of 12 /12

Click here to load reader

1725 leia algumas paginas

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of 1725 leia algumas paginas

  • 33

    C a p t u l o 1

    Teoria da Constituio

    Sumrio. 1. Conceito de Constituio 2. Sentidos ou concepes de Constituio: 2.1. Sentido sociolgico; 2.2. Sentido poltico; 2.3. Sentido jurdico; 2.4. Sentido cultural, culturalista, total ou ideal (uma conexo dos sentidos anteriores) 3. Classificao das Constituies: 3.1. Quanto ao contedo; 3.2. Quanto forma; 3.3 Quanto origem; 3.4. Quanto estabilidade, mutabilidade, consistncia ou alterabilidade; 3.5. Quanto extenso; 3.6. Quanto elaborao; 3.7. Quanto ideologia ou dogmtica; 3.8. Quanto essncia, ontologia ou correspondncia com a realidade; 3.9. Quanto sistemtica, sistematizao ou unidade documental; 3.10. Quanto finalidade; 3.11. Quanto ao sistema; 3.12. Quanto ao local de elaborao ou origem de sua decretao; 3.13. Quanto funo; 3.14. Outras classificaes; 3.15. Classificao da Constituio brasileira de 1988 4. Estrutura das Constituies: 4.1. Prembulo; 4.2. Normas centrais da constituio (parte dogmtica); 4.3. Ato das Disposies Constitucionais Transitrias (ADCT) 5. Elementos das Constituies 6. Informativos do STF relacionados ao tema 7. Legislao relacionada ao tema.

    1. CONCEITO DE CONSTITUIO

    Antes mesmo de partirmos para o enfrentamento do conceito de Constituio, preciso que se diga que no h uma definio una acerca do seu objeto. De todo modo, malgrado no se possa extrair da doutrina um conceito nico, bem verdade que as definies no so destoantes.

    Na lio do Professor Dirley da Cunha Jnior, podemos conceituar Constituio, ob-jetivamente, como um conjunto de normas jurdicas supremas, que estabelecem os fundamentos de organizao do Estado e da sociedade, dispondo e regulando a forma de Estado, a forma e sistema de governo, o seu regime poltico, seus objetivos fundamentais, o modo de aquisio e exerccio do poder, a composio, as competncias e o funciona-mento de seus rgos, os limites de sua atuao e a responsabilidade de seus dirigentes, e fixando uma declarao de direitos e garantias fundamentais e as principais regras de convivncia social.

    No mesmo passo, para Marcelo Novelino, a palavra Constituio pode ser definida, em termos jurdicos, como o conjunto sistematizado de normas originrias e estruturan-tes do Estado que tm por objeto nuclear os direitos fundamentais, a estruturao do Estado e a organizao dos poderes.

    De todo modo, tendo como base o novo Direito Constitucional, o que no se pode per-der de vista que a Constituio um organismo aberto, vivo e em constante evoluo.

    Efetivamente, essas caractersticas so indispensveis para que ela possa acompa-nhar as mutaes e evolues sociolgicas do mundo circundante, e no cair no limbo do esquecimento, desgastada pelos paradigmas do passado, tornando-se, pois, obsoleta.

  • 34

    EdEm Npoli

    2. SENTIDOS OU CONCEPES DE CONSTITUIO

    Antes de partir para o enfrentamento dos diferentes sentidos de Constituio, necessrio

    se faz fixar a premissa segundo a qual, para cada concepo diferente, o leitor deve perquirir:

    quem foi o principal expoente daquela acepo, qual foi a obra atravs da qual o sujeito se

    tornou conhecido, e, por fim, qual a mensagem disseminada na obra em comento.

    2.1 SENTIDO SOCIOLGICO

    Seguindo a trilha do raciocnio esposado acima, pode-se afirmar que o principal nome

    do sentido sociolgico de Constituio foi Ferdinand Lassalle.

    Evoluindo, a obra atravs da qual Lassalle se tornou conhecido por disseminar este

    sentido de Constituio foi Que uma Constituio.

