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1883 leia algumas paginas

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  • JOS CAIRO JNIORJuiz do Trabalho do TRT da 5 Regio. Professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho da Universidade Estadual de Santa Cruz UESC.

    Mestre em Direito Privado pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE. Doutorando em Direito Social pela Universidad Castilla-La Mancha Espanha.

    E-mail: [email protected]

    Curso de Direito Processual

    do Trabalho

    9 edioRevista, ampliada e atualizada

    2016

  • CAPTULO II

    PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO

    SUMRIO 1. Conceito 2. Forma 3. Denominao 4. Previso legal: 4.1. Consolidao das Leis do Trabalho; 4.2. Cdigo de Processo Civil; 4.3. Diferenas 5. Requisitos da petio inicial: 5.1. Destinatrio da petio inicial; 5.2. Qua-lificao das partes; 5.3. Fatos e fundamentos jurdicos do pedido; A. Fatos; B. Fundamentos jurdicos; C. Declarao de inconstitucionalidade; 5.4. Pedido; A. Conceito; B. Espcies; C. Pedido certo e determinado; D. Pedido alternativo; E. Cumulao subsidiria de pedidos; F. Pedido cominatrio; G. Cumulao de pedidos; H. Pedidos implcitos; 5.5. Valor da causa; 5.6. Provas; 5.7. A opo do autor pela realizao ou no de audincia de conciliao ou de mediao; 5.8. Docu-mentos que acompanham a inicial 6. Distribuio, registro e autuao 7. Defeitos sanveis 8. Indeferimento da pe-tio inicial: 8.1. Natureza jurdica da deciso de indeferimento; 8.2. Indeferimento por inpcia no processo do trabalho; 8.3. Recurso da deciso de indeferimento. 9. Aditamento. 10. Principais diferenas entre o processo civil e o processo do trabalho 11. Informativos do TST sobre a matria. 12. Quadro sinptico 13. Questes.

    1. CONCEITO

    Petio consiste na instrumentalizao de um ato processual da parte, por meio do qual o reclamante ou o reclamado solicita a interveno do juiz e apresenta as respectivas razes para que se faa, deixe de fazer ou determine algo.

    Como a prpria terminologia sugere, a petio nada mais do que um pedido feito ao juiz, mas pode servir para outros objetivos, como por exemplo, o de comunicar a vontade ou para prestar uma simples informao.

    J a petio inicial a materializao de um ato processual por meio do qual o autor da ao provoca a atuao do Poder Judicirio, por intermdio do exerccio do seu direito pblico e subjetivo de ao. Nesse contexto o autor narra os fatos, expe sua pretenso, soli-cita a entrega da tutela jurisdicional para soluo do conflito de interesses caracterizado pela pretenso resistida e d incio relao jurdica processual trabalhista.1

    um dos atos processuais mais importantes no mbito do processo, visto que a partir dele que se define a futura atuao da parte contrria (com a apresentao da defesa pelo reclamado) e impe os limites para a prolao da sentena, responsvel pelo fim da relao processual de conhecimento, com ou sem a resoluo do mrito.

    Desse modo, o juiz, em ateno ao princpio da congruncia, no pode se afastar dos referidos limites, sob pena de o julgamento ser considerado ultra, citra ou extra petita,2 conforme a deciso seja alm, abaixo ou fora do que foi postulado na pea incoativa.

    1. A referida relao processual completa-se com a notificao do reclamado e confirmada com a presena do reclamante quando da realizao da audincia.

    2. Art. 141 do novo CPC. O juiz decidir o mrito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questes no suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior390

    ATENO! Em face do princpio da inrcia, o magistrado s poder prestar a tutela jurisdicional caso seja previamente provocado. E, no processo do trabalho, essa provocao se faz por meio da apresen-tao de uma reclamao trabalhista, que se efetiva por escrito ou oralmente.

    2. FORMA

    Como prevalece, no processo do trabalho, o princpio do ius postulandi das partes,3 a petio inicial pode ser apresentada de forma verbal ou escrita, de acordo com o preceito contido no art. 840 da Consolidao das Leis do Trabalho.4

    Quando a reclamao apresentada verbalmente,5 deve ser reduzida a termo, datada e assinada pelo servidor responsvel, em tantas vias quantas sejam o nmero de reclamados, quando se tratar de processo em autos fsicos.6

    Em que pese ser admitido esse elevado grau de informalismo, a petio deve ser redi-gida de forma clara, precisa, tcnica, porm simples e sem necessariamente ser articulada. A presena desses requisitos permite ao juiz desenvolver a atividade de interpretar a pretenso deduzida em juzo pelo reclamante.

    ATENO! O artigo 786 da CLT determina que nas localidades onde existirem mais de uma Vara do Trabalho, a reclamao verbal, no processo fsico, ser distribuda para uma delas antes de sua reduo a termo.

    3. DENOMINAO

    A petio constitui a instrumentalizao dos fatos, fundamentos e pleitos que so formu-lados pelas partes e submetidos ao crivo do juiz durante todo o processo. Quando essa postulao representa a concretizao do exerccio do direito pblico e subjetivo de ao, recebe a denominao de petio inicial, expresso acolhida com exclusividade pelo CPC e pela CLT.7

    3. TST. Smula n 425 JUS POSTULANDI NA JUSTIA DO TRABALHO. ALCANCE Res. 165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e 04.05.2010. O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se s Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, no alcanando a ao rescisria, a ao cautelar, o mandado de segurana e os recursos de competncia do Tribunal Superior do Trabalho.

    4. CLT. Art. 840. A reclamao poder ser escrita ou verbal.5. Segundo determina o art. 853 da CLT, a forma escrita exigida para a petio inicial da ao de inqurito para

    apurao de falta grave: Para a instaurao de inqurito para apurao de falta grave contra empregado garan-tido com estabilidade, o empregador apresentar reclamao por escrito Junta ou Juzo de Direito, dentro de 30 dias, contados da data da suspenso do empregado. (grifou-se).

    6. Em alguns Tribunais do Trabalho, a reclamao a termo s tem sido admitida quando inexistir sindicato ou outras entidades que prestem assistncia judiciria ao trabalhador.

    7. CLT. Art. 625-D. 3 em caso de motivo relevante que impossibilite a observncia do procedimento previsto no caput deste artigo, ser a circunstncia declarada na petio inicial da ao intentada perante a Justia do Tra-balho. (grifou-se).

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 391

    Essa pea processual tambm denominada, pela doutrina e jurisprudncia, de: exordial, proemial, vestibular, pea de ingresso, pea incoativa, libelo etc.

    4. PREVISO LEGAL

    Como visto, o processo do trabalho regulado por diversos Diplomas legais, de forma sucessiva. Somente se aplicam as normas processuais contidas no Cdigo de Processo Civil, quando a Consolidao das Leis do Trabalho for omissa.

    A CLT contm preceito que trata da petio inicial. Ainda assim, por no ser incompa-tvel com o processo do trabalho e por oferecer um maior rigor tcnico, os profissionais do direito laboral tem optado, por cautela, em utilizar o regramento que consta do art. 319 do novo CPC, para evitar que a petio seja, por qualquer motivo, indeferida.

    4.1. Consolidao das Leis do Trabalho

    A Consolidao das Leis do Trabalho trata, de forma bem simples, da petio inicial do dissdio individual do trabalho no processo de conhecimento, na forma do disposto em seu art. 840, 1:

    Art. 840, 1 Sendo escrita, a reclamao dever conter a designao do presidente da Junta, ou do juiz de Direito, a quem for dirigida, a qualificao do reclamante e do reclamado, uma breve exposio dos fatos de que resulte o dissdio, o pedido, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante.

    Se a demanda enquadra-se no rito sumarssimo, qual seja, nas reclamaes cujo valor causa no ultrapasse quarenta salrios mnimos, a petio inicial tambm dever conter pedido certo e determinado, com indicao do valor correspondente de cada parcela, na forma prevista pelo art. 852-B, I, da Consolidao das Leis do Trabalho.

    Saliente-se, que a lei no estabeleceu nenhum requisito especial para a petio inicial do processo de inqurito para apurao de falta grave.

    4.2. Cdigo de Processo Civil

    O novo CPC possui dispositivo correlatos ao art. 840 da norma consolidada, porm bem mais tcnico e completo, pois estabelece outros requisitos para a validade desse ato processual.

    QUADRO COMPARATIVO PETIO INICIAL

    CPC DE 1973 NOVO CPC CLT

    Art. 282. A petio inicial indicar:I o juiz ou Tribunal, a que dirigida;II os nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru;III o fato e os fundamentos jurdicos do pedido;IV o pedido, com as suas especi-ficaes;

    Art. 319. A petio inicial indicar:I o juzo a que dirigida;II os nomes, os prenomes, o estado civil, a existncia de unio estvel, a profisso, o nmero de inscrio no Cadastro de Pessoas Fsicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica, o endereo eletrnico, o domiclio e a residncia do autor e do ru;

    Art. 840, 1 Sendo escrita, a recla-mao dever conter a designao do presidente da Junta, ou do juiz de Direito, a quem for dirigida, a qualifi-cao do reclamante e do reclamado, uma breve exposio dos fatos de que resulte o dissdio, o pedido, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior392

    QUADRO COMPARATIVO PETIO INICIAL

    CPC DE 1973 NOVO CPC CLT

    V o valor da causa;VI as provas com que o autor pre-tende demonstrar a verdade dos fatos alegados;VII o requerimento para a citao do ru.

    III o fato e os fundamentos jurdicos do pedido;IV o pedido com as suas especifi-caes;V o valor da causa;VI as provas com que o autor pre-tende demonstrar a verdade dos fatos alegados;VII a opo do autor pela realizao ou no de audincia de conciliao ou de mediao.

    Aplicabilidade do CPC ao processo do trabalho

    Como a CLT no omissa, aplica-se o art. 319 do novo CPC de forma subsi-diria, ou seja, para completar a norma simplista celetista.

    Diferena entre o novo CPC e o de 1973

    O novo CPC passa a exigir a informao sobre o nmero do CPF ou CNPJ, email das partes e a opo do autor pela realizao ou no da audincia de mediao. Por outro lado, foi eliminado o requisito de pedido de citao do ru.

    4.3. Diferenas

    Do confronto entre a CLT e o art. 319 do novo CPC, verifica-se a inexigibilidade, para a petio inicial trabalhista, de quatro dos requisitos: fundamento jurdico do pedido, provas, valor da causa e informao sobre a realizao ou no da audincia de conciliao.

    No primeiro caso, a justificativa a existncia do ius postulandi das partes, que dispensa o fundamento jurdico do pedido como requisito da petio inicial, em face do desconhecimento tcnico das partes. Todavia, tem-se observado, na prtica forense, a declarao de inpcia da pea exordial pela ausncia da causa de pedir, principalmente quando o reclamante est assistido por profissional da advocacia.

    Dispensa-se o protesto pela produo de provas e o requerimento da citao do recla-mado, tendo em vista a prevalncia do princpio dispositivo que norteia o processo laboral, que confere maiores poderes ao juiz para o seu impulsionamento de ofcio.

