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1898 leia algumas paginas

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  • JOS CAIRO JNIORJuiz do Trabalho do TRT da 5 Regio. Professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho da Universidade Estadual de Santa Cruz UESC.

    Mestre em Direito Privado pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE. E-mail: [email protected]

    Curso de Direito

    do Trabalho

    11 edioRevista, ampliada e atualizada

    2016

  • CAPTULO I

    INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO

    Sumrio 1. Propedutica: 1.1. Conceito de Direito do Trabalho; 1.2. Denominao; 1.3. Caractersticas; 1.4. Diviso: A. Direito individual do trabalho; B. Direito coletivo do trabalho; 1.5. Natureza jurdica; 1.6. Funes; 1.7. Autonomia; 1.8. Relaes do direito do trabalho com os demais ramos do direito: A. Direito civil; B. Direito empresarial; C. Direito penal; D. Direito administrativo; E. Direito constitucional; F. Direito tributrio; G. Direito previdencirio; H. Direito do consumi-dor; 1.9. Fundamentos e formao histrica do direito do trabalho: A. Europa; B. Brasil 2. Fontes formais do direito do trabalho: 2.1. Conceito; 2.2. Classificao: A. Fontes estatais ou heternomas; B. Fontes profissionais ou autnomas; 2.3. Hierarquia 3. Interpretao: 3.1. Hermenutica; 3.2. Mtodos bsicos de exegese: A. Mtodo literal, gramatical ou filo-lgico; B. Mtodo teleolgico; C. Mtodo sistemtico; D. Mtodo evolutivo; E. Mtodo histrico 4. Integrao do direito do trabalho: 4.1. Jurisprudncia; 4.2. Analogia; 4.3. Usos e costumes; 4.4. Equidade; 4.5. Princpios gerais do Direito do Trabalho: A. Princpio da proteo; B. Princpio da irrenunciabilidade; C. Princpio da continuidade; D. Princpio da prima-zia da realidade; E. Princpio da substituio automtica das clusulas nulas; F. Princpio da razoabilidade; G. Princpio da boa-f; H. Princpio da no-discriminao; I. Princpios constitucionais do Direito do Trabalho; 4.6. Direito comparado 5. Aplicao do direito do trabalho: 5.1. Vigncia das normas trabalhistas: A. No tempo; B. No espao; 5.2. Revogao; 5.3. Irretroatividade; 5.4. Direito adquirido 6. Indisponibilidade no direito individual do trabalho: 6.1. Renncia; 6.2. Tran-sao no Direito do Trabalho 7. Flexibilizao 8. Conflitos de interesses e suas formas de soluo; 8.1. Jurisdio; 8.2. Mediao; 8.3. Arbitragem; 8.4. Comisses de conciliao prvia 9. Quadro sinptico 10. Informativos do TST sobre a matria 11. Questes. 11.1. Questes objetivas; 11.2. Questo discursivas; 11.3. Gabarito das questes objetivas; 11.4. Gabarito das questes discursivas.

    1. PROPEDUTICA

    A especializao do Direito que se faz necessria para estabelecer regras incidentes sobre as relaes sociais, mormente aquelas nas quais uma pessoa presta servios em benefcio de outra e sob a sua dependncia, em troca de uma retribuio, recebeu a denominao de Direito do Trabalho.

    Assim, o substrato ftico desse ramo do Direito a relao de trabalho subordinada e, mais precisamente, do prprio trabalho. H necessidade, portanto, de proceder identificao e descrio de suas caractersticas.

    O termo trabalho expressa uma ideia de sofrimento, j que deriva do latim tripalium, instrumento consistente em um trip formado por trs estacas fincadas no cho, utilizado para torturar os escravos nas sociedades primitivas. Desse modo, trabalhar (tripaliare) significava torturar algum com o tripalium.

    A prpria Bblia faz uma relao entre o trabalho e o castigo, conforme se observa da leitura do trecho que fala da expulso de Ado do paraso: No suor do rosto comers o teu po, at que tornes terra, pois dela foste formado; porque tu s p e ao p tornars. Gnesis 3:19 (grifou-se).

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior44

    Etimologicamente, trabalho constitui a ao humana por meio da qual h o desprendi-mento da energia de uma pessoa dirigida a um determinado fim.

    Tambm o termo trabalho pode ser entendido como: aplicao da atividade; servio; esforo; fadiga; ao ou resultado da ao de um esforo.1

    No mbito da filosofia, Maria Lcia Aranha e Maria Helena Martins asseveram que:O trabalho humano a ao dirigida por finalidades conscientes, a resposta aos desafios da natureza, na luta pela sobrevivncia. Ao reproduzir tcnicas que outros homens j usaram e ao inventar outras novas, a ao humana se torna fonte de ideias e ao mesmo tempo uma experincia propriamente dita.2

    Historicamente, porm, o conceito de trabalho relaciona-se, intimamente, com a utili-zao da fora do trabalhador com o objetivo de perceber uma retribuio, para prover a sua manuteno e de sua famlia. Quando a energia pessoal usada sem essa finalidade, haver simplesmente uma atividade humana e no um trabalho humano.

    Conclui-se, assim, que todo trabalho humano representa uma atividade humana, mas nem toda atividade humana pode ser considerada como trabalho, a exemplo das atividades desportivas, recreativas etc.

    1.1. Conceito de Direito do Trabalho

    O Direito do Trabalho o ramo do Direito composto por regras e princpios, sistema-ticamente ordenados, que regulam a relao de trabalho subordinada entre empregado e empregador, acompanhado de sanes para a hiptese de descumprimento dos seus comandos.

    O Direito Laboral, como regra de conduta, observado pelo seu aspecto objetivo, tem como meta principal a preveno de conflitos derivados do confronto entre capital e trabalho para com isso preservar a vida em sociedade e a consequente paz social.

    Amauri Mascaro Nascimento, ao apresentar uma definio mista, ou seja, subjetiva e objetiva, argumenta que:

    Direito do Trabalho o ramo da cincia do direito que tem por objeto as normas jurdicas que disciplinam as relaes de trabalho subordinado, determinam os seus sujeitos e as orga-nizaes destinadas proteo desse trabalho, em sua estrutura e atividade.3

    Na verdade, visto sob a teoria clssica, que deu origem ao Direito Laboral, esse ramo da cincia jurdica preocupa-se, unicamente, com a relao de emprego subordinada. Escapa ao seu mbito, portanto, as demais relaes de trabalho, como a prestao de servios autnomos (desenvolvidas principalmente pelos profissionais liberais, como advogados, mdicos, dentistas, engenheiros, dentre outros), relaes derivadas do contrato de empreitada, de parceria agro-pecuria etc.

    1. Novo dicionrio da Lngua Portuguesa. 3. ed. So Paulo: Egeria.2. ARANHA, Maria Lcia Arruda;e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introduo filosofia. So Paulo:

    Moderna, 1992. p. 4.3. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: histria e teoria geral do direito do trabalho:

    relaes individuais e coletivas do trabalho. 19. ed. So Paulo: Saraiva, 2004. p. 176.

  • Cap. I INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 45

    Por isso de grande importncia a delimitao dos conceitos de empregado e empre-gador, pois o Direito do Trabalho clssico restringe-se a fixar regras de condutas para esses atores sociais.

    Atualmente, cresce o movimento no sentido de ampliar o raio de atuao do Direito do Trabalho, para abranger as demais relaes de trabalho, ou seja, aquelas relaes envolvendo algumas espcies de trabalhadores no subordinados. Isso porque, a cada dia que passa, diminui a quantidade de trabalhadores qualificados como empregados, devido ao fenmeno da globalizao e, consequentemente, da flexibilizao das normas trabalhistas.

    Na Itlia, por exemplo, uma significativa parcela da legislao laboral atinge os traba-lhadores definidos como parassubordinados, categoria representada por aquelas pessoas que prestam servios em favor de outra, sem o elevado grau de subordinao jurdica que carac-teriza a relao empregatcia tradicional, mas no totalmente independentes.

    O primeiro passo para ampliar o aludido raio de incidncia do Direito Laboral j foi dado, no Brasil, na seara da competncia jurisdicional.

    Por meio da Emenda Constitucional n 45/2004, que alterou a redao do art. 114 da Carta Magna4, alargou-se a competncia da Justia do Trabalho brasileira para processar e julgar todo e qualquer litgio envolvendo a relao de trabalho e no somente aqueles deri-vados da relao de emprego.

    1.2. Denominao

    A expresso Direito do Trabalho a mais utilizada e consagrada pela legislao, doutrina e jurisprudncia de vrios pases para designar esse ramo da cincia jurdica. Na Alemanha, utiliza-se o termo Arbeitsrecht; Diritto Del Lavoro,na Itlia; Derecho del Trabajo, na Espanha e Droit du Travail, Frana. Mas tambm so utilizadas outras designaes como Direito Social, Direito Operrio, Direito Industrial, Direito Corporativo e Direito Laboral.

    Cesarino Jnior defende a utilizao da denominao Direito Social, dentre outros motivos, porque a expresso social, pela sua amplitude, abrange todos os aspectos da proteo ao trabalhador e aos seus dependentes. O referido autor ainda leva em considerao o fato de que universalmente se reconhece ao novo direito a finalidade de resolver a questo social e por isso sempre se chamaram as suas leis de leis sociais5.

    Critica-se a designao de Direito Social, tendo em vista que, em ltima anlise, todo Direito seria social. Assim, no seria possvel a utilizao dessa expresso para designar um nico ramo do Direito. O termo Direito Social tambm pode ser usado para fazer referncia a dois ramos do especficos do Direito, quais sejam, o prprio Direito do Trabalho e o Direito da Assistncia e da Previdncia Social.

    4. CF/88. Art. 114. Compete Justia do Trabalho processar e julgar: I as aes oriundas da relao de trabalho, abrangidos os entes de direito pblico externo e da administrao pblica direta e indireta da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios.

