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    DIREITO ADMINISTRATIVO

    1. AGENTES PBLICOS

    (MSConcursos/PC/MS/Delegado/2013) Analise as duas asseres abaixo, clas-sificando cada uma em verdica ou inverdica. Fundamente sua opo. (i) Um dele-gado de polcia devidamente nomeado que no tomar posse ou que tomar posse e no en-trar em exerccio no prazo estabelecido ser demitido. (ii) J em exerccio e durante o perodo de estgio probatrio poder exercer quaisquer cargos de provimento em comis-so ou funo de direo, chefia ou assessoramento em qualquer rgo ou entidade.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    A resposta presente questo depende da legislao de cada estado-membro. A resposta seguir segue o regramento estabelecido pela Lei de n 8.112/1990, lei dos ser-vidores pblicos federais. Em certa medida, esse regramento normalmente observado pela legislao estadual.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    A primeira assertiva inverdica. A nomeao no torna servidor pblico o candi-dato aprovado em concurso pblico. A investidura ocorre com a posse (art. 7 da Lei de n 8.112/1990). Somente aps sua investidura ser possvel falar-se em demisso. Desse modo, nomeado e no empossado, o ato de nomeao ser tornado sem efeito (art. 13, 6 da Lei de n 8.112/1990). Alm disso, nomeado e empossado, caso no ve-nha a entrar em exerccio no prazo legal, seu vnculo com a Administrao Pblica ser extinto, mas no pela demisso, e sim pela exonerao, que no tem carter punitivo (art. 15, 2 da Lei de n 8.112/1990).

    A segunda assertiva tambm inverdica. Dispe o art. 20, 3 da Lei 8.112/1990 que o servidor em estgio probatrio poder exercer quaisquer cargos de provimento em comisso ou funes de direo, chefia ou assessoramento no rgo ou entidade de lota-o, e somente poder ser cedido a outro rgo ou entidade para ocupar cargos de Natureza Especial, cargos de provimento em comisso do Grupo-Direo e Assessoramento Superiores DAS, de nveis 6, 5 e 4, ou equivalentes.

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    2. ATOS ADMINISTRATIVOS

    (NCE/PC/DF/Delegado/2007) Acerca das prerrogativas doutrinariamente reco-nhecidas como prprias dos atos administrativos: (i) Enumere e explique cada uma de-las. (ii) Aponte no que se diferenciam das caractersticas prprias dos atos praticados por particulares. (iii) Esclarea se todo e qualquer ato administrativo reveste-se das prerrogativas antes enumeradas, indicando, se for o caso, exemplo de ato que no pos-sua uma daquelas caractersticas.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    Nesta questo o aluno deve estruturar sua resposta em trs partes. Na primei-ra, deve enumerar e explicar cada uma das prerrogativas tpicas do ato administrati-vo. No segundo, deve distinguir atos administrativos e atos particulares. Na terceira, deve indicar em quais tipos de atos administrativos so aplicadas as caractersticas dos atos administrativos.

    No confundir prerrogativas tpicas do direito administrativo com a classifica-o do ato administrativo conforme as prerrogativas da administrao pblica (atos de imprio, gesto e expediente).

    SUGESTO DE RESPOSTA

    Doutrinariamente1, so reconhecidas cinco prerrogativas tpicas dos atos ad-ministrativos: presuno de legalidade, imperatividade, exigibilidade, autoexecuto-riedade e tipicidade.

    A primeira, consiste na presuno relativa (juris tantum) de que os atos adminis-trativos so expedidos em conformidade com a lei. Essa prerrogativa, inerente a todos os atos administrativos, engloba a presuno de veracidade, existncia e verdade dos fatos, e a presuno de legitimidade, a indicar presuno de que o ato foi expedido em observncia regra de competncia.

    A imperatividade, tambm denominada poder extroverso, consiste na prerrogativa de o Poder Pblico expedir seus atos mesmo que no haja concordncia ou aquiescncia do destinatrio. Apenas os atos obrigacionais so considerados dotados de imperatividade.

    A autoexecutoriedade prerrogativa que permite a execuo imediata do ato ad-ministrativo, por razes legais, normalmente ancoradas na relevncia e urgncia da me-dida, independentemente da autorizao prvia do Poder Judicirio. Entre os atos obri-gacionais, apenas alguns, por previso legal ou pela natureza, so autoexecutrios.