    E concluindo as trs ideias bsicas (autor, obra e ideia disseminada), identifica-se

    que, com o sentido sociolgico, Constituio nada mais era do que a soma dos fatores

    reais de poder que regem uma sociedade.

    Destrinchando a noo do sentido sociolgico de Constituio, para Lassalle, o Texto

    Supremo de um Estado deveria corresponder prpria realidade social.

    De nada adiantaria ter uma Constituio que previsse uma srie de garantias, mas

    essas garantias no pudessem ser observadas na prtica.

    Esta Constituio, no seu sentir, seria utpica e no passaria de mero direito de papel.

    a partir da que Lassalle distingue a Constituio real da Constituio jurdica. Esta

    (a jurdica), definitivamente, no corresponde quilo que se pretende de uma Constitui-

    o, pois est pautada na utopia do dever ser.

    Aquela (a real), de fato, para ele, representa o que se pode esperar de uma Lei Fun-

    damental: que ela realmente corresponda realidade social, tendo ressonncia na vida

    das pessoas, e situando-se no plano do ser, jamais no plano do dever ser.

    Ilustrando sua tese, num sentido metafrico, Lassalle prope o seguinte raciocnio: se

    eu planto uma figueira no quintal da minha casa e fixo no seu caule uma placa dizendo

    esta rvore uma macieira, s por isso a rvore deixar de ser figueira?

    Ele prprio responde que no. Afirma que por mais que os amigos e familiares que

    por ali passem, em respeito e considerao, concordem com o quanto escrito e nada di-

    gam em sentido contrrio, nem por isso a rvore deixar de ser uma figueira.

    Isto porque, quando os frutos dessa rvore advierem, estes frutos no podero mas-

    carar e esconder a realidade, pois em vez de mas, brotaro figos.

  • 35

    teoria da Constituio

    J caiu!O concurso de Analista do TJ/SE, em 2011, com o Cespe, trouxe a seguinte assertiva. A concepo sociolgica, elaborada por Ferdinand Lassalle, considera Constituio como sendo a somatria dos fatores reais de poder, isto , o conjunto de foras de ndole poltica, econmi-ca e religiosa que condicionam o ordenamento jurdico de determinada sociedade. De fato, como visto, a assertiva est correta.

    2.2 SENTIDO POLTICOComo principal expoente do sentido poltico de Constituio tem-se Carl Schmitt.

    A obra atravs da qual Schmitt se tornou conhecido por disseminar o sentido poltico de Constituio foi Teoria da Constituio.

    Para ele, Constituio deveria ser percebida como o conjunto de normas, escritas ou no escritas, que sintetizam exclusivamente as decises polticas fundamentais de um povo.

    Para o autor, decises polticas fundamentais seriam aquelas normas indispensveis construo de um modelo de Estado, vale dizer, normas relacionadas organizao do Estado, organizao dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais.

    Sem a presena dessas normas, no haveria como se pensar num Estado poli-ticamente organizado.

    E foi nesse contexto que Carl Schmitt distinguiu constituio de leis constitucionais.

    Constituio seria aquele diploma que efetivamente trouxesse as normas imprescin-dveis construo de um modelo de Estado.

    Do outro lado, leis constitucionais seriam as normas desprovidas de essencia-lidade constitucional.

    dizer, ainda que essas normas (lei constitucionais) estejam aderidas ao Texto Maior, no se pode cham-las de constituio justamente por versarem sobre matrias sem nenhuma (ou com pouca) relevncia constitucional.

    Constituio, por sua vez, corresponderia noo de norma constitucional material. Ou seja, a norma deve ser entendida como Constituio no pelo fato de ter aderido formalmente ao Tex-to Supremo, mas sim por trazer no seu contedo, na sua substncia, matria de relevncia cons-titucional. Matria, como j mencionado, indispensvel construo de um modelo de Estado.

    E essas matrias, frise-se, so aquelas relacionadas organizao do Estado, orga-nizao dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais.

