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1631 leia algumas paginas

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    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    CAPTULO I

    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    SUMRIO 1. Princpios constitucionais do processo penal; 1.1. Princpios constitucionais expl-citos do processo penal; 1.1.1. Princpio da presuno da inocncia ou do estado de inocncia ou da situao jurdica de inocncia ou da no culpabilidade (art. 5, LVII, CF); 1.1.2. Princpio da igualdade processual ou da paridade das armas par conditio (art. 5, caput, CF); 1.1.3. Princpio da ampla defesa (art. 5, LV, CF); 1.1.4. Princpio da plenitude da defesa (art. 5, XXXVIII, alnea a, CF); 1.1.5. Princpio da prevalncia do interesse do ru ou favor rei, favor libertatis, in dubio pro reo, favor inocente (art. 5, LVII, CF); 1.1.6. Princpio do contraditrio ou da bilateralidade da audincia (art. 5, LV, CF); 1.1.7. Princpio do juiz natural (art. 5, LIII, CF); 1.1.8. Princpio da publicidade (arts. 5, LX e XXXIII, e 93, IX, CF e art. 792, caput, CPP); 1.1.9. Prin-cpio da vedao das provas ilcitas (art. 5, LVI, CF); 1.1.10. Princpios da economia processual, celeridade processual e durao razovel do processo (art. 5, LXXVIII, CF); 1.1.11. Princpio constitucional geral do devido processo penal devido processo legal ou due process of law (art. 5, LIV, CF); 1.2. Princpios constitucionais implcitos do processo penal; 1.2.1. Princpio de que ningum est obrigado a produzir prova contra si mesmo ou da no autoincriminao (nemo tenetur se detegere); 1.2.2. Princpio da iniciativa das partes ou da ao ou da deman-da (ne procedat judex ef officio) e princpio consequencial da correlao entre acusao e sentena; 1.2.3. Princpio do duplo grau de jurisdio; 1.2.4. Princpio do juiz imparcial; 1.2.5. Princpio do promotor natural e imparcial ou promotor legal; 1.2.6. Princpio da vedao da du-pla punio e do duplo processo pelo mesmo fato (ne bis in idem); 2. Princpios do processo penal propriamente ditos; 2.1. Princpio da busca da verdade real ou material; 2.2. Princpio da oralidade e princpios consequenciais da concentrao, da imediatidade e da identidade fsica do juiz; 2.3. Princpio da comunho ou aquisio da prova; 2.4. Princpio do impulso oficial; 2.5. Princpio da persuaso racional ou livre convencimento motivado; 2.6. Princpio da lealdade processual; 3. Questes de concursos pblicos; 4. Gabarito.

    1. PRINCPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL

    1.1. Princpios constitucionais explcitos do processo penal

    1.1.1. Princpio da presuno da inocncia ou do estado de inocncia ou da situao jurdica de inocncia ou da no culpabilidade (art. 5, LVII, CF)

    Expressamente previsto na Constituio Federal de 1988 no art. 5, inciso LVII, princpio por meio do qual se entende que ningum ser considerado culpado at o trnsito em julgado de sentena penal condenatria. Em outros termos, no Processo Penal, todo acusado presumido inocente at a eventual

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    sentena condenatria transitar em julgado. Em verdade, como aponta Eugnio Pacelli de Oliveira (OLIVEIRA, 2008, p. 35-36), prefervel o uso da expresso situao jurdica de inocncia, porque a inocncia no presumida, ela j exis-te desde o nascimento do indivduo, persistindo at o trnsito em julgado da sentena condenatria.

    1.1.2. Princpio da igualdade processual ou da paridade das armas par conditio (art. 5, caput, CF)

    Trata-se de princpio que decorre do mandamento de que todos so iguais perante a lei encontrado no art. 5, caput, da Constituio Federal, devidamente adaptado ao Processo Penal. Desse modo, por fora do princpio em comento, as partes devem ter, em juzo, as mesmas oportunidades de fazer valer suas razes e ser tratadas igualitariamente, na medida de suas igualdades, e desi-gualmente, na proporo de suas desigualdades.

    Registre-se que o princpio da igualdade processual ou paridade das armas sofre mitigao pelo princpio do favor rei, segundo o qual o interesse do acu-sado possui certa prevalncia sobre a pretenso punitiva estatal.

    1.1.3. Princpio da ampla defesa (art. 5, LV, CF) Por fora desse princpio, encontrado no art. 5, LV, da Constituio Federal,

    entende-se que o ru tem direito a um amplo arsenal de instrumentos de de-fesa como forma de compensar sua enorme hipossuficincia e fragilidade em relao ao Estado, que atua no Processo Penal por meio de diversos rgos (Polcia Judiciria, Ministrio Pblico e Juiz), de forma especializada e com aces-so a dados restritos.