    1. MELLO, Celso A. B. Curso de Direito Administrativo. 15. ed. So Paulo: Malheiros, 2002, p. 380-386.

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    Exigibilidade diz respeito possibilidade de exigir o cumprimento do ato adminis-trativo, normalmente, presente apenas nos atos imperativos. A exigibilidade pode se mani-festar como um condicionamento (condio para expedio de uma licena, por exemplo).

    A tipicidade caracterstica intrnseca do ato administrativo. Cada ato tem um fim, destina-se a um propsito, isto , possui a sua tipicidade, da ser essa uma prerroga-tiva inerente a todos eles. Di Pietro2, porm, compreende que essa uma prerrogativa inerente aos atos administrativos unilaterais, no englobando os contratos.

    (IBDH/PC/RS/Delegado/2009) Pode haver anulao de revogao de ato adminis-trativo? Responda fundamentadamente, explicando os conceitos pertinentes ao caso.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    Nesta questo o candidato deve atentar para o fato de que tanto anulao quan-to revogao constituem atos administrativos capazes de extinguir outros.

    Assim, deve conceituar cada um desses atos (revogao e anulao) e em se-guida responder a questo formulada no sentido afirmativo, isto , a anulao cons-titui ato administrativo que pode incidir sobre qualquer outro ato administrativo, in-clusive, a revogao.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    Sim, possvel a anulao de revogao de ato administrativo. Ambas, anulao e revogao, constituem atos administrativos capazes de extinguir outros atos adminis-trativos. A anulao visa a atacar a ilegalidade existente no ato. Anula-se um ato ilegal (fundamento de legalidade).

    Em regra, a anulao produz efeitos retroativos (ex tunc), so, entretanto, ressal-vados os direitos perante terceiros de boa-f. A revogao alcana atos que, embora legais, revelam-se inconvenientes e inoportunos (fundamento de mrito administra-tivo). Em regra, a revogao incide sobre atos discricionrios. A revogao produz efei-tos no-retroativos (ex nunc).

    A anulao ato administrativo que pode incidir tanto sobre atos vinculados quanto discricionrios, desde que neles haja ilegalidade. Uma revogao que seja ilegal, por exemplo, em decorrncia de haver sido expedida por agente pblico incompetente em razo da matria, passvel de anulao.

    2. DI PIETRO, Maria S. Z. Direito Administrativo. 22. ed. So Paulo: Editora Atlas, 2009, p. 201.

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    (UEG/PC/GO/Delegado/2013) De acordo com a doutrina, o ato administrativo possui atributos prprios, que so qualidades que, via de regra, inexistem no ato jur-dico particular. Registre-os, com os respectivos significados.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    Nesta questo o aluno deve indicar as prerrogativas que so tpicas do ato ad-ministrativo. Deve indicar a presuno de legalidade, a imperatividade, a exigibilida-de, a autoexecutoriedade e a tipicidade.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    So atributos dos atos administrativos: presuno de legalidade, imperatividade, exigibilidade, autoexecutoriedade e tipicidade.

    A primeira, consiste na presuno relativa (juris tantum) de que os atos adminis-trativos so expedidos em conformidade com a lei. Essa prerrogativa, inerente a todos os atos administrativos, engloba a presuno de veracidade, existncia e verdade dos fatos, e a presuno de legitimidade, a indicar presuno de que o ato foi expedido em observncia regra de competncia.

    A imperatividade, tambm denominada poder extroverso, consiste na prerrogati-va de o Poder Pblico expedir seus atos mesmo que no haja concordncia ou aquies-cncia do destinatrio. Apenas os atos obrigacionais so considerados dotados de imperatividade.

    A autoexecutoriedade prerrogativa que permite a execuo imediata do ato ad-ministrativo, por razes de legais normalmente ancoradas na relevncia e na urgncia da medida, independentemente da autorizao prvia do Poder Judicirio. Entre os atos obrigacionais, apenas alguns, por previso legal ou pela natureza, so autoexecutrios. Exigibilidade diz respeito possibilidade de exigir o cumprimento do ato administrati-vo, normalmente, presente apenas nos atos imperativos. A exigibilidade pode se mani-festar num condicionamento (condio para expedio de uma licena, por exemplo).

