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1594 leia algumas paginas

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    P A R T E 2

    Principais Temas Discutidos na Justia do Trabalho

    Antes de adentrarmos no contedo prtico do presente trabalho, torna-se im-prescindvel que passemos ao leitor noes mnimas dos principais temas dis-cutidos no mbito da Justia do Trabalho, os quais so fundamentais para que o candidato, quer atue na qualidade de patrono do reclamante, quer atue como advogado do reclamado, possa no exame de ordem desenvolver seu raciocnio jurdico, fundamentando a petio inicial, a defesa, ou mesmo o recurso cabvel.

    Vamos a eles.

    2.1 GRATUIDADE DE JUSTIA

    Na Justia do Trabalho, a teor do art. 14 da Lei 5.584/1970, a assistncia judi-ciria prestada exclusivamente ao trabalhador, por intermdio do sindicato da categoria profissional qual pertence o obreiro.

    A assistncia judiciria, prevista na Lei 1.060/1950, ser prestada ao trabalha-dor que perceber salrio igual ou inferior ao dobro do mnimo legal, ficando asse-gurado igual benefcio ao trabalhador de maior salrio, uma vez provado que sua situao econmica no lhe permite demandar, sem prejuzo do sustento prprio ou da famlia. Por sua vez, o art. 790, 3.o, da CLT estabelece que o benefcio da justia gratuita pode ser concedido por juiz ou tribunal de qualquer instncia, a requerimento ou de ofcio, atendidos os requisitos legais.

    Com a edio da Lei 7.115/1983 (art. 1.o), deixou de ser obrigatria a apresen-tao do atestado de pobreza, bastando que o interessado, de prprio punho, ou por procurador com poderes especficos, sob as penas da lei, declare na petio inicial que no tem condies de arcar com as custas e despesas processuais sem prejuzo do prprio sustento ou de sua famlia.

    muito comum numa inicial trabalhista existir pedido de gratuidade de Justi-a, principalmente em funo da hipossuficincia do trabalhador para arcar com o pagamento de custas e demais despesas processuais.

    Por outro lado, no h qualquer bice a que o trabalhador esteja assistido por advogado particular e requeira os benefcios da gratuidade de justia, sendo muito comum tal ocorrncia.

    Na petio inicial, este requerimento realizado logo aps cabealho da pea inaugural (endereamento, qualificao das partes e identificao da pea), antes da exposio dos fatos. No exame de ordem, dependendo dos dados do problema, voc poder utilizar este requerimento, principalmente se a questo informar, por

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    exemplo, que o trabalhador ganha at dois salrios mnimos, ou que est desem-pregado em funo de ter sido imotivadamente dispensado.

    Todavia, nos ltimos anos verificamos que as diversas bancas examinadoras no tm colocado no espelho de correo a obrigatoriedade de meno da gratui-dade de justia. Logo, aconselhamos que voc somente requeira os benefcios da justia gratuita caso o problema assim determine.

    Exemplificativamente, teramos:

    Do benefcio da justia gratuita

    Nos termos do art. 14, 1.o, da Lei 5.584/1970, das Leis 1.060/1950 e 7.115/1983 e do art. 790, 3.o, da CLT, o Reclamante declara para os devidos fins e sob as penas da Lei, ser pobre, encontrando-se desempregado e no tendo como arcar com o pagamento de custas e demais despesas processuais sem prejuzo do prprio sus-tento e de sua famlia, pelo que requer os benefcios da justia gratuita.

    Vale ressaltar que a parte contrria poder, em qualquer fase da lide, reque-rer a revogao dos benefcios de assistncia, desde que comprove a inexistncia ou o desaparecimento dos requisitos essenciais sua concesso (art. 7.o da Lei 1.060/1950). Portanto, nada impede que numa contestao, atuando como patrono do reclamado, voc requeira a revogao dos benefcios da gratuidade de justia, desde que atendidos os requisitos legais.

    2.2 HONORRIOS ADVOCATCIOS

    Tema polmico nos domnios do processo do trabalho diz respeito, nas lides decorrentes da relao de emprego, condenao ou no do sucumbente em ho-norrios advocatcios, havendo forte dissenso doutrinrio e jurisprudencial, com a formao de duas correntes.

    A primeira corrente, minoritria, entende que os honorrios advocatcios em caso de sucumbncia so sempre devidos ao advogado, tendo em vista o disposto no art. 133 da CF/1988, no art. 20 do CPC e no art. 22 da Lei 8.906/1994.

    Com efeito, o art. 133 da CF/1988 menciona que o advogado indispensvel administrao da justia, sendo inviolvel por seus atos e manifestaes no exer-ccio da profisso, nos limites da lei.

    Por sua vez, o art. 20 do CPC estabelece que a sentena condenar o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorrios advocatcios.

    Ademais, tambm o art. 22 da Lei 8.906/1994, que disciplina o Estatuto da Advocacia, dispe que a prestao de servio profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorrios convencionados, aos fixados por arbitramento judicial

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    e aos de sucumbncia.

    Nesse contexto, para essa corrente, a condenao em honorrios advocatcios decorre da simples sucumbncia.

    A segunda corrente, majoritria, defendida pelo Tribunal Superior do Trabalho e consubstanciada nas Smulas 219 e 329, entende que os honorrios advocatcios, nas lides decorrentes da relao de emprego, no decorrem simplesmente da sucumbn-cia, devendo a parte ser beneficiria da assistncia judiciria gratuita e estar assistida pelo sindicato profissional, limitada a condenao em honorrios a 15%.

    Vale frisar que, adotando-se o posicionamento do Tribunal Superior do Traba-lho, os honorrios do advogado, pagos pelo vencido, revertero em favor do sindi-cato assistente, conforme previsto no art. 16 da Lei 5.584/1970.

    Todavia, aps a edio da EC 45/2004, que ampliou a competncia material da Justia do Trabalho para processar e julgar qualquer ao envolvendo relao de trabalho, o Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Resoluo 126/2005, editou a IN 27/2005, dispondo sobre inmeras normas procedimentais aplicveis ao proces-so do trabalho, estabelecendo no art. 5.o que, exceto nas lides decorrentes da rela-o de emprego, os honorrios advocatcios so devidos pela mera sucumbncia.

    Portanto, distribuda na Justia do Trabalho uma ao que envolva relao de trabalho diversa da relao de emprego (relao de trabalho autnomo, eventual etc.), passou a admitir o Tribunal Superior do Trabalho a condenao do vencido em honorrios advocatcios de sucumbncia. No entanto, se a lide decorrer da relao de emprego, a condenao de honorrios, para o Tribunal Superior do Trabalho, somente ser possvel nos exatos termos das Smulas 219 e 329.

    No exame de ordem, considerando que o tema polmico e que existem muitos juzes que no seguem a orientao contida nas Smulas 219 e 329 do TST, a conduta a ser adotada pelo candidato depender de sua posio na relao processual.

    Caso esteja atuando como patrono do reclamante numa demanda oriunda da relao de emprego, voc sempre requerer na petio inicial a condenao do reclamado em honorrios advocatcios, fundamentando seu pedido no art. 133 da CF/1988, no art. 20 do CPC e no art. 22 da Lei 8.906/1994.

    Da mesma forma, atuando como patrono do reclamante numa ao que en-volva relao de trabalho diversa da relao de emprego, com base na Instruo Normativa 27/2005 do TST (art. 5.o), voc dever tambm requerer a condenao do reclamado em honorrios advocatcios.

    Ao revs, se a inicial trabalhista envolver demanda oriunda da relao de empre-go, se o reclamante estiver postulando por meio de advogado particular e existindo pedido de condenao em honorrios de sucumbncia, voc, como patrono do re-clamado, dever negar o pedido na pea de resistncia (contestao), com base nas Smulas 219 e 329 do TST.

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    2.3 HOMOLOGAO DE VERBAS RESCISRIAS E MULTA DO ART. 477, 8.O, DA CLT

    Conforme previsto no art. 477, 1.o, da CLT, sempre que o empregado tiver tra-balhado mais de 1 ano na empresa, sua resciso contratual dever ser homologada ou pelo sindicato profissional ou pelo Ministrio do Trabalho.

    O recibo de quitao das verbas rescisrias, qualquer que seja a causa ou forma de dissoluo do contrato, deve especificar a natureza de cada parcela paga ao empregado, discriminando seu valor, sendo vlida a quitao, apenas, relativa-mente a tais parcelas.

    importante destacar que o pagamento feito ao obreiro quita as parcelas, mas no o impede de postular no Judicirio trabalhista eventuais diferenas ou, at mesmo, verbas que no foram pagas, sendo esse o entendimento predominante extrado do art. 477, 2.o, da CLT e da Smula 330 do TST.

    O pagamento da resciso ser feito em espcie ou cheque visado (atualmente cheque administrativo garantido pelo banco), salvo se o empregado for analfabeto, quando o pagamento somente poder ser realizado em dinheiro.

    fundamental que o candidato tenha cincia do prazo para pagamento das verbas rescisrias, pois a no quitao dos haveres rescisrios ou o pagamento fora do prazo legal ensejar no pagamento de multa a favor do trabalhador, conforme abaixo descrito.

    Nesse contexto, o pagamento das parcelas constantes do instrumento de res-ciso ou recibo de quitao, nos termos do art. 477, 6.o, da CLT, deve ser efetuado nos seguintes prazos:

    Caso o aviso-prvio seja trabalhado, ou mesmo tratando-se de terminao nor-mal do contrato por prazo determinado, as verbas rescisrias devero ser pagas at o 1.o dia til imediato ao trmino do pacto laboral.

    Caso o aviso-prvio no seja trabalhado, seja o mesmo indenizado ou dispen-sado o seu cumprimento, ou ainda na hiptese de dispensa por justa causa do empregado, as verbas rescisrias devero ser quitadas at o 10.o dia contado da data da notificao da dispensa.

