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1812 leia algumas paginas

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    P A R T E 1 T E O R I A

    Direito Material

    C A P T U L O 1

    Tributo. Conceito e Espcies

    De acordo com o artigo 30 do Cdigo Tributrio Nacional CTN:

    Art. 30 Tributo toda prestao pecuniria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

    Tributo no constitui sano de ato ilcito, ou seja, ningum o paga por ter desrespeitado uma lei, pois ele no castigo. Ao contrrio, paga-se o tributo por incorrer em uma situao prevista em lei como hiptese de incidncia tributria.

    As hipteses de incidncia da norma tributria so sempre constitudas por fatos lcitos que, uma vez ocorridos no mundo jurdico, originam a obrigao de pagar o tributo.

    Embora a hiptese de incidncia tributria no se refira a aes ilcitas, os frutos de uma atividade ilegal podem ser objeto de tributao.

    No caso do sujeito que aufere renda pela venda de entorpecentes, a ilicitude irrelevante para fins tributrios, o que importa que foi praticado o fato gerador, auferir renda e, por essa razo, o indivduo dever pagar Imposto sobre Renda e proventos de qualquer natureza IR.

    Aplica-se o princpio pecunia non olet, isto , o dinheiro no tem cheiro. No importa de onde vem, nesse caso, a renda auferida, o que interessa que ocorreu o fato gerador do IR, auferir renda.

    Consoante o entendimento do STF, h cinco espcies tributrias em nosso ordenamento:

    1) Impostos;

    2) Taxas;

    3) Contribuio de Melhoria (arts. 5o do CTN e 145 da CF);

    4) Contribuies (art. 149 da CF) e

    5) Emprstimo Compulsrio (art. 148 da CF).

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    C A P T U L O 2

    Competncia Tributria

    a outorga de poder concedido pela Constituio Federal (CF) aos Entes Fede-rativos para que eles possam criar, instituir e majorar tributos.

    A principal caracterstica da competncia tributria que ela indelegvel, quer dizer, o Ente Federativo no poder transferi-la para nenhum outro Ente.

    Enquanto a competncia tributria que consiste na criao, instituio e ma-jorao de tributo indelegvel, as funes administrativas de arrecadar, fiscalizar tributos e executar leis, que compreendem a capacidade ativa tributria, podem ser delegadas.

    Exemplo disto o caso do Imposto Territorial Rural (ITR) cuja competncia tri-butria da Unio, segundo estabelece o artigo 153, VI, da Lei Maior, que poder, no entanto, delegar as funes de arrecadar e fiscalizar (a capacidade ativa tribut-ria) aos Municpios, nos termos do artigo 153, 4o, III, da Carta Magna.

    Importante ressaltar que os Entes Federativos no esto obrigados a instituir os tributos, cuja competncia tributria lhe foi atribuda pela Constituio, logo podemos concluir que a competncia tributria facultativa.

    O Imposto sobre Grandes Fortunas IGF , que compete Unio a sua insti-tuio, at hoje no foi criado e no h problema algum, porque a competncia tributria facultativa!

    O direito do Ente Federativo de instituir o tributo pode ser exercido a qualquer tempo, isso porque a competncia tributria incaducvel.

    Outra caracterstica da competncia tributria que ela no pode ser alterada por lei infraconstitucional, apenas por meio de emenda ao Texto Maior.

    Para memorizar:

    A competncia tributria :

    1) Indelegvel

    2) Facultativa

    3) Incaducvel

    4) Inaltervel

    5) Irrenuncivel

    Conforme a Lei Magna, a competncia tributria est disposta da seguinte forma:

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    UNIO ESTADOS DISTRITO FEDERAL MUNICPIOS

    Impostos do art. 153 da CF

    Impostos do art. 155 da CF

    Impostos do art. 155 CF

    Impostos do art. 156 da CF

    t*1*

    t*&

    t*3

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    t*53

    t*0'

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    t*$.4

    t*17"

    t*5$.%*NQPTUPTPCSF5SBOTNJTTPcausa mortisPVEPBP

    t*$.4

    t*17"

    t*5$.%*NQPTUPTPCSF5SBOTNJTTPcausa mortisPVEPBP

    t*156

    t*5#*

    t*44

    Impostos do art. 154 da CF

    Impostos do art. 147 da CF

    t*&(*NQPTUP&YUSBPSEJOSJPEF(VFSSB

    t*NQPTUP3FTJEVBM

    t*156

    t*5#*

    t*44

    Taxas Taxas Taxas Taxas

    Contribuies de melhoria

    Contribuies de melhoria

    Contribuies de melhoria

    Contribuies de melhoria

    Contribuies

    art. 149 da CF

    Contribuies

    art. 149, 1o, da CF

    Contribuies

    art. 149, 1o, da CF

    Contribuies

    art. 149, 1o, da CF

    t$POUSJCVJP4PDJBM

    t$POUSJCVJPEF*OUFSWFOPOP%PNOJP&DPONJ-DP$*%&

    t$POUSJCVJPEF*OUFSFTTFEFDBUF-HPSJB1SPTTJPOBMPV&DPONJDB

    t$POUSJCVJP4PDJBM1SFWJEFO-DJSJBEP4FSWJEPS1CMJDP&TUBEVBM

    t$POUSJCVJP4PDJBM1SFWJEFO-DJSJBEP4FSWJEPS1CMJDP

    t$POUSJCVJP4P-cial Previdenciria EP4FSWJEPS1CMJDP.VOJDJQBM

    Contribuio

    art. 149-A da CF

    Contribuio

    art. 149-A da CF

    t$POUSJCVJPQBSBDVTUFJPEP4FSWJPEF*MV-NJOBP1CMJDB$04*1

    t$POUSJCVJPQBSBDVTUFJPEP4FSWJ-PEF*MVNJOBP1CMJDB$04*1

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    Emprstimo compulsrio

    art. 148 da CF

    t/PUFN t/PUFN t/PUFN

    OBSERVAO: O Distrito Federal apresenta competncia tributria para instituir o IPTU, ITBI e ISS, por fora do disposto no artigo 147 da CF que estabelece que os impostos dos Municpios sero do Distrito Federal.