    A tipicidade caracterstica intrnseca do ato administrativo. Cada ato tem um fim, destina-se a um propsito, isto , possui a sua tipicidade, da ser essa uma prerroga-tiva inerente a todos eles. Di Pietro, porm, compreende que essa uma prerrogativa inerente aos atos administrativos unilaterais, no englobando contratos.

    3. BENS PBLICOS

    (Funcab/PC/RJ/Delegado/2012) Indique e estabelea distino, quanto s hip-teses de cabimento e quanto ao modo de formalizao, 3 (trs) espcies de instrumentos

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    que permitem a utilizao regular privativa de bens pblicos por particulares, no orde-namento jurdico vigente.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    O candidato deve indicar a concesso, permisso e autorizao como as trs formas bsicas de utilizao regular privada de bens pblicos. Alm de indicar os institutos, deve discorrer acerca das hipteses de cabimento e modo de formalizao de cada um deles.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    Os bens pblicos, sejam dominicais, de uso especial ou de uso comum, admitem utilizao privatista por particular. Os institutos que viabilizam essa utilizao so: au-torizao de uso, permisso de uso e concesso de uso.

    Os dois primeiros constituem direito pessoal; o ltimo, direito real. Alm disso, a autorizao de uso de bem pblico constitui ato administrativo discricionrio, prec-rio e sem previso de prazo de durao. Nela, o interesse privado prepondera sobre o in-teresse pblico.

    A permisso de uso de bem pblico tambm constitui ato administrativo discri-cionrio, precrio e sem, em regra, durao pr-determinada. Neste caso, h convergn-cia do interesse pblico com o privado. Embora haja alguma divergncia doutrinria, parece indubitvel que, com a previso da Lei de n 9.074/1995, art. 31, a permisso de uso de bem pblico dever ser precedida de licitao3.

    J a concesso de uso de bem pblico a forma mais estvel e segura da utilizao do bem pblico pelo particular. Trata-se de contrato administrativo, de direito pblico, pre-cedido necessariamente de licitao, salvo hipteses legais de dispensa ou de inexigibili-dade e que possui prazo certo e determinado. A concesso pode ser ou no remunerada.

    4. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

    (NCE/PC/DF/Delegado/2007) Aponte as sanes de natureza poltico-adminis-trativa a que esto sujeitos os agentes pblicos quando sua conduta puder ser caracteri-zada como violadora de princpios regentes da administrao pblica ou causadora de leso ao Errio, esclarecendo, ainda, o(s) mecanismo(s) legalmente previsto(s) para a imposio de tais sanes e definindo se mesmo os agentes com investidura transitria e no remunerada esto sujeitos a esta disciplina legal.

    3. CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo. Salvador: JusPodium, 2014, p. 1027. Ver tambm o disposto na MP 2.220/01, que trata da concesso especial de uso para fins de moradira.

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    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    O candidato deve inserir sua resposta no tema improbidade administrativa, inician-do pelo disposto na Constituio Federal (art. 37, 4) e concluindo com o previsto na Lei de Improbidade Administrativa (Lei de n 8.429/1992). Deve indicar que ao cabvel para pu-nir tais atos. Ao fim, deve responder que mesmo os agentes de investidura transitria e no remunerada esto sujeitos s sanes por improbidade (art. 2 da Lei de Improbidade).

    SUGESTO DE RESPOSTA

    Os atos que violem os princpios da Administrao Pblica e os causadores de le-so ao Errio ensejam sanes por improbidade administrativa previstas no art. 37, 4 da Constituio Federal e regulamentadas pela Lei de n 8.429/1992, alm de eventuais sanes na esfera penal e na administrativa.

    As sanes esto graduadas de acordo com a gravidade do ato e podem ser apli-cadas cumulativamente. Para atos que causem leso ao errio as sanes abrangem perda do cargo, emprego ou funo, indisponibilidade dos bens, suspenso de direitos polticos por 5 a 8 anos; integral ressarcimento do dano; perda de bens e valores acres-cidos ilicitamente ao patrimnio do agente; de multa de at duas vezes o valor do dano e proibio de contratar com o Poder Pblico pelo prazo de cinco anos.