    Vale destacar que o TST, por meio da OJ 14, da SDI-I, firmou entendimento no sentido de que, caso o aviso-prvio tenha sido cumprido em casa, o prazo para pagamento das verbas rescisrias ser at o 10.o dia da notificao da dispensa.

    O no pagamento dos haveres rescisrios, ou mesmo a inobservncia do pra-zo para quitao das atinentes verbas (art. 477, 6.o, da CLT), importar o paga-mento de uma multa em favor do empregado, equivalente a um salrio contratual (CLT, art. 477, 8.o), salvo quando, comprovadamente, o obreiro der causa mora.

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    Muitas vezes, o empregado que motiva o descumprimento do prazo previsto no art. 477, 6.o, da CLT, seja pelo no comparecimento ao Sindicato profissional ou Superintendncia Regional do Trabalho para receber suas verbas rescisrias, seja pela recusa ao recebimento e quitao das atinentes verbas. Nesse caso, demons-trado que foi o trabalhador que deu causa mora, a multa de um salrio contratual prevista no art. 477, 8.o, da CLT, no ser devida pelo empregador.

    Embora o tema ainda seja polmico, tem prevalecido o entendimento jurisprudencial de que no cabe a incidncia da multa do art. 477, 8.o, da CLT, em caso de diferenas de verbas rescisrias controvertidas no honradas pelo empregador (ou seja, quando o empregador paga as verbas rescisrias no prazo legal, porm a menor do que o devido), incidindo to somente o pagamento da multa de um salrio contratual se as verbas no forem pagas ou forem pagas fora do prazo legal.

    Seria a hiptese, por exemplo, do empregador que paga as verbas resci-srias apenas considerando o salrio contratual, desconsiderando na base de clculo a mdia das horas extras habitualmente prestadas pelo obreiro. Para alguns, esse pagamento a menor, daria ensejo multa do art. 477, 8.o, da CLT.

    2.4 FGTS E INDENIZAO COMPENSATRIA

    Com a promulgao da Constituio Federal de 1988, o fundo de garantia por tempo de servio passou a ser o regime obrigatrio para todos os trabalhadores rurais e urbanos (art. 7.o, III, da CF/1988).

    Alm da previso constitucional, o FGTS est regulamentado pela Lei 8.036/1990 e pelo Dec. 99.684/1990.

    O empregador, nos termos do art. 15 da Lei 8.036/1990, fica obrigado a deposi-tar, at o dia 7 (sete) de cada ms, na conta vinculada do trabalhador (conta aberta em nome do empregado na CEF, agente operador do FGTS) 8% (oito por cento) da remunerao paga ao obreiro, e em caso de aprendiz 2% (dois por cento). Tambm haver recolhimento deste percentual calculados sobre a gratificao natalina (13.o salrio), recolhimento que ser sem nus para o empregado.

    Por outro lado, caso o empregado seja dispensado sem justa causa, estabelece o art. 18, 1.o, da Lei 8.036/1990 que o empregador, a ttulo de indenizao compensatria em funo da dispensa imotivada do obreiro, es-tar obrigado a depositar na conta vinculada do empregado, 40% (quarenta por cento) do montante de todos os depsitos realizados na conta vinculada durante a vigncia do contrato de trabalho.

    importante destacar que o trabalhador no ter direito indenizao compensatria de 40% do FGTS quando pedir demisso, quando for dispensa-do por justa causa ou se o contrato for declarado nulo como dispe a smula

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    EXAME DE ORDEM II (2010.2)

    Kelly Amaral, assistida por advogado particular no vinculado ao seu sindicato de classe, ajuizou reclamao trabalhista, pelo rito ordinrio, em face do Banco Finanas S/A (RT no 1234/2010), em 13/09/2010. A reclamante afirma que foi admi-tida em 04/08/2002 para exercer a funo de gerente de agncia, e que prestava servios diariamente de segunda a sexta, das 09h00 s 20h00, com intervalo para repouso e alimentao de 30 minutos dirios, apesar de no se submeter a controle de ponto. Seu contrato extinguiu-se em 15/07/2009, em razo de dispensa imoti-vada, quando recebia salrio no valor de R$ 5.000,00, acrescido de 45% a ttulo de gratificao de funo.

    Aduziu, ainda, que desde a sua admisso, e sempre por fora de normas cole-tivas, vinha percebendo o pagamento de auxlio educao, de natureza indenizat-ria, para custear as despesas com a instruo de seus dependentes. O pagamento desta vantagem perdurou at o termo final de vigncia da conveno coletiva de trabalho de 2006/2007, sendo expressamente revogada no instrumento normativo posterior aplicvel a categoria profissional dos bancrios, no tendo sido renovado o direito a percepo do referido auxlio nos instrumentos normativos subsequen-tes. Em face do princpio da inalterabilidade contratual, sustentou a incorporao do direito ao recebimento desta vantagem ao seu contrato de trabalho, configuran-do direito adquirido, o qual no poderia ter sido suprimido pelo empregador.

    Em janeiro de 2009, a reclamante foi nomeada para exercer o cargo de delega-da sindical de representao obreira, no setor de cultura e desporto da entidade. Inobstante, tal estabilidade foi dispensada imotivadamente, por iniciativa de seu empregador. Inobstante no prestar atividades adstritas ao caixa bancrio, por iso-nomia, requer o recebimento da parcela quebra de caixa, com a devida integrao e reflexos legais.

    Alegou, tambm, fazer jus isonomia salarial com o Sr. Osvaldo Maleta, readap-tado funcionalmente por causa previdenciria, e por tal, desde janeiro/2008 exerce a funo de GERENTE GERAL DE AGNCIA, ou seja, com idntica funo ao autor da demanda, na mesma localidade e para o mesmo empregador e cujo salrio fixo su-perava R$ 8.000,00, acrescidos da devida gratificao funcional de 45%. Alega tambm a no fruio e recebimento das frias do perodo 2007/2008, inobstante admitir ter se retirado em licena remunerada por 32 dias durante aquele perodo aquisitivo.

    Diante do exposto, POSTULOU a reintegrao ao emprego em face da estabi-lidade acima perpetrada, ou indenizao substitutiva, e a condenao do banco empregador ao pagamento de 02 horas extraordinrias dirias, com adicional de

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    Peas Exame de Ordem

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    50%, de uma hora extra diria, pela supresso do intervalo mnimo de uma hora e

    dos reflexos em aviso prvio, frias integrais e proporcionais, dcimo terceiro sal-

    rio integral e proporcional, FGTS e indenizao compensatria de 40%, assim como

    dos valores mensais correspondentes ao auxlio educao, desde a data de sua

    supresso at o advento do trmino de seu contrato, do recebimento da parcela

    denominada quebra de caixa, bem como sua integrao e reflexos nos termos da

    lei, diferenas salariais e reflexos em aviso prvio, frias integrais e proporcionais,

    dcimo terceiro salrio integral e proporcional, FGTS + 40%, face pleito equiparao

    e frias integrais 2007/2008, de forma simples e acrescidos de 1/3 pela no conces-

    so a tempo e modo. Pleiteou, por fim, a condenao do reclamado ao pagamento

    de indenizao por danos morais e de honorrios advocatcios sucumbenciais.

    Considerando que a reclamao trabalhista foi ajuizada perante a 1 Vara do Trabalho de Boa Esperana/MG, redija, na condio de advogado contratado pelo

    banco empregador, a pea processual adequada, a fim de atender aos interesses

    de seu cliente.

    EXAME DE ORDEM II (2010.2) - RESOLUO

    EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 1. VARA DO TRABALHO DE BOA ESPERANA MG.

    Processo no 1234/2010

    BANCO FINANAS, qualificao e endereo completos, vem respeitosamente perante Vossa Excelncia, por intermdio de seu advogado adiante assinado (procurao anexa), com escritrio profissional no endereo completo, onde recebe intimaes e notificaes, com fulcro no artigo 847 da CLT, OFERECER

    CONTESTAO

    Reclamatria Trabalhista que lhe move KELLY AMARAL, j qualificada nos autos em epgrafe, pelas razes de fato e de direito a seguir expostas.

    I Preliminar de mrito

    01. Inpcia da petio inicial

    A reclamante, na petio inicial, postula o pagamento de indenizao por danos morais, sem, contudo, articular os fundamentos de fato e de direito que amparam sua pretenso.

    Segundo estabelece o art. 295, nico, I do CPC, a petio inicial inepta, dentre outras hipteses, quando lhe faltar pedido ou causa de pedir, sendo o que aconteceu com o pedido de indenizao por danos morais, em que a Reclamante no apresentou a causa de pedir quanto ao mesmo.

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    Esclarece-se que nos termos do art. 301, III do CPC, a inpcia da inicial deve ser analisada em preliminar de contestao.

    Diante do exposto, requer a extino do processo sem resoluo do mrito, nos termos dos arts. 267, I e 295, I do CPC (indeferimento da petio inicial) e, sucessivamente, com fulcro no art. 267, IV do CPC (ausncia de pressupostos de constituio e de desenvolvimento vlido e regular do processo), em relao ao pedido de indenizao por danos morais, por ser tratar de pedido inepto.

    Sucessivamente, caso no seja acolhida a preliminar, requer a anlise dos demais itens a seguir expostos.

    Legislao aplicvel

    Art. 301, CPC. Compete-lhe, porm, antes de discutir o mrito, alegar: I inexis-

    tncia ou nulidade da citao; II incompetncia absoluta; III inpcia da petio

    inicial; IV perempo; V litispendncia; VI coisa julgada; VII conexo; VIII

    incapacidade da parte, defeito de representao ou falta de autorizao; IX

    conveno de arbitragem; X carncia de ao; Xl falta de cauo ou de outra

    prestao, que a lei exige como preliminar.

    Art. 295, CPC. A petio inicial ser indeferida: I quando for inepta; II quando a

    parte for manifestamente ilegtima; III quando o autor carecer de interesse pro-

    cessual; IV quando o juiz verificar, desde logo, a decadncia ou a prescrio (art.