    2.3 SENTIDO JURDICOO sentido jurdico de Constituio marcado pela presena do mestre de Viena, Hans

    Kelsen, como principal expoente, como precursor desse sentido.

    A principal obra de Kelsen a traduzir essa ideia de Constituio, sem dvida, Teoria Pura do Direito.

  • 36

    edeM npoli

    Nessa obra tem-se que, sob um prisma nitidamente normativista, Kelsen percebia Consti-tuio como norma pura, suprema e positivada.

    Enquanto Lassalle, no seu sentido sociolgico, entendia que a Constituio estava situada no plano do ser, Kelsen, no seu sentido jurdico, colocou a Constituio no plano do dever ser.

    O austraco, nessa perspectiva altamente normativista, tentava ao mximo se afastar da tica, da moral e da axiologia, sempre com o objetivo de se desvencilhar de possveis interpretaes dbias.

    Isto porque, para ele, ao contrrio do que entendia Lassalle, o direito no poderia ser fruto da realidade social, mas sim fruto da vontade racional dos homens.

    Kelsen entendia a Constituio como fundamento de validade de todo o ordenamento jurdico.

    Numa relao de verticalidade hierrquica, todas as espcies normativas deveriam obede-cer ao quanto disposto na Constituio. Esta ocupava o pice da pirmide normativa.

    E para explicar onde a Constituio buscava seu fundamento de validade, Kelsen distin-guiu o sentido lgico-jurdico, do sentido jurdico-positivo de Constituio.

    Para ele, no sentido lgico-jurdico, Constituio nada mais seria do que a prpria norma hipottica fundamental, cuja funo servir de fundamento lgico transcendental de validade da Constituio jurdico-positiva.

    Por ser hipottica, no se poderia ver essa norma. Ela situava-se no plano das ideias, no plano do suposto.

    Por sua vez, com o sentido jurdico-positivo, a Constituio era percebida como a pr-pria norma positivada. Esta sim, situada no no plano do suposto, mas sim no plano do posto, palpvel e visvel.

    Essa diviso dos sentidos pode ser bem percebida na diagramao da pirmide abaixo:

    Constituio Federal

    Constituio Estadual

    Lei Estadual

    Decreto do Governador

    Res. do Secretrio de Estado

    Norma HipotticaFundamental

  • 37

    teoria da Constituio

    2.4 SENTIDO CULTURAL, CULTURALISTA, TOTAL OU IDEAL (UMA CONEXO DOS SENTIDOS ANTERIORES)

    O sentido cultural tambm chamado de sentido culturalista, sentido total ou sentido ideal de Constituio.

    Toda a doutrina sinaliza que essa concepo parte do pressuposto de que a Cons-tituio um produto da cultura, afinal, assim como o Direito, a cultura resultado da atividade criativa humana.

    A ratio desse sentido reside na ideia de que todas as concepes anteriores possuem fundamento. O problema de cada uma daquelas vises que elas foram estanques e se achavam bastante em si mesmas, no ensejando espao para comunicao.

    Ateno:Nesse passo, tem-se que a melhor acepo aquela que percebe a Constituio como realidade social, como deciso poltica fundamental e como norma suprema positivada.

    Por isso se fala aqui na ideia de uma Constituio total. Pois um mesmo documento englobando, num nico prisma, os mais variados aspectos e os mais diferentes valores, como por exemplo de ordem econmica, moral, sociolgica, filosfica, jurdica etc.

    Comungando desse sentido possvel citar alguns doutrinadores e suas obras no di-reito aliengena, a exemplo de Konrad Hesse, com A fora normativa da Constituio e de Peter Hberle, com Hermenutica Constitucional. A sociedade aberta dos intrpretes da Constituio: contribuio para a interpretao pluralista e procedimental da Cons-tituio. No Brasil, por todos, Paulo Bonavides.

    Em sntese, esse o sentido segundo o qual a Constituio nada mais do que produto de um fato cultural oriundo da sociedade e que tem direta influncia sobre ela.