    2.1 REPARTIO DAS RECEITAS TRIBUTRIAS

    A Lei Maior prev algumas hipteses de transferncia obrigatria da arrecada-o dos impostos, consoante dispem os artigos 153, 5o, 157, 158 e 159.

    O artigo 153, 5o, da Carta Magna estabelece que a Unio obrigada a repassar 30% da arrecadao do IOF incidente sobre o ouro tido por lei como ativo financeiro para o Estado, de acordo com a origem, e 70% para o Municpio ptrio.

    Segundo o artigo 157 da Constituio, competem aos Estados e ao Distrito Federal:

    a) 100% da arrecadao do IR incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer ttulo, pelos Estados, suas autarquias e pelas fundaes que institurem e mantiverem;

    b) 20% do produto da arrecadao do imposto residual.

    luz do artigo 158 do Texto Maior, competem aos Municpios:

    a) 100% da arrecadao do IR incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer ttulo, pelos Municpios, suas autarquias e pelas fundaes que institurem e mantiverem;

    b) 50% do ITR, como via de regra, e 100% do ITR quando o Municpio detiver a capacidade ativa tributria, ou seja, a funo de arrecadar e fiscalizar esse imposto;

    c) 50% do IPVA;

    d) 25% do ICMS.

    O artigo 159 da Lei Magna prev que a Unio entregar 49% da arrecadao do Imposto sobre Renda e proventos de qualquer natureza (IR) e sobre produtos industrializados (IPI) da seguinte forma:

    a) 21,5% ao Fundo de Participao dos Estados e do Distrito Federal;

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    b) 22,5% ao Fundo de Participao dos Municpios;

    c) 3% para aplicao em programas de financiamento ao setor produtivo das Regies Norte, Nordeste e Centro-Oeste, por intermdio de suas instituies financeiras de carter regional, conforme os planos regionais de desen-volvimento, ficando assegurada ao semirido do Nordeste a metade dos recursos destinados Regio, na forma que a lei estabelecer;

    d) 1% (um por cento) ao Fundo de Participao dos Municpios, que ser en-tregue no primeiro decndio do ms de julho de cada ano.

    Os incisos II e III do artigo 159 da CF, por sua vez, determinam que:

    a) 10% da arrecadao do Imposto sobre Produtos Industrializados sero re-passados aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportaes de produtos industrializados;

    b) 29% do produto da arrecadao da Contribuio de Interveno no Domnio Econmico (CIDE), prevista no artigo 177, 4o, da Lei Maior, ser repassada aos Estados e ao Distrito Federal, distribudos na forma da lei, observada a destinao a que se refere o inciso II, c, do referido pargrafo.

    As transferncias de impostos que esto nos artigos 153, 5o, 157, 158 e 159 da Carta Magna s podero deixar de serem repassadas no caso do artigo 160 da Cons-tituio, que sero quando o Ente Federativo no estiver aplicando o percentual exigido na rea da sade, e ainda, no caso de dbitos de um Ente e suas Autarquias com o outro que ir fazer o repasse.

    2.2 EXERCCIO DA COMPETNCIA TRIBUTRIA

    Os Entes Federativos iro criar, instituir e majorar os tributos apenas mediante lei e, via de regra, por lei ordinria.

    Existem quatro tributos, todavia, que s podem ser institudos ou majorados em virtude de Lei Complementar (LC):

    a) Contribuio Social Residual (art. 195, 4o, da CF);

    b) Emprstimo Compulsrio (art. 148 da CF);

    c) IGF (Imposto sobre Grandes Fortunas art. 153, VII, da CF); e

    d) Imposto Residual (art. 154, I, da CF).

    Para fins mnemnicos, os tributos que s podem ser institudos e majorados em decorrncia de lei complementar esto indicados no CEGI!

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    C POUSJCVJP4PDJBM3FTJEVBME NQSTUJNP$PNQVMTSJP

    I G F

    I NQPTUP3FTJEVBM

    De acordo com a literalidade do artigo 62, 2o, do Texto Maior, a Medida Pro-visria (MP) um instrumento normativo, com fora de lei, que poder instituir e majorar impostos.

    Porm, para instituir ou majorar impostos, a MP dever observar dois requi-sitos:

    Primeiro: o Imposto deve ser institudo por meio de lei ordinria, pois o artigo 62, 1o, III, da Lei Magna, veda a MP tratar sobre matrias reservadas lei com-plementar.

    Segundo: em se referindo aos impostos, excepcionados o Imposto Extraordi-nrio de Guerra (IEG), Imposto sobre a Importao (II), Imposto sobre a Exportao (IE), Imposto sobre Operaes de crdito, cmbio e seguro, ou relativas a ttulos ou valores mobilirios (IOF) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ne-cessrio que a Medida Provisria que os criar seja convertida em lei at o final do exerccio financeiro, para que possa produzir efeitos no exerccio subsequente.