    219, 5); (...) Pargrafo nico. Considera-se inepta a petio inicial quando: I lhe

    faltar pedido ou causa de pedir; II da narrao dos fatos no decorrer logicamen-

    te a concluso; III o pedido for juridicamente impossvel; IV contiver pedidos

    incompatveis entre si.

    Art. 267, CPC. Extingue-se o processo, sem resoluo de mrito: I quando o juiz

    indeferir a petio inicial; II quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por

    negligncia das partes; III quando, por no promover os atos e diligncias que Ihe

    competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV quando se

    verificar a ausncia de pressupostos de constituio e de desenvolvimento vlido

    e regular do processo; V quando o juiz acolher a alegao de perempo, litis-

    pendncia ou de coisa julgada; VI quando no concorrer qualquer das condies

    da ao, como a possibilidade jurdica, a legitimidade das partes e o interesse pro-

    cessual; VII pela conveno de arbitragem; VIII quando o autor desistir da ao;

    IX quando a ao for considerada intransmissvel por disposio legal;

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    II Prejudicial de mrito

    1. Prescrio quinquenal

    A Reclamante postulou em sua reclamatria trabalhista, ajuizada em 13.09.2010, parcelas que retroagem data de sua admisso, que ocorreu em 04.08.2002.

    Nos termos do art. 7o, XXIX da Constituio Federal e art. 11, I, da CLT, o direito de ao quanto a crditos resultantes das relaes de trabalho prescreve em cinco anos, contados da data do ajuizamento da ao (smula 308, I, do TST).

    Diante do exposto, requer a extino do processo, com resoluo do mrito, nos termos do art. 269, IV do CPC, quanto s parcelas postuladas anteriores aos ltimos cinco anos contados do ajuizamento da ao, ou seja, anteriores a 13.09.2005.

    Sucessivamente, caso no seja acolhida a prescrio, requer a anlise dos demais itens a seguir expostos.

    Legislao aplicvel

    Art. 7, XXIX, CF. So direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alm de outros que visem melhoria de sua condio social: XXIX ao, quanto aos crditos resultantes das relaes de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para

    os trabalhadores urbanos e rurais, at o limite de dois anos aps a extino do

    contrato de trabalho.

    Art. 11, I, CLT. O direito de ao quanto a crditos resultantes das relaes de tra-balho prescreve: I em cinco anos para o trabalhador urbano, at o limite de dois

    anos aps a extino do contrato.

    Smula 308, TST. Prescrio Quinquenal da Ao Trabalhista;I Respeitado o binio subsequente cessao contratual, a prescrio da ao trabalhista

    concerne s pretenses imediatamente anteriores a cinco anos, contados da data do ajuizamento da reclamao e, no, s anteriores ao quinqunio da data da extino do contrato. II A norma constitucional que ampliou o prazo de prescrio da ao trabalhista para 5 (cinco) anos de aplicao imediata

    e no atinge pretenses j alcanadas pela prescrio bienal quando da pro-

    mulgao da CF/1988.

    Art. 269, IV, CPC.Haver resoluo de mrito:: IV-quando o juiz pronunciar a deca-dncia ou a prescrio ;

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    III Mrito

    1. Reintegrao

    A Reclamante postulou a reintegrao ao emprego, ou a equivalente indenizao substitutiva, tendo em vista a suposta estabilidade adquirida em janeiro de 2009 por ter sido nomeada para exercer o cargo de delegada sindical de representao obreira.

    No assiste razo Reclamante, pois conforme estabelece a OJ 369 da SDI-I do TST, o delegado sindical no beneficirio da estabilidade provisria prevista no art. 8o, VIII, da CF/1988, a qual dirigida, exclusivamente, queles que exeram ou ocupem cargos de direo nos sindicatos, submetidos a processo eletivo.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de reintegrao, bem como, de indenizao substitutiva.

    Legislao aplicvel

    OJ 369, SDI-I do TST. ESTABILIDADE PROVISRIA. DELEGADO SINDICAL. INAPLICVEL. O delegado sindical no beneficirio da estabilidade provisria prevista no art. 8, VIII, da CF/1988, a qual dirigida, exclusivamente, queles que exeram ou ocu-pem cargos de direo nos sindicatos, submetidos a processo eletivo.

    Art. 8, VIII, CF. livre a associao profissional ou sindical, observado o seguin-te: VIII vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direo ou representao sindical e, se eleito, ainda que suplente, at um ano aps o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

    Smula 369, TST. DIRIGENTE SINDICAL. ESTABILIDADE PROVISRIA (redao do item I alterada na sesso do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) Res. 185/2012 DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012. I assegurada a estabilidade provisria ao empregado dirigente sindical, ainda que a comunicao do registro da candidatura ou da eleio e da posse seja realizada fora do prazo previsto no art. 543, 5, da CLT, desde que a cincia ao empregador, por qualquer meio, ocorra na vigncia do contrato de trabalho. II O art. 522 da CLT foi recepcionado pela Constituio Federal de 1988. Fica limitada, assim, a estabilidade a que alude o art. 543, 3 , da CLT a sete dirigentes sindicais e igual nmero de suplentes. III O empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical s goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito dirigente. (ex-OJ n 145 da SBDI-1 inserida em 27.11.1998) IV Haven-do extino da atividade empresarial no mbito da base territorial do sindicato, no h razo para subsistir a estabilidade. (ex-OJ n 86 da SBDI-1 inserida em 28.04.1997) V O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sin-

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    dical durante o perodo de aviso prvio, ainda que indenizado, no lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicvel a regra do 3 do art. 543 da Consolidao das Leis do Trabalho. (ex-OJ n 35 da SBDI-1 inserida em 14.03.1994)

    OJ 365, SDI-I, TST. ESTABILIDADE PROVISRIA. MEMBRO DE CONSELHO FISCAL DE SINDICATO. INEXISTNCIA. DJ 20, 21 e 23.05.2008 Membro de conselho fiscal de sindicato no tem direito estabilidade prevista nos arts. 543, 3, da CLT e 8, VIII, da CF/1988, porquanto no representa ou atua na defesa de direitos da categoria respectiva, tendo sua competncia limitada fiscalizao da gesto financeira do sindicato (art. 522, 2, da CLT).

    2. Horas extras e intervaloA Reclamante postulou a condenao do Reclamado ao pagamento de 02

    (duas) horas extraordinrias com adicional de 50% por laborar de segunda a sexta-feira das 09h00min s 20h00min, bem como o pagamento de mais uma hora extra pela supresso do intervalo intrajornada mnimo de 01 (uma) hora e seus reflexos.

    No assiste razo Reclamante, pois conforme estabelece a Smula 287 do TST, para o gerente geral de agncia bancria presume-se o exerccio de encargo de gesto, aplicando-se-lhe o art. 62, II, da CLT. Tal artigo estabelece que no so abrangidos pelo regime do captulo da durao da jornada de trabalho os gerentes, assim considerados os exercentes de cargo de gesto, aos quais se equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou filial, que recebem gratificao de funo superior a 40%. Assim sendo, a Reclamante, por ser gerente geral de agncia e perceber gratificao de funo de 45%, no se submete ao controle de jornada de trabalho, no fazendo jus s horas extras pleiteadas.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de 2 horas extras dirias e do intervalo intrajornada, bem como de seus reflexos.

    Legislao aplicvel

    Smula 287, TST. JORNADA DE TRABALHO. GERENTE BANCRIO. A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agncia regida pelo art. 224, 2, da CLT. Quanto ao gerente-geral de agncia bancria, presume-se o exerccio de encargo de gesto, aplicando-se-lhe o art. 62 da CLT.

    Art. 224, 2, CLT. A durao normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancrias e Caixa Econmica Federal ser de 6 (seis) horas continuas nos dias teis, com exceo dos sbados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana. 2 As disposies deste artigo no se aplicam aos que exercem funes de direo, gerncia, fiscalizao, chefia e equivalentes, ou que desempenhem outros cargos de confiana, desde que o valor da gratificao no seja inferior a 1/3 (um tero) do salrio do cargo efetivo.

  • E X A M E D E O R D E M

    399

    Art. 62, II, CLT. No so abrangidos pelo regime previsto neste captulo: II os

    gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gesto, aos quais se

    equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departa-

    mento ou filial. Pargrafo nico O regime previsto neste captulo ser aplicvel

    aos empregados mencionados no inciso II deste artigo, quando o salrio do cargo

    de confiana, compreendendo a gratificao de funo, se houver, for inferior ao

    valor do respectivo salrio efetivo acrescido de 40% (quarenta por cento).

    3. Parcela quebra de caixa

    A Reclamante postulou o recebimento da parcela quebra de caixa, com a devida integrao e seus reflexos legais, alegando isonomia ao cargo de caixa bancrio.

    No assiste razo Reclamante, pois tal parcela devida somente ao caixa bancrio, uma vez que suas atividades demandam uma maior responsabilidade ao lidar diretamente com dinheiro. Logo, incabvel a percepo da parcela quebra de caixa pela Reclamante, que exerce funo de gerente geral de agncia.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de recebimento da parcela quebra de caixa, bem como de seus reflexos.

    4. Auxlio-educaoO Reclamante postulou os valores mensais correspondentes ao auxilio

    educao, desde a data de sua supresso at o advento do trmino de seu contrato.No assiste razo ao reclamante, pois nos termos da smula 277 do TST as

    clusulas normativas dos acordos coletivos ou convenes coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente podero ser modificadas ou suprimidas mediante negociao coletiva de trabalho e, no presente caso, a vantagem perdurou at o termo final de vigncia da conveno coletiva de trabalho de 2006/2007, sendo expressamente revogada no instrumento normativo posterior, tornando indevido ao auxlio-educao a partir de ento.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido do reclamante.