    3. CLASSIFICAO DAS CONSTITUIES

    Dentro da temtica da classificao das Constituies, vrios critrios foram apresen-tados pelos estudiosos do Direito com a finalidade em comento. De fato, inmeros so os modelos classificatrios. Entretanto, dada a finalidade da obra, aqui sero apresentados os principais, aqueles que vm sendo cobrados nos concursos pblicos para tribunais.

    3.1 QUANTO AO CONTEDOQuanto ao contedo uma Constituio pode ser classificada como: material ou formal.

    Material

    Material a Constituio cujas normas devem versar sobre aquelas matrias indis-pensveis construo de um modelo de Estado.

    Ou seja, seria o conjunto de normas, escritas ou no escritas, que sintetizam apenas a decises polticas fundamentais de um povo, dizer, normas relacionadas organiza-o do Estado, organizao dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais.

  • 38

    EdEm Npoli

    Formal

    J a Constituio formal, por sua vez, pode ser definida como o conjunto de normas necessariamente escritas que para serem consideradas constitucionais bastam aderir formalmente ao texto, independentemente do seu contedo.

    Aqui, como se percebe, a preocupao com a forma, pouco importando o substrato material da norma. A Constituio brasileira de 1988 formal, e um exemplo tpico dessa identificao o art. 242, 2, segundo o qual O Colgio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, ser mantido na rbita federal.

    Como se percebe, tem-se a uma norma que considerada constitucional pelo sim-ples fato de ter aderido formalmente ao texto, j que ntida a ausncia de qualquer relevncia constitucional em seu contedo.

    Vale lembrar que como caracterstica desse tipo de Constituio, no h que se falar em hierarquia entre as prprias normas da Lei Fundamental. Isso porque, formalmente falando, todas aderiram ao texto.

    Assim, na trilha desse raciocnio, alguns concursos j questionaram se existe hierar-quia entre as normas da prpria Constituio.

    A resposta negativa. Apesar das questes, normalmente, no especificarem a hie-rarquia a que se referem (se formal ou material), no silncio, leia-se hierarquia formal. E formalmente falando, inexiste qualquer subordinao hierrquica.

    Nessa esteira, pode-se concluir que o princpio da dignidade da pessoa humana, insculpido no art. 1, III, da Magna Carta, fundamento da Repblica Federativa do Brasil, possui - do ponto de vista formal - a mesma posio hierrquica da norma do art. 242, 2, da CF/88, que, como visto, versando sobre o Colgio Pedro II, norma desprovida de qualquer relevncia constitucional.

    Entretanto, como j alertado, caso a questo se refira hierarquia material, a no h dvidas.

    De fato, do ponto de vista substancial, valorativo ou axiolgico, existe, sim, hierarquia entre as normas da Constituio da Repblica.

    No h como negar que o substrato material das normas consagradoras de direitos e garantias fundamentais, por exemplo, superam (e muito!) a importncia de outras nor-mas de mera organizao administrativa.

    Cabe alertar que essa regra segundo a qual a Constituio brasileira formal comeou a ser mitigada a partir da insero do 3 ao art. 5 da Constituio Federal de 1988.

    que, segundo esse dispositivo, os tratados e convenes internacionais, que versem sobre direitos humanos, se forem aprovados em cada casa do Congresso Nacional, atravs do mesmo procedimento das emendas constitucionais, sero equivalentes s mesmas.

    Ou seja, dessa forma, ser possvel a existncia de uma norma que tem status cons-titucional, mesmo estando fora da Constituio, dizer, mesmo no tendo aderido for-malmente ao texto, seja por obra do poder constituinte originrio, seja por obra do poder constituinte derivado reformador.

  • 39

    teoria da Constituio

    AtenoTodavia, para provas objetivas, continuar com o posicionamento segundo o qual, quanto ao contedo, a Constituio brasileira se classifica como formal.

    3.2 QUANTO FORMAQuanto forma, a Constituio pode ser classificada como: escrita ou no escrita.

    Lembrando que as Constituies escritas tambm podem ser chamadas de instru-mentais, ao passo que as Constituies no escritas tambm podem ser chamadas de costumeiras ou consuetudinrias.