    5. CESARINO JR., Antnio Ferreira. Direito Social. So Paulo: LTr, 1980. p. 35.

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior46

    As expresses Direito Operrio Direito Industrial restringem, por demais, o campo de aplicao desse ramo do Direito, pois fazem referncia a uma espcie de atividade econmica ou profissional exercidas, respectivamente, pelo empregado e pelo empregador.

    J a expresso Direito Laboral empregada como sinnimo de Direito do Trabalho. Por fim, a designao Direito Corporativo sugere a ideia de que esse ramo do Direito regularia as relaes havidas nas corporaes de ofcio que, em remota poca, eram atreladas ao Estado.

    Arnaldo Sssekind demonstra apreo expresso pela denominao Direito do Trabalho, ao ressaltar a sua utilizao por diversos Autores de renome internacional, inclusive, pela OIT Organizao Internacional do Trabalho e por diversas constituies.6

    1.3. CaractersticasAlm das caractersticas comuns aos demais ramos da cincia jurdica, o Direito do

    Trabalho possui traos peculiares que o destaca dos demais.

    Dessa forma, pode-se dizer que o Direito Laboral caracteriza-se pela proteo excessiva pessoa do empregado, que considerado como hipossuficiente, com vistas a atingir os seus objetivos principais, que a obteno de melhores condies de trabalho e a pacificao social, seja pela via legislativa estatal, seja por intermdio das negociaes coletivas de trabalho.

    O Direito do Trabalho confere um tratamento desigual entre os representantes do capital e do trabalho. O trabalhador sempre considerado elemento frgil da relao laboral e o empregador o hiperssuficiente. Para compensar essa hipossuficincia no plano ftico (plano material), a Lei concede ao empregado vrias prerrogativas (plano jurdico), inclusive com limitao do direito de disposio dos seus direitos.

    Essa proteo ao trabalhador, em algumas oportunidades, acaba por imprimir efeito contrrio ao pretendido. Isso ocorre porque o legislador nacional no se preocupa com a manuteno ou garantia do emprego, mas to-somente com os direitos subjetivos da decor-rentes, circunstncia que provoca grande rotatividade de mo-de-obra.

    1.4. DivisoO Direito Material do Trabalho dividido em dois grandes grupos, a saber: Direito

    Individual do Trabalho e Direito Coletivo do Trabalho. Existem autores7 que ainda decom-pem o Direito do Trabalho em: Direito Internacional do Trabalho, Direito Administrativo do Trabalho, Direito Penal do Trabalho e Direito Previdencirio.

    A. Direito individual do trabalhoDe forma geral, o Direito regulamenta relaes intersubjetivas. Por uma questo de diviso

    e sistematizao da cincia do direito, cada um dos seus ramos cuida de determinada espcie de relao intersubjetiva.

    6. SSSEKIND, Arnaldo, et all. Instituies de direito do trabalho. 19. ed. atual. So Paulo: LTr, 2000. p. 112-113.7. Nesse sentido: GOMES, Orlando; GOTTSCHALK, lson. Curso de direito do trabalho. 9. ed. Rio de Janeiro:

    Forense, 1984. p. 16.

  • Cap. I INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 47

    Existe uma relao especfica que se estabelece entre o prestador de servios e outra pessoa que dirige, assalaria e aproveita do resultado da fora de trabalho do obreiro. Essa relao caracterizada pelo estado de subordinao jurdica ao qual o operrio fica submetido em razo da celebrao de um contrato de trabalho. O empregado transfere para o empregador o resul-tado do seu esforo fsico e mental. Essa relao regulada pelo Direito Individual do Trabalho.

    O Direito Individual do Trabalho , portanto, o ramo do Direito Privado formado pelo conjunto de regras e princpios que regulam a relao entre empregado e empregador individualmente considerados, alm de conter sanes para a hiptese do descumprimento de suas determinaes.

    B. Direito coletivo do trabalhoAo lado das relaes individuais que se processam entre trabalhadores e empregadores,

    existem as relaes coletivas de trabalho que se efetivam entre os entes coletivos do trabalho. denominada de relao coletiva, porque o ente coletivo (geralmente o sindicato) representa os interesses de determinado grupo de pessoas, quais sejam, os empregados e os empregadores, considerados em conjunto e no individualmente. O objeto do Direito Coletivo do Trabalho , justamente, essas relaes coletivas.

    O Direito Coletivo do Trabalho , dessa forma, o ramo integrante do Direito privado que institui regras e princpios destinados a regulamentar a atividade dos entes coletivos represen-tativos dos empregados (sindicato da categoria profissional) e dos empregadores (sindicato da categoria econmica), com o objetivo de evitar o surgimento de conflitos e de traar diretrizes para a fixao de normas profissionais pelos prprios interessados.8

    De acordo com as palavras de Cesarino Jnior, Direito Coletivo do Trabalho aquele composto por leis sociais que consideram os empregados e empregadores coletivamente reunidos, principalmente na forma de entidades sindicais.9

    1.5. Natureza jurdicaA questo da natureza jurdica do Direito do Trabalho provoca, at hoje, calorosos

    debates. Observe-se que a prpria dicotomia do Direito, em pblico e privado, j fonte de discusses calorosas aps a definio apresentada por Ulpiano, segundo a qual publicum ius est quod ad statum rei romanae spectato, privatum quod ad singulorum itilitatem.

    Por natureza jurdica do Direito do Trabalho entende-se a sua insero em um dos grupos acima mencionados. importante salientar, contudo, que a natureza jurdica de determinado ramo do Direito varia de acordo com a poca e com a organizao do poder poltico adotado por cada Estado.

    Em que pese o Direito do Trabalho ser formado, em sua maioria, por normas de inte-resse pblico, tal caracterstica no implica reconhecer o carter pblico do referido ramo do Direito.10

    8. A segunda parte desta obra trata, especificamente, do Direito Coletivo do Trabalho.9. CESARINO JNIOR, Antnio Ferreira. Direito social. So Paulo: LTr, 1980. p. 52.10. Miguel Reale classifica como pblico, o Direito do Trabalho (REALE, Miguel. Lies preliminares de direito. 22 ed.

    Saraiva: So Paulo, 1995. p. 345/346).

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior48

    A tese de reconhecer o carter pblico no Direito do Trabalho no resiste a uma anlise mais profunda. O Direito de Famlia, por exemplo, apesar de ser norteado por diversas regras de ordem pblica, jamais perdeu o seu carter de Direito privado.

    Amauri Mascaro atribui diviso do Direito em pblico e privado a um critrio mera-mente ideolgico e assevera que o Direito do Trabalho pertence a este ltimo:

    Se admitirmos a validade metodolgica da distino entre direito pblico e privado, o direito do trabalho seria ramo do direito privado, porque no vincula cidado ao Estado; regula interesses imediatos dos particulares; pluricntrico, emanando de fontes internacionais, estatais e no estatais; tanto a conveno coletiva do trabalho como o contrato individual do trabalho no se desvincularam do mbito do direito privado.11

    Na verdade, a diviso do Direito em pblico e privado varia de acordo com o ponto de vista do jurista. Para uns, Direito pblico aquele que cuida da relao entre particulares e o Estado investido do ius imperii. Para outros, Direito pblico aquele formado por normas de ordem pblica.

    Ao aderir primeira teoria, foroso concluir que o Direito do Trabalho ramo do Direito privado, pois cuida da relao entre particulares, qual seja, relao entre o empregado e o empregador.

    Essa a corrente doutrinria dominante, defendida por Maurcio Godinho Delgado, Gustavo Filipe Barbosa Garcia, Vlia Bomfim, Srgio Pinto, Luciano Martinez, Amauri Mascaro, dentre outros:

    Apesar de sua natureza privada, um direito regulamentado por lei, isto , com clusulas legais mnimas, porm isto no o descaracteriza como de natureza privada. Ora, alguns outros ramos do Direito tambm tm clusulas mnimas estipuladas por lei, demonstrando um dirigismo estatal, uma interveno do Estado nas relaes particulares e privadas: direito do consumidor, direito de famlia, planos mdicos, seguros etc.12

    Saliente-se que ainda existem outras correntes que afastam a classificao tradicional do Direito, incluindo o Direito do Trabalho em uma terceira categoria: direito social, direito misto ou direito unitrio.

    Quadro Doutrinrio Natureza jurdica do Direito do Trabalho

    Teorias Doutrinadores Exemplo

    Direito social Cesarino Jnior

    H no ordenamento jurdico normas que visam estabelecer o equilbrio social, pela proteo aos economicamente fracos. Assim, a ideia que a expresso Direito Social nos evoca a de um complexo de normas tendentes proteo dos economicamente dbeis (Cesarino Jr).*

    Direito misto

    Paulo Dourado de Gusmo

    O direito misto quando tutela interesses privado e pblico, ou, ento, quando constitudo por normas e princpios de direito pblico e de direito privado ou, ainda, de direito nacional e de direito internacional. [...] Norteado pelo interesse social, apesar de se destinar a reger as relaes entre patres e empregados oriundas de contrato de trabalho, o direito do trabalho no pode ser includo no direito privado, mas sim no direito misto (Paulo Dourado de Gusmo).**

    11. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: histria e teoria geral do direito do trabalho: relaes individuais e coletivas do trabalho. 19. ed. So Paulo: Saraiva, 2004. p. 227.

