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1674 leia algumas paginas

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    P A R T E O U C A P T U L O

    Titulo recorrenteasjhdajsdhaskjdhaksj

    fundamental o estudo dos princpios de Direito Administrativo, porque eles trazem a lgica do sistema. Assim como todos os outros ramos do direito, o direito administrativo lgico e a lgica deste sistema se encontra no estudo de seus princpios. Em suma, os princpios so a forma de raciocinar direito administrativo.

    O estudo destes princpios o estudo do chamado REGIME JURDICO ADMINISTRATIVO.

    1.1. PRINCPIOS BSICOS:

    1.1.1. Princpio da Supremacia do Interesse Pblico sobre o privado

    O interesse pblico supremo sobre o interesse particular. A administrao goza de supremacia decorrente deste princpio, razo pela qual vige a presuno de legalidade dos atos praticados pela Administrao, a possibilidade de desapro-priao de bens privados, entre outras prerrogativas.

    1.1.2. Princpio da Indisponibilidade do Interesse Pblico

    O limite deste princpio a indisponibilidade do interesse pblico que esta-belece que o administrador no pode deixar de atuar quando o interesse pblico assim o exigir. O administrador no titular do interesse pblico, portanto no tem poder de disposio sobre ele.

    Esses dois princpios embasam o sistema administrativo que se resume nas prerrogativas que o Estado goza x limitaes a que o Estado se submete. A admi-nistrao s pode atuar dentro do limite do interesse pblico, no obstante goze de vantagens amparadas no prprio interesse coletivo.

    Por exemplo, o contrato administrativo possui clusulas exorbitantes (prerro-gativas), mas deve ser realizado mediante licitao e se submeter a prazo deter-minado de durao (limitaes).

    Nesse sentido, pode-se definir que o Regime jurdico administrativo a lgica que se baseia na ideia de limitaes e prerrogativas em face do interesse pblico.

    Desses dois princpios acima referidos decorrem todos os demais. De acordo com a doutrina mais moderna, todos os princpios de direito administrativo so constitucionais, sendo alguns implcitos e outros explcitos, mas todos decorrentes da Constituio Federal.

    C A P T U L O 1

    PRINCPIOS

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    1.2. PRINCPIOS EXPRESSOS NA CONSTITUIO FEDERAL

    No artigo 37 da Constituio Federal, esto expressos cinco princpios. Ei-los:

    L Egalidade

    I Mpessoalidade

    M Oralidade

    P Ublicidade

    E Ficincia

    1.2.1 Princpio da Legalidade

    O administrador s pode atuar conforme determina a lei. Fala-se, em princ-pio, da subordinao lei. No havendo previso legal, est proibida a atuao do ente pblico.

    Tal princpio decorre da indisponibilidade do interesse pblico. Afinal, a lgi-ca que o administrador no pode atuar de forma a dispor do interesse pblico e, portanto, sua atuao fica dependendo da autorizao do titular do interesse pblico (que o povo), responsvel pela elaborao das leis, por meio de seus representantes legitimamente escolhidos.

    Logo, a atuao administrativa se limita vontade legal = vontade do povo.

    Este princpio difere do princpio da legalidade na esfera privada, na qual vige a autonomia privada. No que tange atuao do direito privado, aos particulares, tudo que no est proibido est juridicamente permitido. o chamado princpio da no contradio lei.

    1.2.2 Princpio da Impessoalidade

    Significa no discriminao. Reflete uma atuao que no discrimina as pessoas, seja para benefcio ou para prejuzo. Ao Estado irrelevante conhecer quem ser atingido pelo ato, pois sua atuao impessoal. No haver mudana de comporta-mento em razo da pessoa a ser beneficiada ou prejudicada pelo ato administrativo.

    Maria Sylvia di Pietro, seguida por outros doutrinadores modernos, acres-centa doutrina tradicional uma nova perspectiva do princpio da impessoali-dade. Para a referida autora, a impessoalidade deve ser enxergada tambm sob a tica do agente.

    Nesse sentido, quando o agente atua, no a pessoa do agente quem pratica o ato, mas o Estado rgo que ele representa. Corresponde, portanto, j co-nhecida teoria do rgo (ou teoria da imputao), utilizada pelo direito brasileiro.