    Escrita

    A Constituio escrita, com o prprio nome sugere, seria o complexo de normas que esto disciplinadas formal e solenemente em um nico documento exaustivo de todo o seu contedo.

    Assim, Constituio escrita aquela cujas normas esto plasmadas em um docu-mento nico que as consolida e sistematiza. So exemplos de Constituies escritas a brasileira, a espanhola, a portuguesa etc.

    De mais a mais, do mesmo modo como foi advertido em relao Constituio for-mal, preciso perceber que o art. 5, 3, da CF/88, passou a permitir que tratados inter-nacionais sobre direitos humanos, aprovados com o mesmo procedimento das emendas constitucionais, possuam o mesmo status que as normas da prpria Constituio Federal, mesmo estando situados fora dela.

    Nesse sentido, doutrinadores como Paulo Bonavides j sinalizam a existncia de uma Constituio legal, ou seja, uma Constituio escrita e que se apresenta esparsa ou frag-mentada em textos.

    Ateno: Porm, para provas objetivas, adotar o posicionamento de que a Constituio brasileira es-crita, guardando o raciocnio esposado acima para possvel questo de prova dissertativa.

    Alm da brasileira, ainda como exemplos de Constituies escritas no direito com-parado, podem ser citadas as duas primeiras: a Constituio norte-america (de 17 de setembro de 1787) e a Constituio francesa, de 1791.

    Lembrando que a norte-americana, luz do esclio de Paulo Bonavides, voz autoriza-da na matria, uma constituio escrita, porm complementada pelos costumes e pela doutrina da reviso judicial (precedentes judiciais).

    No escrita

    De outra banda, Constituio no escrita (costumeira ou consuetudinria), ao con-trrio do que o prprio nome pode sugerir, no significa a Constituio que no possui nenhuma passagem escrita.

    Chama-se de no escrita a Constituio que esta pautada em textos esparsos, usos, costumes, convenes, e na evoluo da prpria jurisprudncia.

  • 40

    EdEm Npoli

    Assim, no restam dvidas de que a Constituio no escrita possui, sim, partes escritas.

    Ocorre que essas partes escritas no esto dispostas formalmente em um nico docu-mento. Ao revs, podem ser encontradas em textos esparsos, dispersos e extravagantes.

    O exemplo mais ventilado de Constituio no escrita, no mundo, a Constituio da Inglaterra, uma Constituio calcada, essencialmente, nos costumes.

    Advirta-se, entretanto, que, contemporaneamente, inexistem Constituies totalmen-te costumeiras, pautadas, apenas, na evoluo da jurisprudncia, nos usos e costumes.

    A Constituio inglesa possui, por exemplo, a Magna Carta (1215), o Petition of Rights (1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689), dentre outros diplomas norma-tivos esparsos que, junto com os costumes e com a jurisprudncia, formam, no conjunto global, a Constituio da Inglaterra.

    3.3 QUANTO ORIGEMQuanto origem uma Constituio pode ser classificada como: promulgada, outorga-

    da, cesarista ou pactuada.

    Promulgada

    Promulgada, tambm chamada de votada, popular, democrtica, aquela Constitui-o que conta com a participao popular no seu processo poltico de elaborao.

    No Brasil, como exemplos de Constituies promulgadas possvel citar: a Consti-tuio Republicana, de 1891, a Constituio de 1934 (calcada na democracia social), a Constituio de 1946 (instituidora de um processo de redemocratizao no Brasil) e a Constituio Cidad de 1988, tambm fruto de uma Assembleia Nacional Constituinte.

    Outorgada

    Outorgada, tambm chamada de imposta ou carta poltica, aquela Constituio que no conta com a participao popular no seu processo poltico de elaborao.

    So Constituies impostas unilateralmente pelo grupo, governante ou agente revolucionrio.

    No Brasil, como exemplo de Constituies outorgadas tem-se: a Constituio Imperial, de 1824, a Constituio Polaca, de 1937, e as Constituies do regime militar, de 1967, juntamente com a EC n. 1/69, que formalmente era uma emenda, mas do ponto de vista material era uma constituio escancaradamente outorgada pela junta militar.