    12. CASSAR, Vlia Bomfim. Direito do trabalho. 2 ed. Niteri: Impetus, 2008. p. 11.

  • Cap. I INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 49

    Quadro Doutrinrio Natureza jurdica do Direito do Trabalho

    Teorias Doutrinadores Exemplo

    Direito unitrio

    Evaristo de Moraes Filho, gon Gottschalk e Arnaldo Sssekind

    Embora possuindo instituies e regras de direito pblico e dispositivos de carter privado, deveria ser entendido e aplicado de conformidade com a uni-dade emanada dos princpios doutrinrios que o fundamentam e das diretrizes oriundas dos respectivos sistemas legais (Arnaldo Sssekind).***

    (*) CESARINO JR., Antnio Ferreira. Direito Social. So Paulo: LTr, 1980. p 41.(**) GUSMO, Paulo Dourado de. Introduo ao estudo do direito. 27 ed. Forense: Rio de Janeiro, 2000. p 193 e p. 196.(***) SSSEKIND, Arnaldo, et all. Instituies de Direito do Trabalho. por: Arnaldo Sssekind e Joo de Lima Teixeira Filho. 19. ed. So Paulo: LTr, 2000. P. 126

    No se pode esquecer, por fim, que a legislao laboral constituda por dispositivos que estabelecem sanes de cunho administrativo. Assim, quando o empregador deixa de cumprir determinado comando da norma trabalhista e o rgo de fiscalizao do Ministrio do Trabalho e Emprego detecta essa omisso, pode lhe ser imputada uma multa que no se reverte em favor do trabalhador, mas sim do Estado. Visto sob esse prisma, ai sim, o Direito do Trabalho tambm pode ser classificado como ramo do Direito pblico.

    ATENO! Embora exista esse frutfero debate doutrinrio sobre qual seria a natureza jurdica do Direito do Trabalho, para efeito de concurso pblico tem prevalecido o entendimento no sentido de que o Direito do Trabalho possui natureza jurdica de Direito privado.

    1.6. Funes

    Em qualquer grupo social existem regras de conduta. Ao conjunto dessas regras atribui-se a denominao de Direito, tambm formado por princpios que, juntamente com as primeiras, so sistematicamente organizados.

    Se o Direito constitui pressuposto para a vida em sociedade, infere-se que sua funo primordial prevenir e solucionar os conflitos entre os membros de um grupo social:

    Existe o Direito porque o homem procura ordenar a sua coexistncia com outros homens pautando-a por meio de determinadas normas por ele dispostas no sentido de evitar um conflito de interesses e realizar um ideal de justia. O Direito um instrumento de reali-zao da paz e da ordem social, mas tambm se destina a cumprir outras finalidades, entre as quais o bem individual e o progresso da humanidade.13

    No mbito do Direito Laboral, por suas caractersticas que lhe so peculiares, observa--se que sua funo primeira evitar o eterno conflito entre os detentores do capital e os trabalhadores. Pretende-se chegar a esse objetivo por meio do estabelecimento de melhores condies de trabalho para os empregados, com a eliminao ou reduo da explorao do homem pelo homem.

    Essa espcie de trabalhador tambm denominada de hipossuficiente, porque se encontra em uma posio de inferioridade, no plano ftico, em face do empregador, que detm o poder de comando e direo da sua atividade (hiperssuficiente).14

    13. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: histria e teoria geral do direito do trabalho: relaes individuais e coletivas do trabalho. 19. ed. So Paulo: Saraiva, 2004. p. 221.

    14. A teoria da hipossuficincia explicada com detalhes, no Brasil, por Cesarino Jnior. (CESARINO JNIOR, Antnio Ferreira. Direito social. So Paulo: LTr, 1980. p. 44).

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior50

    No menos importante, entretanto, so as demais funes do Direito Laboral, que esto previstas, inclusive, no prembulo da Constituio da Organizao Internacional do Trabalho, quais sejam as de promover:

    a) a paz social permanente;b) as condies de liberdade e dignidade do trabalhador;c) a igualdade de condies.

    1.7. AutonomiaO Direito do Trabalho adquiriu status de autonomia aps o reconhecimento e consoli-

    dao da existncia de regras, princpios e institutos prprios que o diferenciava dos demais ramos do Direito, o que ocorreu com a edio, em vrios pases, de cdigos e consolidaes do trabalho e outros diplomas legais similares.

    Originou-se do Direito Civil, mais precisamente da parte que regulava as locaes de servios. Aps o advento da questo social, o Direito do Trabalho destacou-se do Direito Comum, em face da sua incompatibilidade com alguns os princpios deste ltimo.

    O Direito Civil refletia, basicamente, os princpios derivados do liberalismo, como a autonomia da vontade privada. J as normas que regulamentavam a relao de trabalho sofriam srias restries no que diz respeito ao mencionado instituto.

    Por conta disso, surgiu, progressivamente, um corpo de leis mais ou menos homogneas que propiciou a solidificao do Direito Laboral, formado por regras, princpios e institutos peculiares. Em alguns pases, esse conglomerado de normas jurdicas ensejou a codificao e, em outros, como o Brasil, uma consolidao de leis.15

    O resumo histrico relatado revela a existncia de uma autonomia legislativa do Direito do Trabalho. Contudo, para o reconhecimento da autonomia de um ramo do Direito necessrio a conjugao de outros fatores, como a autonomia cientfica, didtica e judicial.

    A autonomia cientfica tambm se encontra presente nesse ramo especfico do Direito. Com efeito, vrios doutrinadores preocupam-se com o estudo do Direito do Trabalho e produzem obras cientficas com esse contedo e formam, atualmente, um acervo considervel.

    A autonomia didtica constatada por meio da presena de uma cadeira especfica nos cursos de Graduao em Direito, para qual so dedicados dois ou trs semestres para o estudo do Direito do Trabalho e, em alguns casos, para o Direito Coletivo do Trabalho.

    Por fim, a autonomia judiciria serve para confirmar a total independncia do Direito do Trabalho, com a existncia de uma Justia Especializada na soluo dos conflitos trabalhistas, pelo menos em alguns pases, como o caso do Brasil, com a competncia definida pelo art. 114 da Constituio Federal de 1988.16

    15. A Consolidao das Leis do Trabalho CLT foi aprovada pelo Decreto-Lei n 5.452, de 1 de maio de 1943 e entrou em vigor seis meses depois. Uma Consolidao de leis constitui o estgio intermedirio entre uma compilao de leis e a codificao.

    16. CF/88. Art. 114. Compete Justia do Trabalho processar e julgar: I as aes oriundas da relao de trabalho, abrangidos os entes de direito pblico externo e da administrao pblica direta e indireta da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios.

  • Cap. I INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 51

    Exemplo de questo sobre o tema

    (Magistratura do Trabalho/TRT 21 2010) Assinale a opo INCORRETA:(A) Para que uma disciplina jurdica adquira efetiva autonomia so necessrias trs condies: domnio

    suficientemente vasto (ou campo temtico vasto e especfico), doutrinas homogneas (ou teorias prprias ao mesmo ramo jurdico investigado) e mtodo prprio (metodologia prpria de construo e reproduo da estrutura e dinmica do ramo jurdico enfocado). O Direito do Trabalho possui autonomia doutrinria, legislativa, didtica e jurisdicional.

    (B) Acerca da natureza jurdica do Direito do Trabalho, prepondera atualmente a sua classificao no seg-mento do Direito Privado.

    (C) Segundo a doutrina, em sentido amplo, a rea jurdica trabalhista pode ser dividida em: direito material do trabalho e direito pblico do trabalho. O direito material do trabalho compreende dois segmentos: o direito individual do trabalho e o direito coletivo do trabalho, enquanto o direito pblico do trabalho abrange: direito processual do trabalho; direito administrativo do trabalho e direito previdencirio e aci-dentrio do trabalho. controvertida a incluso do direito penal do trabalho como segmento do direito pblico do trabalho.

    (D) Destacam-se trs tipologias de interpretao do Direito: segundo o critrio da origem da interpretao efetuada; segundo o critrio dos resultados do processo interpretativo e segundo o critrio dos meios ou mtodos utilizados no processo de interpretao jurdica. A tipologia segundo o critrio da origem da interpretao aponta trs tipos de interpretao: autntica, jurisprudencial e doutrinria. Exemplo de interpretao autntica o decreto regulamentador de lei, com aptido, inclusive, para suprimir direito adquirido.

    (E) Nos sistemas jurdicos romano-germnico, principalmente nas vertentes de tradio latina, como o caso brasileiro, h resistncia terica a se conferir teor jurgeno (criador de Direito) ao papel interpreta-tivo desempenhado pelos Tribunais. Entretanto, a despeito disso insustentvel negar-se a dimenso criadora do direito inserida em inmeras smulas de jurisprudncia dos tribunais superiores brasileiros, como, por exemplo, a Smula 268 do TST, que trata da interrupo da prescrio da ao trabalhista arquivada (A ao trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrio somente em relao aos pedidos idnticos).

    Resposta: D.

    1.8. Relaes do direito do trabalho com os demais ramos do direito

    Apesar da notria autonomia que o Direito do Trabalho desfruta, no se pode negar a influncia que recebe dos demais ramos, mesmo porque todos no passam de especialidades do Direito em geral.

    A. Direito civil

    O Direito Civil um dos ramos que mais se aproxima do Direito Laboral. Ambos so ramos do Direito Privado e toda a sua teoria geral, alm de outros institutos, fazem parte do arcabouo do Direito do Trabalho, mesmo porque a CLT no contm um tpico destinado fixao de normas relativas Teoria Geral do Direito do Trabalho. Na verdade, esse ramo especfico da cincia do Direito cuida do estudo de um contrato em particular, mais preci-samente do contrato de trabalho.

    Constituem pressupostos para o conhecimento e aplicao do Direito do Trabalho, dentre outros, as regras e princpios relativos pessoa, bens, fatos jurdicos lato sensu, obrigaes, contratos etc., que so encontrados no Direito Civil.