    Este princpio divide-se em autodefesa e defesa tcnica.

    PRINCPIO DA AMPLA DEFESA

    Autodefesa (disponvel)

    Defesa tcnica (indisponvel)

    A autodefesa a defesa promovida pessoalmente pelo prprio ru, sem assistncia de procurador, geralmente durante o seu interrogatrio judicial, sendo ela disponvel, afinal de contas o acusado pode se calar ou at mesmo mentir, em conformidade com outro princpio constitucional expresso, o direito ao silncio (art. 5, inciso LXIII, CF).

    Entretanto, ressalte-se que a disponibilidade da autodefesa no autoriza que o ru minta ou se cale na primeira parte do interrogatrio judicial (art. 187, 1, do CPP), referente s perguntas sobre a sua qualificao pessoal, o que

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    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    apenas permitido na segunda parte deste ato processual (art. 187, 2, do CPP), no momento das perguntas sobre os fatos delitivos. Em se recusando a fornecer sua qualificao, o agente poder praticar a contraveno penal prevista no art. 68 da Lei de Contravenes Penais (recusa de dados sobre prpria identidade ou qualificao). De outro lado, se o ru atribui a si mesmo outra identidade, pode restar configurado o crime definido no art. 307 do Cdigo Penal (falsa identidade). Ademais, tambm no se permite que o ru, na segunda parte do interrogatrio, formule imputao falsa a terceiros ou mesmo autoimputao falsa, sob pena inclusive de responsabilidade penal por seu ato, caracterizan-do-se o crime de denunciao caluniosa (art. 339 do Cdigo Penal) ou at de auto-acusao falsa (art. 341 do Cdigo Penal).

    A autodefesa distingue-se ainda em direito de audincia (direito de o ru ser ouvido no processo, o que ocorre geralmente durante o interrogatrio judi-cial) e direito de presena (direito de o ru estar presente aos atos processu-ais, geralmente audincias, seja de forma direta, seja de forma indireta, o que ocorre por meio da videoconferncia).

    J a defesa tcnica aquela defesa promovida por um defensor tcnico, bacharel em Direito, sendo ela indisponvel, pois, em regra, o ru no pode se defender sozinho (art. 263, caput, do CPP) apenas se ele for advogado que poder promover a sua prpria defesa.

    DEFESA TCNICA

    Defesa indisponvel exercida por defensor tcnico

    1.1.4. Princpio da plenitude da defesa (art. 5, XXXVIII, alnea a, CF)

    Previsto no art. 5, inciso XXXVIII, alnea a, da Constituio Federal, prin-cpio aplicado especificamente para o Tribunal do Jri. Trata-se de um plus, um

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    reforo ampla defesa, que atribuda apenas para os acusados em geral, permitindo-se que o ru, no Tribunal do Jri, se utilize de todos os meios lcitos de defesa, ainda que no previstos expressamente pelo ordenamento jurdico.

    Destarte, isso implica na possibilidade no s da utilizao de argumentos tcnicos, mas tambm de natureza sentimental, social e at mesmo de poltica criminal, no intuito de convencer o corpo de jurados (TVORA; ALENCAR, 2009, p. 675). Alis, frise-se que o princpio em tela decorre justamente do fato de que, no Tribunal do Jri, prevalece a ntima convico do jurado, o qual no necessita fundamentar sua deciso.

    1.1.5. Princpio da prevalncia do interesse do ru ou favor rei, favor libertatis, in dubio pro reo, favor inocente (art. 5, LVII, CF)

    Havendo dvida entre admitir-se o direito de punir do Estado ou reconhe-cer-se o direito de liberdade do ru, deve-se privilegiar a situao deste ltimo, por ser ele a parte hipossuficiente da relao jurdica estabelecida no Processo Penal. princpio que decorre ontologicamente do princpio da presuno de inocncia, da porque possvel afirmar que ele tambm se encontra previsto no art. 5, inciso LVII, da Constituio Federal.

    Consequncia direta deste princpio consiste no fato de que, em havendo dvida na interpretao de um determinado artigo de lei processual penal, deve-se privilegiar a interpretao que beneficie a situao do ru.

    Consequncia

    Contudo, esse princpio no tem aplicao nas fases de oferecimento da denncia e na prolao da deciso de pronncia do Tribunal do Jri, nas quais prevalece o princpio do in dubio pro societate.