    Fiquemos, ento, com estes dois aspectos do princpio da impessoalidade a prova pode tratar esse tema sob ambos os enfoques.

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    1.2.3 Princpio da Moralidade: honestidade, boa-f de conduta, atuao no corrupta

    Costuma-se chamar essa moralidade de Moralidade Jurdica. Quer dizer, mo-ralidade no trato com a coisa pblica. No se confunde com a moral social.

    Portanto, a aplicao da penalidade de demisso de um servidor pblico que encontrado fazendo sexo na repartio no decorre do princpio da moralidade (no sentido de moralidade jurdica trazido pela norma), mas sim da moralidade pblica (moral social).

    Em suma, pode-se definir que a moralidade diz respeito lealdade de conduta do agente no exerccio da funo pblica.

    1.2.4 Princpio da Publicidade

    Significa a proibio de edio de atos secretos, consubstanciando a idia de que a Administrao deve atuar de forma transparente, dando sociedade conhe-cimento dos atos por ela praticados.

    O princpio no absoluto, porquanto a prpria Constituio Federal ressalva que devem ser resguardados a segurana nacional e o relevante interesse coletivo, o que poder, de forma fundamentada, excepcionalizar o princpio da publicidade. Da mesma forma, se admite a edio de atos sigilosos quando a publicidade puder causar prejuzos intimidade, honra e vida privada.

    Ademais, a publicidade sempre foi vista pelos estudiosos da matriacomo for-ma de controle da administrao pelos cidados. A sociedade s poder controlar os atos administrativos se estes forem devidamente publicizados.

    Hoje se fala tambm em publicidade como requisito de eficcia dos atos administrativos.

    Portanto, no momento em que o gestor pblico assina determinado ato na repartio proibindo, por exemplo, que se estacione em determinada via, tal ato, quando de sua assinatura, perfeito e vlido, mas sua eficcia depende de sua publicao, para que se torne de conhecimento dos particulares sujeitos referida norma.

    ATENO! A eficcia dos atos depende da sua publicidade, mas no a sua validade: a publicidade imprescindvel diante da necessidade de a populao ter conhecimento dos atos.

    1.2.5 Princpio da Eficincia

    Este princpio se tornou expresso com o advento da EC 19/98. Eficincia pro-duzir bem, com qualidade e com menos gastos.

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    Inicialmente, quando da alterao constitucional, a doutrina tratava deste princpio como sendo muito fluido, configurando um verdadeiro desabafo do cons-tituinte derivado.

    O entendimento mais moderno o de que a prpria CF concretiza este prin-cpio, sendo ele uma norma de aplicabilidade imediata, ou seja, uma norma de eficcia plena.

    Por exemplo, a Emenda Constitucional 19/98 alterou o art. 41, criando a avalia-o peridica de desempenho dos seus servidores, mesmo depois da aquisio da estabilidade, como clara concretizao do princpio da eficincia.

    1.2.6 Artigo 5o, LV, CF: Princpios do Contraditrio e da Ampla defesa

    Resumidamente, o direito de saber o que acontece no processo, bem como o direito de se manifestar na relao processual.

    Quando se fala em ampla defesa, a doutrina processual analisa a presena de trs aspectos:

    A) defesa prvia;

    B) defesa tcnica;

    C) direito ao duplo grau.

    Esses aspectos foram importados para o direito administrativo? No direito ad-ministrativo, a ampla defesa abarca todos os aspectos acima elencados?

    A) O direito defesa prvia indiscutivelmente aplicado no mbito adminis-trativo. o direito de se manifestar antes de uma deciso administrativa.

    B) Da mesma sorte, a defesa tcnica tambm garantida. Entretanto, h de-ver de ser assistido por advogado? Primeiramente, veja-se a Smula 343/STJ: obrigatria a presena de advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar. Por outro lado, a Smula Vinculante 5 STF esta-belece: A falta de defesa tcnica por advogado no processo administrativo disciplinar no ofende a Constituio.