    Se o autor no atribui o valor da causa, essa tarefa passa a ser do juiz. Com a instituio do rito sumarssimo no mbito do processo laboral, a parte deve atribuir valores para cada postulao e, pela via indireta, o prprio valor da causa. Nas demandas sujeitas ao rito ordi-nrio, a interpretao literal da norma laboral conduz ao entendimento de que o valor da causa ainda facultativo.

    Em qualquer caso, por ser mais completo, recomendvel que se utilize do esquema da pea incoativa previsto pelo Cdigo de Processo Civil, para evitar a declarao de inpcia da exordial.

    Nesse sentido:INPCIA DA INICIAL. IMPOSSIBILIDADE JURDICA DO PEDIDO. As hipteses de inpcia, no direito brasileiro, esto circunscritas quelas de que cuida o art. 295, pargrafo

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 393

    nico, do CPC, de subsidiria aplicabilidade ao processo do trabalho. No caso dos autos, no so identificadas as situaes hbeis gnese do vcio tcnico (grifou-se).8

    No PJe, ainda que o autor no informe o valor da causa na petio inicial, necessariamente ter que assim proceder quando do preenchimento dos campos obrigatrios do formulrio de cadastro para ajuizamento de reclamao trabalhista.

    5. REQUISITOS DA PETIO INICIAL

    Como dito, os requisitos da petio inicial encontram-se inseridos no art. 840, 1, da CLT e art. 319 do novo CPC.

    Todavia, se o meio de tramitao utilizado for o PJe-JT alguns desses requisitos tornam--se desnecessrios. Isso ocorre porque o referido sistema de processamento eletrnico de atos processuais exige, da parte ou do advogado, que se faa um cadastro prvio que contm vrias informaes sobre os litigantes e sobre a natureza da demanda.

    A seguir sero analisados cada requisito da petio inicial e sua aplicabilidade ao processo eletrnico.

    5.1. Destinatrio da petio inicial

    A petio inicial dirigida ao juiz e no ao reclamado. Dessa forma, essa pea processual deve indicar o juzo, pelo ttulo e no pelo nome do magistrado, a quem caber process-la e julg-la.

    Segundo determina o 1, art. 840, da Consolidao das Leis do Trabalho, a petio inicial deve conter: designao do presidente da Junta, ou do Juiz de Direito, a quem for dirigida, logo no cabealho da primeira pgina.

    Observe-se que a redao do dispositivo citado ainda faz referncia Junta de Conciliao e Julgamento, antigo rgo judicial de primeira instncia, composto pelo juiz Presidente togado e de dois juzes Classistas, um representante dos empregados e outro dos empregadores.

    Deve-se observar, portanto, as regras de competncia em razo do lugar, definidas pelo art. 651 da Consolidao das Leis do Trabalho, e em razo da matria, conforme preceito contido no art. 114 da Constituio Federal de 1988.

    Nas localidades onde houver mais de uma Vara do Trabalho, deve-se apresentar a petio inicial fsica no setor de distribuio e reservar um espao, no interior do seu corpo, para que o servidor insira o nmero de ordem da unidade judiciria para a qual a reclamao trabalhista foi distribuda.

    Atente-se para o fato de que a competncia em razo do lugar relativa e que a proposi-tura da ao, por meio da petio inicial, em localidade diversa da prestao de servio, no constitui hiptese de nulidade. Nesse caso, pode haver uma prorrogao de competncia.

    8. TST. AIRR 89900-26.2008.5.02.0036. 3 T. Rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereirra. DEJT 02.12.2011..

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior394

    No PJe-JT no necessrio inserir na petio inicial a identificao do juzo ao qual se destina, uma vez que essa tarefa j feita previamente com o preenchimento do campo obrigatrio denominado Jurisdio, na aba denominada Dados iniciais.

    ATENO! No processo do trabalho de autos fsicos, em regra, o juiz tem contato com a petio inicial apenas em audincia. nessa oportunidade que deve realizar o juzo de admissibilidade e determinar, quando for o caso, a emenda pea vestibular se a hiptese for de vcios sanveis.

    5.2. Qualificao das partes

    A identificao, qualificao e individualizao das partes devem ser feitas de forma mais completa possvel, com designao de nome, prenome, estado civil, profisso, domiclio, CPF/CNPJ, e-mail etc.

    Para efeito de formao de banco de dados, bem como para facilitar a execuo das sentenas, resolues internas dos Tribunais Regionais do Trabalho exigem que seja informada a data de nascimento do empregado, o CPF, o PIS, e o nmero de srie de sua CTPS, alm do CNPJ ou CPF do empregador. Inclusive, o novo CPC incorporou essa exigncia em seu art. 319, II, que tambm menciona a necessidade de informar o endereo eletrnico das partes.

    Se a parte incapaz, o seu representante ou assistente legal, tambm, dever ser quali-ficado.

    Qualquer alterao no endereo dos litigantes deve ser imediatamente informada, por petio, conforme previso contida nos arts. 106, II9 e 274, pargrafo nico10 do novo CPC; e no art. 852-B, 2, da CLT,11 sob pena de reputarem-se vlidas as intimaes enviadas, em carta registrada, para o endereo constante dos autos.

    Em face do informalismo, que dirige o processo do trabalho, no se exige, com preciso, a razo social ou o nome e prenome completo do empregador/reclamado, tendo em vista que, em muitos casos e por vrios motivos, o operrio no tem o completo conhecimento dessas informaes. Alie-se a isso o fato de o empregador ser a empresa e no a pessoa fsica ou jurdica que a controla.

    Assim, admite-se a utilizao do nome de fantasia, alcunhas ou qualquer outra identifi-cao, pela qual o empregador torna-se conhecido perante a comunidade onde se estabelece.

    9. Novo CPC. Art. 106. Quando postular em causa prpria, incumbe ao advogado: II comunicar ao juzo qualquer mudana de endereo.

    10. Novo CPC. Art. 274. Pargrafo nico. Presumem-se vlidas as intimaes dirigidas ao endereo constante dos autos, ainda que no recebidas pessoalmente pelo interessado, se a modificao temporria ou definitiva no tiver sido devidamente comunicada ao juzo, fluindo os prazos a partir da juntada aos autos do comprovante de entrega da correspondncia no primitivo endereo.

    11. CLT. Art. 852-B. 2. As partes e advogados comunicaro ao juzo as mudanas de endereo ocorridas no curso do processo, reputando-se eficazes as intimaes enviadas ao local anteriormente indicado, na ausncia de comunicao.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 395

    De qualquer forma, com o comparecimento do empregador audincia, necessrio retificar e completar a sua denominao e qualificao, para evitar possveis problemas quando da execuo da sentena.

    A Consolidao dos Provimentos da Corregedoria Geral da Justia do Trabalho tambm disciplina essa questo, por meio dos seus artigos 32 e 33:

    Art. 32. O juiz zelar pela precisa identificao das partes no processo, a fim de propiciar o cumprimento das obrigaes fiscais e previdencirias, o levantamento dos depsitos de FGTS, o bloqueio eletrnico de numerrio em instituies financeiras e o preenchimento da guia de depsito judicial trabalhista.

    Art. 33. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso justia, o juiz do trabalho deter-minar s partes a apresentao das seguintes informaes: a) no caso de pessoa fsica, o nmero da CTPS, RG e rgo expedidor, CPF e PIS/PASEP ou NIT (Nmero de Inscrio do Trabalhador); b) no caso de pessoa jurdica, o nmero do CNPJ e do CEI (Cadastro Especfico do INSS), bem como cpia do contrato social ou da ltima alterao feita no contrato original, constando o nmero do CPF do(s) proprietrio(s) e do(s) scio(s) da empresa demandada. Pargrafo nico. No sendo possvel obter das partes o nmero do PIS/PASEP ou do NIT, no caso de trabalhador, e o nmero da matrcula no Cadastro Especfico do INSS CEI, relativamente ao empregador pessoa fsica, o juiz determinar parte que fornea o nmero da CTPS, a data de seu nascimento e o nome da genitora.

    No PJe-JT, a Lei n 11.419/06, obriga a parte informar o nmero do seu cadastro de pessoa fsica (CPF) ou jurdica (CNPJ), que consta do banco de dados da Receita Federal, salvo na hiptese de impossibilidade que comprometa o acesso justia, representada pelo fato do reclamante no possuir inscrio no referido cadastro.12

    Note-se que no sistema de processo eletrnico tambm dispensvel a identificao das partes e de suas respectivas qualificaes, na petio inicial, uma vez que tais informaes so obrigatrias quando o preenchimento da aba Partes.

    Inclusive o sistema faz a validao do CPF ou do CNPJ junto ao banco de dados da Receita Federal do Brasil. De igual forma, com a insero do nmero do CEP, o sistema resgata as informaes contidas na Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos e insere, automaticamente, o endereo respectivo.

    Se for constatada divergncia entre as informaes contidas na inicial e aquelas constantes do cadastro do PJe, prevalece este ltimo.

    5.3. Fatos e fundamentos jurdicos do pedido

    A) Fatos

    A Consolidao das Leis do Trabalho exige que conste da inicial apenas uma breve descrio dos fatos que deram ensejo ao conflito de interesses.

    12. Lei n 11.419/06. Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso justia, a parte dever informar, ao distribuir a petio inicial de qualquer ao judicial, o nmero no cadastro de pessoas fsicas ou jurdicas, con-forme o caso, perante a Secretaria da Receita Federal.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior396

    A exposio dos fatos deve ser sucinta, porm completa, de forma que possibilite ao juiz do trabalho inteirar-se do conflito de interesses que lhe exposto, de acordo com a regra do brocardo jurdico da mihi factum, dabo tibi ius, ou seja, exponha o fato e direi o direito.

    A importncia da correta narrao dos fatos reala-se, pois, se forem impugnados, serviro de base para a apurao dos meios de provas que sero produzidos durante a instruo processual. Pequenos deslizes podem implicar, por exemplo, contradio entre o que consta na petio inicial e a inquirio de alguma testemunha.

    B) Fundamentos jurdicos

    Como fundamento jurdico do pedido, entende-se o ato ou fato jurdico que ameaa ou vulnera direito subjetivo de outrem, que integra a pretenso deduzida em juzo, tambm denominada de causa de pedir ou causa petendi. Por intermdio do fundamento jurdico do pedido que se explica ao juiz o porqu do requerimento, alm de possibilitar que o reclamado construa a sua defesa.

    No caso do Direito do Trabalho, o fundamento jurdico do pedido decorre, primeiro, da existncia de uma relao de emprego, classificado como causa remota. J a causa prxima da pretenso representada pelo inadimplemento contratual por parte do empregado ou do empregador, ou, como entendem alguns autores, do descumprimento de obrigaes legais (lei, instrumentos normativos negociados, sentena normativa etc.) que fixam um contedo mnimo para o pacto laboral.