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior52

    Como ressalta Pedro Romano Martinez, para o estudo do Direito do Trabalho indis-pensvel o conhecimento do Direito das Obrigaes:

    Sendo um ramo do Direito Privado, pressupe a aplicao de princpios e de regras de Direito Civil, sempre que no se tenham estabelecido regimes com especificidades. No , deste modo, concebvel o estudo do Direito do Trabalho desacompanhado, em particular, do Direito das Obrigaes; a viso interdisciplinar ser, pois, essencial.17

    B. Direito empresarial

    Mesmo aps a unificao legislativa do Direito dos Contratos e das Obrigaes Civis e Comerciais em um nico Diploma Legal, por meio do Cdigo Civil de 2002, que revogou a parte primeira do Cdigo Comercial (Lei n 556/1850), o Direito Comercial ainda mantm a sua caracterstica de ramo autnomo da cincia jurdica e fornece subsdios legais e prin-cipiolgicos para o Direito do Trabalho, sob a nova denominao de Direito Empresarial.

    Percebe-se essa influncia, por exemplo, no contedo da Lei n 11.101, de 09 de feve-reiro de 2005, que revogou o Decreto-Lei n 7.661/45, que trata da recuperao judicial, extrajudicial e falncia do empresrio e da sociedade empresria. Essa regra de grande importncia para o Direito do Trabalho, mormente no que diz respeito classificao dos crditos, com privilgio do crdito trabalhista at o limite de 150 salrios mnimos18, e a sucesso de empregadores.

    C. Direito penal

    Entre o empregado e o empregador existe uma relao de subordinao. o empregador quem dirige a atividade do trabalhador, no exerccio do seu poder diretivo, do qual deriva o poder disciplinar. Atos de insubordinao do empregado podem ser punidos,19 por meio das sanes de advertncia, suspenso e at mesmo despedida por justa causa.

    Assim, os institutos do Direito Penal so valiosos quando se pretende apurar a prtica de falta grave pelo empregado, ato que enseja a ruptura do contrato de trabalho sem nus financeiro para o empregador.

    O intrprete e aplicador do Direito do Trabalho podem utilizar os conceitos de autoria, materialidade, nexo de causalidade, gravidade, culpa e proporcionalidade na aplicao da pena, dentre outros.

    Observe-se, que a Consolidao das Leis do Trabalho, em diversos dispositivos, tipifica a prtica de crimes especficos no mbito laboral, conforme se v do teor do caput do seu art. 49:

    Art. 49. Para os efeitos da emisso, substituio ou anotao de Carteiras de Trabalho e Previdncia Social, considerar-se- crime de falsidade, com as penalidades previstas no artigo 299 do Cdigo Penal.

    17. MARTINEZ, Pedro Romano. Direito do trabalho. 3. ed. Lisboa: Pedro Ferreira Editor, 1998. p. 81.18. Lei n 11.101, de 09.02.2005. Art. 83. A classificao dos crditos na falncia obedece seguinte ordem: I os

    crditos derivados da legislao do trabalho, limitados a 150 (cento e cinquenta) salrios-mnimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho.

    19. A utilizao da expresso punio s possvel graas aceitao da teoria institucionalista da relao de emprego.

  • Cap. I INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 53

    D. Direito administrativoO Direito Administrativo e o Direito do Trabalho praticamente se confundem quando

    tratam das relaes do Estado com os seus servidores20. Se a referida relao deriva de um ato de insero do servidor no mbito da administrao pblica, regido por um estatuto prprio, a regulao deve ser efetivada pelo Direito Administrativo. Caso contrrio, se for originria de um contrato de emprego pblico, cabe ao Direito do Trabalho estabelecer as normas de conduta, mas de forma similar quela tratada pelo Direito Adminis trativo.

    Desse modo, existem os servidores pblicos, gnero do qual so espcies o empregado pblico e o servidor pblico stricto sensu ou funcionrio pblico. Em relao ao primeiro, aplicam-se as regras contidas no Direito do Trabalho e, quanto ao segundo, segue-se a regu-lao do Direito Administrativo. So comuns, entretanto, as regras relativas ao ingresso no servio pblico, aos direitos bsicos dos servidores pblicos etc., como se pode observar dos preceitos Constitucionais abaixo transcritos:

    Art. 37. II a investidura em cargo ou emprego pblico depende de aprovao prvia em concurso pblico de provas ou de provas e ttulos, de acordo com a natureza e a complexi-dade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeaes para cargo em comisso declarado em lei de livre nomeao e exonerao.

    Art. 39. 3. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo pblico o disposto no artigo 7, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admisso quando a natureza do cargo o exigir.

    Em outras questes, o Direito Administrativo auxilia, em muito, o Direito Laboral. Com efeito, a lei define o contedo mnimo do contrato de trabalho, que se incorpora a ele em forma de clusulas. Mas o desrespeito ao regramento estatal no gera apenas o direito subjetivo ao empregado de postular o seu implemento (efeito contratual), mas tambm ao prprio Estado de cobrar multas administrativas (efeito administrativo).

    Assim, tais multas assumem o carter de penalidade pecuniria, mas encontram sua previso legal na Consolidao das Leis do Trabalho e na legislao extravagante trabalhista. Em tais casos, a competncia da Justia do Trabalho para processar a execuo essa espcie de dvida.21

    E. Direito constitucionalA partir do surgimento da constituio do Mxico (1917) e de Weimar (1919), as consti-

    tuies de diversos pases, inclusive a do Brasil (1934), passaram a dedicar especial ateno ao Direito Social, com a salvaguarda dos direitos bsicos dos trabalhadores em captulo prprio.

    Atualmente, do Direito Constitucional extraem-se as regras basilares dos demais ramos da cincia jurdica, inclusive para o Direito do Trabalho, pois a Constituio Federal no se limita apenas a definir competncia e atribuir poderes.

    20. CF/88. Art. 39. 3. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo pblico o disposto no artigo 7, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admisso quando a natureza do cargo o exigir.

    21. CF/88. Art. 114. Compete Justia do Trabalho processar e julgar: VII as aes relativas s penalidades adminis-trativas impostas aos empregadores pelos rgos de fiscalizao das relaes de trabalho.

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 131

    9. QUADRO SINPTICO

    Captulo I Introduo ao Direito do Trabalho

    Instituto Contedo Item

    Conceito

    O Direito do Trabalho o ramo do Direito composto por regras e princpios, sistemati-camente ordenados, que regulam a relao de trabalho subordinada entre empregado e empregador, acompanhado de sanes para a hiptese de descumprimento dos seus comandos.

    1.1

    Denominaes Direito do Trabalho, Direito Social, Direito Operrio, Direito Industrial, Direito Corpo-rativo e Direito Laboral. 1.2

    Caractersticas

    Proteo excessiva pessoa do empregado ao conferir um tratamento desigual entre os representantes do capital e do trabalho. O trabalhador sempre considerado ele-mento frgil da relao laboral (plano ftico ou plano material). Para compensar essa hipossuficincia, a Lei concede ao empregado vrias prerrogativas (plano jurdico), alm de limitar o poder de disposio dos seus direitos.

    1.3

    Diviso

    Direito Individual do

    Trabalho

    Conjunto de regras e princpios que regulam a relao entre empregado e empregador individualmente considerados.

    1.4Direito

    Coletivo do Trabalho

    Conjunto de regras e princpios destinados a regulamentar a atividade dos entes coletivos representativos dos empregados (sindicato da categoria profissional) e empregadores (sindicato da categoria econmica). Tem como objetivo evitar o surgimento de conflito, alm de traar diretrizes para a fixao de normas profissionais pelos prprios interessados.

    Natureza jurdica Ramo integrante do Direito Privado, mas h divergncia na doutrina. 1.5

    Funes

    Evitar os conflitos entre os detentores do capital e os trabalhadores; estabelecer, em regra, melhores condies de trabalho para os empregados, eliminar ou reduzir a ex-plorao desumana do trabalhador; promover a paz social, a liberdade e a dignidade do trabalhador.

    1.6

    Fontes do Direito do Trabalho

    Conceito

    Fontes formais do Direito correspondem s manifestaes provenientes do Estado e, excepcionalmente, aquelas emanadas da prpria sociedade, reconhecidas por esse mesmo Direito, que do origem s normas e aos princpios que regulamentam a vida em sociedade.

    2.1

    Classificao

    Fontes estatais ou heternomas Constituio, lei, decreto e sentena normativa.

    2.2Fontes profissio-nais ou autno-

    mas

    Conveno coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho, regulamento da empresa e, para alguns, o contrato individual de trabalho.

    Hierarquia

    A regra clssica da hierarquia das leis, que compem determinado ordenamento jur-dico, deixa de incidir em determinada hiptese ftica, por conta da existncia de outra norma que imprima tratamento diferenciado e mais benfico ao operrio. Representa o princpio da aplicao da regra mais favorvel que norteia o Direito Laboral.

    2.3

    Formas de soluo dos

    conflitos trabalhistas

    AutnomaForma de soluo dos conflitos quando ela ocorre e efetiva-se somente com a participao dos indivduos, cujos interesses so divergentes, como o caso da autotutela e da autocomposio. 2.4

    Heternoma Acontece quando um terceiro chamado para por fim diver-gncia. So suas espcies a mediao, a arbitragem e a jurisdio.

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior132

    Captulo I Introduo ao Direito do Trabalho

    Instituto Contedo Item

    Interpretao do Direito do Trabalho

    Conceito Tcnica pela qual se elimina uma possvel ambiguidade existente na norma jurdica para extrair o seu verdadeiro sentido com o uso de diversos mtodos de exegese. 3

    Caracterstica da interpretao

    no Direito do Trabalho

    Na interpretao do Direito do Trabalho deve-se observar o princpio protetivo, do qual deriva a regra do in dubio pro operario. Em caso de dvida sobre o verdadeiro alcance da norma trabalhista, deve-se optar por aquela que mais beneficie o empregado.

    3

    ClassificaoQuanto ao resultado Extensiva, restritiva e declarativa. 3.1

    Quanto fonte Autntica, jurisprudencial e doutrinria.