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    C A P T U L O 3

    Princpios do Direito Tributrio

    3.1 PRINCPIO DA LEGALIDADE

    Nos preceitos do artigo 150, I, da CF, nenhum tributo ser institudo ou aumen-tado, a no ser por meio de LEI!

    Consoante o artigo 97, 1o, do CTN, considera-se majorao de tributo a modi-ficao da base de clculo de forma a torn-lo mais oneroso.

    A mera atualizao do valor monetrio da respectiva base de clculo NO constitui majorao de tributo, nos ditames do artigo 97, 2o, do CTN, podendo ser realizada em decorrncia de simples Decreto.

    Contudo, se a atualizao monetria ocorrer com ndices superiores ao ofi-cial, no se tem uma mera atualizao de valores, e sim, uma majorao da base de clculo disfarada, e por isso, nesse caso o instrumento normativo necessrio ser a Lei.

    3.1.1 Atenuao do princpio da legalidade

    Todos os tributos esto sujeitos ao princpio da legalidade, isto , s podem ser institudos ou majorados por meio de lei.

    Conquanto, a Lei Maior, em seu artigo 153, 1o, prev alguns impostos que podem ter as alquotas alteradas, inclusive majoradas, desde que observados os limites e as condies estabelecidos em lei, em virtude de ato do Poder Executivo, o que se d comumente por decreto presidencial. So eles:

    i) Imposto sobre a Importao (II);

    ii) Imposto sobre a Exportao (IE);

    iii) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

    iv) Imposto sobre Operaes de Crdito, Cmbio e Seguros (IOF).

    O artigo 177, 4o, I, b, da C tambm possibilita ao Poder Executivo reduzir e restabelecer as alquotas da CIDE COMBUSTVEL, por intermdio de ato prprio, no caso, o decreto presidencial.

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    P A R T E 2 T E O R I A

    Processo Tributrio

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    Petio Inicial

    19.1 ASPECTOS GERAIS

    A abordagem inicial do processo tributrio ser pela petio inicial, a qual iremos trabalhar de forma genrica, pois a partir deste ponto de partida teremos um modelo a ser seguido, independentemente da demanda proposta, visto que em todas as peas processuais teremos de manter o mesmo raciocnio, partindo da premissa de que sempre haver:

    i) endereamento;

    ii) qualificao da parte autora;

    iii) nome da demanda com meno ao respectivo nmero da lei que segue;

    iv) qualificao da parte r;

    v) sntese dos fatos;

    vi) parte do mrito;

    vii) tpico sobre a suspenso da exigibilidade do crdito tributrio, se for o caso, tutela antecipada ou depsito do montante integral; e

    viii) pedidos.

    Na confeco da petio inicial, podemos nos valer do artigo 282 do CPC, pois esse dispositivo demonstra, de forma lgica, o que dever conter em uma petio. Por isso, antes de iniciar qualquer pea, abra o Cdigo de Processo Civil nesse ar-tigo e o siga para no se esquecer de nenhum detalhe, lembrando que tudo ser pontuado em sua prova.

    Art. 282. A petio inicial indicar:

    I o juiz ou tribunal, a que dirigida;

    II os nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru;

    III o fato e os fundamentos jurdicos do pedido;

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    IV o pedido, com as suas especificaes;

    V o valor da causa;

    VI as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;

    VII o requerimento para a citao do ru.

    Para uma melhor compreenso, vamos trabalhar com cada parte de nossa petio de forma separada.

    19.1.1 Endereamento

    Ao iniciarmos a petio inicial nos deparamos com o primeiro problema: o endereamento. Este, por sua vez, ser dividido em trs etapas para ser cumprido com sucesso e obtermos a pontuao integral neste quesito:

    1a etapa: 2a etapa: 3a etapa:

    JEFOUJDBSB+VTUJBDPN-QFUFOUFQBSBKVMHBNFOUPda lide

    WFSJDBSTFDBTPQBSBKVMHBNFOUPOBT7BSBTEF+VJ[BEP&TQFDJBM

    BQPOUBSPGPSPDPNQF-tente

    19.1.1.1 Primeira etapa: competncia para julgamento da lide

    Para definir a competncia, deve-se verificar sempre quem a parte envolvida na lide, independentemente do tributo que est sendo discutido. Isso porque o artigo 109 da CF determina que:

    Art. 109. Sempre que a Unio, suas Autarquias ou Empresas Pblicas Federais forem parte na condio de autoras, rs, assistentes ou oponentes, exceto as de falncia, as de acidentes de trabalho e as sujeitas Justia Eleitoral e Justia do Trabalho ser competente para julgar a JUSTIA FEDERAL!

    Assim, no sendo parte a Unio, suas Autarquias e Empresas Pblicas Fede-rais, ser competente para julgamento da lide a Justia Estadual.

    CUIDADO! Muitos alegam que para definir a competncia bastaria olhar para o tributo, de modo que se for tributo federal, seria competente para julgar a Justia Federal, e se for tributo estadual ou municipal seria competente para julgar a Justia Es-tadual. Esse macete no pode ser aplicado na definio da com-petncia para o julgamento da lide, pois no tem base legal e fcil de induzir o candidato a erro.

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    No exame unificado VII realizado pela banca da FGV, por exemplo, o enunciado da proposta de pea mencionava que a Empresa de Correios e Telgrafos (ECT) recebera uma notificao de lanamento para pagamento do IPVA.