    Imagine-se que o reclamante ingresse com uma ao trabalhista, para postular o paga-mento de 13 salrio. O fundamento jurdico dessa pretenso , primeiro, a existncia do contrato de trabalho e, depois, a alegao expressa de inadimplemento do empregador em relao parcela acima mencionada.

    Como a praxe do processo do trabalho a cumulao de pedidos, para cada requerimento dever haver um fundamento jurdico respectivo.

    H casos, entretanto, em que um nico fundamento serve de base para o pleito de diversas verbas salariais. Por exemplo, a alegao de despedida sem justa causa cumulada com a ausncia de quitao das parcelas rescisrias, autoriza a condenao da empresa no pagamento de: frias proporcionais acrescidas de 1/3; 13 salrio proporcional; liberao das guias do FGTS etc.

    Observe-se que dispensvel a citao ou transcrio de dispositivo legal na petio inicial, diante da incidncia da regra iura novit cura, uma vez que essa alegao no pode ser considerada como fundamento jurdico do pedido.

    Tal procedimento s seria justificado para facilitar a atuao do magistrado e, ainda assim, quando a norma legal invocada for de pouca utilizao prtica.

    Todavia, se o reclamante expe os fatos, os fundamentos jurdicos do pedido e ainda acrescenta petio inicial indicativo do dispositivo legal violado, mas que no se adequa ao caso concreto, o juiz pode modific-lo e informar qual entende ser correto.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 397

    O processo do trabalho migra, progressivamente, para o formalismo estabelecido no processo civil. Por conta disso recomendvel que a petio inicial contenha o fundamento jurdico do pedido, apesar da omisso da norma consolidada nesse particular, principalmente quando a parte no estiver no exerccio do ius postulandi.

    O novo CPC, tal qual o anterior, filiou-se, quanto causa de pedir, teoria da substan-ciao, em oposio teoria da individualizao.

    Pela teoria da substanciao, necessrio que se exponha a causa prxima (funda-mento jurdico do pedido) e a causa remota (fato) para que seja formulada uma petio inicial vlida. Pela teoria da individualizao a causa remota dispensada, sendo exigida apenas a causa prxima.

    No processo do trabalho, a CLT determina que conste na petio inicial apenas uma breve narrativa dos fatos, sob a influncia do ius postulandi que ainda prevalece, em regra, nesse ramo do direito processual.

    Conclui-se, portanto, que a CLT no se filiou teoria da substanciao ou da indi-vidualizao, se feita uma interpretao estritamente literal dos dispositivos legais que tratam da matria.

    Contudo, diante da necessidade de aplicao de diversos institutos processuais como a coisa julgada, litispendncia etc., no se vislumbra a possibilidade de uma inicial trabalhista vlida sem a presena, pelo menos, da causa prxima. Como j existe a referncia expressa aos fatos, no dispositivo legal celetista, possvel argumentar que a teoria adotada foi a da substanciao, quando utilizada a interpretao sistemtica.

    A doutrina processual trabalhista majoritria tambm entende dessa forma (Mauro Schiavi, Marcelo Moura e Bezerra Leite):

    A nosso ver, ainda que no se exijam os rigorismos do CPC, preciso ao menos que haja alguns elementos que tornem possvel o exerccio das garantias constitucionais consubstan-ciadas nos princpios do devido processo legal e da ampla defesa, essenciais ao Estado Demo-crtico de Direito. [...] A petio inicial da ao trabalhista individual, portanto, deve conter os fundamentos fticos e jurdicos. No h necessidade de indicao do fundamento legal. 13

    C) Declarao de inconstitucionalidade

    No Brasil, os rgos do Poder Judicirio exercem tanto o controle concentrado quanto o controle difuso da constitucionalidade das normas infraconstitucionais.

    Desse modo, a fundamentao do reclamante pode atingir, tambm, a prpria validade da lei, desde que ofenda as regras ou princpios constantes da Carta Magna. Isso porque qualquer juiz pode se manifestar sobre essa questo, em cada caso concreto e sem efeito erga omnes, uma vez que o controle in abstracto ficou reservado para o STF.

    Diversos temas de Direito do trabalho foram objeto de discusso acerca da constituciona-lidade dos seus dispositivos legais, como a aposentadoria espontnea como forma de extino

    13. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 8 ed. So Paulo: Ltr, 2010. p. 442.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior398

    do pacto laboral (art. 453, 1 e 2, da CLT declarados inconstitucionais pelo STF, por meio das ADIs ns1.770-4 e 1.721-3); art. 1-B da Lei n 9.494/97, que elasteceu o prazo previsto no art. 884 da CLT para a Fazenda Pblica apresentar embargos a execuo;14 art. 1-F, da Lei n 9.494/97 (acrescentado pela MP n 2.180-35/01), que reduziu o juros de mora da Fazenda Pblica para seis por cento ao ano (declarado constitucional pelo STF, no julgamento do recurso extraordinrio n 453740); etc.

    Quando da apreciao do pedido formulado na inicial, de declarao de inconstitu-cionalidade, em nvel de Tribunal, necessrio observar a regra da reserva de plenrio, conforme disposio contida no art. 97 da CF/88 e entendimento constante da Smula Vinculante n 10 do STF:

    CF/88. Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo rgo especial podero os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Pblico.

    STF. SV n 10. Viola a clusula de reserva de plenrio (CF, artigo 97) a deciso de rgo fracionado de tribunal que, embora no declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder pblico, afasta sua incidncia, no todo ou em parte.

    5.4. Pedido

    A) Conceito

    O pedido a solicitao que o autor da demanda faz no sentido de provocar a atuao do Poder Judicirio (pedido imediato). De forma mediata, traduz o requerimento do autor para que seja mantida a orientao contida na norma de Direito material inobservada por quem provocou o conflito de interesses.

    Constitui o requerimento do reclamante da ao trabalhista para que o juiz exera a sua atividade jurisdicional e faa retornar as partes ao status quo ante. Em caso de impossibili-dade, o requerimento no sentido de que seja imposta uma indenizao compensatria ou reparatria ao ru.

    O pedido requisito necessrio para a validade da petio inicial, assim estabelecido pelo art. 319, IV, do novo CPC e art. 840, 1, da CLT.

    Reveste-se de especial relevncia a questo referente ao pedido, uma vez que seus contornos servem de limites para atuao do magistrado. Isso porque a tutela jurisdicional no pode ser prestada aqum, alm ou fora do que se postulou (princpio da congruncia ou da correlao).

    Pela regra do novo CPC, o pedido deve ser interpretado segundo o princpio da boa-f e sempre com observncia do conjunto da postulao, na forma prevista pelo art. 322, 2: A interpretao do pedido considerar o conjunto da postulao e observar o princpio da boa-f.

    14. O TST, em sua composio plena, no julgamento do Incidente de Uniformizao de Jurisprudncia suscitado no Processo n TST-RR-70/1992-011-04-00.7, em 4.8.2005, declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 399

    Dessa forma, se o reclamante pleiteia a condenao do reclamado no pagamento das horas extras, vedado ao juiz sentenciar no sentido de, por exemplo, determinar a integrao dessa verba ao salrio para efeito de produzir reflexos e diferenas em outras parcelas, como dcimo terceiro salrio, FGTS, frias etc.

    Para que isso ocorra, h necessidade de pedido expresso no sentido de requerer a integrao ao salrio e a consequente condenao no pagamento das diferenas respectivas.

    B) Espcies

    O pedido pode ser de natureza mediata ou imediata. O pedido mediato representa o bem da vida perseguido pelo autor da ao. Deriva, logicamente, da vulnerao ou ameaa de vulnerao do seu direito subjetivo.

    Em uma reclamao trabalhista, o pedido mediato representa, por exemplo, a condenao do reclamado no pagamento ao equivalente monetrio das verbas de salrios, diferena de salrios, abonos, gratificaes, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, prmios, 13 salrio, frias indenizadas acrescidas de 1/3, saldo de salrio, aviso prvio indenizado, multa de 40% sobre os depsitos fundirios, horas extras etc.

    J o pedido imediato diz respeito atividade judicial solicitada pela parte, que pode ser de carter declaratrio, condenatrio, constitutivo, mandamental e executivo lato sensu.

    C) Pedido certo e determinado

    O pedido deve ser certo. Veda-se a possibilidade de pedidos genricos, salvo algumas excees expressamente previstas em lei, que permitem pedidos de carter determinvel.15

    O pedido certo e determinado aquele que se encontra definido quanto sua quan-tidade e qualidade, de forma a no deixar dvida quanto ao montante e a natureza da pretenso do reclamante, justamente para delimitar a atuao do juiz e permitir a formao da res in iudicio deducta.

    So considerados como pedidos certos e determinados: a fixao do perodo de gozo de frias de trinta dias, o pagamento do 13 salrio, no valor de um salrio mnimo, a liberao das guias do FGTS e do seguro-desemprego etc.

    Imagine-se a situao em que um empregado despedido sem justa causa e sem aviso prvio e ele ingressa com uma reclamao trabalhista na qual postula a condenao da empresa ao pagamento de todas as verbas rescisrias. Trata-se, portanto, de um pedido genrico, defeso pela lei processual.

    Quanto aos pedidos considerados genricos, mas determinveis, pode-se citar o seguinte exemplo muito comum no processo do trabalho: se o empregado trabalha em um meio

    15. Novo CPC. Art. 324. O pedido deve ser determinado. 1 lcito, porm, formular pedido genrico: I nas aes universais, se o autor no puder individuar os bens demandados; II quando no for possvel determinar, desde logo, as consequncias do ato ou do fato; III quando a determinao do objeto ou do valor da condenao depender de ato que deva ser praticado pelo ru. 2 O disposto neste artigo aplica-se reconveno.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior400

    ambiente insalubre, o pedido de adicional de insalubridade pode deixar de apontar o percen-tual respectivo (10%, 20% ou 40%), pois somente aps a realizao da percia possvel iden-tificar o grau de insalubridade, se mnimo, mdio ou mximo. Assim, a sentena respectiva definir o percentual do adicional de insalubridade, em caso de procedncia do pedido, ou remeter esse procedimento para a fase de liquidao.

    Pode acontecer, de igual forma, de o empregado trabalhar em jornada extraordinria e registrar o seu horrio em cartes de ponto. A ausncia do pagamento dessa verba funda-menta o pedido genrico, mas determinvel, de horas extras. Entretanto, a sua quantidade e o seu valor respectivo s sero conhecidos quando a empresa for acionada e juntar aos autos os mencionados controles de frequncia.

    Por fim, se a reclamao trabalhista estiver submetida ao rito sumarssimo, os pedidos devem vir acompanhados dos valores respectivos (art. 852-B, I, da CLT),16 sob pena de extino do processo sem a resoluo do mrito e consequente arquivamento.