    Mtodos de exegese Literal, gramatical ou filolgico; teleolgico, sistemtico, evolutivo e histrico. 3.2

    Integrao do Direito do Trabalho

    Conceito Tcnica destinada a eliminar as lacunas existentes no ordenamento jurdico, para atender ao princpio da completude. 4

    Meios de integrao

    Jurisprudncia, analogia, equidade e outros princpios e normas gerais de direito, principalmente do Direito do Trabalho e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o Direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevalea sobre o interesse pblico (art. 8 da CLT).

    4.1

    Princpios e regras

    ProteoPrincpio dos princpios do Direito do Trabalho, diz respeito ne-cessidade de proteger o empregado contra os atos do empregador, enquanto estiver sob o poder de comando e direo deste ltimo.

    4.5

    In dubio pro operario

    Quando existirem interpretaes divergentes em relao mesma norma jurdica a ser aplicada a determinado caso concreto, ser dada preferncia quela interpretao que mais favorea ao empregado.

    Regras mais favorvel

    Quando coexistirem duas ou mais normas tratando da mesma questo de forma diversa, ser aplicada, no caso concreto, aquela que seja mais favorvel ao empregado.

    Condio mais benfica

    Do conflito entre uma condio de trabalho derivada da relao de emprego e a norma jurdica, prevalece a primeira quando for considerada mais vantajosa para o empregado.

    Irrenunciabilidade

    Veda-se a possibilidade do empregado despojar-se do direito subjetivo trabalhista de que titular, em face da presuno de vcio na sua manifestao de vontade quando ela direcionada no sentido de renunciar determinado direito trabalhista.

    ContinuidadePresume-se que a inteno dos contratantes e principalmente do empregado de protrair indefinidamente, no tempo, a execuo do pacto laboral.

    Primazia da realidade

    Prevalece a realidade dos fatos em detrimento ao que ficou registrado nos instrumentos formais de sua constituio.

    Substituio automtica das clusulas nulas

    Quando, por vontade unilateral do empregador ou mesmo por acordo de vontades, estabelecem-se clusulas que ofendem o estatuto mnimo de proteo ao trabalhador, estas so considera-das nulas de pleno direito. Assim, h uma substituio automtica da clusula convencional por uma clusula equivalente prevista no ordenamento jurdico.

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 133

    Captulo I Introduo ao Direito do Trabalho

    Instituto Contedo Item

    Princpios e regras

    RazoabilidadeRepresenta a aplicao da racionalidade no Direito com vistas a afastar o reconhecimento de situaes fticas extremas, absurdas e inaceitveis pelo senso comum do homem mdio.

    4.5

    Boa-f

    Deriva da mxima romana neminem laedere, ou seja, da inteno de no lesar ningum. Impe ao devedor da obrigao o dever de agir da mesma forma que se conduziria se estivesse ocupando a posio inversa, ou seja, a posio de credor ou de titular de um direito subjetivo.

    No-discriminao

    Deriva do princpio geral do direito da igualdade, que considera todos iguais perante a lei. A orientao no sentido de que o trabalhador no pode sofrer qualquer tipo de discriminao, seja em razo da cor, raa, credo, idade, sexo ou opinio, tanto no momento da sua admisso quanto durante a execuo do contrato de trabalho.

    Princpios constitucionais

    Dignidade da pessoa humana; valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; ordem econmica, fundada na valorizao do trabalho humano e na livre iniciativa; igualdade, sem distino de qualquer natureza; liberdade de trabalho, ofcio, profisso e associao para fins lcitos; busca do pleno emprego.

    Aplicao do Direito do Trabalho

    Vigncia: conceito

    a capacidade da norma de produzir efeitos jurdicos, no sentido de vincular as pessoas que se enquadrem na hiptese nela contida.

    5.1Espcies

    No tempo

    A norma trabalhista estatal, em face do seu carter de perenidade, em regra, permanece em vigor at que outra lhe retire a eficcia, parcial ou total, de forma expressa ou tcita. J os instrumentos normativos negociados tm sua eficcia limitada no tempo, sendo no mximo de dois anos, enquanto que a sentena normativa esse prazo pode ser estendido por at quatro anos.

    No espao

    A norma estatal trabalhista vlida em todo o territrio nacio-nal. Se a norma laboral de origem no-estatal, os seus limites espaciais circunscrevem aos integrantes da categoria econmica (empregadores) e profissional (empregados) que celebraram a conveno coletiva de trabalho ou o acordo coletivo de trabalho e dentro da base territorial do sindicato. No caso do regulamento da empresa, suas regras s se aplicam aos empregados que laboram no mbito dos seus estabelecimentos.

    RevogaoOcorre a revogao quando uma lei posterior assim o dispuser de forma expressa, quando tratar da mesma matria de forma diversa ou for com ela incompatvel (re-vogao tcita).

    5.2

    IrretroatividadeA lei no tem efeitos retroativos. Passa a reger as situaes presentes e futuras a partir da data em que entra em vigor. A nova lei no poder prejudicar o direito adquirido, o ato jurdico perfeito e a coisa julgada.

    5.3

    Indisponibilidade no Direito do Trabalho

    Caractersticas Inalienabilidade, impenhorabilidade, intransacionabilidade e irrenunciabilidade. 6.1

    Irrenunciabilidade

    Grande parte dos direitos subjetivos dos empregados so relativamente indispon-veis. Isso porque existe a possibilidade do trabalhador renunci-los em determinadas situaes. Assim, a renncia no permitida na fase de formao e de execuo do contrato de trabalho, porque nessas oportunidades o empregado encontra-se submetido ao poder de comando e direo do empregador. Desse modo, presume--se viciada a sua manifestao de vontade quando aceita reduzir ou eliminar direitos mnimos garantidos pela lei.

    6.1

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior134

    Captulo I Introduo ao Direito do Trabalho

    Instituto Contedo Item

    Transao

    Pelo mesmo fundamento atribudo impossibilidade relativa da renncia, no se ad-mite, no Direito do Trabalho, a transao de direitos na fase de formao e durante a execuo do contrato de trabalho. Entretanto, ao contrrio da renncia, inexiste na transao a certeza do direito por parte do seu pretenso titular. A transao em juzo, durante a execuo do contrato de trabalho, aceita, desde que se trate de crditos e no de direitos abstratamente considerados.

    6.2

    Flexibilizao

    Conceito

    Consiste na terceira mudana radical no regime de trabalho, aps a revoluo industrial e decorre da realidade poltica atual do neo-liberalismo, que pretende conferir efeitos plenos autonomia da vontade privada de patres e empregados, por meio de atos praticados por si prprios ou representados pela entidade sindical.

    7

    10. INFORMATIVOS DO TST SOBRE A MATRIA

    Banco do Brasil. Anunios. Previso originria em norma regulamentar interna. Incorporao ao con-trato de trabalho. Supresso posterior. Ausncia de renovao em norma coletiva. Prescrio parcial. Inaplicabilidade da Smula 294 do TST.

    No se aplica o entendimento consubstanciado na Smula n 294 do TST controvrsia em torno da prescri-o incidente sobre a pretenso ao recebimento de anunios previstos originalmente em norma regulamen-tar e suprimidos, posteriormente, por ausncia de renovao em acordo coletivo. O direito a esse benefcio, antes mesmo de ter sido tratado em norma coletiva, j havia aderido ao contrato de trabalho dos empre-gados do Banco do Brasil, cujo descumprimento implica leso que se renova ms a ms, atraindo apenas a prescrio parcial. No caso concreto, verificou-se que o adicional por tempo de servio (no regime de quin-qunios), previsto em norma interna e pago desde o incio do contrato, foi transmudado, por fora de acordo coletivo, para a modalidade de anunios, os quais deixaram de constar das normas coletivas subsequentes. Diante disso, entendeu-se que a insubsistncia da clusula de anunio no poderia prevalecer ante o direito adquirido dos empregados, decorrente da percepo habitual e por longo tempo dessa vantagem. Sob esses fundamentos, a SBDI-1, unanimidade, conheceu do recurso de embargos do sindicato-autor, por divergncia jurisprudencial, e, no mrito, por maioria, deu-lhe provimento para restabelecer a sentena, determinando a remessa dos autos Turma de origem para que proceda ao exame dos demais tpicos do recurso de revista do reclamado, vencidos os Ministros Guilherme Augusto Caputo Bastos, Antonio Jos de Barros Levenhagen, Joo Oreste Dalazen, Aloysio Corra da Veiga e Walmir Oliveira da Costa. TST-E-ED-RR-151-79.2011.5.04.0733, SbDI-1, rel. Ministro Luiz Phillippe Vieira de Mello Filho, 24.9.2015 (TST. Info n 119).

    Caixa Econmica Federal CEF. Horas extraordinrias. Gerente bancrio. Jornada de seis horas assegu-rada mediante norma interna. Alterao da jornada para oito horas por fora do Plano de Cargos em Comisso de 1998. Prescrio parcial.

    Incide a prescrio parcial, nos termos da parte final da Smula n 294 do Tribunal Superior do Trabalho, sobre a pretenso de horas extraordinrias decorrentes de alterao unilateral da jornada de trabalho apli-cvel aos bancrios ocupantes de cargo de confiana (de seis para oito horas dirias) em virtude do novo Plano de Cargos em Comisso institudo pela Caixa Econmica Federal em 1998, pois configurada leso de trato sucessivo a direito que est fundamentado em preceito de lei, qual seja jornada prevista no artigo 224 da CLT. Sob esses fundamentos, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos por contrariedade Smula n 294 e, no mrito, por maioria, deu-lhes provimento para afastar a prescrio total, aplicando-se ao caso a prescrio parcial quanto ao pagamento de horas extraordinrias em razo da alterao do plano de cargos e comisses e determinar o retorno dos autos egrgia 3 Turma para que prossiga no julgamento dos recursos de revista, como entender de direito. Vencidos os Ministros Joo Oreste Dalazen, Antonio Jos de Barros Levenhagen e Renato de Lacerda Paiva. Ressalva de entendimento do Ministro Mrcio Eurico Vitral Amaro. TST-E-RR-33000-71.2008.5.04.0002, SBDI-I, rel. Min. Caputo Bastos, 27.8.2015 (TST. Info n 115).