    1.1.6. Princpio do contraditrio ou da bilateralidade da audincia (art. 5, LV, CF)

    Por fora do princpio do contraditrio, estampado no art. 5, LV, da Carta Magna Federal, ambas as partes (e no apenas o ru) tm o direito de se ma-

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    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    nifestar sobre qualquer fato alegado ou prova produzida pela parte contrria, visando a manuteno do equilbrio entre o direito de punir do Estado e o direito de liberdade do ru e o consequente estado de inocncia, objetivo de todo Processo Penal Justo.

    Em regra, o princpio diz respeito apenas a fatos e provas. Entretanto, possvel ser aplicado tambm em matria de direito, quando ela possibilitar a extino do feito, a exemplo da abolitio criminis, que pode ensejar o decreto de extino da punibilidade (artigos 2, caput, e 107, inciso III, do Cdigo Penal).

    Para que o contraditrio possa se perfectibilizar no Processo Penal, preci-so necessariamente que sejam atendidos 3 (trs) direitos das partes, so eles:

    1. Direito de ser intimado sobre os fatos e provas.

    2. Direito de se manifestar sobre os fatos e provas.

    3. Direito de interferir efetivamente no pronunciamento do juiz.

    1.1.7. Princpio do juiz natural (art. 5, LIII, CF)

    Em virtude deste princpio, consagrado no art. 5, inciso LIII, do Texto Consti-tucional, entende-se que, no Processo Penal, o julgador a atuar em um determi-nado feito deve ser aquele previamente escolhido por lei ou pela Constituio Federal. Veda-se com isso o Tribunal ou Juiz de Exceo, que seria aquele esco-lhido aps a ocorrncia de um crime e para determinado caso concreto.

    1.1.8. Princpio da publicidade (arts. 5, LX e XXXIII, e 93, IX, CF e art. 792, caput, CPP)

    o princpio segundo o qual os atos processuais devem ser praticados pu-blicamente, sem qualquer controle, permitindo-se o amplo acesso ao pblico, bem como os autos do processo penal esto disponveis a todos. Trata-se de forma de fomentar o controle social dos atos processuais.

    Esse princpio, porm, comporta excees: nos termos do art. 5, inciso LX, da Constituio Federal, a lei poder restringir a publicidade dos atos processu-ais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. No entanto, jamais o ato processual ser praticado sem a presena do Ministrio Pblico, assistente de acusao, se houver, e do defensor (embora seja possvel excluir a pessoa do ru, como na hiptese prevista no art. 217 do CPP, em que o juiz po-der at determinar a retirada do ru da sala de audincia se perceber que a sua presena causa humilhao, temor, ou srio constrangimento testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento).

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    Em face da existncia de tais excees, a doutrina apresenta as seguintes espcies de publicidade: publicidade geral ( aquela que no comporta exce-es, sendo o ato processual e os autos do feito acessveis a todos) e publi-cidade especfica ( aquela que, incidindo as excees constitucionais alhures mencionadas, s permite o acesso ao ato processual e aos autos do feito por parte do Ministrio Pblico, assistente de acusao, se houver, e defensor).

    No que tange restrio da publicidade de um ato processual, merece ser levado em considerao o disposto no art. 792, 1, do CPP: Se da publicida-de da audincia, da sesso ou do ato processual, puder resultar escndalo, inconveniente grave ou perigo de perturbao da ordem, o juiz, ou o tribunal, cmara, ou turma, poder, de ofcio ou a requerimento da parte ou do Minist-rio Pblico, determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, limitando o nmero de pessoas que possam estar presentes. o caso de uma audincia em que a populao grita palavras de ordem contra o ru, conhecido e brbaro assassino.

    1.1.9. Princpio da vedao das provas ilcitas (art. 5, LVI, CF)

    Nos termos do art. 5, inciso LVI, da Constituio Federal, so inadmissveis, no processo, as provas obtidas por meios ilcitos.

    O Cdigo de Processo Penal, com o advento da Lei n 11.690/08, passou a disciplinar com pormenores a matria. Assim, inicialmente, repetiu o man-damento constitucional no art. 157, caput, estatuindo que so inadmissveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilcitas. Complementando

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    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    esta ideia, o art. 157, 3, CPP, determina que preclusa a deciso de desentra-nhamento da prova declarada inadmissvel, esta ser inutilizada por deciso judicial, facultado s partes acompanhar o incidente. Registre-se, porm, que se a prova permanecer nos autos, mas ela no for utilizada pelo magistrado, de nenhuma forma, para a prolao da sentena, no haver qualquer nulidade nesta deciso. No obstante, caso o juiz venha a se utilizar de uma prova ilcita para proferir a sentena, esta ser nula (nulidade absoluta).