    D) Pedido alternativo

    O negcio jurdico pode prever que a obrigao seja cumprida por modos distintos. Denomina-se, nesse caso especifico, de obrigaes alternativas, cujo disciplinamento encontra--se no art. 252 e seguintes do Cdigo Civil.17

    Na legislao trabalhista, identificam-se poucas obrigaes de natureza alternativa, tanto para o empregador quanto para o empregado. o caso, por exemplo, do fornecimento de vale-transporte ou de conduo prpria para o deslocamento dos empregados da sua residncia para o local de trabalho; fornecimento de ticket-refeio ou da prpria alimentao in natura, e outras previstas em acordo ou conveno coletiva de trabalho.18

    Em tais situaes, o reclamante fica autorizado a fazer um pedido alternativo, ou mais tecnicamente, um pedido com possibilidade de duas ou mais formas de cumprimento. Nesse caso, o juiz deve assegurar ao devedor, se a lei e o contrato forem omissos, o direito de esco-lher o modo de adimplemento da obrigao alternativa, mesmo que no tenha constado na petio inicial (art. 325 do novo CPC). 19

    Ressalte-se que a possibilidade de reintegrao do empregado estvel despedido pelo empregador, sem a devida apurao feita por meio do inqurito judicial, constitui faculdade do juiz e no do autor da reclamao trabalhista. Por conta disso, no pode ser classificada como uma obrigao alternativa.

    16. CLT. Art. 852-B. Nas reclamaes enquadradas no procedimento sumarssimo: I o pedido dever ser certo ou determinado e indicar o valor correspondente.

    17. Cdigo Civil. Art. 252. Nas obrigaes alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa no se estipulou.18. OBRIGAO ALTERNATIVA Ante a existncia de obrigao alternativa prevista em norma coletiva, ou seja, em

    havendo duas prestaes com objetos distintos (pagamento do vale-cesta ou o fornecimento da cesta bsica in natura), o cumprimento de uma delas exonera o devedor, ante a prerrogativa que lhe assegurada, sob pena de bis in idem. (TRT 2 R. RO 00101. (20040684800). 4 T. Rel. p/o Ac. Juiz Paulo Augusto Cmara. DOESP 10.12.2004).

    19. Novo CPC. Art. 325. O pedido ser alternativo quando, pela natureza da obrigao, o devedor puder cumprir a prestao de mais de um modo. Pargrafo nico. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz lhe assegurar o direito de cumprir a prestao de um ou de outro modo, ainda que o autor no tenha formulado pedido alternativo.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 401

    E) Cumulao subsidiria de pedidos

    A lei processual civil tambm permite que o reclamante faa dois ou mais pedidos, cada um com o seu fundamento, subsidiariamente, de forma que o juiz possa conhecer do subsequente, na hiptese de no acolhimento da pretenso relativa ao pedido antecedente.

    No h que se confundir entre pedido alternativo e pedido subsidirio ou sucessivo, uma vez que o primeiro est relacionado com a natureza da obrigao de direito material enquanto que o segundo diz respeito s regras de direito processual.

    Para a doutrina, pedido sucessivo, que enseja a cumulao sucessiva, aquele apreciado aps o acolhimento de outro que lhe prejudicial e que lhe antecede.

    O novo CPC j contempla expressamente essa espcie de pedido em seu art. 326, caput: lcito formular mais de um pedido em ordem subsidiria, a fim de que o juiz conhea do posterior, quando no acolher o anterior.

    Assim, por exemplo, em uma reclamao, o trabalhador pode pleitear a sua reintegrao, alegando ser portador de alguma espcie de estabilidade, e, caso esta no seja reconhecida em juzo, subsidiariamente, a condenao da empresa no pagamento das parcelas rescisrias.

    Em caso de reconhecimento da pretenso do reclamante em relao ao primeiro pleito, os demais perdem o objeto, em face do seu carter subsidirio, sem que com isso se configure julgamento citra petita.

    O quadro a seguir revela as diferenas existentes entre os pedidos alternativo, sucessivo e subsidirio:

    Espcie Regra

    Alternativo Quando a obrigao estabelecida no contrato ou imposta pela lei possa ser cumprida por mais de um modo.

    Sucessivo S se aprecia o pedido subsequente (sucessivo) se o antecedente (prejudicial) for acolhido pelo juiz.

    Cumulao subsidiria

    O pedido subsequente s apreciado se o antecedente no for acolhido pelo juiz. Nesse caso, apenas um pedido deferido, o antecedente ou o subsequente.

    F) Pedido cominatrio

    Quando o reclamante ou o reclamado requerer que a parte contrria seja compelida a cumprir uma obrigao de fazer, de no fazer ou de entregar coisa diversa de dinheiro,20 poder postular, tambm, que o juiz imponha uma multa pelo no cumprimento da sentena respectiva.

    No novo CPC a matria no tratada no captulo referente ao pedido, mas sim naquele que trata dos poderes e deveres do juiz, mais precisamente no inciso IV, art. 139 e na parte que trata do cumprimento das prestaes de fazer, no fazer e entregar coisa (art. 500):

    Art. 139. O juiz dirigir o processo conforme as disposies deste Cdigo, incumbindo-lhe: IV determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatrias

    20. STF. Smula n 500. No cabe a ao cominatria para compelir-se o ru a cumprir obrigao de dar.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior402

    necessrias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas aes que tenham por objeto prestao pecuniria.

    Art. 500. A indenizao por perdas e danos dar-se- sem prejuzo da multa fixada periodi-camente para compelir o ru ao cumprimento especfico da obrigao.

    As sentenas proferidas em tais condies tm carga predominantemente mandamental ou executiva lato sensu, pois dispensam o processo autnomo de execuo, necessrio no processo laboral, mesmo com a edio da Lei n 11.232/2005.

    G) Cumulao de pedidos

    Por intermdio da cumulao objetiva, facultado ao reclamante, em uma mesma recla-mao trabalhista, inserir diversas postulaes em face de um mesmo reclamado (art. 327 do novo CPC).

    Contudo devem ser atendidas as exigncias legais previstas no art. 327, 1, do novo CPC, quais sejam: compatibilidade de pedidos; juzo competente e possibilidade de adotar-se mesmo procedimento para todos. Essa espcie de cumulao denominada de cumulao prpria e simples.

    A principal caracterstica dessa espcie de cumulao a autonomia de cada postulao.

    Por conta disso, possvel ajuizar uma reclamao trabalhista para cada pretenso cumu-lada, uma vez que a lei no veda esse procedimento.

    Quanto compatibilidade, no se pode, por exemplo, postular simultaneamente a rein-tegrao ao servio e o pagamento da indenizao de antiguidade ou de parcelas rescisrias.

    Por exemplo, um servidor pblico submetido ao regime celetista, posteriormente trans-formado em estatutrio, no pode ajuizar uma reclamao trabalhista para postular direitos derivados dos dois regimes sucessivos. Isso porque a competncia da Justia do Trabalho limita-se s hipteses em que o Ente federado adota o regime de trabalho regulado pela CLT.

    Antes de proceder cumulao de pedidos, o reclamante deve observar se o juiz competente para apreciar e julgar todos eles. Imagine-se que o empregado ingresse com uma ao na Justia do Trabalho e requeira a concesso de reajuste de benefcio previdencirio por doena, concomitantemente com o pleito de condenao da empresa a pagar indenizao por danos morais em razo dessa mesma molstia. Nesse caso, somente a Justia Federal seria competente, em razo da matria, para julgar o primeiro pedido.

    Como a espcie de procedimento no processo laboral, se ordinrio ou sumarssimo, definida pelo valor atribudo causa, no h dificuldade para que se proceda cumulao de pedidos em relao a esse requisito.

    O fundamento jurdico dos pedidos pode ser nico ou plural. Assim, por exemplo, se o empregado alega que foi despedido injustamente e nada recebeu do empregador a ttulo de verbas rescisrias, pode postular, com esse nico fundamento: a condenao do reclamado no pagamento de aviso prvio indenizado, frias proporcionais acrescidas de 1/3, dcimo terceiro proporcional, liberao do FGTS e das guias do seguro-desemprego etc.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 403

    Entretanto, esse mesmo fundamento no serviria para requerer a condenao da parte r no pagamento de horas extraordinrias, j que a sua causa petendi seria o labor em jornada extraordinria sem a respectiva quitao.

    Saliente-se que, no processo do trabalho, ao contrrio do que acontece no processo civil, a cumulao de pedidos quase que uma regra. Isso porque, geralmente, o trabalhador ajuza a reclamao trabalhista somente quando j est desempregado, quando j se acumulam vrias irregularidades havidas durante todo o pacto laboral. Cada irregularidade dessas se transformam em pedidos autnomos e cumulveis.

    Deve ser ressaltado que em eventual arquivamento, a interrupo da prescrio somente se opera em relao aos pedidos cumulados que constaram na petio inicial, nos termos do entendimento do TST consolidado por meio da Smula n 268:

    SMULA N 268. PRESCRIO. INTERRUPO. AO TRABALHISTA ARQUI-VADA (nova redao) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. A ao trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrio somente em relao aos pedidos idnticos (grifou-se).

    H) Pedidos implcitos

    Determinada categoria de pedidos so considerados como implcitos. Nesse passo, o juiz pode apreci-los, mesmo quando o reclamante no formule a sua pretenso de forma expressa.

    So exemplos clssicos dessas espcies de pedidos os honorrios advocatcios;21 os juros de mora (art. 322, 1 do novo CPC);22 o recolhimento do imposto de renda e da contribuio previdenciria sobre as verbas de natureza salarial; a prescrio; a multa diria (astreintes); a correo monetria e as verbas de sucumbncia (art. 322, 1, do novo CPC); etc.

    De forma particular, admite-se que o juiz do trabalho manifeste-se na sentena, mesmo sem pedido, quando se tratar de: aplicao da multa prevista no art. 467 da CLT;23 indeni-zao decorrente da converso de pedido de reintegrao; etc.

    As prestaes peridicas tambm podem ser consideradas como pedido implcito, conforme preceitua o art. 323 do novo CPC:

    Art. 323. Na ao que tiver por objeto cumprimento de obrigao em prestaes sucessivas, essas sero consideradas includas no pedido, independentemente de declarao expressa do autor, e sero includas na condenao, enquanto durar a obrigao, se o devedor, no curso do processo, deixar de pag-las ou de consign-las.

    Essas espcies de prestaes so facilmente encontradas no contrato de trabalho, uma vez que as obrigaes referentes prestao de servio e ao pagamento de salrio esto em constante renovao, pois derivam do carter de trato sucessivo dessa espcie de negcio jurdico.

    21. No processo do trabalho dever ser observados os requisitos legais para o deferimento dos honorrios advocat-cios, que no decorrem da simples sucumbncia.

    22. Novo CPC. Art. 322. 1 Compreendem-se no principal os juros legais, a correo monetria e as verbas de sucumbncia, inclusive os honorrios advocatcios.

    23. CLT. Art. 467. Em caso de resciso de contrato de trabalho, havendo controvrsia sobre o montante das verbas rescisrias, o empregador obrigado a pagar ao trabalhador, data do comparecimento Justia do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pag-las acrescidas de cinquenta por cento.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior404

    Desse modo, se um empregado ajuza uma ao trabalhista durante a execuo do contrato de trabalho e, no curso do processo, vencem-se as obrigaes peridicas do empre-gador, tais verbas so consideradas como expressamente postuladas em caso de inadimplemento.

    possvel, inclusive, que sejam includas verbas vincendas, ou seja, aquelas que se vencero aps o trnsito em julgado da deciso. O reclamante pode utilizar o mesmo procedimento para iniciar a execuo das aludidas verbas vincendas, desde que o reclamado deixe de cumprir a obrigao no prazo estipulado.