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 135

    Prescrio. Indenizao por dano moral e material. Excluso do empregado e dependentes do quadro de beneficirios do plano de sade (CASSI) e da entidade de previdncia privada (PREVI). Fluncia do prazo prescricional. Ajuizamento de protesto judicial e gozo de auxlio doena e posterior aposentado-ria por invalidez.

    Incide a prescrio total do direito de ao para postular indenizao por dano moral e material suposta-mente infligido ao empregado e a seus dependentes, a partir da supresso de benefcios de plano de sade (CASSI) e de previdncia complementar (PREVI), no curso de inqurito administrativo interno. No caso, o reclamante postulou o pagamento de indenizao por dano moral e material por haver sido desligado compulsoriamente, desde 1/11/2002, do rol de beneficirios da entidade de previdncia privada PREVI, bem como da sua excluso e de seus dependentes, na mesma data, dos benefcios assegurados pela CASSI (consultas e/ou reembolso de medicamentos e internaes). O marco inicial do prazo prescricional a data da supresso dos benefcios, 1/11/2002, anteriormente, portanto, da entrada em vigor da Emenda Constitucional n 45/2004. No caso, a norma de regncia do prazo prescricional o Cdigo Civil de 2002. Decorridos menos de 10 anos entre a cincia inequvoca da leso, em 2002, e a data da entrada em vigor do Cdigo Civil de 2002 (11/1/2003), incide a regra de transio insculpida no artigo 2.028 do novo Cdigo. Assim, a partir da entrada em vigor do Cdigo Civil de 2002, dispunha o Autor de trs anos, at 11/1/2006, para ajuizar, perante a Justia do Trabalho, ao de reparao por dano moral e material decorrente da supresso de plano de sade e de benefcios previdencirios relacionados ao contrato de trabalho, no impedindo a fluncia do prazo prescricional a concesso da aposentadoria por invalidez, em 20/12/2004, ou o cancelamento da demisso do reclamante, ou, ainda, os anteriores e sucessivos afastamentos por gozo de auxlio-doena. O fato de a Orientao Jurisprudencial n 375 da SBDI-1 aludir prescrio quinquenal tra-balhista no impede a adoo do mesmo raciocnio para os casos em que se aplica a prescrio trienal cvel, prevista no artigo 206, 3, V, do Cdigo Civil de 2002. Sob esses fundamentos, a SBDI-1, por unanimidade, no conheceu dos embargos interpostos pelo reclamante. TST-E-ED-RR-63440-83.2008.5.03.0097, SBDI-I, rel. Min. Joo Oreste Dalazen, 20.8.2015 (TST. Info n 114).

    Prescrio. Ao de reparao de danos materiais. Demanda proposta por empregador em face de ex--empregado. Leso ocorrida antes da vigncia da Emenda Constitucional n 45, de 30 de dezembro de 2004. Prazo aplicvel.

    Ainda que a leso tenha ocorrido em 1999, antes da entrada em vigor da Emenda Constitucional n 45/2004, aplica-se o prazo prescricional trabalhista, previsto no artigo 7, XXIX, da Constituio Federal. Isso porque se trata de lide no relacionada indenizao por danos morais ou materiais decorrentes de acidente do trabalho ou doena ocupacional. Nessas hipteses, tem-se por irrelevante a data da publicao da Emenda Constitucional n 45/04, pois h muito se fazia firme a jurisprudncia desta Corte e do Supremo Tribunal Federal a respeito da competncia da Justia do Trabalho. No caso, a ao de reparao do indbito foi ajuizada no ano de 2006 pelo empregador em face de ex-empregado em virtude de supostas irregularida-des apuradas em Procedimento Administrativo realizado no ano de 1999. Transcorrido, portanto, o prazo prescricional trabalhista para o ajuizamento da ao, que o mesmo tanto para empregado quanto para empregador. Sob esses fundamentos, a SBDI-1, por unanimidade, conheceu do recurso de embargos da reclamada, por divergncia jurisprudencial, e, no mrito, por maioria, negou-lhe provimento, vencidos os Ministros Renato de Lacerda Paiva, relator, Aloysio Corra da Veiga, Augusto Csar Leite de Carvalho e Cludio Mascarenhas Brando. TST- EEDRR 1500-41.2006.5.07.0012, SBDI-I, red. Min. Mrcio Eurico Vitral Amaro, 25.6.2015 (TST. Info n 112).

    Turnos ininterruptos de revezamento. Norma coletiva. Fixao da jornada de trabalho em 8 horas di-rias. Intervalo intrajornada parcialmente concedido. Smula n 423 do TST.

    Nos termos da Smula n 423 do Tribunal Superior do Trabalho, vlida a norma coletiva que fixa a jornada de oito horas dirias para o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento quando extrapolada a jornada pelo descumprimento do intervalo intrajornada. A no concesso, parcial ou integral, do intervalo mnimo para refeio implica o pagamento do total correspondente, com acrscimo de, no mnimo, 50% do valor da remunerao da hora normal de trabalho, mas no torna essa hora ficta equivalente hora extraordi-nria, tampouco invalida a jornada de oito horas pactuada. Sob esses fundamentos, a SBDI-I, por maioria, negou provimento ao agravo regimental, vencidos os Ministros Alexandre de Souza Agra Belmonte, relator,

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior136

    Augusto Csar Leite de Carvalho, Jos Roberto Freire Pimenta e Hugo Carlos Scheuermann. TST-AgR-E-ED--RR-423-68.2012.5.15.0107, SBDI-I, red. Min. Cludio Mascarenhas Brando, 25.6.2015 (TST. Info n 112).

    Prescrio. Actio nata. Indenizao por danos morais e materiais. Ao criminal proposta pelo empre-gador aps a dispensa por justa causa. Falsificao de atestado mdico. Absolvio criminal superve-niente. Art. 200 do Cdigo Civil.

    Nos termos do art. 200 do Cdigo Civil, conta-se a prescrio da pretenso relativa indenizao por danos morais e materiais decorrentes de falsa imputao de crime efetuada por ex-empregador a partir do trnsito em julgado da sentena penal definitiva. No caso, entendeu-se que a causa de pedir da reclamao traba-lhista no estava alicerada na reverso da justa causa aplicada, mas sim na m-f da empresa em falsificar o atestado mdico e imput-lo reclamante, de modo que a cincia inequvoca da responsabilidade pelo dano somente ocorreria com o trnsito em julgado da sentena penal absolutria. Assim, verificado o trnsito em julgado da ao penal em 16/01/2007, a qual atribuiu prpria empresa a autoria e a materialidade da adulterao do atestado mdico, e o ajuizamento da reclamao em 14/08/2008, antes de esgotado o prazo prescricional bienal, no h prescrio a ser declarada. Sob esse entendimento, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu do recurso de embargos por divergncia jurisprudencial, e, no mrito, por maioria, deu-lhe pro-vimento para, afastada a prescrio total, determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional do Trabalho da 2 Regio, a fim de que prossiga no julgamento do recurso ordinrio da reclamada, como entender de direito. Vencidos os Ministros Renato de Lacerda Paiva, relator, Aloysio Corra da Veiga, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho e Guilherme Augusto Caputo Bastos. TST-E-RR-201300-40.2008.5.02.0361, SBDI-I, red. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, 28.5.2015 (TST. Info n 109).

    Prescrio. Interrupo do prazo pelo ajuizamento de ao pretrita. Identidade formal dos pedidos. M aplicao da Smula n 268 do TST. Singularidade das pretenses deduzidas em juzo. Ausncia de identidade substancial.

    A ausncia de identidade substancial dos pedidos no sentido amplo da palavra, abrangida tambm a causa de pedir , no tem o condo de interromper o curso dos prazos prescricionais luz da Smula n 268 do TST. No basta a mera identidade formal dos pedidos para interrupo da prescrio, devendo configurar-se a identidade substancial, de modo a alcanar a prpria causa de pedir, verdadeira gnese da pretenso jurdica de direito material que se busca alcanar mediante o exerccio do direito de ao. Por tais fundamentos, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos interpostos pela reclamada por contrariedade Smula n 268 do TST (m aplicao), e, no mrito, deu-lhes provimento para restabelecer, por fundamento diverso, a prescrio total declarada no acrdo do Regional apenas quanto ao pleito de indenizao por dano moral e material decorrente de doena profissional (LER/DORT) e, no tpico, julgar extinto o processo, com resoluo do mrito, nos termos do art. 269, IV, do CPC. Na espcie, o reclamante ajuizou ao perante a Justia comum, em 4.2.2005, na qual postulou a indenizao por dano moral e pen-so mensal em face do desenvolvimento de transtornos psquicos (neurose das telefonistas e sndrome do pnico) no exerccio da atividade de atendente de telecomunicaes. Em uma segunda ao, proposta em 2.3.2006, perante a Justia do Trabalho, pleiteou o pagamento de penso mensal vitalcia e indenizao por dano moral em razo do desenvolvimento de LER/DORT tambm decorrente da atividade de atendente de telecomunicaes. Aps fixada a competncia material da Justia do Trabalho para julgar causas relativas a acidente do trabalho, as duas aes foram reunidas, sendo pronunciada a prescrio total em ambas pelas instncias ordinrias, com aplicao da regra prevista no art. 7, XXIX, da CF. Em sede de recurso de revista, porm, a Segunda Turma deu provimento ao recurso para afastar a prescrio total e determinar o retorno dos autos Corte Regional para apreciao dos pedidos de indenizao, considerando, para tanto, ter havido a interrupo da prescrio com a proposio da primeira ao nos termos da Smula n 268 do TST. Reformando tal deciso, entendeu a SBDI-I que ainda que as aes derivem de uma origem comum, qual seja, o contrato de trabalho celebrado para o exerccio da funo de atendente de telecomunicaes, os pedidos so distintos, com causas de pedir diversas. Se na primeira ao a indenizao por dano moral e o pedido de penso se originam do desenvolvimento de transtornos psquicos, na segunda a indenizao decorrente do acometimento de LER/DORT, o que impede, portanto, a interrupo do prazo prescricional. No obstante esse posicionamento, a Subseo manteve a prescrio pronunciada na segunda ao, pois a actio nata, data da concesso da aposentadoria por invalidez, ocorreu em 2002, ou seja, em data anterior a vigncia da Emenda Constitucional n 45/04, a atrair o prazo do Cdigo Civil. Assim, decorridos menos de