    O entendimento mais correto o de que a Smula do STJ sobrevive. Entende--se que. se a parte constituir advogado e este no puder participar de alguma fase do processo, esse procedimento ser nulo por violar a ampla defesa. Mas, se no constituir advogado, o particular pode postular, defendendo interesse prprio sem a presena de advogado (Smula Vinculante 5 STF).

    Contudo, cabe ressaltar que, recentemente, o Superior Tribunal de Justia vem dando amplitude SV no 5, retirando, totalmente do particular o direito defesa tcnica, conforme julgado abaixo transcrito:

    PAD. SERVIDOR PBLICO. SMULA VINCULANTE.

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    Trata-se de mandado de segurana no qual o impetrante objetiva desconstituir o ato administrativo que culminou em sua demisso do cargo de agente de servi-os de engenharia do quadro de pessoal do Departamento Nacional de Produo Mineral (DNPM). Sustenta, em sntese, violao do princpio do contraditrio e da ampla defesa no curso do processo administrativo disciplinar (PAD). Segundo ale-ga, em face da ausncia de defesa tcnica, no pde produzir provas que seriam imprescindveis para a justa soluo do caso, como a realizao de percia tcnica destinada a comprovar que ele agiu induzido a erro, e no por m-f, no lhe sendo possvel, ainda, reinquirir testemunhas, pedir acareaes etc. Afirma, enfim, que, por diversas vezes, requereu a nomeao de advogado, o que foi ignorado e, assim, vrios atos foram praticados sem sua presena, de seu advogado nem mesmo de defensor dativo. A Seo, ao prosseguir o julgamento, por maioria, negou a segurana pelos fundamentos, entre outros, de que, com a edio da S-mula Vinculante n. 5-STF, no h falar em ofensa CF/1988 em razo de no haver defesa tcnica no PAD, desde que seja concedida a oportunidade de ser efetivado o contraditrio e a ampla defesa, tal como ocorreu no caso. Consignou-se que o impetrante, alm de ser devidamente interrogado no curso do PAD, foi notificado outras duas vezes para prestar novo depoimento, a fim de que pudesse prestar outros esclarecimentos que entendesse pertinentes, contudo no compareceu a tais designaes. Assim, verifica-se que a comisso processante observou todos os ditames legais que norteiam o PAD, isto , oportunizou ao impetrante, durante o curso do processo, o exerccio de sua ampla defesa. Registrou-se, por fim, que no h qualquer bice legal tramitao do PAD em cidade diversa daquela em que o servidor encontra-se lotado, mormente porque os fatos devem mesmo ser apura-dos no local onde ocorreram as supostas irregularidades funcionais. Precedentes citados: MS 13.340-DF, DJe 4/6/2009; MS 13.266-DF, DJe 25/2/2010; MS 12.895-DF, DJe 18/12/2009; MS 13.763-DF, DJe 19/12/2008; MS 12.927-DF, DJ 12/2/2008; RMS 22.128-MT, DJ 10/9/2007, e MS 13.111-DF, DJe 30/4/2008. MS 12.457-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 24/11/2010.

    C) Existe direito ao duplo grau na esfera administrativa? A Smula Vinculante 21 estabelece que inconstitucional a exigncia de depsito ou arrola-mento prvios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso ad-ministrativo., Analisando este dispositivo, interpreta-se que tal exigncia seria inconstitucional por restringir o direito ao duplo grau.

    Desta forma, STF deixou claro, ao editar a referida smula, que entende ser inerente ampla defesa no mbito administrativo o direito ao duplo grau.

    1.3. PRINCPIOS IMPLCITOS

    A doutrina muito rica na adoo de princpios implcitos no direito adminis-trativo. A inteno neste momento de tratar somente daqueles mais correntes em provas de concursos e exames de ordem.

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    1) Princpio da Continuidade: traduz a idia da prestao ininterrupta da ati-vidade administrativa. Neste sentido, pode-se determinar que a atividade do Estado contnua, no se podendo parar a prestao dos servios. Tal princpio est expresso na Lei 8987/95 e implcito no texto constitucional.

    Deste princpio, decorrem alguns questionamentos. Vejamos:

    O servidor pblico tem direito de greve?