    Em seguida, no mesmo dispositivo legal (art. 157, caput), o CPP define o que se entende por provas ilcitas: so aquelas que violam tanto normas constitu-cionais como legais.

    Violam

    Ressalte-se ainda que a doutrina considera a existncia do gnero prova proibida ou vedada ou inadmissvel, tendo como espcies a prova ilcita, viola-dora de regra de direito material (exemplo: confisso obtida mediante tortura; interceptao telefnica realizada sem autorizao judicial), e a prova ilegtima, aquela obtida mediante violao de regra de direito processual (exemplo: lau-do pericial confeccionado por apenas um perito no oficial). O CPP (e a prpria Constituio Federal), porm, no acolhe essa distino, tratando uma prova que viole norma constitucional ou legal sempre como prova ilcita.

    Na sequncia, o CPP, no art. 157, 1, consagrou expressamente tambm a impossibilidade de utilizao das provas ilcitas por derivao (teoria dos fru-tos da rvore envenenada ou do efeito distncia fruits of the poisonous tree, construo da Suprema Corte americana e que j vinha sendo aceita, no Brasil, pelo STF), que so aquelas provas que decorrem de uma prova ilcita originria, sendo que tal ilicitude somente restar caracterizada se houver demonstrao do nexo causal entre as provas ou quando as derivadas no puderem ser ob-tidas por uma fonte independente das primeiras. A esse respeito, considera-se fonte independente aquela que por si s, seguindo os trmites tpicos e de praxe, prprios da investigao ou instruo criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova (art. 157, 2, do CPP).

    Ressalte-se, por fim, que a jurisprudncia brasileira comea a reconhecer a teoria da proporcionalidade (ou teoria da razoabilidade ou teoria do interesse predominante) na apreciao da prova ilcita, admitindo excepcionalmente a utilizao desta ltima em benefcio dos direitos do ru inocente que produ-

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    ziu tal prova para a sua absolvio (pro reo), pois, nesta situao, ele estaria agindo, para uns (GRINOVER; GOMES FILHO; FERNANDES, 2009), em legtima defesa, para outros, em estado de necessidade ou mesmo se configuraria hiptese de inexigibilidade de conduta diversa (NUCCI, 2008).

    1.1.10. Princpios da economia processual, celeridade processual e dura-o razovel do processo (art. 5, LXXVIII, CF)

    Segundo estes princpios, evidenciados no art. 5, inciso LXXVIII, da Constitui-o Federal, com a redao dada pela Emenda Constitucional n 45/04, e encon-trado tambm no art. 62 da Lei n 9.099/95, incumbe ao Estado dar a resposta jurisdicional no menor tempo e custo possveis.

    O princpio em questo, porm, no pode implicar na restrio da parte de produzir prova e buscar a verdade real.

    No que tange ao princpio da durao razovel do processo, o STF j teve a oportunidade de decidir pela possibilidade de o Tribunal de Justia convocar juzes de primeiro grau para atuarem perante o prprio rgo ad quem por fora da sobrecarga de trabalho, visando justamente efetivar o princpio ora em comento (Informativo n 581 do STF).

    Nessa linha de inteleco, a Lei n 12.019/09, inserindo o inciso III ao art. 3 da Lei n 8.038/90, passou a permitir que o relator de aes penais de compe-tncia originria do STJ e do STF convoque desembargadores de Turmas Crimi-nais dos Tribunais de Justia ou dos Tribunais Regionais Federais, bem como juzes de varas criminais da Justia dos Estados e da Justia Federal, pelo prazo de 6 (seis) meses, prorrogvel por igual perodo, at o mximo de 2 (dois) anos, para a realizao de interrogatrio e de outros atos da instruo, na sede do tribunal ou no local onde se deva produzir o ato.

    1.1.11. Princpio constitucional geral do devido processo penal devido processo legal ou due process of law (art. 5, LIV, CF)

    O princpio do devido processo legal vem insculpido no art. 5, LIV, da Carta Magna Federal, segundo o qual Ningum ser privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.

    Trata-se de princpio que fundamenta a viso garantista do processo penal, entendido como instrumento de efetivao dos direitos fundamentais do ru em face da fora inexorvel do Estado. Por conta disso, princpio que desen-cadeia diversos outros princpios no processo penal, ou, em outros termos, o

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    PRINCPIOS DO PROCESSO PENAL

    cumprimento de todos os outros princpios do Processo Penal implica, na ver-dade, no atendimento ao princpio do devido processo legal.