    J caiu!O concurso de Tcnico Administrativo do TRE/ES, em 2011, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Denomina-se constituio outorgada a elaborada e estabelecida com a participao do povo, normalmente por meio de Assembleia Nacional Constituinte.Neste caso a assertiva est equivocada, pois o conceito apresentado na questo corresponde ao de Constituio promulgada.

    Cesarista

    Cesarista, por sua vez, seria aquela Constituio imposta por um ditador uma junta

  • 41

    teoria da Constituio

    militar e submetida posterior aprovao popular.

    Neste caso, a participao do povo no democrtica, afinal, visa apenas e to-so-mente confirmar a vontade do detentor do poder. Os exemplos normalmente apontados pela doutrina so os de Augusto Pinochet, no Chile, e Napoleo Bonaparte, na Frana.

    Pactuada

    Finalmente, Constituio pactuada seria aquela constituio firmada por um pacto, um acordo entre duas foras polticas adversrias. Como exemplos de Constituies pac-tuadas a doutrina aponta as Constituies espanholas de 1845 e 1876.

    3.4 QUANTO ESTABILIDADE, MUTABILIDADE, CONSISTNCIA OU ALTERABILIDADE

    Quanto estabilidade, mutabilidade, consistncia ou alterabilidade uma Constituio pode ser classificada como: imutvel, fixa, rgida, semirrgida (tambm chamada de se-miflexvel) ou flexvel.

    Imutvel

    Imutvel, como o prprio nome sugere, aquela Constituio que no admite altera-o no seu texto, por isso mesmo tambm so chamadas de permanentes, granticas ou intocveis. So aquelas Constituies que se pretendem eternas.

    Como as Constituies devem ser entendidas como organismos vivos, portanto, abertos s evolues sociolgicas, possvel concluir que as Constituies imutveis esto fadadas ao insucesso.

    Fixa

    Fixa, por sua vez, aquela Constituio cuja alterao depende da convocao do prprio poder constituinte originrio.

    Tambm so chamadas de Constituies silenciosas pelo fato de no estabelecerem, de modo expresso, o seu trmite de reforma.

    uma espcie de Constituio tambm fadada ao insucesso, j que inconcebvel a ideia de convocao do prprio poder constituinte originrio, toda vez que se quiser alterar a Constituio.

    Rgida

    J sobre a Constituio rgida, a primeira coisa a ser dita que, de fato, ela admite alterao no seu texto.

    Assim, rgida aquela Constituio que pode ser alterada, mas cujo processo legis-lativo de alterao mais formal, solene, complexo e dificultoso do que o processo de alterao das demais normas no constitucionais.

    Sobre essa espcie de Constituio, pode-se concluir que a maioria das Constituies do mundo so rgidas.

    Ainda, correto afirmar que todas as Constituies brasileiras republicanas foram

  • 42

    EdEm Npoli

    rgidas, inclusive a atual Constituio da Repblica de 1988.

    A nica Constituio do Brasil que no seguiu a mesma trilha foi a Constituio Impe-rial de 1824, considerada semirrgida, como ser explicado.

    A rigidez da Constituio brasileira de 1988 pode ser percebida luz do seu art. 60, que traz as regras procedimentais para a apresentao e aprovao de uma PEC (proposta de emenda Constituio).

    Uma dessas regras estabelece, por exemplo, a necessidade de aprovao pelo qu-rum de 3/5 dos membros de cada casa (Cmara dos Deputados e Senado Federal), em dois turnos, com votao separada e desde que no esteja em vigncia interveno federal, estado de defesa ou estado de stio. Lembrando que este assunto ser deta-lhado mais frente.

    J caiu!O concurso de Juiz do TJ/MS, em 2009, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Toda Constituio rgida escrita.De fato, a assertiva est correta. Isso porque a noo de rigidez pressupe uma Constituio escrita.

    Essa mesma prova trouxe outro enunciado.