    Legislao aplicvel

    Smula 277, TST. As clusulas normativas dos acordos coletivos ou convenes

    coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente podero ser

    modificadas ou suprimidas mediante negociao coletiva de trabalho.

    5. Equiparao salarialA Reclamante postulou equiparao salarial ao Sr. Osvaldo Maleta, readaptado

    funcionalmente por causa previdenciria, afirmando estarem presentes os requisitos da Smula 6 do TST e art. 461 da CLT, pleiteando isonomia salarial e seus reflexos.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    400

    No assiste razo Reclamante, pois conforme estabelece o art. 461, 4o da CLT, o trabalhador readaptado em nova funo por motivo de deficincia fsica ou mental atestada pelo rgo competente da Previdncia Social no servir de paradigma para fins de equiparao salarial.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de equiparao salarial, bem como de seus reflexos.

    Legislao aplicvel

    Art. 461, 4, CLT. Sendo idntica a funo, a todo trabalho de igual valor, prestado

    ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponder igual salrio, sem

    distino de sexo, nacionalidade ou idade. 4 O trabalhador readaptado em nova

    funo por motivo de deficincia fsica ou mental atestada pelo rgo competente

    da Previdncia Social no servir de paradigma para fins de equiparao salarial.

    6. Frias 2007/2008

    A Reclamante postulou o pagamento de frias integrais do perodo aquisitivo de 2007/2008 de forma simples e acrescidas de 1/3 pela no concesso a tempo e modo. Entretanto, afirmou ter se retirado em licena remunerada por 32 (trinta e dois) dias durante aquele perodo aquisitivo.

    No assiste razo Reclamante, pois conforme estabelece o art. 133, II da CLT, no ter direito a frias o empregado que no curso do perodo aquisitivo permanecer em gozo de licena, com percepo de salrios, por mais de 30 (trinta) dias.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de frias.

    Legislao aplicvel

    Art. 133, II, CLT. No ter direito a frias o empregado que, no curso do perodo

    aquisitivo: II permanecer em gozo de licena, com percepo de salrios, por

    mais de 30 (trinta) dias;

    7. Honorrios advocatciosA Reclamante postulou o pagamento de honorrios advocatcios sucumbenciais.

  • E X A M E D E O R D E M

    401

    No assiste razo Reclamante, pois conforme estabelecem as smulas 219, I do TST, smula 329 do TST, a OJ 305 da SDI-1, do TST e o art. 14, caput e 1o, da

    Lei 5.584/70, nas relaes de emprego, os honorrios so devidos apenas quando a reclamante preencher os requisitos para ser beneficirio da justia gratuita e o advogado estiver vinculado ao sindicato. Assim sendo, no h qualquer amparo legal pretenso da Reclamante, posto que presente caso, a reclamante est

    assistida por advogado particular, no fazendo jus, portanto, aos benefcios aos honorrios advocatcios.

    Diante do exposto, requer a improcedncia do pedido de honorrios.

    Legislao aplicvel

    Smula 219, I, TST. HONORRIOS ADVOCATCIOS. HIPTESE DE CABIMENTO. I

    Na Justia do Trabalho, a condenao ao pagamento de honorrios advocatcios,

    nunca superiores a 15% (quinze por cento), no decorre pura e simplesmente da

    sucumbncia, devendo a parte estar assistida por sindicato da categoria profis-

    sional e comprovar a percepo de salrio inferior ao dobro do salrio mnimo ou

    encontrar-se em situao econmica que no lhe permita demandar sem prejuzo

    do prprio sustento ou da respectiva famlia.

    Smula 329, TST. HONORRIOS ADVOCATCIOS. ART. 133 DA CF/1988.Mesmo aps a

    promulgao da CF/1988, permanece vlido o entendimento consubstanciado na

    Smula n 219 do Tribunal Superior do Trabalho.

    Art. 14, Lei 5.584/70. Na Justia do Trabalho, a assistncia judiciria a que se refere

    a Lei n 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, ser prestada pelo Sindicato da categoria

    profissional a que pertencer o trabalhador. 1 A assistncia devida a todo aquele

    que perceber salrio igual ou inferior ao dobro do mnimo legal, ficando assegu-

    rado igual benefcio ao trabalhador de maior salrio, uma vez provado que sua

    situao econmica no lhe permite demandar, sem prejuzo do sustento prprio

    ou da famlia.

    OJ 305, SDI-1, TST. HONORRIOS ADVOCATCIOS. REQUISITOS. JUSTIA DO TRABALHO

    (DJ 11.08.2003). Na Justia do Trabalho, o deferimento de honorrios advocatcios

    sujeita-se constatao da ocorrncia concomitante de dois requisitos: o benefcio

    da justia gratuita e a assistncia por sindicato.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    402

    IV Requerimentos FinaisDiante do exposto, requer a produo de todos os meios de prova em direito

    admitidos, em especial o depoimento pessoal do Reclamante, sob a consequncia de confisso.

    Por fim, requer o acolhimento da preliminar de mrito para que seja determinada a extino do processo, sem resoluo do mrito, nos termos do art. 267, I, e 295, I, e, sucessivamente, art. 267, IV, do CPC, em relao ao pedido de indenizao por danos morais.

    Sucessivamente, o acolhimento da prejudicial de mrito para que seja determinada a extino do processo, com resoluo do mrito, nos termos do art. 269, IV, do CPC, quanto s parcelas anteriores aos ltimos cinco anos contados do ajuizamento da ao. E, por fim, sucessivamente, ainda, no mrito, requer a improcedncia de todos os pedidos do Reclamante, condenando-a ao pagamento de custas processuais.

    Nestes termos,Pede deferimento.

    Local e data.Advogado.

    OAB n

    EXAME DE ORDEM II (2010.2) - ESPELHO DE CORREO

    Quesitos Avaliados Faixa de Valores Nota

    1. Encaminhamento adequado: juiz do trabalho da 1 vara do trabalho de Boa Esperana MG 0,0 a 0,25

    Indicao das partes envolvidas: Banco Finanas S/A e Kelly Amaral (contestao Art. 847, CLT) 0,0 a 0,25

    2. Preliminar: inpcia; danos morais; ausncia de causa de pedir 0,0 a 0,3

    Indicao das normas: art. 267, I, CPC e art. 295, I, nico, CPC 0,0 a 0,2

    3. Prejudicial: Arguio da prescrio quinquenal 0,0 a 0,3

    Indicao da norma: art. 7, XXIX, CF 0,0 a 0,2

    4. Horas extras, intervalos e reflexos: gerente geral de agncia sem controle de horrio no tem horas extras nem supresso de intervalo improcedncia

    0,0 a 0,3

  • E X A M E D E O R D E M

    403

    Quesitos Avaliados Faixa de Valores Nota

    Indicao das normas: art. 62, II, CLT; Smula 287, TST 0,0 a 0,2

    5. Alterao contratual lesiva e integrao auxlio-e-ducao: validade temporal da CCT improcedncia 0,0 a 0,3

    Norma aplicvel Smula 277, I, TST 0,0 a 0,1

    Alterao no afronta o art. 468, CLT 0,0 a 0,1

    6. Estabilidade reintegrao ou indenizao: Dele-gado sindical no tem estabilidade falta de represen-tao eletiva improcedncia

    0,0 a 0,3

    Indicao da norma: OJ 369 SDI-1, TST 0,0 a 0,2

    7. Quebra de caixa pagamento e integrao: ativida-de exercida no enseja percepo da parcela impro-cedncia

    0 \ 0,1 \ 0,2\ 0,3\ 0,4 \ 0,5

    8. Equiparao Salarial impossibilidade: paradigma em readaptao impede pleito equiparatrio impro-cedncia

    0,0 a 0,3

    Indicao da norma: art. 461, 4, CLT 0,0 a 0,2

    9. Frias vencidas e no usufrudas: licena remune-rada superior a 30 dias dentro do perodo aquisitivo improcedncia

    0,0 a 0,3

    Indicao da norma: art. 133, II, CLT 0,0 a 0,2

    10. Honorrios advocatcios: no preenchimento dos requisitos improcedncia 0,0 a 0,15

    Indicao das normas: lei n 5584/70 e (0,05) Smulas n 219, I e 329/TST (0,05) 0,0 a 0,1

    11. Requerimentos: acolhimento da preliminar de inpcia (0,05) e prescrio quinquenal (0,05) e, no m-rito, improcedncia dos pedidos (0,10), protesto pelos meios de prova admitidos em Direito (0,05)

    0,0 a 0,25

    NOTA FINAL

    EXAME DE ORDEM III (2013.3)

    Em face da sentena abaixo, voc, na qualidade de advogado do reclamante,

    dever interpor o recurso cabvel para a instncia superior, informando-a acerca de

    preparo porventura efetuado.

  • R E S O L V I D A S

    509

    P A R T E 5

    Outras PeasResolvidas

    I - RECLAMAO TRABALHISTA

    EXERCCIO 1

    Murilo Fininho foi contratado, na data de 15 de outubro de 2008, pela empresa Heart Attack Grill Ltda., para trabalhar na cidade de Florianpolis/SC, como garom, mediante salrio de R$ 1000,00. O empregado afirma que uma das especialidades da Lanchonete era o sanduche denominado quadruple bypass com 4 hambrgue-res: 1 quilo de carne e 8000 calorias. Alega que recebia dos clientes cativos, em mdia, R$ 200,00 mensais de gorjeta, as quais no eram computadas para o clculo das verbas trabalhistas.

