Click here to load reader

1606 leia algumas paginas

  • View
    220

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of 1606 leia algumas paginas

  • 67

    Sujeitos da relao de trabalho

    CAPTULO IISujeitos da relao

    de trabalho

    Sumrio 1. Empregado: 1.1. Requisitos da relao empregatcia; 1.2. Requisitos no essenciais configurao da relao de emprego; 1.2.1. Exclusividade; 1.2.2. Local da prestao de servios 2. Carteira de Trabalho e Previdncia Social: 2.1. Prazo para anotao e emisso da CTPS; 2.2. Das anota-es; 2.3. Prescrio e CTPS; 2.4. Registro do empregador; 2.5. Experincia prvia: art. 442-A da CLT 3. Relaes empregatcias especiais: 3.1. Empregado rural; 3.1.1. Identificao da figura do empregado e empregador rural; 3.1.2. Peculiaridades dos empregados rurais; 3.1.3. Contrato temporrio rural (art. 14-A da Lei n 5889/73); 3.2. Empregado domstico; 3.2.1. Direitos do empregado domstico; 3.3. Proteo do trabalho do Menor; 3.3.1. Jornada de trabalho do menor; 3.3.2. Prestao de servios em locais prejudiciais moralidade do menor: 3.3.2.1. Dos direitos de profissionalizao e proteo do trabalho. Estatuto da Criana e do Adolescente (Lei n 8.069/90 e alteraes); 3.3.3. Do papel dos re-presentantes legais do menor; 3.3.4. Da prescrio; 3.3.5. Do salrio; 3.3.6. Da prescrio; 3.4. Aprendiz; 3.4.1. Contrato de trabalho especial; 3.4.2. Prazo para o contrato de aprendizagem; 3.4.3. FGTS; 3.4.4. Obrigatoriedade na contratao de aprendizes; 3.4.5. Jornada de trabalho do aprendiz; 3.4.6. Vnculo empregatcio do aprendiz; 3.4.7. Extino do contrato de aprendizagem; 3.5. Proteo do trabalho da Mulher; 3.5.1. Proteo maternidade; 3.5.1.1. Licena-maternidade; 3.5.1.2. Estabilidade da gestante; 3.5.2. Meio ambiente de trabalho 4. Empregador: 4.1. Grupo econmico; 4.2. Sucesso de empresas; 4.3. Poderes do empregador 5. Terceirizao: 5.1. Requisitos para terceirizao lcita; 5.2. Respon-sabilidade da tomadora; 5.2.1. Fraude na terceirizao; 5.2.2. Terceirizao na Administrao Pblica; 5.3. Dono da obra e subempreitada 6. Smulas e Orientaes Jurisprudenciais do TST 7. Legislao relacionada ao captulo.

    1. EMPREGADO

    A relao de emprego tem como principal caracterstica a presena do emprega-do, parte mais fraca da relao jurdica. O Direito do Trabalho foi pensado e criado exatamente para proteger a figura desse trabalhador. H necessidade, entretanto, de diferenciar o trabalhador em sentido amplo e o trabalhador com vnculo em-pregatcio. A CLT e as demais normas trabalhistas so voltadas apenas proteo dos direitos do empregado1, ou seja, jornada de trabalho, FGTS, frias, descanso semanal remunerado, dentre outros direitos, so direcionados aos empregados,

    1. A Constituio Federal equiparou os direitos do trabalhador avulso aos direitos dos empregados. Embora o avulso no possua vnculo empregatcio, ele ter todos os direitos do trabalhador com vnculo empregatcio ( frias, dcimo terceiro, FGTS etc.).

  • 68

    HENRIQUE CORREIA

    por isso a importncia de diferenci-los dos trabalhadores autnomos, eventuais, estagirios etc.

    Princpios protetivos: Salrio-mnimo Limitao da jornada (8 horas dirias) Intervalos Descanso semanal e frias Estabilidade Demais direitos trabalhistas

    PROTEO PREVISTA NA CF/88 E NA CLT

    Empregado

    *Importante diferenci-lo dos demais trabalhadores, porque os direitos trabalhistas so direcionados ao empregado.

    Requisitos: Pessoa fsica (Pessoalidade) No eventualidade Onerosidade Subordinao

    1.1. Requisitos da relao empregatciaDe acordo com o art. 3 da CLT:

    Considera-se empregado toda pessoa fsica que prestar servios de natureza no eventual a empregador, sob a dependncia deste e mediante salrio.

    De acordo com esse artigo da CLT, h quatro requisitos essenciais para configu-rar o vnculo empregatcio. imprescindvel que o candidato ao cargo pblico saiba todos eles, assim ser comentado a seguir cada um dos requisitos:

    a) Pessoa fsica

    O empregado pessoa fsica ou natural. A lei trabalhista foi criada para proteger o ser humano. Assim, excluem-se da figura do empregado a pessoa jurdica (empresa, associao, cooperativa etc.) e a prestao de servios por animais.