    J caiu!Nem toda Constituio escrita rgida. Aqui o enunciado tambm est correto. Muito embora exista a regra segundo a qual as Constituies escritas so rgidas, no existe impedimento existncia de uma Constituio escrita e flexvel.

    A questo da rigidez constitucional tambm j foi cobrada junto com o tema do con-trole de constitucionalidade.

    J caiu!O Exame da OAB, em 2009, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Entre os pressupostos do controle de constitucionalidade, destacam-se a supremacia da CF e a rigidez constitucional.De fato, tambm aqui, a assertiva est correta. Para haver controle de constitucionalidade preciso que haja uma Constituio formal, rgida (portanto suprema) e pelo menos um rgo com competncia para o exerccio do controle.

    Semirrgida ou semiflexvel

    Semirrgida ou semiflexvel o tipo de Constituio que abarca, num s tempo, carac-tersticas da Constituio rgida, bem como caractersticas da Constituio flexvel.

    Assim, semirrgida aquela Constituio que possui uma parte que dispensa forma-lidade para alterao, e outra que reclama e exige esse formalismo.

    Parte dela pode ser alterada informalmente, do mesmo modo como se altera as de-mais normas no constitucionais, e outra parte s pode ser alterada por um processo mais solene, complexo e dificultoso.

  • 43

    teoria da Constituio

    A doutrina sempre ventila como exemplo de Constituio semirrgida ou semiflexvel a Constituio Imperial de 1824, notadamente em face do disposto no seu art. 178.

    Atravs deste dispositivo (substancialmente falando), separou-se a matria constitu-cional (que exigia formalidade para alterao), da matria no constitucional, (que, por sua vez, dispensava tal formalismo).

    Flexvel

    Ainda, se diz flexvel aquela Constituio cujas normas podem ser alteradas do mes-mo modo como se alteram as normas infraconstitucionais, vale dizer, sem a necessidade de um processo formal, solene, complexo e dificultoso.

    Nesse passo, pelo menos formalmente falando, possvel perceber que no existe hierarquia entre as normas de uma Constituio flexvel e as normas infraconstitucionais.

    Essa Constituio, portanto, no dotada de supremacia formal. E essa ausncia de supremacia conduz ao raciocnio de que as Constituies flexveis, a rigor, no podem servir de parmetro para controle de constitucionalidade.

    Por fim, ainda no quesito quanto estabilidade, cabe alertar que alguns doutrina-dores como Alexandre de Moraes classificam a Constituio brasileira como superrgida.

    Isso porque, como se no bastasse possuir um processo legislativo de alterao mais complexo e dificultoso do que o processo de modificao das demais normas infraconsti-tucionais, ainda possui um grupo de normas que se apresentam como imutveis. So as chamadas clusulas ptreas, previstas no art. 60, 4, CF/88.

    Entretanto, necessrio registrar que essa posio no vem prevalecendo nas provas e concursos.

    O motivo da no adoo pelas bancas simples: o prprio Supremo Tribunal Federal vem sinalizando no sentido de que as normas que constituem clusulas ptreas no po-dem ser abolidas (ou ser objeto de emenda constitucional tendente abolio).

    Ou seja, a CF/88 no disse que tais normas so imutveis, ou mesmo que no podem ser objeto de restrio.

    Assim, a partir desse raciocnio, tem-se que plenamente legtima a alterao para ampliao do alcance interpretativo das clusulas, bem como sua eventual restrio, no caso concreto, a partir de uma ponderao de interesses pautada na razoabilidade e na proporcionalidade.

    3.5 QUANTO EXTENSOQuanto extenso uma Constituio pode ser classificada como: sinttica (tambm

    chamada de enxuta, concisa, breve, sumria, sucinta, bsica), ou analtica (tambm cha-mada de prolixa, ampla, extensa, larga, longa, volumosa, inchada).

    Sinttica

    Sinttica seria a Constituio que no desce a pormenores nos assuntos, se limitando a tratar dos princpios bsicos estruturantes do Estado.