    Inicialmente, cumpre ressaltar que os militares no tm direito de greve nem de sindicalizao, por expressa vedao constitucional (Art. 142, 3o, IV da Carta Magna).

    Por sua vez, quando se trata de servidor pblico em sentido estrito, sim, h o direito de greve. Com efeito, nos moldes do art. 37, VII da Constituio Federal, o servidor pblico civil tem direito de greve que ser exercido nos termos de lei especfica.

    Acerca deste dispositivo, o Supremo Tribunal Federal j se posicionou, no sentido de se tratar de normaconstitucional de eficcia limitada, ou seja, no obstante o servidor tenha direito de greve, o exerccio do direito fica limitado edio de lei especfica.

    Ainda acerca do tema, no entanto, o Supremo Tribunal Federal determinou, ao julgar Mandado de Injuno referente matria, que, enquanto no houver lei es-pecfica a regulamentar a greve dos servidores pblicos, ser utilizada a lei geral de greve (Lei 7.783/89) para o exerccio deste direito. Tal entendimento visa a garantir que a omisso legislativa no cause prejuzos a direito constitucional.

    Recentemente o Superior Tribunal de Justia decidiu que, se o servidor exercer o direito de greve de forma legal, embora no tenha direito remune-rao pelos dias parados, no deve sofrer o corte da remunerao durante o exerccio deste direito, desde que a greve seja legal. Nestes casos, o servidor, ao terminar a greve, ficar sujeito compensao pelos dias parados, sob pena de ressarcimento ao errio.

    SERVIDORES PBLICOS. GREVE. LEGITIMIDADE. PAGAMENTO. DIAS PARADOS.

    cedio que a lei de greve do servio pblico ainda no foi regulamentada, mas, aps o julgamento no STF do mandado de injuno 708-DF, DJe 30/10/2008, deter-minou-se a aplicao das Leis ns. 7.701/1988 e 7.783/1989 enquanto persistir essa omisso quanto existncia de lei especfica, nos termos previstos no art. 37, VII, da CF/1988. Este Superior Tribunal, consequentemente, passou a ter competncia para apreciar os processos relativos declarao sobre a paralisao do trabalho decorrente de greve de servidores pblicos civis, bem como s respectivas medi-das acautelatrias, quando as greves forem nacionais ou abrangerem mais de uma unidade da Federao. Tambm no citado mandado de injuno, o STF, ao interpre-tar o art. 7o da Lei n. 7.783/1989, entendeu que com a deflagrao da greve ocorre