    Como a ECT goza de imunidade reconhecida pelo STF, como visto no captulo 4, item 4.1, ela, na condio de parte autora, ingressaria com petio inicial (no caso anulatria ou mandado de segurana repressivo) em face do Estado para no pagar o IPVA. Nesse caso, a demanda deveria ser ajuizada perante a Justia Federal, uma vez que a ECT empresa pblica federal. O candidato que endereou a petio para justia estadual, por entender que se tratava de cobrana de tributo estadual (IPVA), perdeu 0,5 pontos.

    Concluso:

    Ser de competncia

    federal:

    1) 2VBOEPGPSQBSUFJOEFQFOEFOUFNFOUFEFTFSBVUPSBSBTTJTUFOUFPVPQPOFOUFB6OJP&OUJEBEF"VUSRVJDBPV&NQSFTB1-CMJDB'FEFSBMOPTUFSNPTEPBSUJHP*$'

    2) OPDBTPEFmandado de seguranaRVBO-EPPBUPGPSQSBUJDBEPQPSBVUPSJEBEFDPBUPSBGFEFSBMFYDFUVBEPTPTDBTPTEFDPNQFUODJBEPTUSJCVOBJTGFEFSBJTBSUJHP7***$'

    19.1.1.2 Segunda etapa: juizados especiais

    Com a finalidade de verificar se cabvel o julgamento pelas varas do juizado especial, a primeira constatao com relao ao valor da causa, pois apenas as demandas com valores de causa iguais ou inferiores a 60 salrios mnimos tm chance de serem julgadas pelo juizado especial.

    Observa-se, no entanto, que no basta o valor da causa ser igual ou inferior a 60 salrios mnimos para ser julgada no juizado especial, pois s podem ser parte autora: as pessoas fsicas, microempresas e empresas de pequeno porte.

    Assim, dois so os requisitos cumulativos para anlise quanto ao cabimento de juizado especial, tanto no mbito federal como no estadual. Primeiro: valor da causa igual ou inferior a 60 salrios mnimos; e segundo: a parte autora s pode ser pessoa fsica, microempresa e empresa de pequeno porte. Nesse sentido, temos os artigos 3o e 6o da Lei no 10.259/2001 (que trata sobre as varas do juizado especial na Justia Federal) e artigos 2o e 5o da Lei no 12.153/2009 (que discorre sobre as varas do juizado especial na Justia Estadual).

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    Lei no 10.259/2001 Lei no 12.153/2009

    Art. 3o$PNQFUFBP+VJ[BEP&TQFDJBM'FEFSBM$WFMQSPDFTTBSDPODJMJBSFKVMHBSDBVTBTEFDPNQFUODJBEB+VTUJB'FEFSBMBUPWBMPSEFTFTTFOUBTBMSJPTNOJNPTCFNDPNPFYFDVUBSBTTVBTTFOUFOBT

    Art. 2EFDPNQFUODJBEPT+VJ[BEPT&TQFDJBJTEB'B[FOEB1CMJDBQSPDFT-TBSDPODJMJBSFKVMHBSDBVTBTDWFJTEFJOUFSFTTFEPT&TUBEPTEP%JTUSJUP'F-EFSBMEPT5FSSJUSJPTFEPT.VOJDQJPTBUPWBMPSEFTFTTFOUBTBMSJPTNOJNPT

    y y

    Art. 6o1PEFNTFSQBSUFTOP+VJ[BEP&TQF-DJBM'FEFSBM$WFM

    Art. 5 1PEFNTFSQBSUFTOP+VJ[BEP&TQFDJBMEB'B[FOEB1CMJDB

    I DPNPBVUPSFTBTQFTTPBTGTJDBTFBTNJDSPFNQSFTBTFFNQSFTBTEFQFRVFOPQPSUFBTTJNEFOJEBTOB-FJOP 9.317, de 5 EFEF[FNCSPEF

    I DPNPBVUPSFTBTQFTTPBTGTJDBTFBTNJDSPFNQSFTBTFFNQSFTBTEFQFRVFOPQPSUFBTTJNEFOJEBTOB-FJ$PNQMFNFOUBSOPEFEFEF[FNCSPEF

    II DPNPSTB6OJPBVUBSRVJBTGVOEB-FTFFNQSFTBTQCMJDBTGFEFSBJT

    II DPNPSVTPT&TUBEPTP%JTUSJUP'FEFSBMPT5FSSJUSJPTFPT.VOJDQJPTCFNDPNPBVUBSRVJBTGVOEBFTFFNQSFTBTQCMJDBTBFMFTWJODVMBEBT

    microempresa aquela que aufere, em cada ano-calendrio, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); enquanto empresa de pequeno porte a que recebe, em cada ano-calendrio, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (trs milhes e seiscentos mil reais), conforme preceitua o artigo 3o da LC no 123/2006.