    Para os atos que atentem contra os princpios da Administrao Pblica so pre-vistas as seguintes sanes: obrigao de ressarcimento do dano, caso se configure, per-da do cargo, emprego ou funo, suspenso dos direitos polticos de 3 a 5 anos; multa no valor de at 100 vezes o valor da remunerao do agente; proibio de contratar com o Poder Pblico por 3 anos.

    Ao cabvel, na hiptese, a ao de improbidade administrativa a ser proposta pelo Ministrio Pblico ou pela pessoa jurdica interessada. O ru desta ao o agente, ainda que sua investidura seja transitria e sem remunerao (art. 2 da Lei de Improbidade).

    5. INTERVENO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

    (NCE/PC/DF/Delegado/2007) O municpio X, sem processo regular de desa-propriao, ocupou um bem pertencente a particular. No foi atribuda ao bem ne-nhuma destinao pblica. Que providncia o proprietrio do bem poder adotar con-tra o municpio?

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    O candidato deve inserir a resposta no tema desapropriao indireta. Aps, concei-tuar o instituto indicar a medida cabvel contra o municpio. Ver a este respeito o disposto

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    DIREITO ADMINISTRATIVO

    no Decreto-Lei 3.365/1941. A questo no exige mas importante que o aluno atente, em seus estudos, para a discutida prescrio em matria de desapropriao indireta.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    A ocupao pelo municpio de bem pertencente a particular sem que haja um re-gular processo de desapropriao pode ensejar a denominada desapropriao indireta. Neste sentido, dispe o art. 35 do Decreto-Lei de n 3.365/1941 que os bens expropria-dos, uma vez incorporados Fazenda Pblica, no podem ser objeto de reivindicao, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriao. Para Carvalho Filho4, a desapropriao indireta constitui fato administrativo que, a despeito do nome, mais direta que a desapropriao por via regular.

    Caso constatado que no possvel a reversibilidade do bem ou se configure o completo esvaziamento de sua utilidade em razo da ocupao pelo Municpio cabe o requerimento por via administrativa da competente indenizao. Pode, entretanto, op-tar imediatamente pelo manejo de ao judicial de indenizao por apossamento ou de desapropriao indireta, a seguir o rito comum ordinrio, em sede da qual o interessa-do requerer a competente e justa indenizao.

    6. LICITAES

    (UEG/PC/GO/Delegado/2013) Distinga, com incluso de exemplos, a licitao dispensvel da licitao dispensada.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    A resposta neste caso simples. O candidato deve conceituar e distinguir licita-o dispensvel e dispensada. Importante ressaltar que a regra geral a realizao da licitao, exceto nas hipteses legais de dispensa e de inexigibilidade. Lembrar que to-das as hipteses de dispensa e de inexigibilidade, na esfera federal, nos termos do art. 50 da Lei de n 9.784/1999, devem ser motivadas.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    A licitao procedimento administrativo que visa a selecionar a proposta mais vantajosa e a promover o desenvolvimento nacional. Em regra, os contratos administra-tivos devem ser precedidos de licitao, salvo nas hipteses legais de dispensa e de

    4. CARVALHO FILHO, Jos dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 22. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 823-834.

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    COLEO PREPARANDO PARA CONCURSOS

    inexigibilidade. As hipteses de dispensa, por sua vez, distinguem-se em duas. Licitao dispensvel aquela em que a dispensa, preenchidos os requisitos legais, possvel mas, no necessria.

    Os requisitos da licitao dispensvel esto previstos no art. 24 da Lei de n 8.666/1993. Assim, numa licitao para contratao de baixo valor (em regra, 10% do valor previsto para a modalidade convite, conforme previso do art. 24, I e II da Lei de Licitaes) a licitao poder ser dispensada, desde que devidamente motivada (art. 50 da Lei de n 9.784/1999). Outra situao bem caracterstica da licitao dispensvel a realizao de contratao em carter de urgncia e para concluso de obras ou servios que no ultrapassem 180 dias (art. 24, IV da Lei de Licitaes).

    J a licitao dispensada, constitui instituto em que a licitao tecnicamente proibida. Neste caso, a deciso quanto no realizao da licitao do legislador, que optou por dispens-la. No h discricionariedade, a dispensa, neste caso, ato adminis-trativo vinculado. Normalmente, essas hipteses esto contempladas no art. 17 da Lei de 8.666/1993 e dizem respeito a diversas formas de alienao de bens imveis. A da-o em pagamento e a investidura constituem duas dessas hipteses (art. 17, I, a e d).