    Dentro desse requisito, enquadra-se a pessoalidade na prestao de servios. O empregado contratado em razo de suas qualidades pessoais (eficincia, lealdade, conhecimentos tcnicos, moral etc.). Diante disso, no se pode fazer substituir por um terceiro. Exemplo: o empregado, quando estiver cansado, no pode mandar o irmo trabalhar em seu lugar. A pessoalidade requisito essencial para configurar o empregado2.

    b) No eventualidade

    Para configurar o vnculo empregatcio, necessrio que o trabalho realizado no seja eventual, ocasional. O contrato de trabalho de trato sucessivo, ou seja, h continuidade no tempo. Logo, haver expectativa de que o empregado retorne ao local de trabalho. A continuidade na prestao de servios no se confunde com

    2. A pessoalidade no um trao caracterstico da figura do empregador.

  • 69

    Sujeitos da relao de trabalho

    trabalho realizado diariamente. Exemplo: professor universitrio que, h dois anos, presta servios todas as segundas e quartas-feiras na universidade, ser empregado, pois h habitualidade na prestao de servios.

    c) Onerosidade

    O contrato de trabalho oneroso, como prev o art. 3 da CLT: mediante sal-rio. Em regra, presume-se que a prestao de servios onerosa, pois de um lado o empregado assume a obrigao de prestar servios, de outro, o empregador, a obrigao de pagar salrio.

    d) Subordinao

    A caracterstica mais importante da relao empregatcia a subordinao ou, ainda, de acordo com o texto da CLT: empregado trabalha sob a dependncia do empregador. Se o empregador assume todos os riscos do empreendimento, ele ter o poder de organizar e dirigir a prestao de servios. Dessa forma, o empregado fica subordinado s ordens do empregador.

    Note que, na subordinao, o empregado fica sujeito s orientaes dadas pelo empregador, como horrio de trabalho, utilizao de maquinrio etc. Essa subordi-nao no alcana a vida pessoal do trabalhador.

    A doutrina identifica trs teorias para explicar a subordinao, conforme a seguir descritas:

    1. Subordinao jurdica: a tese aceita atualmente. A subordinao do em-pregado decorre de lei. Assim, quando aceita trabalhar para o empregador, consequentemente aceitar as regras e orientaes dadas para que a pres-tao de servios seja realizada nos moldes previstos pelo empregador.

    2. Subordinao tcnica: segundo essa teoria, a subordinao existe porque o empregador detm todo o conhecimento tcnico dos meios de produo, logo o empregado estaria subordinado tecnicamente ao empregador. Tal manifestao nem sempre se apresenta, pois em um cursinho preparatrio para concursos, por exemplo, o empregador professor de matemtica e raciocnio lgico, no possuindo conhecimentos tcnicos de Direito do Trabalho, mas, mesmo assim, existe a subordinao sobre o professor dessa matria.

    3. Subordinao econmica: essa teoria defende a subordinao em razo da dependncia do salrio para o empregado sobreviver. O critrio falho, pois nem sempre o trabalhador depende apenas daquele trabalho para sobreviver, podendo prestar servios em outros locais que lhe paguem mais.

    Exemplo: o professor e juiz do trabalho que presta servios em um cursinho. Nesse caso, o empregado poder ter salrio superior ao do empregador, mas, ainda assim, estar subordinado s regras impostas pelo cursinho (horrio de trabalho, utilizao do material didtico etc.).

  • 70

    HENRIQUE CORREIA

    Alm dos requisitos da pessoa fsica e pessoalidade, onerosidade, no even-tualidade e subordinao, alguns autores destacam a alteridade como requisito do vnculo empregatcio. A alteridade obriga que todos os riscos do empreendimento sejam suportados exclusivamente pelo empregador. Assim sendo, em momentos de crise financeira mundial, os prejuzos da empresa sero exclusivos do empregador, no podendo dividi-los com os trabalhadores. O salrio deve ser pago, portanto, tendo a empresa lucros ou prejuzos.

    1.2. Elementos no essenciais configurao da relao de emprego

    1.2.1. Exclusividade

    No h na CLT exigncia de que o empregado preste servios com exclusivida-de. No requisito para configurar o vnculo empregatcio que ele trabalhe para apenas um nico empregador. H possibilidade de vrios contratos de trabalho, com empresas diversas, simultaneamente. Exemplo: empregado presta servios na padaria, pela manh. tarde, empregado da central de telemarketing. Nesse caso, a Carteira de Trabalho ser assinada pelos dois empregadores, possuindo, o empregado, dois contratos de trabalho ao mesmo tempo.

    1.2.2. Local da prestao de servios

    O local da prestao de servios tambm irrelevante para configurar o vnculo empregatcio. Veja, por exemplo, o trabalhador que presta servios em domiclio desenvolvendo programas de computador; nessa situao, se houver a presena dos requisitos da relao empregatcia (habitualidade, onerosidade e subordinao), ser configurada a relao de emprego, com o pagamento de todos os direitos tra-balhistas. Alis, a CLT foi recentemente alterada, para prever o teletrabalho, ou seja, o trabalho executado distncia. Nesse caso, se as ordens so passadas pelo celular ou email, configura a subordinao e, consequentemente, o vnculo empregatcio. Observe a previso expressa da nova redao do art. 6 da CLT:

    Art. 6 No se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domiclio do empregado e o realiza-do a distncia, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relao de emprego.

    Pargrafo nico. Os meios telemticos e informatizados de comando, controle e superviso se equiparam, para fins de subordinao jurdica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e superviso do trabalho alheio.

    Alm desses dois elementos anteriores, exclusividade e local da prestao de servios, a profissionalidade outro elemento no essencial caracterizao da relao de emprego3. Nesse sentido, ser empregado tanto o trabalhad