em regra, muito mais forte que a defesa do ru, sendo necessrio, para equilibrar a balana e conferir isonomia material, um conjunto de regras que sirvam de escudo aos direitos fundamentais da pessoa acusada.

    02. (Vunesp Defensor Pblico MS/2008) Expli-que quais so as manifestaes processuais do direito de autodefesa do ru e ainda se esse direito renuncivel.

    Resposta

    Temos duas formas de defesa em processo penal: a autodefesa e a defesa tcnica. A defesa tcnica indispensvel, irrenuncivel. Ainda que o acusado no constitua advogado, ser-lhe- dado defensor p-blico (intimado para prestar assistncia) ou nomeado defensor dativo.

    J a autodefesa renuncivel. Compreende o di-reito de comparecimento aos atos processuais, o direito de ser interrogado e o direito de ser intimado para fins recursais em juzo de primeiro grau de ju-risdio. O manejo de recurso pelo prprio acusado, contra deciso ou sentena de juiz singular, dispensa representao por profissional de advocacia. Natu-ralmente que, depois de interposto o recurso pelo ru no exerccio de postulao leiga, o juiz dever oportunizar que seu advogado oferte razes recur-sais ou dever nomear defensor dativo ou intimar defensor pblico para este fim.

    Embora seja renuncivel, pensamos que a renncia autodefesa deve ser contempornea ao ato obje-to da renncia, como por exemplo, o requerimento do ru preso de dispensa de comparecimento ao interrogatrio perante o tribunal do jri. No pos-svel, contudo, renunciar ao prazo recursal de ma-neira prvia, por exemplo, declarando tal renncia em resposta preliminar acusao, em procurao outorgada ao advogado ou em acordo de delao premiada. Renncias feitas com essa antecedncia devem ser reputadas invlidas.

    03. (FAURGS Delegado de Polcia RS/2006) Diante do disposto no artigo 2 do Cdigo de Processo Penal, referente aplicao imediata da lei processual penal, questiona-se sobre a apli-cabilidade do artigo 366 do referido Cdigo quanto a fatos ocorridos antes da edio da Lei n 9.271/96 que estabeleceu a atual redao desse artigo.

    Resposta

    O art. 366, do CPP, com redao determinada pela Lei n 9.271/1996, tem aplicao somente para fatos ocorridos aps a sua vigncia.

    Sua composio hbrida, eis que constitui norma de direito material (quando determina a suspenso da prescrio) e norma de direito processual (quan-do determina a suspenso do processo).

    Depois de controvrsias sobre a possibilidade de ciso das normas que formam o dispositivo, firmou--se o entendimento hoje pacificado nos tribunais su-periores de que no possvel cindir o dispositivo e, para evitar a aplicao da parte penal prejudicial em afronta ao princpio da irretroatividade da lei penal mais gravosa, entendeu-se por conferir incidncia do artigo s para os fatos vindouros, de forma integral.

    04. (MPE-GO Promotor de Justia GO/2010) O sis-tema do Cdigo de Processo Penal brasileiro possibilita a sobreposio de funes do rgo jurisdicional e do rgo oficial de acusao, fa-zendo com que se tenha condies quase ili-mitadas para o agir jurisdicional no mbito de busca e produo de prova. Esse agir oficioso por parte do rgo jurisprudencial cria o que Franco Cordero denominou de "quadri mentali paranoidi" (quadros mentais paranoicos), j que quem produz prova desenvolve um raciocnio baseado no primado das hipteses sobre fatos. Tal situao esto em sintonia com o sistema acusatrio previsto na Constituio do Brasil de 1988? Fundamente com argumentos crticos.

    Resposta

    O sistema acusatrio pressupe repartio de fun-es bem definidas no processo penal condenatrio, com nfase para a preservao da imparcialidade do magistrado. A Constituio de 1988 assegurou o sistema acusatrio, especialmente quando declarou a atribuio do Ministrio Pblico para promover a ao penal pblica, permitindo alijar, de uma vez por todas, a possibilidade de juiz ou de autoridade policial iniciar uma ao penal.

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    Resposta

    A regra a ser observada para sentenciar da cor-relao entre petio inicial acusatria e sentena.

    Ocorre que o controle dessa iniciativa pelo juiz que teria o condo de ofender o princpio acusatrio.