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    a suspenso do contrato de trabalho. Assim, no devem ser pagos os salrios dos dias de paralisao, a no ser que a greve tenha sido provocada por atraso no pa-gamento ou por outras situaes excepcionais as quais possam justificar essa sus-penso do contrato de trabalho. Anotou-se que, reiteradas vezes, em casos anlo-gos, o STF tem decidido no mesmo sentido. Na hiptese dos autos, os servidores em greve pertencentes carreira da Previdncia, da Sade e do Trabalho buscam a criao de carreira exclusiva para o Ministrio do Trabalho, disciplinada pela Lei n. 11.357/2006. Consta que os servidores somente deflagraram a greve aps ter sido frustrado o cumprimento do termo de acordo firmado, em 25/3/2008, entre as entidades sindicais representativas da classe e o Governo Federal, este represen-tado por secretrios. Para no ser considerada ilegal a greve, antes de deflagrarem o movimento, expediram a comunicao e a devida notificao extrajudicial ao Ministro de Estado do Planejamento, Oramento e Gesto. Neste Superior Tribunal, em relao a essa greve, foi interposta medida cautelar preparatria a dissdio co-letivo sobre a paralisao do trabalho decorrente de greve e petio que cuida de dissdio coletivo, ambas ajuizadas pela Confederao dos Trabalhadores no Servio Pblico Federal (CONDSEF) e pela Confederao Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social da Central nica dos Trabalhadores (CNTSS/CUT) e outra petio (ao declaratria) ajuizada pela Unio. O Min. Relator considerou legal a greve, fazendo uma anlise do ordenamento jurdico, da interdependncia dos Poderes, do direito de greve e do princpio da dignidade humana. Assim, afirmou que, em-bora o termo de acordo firmado no configure acordo ou conveno coletiva de trabalho, no tenha fora vinculante, nem seja ato jurdico perfeito em razo dos princpios da separao dos Poderes e da reserva legal (arts. 2o, 61, 1o, II, a e c, e 165 da CF/1988), constitui causa legal de excluso da alegada natureza abusiva da greve, nos termos do inciso I do pargrafo nico do art. 14 da Lei n. 7.783/1989. Quanto ao pagamento dos vencimentos durante o perodo de paralisao, o Min. Relator ressalvou ponto de vista quanto natureza da disciplina legal e constitu-cional do servidor pblico, a exigir um mnimo de regramento para a criao de um fundo destinado a fazer frente no percepo de vencimentos durante a sus-penso do vnculo funcional, o que, pela sua excepcionalidade, poderia justificar a no suspenso do pagamento. Entretanto, assevera que no h como ignorar a jurisprudncia do STF e a natureza particular de necessidade da formao desse fundo devido suspenso do vnculo funcional no perodo de greve. Diante desses argumentos, entre outros, a Seo declarou a legalidade da paralisao do traba-lho, determinando que a Unio se abstenha de promover qualquer ato que possa acarretar prejuzo administrativo funcional e financeiro aos grevistas, mas que haja regular compensao dos dias paralisados sob pena de reposio ao errio dos vencimentos pagos, nos termos do art. 46 da Lei n. 8.112/1990. Precedentes cita-dos do STF: AI 799.041-MG, DJe 31/5/2010; RE 456.530-SC, DJe 31/5/2010; RE 480.989-RS, DJe 11/5/2010; RE 538.923-PA, DJe 16/3/2010, e MI 3.085-DF, DJe 1o/9/2010. MC 16.774-DF, Pet 7.920-DF, e Pet 7.884-DF, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgados em 22/9/2010 (ver Informativo n. 440).

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    possvel interromper a prestao de um servio pblico em virtude do inadimplemento por parte do usurio?

    A Lei 8.987/95, em seu art. 6, 3o, diz que possvel a interrupo nos seguin-tes termos:

    3o No se caracteriza como descontinuidade do servio a sua interrupo em situao de emergncia ou aps prvio aviso, quando:

    I motivada por razes de ordem tcnica ou de segurana das instalaes; e,

    II por inadimplemento do usurio, considerado o interesse da coletividade.

    Acerca da interrupo por motivos de ordem tcnica, no h discusso dou-trinria. No que tange ao inadimplemento, a interrupo tambm constitucional, bastando que o usurio seja previamente avisado, nos moldes exigidos pela legis-lao. Esse o entendimento majoritrio da doutrina e jurisprudncia.

    De qualquer forma, ser ilegal a paralisao por inadimplemento se ensejar a interrupo de um servio essencial coletividade.

    Ex.: cortar o fornecimento de energia eltrica de um hospital.

    No final do ano de 2009 chegou ao Superior Tribunal de Justia a seguinte discusso: concessionria de energia eltrica cortou o fornecimento para Munic-pio inadimplente quanto queles servios que no entendia essencial: iluminao pblica. Ento o STJ decidiu que a iluminao pblica servio essencial segu-rana da coletividade, razo pela qual no pode ser interrompido, por motivo de inadimplemento.

    Processo EREsp 845982 / RJ

    EMBARGOS DE DIVERGNCIA EM RECURSO ESPECIAL 2006/0269086-7

    Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122)

    rgo Julgador S1 PRIMEIRA SEO

    Data do Julgamento 24/06/2009

    Data da Publicao/Fonte DJe 03/08/2009

    Ementa

    PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGNCIA EM RECURSO ESPE-CIAL. ENERGIA ELTRICA. UNIDADES PBLICAS ESSENCIAIS, COMO SO EM SER HOSPI-TAIS; PRONTO-SOCORROS; ESCOLAS; CRECHES; FONTES DE ABASTECIMENTO DGUA E ILUMINAO PBLICA; E SERVIOS DE SEGURANA PBLICA. INADIMPLNCIA. SUSPEN-SO DO FORNECIMENTO. SERVIO PBLICO ESSENCIAL.