    (Funcab/PC/RJ/Delegado/2012) A empresa X saiu vencedora do certame licitatrio referente prestao de servios de locao de equipamentos de inform-tica. O procedimento licitatrio transcorreu dentro dos ditames legais. Aps a adju-dicao do objeto, mas antes da assinatura do contrato, a autoridade competente decide revogar a licitao em razo de o preo adjudicado ser superior ao praticado no mercado. Na situao hipottica, responda fundamentadamente: (i) A empresa X, vencedora da licitao, titular do direito subjetivo aludida contratao? (ii) No procedimento de revogao ficam assegurados o contraditrio e a ampla defesa empresa interessada?

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    A questo neste caso s aparentemente complexa. preciso, porm, estar aten-to para o fato de que no foi suscitada a legalidade da revogao da licitao. A respos-ta deve estar estruturada em dois pontos: a inexistncia de direito subjetivo contrata-o e a aplicao do princpio do contraditrio e da ampla defesa tambm no procedimento que visa revogao da licitao.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    A vitria do certame licitatrio d ao licitante vencedor o direito adjudicao do objeto da contratao (adjudicao compulsria). Por meio dele, o vencedor se resguar-da de eventual preterio na convocao para assinatura do contrato. Em que pese

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    DIREITO ADMINISTRATIVO

    alguma divergncia doutrinria5, tem prevalecido o entendimento de que no h, entre-tanto, direito subjetivo contratao.

    As hipteses que impedem a contratao do licitante vencedor so a revogao e a anulao do certame.

    A revogao integral (de todo o procedimento) e tem como termo final a data da assinatura do contrato. Pelo evidente efeito prejudicial ao licitante vencedor, a de-ciso de revogao deve ser precedida de procedimento administrativo em que asse-gurados estejam o contraditrio e ampla defesa (art. 5, LV da CF). Alm disso, nos ter-mos do previsto no art. 50 da Lei 9.784/1999, as decises que importem em revogao de ato administrativo devem ser motivadas.

    (UEG/PC/GO/Delegado/2008) Quanto contratao direta por inexigibilida-de, responda ao que se pede. (i) A Lei de Licitaes prev de forma taxativa os casos que autorizam a contratao? Explique. (ii) Os servios tcnicos especificados na Lei de Licitaes podem ser contratados independentemente de processo de licitao. Indique e comente as exigncias legais que devem restar satisfeitas para que a contra-tao direta de servios tcnicos por inexigibilidade seja lcita.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    O candidato aqui deve atentar para o fato de que as hipteses de dispensa so consideradas, doutrinariamente, taxativas (numerus clausus), ao passo que as de inexigi-bilidade constituem rol exemplificativo. O aspecto a exigir maior ateno o que diz respeito aos requisitos legais para que o servio tcnico seja contratado por inexigibili-dade de licitao. Neste caso, alm da adequao previso legal, preciso observar a singularidade da contrao e especializao notria do contratado.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    As hipteses de inexigibilidade de licitao, isto , quando a competio, ineren-te ao procedimento, revela-se impossvel, esto previstas de forma exemplificativa no art. 25 da Lei de n 8.666/1993. O que esse dispositivo indica so algumas hipteses (standards) em que a competio impossvel.

    O carter exemplificativo do rol expresso no prprio caput do artigo quando, aps definir quando ocorre a inexigibilidade, o legislador utiliza a expresso em espe-cial para anunciar os incisos seguintes. Sim, os servios tcnicos especificados na Lei de Licitaes podem ser contratados independentemente de processo de licitao.

    5. Acerca dessa divergncia, ver CARVALHO FILHO, Jos dos Santos. op. cit., p. 282-83.

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    COLEO PREPARANDO PARA CONCURSOS

    A contratao, neste caso direta, feita por inexigibilidade de licitao. Para tan-to, devem ser preenchidos os seguintes requisitos, contemplados no art. 25, II e 1 da Lei de n 8.666/1993: o servio tcnico deve ser um dos elencados no art. 13 da Lei de Licitaes; o servio deve ser de natureza singular, isto , no rotineiro, regular ou fre-quente; e, por fim, a especializao notria, assim entendida como aquela que pela ex-perincia e ttulos do contratado seja possvel inferir que o seu trabalho essencial e indiscutivelmente o mais adequado plena satisfao do objeto do contrato.