    Divide-se em dois aspectos:

    1. Aspecto material ou substancial: liga-se ao Direito Penal, fazendo valer os princpios penais, a exemplo da mxima de que ningum deve ser proces-sado seno por crime previsto e definido em lei. Coincide com o princpio da razoabilidade.

    2. Aspecto processual ou procedimental: liga-se ao procedimento e ampla possibilidade de o ru produzir provas, apresentar alegaes, demonstrar, enfim, ao juiz a sua inocncia, bem como o de o rgo acusatrio, represen-tando a sociedade, convencer o magistrado, pelos meios legais, da validade da sua pretenso punitiva (NUCCI, 2008, p. 96).

    PRINCPIOS CONSTITUCIONAIS

    EXPRESSOS

    1) Princpio da presuno de inocncia.

    2) Princpio da igualdade processual.

    3) Princpio da ampla defesa.

    4) Princpio da plenitude de defesa.

    5) Princpio do favor rei.

    6) Princpio do contraditrio.

    7) Princpio do juiz natural.

    8) Princpio da publicidade.

    9) Princpio da vedao das provas ilcitas.

    10) Princpios da economia processual, celeridade processual e durao razovel do processo.

    11) Princpio do devido processo legal.

    1.2. Princpios constitucionais implcitos do processo penal

    1.2.1. Princpio de que ningum est obrigado a produzir prova contra si mesmo ou da no autoincriminao (nemo tenetur se detegere)

    Trata-se de princpio constitucional implcito que decorre dos seguintes prin-cpios constitucionais expressos: presuno de inocncia (art. 5, LVII, CF); am-pla defesa (art. 5, LV, CF); direito ao silncio (art. 5, LXIII, CF). No obstante, princpio que se encontra expressamente previsto no art. 8 do Pacto de So Jos da Costa Rica, de 22 de novembro de 1969, incorporado ao ordenamento jurdico brasileiro pelo Decreto n 678, de 6 de novembro de 1992, e que tem

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    status supralegal, conforme entendimento do STF exarado nos julgamentos do RE n 466.343/SP e HC n 87.585/TO (Informativo n 531) .

    Considera-se que o Estado infinitamente superior ao ru no processo penal, no necessitando, portanto, de sua ajuda na atividade persecutria, sob pena de se decretar a falncia de seus rgos.

    Por fora deste princpio que a doutrina e a jurisprudncia do STF e do STJ majoritrias vm considerando que o acusado no est obrigado a participar de atividades probatrias que impliquem em intervenes corporais, como realizao de exames de DNA, grafotcnico ou de bafmetro, este ltimo fre-quentemente utilizado para a constatao do crime de embriaguez ao volante previsto no art. 306 da Lei n 9.503/97 (Cdigo de Trnsito Brasileiro), embora haja posies minoritrias em sentido contrrio, a exemplo de Eugnio Pacelli de Oliveira (2008, p. 336-342) e Amrico Bed Jnior e Gustavo Senna (2009, p. 40-47) e o julgado RCL n 2.040/DF do STF (Informativo n 257).

    1.2.2. Princpio da iniciativa das partes ou da ao ou da demanda (ne procedat judex ef officio) e princpio consequencial da correlao entre acusao e sentena

    Trata-se de princpio extrado do sistema acusatrio, que vige no Brasil e pode ser depurado dos artigos 129, inciso I (repetido pelo art. 257, inciso I, do CPP), e 5, inciso, LIX, da Constituio Federal, os quais garantem, respectiva-mente, a titularidade da ao penal pblica por parte do Ministrio Pblico e a possibilidade de oferecimento da ao penal privada subsidiria da pblica, se a ao penal pblica no for intentada pelo Parquet no prazo legal.

    Nesses termos, entende-se que o princpio veda que o juiz deflagre a ao penal de ofcio, exigindo-se para tanto a iniciativa do titular da ao. Por fora do princpio em comento que no se admite mais o processo judicialiforme, que consistia na possibilidade de incio da ao penal, nas contravenes pe-nais, por meio do auto de priso em flagrante delito ou por portaria expedida pelo delegado ou pelo magistrado, de ofcio ou a requerimento do Ministrio Pblico. A esse respeito, frise-se que o art. 531 do CPP, que contemplava essa possibilidade, foi alterado pela Lei n 11.719/08, que a extirpou desse dispositivo legal. Sendo assim, deve-se considerar que houve a revogao tcita do art. 26 do CPP, que tinha contedo idntico quele dispositivo legal alterado.

    Consequncia direta deste princpio o surgimento de outro princpio, o da correlao (ou congruncia ou relatividade ou reflexo) entre a acusao e a sentena, o qual implica na exigncia de que o fato imputado ao ru, na pea