    1. A suspenso do servio de energia eltrica, por empresa concessionria, em razo de inadimplemento de unidades pblicas essenciais hospitais; pronto-so-

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    corros; escolas; creches; fontes de abastecimento dgua e iluminao pblica; e servios de segurana pblica , como forma de compelir o usurio ao pagamento de tarifa ou multa, despreza o interesse da coletividade.

    2. que resta assente nesta Corte que: O princpio da continuidade do servio pblico assegurado pelo art. 22 do Cdigo de Defesa do Consumidor deve ser obtemperado, ante a exegese do art. 6o, 3o, II da Lei no 8.987/95 que prev a pos-sibilidade de interrupo do fornecimento de energia eltrica quando, aps aviso, permanecer inadimplente o usurio, considerado o interesse da coletividade. Pre-cedentes de ambas as Turmas de Direito Pblico (...) RESP 845.982/RJ.

    3. Deveras, no se concebe a aplicao da legislao infraconstitucional, in casu, art. 6.o, 3.o, II, da Lei 8.987/95, sem o crivo dos princpios constitucionais, dentre os quais sobressai o da dignidade da pessoa humana, que um dos fundamentos da Repblica como previsto na Constituio Federal.

    4. In casu, o acrdo recorrido (RESP 845.982/RJ), de relatoria do Ministro Castro Meira, Segunda Turma, decidiu pela impossibilidade de interrupo no fornecimen-to de energia eltrica das unidades de ensino do Colgio Pedro II, autarquia federal que presta servio educacional, situado na Cidade do Rio de Janeiro, consoante se infere do voto-condutor: (...) Entretanto, in casu, a concessionria pretende interromper o fornecimento de energia eltrica das unidades de ensino do Colgio Pedro II, autarquia federal que presta servio educacional a aproximadamente quinze mil alunos. Ainda que a falta de pagamento por pelos entes pblicos deva ser repudiada, neste caso, a Corte regional que, ao tempo em que proibiu o corte da energia, tambm determinou que a verba seja afetada para o pagamento do valor devido, se for o caso, pela requisio de complementao oramentria. Nas hipteses em que o consumidor seja pessoa jurdica de direito pblico, prevalece nesta Turma a tese de que o corte de energia possvel, desde que no aconte-a de forma indiscriminada, preservando-se as unidades pblicas essenciais (...) Ressalto que a interrupo de fornecimento de energia eltrica de ente pblico somente considerada ilegtima quando atinge necessidades inadiveis da co-munidade, entendidas essas por analogia Lei de Greve como aquelas que, no atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivncia, a sade ou a se-gurana da populao (art. 11, pargrafo nico, da Lei n.o 7.783/89), a includos, hospitais, prontos-socorros, centros de sade, escolas e creches (...). O acrdo paradigma (RESP 619.610/RS), de relatoria do Ministro Francisco Falco, Primeira Turma, examinando hiptese anloga, decidiu pela possibilidade de corte no forne-cimento de energia eltrica, em razo de inadimplncia, em se tratando de Estado--consumidor, mesmo no caso de prestao de servios pblicos essenciais, como a educao, verbis: (...) Com efeito, ainda que se trate o consumidor de ente pblico, cabvel realizar-se o corte no fornecimento de energia eltrica, mesmo no caso de prestao de servios pblicos essenciais, como a educao, desde que antecedido de comunicao prvia por parte da empresa concessionria, a teor do art. 17 da Lei no 9.427/96. Tal entendimento se justifica em atendimento aos inte-

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    resses da coletividade, na medida em que outros usurios sofrero os efeitos da inadimplncia do Poder Pblico, podendo gerar uma mora continuada, assim como um mau funcionamento do sistema de fornecimento de energia (...).

    5. Embargos de Divergncia rejeitados.

    A exceo de contrato no cumprido pode ser aplicada em contratos com a administrao?

    Exceptio non adimpleti contractus o direito de suspender a execuo do con-trato em face do inadimplemento da outra parte. De acordo com a Lei 8.666, art. 78, XV o particular tem direito de invocar a exceo do contrato no cumprido, desde que a administrao seja inadimplente por mais de 90 dias g Exceo diferida. Para tanto, no precisa de autorizao judicial.