    Desde o incio do contrato de trabalho, a empresa servia diariamente aos empregados, no horrio do lanche, o que chamava de vale-infarto, ou seja, um quadruple bypass e um refrigerante ou um sanduiche natural e um suco, sendo a escolha deste, o que correspondia a R$ 150,00 mensais. A supervisora da lanchone-te sempre ressaltava que tal vantagem no correspondia ao salrio, mas sim a um agrado aos funcionrios para que divulgassem os produtos da empresa. Com base nesse argumento, em outubro de 2009 o empregador resolveu unilateralmente suprimir tal benefcio

    A jornada de trabalho semanal do reclamante ocorria de segunda a sexta-feira, das 8h00 s 16h40min, com 40 minutos de intervalo para descanso e alimentao. Aos sbados, laborava das 19h00 s 22h52min, horrio em que normalmente o l-timo cliente ia embora conduzido ao seu carro em uma cadeira de rodas por uma das garonetes vestida de enfermeira. A empresa, ento, era fechada, sendo que o ltimo nibus que servia o local de trabalho passava nas proximidades da mesma s 22h00. A empresa, ento, colocava disposio do reclamante um veculo para conduzi-lo at sua casa, o que demorava em mdia 45 minutos.

    O Senhor Fininho relata que foi descontado do seu salrio um dia de trabalho e o descanso semanal remunerado relativo uma semana do ms de novembro de 2010, em razo de ter faltado ao trabalho para comparecer em juzo como parte no processo em que estava litigando contra seu antigo empregador, muito embora tivesse apresentado certido da Justia do Trabalho confirmando suas alegaes.

    Em 09/03/2012, quando carregava uma mesma bandeja cheia de lanches, uma criana atravessou correndo sua frente e ele caiu no cho. Antes mesmo de conseguir se levantar, sua supervisora, Patrcia Carrask, saiu do caixa e se dirigiu a ele gritando que era um incompetente, afirmando que foi um erro ter contratado

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    510

    um empregado to magrinho e fraco para trabalhar na empresa. Furiosa, demitiu-o

    na frente de todos por justa causa alegando desdia e exigindo que antes de sair

    da empresa, ele limpasse toda aquela sujeira. Sentindo-se humilhado na frente de

    todos aqueles clientes, o empregado comeou a chorar, fez a limpeza como ela

    mandou e saiu da empresa. Apesar de tudo, no recebeu suas verbas rescisrias

    at o momento.

    Passados mais de 30 dias do episdio, o reclamante pede que voc o repre-

    sente nesta ao. Ele relata que recebeu as frias relativas aos perodos aquisitivos

    2008/2009 e 2009/2010 e os dcimos terceiros salrios dos anos anteriores ao da

    resciso. Admite ainda que recebia adicional noturno.

    Na qualidade de advogado do reclamante, apresente a medida processual ca-

    bvel para a defesa de seus direitos.

    EXERCCIO 1 - RESOLUO

    EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ..... VARA DO TRABALHO DE FLORIANPOLIS/SC

    MURILO FININHO, garom, qualificao e endereo completos, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelncia, por intermdio de seu advogado adiante assinado (procurao anexa), com escritrio profissional no endereo completo, onde recebe intimaes ou notificaes, com fulcro no artigo 840 da

    CLT, PROPOR:

    RECLAMATRIA TRABALHISTA, pelo rito ordinrio

    em face de Heart Attack Grill Ltda., qualificao e endereo completos, pelas razes de fato e de direito a seguir expostas.

    I MRITO

    1. Gorjetas

    O reclamante recebia, em mdia, R$ 200,00 mensais de gorjetas dos clientes da Lanchonete reclamada, sem que tal parcela fosse computada no clculo das demais verbas trabalhistas.

    Nos termos do art. 457, caput, da CLT as gorjetas integram a remunerao do empregado, de modo que as verbas calculadas sobre esta, como as frias (art. 142 da CLT), dcimo terceiro salrio (art. 1o, 1o, Lei 4090/62) e FGTS (art. 15 da Lei 8036/90) devem ser pagas considerando o valor recebido a tal ttulo.

    Diante do exposto, requer a integrao do valor das gorjetas remunerao do reclamante para fins de gerar reflexos em dcimo terceiro salrio, frias acrescidas de 1/3 e FGTS (depsitos e multa de 40% do FGTS).

  • R E S O L V I D A S

    511

    Requer, ainda, a anotao do valor mdio das gorjetas na CTPS do reclamante, uma vez que nos termos do art. 29, 1o, da CLT, na mesma deve ser registrada a estimativa das gorjetas recebidas pelos empregados.

    Legislao aplicvel

    Art. 457, CLT. Compreendem-se na remunerao do empregado, para todos os

    efeitos legais, alm do salrio devido e pago diretamente pelo empregador, como

    contraprestao do servio, as gorjetas que receber.

    Art. 142, CLT. O empregado perceber, durante as frias, a remunerao que lhe for

    devida na data da sua concesso.

    Art. 1, Lei 4090/62. No ms de dezembro de cada ano, a todo empregado ser

    paga, pelo empregador, uma gratificao salarial, independentemente da remune-

    rao a que fizer jus. 1 A gratificao corresponder a 1/12 avos da remunera-

    o devida em dezembro, por ms de servio, do ano correspondente.

    Art. 29, CLT. A Carteira de Trabalho e Previdncia Social ser obrigatoriamente apre-

    sentada, contra recibo, pelo trabalhador ao empregador que o admitir, o qual ter

    o prazo de quarenta e oito horas para nela anotar, especificamente, a data de

    admisso, a remunerao e as condies especiais, se houver, sendo facultada a

    adoo de sistema manual, mecnico ou eletrnico, conforme instrues a serem

    expedidas pelo Ministrio do Trabalho. 1 As anotaes concernentes remunera-

    o devem especificar o salrio, qualquer que seja sua forma de pagamento, seja

    ele em dinheiro ou em utilidades, bem como a estimativa da gorjeta.

    2. Salrio in natura

    Desde o incio do contrato de trabalho, a reclamada servia aos empregados diariamente, no horrio do lanche, o que chamava de vale-infarto, ou seja, um quadruple bypass e um refrigerante ou um sanduiche natural e um suco, o que correspondia a R$ 150,00 mensais. Tal vantagem no era computada no salrio do reclamante para o clculo das verbas trabalhistas. Em outubro de 2009 o empregador resolveu unilateralmente suprimir tal parcela.

    Nos termos do art. 458 da CLT e smula 241 do TST, a alimentao compreende-se no salrio, para todos os efeitos legais. Assim, os R$ 150,00 mensais pagos pelo empregador a ttulo de alimentao devem integrar o seu salrio para fins de clculo das verbas contratuais e rescisrias.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    512

    A supresso da alimentao concedida espontaneamente pelo empregador desde o incio do contrato do trabalho implica em reduo salarial unilateral, o que vedado pelo art. 7o, VI, da Constituio. Outrossim, trata-se de alterao contratual ilcita, uma vez que causa prejuzo ao empregado, sendo, portanto, vedada pelo art. 468 da CLT e smula 51, I, da CLT. Uma vez concedida, tal vantagem incorporou-se ao salrio do reclamante, no podendo ser retirada.

    Diante do exposto requer a condenao da reclamada ao pagamento dos valores suprimidos desde outubro de 2009 at o trmino do contrato de trabalho, bem como, a integrao de tal parcela ao seu salrio para fins de reflexos nas verbas contratuais e resilitrias em aviso prvio, dcimo terceiro integral e proporcional, frias acrescidas de 1/3 integrais e proporcionais e FGTS (depsitos e multa de 40%). Por fim, requer que tal valor seja registrado na CTPS do reclamante, nos termos do art. 29, 1o da CLT.

    Legislao especfica

    Art. 458, CLT. Alm do pagamento em dinheiro, compreende-se no salrio, para todos os efeitos legais, a alimentao, habitao, vesturio ou outras prestaes in natura que a empresa, por fora do contrato ou do costume, fornecer habitu-almente ao empregado. Em caso algum ser permitido o pagamento com bebidas alcolicas ou drogas nocivas.

    SMULA 241, TST SALRIO-UTILIDADE. ALIMENTAO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O vale para refeio, fornecido por fora do contrato de tra-balho, tem carter salarial, integrando a remunerao do empregado, para todos os efeitos legais.

    Art. 7, CF/88 So direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alm de outros que visem melhoria de sua condio social: VI irredutibilidade do salrio, salvo o disposto em conveno ou acordo coletivo;

    Art. 468, CLT Nos contratos individuais de trabalho s lcita a alterao das respectivas condies por mtuo consentimento, e ainda assim desde que no resultem, direta ou indiretamente, prejuzos ao empregado, sob pena de nulidade da clusula infringente desta garantia.

    SMULA 51, TST NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPO PELO NOVO REGULA-MENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a Orientao Jurisprudencial n 163 da SBDI-1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. I As clusulas regulamentares, que revo-guem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, s atingiro os trabalhadores admitidos aps a revogao ou alterao do regulamento.

  • R E S O L V I D A S

    513

    3. Do intervalo intrajornada

    A jornada de trabalho do reclamante, de segunda a sexta-feira, ocorria das 8h00 s 16h40min, com apenas 40 minutos de intervalo para descanso e alimentao.

    Nos termos do art. 71 da CLT o empregado que trabalha mais do que 6 horas dirias tem direito de usufruir de intervalo de, no mnimo, 1 hora, o qual no foi observado.

    Diante do exposto, requer a condenao da reclamada ao pagamento da hora cheia acrescida do adicional de 50%, nos termos do art. 71, 4o da CLT e smula 437, I, do TST, bem como, por se tratar de verba de natureza salarial (smula 437, III, do TST), reflexos em verbas contratuais e resilitrias, em DSR, aviso prvio, 13o salrios integrais e proporcionais, frias integrais e proporcionais acrescidas de 1/3 e FGTS (depsito e multa de 40%).

    Legislao especfica

    Art. 71, CLT Em qualquer trabalho contnuo, cuja durao exceda de 6 (seis)

    horas, obrigatria a concesso de um intervalo para repouso ou alimentao,

    o qual ser, no mnimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato

    coletivo em contrrio, no poder exceder de 2 (duas) horas. 4 Quando o

    intervalo para repouso e alimentao, previsto neste artigo, no for concedido

    pelo empregador, este ficar obrigado a remunerar o perodo correspondente

    com um acrscimo de no mnimo 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da

    remunerao da hora normal de trabalho.