    Alm de verificarmos os artigos 3o e 6o da Lei no 10.259/2001 e os artigos 2o e 5o da Lei no 12.153/2009 para decidir se o endereamento caber ao juizado especial, tambm importante ressaltar que no poder ser julgado pelas varas do juizado especial:

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    Em mbito Estadual, luz da Lei no 12.153/2009, art. 2o, 1o:

    Em mbito Federal, de acordo com a Lei no 10.259/2001, artigo 3o, 1o:

    Art. 2o, 1o ()

    I BTBFTEFNBOEBEPEFTFHVSBOBEFEFTBQSPQSJBPEFEJWJTPFEF-NBSDBPQPQVMBSFTQPSJNQSPCJEBEFBENJOJTUSBUJWBFYFDVFTTDBJTFBTEFNBOEBTTPCSFEJSFJUPTPVJOUFSFTTFTEJGVTPTFDPMFUJWPT

    II BTDBVTBTTPCSFCFOTJNWFJTEPT&TUBEPT%JTUSJUP'FEFSBM5FSSJUSJPTF.VOJDQJPTBVUBSRVJBTFGVOEBFTQCMJDBTBFMFTWJODVMBEBT

    III BTDBVTBTRVFUFOIBNDPNPPCKFUPBJNQVHOBPEBQFOBEFEFNJTTPJNQPTUBBTFSWJEPSFTQCMJDPTDJWJTPVTBOFTEJTDJQMJOBSFTBQMJDBEBTBNJMJUB-SFT-FJOP 12.153/2009, art. 2P, 1P e Lei nP 10.259/2001, art. 3P, 1P

    Art. 3o, 1o ()

    I BTDBVTBTSFGFSJEBTOPBSUJODJ-TPT*****F9*EB$POTUJUVJP'FEFSBMBTBFTEFNBOEBEPEFTFHVSBOBEFEFTBQSPQSJBPEFEJWJTPFEFNBS-DBPQPQVMBSFTFYFDVFTTDBJTFQPSJNQSPCJEBEFBENJOJTUSBUJWBFBTEFNBOEBTTPCSFEJSFJUPTPVJOUFSFTTFTEJGVTPTDPMFUJWPTPVJOEJWJEVBJTIPNP-HOFPT

    II BTDBVTBTTPCSFCFOTJNWFJTEB6OJPBVUBSRVJBTFGVOEBFTQCMJDBTGFEFSBJT

    III BTDBVTBTQBSBBBOVMBPPVDBODF-MBNFOUPEFBUPBENJOJTUSBUJWPGFEFSBMTBMWPPEFOBUVSF[BQSFWJEFODJSJBFPEFMBOBNFOUPTDBM

    IV RVFUFOIBNDPNPPCKFUPBJNQVH-OBPEBQFOBEFEFNJTTPJNQPTUBBTFSWJEPSFTQCMJDPTDJWJTPVEFTBOFTEJTDJQMJOBSFTBQMJDBEBTBNJMJUBSFT

    Concluso: Via de regra, ser julgado pelo juizado especial quando a parte autora for pessoa fsica, microempresa ou empresa de pequeno porte, desde que no ultrapasse os 60 salrios mnimos.

    19.1.1.3 Terceira etapa: Foro competente

    O foro competente para julgar a demanda indica o municpio em que deve ser ajuizada a petio inicial.

    Na justia federal, o foro competente definido pelo artigo 109, 1o e 2o da CF:

    Art. 109. ()

    1o As causas em que a Unio for autora sero aforadas na seo judiciria onde tiver domiclio a outra parte.

    2o As causas intentadas contra a Unio podero ser aforadas na seo judi-ciria em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou

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  • OAB (1 e 2 fases)o%*3&*5053*#653*0tJosiane Minardi94

    fato que deu origem demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.

    Ateno!

    Nas demandas em face da Unio, o autor ter 4 opes

    para seu ajuizamento:

    EPNJDMJPEPBVUPS

    MPDBMPOEFIPVWFSPDPSSJEPPBUPPVGBUPRVFEFVPSJHFNEFNBOEB

    MPDBMPOEFFTUFKBBDPJTBPV

    %JTUSJUP'FEFSBM

    Na esfera estadual, o foro competente , via de regra, o domiclio do ru, con-soante determina o artigo 94 do CPC.

    Art. 94. A ao fundada em direito pessoal e a ao fundada em direito real sobre bens mveis sero propostas, em regra, no foro do domiclio do ru.

    1o Tendo mais de um domiclio, o ru ser demandado no foro de qualquer deles.

    2o Sendo incerto ou desconhecido o domiclio do ru, ele ser demandado onde for encontrado ou no foro do domiclio do autor.

    3o Quando o ru no tiver domiclio nem residncia no Brasil, a ao ser propos-ta no foro do domiclio do autor. Se este tambm residir fora do Brasil, a ao ser proposta em qualquer foro.

    4o Havendo dois ou mais rus, com diferentes domiclios, sero demandados no foro de qualquer deles, escolha do autor.

    Se a prova no mencionar o Municpio na proposta de pea, no podemos invent-lo e nem mesmo presumi-lo, sob pena de identificao de prova. Nesse caso, deve-se redigir o endereamento de forma genrica, deixando o nome do Mu-nicpio, bem como do Estado com reticncias. Exemplo: (Municpio.... Estado...).

    Passadas as trs etapas para identificao do endereamento correto, ser a hora de transcrev-lo para obteno da pontuao integral, que em mdia tem sido atribudo a 0,2 pontos nesse quesito.

    19.1.1.3.1 Redao do endereamento

    Na Justia Federal, vara comum:

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    Excelentssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ... Vara Federal Cvel da Subseo de ..., Seo Judiciria do Estado do(e) ...

    Na Justia Federal, vara juizado especial:

    Excelentssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ... Vara do Juizado Especial Federal da Subseo de ..., Seo Judiciria do Estado do(e)...

    Na Justia Estadual, vara comum:

    Excelentssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara da Fazenda Pblica da Comarca de ... Estado do(e) ...

    Na Justia Estadual, vara juizado especial:

    Excelentssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Juizado Especial da Fazenda Pblica da Comarca de ... Estado do(e) ...