    7. PODERES ADMINISTRATIVOS

    (COPS-UEL/PC/PR/Delegado/2013) No mbito do direito administrativo, em que se diferenciam poder de polcia e servio pblico?

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    A questo exige sejam diferenciados servio pblico e poder de polcia. Atentar para o fato de que constituem relao de gnero e espcie, porquanto, o poder de pol-cia tambm um servio pblico (sentido amplo). Importante referenciar o disposto no art. 78 do Cdigo Tributrio Nacional.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    O poder de polcia administrativa constitui espcie de servio pblico prestado pelo Estado. O servio, neste caso, consiste, conforme previso do art. 78 do Cdigo Tributrio Nacional, na atividade da Administrao Pblica que, limitando ou discipli-nando direito, interesse ou liberdade, regula a prtica de ato ou absteno de fato, em razo do interesse pblico. Pode-se, entretanto, distinguir o exerccio do poder de pol-cia do servio pblico em sentido estrito.

    A primeira distino quanto esfera jurdica de direito/interesses/liberdades do particular: enquanto o poder de polcia visa, em regra, restrio dessa esfera, o ser-vio pblico visa sua ampliao. A segunda que o poder de polcia se enquadra no poder imperativo do Estado, ao passo que o servio pblico constitui atividade social com a finalidade do bem-estar por meio de atividades prestativas, da porque, em mui-tos casos, possvel se configurar o poder de polcia como atuao negativa (interven-o/restrio) e o servio pblico positiva (prestativa).

    Segundo Di Pietro6, o poder de polcia se insere no mbito das atividades jurdicas do Estado, com vistas ordem pblica, paz e segurana, ao passo que o servio pblico (sentido estrito) constitui atividade social com vistas ao bem-estar e ao progresso social.

    6. DI PIETRO, Maria S. Z. op. cit., p. 99.

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    DIREITO ADMINISTRATIVO

    (COPS-UEL/PC/PR/Delegado/2013) No que diferem as concepes de Poder de Polcia no estado de direito, de tipo liberal, e no estado social de direito?

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    Nesta questo o candidato deve distinguir os tipos de estado mencionados e ca-racterizar o poder de polcia em cada um dele.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    O Estado Liberal a forma poltica caracterstica da emergncia do capitalismo. O objetivo central foi o de promover e de desenvolver as relaes capitalistas de pro-duo. Para tanto, o esforo das atividades estatais estava concentrado na garantia do laissez faire, no que tambm reside um paradoxo do Estado Liberal: o laissez faire s foi possvel graas forte interveno estatal.

    O poder de polcia neste contexto tinha a finalidade precpua de garantir liberda-des. A interveno por meio do poder de polcia se restringia garantia da ordem e da segurana, no por acaso ordem e progresso constituram o lema desse momento his-trico. A superao da forma estatal liberal pelo Estado Social permitiu ao Poder Pblico atuasse para alm da garantia de liberdades. O no-intervencionismo nas relaes de mercado gerou, entre outras, a crise de 1929.

    O poder de polcia, neste contexto, torna-se mais complexo, porquanto, alm das liberdades, sua atuao conformar o atendimento das finalidades definidas na ordem econmico-social, em que se incluem diversas polticas de cunho prestativo.

    (Funcab/PC/RO/Delegado/2014) Tendo em vista a aproximao de epidemia de dengue hemorrgica, que ameaa espalhar-se por todo o estado, o governador desse estado expede decreto autorizando, mediante utilizao dos meios estritamente necessrios, agentes pblicos a entrarem fora em imveis sob forte suspeita de existncia de criadouros de larvas de mosquitos transmissores da doena e cujos pro-prietrios se encontrem ausentes ou resistentes imprescindvel atividade adminis-trativa de combate epidmico. Emita parecer sobre o caso descrito, analisando, juri-dicamente, a legalidade ou no do decreto do Governador, bem como se poder ocorrer a responsabilizao da Administrao.

    DIRECIONAMENTO DA RESPOSTA

    A questo deve ser respondida em forma de parecer. Trata-se de questo comple-xa e que admite vrias respostas possveis. Neste caso, o candidato ser avaliado muito