    Smula 437, TST. INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAO. APLI-

    CAO DO ART. 71 DA CLT (converso das Orientaes Jurisprudenciais n 307,

    342, 354, 380 e 381 da SBDI-1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e

    27.09.2012. I Aps a edio da Lei n 8.923/94, a no concesso ou a conces-

    so parcial do intervalo intrajornada mnimo, para repouso e alimentao, a

    empregados urbanos e rurais, implica o pagamento total do perodo correspon-

    dente, e no apenas daquele suprimido, com acrscimo de, no mnimo, 50%

    sobre o valor da remunerao da hora normal de trabalho (art. 71 da CLT), sem

    prejuzo do cmputo da efetiva jornada de labor para efeito de remunerao.

    III Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, 4, da CLT, com reda-

    o introduzida pela Lei n 8.923, de 27 de julho de 1994, quando no concedi-

    do ou reduzido pelo empregador o intervalo mnimo intrajornada para repouso

    e alimentao, repercutindo, assim, no clculo de outras parcelas salariais.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    514

    4. Do intervalo interjornadas e descanso semanal remunerado

    O reclamante laborava nos sbados das 19h00 s 22h52min e iniciava sua jornada de trabalho na segunda feira s 08h00, totalizando um perodo de descanso de 33 horas e 8 minutos entre as duas jornadas de trabalho, computando-se o descanso semanal remunerado.

    Nos termos do art. 66 da CLT entre duas jornadas de trabalho dever haver um perodo mnimo de 11 horas consecutivas para descanso e, conforme estabelecem os arts. 7o, XV da CF, 67 da CLT e 1o da Lei 605/49, ser assegurado a todo empregado um descanso semanal remunerado de 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, preferencialmente aos domingos. Sendo assim o reclamante tinha direito a 35 horas de intervalo entre a jornada de trabalho de sbado e a de segunda, uma vez que entre elas estava o repouso semanal remunerado. Intervalo este que no foi observado.

    Diante do exposto, requer a condenao da reclamada ao pagamento como extra das horas faltantes para completar o intervalo de 35 horas, acrescidas do adicional de 50%, uma vez que nos termos da OJ 355, SDI-1, TST, nesses casos, aplica-se analogicamente o art. 71, 4o da CLT e smula 110 do TST, bem como, reflexos em verbas contratuais e resilitrias em DSR aviso prvio, dcimo terceiro salrio integral e proporcional, frias acrescidas do tero constitucional integral e proporcional e FGTS (depsitos e multa de 40%).

    Legislao especfica

    Art. 66, CLT Entre 2 (duas) jornadas de trabalho haver um perodo mnimo de 11 (onze) horas consecutivas para descanso.

    Art. 7, CF/88 So direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alm de outros que visem melhoria de sua condio social: XV repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

    Art. 67, CLT Ser assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, o qual, salvo motivo de convenincia pblica ou necessidade imperiosa do servio, dever coincidir com o domingo, no todo ou em parte.

    Art. 1, Lei 605/49 Todo empregado tem direito ao repouso semanal remunerado de vinte e quatro horas consecutivas, preferentemente aos domingos e, nos limi-tes das exigncias tcnicas das empresas, nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradio local.

    OJ 355, SDI-1 INTERVALO INTERJORNADAS. INOBSERVNCIA. HORAS EXTRAS. PERODO

  • R E S O L V I D A S

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    PAGO COMO SOBREJORNADA. ART. 66 DA CLT. APLICAO ANALGICA DO 4 DO ART. 71 DA CLT (DJ 14.03.2008) O desrespeito ao intervalo mnimo interjornadas previsto no art. 66 da CLT acarreta, por analogia, os mesmos efeitos previstos no 4 do art. 71 da CLT e na Smula n 110 do TST, devendo-se pagar a integralidade das horas que foram subtradas do intervalo, acrescidas do respectivo adicional.

    Art. 71, CLT Em qualquer trabalho contnuo, cuja durao exceda de 6 (seis) horas, obrigatria a concesso de um intervalo para repouso ou alimentao, o qual ser, no mnimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrrio, no poder exceder de 2 (duas) horas. 4 Quando o intervalo para repouso e alimentao, previsto neste artigo, no for concedido pelo empregador, este ficar obrigado a remunerar o perodo correspondente com um acrscimo de no mnimo 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remunerao da hora normal de trabalho.

    SMULA 110 JORNADA DE TRABALHO. INTERVALO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. No regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de 24 horas, com prejuzo do intervalo mnimo de 11 horas consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como extra-ordinrias, inclusive com o respectivo adicional.

    5. Das horas in itinere

    Aos sbados o reclamante laborava at s 22h52min, horrio em que normalmente o ltimo cliente ia embora. O ltimo nibus que servia o local de trabalho, no entanto, passava nas proximidades da mesma s 22h00. A empresa, ento, colocava disposio do reclamante um veculo para conduzi-lo at sua casa, o que demorava em mdia 45 minutos.

    Nos termos do artigo 58, 2o, da CLT o tempo despendido pelo empregado at o local de trabalho e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte, no ser computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difcil acesso ou no servido por transporte pblico, o empregador fornecer a conduo.

    Ressalte-se que, nos termos da smula 90, II, do TST a incompatibilidade entre os horrios de incio e trmino da jornada do empregado e os do transporte pblico regular circunstncia que tambm gera o direito s horas in itinere.

    Assim, o tempo despendido pelo reclamante, em conduo fornecida pelo reclamado, do local de trabalho para sua casa, em razo da incompatibilidade entre o horrio de trmino de sua jornada de trabalho aos sbados e o horrio do ltimo nibus, lhe assegura direito s horas in itinere. Dessa forma, os 45 minutos que permanecia no trajeto devem ser computados em sua jornada de trabalho. Uma vez que este perodo extrapolava a jornada mxima semanal devido seu pagamento com o acrscimo de 50% (smula 90, V, TST).

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

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    Diante do exposto, requer a condenao da reclamada ao pagamento do tempo do percurso, 45 minutos semanais, acrescido do adicional de 50% (art. 7o, XVI, CF e 59, 1o, CLT), bem como, os reflexos em verbas contratuais e resilitrias em DSR, aviso prvio, dcimo terceiro salrio integral e proporcional, frias integrais e proporcionais acrescidas do tero constitucional e FGTS (depsitos e multa de 40%).

    Legislao especfica

    Art. 58, CLT A durao normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, no exceder de 8 (oito) horas dirias, desde que no seja fi-xado expressamente outro limite. 2 O tempo despendido pelo empregado at o local de trabalho e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte, no ser computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difcil acesso ou no servido por transporte pblico, o empregador fornecer a conduo.

    SMULA 90, TST HORAS IN ITINERE. TEMPO DE SERVIO (incorporadas as Smu-las ns 324 e 325 e as Orientaes Jurisprudenciais ns 50 e 236 da SBDI-1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. II A incompatibilidade entre os horrios de incio e trmino da jornada do empregado e os do transporte pblico regular circuns-tncia que tambm gera o direito s horas in itinere. V Considerando que as horas in itinere so computveis na jornada de trabalho, o tempo que extrapola a jornada legal considerado como extraordinrio e sobre ele deve incidir o adi-cional respectivo.

    Art. 7, CF/88 So direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, alm de outros que visem melhoria de sua condio social: XVI remunerao do servio extra-ordinrio superior, no mnimo, em cinquenta por cento do normal;

    Art. 59, CLT A durao normal do trabalho poder ser acrescida de horas suple-mentares, em nmero no excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. 1 Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho dever constar, obrigatoriamente, a im-portncia da remunerao da hora suplementar, que ser, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior da hora normal.

    6. Adicional noturno

    Aos sbados o reclamante laborava at s 22h52min, sendo conduzido pelo empregador at a sua casa em percurso que durava 45 minutos, tempo este em que tambm se considera disposio do empregado.

  • R E S O L V I D A S

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    Nos termos do art. 73, caput e 1o, da CLT devido o adicional de 20% sobre o valor da hora diurna pelo trabalho executado entre as 22 horas e as 5 horas do dia seguinte.

    Diante do exposto, requer a condenao da reclamada ao pagamento do adicional de 20% pelas horas laboradas no perodo noturno, bem como, reflexos em verba contratuais e resilitrias em DSR, aviso prvio, dcimo terceiro salrio integral e proporcional, frias integrais e proporcionais acrescidas do tero constitucional e FGTS (depsitos e multa de 40%).

    Legislao especfica

    Art. 73, CLT. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o trabalho no-

    turno ter remunerao superior a do diurno e, para esse efeito, sua remunerao

    ter um acrscimo de 20 % (vinte por cento), pelo menos, sobre a hora diurna. 1

    A hora do trabalho noturno ser computada como de 52 minutos e 30 segundos.

    7. Desconto salarial

    A reclamada descontou do salrio do reclamante um dia de trabalho e o descanso semanal remunerado relativo uma semana do ms de novembro de 2010, em razo do reclamante ter faltado ao trabalho para comparecer em juzo como parte no processo em que estava litigando contra seu antigo empregador, muito embora tivesse apresentado certido da Justia do Trabalho confirmando suas alegaes.

    Nos termos do art. 473, VIII, da CLT, o empregado poder deixar de comparecer ao servio sem prejuzo do salrio pelo tempo que se fizer necessrio, quando tiver que comparecer a juzo. Interpretando tal artigo, o TST consolidou na smula 155 o entendimento de que as horas em que o empregado falta ao servio para comparecimento necessrio, como parte, Justia do Trabalho, no sero descontadas de seus salrios. Da mesma forma, estabelece o art. 6o, 1o, a da Lei 605/49 que nas hipteses do art. 473 da CLT, a remunerao do descanso semanal no poder ser descontada.