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior142

    verbete resguardar o ato jurdico perfeito que se aperfeioa com a a livre adeso s vantagens de um plano mediante a renncia ao regulamento de complementao de aposentadoria anterior, sendo indife-rente o fato de a opo referir-se a plano de previdncia privada ou a regulamento de empresa. Com esses fundamentos, a SBDI-I, em sua composio plena, conheceu dos embargos da reclamante, por divergncia jurisprudencial, e, no mrito, por maioria, negou-lhes provimento, mantendo o entendimento adotado pela Turma no sentido de que a opo da empregada pelo BRTPREV/2002 implicou renncia s regras do plano anterior. Vencidos os Ministros Jos Roberto Freire Pimenta, Joo Oreste Dalazen, Renato de Lacerda Paiva e Delade Miranda Arantes. TST-E-RR-140500-24.2008.5.04.0027, SBDI-I, rel. Min. Aloysio Corra da Veiga, 18.4.2013 (TST. Info n 43).

    Atividade Docente. Instrutora de informtica. Curso profissionalizante. Reconhecimento da condio de professora. Princpio da primazia da realidade.

    Tendo em conta o princpio da primazia da realidade que rege as normas de Direito do Trabalho, a empre-gada contratada para o exerccio da atividade de instrutora de informtica, em estabelecimento que oferece cursos profissionalizantes, tem direito ao reconhecimento da condio de professora e percepo das parcelas trabalhistas prprias dessa categoria. As exigncias formais previstas no art. 317 da CLT so dirigidas aos estabelecimentos particulares de ensino. Assim, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos, por divergncia jurisprudencial, e, mrito, negou-lhes provimento. TST-E-ED-RR-6800-19.2007.5.04.0016, SBDI--I, rel. Min. Joo Oreste Dalazen, 11.4.2013 (TST. Info n 42).

    Radialista. Enquadramento. Lei n 6.615/78. Registro. Ausncia. Princpio da primazia da realidade.

    A ausncia de registro perante a Delegacia Regional do Trabalho no bice para o enquadramento do empregado na condio de radialista, desde que preenchidos os requisitos essenciais previsto na Lei n 6.615/78, quais sejam, a prestao de servio empresa equiparada de radiodifuso (art. 3) e o exerccio de uma das funes em que se desdobram as atividades mencionadas no art. 4 da referida lei. No caso, prevaleceu a tese de que a inobservncia de exigncia meramente formal no afasta o enquadramento pre-tendido, em ateno ao princpio da primazia da realidade e no recepo da norma limitativa da liberdade de expresso pela Constituio Federal de 1988, na esteira da jurisprudncia do STF quanto exigncia de diploma de jornalista. Assim, a SBDI-I, por unanimidade, no tpico, conheceu dos embargos do reclamante, por divergncia jurisprudencial e, no mrito, deu-lhes provimento para restabelecer a deciso do Regional, que enquadrou o empregado como radialista. TST-E-ED-RR-2983500-63.1998.5.09.0012, SBDI-I, rel. Min. Jos Roberto Freire Pimenta, 7.3.2013 (TST. Info n 39).

    11. QUESTES

    11.1. Questes objetivas

    1. (TRT 9 R. Analista/2010) De acordo com a Consolidao das Leis do Trabalho, as Comisses de Conci-liao Prvia:(A) institudas no mbito da empresa tero 1/3 de seus membros indicados pelo empregador, em escrutnio,

    secreto, fiscalizado pelo sindicato da categoria profissional.(B) institudas no mbito da empresa sero compostas de, no mnimo, dois e, no mximo, dez membros,

    com mandato de um ano, permitida uma reconduo.(C) tm prazo de quinze dias para a realizao da sesso de tentativa de conciliao, a partir da provocao

    do interessado.(D) devem possuir carter intersindical, sendo vedada a constituio por grupos de empresas.(E) so rgos administrativos cujo objetivo a tentativa de conciliao entre empregados e empregadores,

    sendo que o seu termo de conciliao no possui carter de ttulo executivo extrajudicial.

    2. (TRT 2 Juiz do Trabalho Substituto 2 regio/ 2012) Analise as proposies sobre a interpretao e a eficcia das normas trabalhistas no tempo e no espao e ao final responda.

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 143

    I. Segundo o princpio da irretroatividade, a lei nova no se aplica aos contratos de trabalho j terminados, nem mesmo aos atos jurdicos j praticados nos contratos de trabalho em curso no dia do incio da sua vigncia.

    II. De acordo com o princpio do efeito imediato, quando um ato jurdico, num contrato em curso, no tiver sido praticado, o ser segundo as regras da lei nova.

    III. Em razo do princpio da territorialidade ao estrangeiro contratado por empresa multinacional em seu pas e que preste servios no Brasil, ser aplicvel a legislao do seu pas de origem ou a legislao do Brasil, cabendo a escolha ao empregador.

    IV. No ramo justrabalhista prevalece tcnica de interpretao teleolgica que estabelece uma conexo entre os diferentes textos legais, onde o intrprete busca o significado, a coerncia e harmonia do texto legal, socorrendo-se de tcnicas da lgica formal.

    V. O direito do trabalho tem marcada funo social, o que influi na interpretao, bem como na aplicao das normas, de modo que a utilizao do princpio da norma mais favorvel ao trabalhador prevalece sobre a teoria de Kelsen sobre a hierarquia das normas.

    Esto corretas apenas as proposituras:(A) I, II e V.(B) II e IV.(C) III e V.(D) I, II e III.(E) IV e V.

    3. (TRT 8 R. Analista Judicirio/rea Adm/2013) So direitos expressamente garantidos pela CF aos trabalhadores urbanos e rurais:(A) distino entre o trabalho tcnico, manual e intelectual, aposentadoria e repouso semanal remunerado,

    preferencialmente aos domingos.(B) seguro-desemprego, irredutibilidade do salrio, salvo exceo prevista em conveno ou acordo cole-

    tivo, e anotao do contrato de emprego na CTPS.(C) fundo de garantia do tempo de servio, intervalo mnimo de uma hora para repouso durante a jornada

    de trabalho e dcimo terceiro salrio.(D) salrio mnimo fixado em lei e nacionalmente unificado, licena-paternidade e coincidncia do perodo de

    frias no trabalho com as frias escolares, se o trabalhador tiver menos de dezoito anos de idade.(E) proteo em face da automao, aviso prvio proporcional ao tempo de servio e licena gestante,

    sem prejuzo do emprego e do salrio.

    4. (TRT 9 R. Analista Judicirio/rea Adm/2010) De acordo com o artigo 10 da Consolidao das Leis do Trabalho, qualquer alterao na estrutura jurdica da empresa no afetar os direitos adquiridos por seus empregados. Entende-se por direito adquirido aquele que(A) o beneficirio ainda no reuniu todas as condies para adquirir o direito, mas faz parte do seu patrim-

    nio econmico, aguardando a implementao apenas de uma determinada condio econmica.(B) entrou no patrimnio econmico de uma pessoa, por ter implementado todos os requisitos para este

    fim, podendo ser exercido a qualquer momento.(C) entrou no patrimnio econmico de uma pessoa, por ter implementado todos os requisitos para este

    fim, mas no pode ser exercido no momento da demisso.(D) o beneficirio ainda no reuniu todas as condies para adquirir o direito, mas faz parte do seu patrim-

    nio jurdico, aguardando a implementao apenas de uma determinada condio legal.(E) entrou no patrimnio jurdico de uma pessoa, por ter implementado todos os requisitos para este fim,

    podendo ser exercido a qualquer momento.

    5. (TRT 21 R. Analista/Execuo de mandados/2010) Acerca dos princpios que regem o direito do tra-balho, julgue o prximo item. Os contratos por prazo determinado, bem como o contrato de trabalho temporrio, so excees ao

    princpio da continuidade da relao de emprego.

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior144

    6. (Instituto de Pesquisas Tecnolgicas Advogado/2011) Segundo a Consolidao das Leis do Trabalho, as autoridades administrativas e a Justia do Trabalho, na falta de disposies legais ou contratuais, deci-diro, conforme o caso, pela(A) equidade e outros princpios do Direito Civil e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito da OIT,

    com prioridade ao interesse de classe com discusso tripartite.(B) analogia e outros princpios do Direito Civil, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o Direito

    Comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevalecer sobre o interesse pblico.

    (C) jurisprudncia, por analogia, por equidade e outros princpios e normas gerais de Direito, principalmente do Direito do Trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o Direito Comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevalea sobre o interesse pblico.

    (D) equidade e outros princpios e normas gerais de Direito Civil e, ainda, do Direito Constitucional.(E) igualdade de direitos, pelas normas gerais do Direito e pelas regras do Direito Civil.

    7. (PGE/RO Procurador do Estado Substituto/2011) Em relao aos princpios do Direito do Trabalho, INCORRETO afirmar:(A) O princpio da aplicao da norma mais favorvel aplica-se da seguinte forma: havendo normas vlidas

    incidentes sobre a relao de emprego, deve-se aplicar aquela mais benfica ao trabalhador.(B) O princpio da continuidade da relao de emprego tem como finalidade a preservao do contrato de

    trabalho, de modo que haja presuno de que este seja por prazo indeterminado, permitindo-se a con-tratao por prazo certo apenas como exceo.