    5.5. Valor da causa

    Nas causas em que o reclamante pretenda ver recomposto o seu patrimnio econmico, em face de uma leso ao seu direito subjetivo, o valor da causa deve refletir o prejuzo mone-trio sofrido pelo titular da pretenso respectiva.

    Contudo, mesmo que a causa no possua um contedo econmico, necessrio arbitrar--lhe um valor, principalmente para efeito de definio do rito processual, para o recolhimento de custas e para fixao de honorrios advocatcios, quando cabveis.24

    Pela redao do art. 840, 1, da Consolidao das Leis do Trabalho, conclui-se pela no exigncia, na inicial, da indicao do valor da causa. Entretanto, alguns autores consideram que, depois da introduo do rito sumarssimo no processo do trabalho, tornou-se obrigatria definio do valor da causa para que se determine o rito a ser seguido.

    No processo do trabalho, quando a inicial omissa,25 o prprio juiz, antes de iniciar a instruo, deve arbitrar o valor da causa para efeito de alada, por meio do procedimento disciplinado pela Lei n 5.584/70.

    Quando o valor atribudo causa inferior a dois salrios mnimos, o que muito raro de acontecer na prtica forense, o processo tramita exclusivamente na Vara do Trabalho. Nesse caso, a sentena proferida irrecorrvel, salvo se contrariar dispositivo constitucional.

    Sobre a competncia exclusiva do rgo de primeira instncia da Justia do Trabalho, tambm denominada de alada, posiciona-se o TST por intermdio da sua Smula n 71: A alada fixada pelo valor dado causa na data de seu ajuizamento, desde que no impugnado, sendo inaltervel no curso do processo.

    24. CTL. Art. 789. Nos dissdios individuais e nos dissdios coletivos do trabalho, nas aes e procedimentos de com-petncia da Justia do Trabalho, bem como nas demandas propostas perante a Justia Estadual, no exerccio da jurisdio trabalhista, as custas relativas ao processo de conhecimento incidiro base de 2% (dois por cento), observado o mnimo de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e sero calculadas: I quando houver acordo ou condenao, sobre o respectivo valor; II quando houver extino do processo, sem julgamento do mrito, ou julgado totalmente improcedente o pedido, sobre o valor da causa; III no caso de procedncia do pedido formulado em ao declaratria e em ao constitutiva, sobre o valor da causa. Art. 852-B. 1 O no atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e II deste artigo importar no arquivamento da reclama-o e condenao ao pagamento de custas sobre o valor da causa. (grifou-se).

    25. TST. SDI-2. OJ n 155. AO RESCISRIA E MANDADO DE SEGURANA. VALOR ATRIBUDO CAUSA NA INICIAL. MAJORAO DE OFCIO. INVIABILIDADE. (DEJT divulgado em 09, 10 e 11.06.2010). Atribudo o valor da casa na inicial da ao rescisria ou do mandado de segurana e no havendo impugnao, nos termos do art. 261 do CPC, defeso ao Juzo major-lo de ofcio, ante a ausncia de amparo legal. Inaplicvel, na hiptese, a Orientao Jurisprudencial da SBDI-2 n 147 e o art. 2, II, da Instruo Normativa n 31 do TST.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 405

    Isso quer dizer que o critrio definidor da competncia privativa da Vara do Trabalho o valor da causa que consta da petio inicial ou, em caso de omisso, aquele fixado pelo juiz, transformados em nmeros de salrios-mnimos na data do ajuizamento ou no dia da audincia, conforme o caso.26

    O art. 292 do novo CPC estabelece ainda algumas regras para fixao do valor da causa:Art. 292. O valor da causa constar da petio inicial ou da reconveno e ser:

    I na ao de cobrana de dvida, a soma monetariamente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras penalidades, se houver, at a data de propositura da ao;

    II na ao que tiver por objeto a existncia, a validade, o cumprimento, a modificao, a resoluo, a resilio ou a resciso de ato jurdico, o valor do ato ou o de sua parte contro-vertida;

    III na ao de alimentos, a soma de 12 (doze) prestaes mensais pedidas pelo autor;

    IV na ao de diviso, de demarcao e de reivindicao, o valor de avaliao da rea ou do bem objeto do pedido;

    V na ao indenizatria, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido;

    VI na ao em que h cumulao de pedidos, a quantia correspondente soma dos valores de todos eles;

    VII na ao em que os pedidos so alternativos, o de maior valor;

    VIII na ao em que houver pedido subsidirio, o valor do pedido principal.

    No PJe-JT a insero do valor da causa no corpo da petio inicial desnecessria. Isso porque essa informao deve ser fornecida pelo autor, quando do preenchimento do cadastro de processo, na aba denominada Caractersticas, no campo obrigatrio Valor da causa.

    Sobre a obrigatoriedade da determinao do valor da causa nos dissdios individuais do trabalho, manifesta-se a doutrina:

    Quadro Doutrinrio Valor da causa na petio inicial

    Posicionamento Doutrinadores Exemplo

    Obrigatrio

    Renato Saraiva, Mauro Schiavi,

    Rodrigues Pinto, Sergio Pinto e

    Marcelo Moura

    A lei que instituiu o rito sumarssimo (9.957, de 12.1.2000) no previu expressamente que a parte deveria dar valor causa, na petio inicial, mas exigiu que fosse indicado o valor correspondente do pedido (CLT, art. 852-B, I), sob pena de arquivamento do feito e condenao nas custas calculadas sobre o valor da causa, o que equivale a obrigar a parte, indiretamente, a fornecer o valor da causa (Wagner Giglio). *

    Obrigatrio s no rito sumarssimo

    Wagner Giglio, Bezerra Leite; e

    Jouberto Cavalcante e Francisco Neto

    De lege lata, o valor da causa requisito obrigatrio apenas para as causas sujeitas ao procedimento sumarssimo, por fora dos art. 852-A e 852-B, inciso I, pargrafo 1, da CLT (Carlos Henrique Bezerra Leite). **

    * GIGLIO, Wagner D.; CORREIA, Cludia Giglio Veltri. Direito processual do trabalho. 15 ed. rev. e atual. So Paulo: Saraiva: 2005. p. 175.** LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 8 ed. So Paulo: Ltr, 2010. p. 458

    26. TST. Smula n 356. ALADA RECURSAL. VINCULAO AO SALRIO MNIMO. O art. 2, 4, da Lei n 5.584, de 26.06.1970 foi recepcionado pela CF/1988, sendo lcita a fixao do valor da alada com base no salrio mnimo.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior406

    O juiz pode alterar de ofcio o valor atribudo causa quando verificar que no corresponde ao contedo patrimonial em discusso ou ao proveito econmico perseguido pelo autor, caso em que se proceder ao recolhimento das custas correspondentes (art. 292, 3 do novo CPC).

    Art. 292. 3 O juiz corrigir, de ofcio e por arbitramento, o valor da causa quando veri-ficar que no corresponde ao contedo patrimonial em discusso ou ao proveito econmico perseguido pelo autor, caso em que se proceder ao recolhimento das custas correspondentes.

    5.6. Provas

    Na petio inicial, o reclamante deve indicar quais os meios de prova pretende utilizar para demonstrar a veracidade dos argumentos narrados nessa pea processual.

    Esse requerimento pode se limitar ao simples protesto pela produo de provas pela espcie, sem necessidade de fazer referncia a determinada prova no caso concreto.

    Isso porque pode acontecer de no ser necessria a realizao de prova, por exemplo quando h confisso ficta do reclamado ou quando este, em sua defesa, no faz impugnao especfica aos fatos narrados pelo autor.

    Como foi analisado anteriormente, prevalece no processo do trabalho o princpio inqui-sitivo, que confere ao juiz maior poder de conduo do processo. Por conta disso, a omisso sobre os meios de provas na petio inicial da reclamao trabalhista, no inviabiliza a sua produo pelo reclamante, j que pode ser suprida por determinao do magistrado na busca pela verdade real.

    Isso possvel at mesmo no processo civil, conforme se observa da autorizao contida no art. 370 do novo CPC: Caber ao juiz, de ofcio ou a requerimento da parte, determinar as provas necessrias ao julgamento do mrito.

    5.7. A opo do autor pela realizao ou no de audincia de conciliao ou de mediao.

    No processo civil, exige-se que o autor informe ao juiz, se deseja ou no que seja realizada uma audincia de conciliao ou mediao.

    No h esse requisito para a regularidade da petio inicial trabalhista, mesmo porque logo que distribuda j automaticamente designada uma audincia, que ser conciliao, instruo e julgamento.

    Portanto, uma vez ajuizada a reclamao trabalhista, o prprio serventurio da Justia Laboral que providencia a notificao do reclamado, seja pela via postal, por edital ou por oficial de justia, enviando-lhe uma cpia da petio inicial (contraf).

    Caso seja utilizado o PJe-JT, a notificao inicial tambm expedida automaticamente, sem passar pelo crivo do juiz.

    Na notificao deve constar, expressamente, a cominao pelo no comparecimento, ou seja, a informao de que a ausncia do ru implicar revelia e confisso ficta em

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 407

    relao matria ftica em que pese inexistir previso legal dessa consequncia na norma consolidada (art. 841).27

    Esse o posicionamento do TST, explicitado pelo item I, da Smula n 74:

    SMULA N 74. CONFISSO. (INCORPORADA A ORIENTAO JURISPRUDEN-CIAL N 184 DA SDI-1). DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. I Aplica-se a pena de confisso parte que, expressamente intimada com aquela cominao, no comparecer audincia em prosseguimento, na qual deveria depor.

    Uma vez recebida a notificao inicial no endereo onde se encontra estabelecida a empresa,28 forma-se a angularizao processual, com o incio da demanda, j que o processo, em si, origina-se com o protocolamento da petio inicial, mas s se confirma com a presena do reclamante no dia designado para audincia.

    ATENO! Percebe-se, pois, que no h citao do reclamado na fase de conhecimento, mas sim notificao, por meio de sua remessa ao reclamado acompanhada de cpia da petio inicial. A comu-nicao no sentido de comparecer audincia de julgamento, que ser a primeira desimpedida, den-tro de cinco dias, consoante dispe o artigo 841 da CLT.

    5.8. Documentos que acompanham a inicial

    Os documentos, por intermdio dos quais o reclamante pretende demonstrar a veraci-dade dos argumentos alegados na inicial, devem acompanhar essa pea processual, conforme preceitua o art. 320 do novo CPC 29 e art. 787 da CLT: A reclamao escrita dever ser formulada em duas vias e desde logo acompanhada dos documentos em que se fundar.