    Diante do exposto, requer a condenao da reclamada devoluo do dia de trabalho e remunerao do descanso, descontados de seu salrio.

    Legislao especfica

    Art. 473, CLT O empregado poder deixar de comparecer ao servio sem prejuzo

    do salrio: VIII pelo tempo que se fizer necessrio, quando tiver que comparecer

    a juzo.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

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    SMULA 155, TST AUSNCIA AO SERVIO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. As horas em que o empregado falta ao servio para comparecimento necessrio, como parte, Justia do Trabalho no sero descontadas de seus sa-lrios (ex-Prejulgado n 30).

    Art. 6, Lei 605/49 No ser devida a remunerao quando, sem motivo justifica-do, o empregado no tiver trabalhado durante toda a semana anterior, cumprindo integralmente o seu horrio de trabalho. 1 So motivos justificados: a) os pre-vistos no artigo 473 e seu pargrafo nico da Consolidao das Leis do Trabalho;

    8. Reverso da dispensa por justa causa em dispensa sem justa causa

    Em 09/03/2012, quando carregava uma bandeja cheia de lanches, uma criana atravessou frente do reclamante e ele caiu no cho. Por esse motivo, foi despedido por justa causa por desdia, sem receber qualquer verba rescisria.

    No houve a prtica da desdia, prevista no art. 482, e da CLT, imputada ao reclamante, posto que este no agiu com preguia, falta de ateno, desleixo, negligncia ou qualquer conduta correlata. Derrubou os lanches, pois caiu no cho quando uma criana atravessou sua frente.

    Diante do exposto, requer a reverso da dispensa por justa causa em dispensa sem justa causa e a condenao da reclamada ao pagamento das verbas rescisrias prprias dessa modalidade de dispensa, quais sejam: saldo de salrio (9 dias), aviso prvio (39 dias), 13o salrio (4/12), frias integrais simples acrescidas de 1/3 relativas ao perodo aquisitivo 2010/2011 e frias proporcionais acrescidas de 1/3 (6/12), e multa de 40% do FGTS.

    Requer, ainda, as guias para levantamento do FGTS e percepo do seguro desemprego (smula 389, TST) e anotao da data de sada na CTPS do reclamante, considerando o aviso prvio indenizado (art. 29, 2o, c, da CLT e OJ 82, SDI-1, TST).

    Legislao especfica

    Art. 482, CLT Constituem justa causa para resciso do contrato de trabalho pelo empregador: e) desdia no desempenho das respectivas funes;

    Art. 29, CLT A Carteira de Trabalho e Previdncia Social ser obrigatoriamente apresentada, contra recibo, pelo trabalhador ao empregador que o admitir, o qual ter o prazo de quarenta e oito horas para nela anotar, especificamente, a data de admisso, a remunerao e as condies especiais, se houver, sendo facultada a adoo de sistema manual, mecnico ou eletrnico, conforme instrues a serem expedidas pelo Ministrio do Trabalho. 2 As anotaes na Carteira de Trabalho e Previdncia Social sero feitas: c) no caso de resciso contratual;

  • R E S O L V I D A S

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    OJ 82, SDI-1 AVISO PRVIO. BAIXA NA CTPS (inserida em 28.04.1997) A data de sada a ser anotada na CTPS deve corresponder do trmino do prazo do aviso prvio,

    ainda que indenizado.

    9. Multa do art. 467, CLT

    Requer que o pagamento das verbas rescisrias incontroversas seja realizado em primeira audincia, sob pena de multa de 50%, nos termos do art. 467 da CLT.

    Legislao especfica

    Art. 467, CLT. Em caso de resciso de contrato de trabalho, havendo controvrsia sobre o montante das verbas rescisrias, o empregador obrigado a pagar ao tra-

    balhador, data do comparecimento Justia do Trabalho, a parte incontroversa

    dessas verbas, sob pena de pag-las acrescidas de cinquenta por cento.

    10. Multa do art. 477, 8, da CLT

    A reclamada dispensou o reclamante por justa causa sem lhe pagar as verbas rescisrias, as quais encontram-se em atraso uma vez que foram decorridos mais de 30 dias da dispensa.

    Nos termos do art. 477, 6o, b, da CLT, quando o aviso prvio no for cumprido, as verbas rescisrias devem ser pagas no prazo de 10 dias corridos, sob pena de multa de 1 salrio do reclamante, prevista no art. 477, 8o, da CLT. Em razo do atraso, portanto, o reclamante faz jus a tal multa.

    Diante do exposto, requer a condenao do reclamante ao pagamento da multa do art. 477, 8o, da CLT.

    Legislao especfica

    Art. 477, CLT assegurado a todo empregado, no existindo prazo estipulado para a terminao do respectivo contrato, e quando no haja ele dado motivo

    para cessao das relaes de trabalho, o direto de haver do empregador uma

    indenizao, paga na base da maior remunerao que tenha percebido na mesma

    empresa. 6 O pagamento das parcelas constantes do instrumento de resciso ou recibo de quitao dever ser efetuado nos seguintes prazos: b) at o dcimo dia, contado da data da notificao da demisso, quando da ausncia do aviso

    prvio, indenizao do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. 8 A inobser-vncia do disposto no 6 deste artigo sujeitar o infrator multa de 160 BTN, por

    trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor

    equivalente ao seu salrio, devidamente corrigido pelo ndice de variao do BTN,

    salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa mora.

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

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    12. Indenizao por danos morais

    Como referido, em 09/03/2012, quando carregava uma bandeja cheia de lanches, uma criana atravessou frente do reclamante e ele caiu no cho. Antes mesmo de conseguir se levantar, sua supervisora Patrcia Carrask saiu do caixa e se dirigiu a ele gritando que era um incompetente, afirmando que foi um erro ter contratado um empregado to magrinho e fraco para trabalhar na empresa. Furiosa, o despediu na frente de todos por justa causa alegando desdia, exigindo que antes de sair da empresa o reclamante limpasse toda aquela sujeira. Sentindo-se humilhado na frente de todos os clientes, o empregado comeou a chorar, mas antes de ir embora fez a limpeza como ela mandou.

    Encontram-se presentes todos os requisitos da responsabilidade civil, previstos nos artigos 186 e 927 do CC, quais sejam: culpa, dano e nexo. Observe-se:

    A culpa est presente na conduta da reclamada de ofender o reclamante na frente de todos os demais empregados e clientes da empresa. O dano, por sua vez, est configurado pela profunda humilhao pela qual passou o reclamante na frente de todos os que estavam presentes na lanchonete, chegando inclusive a chorar. Tendo em vista que o dano decorreu da conduta ilcita do empregador, est demonstrado o nexo causal.

    Destaca-se, ainda, que a violao do artigo 5, V e X, CF, que sustenta a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, sendo-lhes assegurado o direito a indenizao pelo dano moral decorrente de sua violao.

    Diante do exposto, tendo em vista que a Justia do Trabalho competente para processar e julgar pedidos de danos morais e patrimoniais decorrentes das relaes de trabalho (art. 114, VI, CF e smula 392, TST) requer a condenao da reclamada ao pagamento de indenizao por danos morais em valor a ser arbitrado pelo juiz.

    Legislao especfica

    Art. 186, CCB/2002 . Aquele que, por ao ou omisso voluntria, negligncia ou imprudncia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilcito.

    Art. 927, CCB/2002 -. Aquele que, por ato ilcito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repar-lo.

    Art. 5, CF/88 Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilida-de do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, nos termos seguintes: V assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, alm da indenizao por dano material, moral ou imagem; X so inviolveis a

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    intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito

    a indenizao pelo dano material ou moral decorrente de sua violao;

    Art. 114, CF/88. Compete Justia do Trabalho processar e julgar: VI as aes de

    indenizao por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relao de trabalho;

    13. Honorrios advocatcios

    Tendo em vista que o jus postulandi foi revogado pelo art. 133 da CF, requer a condenao da reclamada ao pagamento de honorrios advocatcios em razo da mera sucumbncia, no importe de 20%, nos termos do art. 20 do CPC.

    Legislao especfica

    Art. 133, CF/88. O advogado indispensvel administrao da justia, sendo in-

    violvel por seus atos e manifestaes no exerccio da profisso, nos limites da lei.

    Art. 20, CPC. A sentena condenar o vencido a pagar ao vencedor as despesas que

    antecipou e os honorrios advocatcios. Esta verba honorria ser devida, tambm,

    nos casos em que o advogado funcionar em causa prpria.

    II PEDIDOS

    Diante de todo o exposto, requer:

    a) a integrao do valor das gorjetas remunerao do reclamante para fins de gerar reflexos.

    b) a condenao da reclamada ao pagamento dos valores suprimidos desde outubro de 2009 at o trmino do contrato de trabalho, bem como, a integrao de tal parcela ao seu salrio para fins de clculo dos reflexos.

    c) a condenao da reclamada ao pagamento da hora cheia acrescida do adicional de 50%, bem como, reflexos.

    d) a condenao da reclamada ao pagamento como extra das horas faltantes para completar o intervalo de 35 horas, acrescidas do adicional de 50%, bem como, reflexos em verbas contratuais e resilitrias.

    e) a condenao da reclamada ao pagamento do tempo do percurso, 45 minutos semanais, acrescido do adicional de 50%, bem como, os reflexos em verba contratuais e resilitrias,

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

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    f) a condenao da reclamada ao pagamento do adicional de 20% pelas horas laboradas no perodo noturno, bem como, reflexos em verba contratuais e resilitrias.

    g) requer a condenao da reclamada a devoluo do dia de trabalho e remunerao do descanso descontados de seu salrio.

    h) a reverso da dispensa por justa causa em dispensa sem justa causa e a condenao da reclamada ao pagamento das verbas rescisrias prprias dessa modalidade de dispensa e, ainda, as guias para levantamento do FGTS e percepo do seguro desemprego, e anotao da data de sada na CTPS do reclamante, considerando o aviso prvio indenizado.

    i) o pagamento das verbas rescisrias incontroversas seja realizado em primeira audincia, sob pena de multa de 50%.

    j) a condenao do reclamante ao pagamento da multa do art. 477, 8o, da CLT.

    l) a condenao da reclamada ao pagamento de indenizao por danos morais em valor a ser arbitrado pelo juiz.

    m) a condenao da reclamada ao pagamento de honorrios advocatcios em razo da mera sucumbncia, no importe de 20%.