    Se o juiz discordar do no-aditamento da denn-cia pelo Ministrio Pblico, ele poder se valer do disposto no 1, do art. 384, do CPP, para aplicar, por analogia, o art. 28, do mesmo Cdigo, reme-tendo a questo para que o Procurador-Geral de Justia delibere, seja insistindo no no-oferecimento do aditamento quando o juiz dever aquiescer seja oferecendo o aditamento ou designando ou-tro membro para este fim. Essa postura do juiz evidencia certo ferimento do sistema acusatrio, porquanto confere ao magistrado a possibilidade de imiscuir-se na opinio delicti e nas atribuies prprias da funo de acusar, desequilibrando sua imparcialidade.

    13. (TRF/2R/Juiz/2007) Quais as consequncias b-sicas que derivam da reunio, no Estado, do poder-dever de punir e do poder-dever de tutela jurdica processual?

    O Estado rene em suas mos, sob o aspecto funcional, as atividades de:

    (A) acusar: Estado-acusador, funo exercida pelo Ministrio Pblico. Excepcionalmente, o particular detm a funo de legitimado autnomo para a conduo do processo (ao penal privada exclusiva, subsidiria e personalssima);

    (B) julgar: Estado-juiz, que presta jurisdio, que presta tutela jurisdicional ou tutela jurdica pro-cessual, por meio do Poder Judicirio;

    (C) punir: Estado-administrao, efetiva o jus punien-di por meio do Judicirio na funo jurisdicional--administrativa de execuo penal, bem como atravs da estrutura penitenciria a cargo dos rgos da Administrao Pblica:

    (D) defender: Estado-defensor, que estrutura defen-sorias pblicas para garantir, para quem no tiver advogado constitudo, defesa tcnica.

    Resposta

    Seguindo o enunciado da questo, as consequ-ncias bsicas estruturais em razo da reunio do poder-dever de punir e do poder-dever de tutela jurisdicional a existncia do Estado-administra-o (para fazer atuar o primeiro poder-dever) e o Estado-juiz (para tornar vivel o segundo). Evidentemente, h toda uma tessitura normativa

    para que tais atividades sejam desenvolvidas nos termos da lei, a exemplo daquelas que disciplinam o processo de execuo penal (Lei n 7.210/1984) e o processo penal condenatrio (CPP e leis es-peciais).

    14. (MPF/24) Na jurisprudncia do STJ (por ex. HC 78.349-MT, Rel. Min. Felix Fischer, 18.6.2007), tem-se entendido que o prazo para encerra-mento da instruo com ru preso no rgi-do, estando sujeito, o exame de seu excesso, ao juzo de razoabilidade. O que se entende por razoabilidade e quais os critrios que a norteiam?

    Resposta

    H quem distinga razoabilidade proibio do ex-cesso e proporcionalidade princpio que sintetiza trs passos de vem ser seguidos tambm com o fito de limitar o excesso. Para ns, razoabilidade e pro-porcionalidade so expresses correlatas, sinnimas, designando a mesma ideia. Para conferir maior con-cretude ao princpio, o intrprete perpassa por trs etapas: a necessidade, a adequao ou idoneidade e a proporcionalidade em sentido estrito ou juzo de ponderao. Estudamos o princpio aqui referido no curso deste captulo, para onde remetemos o leitor.

    16. QUESTES PARA TREINAR (SEM CO-MENTRIOS)

    01. (Promotor de Justia MS/MPE-MS/2013 Adap-tada) H violao ao princpio da identidade fsica do juiz, expressamente previsto no di-reito processual penal brasileiro, na hiptese de juiz substituto tomar os depoimentos das testemunhas de acusao e, posteriormente, ser sucedido pelo juiz titular que toma os de-poimentos das testemunhas de defesa e pro-fere sentena de mrito condenando o ru.

    02. (Investigador de Polcia BA/CESPE/2013) A presuno de inocncia da pessoa presa em flagrante delito, ainda que pela prtica de cri-me inafianvel e hediondo, razo, em regra, para que ela permanea em liberdade.

    03. (Investigador de Polcia BA/CESPE/2013) Tanto o acompanhamento do inqurito policial por advogado quanto seus requerimentos ao de-legado caracterizam a observncia do direito ao contraditrio e ampla defesa, obrigatrios na fase inquisitorial e durante a ao penal.

  • N E S T O R TV O R A R O S M A R R O D R I G U E S A L E N C A R

    98

    04. (Analista Judicirio Execuo de Mandados TRF 5/FCC/2012) O princpio da busca da ver-dade real permite a

    (A) Dilao da prescrio da pretenso punitiva enquanto no encerrada a investigao crimi-nal em crimes dolosos.

    (B) Reabertura de inqurito policial arquivado independente de prova nova enquanto no prescrito o crime.