    19.1.2 Qualificao das partes

    A qualificao sempre ser de acordo com o artigo 282, II, do CPC, que esta-belece como requisito da petio inicial a indicao dos nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru. Apesar de a lei no exigir o nmero do Registro Geral (RG), Cadastro da Pessoa Fsica (CPF) ou Cadastro Na-cional da Pessoa Jurdica (CNPJ), de praxe no meio forense o fornecimento destas informaes na petio inicial.

    A qualificao das partes importante principalmente por dois motivos:

    1) que a sentena possa obrigar pessoas certas e

    2) verificao da legitimidade processual ativa e passiva.

    Ressalta-se, ainda, que se a prova no fornecer dados especficos, como a profisso exercida pela parte, nacionalidade e endereo, eles no podem ser inven-tados, mas devem ser escritos de forma genrica para demonstrar ao examinador seu conhecimento jurdico, conforme exemplos a seguir:

    1) Pessoa fsica

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    P A R T E 3 P R T I C A P E A S

    Exame IV

    Equipamentos (partes e peas) que estavam sendo transportados para a em-presa Microinformtica LTDA. e que seriam utilizados em sua produo foram apre-endidos, sob a alegao da Secretaria de Arrecadao Estadual de que a nota fiscal que os acompanhava no registrava uma diferena de alquota devida ao Fisco e no teria havido, portanto, o recolhimento do imposto. Na ocasio, houve o auto de infrao e foi realizado o respectivo lanamento. A empresa, que tem uma en-comenda para entregar, procura voc, na condio de advogado, para a defesa de seus interesses. Na qualidade de advogado da empresa Microinformtica, apresen-te a pea processual cabvel para a defesa dos interesses da empresa, empregando todos os argumentos e fundamentos jurdicos cabveis. (Valor: 5,0)

    1 SUGESTO DE RESOLUO DA PEA

    EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA DA FAZENDA PBLICA DA COMARCA DE ... DO ESTADO DE(O) ...

    Microinformtica LTDA., pessoa jurdica de direito privado, inscrita no CNPJ sob no ..., com sede na Rua..., no.., bairro ..., cidade..., estado..., CEP ..., vem respeitosamente perante Vossa Excelncia, por meio de seu advogado abaixo assinado (procurao em anexo), com escritrio na Rua..., no.., bairro..., cidade..., estado..., CEP ..., onde recebe intimaes, com fulcro nos artigos 38 da Lei no 6.830/80 e 282 do CPC, propor

    AO ANULATRIA C/C TUTELA ANTECIPADA

    em face do Estado/Fazenda Pblica Estadual; pessoa jurdica de direito pblico, com sede na Rua..., no.., pelos motivos de fato e direito abaixo aduzidos.

    I) DOS FATOS

    Equipamentos, partes e peas, que seriam utilizados na produo da empresa Microinformtica LTDA., estavam sendo transportados para a respectiva empresa quando foram apreendidos pela Secretaria de Arrecadao Estadual.

    A apreenso ocorreu sob a alegao de que a nota fiscal dos equipamentos no registrava uma diferena de alquota devida ao Fisco e, por isso, o imposto no teria sido recolhido. Ento, foi lavrado auto de infrao e realizado o lanamento.

    Observa-se que a medida da autoridade foi abusiva e prejudicial atividade econmica. A empresa necessita urgentemente da liberao de tal mercadoria, j que tem uma encomenda para entregar. Assim sendo, no restou outra alternativa ao autor seno buscar a tutela jurisdicional.

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    II) DO DIREITO

    II.1) Da Inconstitucionalidade de apreenso de mercadorias como forma de coagir ao pagamento de tributo Smula no 323 do STF

    Os equipamentos que estavam sendo transportados para a Impetrante foram apreendidos pela Impetrada sob a alegao de que a nota fiscal que os acompanhava no registrava uma diferena de alquota devida ao Fisco e no teria, portanto, ocorrido o recolhimento do imposto.

    Acontece que a tal medida inconstitucional. O artigo 5o, XXII, da CF assegura o direito de propriedade, e o artigo 170 da CF, que dispe sobre a ordem econmica, garante o direito livre-iniciativa. O STF firmou entendimento, conforme a Smula no 323, no sentido de no admitir a apreenso de mercadorias como meio coercitivo para o pagamento de tributo. No mesmo sentido, tem-se a Smula no 70 do STF que estabelece no se admitir, como meio coercitivo para a cobrana de tributo, a interdio de estabelecimento. H, ainda, a Smula no 547 do STF que determina no ser permitido autoridade proibir o contribuinte em dbito de adquirir estampilhas, despachar mercadoria nas alfandegas, de exercer sua atividade profissional.

    Desta forma, fica evidente que a apreenso da mercadoria pela R inconstitucional, tendo em vista que ocorreu como meio coercitivo para o pagamento de tributo. notrio que houve abuso de poder por parte da R, j que no poderia ter feito a apreenso com base nos dispositivos constitucionais j citados. O direito propriedade um direito fundamental assegurado expressamente na CF e representa tambm autotutela do prprio direito.

    Assim, requer a Autora a liberao da mercadoria apreendida indevidamente e a suspenso da exigibilidade do crdito tributrio.

    III) DA TUTELA ANTECIPADA art. 273, II, do CPC

    A prova inequvoca est presente conforme demonstrado nos documentos em anexo. A verossimilhana das alegaes existe tendo em vista a violao do direito propriedade e livre-iniciativa, nos termos dos artigos 5o, XXII e 170 da CF.