    Entretanto, o mencionado dispositivo legal do CPC faz referncia somente aos docu-mentos indispensveis. Essa circunstncia gera interpretaes no sentido de ser permitida a juntada de outros documentos que no se revistam dessa caracterstica, assim representados por aqueles includos na categoria de teis.

    A jurisprudncia no pacifica em relao a essa questo, mesmo porque se pode recorrer ao disciplinamento contido no art. 434 do novo CPC, que no distingue entre as diversas espcies de documentos.30

    A doutrina no unnime nesse particular, mas minoritrio o posicionamento que admite a juntada de documentos aps a fase postulatria.

    27. CLT. Art. 841. Recebida e protocolada a reclamao, o escrivo ou chefe de secretaria, dentro de 48 horas, reme-ter a segunda via da petio, ou do termo, ao reclamado, notificando-o, ao mesmo tempo, para comparecer audincia de julgamento, que ser a primeira desimpedida, depois de cinco dias. (grifou-se).

    28. Adota-se esse posicionamento, uma vez que o empregador a empresa, ente despersonalizado. Contudo, quando o empregado ocupar o polo passivo da relao processual trabalhista, a notificao deve ser recebida por ele prprio para que produza efeitos jurdicos.

    29. Novo CPC. Art. 320. A petio inicial ser instruda com os documentos indispensveis propositura da ao.30. Novo CPC. Art. 434. Incumbe parte instruir a petio inicial ou a contestao com os documentos destinados a

    provar suas alegaes.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior408

    Quadro Doutrinrio Juntada de documentos enquanto no encerrada a instruo

    Posicionamento Doutrinadores Exemplo

    A favor Wagner Giglio

    Reformulando posio anterior, passamos a entender, como Moacyr Amaral Santos, que os documentos essenciais ou fundamentais da causa devero, em princpio, acompanhar a petio inicial e a resposta, mas no interesse da Justia, de desvendar a verdade, admitir-se- a juntada posterior, no apenas nas hipteses excepcionais mencionadas, mas sempre que haja razo plausvel e conveniente (Wagner Giglio). *

    Contra

    Renato Saraiva, Bezerra Leite, e

    Francisco Neto e Jouberto Cavalcante

    Em funo dos diplomas legais acima mencionados, podemos concluir que a prova documental deve ser apresentada pelo reclamante junta-mente da pea vestibular e pelo reclamado, em audincia, quando da apresentao da sua defesa (Renato Saraiva). **

    * GIGLIO, Wagner e CORREA, Cludia Giglio Veltri. Direito processual do trabalho. 15 ed. So Paulo: Saraiva, 2005. p. 234** SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. So Paulo: Mtodo, 2007. p 366.

    Por cautela, o reclamante deve reunir todos os documentos que possua e que comprovem a veracidade daquilo que foi narrado e anex-los petio inicial, salvo se estiverem em poder do reclamado. Nesse caso, o reclamante deve fazer o requerimento de exibio dos documentos pelo reclamado, desde que a sua guarda seja de natureza obrigatria, para que seja assim determinado pelo juiz.

    Quando o reclamante ajuza uma reclamao trabalhista sem colacionar o documento indispensvel a sua propositura, o juiz deve indeferir a petio inicial se intimado o autor no cumprir essa diligncia. Isso pode acontecer, por exemplo no pedido de pagamento de salrio--famlia, sem a juntada de certido de nascimento do filho menor de 14 anos do trabalhador.

    A Smula n 263, do TST, adota esse entendimento:SMULA N 263. PETIO INICIAL. INDEFERIMENTO. INSTRUO OBRIGA-TRIA DEFICIENTE NOVA REDAO. Salvo nas hipteses do art. 295 do CPC, o indeferimento da petio inicial, por encontrar-se desacompanhada de documento indispen-svel propositura da ao ou no preencher outro requisito legal, somente cabvel se, aps intimada para suprir a irregularidade em 10 (dez) dias, a parte no o fizer.

    Em alguns casos, o indeferimento da petio inicial ocorre na prpria audincia, uma vez que no processo do trabalho o juiz no tem o dever de analisar os requisitos dessa pea processual e, em seguida, determinar a notificao do reclamado.

    Em outras situaes, o defeito da pea incoativa s detectado quando da prolao da sentena, hiptese em que mais prtico e lgico proferir uma sentena de extino do processo sem a resoluo do mrito.

    5.9. Outros requisitosA Lei n 9.958/2000, alterou a CLT ao inserir os art. 625-A e seguintes, para possibilitar

    a criao das denominadas comisses de conciliao prvia pelas empresas e sindicatos, como forma de solucionar extrajudicialmente conflitos laborais.

    O ajuizamento de qualquer reclamao trabalhista ficaria condicionado prvia passagem pelas ditas comisses, desde que elas existissem na localidade da prestao de servios, na forma do preceito contido no art. 625-D da CLT:

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 409

    Art. 625-D. Qualquer demanda de natureza trabalhista ser submetida Comisso de Conci-liao Prvia se, na localidade da prestao de servios, houver sido instituda a Comisso no mbito da empresa ou do sindicato da categoria.

    Entretanto, o STF em sede de liminar nos autos das ADIs n 2.139 e 2.160 conferiu ao art. 625-D da CLT, interpretao conforme a Constituio Federal, para declarar o carter facultativo da passagem dos litgios trabalhistas pelas comisses de conciliao prvia.

    Entende-se que a referida deciso do Supremo Tribunal Federal contribui para o enfraque-cimento dos mecanismos extrajudiciais de soluo de conflitos laborais e, consequentemente, para o aumento progressivo do nmero de aes no Poder Judicirio trabalhista.

    6. DISTRIBUIO, REGISTRO E AUTUAO

    As peties iniciais dos processos fsicos so protocoladas na secretaria da Vara do Trabalho onde so registradas e autuadas.

    Nas localidades onde existe mais de uma Unidade Jurisdicional com competncia traba-lhista, a pea inicial entregue em um setor denominado de servio de distribuio de feitos, para que se proceda imediata distribuio,31 registro e autuao pela ordem cronolgica de apresentao, consoante preceitua o art. 838 da CLT:

    Art. 838. Nas localidades em que houver mais de uma Junta ou mais de um Juzo, ou escrivo do cvel, a reclamao ser, preliminarmente, sujeita a distribuio na forma do disposto no Captulo II, Seo II, deste Ttulo.

    Atualmente, o processo de distribuio de peties iniciais, fsicas ou eletrnicas, totalmente informatizado em todos os Tribunais do Trabalho do Brasil, inclusive no que diz respeito ao procedimento de reduzir a termo as reclamaes verbais (art. 712 da CLT), que tambm so submetidas distribuio.

    Para o registro, que feito pela introduo das informaes contidas na petio inicial no sistema de banco de dados do respectivo Tribunal, e a autuao da reclamao trabalhista, confere-se uma numerao nica, observando o padro estabelecido pelo CNJ,32 que permite a consulta de sua tramitao em qualquer grau de jurisdio.33

    Aps o processo de distribuio, o reclamante intimado pessoalmente da data e do horrio que foi designado para audincia. Alm disso, fica advertido de que o seu no comparecimento importar em arquivamento da reclamao trabalhista. Tambm expedida a notificao para o reclamado, com a respectiva contraf da petio inicial.

    31. De acordo com o preceito contido no art. 285 do novo CPC a distribuio das demandas deve ser alternada, alea-tria e com observncia da rigorosa igualdade.

    32. No mbito da Justia do Trabalho, a matria disciplinada pelo art. 25 e seguintes da Consolidao dos Provi-mentos da Corregedoria-Geral da Justia do Trabalho: Os processos judiciais da Justia do Trabalho recebero numerao nica, vedando-se o registro e a publicidade de nmero diverso, sob pena de responsabilidade.

    33. A resoluo n 65/08 do CNJ fixa regras para a uniformizao da numerao dos processos em todos os rgos do Poder Judicirio, que dever observar a seguinte estrutura: NNNNNNN-DD.AAAA.J.TR.OOOO. O campo NNNNNNN identifica o nmero sequencial do processo por unidade de origem (0000), a ser reiniciado a cada ano. O campo DD identifica o dgito verificador. O campo AAAA identifica o ano de ajuizamento do processo. O campo J identifica o segmento do Poder Judicirio, reservando o nmero 5 para a Justia do Trabalho. O campo TR identifica o Tribunal respectivo.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior410

    ATENO! O reclamante que der causa a dois arquivamentos seguidos pelo seu no comparecimento audincia tambm fica impossibilitado, pelo prazo de seis meses, de postular perante a Justia do Trabalho. Esse fenmeno jurdico denominado pela doutrina de perempo provisria ou temporria.

    A distribuio feita por dependncia quando j estiver em curso outro processo e for constatada uma relao com a nova ao, seja por conexo ou por continncia. O mesmo procedimento utilizado quando houver arquivamento anterior ou homologao de desistncia e a mesma reclamao, com idntico pedido e causa de pedir, for renovada, mesmo que em litisconsrcio com outros reclamantes.

    Os casos de distribuio por dependncia esto previstos no art. 286 do novo CPC:Art. 286. Sero distribudas por dependncia as causas de qualquer natureza:

    I quando se relacionarem, por conexo ou continncia, com outra j ajuizada;

    II quando, tendo sido extinto o processo sem resoluo de mrito, for reiterado o pedido, ainda que em litisconsrcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os rus da demanda;

    III quando houver ajuizamento de aes nos termos do art. 55, 3, ao juzo prevento.

    Observe-se que, no processo do trabalho, a simples distribuio da reclamao trabalhista faz interromper a prescrio:

    QUADRO COMPARATIVO EFEITOS DA DISTRIBUIO

    CPC DE 1973 NOVO CPC CLT

    Art. 219. A citao vlida torna pre-vento o juzo, induz litispendncia e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, cons-titui em mora o devedor e interrompe a prescrio.

    Art. 240. A citao vlida, ainda quando ordenada por juzo incom-petente, induz litispendncia, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Cdigo Civil).

    Sem similar.

    Aplicabilidade do CPC ao processo do trabalho

    No processo do trabalho, a simples distribuio ou protocolamento da petio inicial provocam os efeitos previstos no art. 240 do CPC que no processo comum atribudo citao.

    Diferena entre o novo CPC e o de 1973

    A interrupo da prescrio retroage data da propositura da ao, con-forme art. 240, 1 do novo CPC: A interrupo da prescrio, operada pelo despacho que ordena a citao, ainda que proferido por juzo incompetente, retroagir data de propositura da ao.No CPC anterior, ao contrrio do atual, a citao ordenada por juiz incompe-tente no induzia litispendncia nem fazia litigiosa a coisa.