    (C) Determinao de prova ex officio pelo juiz.

    (D) Desconsiderao da confisso como meio de prova.

    (E) Aceitao de interceptao telefnica produzi-da sem autorizao judicial como indcio.

    05. (Analista Judicirio rea Judiciria TRF 5/FCC/2012) Da aplicao do princpio da indis-ponibilidade da ao penal decorre que

    (A) O Ministrio Pblico no pode pedir absolvio em alegaes finais ou debates em audincia.

    (B) O pedido de arquivamento de inqurito policial pelo Ministrio Pblico estar limitado s hip-teses em que se verifique causa de excluso da ilicitude.

    (C) O Ministrio Pblico no poder desistir de recurso que haja interposto.

    (D) O Ministrio Pblico de segundo grau vincula seu parecer s razes de recurso apresenta-das pelo Ministrio Pblico de primeiro grau.

    (E) Haver sempre o dever legal de recorrer pelo Ministrio Pblico de deciso absolutria.

    06. (Delegado de Polcia RJ/FUNCAB/2012 Adap-tada) Duas teorias disputam a regncia do princpio da durao razovel do processo: a teoria do prazo fixo e a teoria do no pra-zo. Todavia, tal princpio no tem aplicao no inqurito policial.

    07. (Defensor Pblico MS/Vunesp/2012 Adapta-da) O princpio da economia processual e do tempus regit actum afasta eventual alegao de nulidade decorrente da no observncia, na audincia de inquirio de testemunhas re-alizada no ano de 2009, do sistema adversarial anglo-americano, consistente primeiramente no direct examination por parte de quem ar-rolou e posteriormente no cross-examination pela parte contrria cabendo ao magistrado apenas a complementao da inquirio sobre

    os pontos no esclarecidos, ao final, caso en-tenda necessrio.

    08. (Defensor Pblico MS/Vunesp/2012 Adapta-da) Uma pessoa condenada no ano de 2010 a 23 anos de recluso pelo crime de homicdio tem direito interposio do recurso denomi-nado protesto por novo jri em virtude do crime a ela imputado ter sido praticado em 2006.

    09. (Juiz de Direito Substituto PA/CESPE/2012 Adaptada) Em regime de repercusso geral, de acordo com orientao do STF, viola o princpio do juiz natural o fato de a turma julgadora ser composta, na sua maioria, por juzes de pri-meiro grau, uma vez que a materializao ideal de uma prestao jurisdicional clere e efetiva mediante a durao razovel do processo no justifica atribuir jurisdio a autoridade incom-petente.

    10. (Juiz de Direito Substituto PA/CESPE/2012 Adaptada) A Lei n 12.403/2011, que alterou o quantum da pena mxima para a concesso de fiana, segue o direito material nesse as-pecto, sendo, por isso, aplicado o princpio da retroatividade da lei penal mais benfica, no o do tempus regit actum.

    11. (Juiz de Direito Substituto RJ/Vunesp/2012) O modelo de nosso processo penal acusatrio. Tal regra no impede, entretanto, que o juiz, de ofcio,

    I. Decrete priso preventiva e temporria;

    II. Conceda habeas corpus contra ato de autori-dade judicial inferior;

    III. Determine, no processo condenatrio, a reali-zao de diligncias para dirimir dvida sobre ponto relevante.

    Completa corretamente a proposio o que se afirma em

    (A) III, apenas.

    (B) II e III, apenas.

    (C) II, apenas.

    (D) I, II e III.

    12. (Promotor de Justia AP/FCC/2012) A lei pro-cessual penal

    (A) No admite aplicao analgica nem interpre-tao extensiva.

  • 101

    L I N H A S I N T R O D U T R I A S

    Est(o) correta(s):

    (A) Apenas as proposies I, II e IV.

    (B) Apenas as proposies I, II e III.

    (C) Apenas as proposies II, III e V.

    (D) Apenas as proposies II, III e IV.

    (E) Apenas as proposies I, II e V.

    20. (Promotor de Justia AL/MPE-AL/2012) De acordo com o Cdigo de Processo Penal, a lei processual penal

    (A) Retroage para invalidar os atos praticados sob a vigncia da lei anterior, se mais benfica.

    (B) No admite aplicao analgica.

    (C) Admite suplemento dos princpios vitais de direito.

    (D) Admite interpretao extensiva, mas no su-plemento dos princpios gerais de direito.

    (E) Admite aplicao analgica, mas no interpre-tao extensiva.

    16.1. Gabarito

    01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

    E C E C C E E E E E

    11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

    C E A E E C C A B C