    III REQUERIMENTOS FINAIS

    Diante do exposto, requer: a) notificao da Reclamada para oferecer resposta Reclamatria Trabalhista, sob pena de revelia e confisso quanto matria de fato e b) a produo de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a prova documental, o depoimento pessoal e a oitiva de testemunhas. Por fim, a procedncia dos pedidos com a condenao da reclamada ao pagamento das verbas pleiteadas, acrescidas de juros e correo monetria.

    Atribui-se a causa valor acima de 40 salrios mnimos.

    Nestes Termos,

    Pede Deferimento.

    Local e Data

    OAB no

    EXERCCIO 1 - ESPELHO DE CORREO

    Item Item Pontuao Nota

    1. Endereamento

    Endereamento Vara do Trabalho de Florianpolis/SC (0,1), qualificao da parte (0,1) indicao da espcie de ao ao/reclamatria trabalhista (0,1)

    0 / 0,10 / 0,20 / 0,30

  • 743

    P A R T E O U C A P T U L O

    Titulo recorrenteasjhdajsdhaskjdhaksj

    P A R T E 6

    Questes de exame deOrdem comentadas

    EXAME DE ORDEM II

    1. (OAB/FGV II EXAME - 2010.2) Em ao tra-balhista, a parte reclamante postulou a condenao da empresa reclamada ao pagamento de horas extraordinrias e sua projeo nas parcelas contratuais e resilitrias especificadas na inicial. Ao prego da Vara Trabalhista respondeu o empregado-reclamante, assistido do seu advogado. Pela empresa, compareceu o advoga-do, munido de procurao e defesa escrita, que explicou ao juiz que o preposto do empregador-reclamado estaria retido no trn-sito, conforme telefonema recebido. Na referida defesa, recebida pelo Juiz, a empresa alega que o reclamante no trabalhou no horrio apontado na inicial e argui a prescrio da ao, por ter a resilio contratual ocorrido mais de dois anos depois do ajuiza-mento da reclamao trabalhista, o que restou confirmado aps a exibio da CTPS e esclarecimentos prestados pelo reclamante.

    Em face dessa situao hipottica, responda, de forma funda-mentada, s indagaes a seguir.

    a) Que requerimento o advogado do reclamante dever fazer diante da situao descrita? Estabelea ainda as razes do re-querimento.

    Resposta: O advogado do reclamante deve postular a decretao da revelia, com confisso do reclamado quanto matria ftica, pois ao contrrio do que ocorre na Justia Comum, na Justia do Trabalho a revelia no decorre da falta de defesa e sim da ausncia do ru ou seu representante legal em audincia, sendo que a presena do advogado no elide a ausncia do preposto, acarretando a revelia (art. 844 da CLT e smula 122, do TST).

    b) Com base em fundamentos jurdicos pertinentes seara traba-lhista, o pedido dever ser julgado procedente ou improcedente?

    Resposta: Uma vez que a relao de trabalho teve fim ape-nas dois anos aps o ajuizamento da reclamao trabalhista, no h prescrio bienal extintiva da ao a ser declarada, uma vez

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

    744

    que esta ocorre quando a ao proposta mais de dois anos aps o trmino da relao contratual (art. 7, XXIX, CF e 11, I, CLT). A revelia decorrente do no comparecimento do reclamado em audincia tem por efeito a confisso quanto matria de fato, sendo assim, presumem-se verdadeiros os fatos alegados pelo reclamante na petio inicial, portanto, deve-se admitir que o empregado laborou em regime de horas-extras, devendo serem julgados procedentes os pedidos de horas-extras e suas proje-es nas parcelas contratuais. Entretanto, deve ser rejeitado o pedido de projees das horas extraordinrias nas verbas resi-litrias, uma vez que a ao foi proposta enquanto ainda no havia ocorrido a resilio contratual, tratando-se, portanto, de um pedido no determinado, incidente sobre verbas resilitrias desconhecidas na poca do ajuizamento da reclamao (art.128 c/c 460, CPC).

    ESPELHO DE CORREO

    Quesitos avaliados Notas possveis Nota

    Item A

    Dever requerer a aplicao da revelia e confisso da matria ftica advogado com defesa e procu-rao no elide revelia (0,2)

    Indicao da norma: Smula n 122/TST (0,1)

    Razes: na JT a revelia decorre da ausncia da parte (0,2)

    Indicao da norma: Art. 844/CLT (0,1)

    0 / 0,1 / 0,2 / 0,3 / 0,4 /0,5 /

    0,6

    Item B

    Procedente, em parte. Embora a prescrio seja matria de direito, no incide prescrio bienal extintiva quanto a contrato em curso. (0,15).

    No pode ser conhecido pedido de integrao em parcelas decorrentes de terminao contratual que ainda no havia se operado quando do ajuizamen-to (0,2)

    Indicao das normas: art. 7, XXIX, CF e art. 128 e 460, CLT (0,3).

    0 / 0,15 / 0,2 / 0,3 / 0,35 / 0,4

    5/ 0,5 / 0,65

  • O R D E M C O M E N T A D A S

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    2. (OAB/FGV II EXAME - 2010.2) Um mem-bro do conselho fiscal de sindicato representante de determinada categoria profissional ajuizou reclamao trabalhista com pedido de antecipao dos efeitos da tutela, postulando a sua reintegra-o no emprego, em razo de ter sido imotivadamente dispen-sado. O reclamante fundamentou sua pretenso na estabilidade provisria assegurada ao dirigente sindical, prevista nos artigos 543, 3, da CLT e 8, inciso VIII, da Constituio da Repblica de 1988, desde o registro de sua candidatura at 01 (um) anos aps o trmino de seu mandato. O juiz concedeu, em sede liminar, a tutela antecipada requerida pelo autor, determinando a sua imediata reintegrao, fundamentando sua deciso no fato de que os membros do conselho fiscal, assim como os integrantes da diretoria, exercem a administrao do sindicato, nos termos do artigo 522, caput, da CLT, sendo eleitos pela assembleia geral. Com base em fundamentos jurdicos determinantes da situao problema acima alinhada, responda s indagaes a seguir.

    a) O juiz agiu com acerto ao determinar a reintegrao imediata do reclamante?

    Resposta: O juiz no agiu com acerto ao determinar a ime-diata reintegrao do reclamante, pois nos termos do art. 522, 2, da CLT, as atividades do conselheiro fiscal limitam-se fisca-lizao da gesto financeira do sindicato, no atuando na repre-sentao ou defesa da categoria, razo pela qual no gozam da estabilidade conferida aos dirigentes sindicais, prevista no art. 8, VIII, da CF e art. 543, 3, da CLT.

    Nos mesmo sentido o posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho, consubstanciado na OJ 365 da SBDI I, do TST

    b) Que medida judicial seria adotada pelo reclamado contra esta deciso antecipatria?

    Resposta: A deciso que antecipou os efeitos da tutela de mrito interlocutria, portanto, nos termos do art. 893, 1 da CLT e smula 214 do TST, irrecorrvel de imediato. Ao determinar a reintegrao de empregado sem estabilidade provisria no emprego, o juiz feriu direito lquido e certo do empregador e, por inexistir uma medida especfica para im-pugnar sua deciso desde logo, a medida judicial a ser adota-

  • A R Y A N N A M A N F R E D I N I | R E N A T O S A R A I V A

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    da pelo reclamado o mandado de segurana, nos termos da smula 414, II, do TST.

    ESPELHO DE CORREO

    Quesitos avaliados Notas possveis Nota

    Item A

    No. Membro do C. Fiscal no tem estabilidade CF no atua na defesa de direitos da categoria competncia limitada atividade de fiscalizao da gesto financeira do sindicato (0,30);

    Fundamentar: art. 522, 2, CLT (0,20) e OJ 365, SDI-1, TST (0,15).

    0 / 0,15 / 0,20 / 0,30

    / 0,35 / 0,50 / 0,65

    Item B

    deciso interlocutria irrecorribilidade imedia-ta (0,20)

    Indicao da norma: Art. 893, 1/CLT ou Smula n 214/TST (0,20)

    Indicao da norma: Sumula 414, II/TST (0,25)

    0,0 / 0,20 / 0,40 / 0,45

    / 0,65

    3. OAB/FGV II EXAME - 2010.2) Na audincia inaugural de um processo na Justia do Trabalho que tramita pelo rito sumarssimo, o advogado do ru apresentou sua contestao com documentos e, ato contnuo, requereu o adiamento em vir-tude da ausncia da testemunha Jussara Freire que, apesar de comprovadamente convidada, no compareceu. O advogado do autor, em contraditrio, protestou, uma vez que a audincia una no processo do trabalho, no admitindo adiamentos. O juiz deferiu o requerimento de adiamento, registrou o protesto em ata e remarcou a audincia para o incio da fase instrutria. No dia designado para a audincia de instruo, a testemunha Jussa-ra Freire no apenas compareceu, como esteve presente, dentro da sala de audincias, durante todo o depoimento da testemu-nha trazida pelo autor. No momento da sua oitiva, o advogado do autor a contraditou, sob o argumento de vcio procedimental para essa inquirio, ao que o advogado do ru protestou. Antes de o juiz decidir o incidente processual, o advogado do ru se anteci-pou e requereu a substituio da testemunha. Diante da situao narrada, analise o deferimento do adiamento da audincia pelo juiz, bem como a contradita apresentada pelo advogado do autor e o requerimento de substituio elaborado pelo advogado do ru.