    No caso do PJe-JT, a distribuio, a autuao e o registro efetivam-se sem a necessidade da presena fsica dos litigantes ou do seu patrono, na forma prevista pelo art. 10, da Lei n 11.419/06:

    Art. 10. A distribuio da petio inicial e a juntada da contestao, dos recursos e das peties em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico, podem ser feitas diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem necessidade da interveno do cartrio ou secretaria judicial, situao em que a autuao dever se dar de forma automtica, fornecendo-se recibo eletrnico de protocolo.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 411

    O prazo encerra-se s 24 horas do ltimo dia previsto, salvo se o sistema de informtica ficar inoperante por motivo tcnico. Nesse caso, o prazo dilata-se para o dia til subsequente resoluo do problema, desde que ocorram as seguintes situaes (art. 17 Resoluo n 136/14): a) a indisponibilidade for superior a 60 minutos, ininterruptos ou no, se ocorrida entre 6h e 23h; ou b) ocorrer indisponibilidade entre 23h e 23h59.

    No PJe-JT a distribuio feita automaticamente pelo sistema, aps a parte ou o advo-gado assinar digitalmente a petio inicial, sem a necessidade da interferncia dos servidores da secretaria ou do prprio setor de distribuio.

    Aps a distribuio automatizada, a demanda autuada eletronicamente, recebe uma numerao nica e o reclamante intimado do dia da audincia, conforme preceitua o art. 26, 2, da Resoluo n 136/14:

    Art. 26. 2 O sistema fornecer, por ocasio da distribuio da ao, o nmero atribudo ao processo, o rgo Julgador para o qual foi distribuda e, se for o caso, o local, a data e o horrio de realizao da audincia, da qual estar o autor imediatamente intimado.

    Exemplo de questo sobre o tema

    (FCC - Juiz do Trabalho Substituto 1 regio/2015) Jos foi admitido em 21/01/2010 como motorista da Empresa Andaluz Ltda., tendo l trabalhado at o dia 03/03/2013, quando foi dispensado sem justa causa. Em 03/02/2015, Jos foi ao Sindicato dos Rodovirios e relatou as suas pendncias com a antiga emprega-dora. Em 20/02/2015, o Sindicato ajuizou ao trabalhista em nome prprio, a fim de pleitear horas extras e diferenas salariais para o motorista Jos. Na audincia inaugural, a r arguiu a ilegitimidade passiva ad causam do Sindicato, sob o argumento de a parte autora estar pleiteando direito individual heterogneo. O juiz acolheu a preliminar e extinguiu o processo sem apreciao do mrito. O Sindicato no recorreu e a sentena terminativa transitou em julgado no dia 02/06/2015. No dia 03/06/2015, Jos ajuizou ao indi-vidual em face da Empresa Andaluz Ltda., com os mesmos pedidos de horas extras e diferenas salariais, mas, desta vez, a r suscitou a prescrio bienal em sua contestao. Nesse caso, o juiz deve(A) acolher a prescrio bienal, haja vista o decurso do tempo entre o encerramento do contrato e a data de

    ajuizamento de sua ao individual.(B) acolher a prescrio bienal, haja vista o decurso de tempo entre a data de admisso e o ajuizamento da

    ao pelo Sindicato.(C) rejeitar a prescrio bienal, haja vista o decurso de tempo entre a data de admisso e o ajuizamento da

    sua ao individual.(D) rejeitar a prescrio bienal, haja vista o decurso de tempo entre a data de admisso e o ajuizamento da

    ao pelo Sindicato.(E) rejeitar a prescrio bienal, uma vez que o ajuizamento da ao pelo Sindicato interrompeu o prazo

    prescricional.Resposta: E

    7. DEFEITOS SANVEIS

    No processo civil, em regra, a petio inicial submetida ao crivo do juiz antes de iniciar o processo propriamente dito, que se d com a citao.

    J no processo laboral, em regra, o juiz s toma conhecimento dos termos contidos na inicial quando da realizao da audincia, o que dificulta a anlise dos pressupostos de constituio e desenvolvimento vlidos do processo, bem como dos requisitos de validade da pea incoativa.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior412

    Ainda assim, o juiz pode, ao verificar a existncia de vcios sanveis, determinar que o reclamante promova os atos necessrios sua regularizao, com indicao precisa do que deve ser corrigido ou completado, sob pena de indeferimento da inicial, de acordo com o que reza o art. 321 do novo CPC.

    QUADRO COMPARATIVO EMENDA DA INICIAL

    CPC DE 1973 NOVO CPC CLT

    Art. 284. Verificando o juiz que a peti-o inicial no preenche os requisitos exigidos nos artigos 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mrito, determinar que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias. Pargrafo nico. Se o autor no cumprir a diligncia, o juiz indeferir a petio inicial.

    Art. 321. O juiz, ao verificar que a petio inicial no preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mrito, determinar que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com preciso o que deve ser corrigido ou com-pletado. Pargrafo nico. Se o autor no cumprir a diligncia, o juiz indeferir a petio inicial.

    Sem similar.

    Aplicabilidade do CPC ao processo do trabalho

    Como, em regra, o juiz do trabalho no analisa a petio inicial, no haveria possibilidade de detectar eventuais defeitos. Entretanto, como no h norma proibindo tal procedimento, nada impede que o juiz do trabalho faa isso.

    Diferena entre o novo CPC e o de 1973

    O prazo para emendar ou completar passa de 10 para 15 dias. Atendendo ao princpio da cooperao, deve o juiz indicar, com preciso, o

    que deve ser corrigido ou completado.

    8. INDEFERIMENTO DA PETIO INICIAL

    Quando a petio inicial no preencher os requisitos formais estabelecidos pela lei proces-sual e no existir a possibilidade de san-los, a hiptese ser de indeferimento dessa pea.

    O art. 305 do novo CPC tambm descreve outras causas de indeferimento da inicial:Art. 305. A petio inicial ser indeferida quando:

    I for inepta;

    II a parte for manifestamente ilegtima;

    III o autor carecer de interesse processual;

    IV no atendidas as prescries dos arts. 106 e 321.

    A Smula n 263 do Tribunal Superior do Trabalho posiciona-se no sentido de possibilitar o indeferimento da inicial, desacompanhada de documento indispensvel propositura da ao, somente aps a concesso de prazo para a parte sanar a irregularidade.

    SMULA N 263. PETIO INICIAL. INDEFERIMENTO. INSTRUO OBRIGA-TRIA DEFICIENTE NOVA REDAO. Salvo nas hipteses do art. 295 do CPC, o indeferimento da petio inicial, por encontrar-se desacompanhada de documento indispen-svel propositura da ao ou no preencher outro requisito legal, somente cabvel se, aps intimada para suprir a irregularidade em 10 (dez) dias, a parte no o fizer.

    Na petio inicial o autor dever informar os nomes, os prenomes, o estado civil, a existncia de unio estvel, a profisso, o nmero de inscrio no Cadastro de Pessoas Fsicas

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 413

    ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica, o endereo eletrnico, o domiclio e a residncia do autor e do ru (art. 319, II, do novo CPC).

    Entretanto, a petio inicial no ser indeferida se, a despeito da falta dessas informa-es for possvel a citao do ru ou se a obteno de tais informaes tornar impossvel ou excessivamente oneroso o acesso justia (art. 319, 2 e 3 do novo CPC).

    8.1. Natureza jurdica da deciso de indeferimento

    O indeferimento da pea incoativa implica deciso que extingue do processo sem a apreciao do mrito.

    No novo CPC, as hipteses de reconhecimento de ofcio dos casos de prescrio e deca-dncia foram retirados do rol de causas de indeferimento da petio inicial e foram inseridas no art. 332, 1, que regula a improcedncia liminar do pedido:

    Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutria, o juiz, independentemente da citao do ru, julgar liminarmente improcedente o pedido que contrariar [...] 1 O juiz tambm poder julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrncia de decadncia ou de prescrio.

    8.2. Indeferimento por inpcia no processo do trabalho

    O indeferimento da inicial, por motivo de inpcia, no tem sido de fcil acolhida pelos juzes e Tribunais Trabalhistas, em virtude da existncia do ius postulandi das partes.

    O argumento que se utiliza para deixar de indeferir a petio inicial, mesmo diante de sua inpcia, o concernente ao princpio da conciliao. Com efeito, o indeferimento da petio inicial, logo aps o seu ajuizamento, implicaria impossibilidade das partes pactuarem um acordo em audincia, o que feriria o referido princpio da conciliao.

    8.3. Recurso da deciso de indeferimento

    Para reformar a deciso que indefere a petio inicial, o reclamante pode manejar o recurso ordinrio, salvo se o prprio juiz da causa, no exerccio do juzo de retratao, modific-la (art. 331 do novo CPC).34

    Entretanto, nos casos em que o indeferimento implica extino do processo sem a apre-ciao do mrito, o reclamante pode optar por renovar a reclamao trabalhista, uma vez que a escolha pela interposio do recurso ordinrio seria bem mais demorada.

    Exemplo de questo sobre o tema

    (FCC - Juiz do Trabalho Substituto 23 regio/2015) Joo das Neves promoveu reclamao trabalhista na qual pleiteou o reconhecimento de estabilidade prevista na Conveno Coletiva de Trabalho, por ter sido dispensado s vsperas de sua aposentadoria e tambm a reinte grao ao trabalho. Em defesa, a Empresa r requereu a extino do processo sem exame de mrito por no ter o autor juntado a Conveno Cole-tiva de Trabalho, na qual se funda o direito pretendido. Diante dos fatos apresenta dos, o Juiz do Trabalho

    34. Novo CPC. Art. 331. Indeferida a petio inicial, o autor poder apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco) dias, retratar-se.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior414

    (A) dever julgar improcedente a pretenso porque o autor no se desincumbiu do nus de comprovar o direito pretendido.

    (B) dever indeferir de plano a petio inicial, julgando extinto o processo sem exame de mrito, por encon-trar-se desacompanhada de documento indispens vel propositura da ao.

    (C) poder conceder prazo de quinze dias para a parte suprir a irregularidade apontada, sob pena de inde-ferimento da petio inicial.

    (D) dever indeferir a petio inicial, julgando extinto o processo sem exame de mrito, pois a ausncia de documento indispensvel propositura da ao causa de inpcia da inicial.

    (E) dever intimar a parte para suprir a irregularidade apontada no prazo de dez dias, sob pena de indefe-rimento da petio inicial.

    Resposta: E

    9. ADITAMENTO

    A Consolidao das Leis do Trabalho no disciplina o instituto do aditamento, ou seja, da possibilidade do autor emendar o pedido, que se estende possibilidade de alter-lo ou de suprimir-lhe algo.

    O novo CPC em seu art. 329 permite que o autor adite ou altere o seu pedido, desde que o faa antes da citao, sem a necessidade de consentimento do ru.

    QUADRO COMPARATIVO ADITAMENTO OU ALTERAO DA INICIAL

    CPC DE 1973 NOVO CPC CLT

    Art. 294. Antes da citao, o autor poder aditar o pedido, correndo sua conta as custas acrescidas em razo dessa iniciativa.

    Art. 329. O autor poder:I at a citao, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, inde-pendentemente de consentimento do ru;II at o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do ru, assegurado o contraditrio mediante a possibilidade de manifestao deste no prazo mnimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.Pargrafo nico. Aplica-se o disposto neste artigo reconveno e res-pectiva causa de pedir.

    Sem similar.