    1.4. PRINCPIO DA AUTOTUTELA

    Poder que a administrao tem de rever seus prprios atos: anul-los ou re-vog-los. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal j editou a Smula 473 que se transcreve abaixo:

    SMULA No473 A ADMINISTRAO PODE ANULAR SEUS PRPRIOS ATOS, QUANDO EIVA-DOS DE VCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOG-LOS, POR MOTIVO DE CONVENINCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAO JUDICIAL.

    Pode-se perceber que a autotutela deve ser exercida pela Administrao Pbli-ca em relao aos seus atos, independentemente de provocao do particular inte-ressasdo. Ademais, em caso de ilegalidade do ato administrativo, os efeitos desse ato nulo que gerem direitos so mantidos aos terceiros, se estavam de boa f.

    SMULAS DE JURISPRUDNCIA

    SMULAS VINCULANTES

    SMULA VINCULANTE N. 3 NOS PROCESSOS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO, ASSEGURAM-SE O CONTRADITRIO E A AMPLA DEFESA QUANDO DA DECISO PUDER RESULTAR ANULAO OU REVOGAO DE ATO ADMINISTRATIVO QUE BENEFICIE O INTERESSADO, EXCE-TUADA A APRECIAO DA LEGALIDADE DO ATO DE CONCESSO INICIAL DE APOSENTADORIA, REFORMA E PENSO.

    SMULA VINCULANTE N. 5 A FALTA DE DEFESA TCNICA POR ADVOGADO NO PROCESSO ADMI-NISTRATIVO DISCIPLINAR NO OFENDE A CONSTITUIO.

    SMULA VINCULANTE N. 14 DIREITO DO DEFENSOR, NO INTERESSE DO REPRESENTADO, TER ACESSO AMPLO AOS ELEMENTOS DE PROVA QUE, J DOCUMENTADOS EM PROCEDIMENTO

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    INVESTIGATRIO REALIZADO POR RGO COM COMPETNCIA DE POLCIA JUDICIRIA, DIGAM RESPEITO AO EXERCCIO DO DIREITO DE DEFESA.

    SMULA VINCULANTE N. 21 INCONSTITUCIONAL A EXIGNCIA DE DEPSITO OU ARROLAMENTO PRVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO.

    SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL:

    SMULA N.20 NECESSRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO COM AMPLA DEFESA, PARA DEMIS-SO DE FUNCIONRIO ADMITIDO POR CONCURSO.

    SMULA N.346 A ADMINISTRAO PBLICA PODE DECLARAR A NULIDADE DOS SEUS PR-PRIOS ATOS.

    SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIA

    SMULA 312 No processo administrativo para imposio de multa de trnsito, so necessrias as notificaes da autuao e da aplicao da pena decorrente da infrao.

    INFORMATIVOS DE JURISPRUDNCIA

    INFORMATIVOS DOS STJ

    INFORMATIVO N. 495

    VALORES RECEBIDOS INDEVIDAMENTE. SERVIDOR PBLICO. BOA-F.

    incabvel a restituio ao errio dos valores recebidos de boa-f pelo servidor pblico em decorrncia de errnea ou inadequada interpretao da lei por parte da Administra-o Pblica. Em virtude do princpio da legtima confiana, o servidor pblico, em regra, tem a justa expectativa de que so legais os valores pagos pela Administrao Pblica, porque jungida legalidade estrita. Assim, diante da ausncia da comprovao da m-f no recebimento dos valores pagos indevidamente por erro de direito da Administrao, a Turma deu provimento ao recurso para afastar qualquer desconto na remunerao da recorrente, a ttulo de reposio ao errio. Precedente citado do STJ: EREsp 711.995-RS, DJe 7/8/2008. RMS 18.780-RS, Rel. Min. Sebastio Reis Jnior, julgado em 12/4/2012.

    INFORMATIVO N. 498

    IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VEREADORES. AFASTAMENTO.

    A Corte Especial negou provimento ao agravo regimental, confirmando a deciso que deferiu, em parte, o pedido de suspenso de liminar para limitar os efeitos da deciso