    No presente caso, o perigo de dano irreparvel ou de difcil reparao se justifica pelos prejuzos que a mercadoria apreendida acarretar para a Autora, se no for liberada imediatamente, pois precisa desta para terminar uma encomenda.

    Logo, demonstrado que esto presentes os requisitos do artigo 273, II, do CPC, a prova inequvoca, a verossimilhana das alegaes e o perigo de dano irreparvel ou de difcil reparao, a Autora faz jus concesso da tutela antecipada, a fim de liberar a mercadoria apreendida irregularmente e suspender a exigibilidade do crdito tributrio, luz do artigo 151, V, do CTN.

    IV) DOS PEDIDOS

    Diante do exposto requer-se:

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    a) A concesso da tutela antecipada, uma vez que esto presentes os requisitos do artigo 273, II, do CPC: prova inequvoca, verossimilhana das alegaes e perigo de dano irreparvel ou de difcil reparao, a fim de liberar a mercadoria indevidamente apreendida, bem como suspender a exigibilidade do crdito tributrio nos termos do artigo 151, V, do CTN;

    b) a citao do ru, na pessoa de seus representantes legais, para querendo apresentar resposta luz do artigo 297 do CPC;

    c) seja julgada procedente a ao/pedido, a fim de anular o auto de infrao eivado de ilegalidade e liberar a mercadoria;

    d) a produo de todos os meios de prova em direito admitidas;

    e) a condenao do ru ao pagamento das custas e honorrios advocatcios, conforme artigo 20 do CPC.

    D-se causa o valor de R$ ...

    Termos em que,

    Pede deferimento,

    Local e data.

    Advogado

    OAB no

    DISTRIBUIO DE PONTOS

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    P A R T E 4 P R T I C A Q U E S T E S

    Prova IV

    QUESTO 01

    A empresa Nova Casa atua no ramo de venda de eletrodomsticos e como tal encontra-se sujeita ao recolhimento do ICMS e ao dever de entregar arquivos magnticos com as informaes das vendas efetuadas em cada perodo de recolhimento. Em fiscalizao realizada em 01/02/2009, o Fisco Estadual constatou a insuficincia do recolhimento do ICMS no perodo entre 01/01/2008 a 01/02/2009 e lavrou auto de infrao exigindo o tributo no recolhido acrescido de multa no montante correspondente a 80% do tributo devido, na forma da legislao estadual. Ainda como consequncia da fiscalizao, foi lavrado outro auto de infrao para aplicar a penalidade de R$ 1.000,00 por cada arquivo magntico no entregue no mesmo perodo. Ocorre que, no prazo para apresentao da impugnao administrativa, os scios da empresa Nova Casa finalizaram as negociaes anteriormente iniciadas com a sua concorrente Incasa e decidiram vender a empresa, a qual foi incorporada pela Incasa. Ao se deparar com as autuaes em questo, a Incasa aciona o seu corpo jurdico.

    Com base nesse cenrio, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurdicos apropriados e a fundamentao legal pertinente ao caso.

    a) Existe a possibilidade de cancelar, total ou parcialmente, o auto de infrao lavrado para cobrana do tributo devido e da sua respectiva penalidade?

    b) Existe a possibilidade de cancelar, total ou parcialmente, o auto de infrao lavrado para exigir a penalidade por falta de entrega dos arquivos magnticos?

    SUGESTO DE RESPOSTA

    a) No possvel cancelar o auto de infrao lavrado para cobrana do tributo devido, nem cancelar a respectiva penalidade. Nos termos do artigo 132 do CTN, a pessoa jurdica que resultar de fuso, transformao ou incorporao de outra responsvel pelos tributos devidos at a data do ato pela pessoa jurdica de direito privado incorporada, transformada ou fusionada. O STJ entende que a expresso utilizada pelo legislador na redao do referido artigo tributos refere-se tambm s multas. Neste sentido, o artigo 129 do CTN dispe que a responsabilidade dos sucessores tratada pelo CTN compreende os crditos tributrios. No presente caso, trata-se de incorporao de empresa, o que acarreta a responsabilidade da pessoa jurdica resultante sobre todos os crditos tributrios devidos at ento, inclusive

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    sobre as multas, j que se deve interpretar o artigo 132 do CTN em conjunto com o artigo 129 do CTN.

    b) No possvel cancelar o auto de infrao lavrado para exigir a penalidade por falta de entrega dos arquivos magnticos, pois, de acordo com o artigo 113, 3o, do CTN, o inadimplemento da obrigao acessria, que no caso em tela era a entrega dos arquivos magnticos, converte-se em obrigao principal, com relao ao pagamento da penalidade tributria.

    DISTRIBUIO DE PONTOS

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    QUESTO 02

    O Laboratrio de Anlises Clnicas Almeida Silva Ltda., cuja sociedade consti-tuda por 3 (trs) scios, um mdico, um farmacutico e uma empresria, explora, no ramo da medicina, servios de anlises clnicas, em carter empresarial, man-tendo, para tanto, vrias filiais em funcionamento em diversas municipalidades de determinada regio do pas. Ocorre que, a partir de maro/2011, a referida empre-sa, na qualidade de contribuinte do Imposto sobre Servios de Qualquer Natureza ISSQN , deixou de recolher o respectivo tributo, dando origem a diversas autuaes fiscais, que geraram defesas administrativas no sentido de que o ISS deveria ser calculado e recolhido como tributo fixo, ou seja, com base em um valor fixo pre-visto na legislao municipal pertinente a ser calculado em relao a cada scio, no devendo ser considerado, para fins de apurao do imposto, o valor do servio praticado pela empresa com incidncia da alquota correspondente sua atividade.