    Aplicabilidade do CPC ao processo do trabalho

    Como inexiste, no processo de conhecimento trabalhista, o instituto da cita-o, admite-se que se proceda ao aditamento ou alterao do pedido ou da causa de pedir at antes de oferecida a defesa em audincia. Entretanto, necessrio que o juiz devolva o prazo para que o reclamado tambm emende as suas argumentaes, se for o caso.

    Diferena entre o novo CPC e o de 1973

    Alm do aditamento propriamente dito, o art. 329 do CPC deixa expressa a possibilidade de tambm alterar, tanto o pedido quanto a causa de pedir;

    No novo CPC fica claro que a emenda ou alterao pode ser feita sem a concordncia do ru, desde que antes da citao;

    Na nova ordem processual, cria-se a possibilidade de aditar ou alterar o pedido ou causa de pedir aps a citao mas at o saneamento do pro-cesso, mas com o consentimento do ru;

    Estende-se a possibilidade de aditamento ou alterao para a reconveno.

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 415

    A admisso do aditamento no processo do trabalho, mesmo na omisso da CLT, embasa-se no princpio da economia processual. Com efeito, uma vez obstada essa via para o reclamante, seria necessrio o ajuizamento de uma nova ao, o que implicaria retardamento da prestao jurisdicional e gastos para o errio pblico.

    Nesse aspecto, a doutrina encontra-se dividida:

    Quadro Doutrinrio Termo final do aditamento

    Posicionamento Doutrinadores Exemplo

    Depois da notificao, desde que antes da

    defesa

    Marcelo Moura, Renato Saraiva, Mauro Schiavi,

    Rodrigues Pinto, Cleber Lcio e

    Sergio Pinto Martins.

    A alterao da Petio inicial, seja na causa de pedir, seja no pedido, representando mudanas quantitativas ou qualitativas na demanda, pode ser feita, no processo trabalhista, mesmo depois da citao e antes do oferecimento da contestao (Marcelo Moura)*

    Antes da notificao do reclamado (aplicao do

    art. 264 do CPC)

    Bezerra Leite, Amauri Mascaro, Wagner Giglio,

    Wilson de Souza Campos Batalha; e Francisco Neto/

    Jouberto Cavalcante.

    H um prazo mximo para o aditamento e a modi-ficao da inicial. Porm, no decorre da CLT, que omissa, mas do CPC (art. 264) (Amauri Mascaro Nascimento). **

    * MOURA, Marcelo. Consolidao das leis do trabalho. Salvador: Juspodivm, 2011. P. 1118** NASCIMENTO. Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 21 ed. So Paulo: Saraiva, 2001. p. 390.

    Em caso de modificao da petio inicial, no sentido de acrescer novos pleitos, deve ser observada a regra para a cumulao de pedidos (art. 327 do novo CPC), bem como a majorao do valor da causa.

    No PJe-JT h dificuldade de se determinar o termo final do prazo para apresentao do aditamento, uma vez que a defesa escrita deve ser juntada antes da audincia, na forma prevista pelo art. 29 da Resoluo n 136/14.

    Para solucionar esse inconveniente que ainda existe no sistema de processo eletrnico, desenvolveu-se a teoria do ato de fluxo, assim entendido como o ato que ainda no ingressou no mundo processual e, consequentemente, no produz efeitos processuais.

    o que acontece com a defesa enviada ao PJe-JT antes da audincia. Apesar de encontrar--se no sistema, um mero ato de fluxo que se transformar em ato processual com a presena do reclamado na audincia.

    Assim, caso o reclamante no comparea a audincia, a hiptese ser de arquivamento e no de confisso. De igual forma, mesmo que a defesa encontre-se no PJe-JT, mas ainda como ato de fluxo, possvel aditar a petio inicial ou mesmo desistir da demanda sem a necessidade da anuncia do reclamado.

    10. PRINCIPAIS DIFERENAS ENTRE O PROCESSO CIVIL E O PROCESSO DO TRABALHO

    Instituto Processo civil Processo do trabalho

    Requisitos da inicial

    Todos aqueles constantes do art. 319 do novo CPC.

    No se exige: a) fundamento jurdico do pedido, b) provas, c) a opo do autor pela realizao ou no da audincia de conciliao ou mediao, d) valor da causa.

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior416

    Instituto Processo civil Processo do trabalho

    Petio inicial: forma Escrita. Verbal ou escrita.

    Petio inicial: anlise

    O juiz analisa a petio inicial e, pre-sentes os requisitos de admissibilidade, determina a citao do ru.

    O juiz no analisa a petio inicial. A notificao do reclamado enviada pelos correios diretamente pelo serventurio.

    Valor da causa Requisito obrigatrio da petio inicial. O juiz pode arbitrar o valor da causa, se a petio inicial for omissa nesse aspecto.

    11. INFORMATIVOS DO TST SOBRE A MATRIA

    Ao rescisria. Pedido lquido. Condenao limitada ao valor indicado na petio inicial. Exerccio adequado e regular da atividade jurisdicional. Violao dos arts. 128 e 460 do CPC. No configurao.

    O pedido deduzido pelo reclamante de forma lquida, e no por mera estimativa, enseja a limitao da condenao ao valor indicado na petio inicial, a qual reflete o exerccio adequado e regular da atividade jurisdicional (art. 5, LIV, da CF). Com esse entendimento, e no vislumbrando violao dos arts. 128 e 460 do CPC, a SBDI-II, unanimidade, negou provimento a recurso ordinrio interposto contra deciso que jul-gara improcedente a ao rescisria a qual visava desconstituir acrdo que, ao deferir diferenas salariais decorrentes de equiparao salarial, adotou como parmetro para a condenao o valor indicado na petio inicial. TST-RO-10437-75.2010.5.02.0000, SBDI-II, rel. Min. Douglas Alencar Rodrigues, 19.8.2014 (TST. Info n 87).

    12. QUADRO SINPTICO

    Captulo II Petio inicial no dissdio individual do trabalho

    Instituto Contedo Item

    Conceito

    Petio inicial a materializao de um ato processual formal, pelo qual o autor da ao provoca a atuao do Poder Judicial, por intermdio do exerccio do seu direito pblico e subjetivo de ao. Por meio dessa pea o autor narra os fatos, expe sua pretenso e solicita a entrega da tutela jurisdicional para soluo do conflito de interesses caracte-rizado pela pretenso resistida, com o incio relao jurdica processual trabalhista.

    1

    FormaA petio inicial da reclamao trabalhista pode ser apresentada de forma verbal ou escrita. Em caso de reclamao verbal, deve ser reduzida a termo, datada e assinada pelo servidor responsvel, em tantas vias quantas sejam o nmero de reclamados.

    2

    Denominao Petio inicial, exordial, proemial, vestibular, pea de ingresso, pea incoativa, libelo. 3

    Previso legal

    CLT

    Em caso de pea escrita, a reclamao deve conter a designa-o do juzo a qual for dirigida, a qualificao do reclamante e do reclamado, uma breve exposio dos fatos de que resulte o dissdio, o pedido, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante (art. 840, 1 da CLT).

    4.1

    CPC

    I - o juzo a que dirigida; II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existncia de unio estvel, a profisso, o nmero de inscrio no Cadastro de Pessoas Fsicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica, o endereo eletrnico, o domiclio e a residncia do autor e do ru; III - o fato e os fundamentos jurdicos do pedido; IV - o pedido com as suas especificaes; V - o valor da causa; VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII - a opo do autor pela realizao ou no de audincia de conciliao ou de mediao (art. 319 do novo CPC).

    4.2

  • Cap. II PETIO INICIAL DO DISSDIO INDIVIDUAL DO TRABALHO 417

    Captulo II Petio inicial no dissdio individual do trabalho

    Instituto Contedo Item

    Previso legal DiferenasA CLT no exige, como formalidade da petio inicial, o fundamento jurdico do pedido, as provas, valor da causa e a opo do autor pela realizao ou no de audincia de conciliao ou mediao.

    4.3

    Requisitos da petio inicial

    DestinatrioA petio inicial dirigida ao juzo e no ao reclamado. Dessa forma, essa pea processual deve indicar o juzo, pelo seu ttulo e no o seu nome, a quem caber process-la e julg-la.

    5.1

    Qualificao das partes

    A identificao e individualizao das partes deve ser a mais completa possvel, com designao de nome, prenome, estado civil, profisso, domiclio, CPF/CNPJ, e-mail etc., observadas as questes relativas capacidade das partes, capacidade de ser parte, legitimao ativa e passiva etc.

    5.2

    Fatos e fundamen-tos Jurdicos

    A exposio dos fatos deve ser sucinta, porm completa, de forma que possibilite ao juiz do trabalho inteirar-se do conflito de interesses que lhe exposto. Segue-se, assim, a regra do brocardo jurdico da mihi factum, dabo tibi ius, ou seja, exponha o fato e direi o direito. 5.3Como fundamento jurdico do pedido, entende se o ato ou fato jurdico que vulnera direito subjetivo de outrem, que integra a pretenso deduzida em juzo, tambm denominada de causa de pedir ou causa petendi.

    Pedido

    Conceito

    O pedido, tambm denominado de petitum, a solicitao que o autor da ao (recla-mante) faz, no bojo da petio inicial, no sentido de, primeiro, provocar a atuao do Poder Judicirio (pedido imediato) e, de forma mediata, que se faa seguir a orienta-o contida nas normas de Direito material, que, por desobedincia, provocou o conflito de interesses. 5.4

    Espcies

    MediatoO pedido mediato repre-senta o bem da vida per-seguido pelo autor da ao.

    Imediato

    O contedo do pedido ime-diato pode ser de carter declaratrio, condenatrio, constitutivo, mandamental e executivo lato sensu.

    Pedido

    Certo

    O pedido deve ser certo. Veda-se a possibi-lidade de pedidos genricos, salvo algumas excees expressamente previstas em lei, que permitem pedidos de carter determinvel.

    5.4

    Alternativo possvel desde que a obrigao possa ser cumprida de modos distintos.

    Cumulao sub-sidiria

    A lei processual civil tambm permite que o reclamante faa dois ou mais pedidos, cada um com o seu fundamento, subsidiariamente, de forma que o juiz possa conhecer do sub-sequente, na hiptese de no acolhimento da pretenso relativa ao pedido antecedente (art. 326 do novo CPC).

  • CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Jos Cairo Jnior418

    Captulo II Petio inicial no dissdio individual do trabalho

    Instituto Contedo Item

    Requisitos da petio inicial

    Pedido

    Cominatrio

    Quando o reclamante ou o reclamado requer que a parte contrria seja compelida a cum-prir uma obrigao de fazer, de no fazer ou de entregar coisa diversa de dinheiro, pode postular, tambm, que o juiz imponha uma multa pelo no cumprimento da sentena respectiva (art. 139 e 500 do novo CPC).

    5.4Cumulao

    Por meio da cumulao objetiva, facultado ao reclamante, em uma mesma reclamao trabalhista inserir diversas postulaes em face de um mesmo reclamado, de