    Esclarea se o laboratrio tem ou no direito a realizar o recolhimento na forma pretendida. Justifique, com base na legislao tributria pertinente.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    O laboratrio no tem direito a recolher o ISS como tributo fixo. No presente caso, o ISS dever ser recolhido, conforme o artigo 7o da LC no 116/2003, baseado no preo do servio, e a alquota dever ser a prevista na legislao municipal, relativa ao servio prestado.

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    No possvel a aplicao do artigo 9o, 1o e 3o, do Decreto-Lei no 406/68, visto que esse dispositivo trata de casos excepcionais, servios prestados de forma autnoma pelo contribuinte ou sob a forma de agrupamento uniprofissional, o que no o caso. Neste sentido, o STJ entende que para a sociedade recolher o ISS como tributo fixo, no poder ter carter empresarial.

    DISTRIBUIO DE PONTOS

    "QMJDBPEPBSUJHPP da LC nP*OBQMJDBCJMJEBEFEPTffP e 3PEPBSUJHPPEP%FDSFUP-FJOP$BSUFSFNQSFTBSJBMEBBUJWJEBEFEFTFOWPMWJEB

    QUESTO 03

    Caio e Tcio pretendem celebrar contrato de compra e venda de bem imvel. Contudo, para consumarem o negcio, constituem previamente a pessoa jurdica Provisria Ltda. formada por eles apenas, tendo por fito nica e exclusivamente no fazer incidir o ITBI sobre a operao, com amparo no artigo 156, 2o, I, da CF, que prev hiptese de imunidade da referida exao sobre o imvel utilizado na integralizao do capital social. Neste aspecto, Caio, originalmente proprietrio alienante do bem, integraliza suas quotas na forma do imvel, e Tcio completa o capital social da empresa depositando o montante correspondente ao valor do bem objeto da alienao. Aps pouco mais de duas semanas, Caio e Tcio dissolvem a sociedade, e, como consequncia, Caio recebe sua parcela do capital em dinheiro, ao passo que Tcio recebe o seu quinho na forma do imvel.

    Analise a conduta adotada pelos particulares e responda se, e como, poderia a Fazenda Municipal satisfazer seu crdito com relao situao apresentada, uma vez descoberta a real inteno dos dois agentes.

    SUGESTO DE RESPOSTA

    No correta a conduta descrita no caso, trata-se de hiptese de eluso fiscal, uma vez que Caio e Tcio constituram a sociedade com a finalidade de dissimular a ocorrncia do fato gerador do ITBI, de modo a escapar da tributao. Ocorreu abuso de forma.

    O Fisco, percebendo a conduta abusiva do contribuinte, poder lanar o tribu-to, com base no artigo 116, pargrafo nico, do CTN, que determina que a autori-dade administrativa pode desconsiderar atos ou negcios jurdicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrncia do fato gerador do tributo. Assim, poder o Fisco lanar o ITBI com a aplicao dessa norma geral de antieliso.

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    Smulas Vinculantes do STF

    1. Ofende a garantia constitucional do ato jur-dico perfeito a deciso que, sem ponderar as circunstncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficcia de acordo constante de termo de adeso institudo pela lei com-plementar no 110/2001.

    2. inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consrcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

    3. Nos processos perante o tribunal de contas da unio asseguram-se o contraditrio e a ampla defesa quando da deciso puder resultar anulao ou revogao de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciao da legalidade do ato de concesso inicial de aposentadoria, reforma e penso.

    5. A falta de defesa tcnica por advogado no processo administrativo disciplinar no ofende a constituio.

    7. A norma do 3o do art. 192 da Constitui-o, revogada pela emenda constitucional No 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicao condicionada edio de lei complementar.

    8. So inconstitucionais o pargrafo nico do artigo 5o do decreto-lei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei no 8.212/1991, que tratam de prescrio e decadncia de crdito tributrio.

    12. a cobrana de taxa de matrcula nas uni-versidades pblicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituio Federal.

    19. a taxa cobrada exclusivamente em razo dos servios pblicos de coleta, remoo e tratamento ou destinao de lixo ou resduos provenientes de imveis, no viola o artigo 145, II, da Constituio Federal.

    20. A gratificao de desempenho de atividade tcnico-administrativa data, instituda pela lei no 10.404/2002, deve ser deferida aos inativos nos valores correspondentes a 37,5 (trinta e sete vrgula cinco) pontos no perodo de fevereiro a maio de 2002.5o 10.404/2002, no perodo de junho de 2002 at a concluso dos efeitos do ltimo ciclo de avaliao a que se refere o artigo 1o da medida provisria no 198/2004, a partir da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos.

    21. inconstitucional a exigncia de depsito ou arrolamento prvios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

    24. No se tipifica crime material contra a ordem tributria, previsto no art. 1o, incisos I a IV, da Lei no 8.137/90, antes do lanamento definitivo do tributo.

    25. ilcita a priso civil de depositrio infiel, qualquer que seja a modalidade do depsito.

    28. inconstitucional a exigncia de depsito prvio como requisito de admissibilidade de ao judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crdito tributrio

    29. constitucional a adoo, no clculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de clculo prpria de determinado imposto, desde que no haja integral identidade entre uma base e outra.

    31. inconstitucional a incidncia do imposto sobre servios de qualquer natureza ISS sobre operaes de locao de bens mveis.

    32. O ICMS no incide sobre alienao de salvados de sinistro pelas seguradoras.

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