    (C) O princpio da primazia da realidade indica que os fatos reais devem prevalecer sobre os documentos assinados pelo empregado.

    (D) O princpio da irrenunciabilidade significa a no admisso, em tese, que o empregado abra mo de seus direitos trabalhistas, em grande parte imantados de indisponibilidade absoluta.

    (E) O princpio protetor representado pela trplice vertente: in dubio pro societate, a aplicao da norma mais favorvel e a condio mais benfica.

    8. (TRT 2 Juiz do Trabalho Substituto 2 regio/ 2012) O artigo 8 da CLT dispe que: As autoridades administrativas e a Justia do Trabalho, na falta de disposies legais ou contratuais, decidiro, conforme o caso, pela jurisprudncia, por analogia, por equidade e outros princpios e normas gerais de direito, prin-cipalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevalea sobre o interesse pblico. A anlise literal da previso legal contida no dispositivo implica em:(A) utilizao dos princpios do direito do trabalho como modo de evitar e retificar os efeitos no desejveis

    da legislao trabalhista;(B) enumerao taxativa das fontes formais do direito do trabalho;(C) atribuio de funo integrativa do direito positivo para os princpios gerais do direito do trabalho, que

    sero aplicveis pelo julgador diante das lacunas da lei;(D) utilizao da jurisprudncia como fonte formal prevalente sobre as demais enumeradas no artigo;(E) prevalncia da analogia e da equidade sobre as demais fontes formais previstas no diploma legal.

    9. (TRT 2 Juiz do Trabalho Substituto 2 regio/ 2012) Em relao aos institutos da renncia e transao no Direito Individual do Trabalho, conforme jurisprudncia sumulada do TST, INCORRETO afirmar que:(A) o Direito Individual do Trabalho tem na indisponibilidade de direitos trabalhistas por parte do empre-

    gado um de seus princpios mais destacados;(B) em face do exerccio de prerrogativa legal pelo devedor trabalhista, a prescrio e a decadncia geram a

    supresso dos direitos laborais, sem afronta ao princpio bsico da indisponibilidade;(C) a renncia caracteriza-se por ato unilateral da parte, por meio do qual ela se despoja de um direito de

    que titular, sem correspondente concesso pela parte beneficiada pela renncia;(D) a transao constitui-se em ato bilateral ou plurilateral, pelo qual se acertam direitos e obrigaes entre as

    partes acordantes, mediante concesses recprocas, envolvendo questes fticas ou jurdicas duvidosas;

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 145

    (E) em razo da possibilidade da realizao de atos contratuais trabalhistas de forma tcita, nos moldes do artigo 442 da CLT, a transao sobre a modalidade de cumprimento de jornada em regime de compen-sao pode ser pactuado tacitamente, no se exigindo a forma escrita.

    10. (FCC Analista Judicirio TRT 11/2012) O Juiz do Trabalho pode privilegiar a situao de fato que ocorre na prtica, devidamente comprovada, em detrimento dos documentos ou do rtulo conferido relao de direito material. Tal assertiva, no Direito do Trabalho, refere-se ao princpio da(A) irrenunciabilidade.(B) intangibilidade salarial.(C) continuidade.(D) primazia da realidade.(E) proteo.

    11. (TRT 23 R. JUIZ DO TRABALHO/2012) Analise as proposies abaixo e assinale a alternativa correta:I. Pela teoria monista, as fontes jurdicas formais do Direito derivam de um nico centro de positivao,

    enquanto que a teoria plurista sustenta a existncia de distintos centros de positivao jurdica ao longo da sociedade civil.

    II. As regras negociadas e construdas coletivamente so regras heternomas onde as partes interessadas autodisciplinam as condies de vida e trabalho.

    III. Constituiram tpicas fontes materiais, sob o prisma filostico, o socialismo, nos sculos XIX e XX, e cor-rentos poltico-filosficos afins, como o trabalhismo, o socialismo-cristo.

    IV. Equidade corresponde ao processo de adequao e atenuao da norrna, que ampla e abstrata, em face das particularidades inelentes ao caso concreto, de forma que, como mecanismo adequador da generalidade, abstrao e impessoalidade da norma ao caso concreto, a equidade auxiliar o julgador a atuar com sensatez e equilbrio.

    V. O contrato todividual de trabalho fonte formal do Direito porque se constitui de clusulas concretas, especficas e pessoais envolvando os contratantes.

    (A) Apenas as proposies I e V esto corretas e as demais esto incorretas.(B) Apenas a proposio V est correta e as demais esto incorretas.(C) As proposies II, III, IV e V esto corretas e as demais esto incorretas.(D) Apenas as proposies I, III e V esto corretas e as demais esto incorretas.(E) Todas as proposies esto corretas.

    12. (TRT 11 R. JUIZ DO TRABALHO/2012) Em relao hermenutica e eficcia das normas trabalhistas no tempo e espao correto afirmar:(A) Aplica-se para soluo dos problemas de eficcia da lei trabalhista no tempo apenas o princpio da irre-

    troatividade, no sendo aplicado o princpio do efeito imediato.(B) Em relao eficcia da norma trabalhista no espao, aplica-se o princpio da territorialidade, que jus-

    tifica o fato de que a relao jurdica trabalhista ser regida pelas leis vigentes no pas da prestao dos servios e no por aquelas do local da contratao.

    (C) A teoria de Kelsen, segundo a qual as normas so dispostas segundo uma pirmide que tem como vrtice uma norma fundamental aplicada de forma absoluta no Direito do Trabalho.

    (D) A especificidade da interpretao justrabalhista reside na jurisprudncia axiolgica, inspirada na preva-lncia de valores e princpios, abrangendo inclusive o campo dos fatos e sua aferio no mbito judicial.

    (E) A analogia no aplicada ao ramo justrabalhista como fator de integrao por falta de previso legal em face do princpio da norma mais favorvel ao trabalhador.

    13. (FCC Analista Judicirio Oficial de Justia Avaliador - TRT 4/2015) A sentena normativa a deciso proferida por um Tribu nal do Trabalho em um dissdio coletivo, estabelecendo uma regra geral, abstrata e impessoal que vai reger s relaes entre trabalhadores e empregadores de uma de terminada categoria, sendo classificada no Direito do Tra balho como(A) fonte material heternoma.(B) fonte formal autnoma.

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior146

    (C) regra de hermenutica e no fonte do direito.(D) fonte formal heternoma.(E) fonte material profissional.

    14. (FCC Tcnico Judicirio rea Administrativa - TRT 3/2015) De acordo com a Constituio Federal de 1988, dentre os direitos sociais assegurados ao trabalhador, NO est a(A) introduo do tero constitucional sobre as frias.(B) proteo em face de automao, na forma da lei.(C) criao dos turnos ininterruptos de revezamento com jornada especial de 6 horas dirias.(D) criao de licena paternidade, de cinco dias.(E) irredutibilidade do salrio, independentemente de disposio em conveno ou acordo coletivo, salvo

    em caso de fora maior ou prejuzos devidamente comprovados.

    15. (FCC Analista Judicirio rea Judiciria - TRT 4/2015) A Constituio Federal do Brasil de 1988 inovou ao apre sentar um rol de direitos constitucionais dos trabalhadores, inserindo no seu artigo 7o, dentre outros,(A) o auxlio alimentao e a cesta bsica.(B) o piso salarial proporcional extenso e complexi dade do trabalho.(C) o habeas data para conhecimento de informaes constantes de registros pblicos do trabalhador.(D) a penso por morte e o seguro de vida.(E) o direito exclusivo de utilizao, publicao e explo rao econmica de invenes do trabalhador.

    16. (FCC Analista Judicirio rea Administrativa - TRT 4/2015) A Comisso de Conciliao Prvia ins-tituda no mbito de empresa(A) ter 2/3 de seus membros eleitos pelos empregados, em escrutnio, secreto, fiscalizado pelo sindicato de

    categoria profissional.(B) ter 2/3 de seus membros indicados pelo empregador.(C) ser composta de, no mnimo, 2 e, no mximo, 10 membros.(D) haver 2 suplentes para cada representante titular.(E) ser composta de, no mnimo, 3 e, no mximo, 7 membros.

    17. (FCC Analista Judicirio Oficial de Justia Avaliador - TRT 4/2015) Os princpios atuam na cincia jurdica na fase de cons truo da regra jurdica, em sua interpretao ou na inte grao de normas jurdi-cas. Em relao aos princpios peculiares do Direito do trabalho,(A) a razoabilidade um princpio que confere se gurana jurdica aos atos jurdicos ao dispor que o forma-

    lismo documental deve prevalecer sobre a rea lidade dos fatos.(B) possvel ao trabalhador renunciar direitos traba lhistas previstos em legislao prpria, como por exem-

    plo, o intervalo intrajornada para refeio e descanso, objetivando a manuteno do emprego.(C) em decorrncia do princpio tutelar autorizada a aplicao da norma mais favorvel ao trabalhador

    independentemente de sua posio na escala hierr quica das normas jurdicas.(D) o encargo de provar o trmino do contrato de tra balho do trabalhador, mesmo que tenha sido ne gada

    a prestao dos servios e o despedimento, em razo do princpio da continuidade da relao de emprego.

    (E) o princpio da irredutibilidade salarial absoluto, portanto no comporta excees, ainda que sob a tutela de entidade sindical profissional.

    18. (FCC Analista Judicirio rea Judiciria - TRT 4/2015) Em sentido genrico, fontes do direito con-substancia a expresso metafrica para designar a origem das normas jurdicas. Na Teoria Geral do Direito do Trabalho, so con sideradas fontes formais autnomas:(A) fatores econmicos e geopolticos.(B) fatores sociais e religiosos.(C) Constituio Federal e leis complementares.

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 147

    (D) medidas provisrias e jurisprudncia.(E) acordo coletivo de trabalho e conveno coletiva de trabalho.

    11.2. Questes discursivas

    1. (PGE SP 2012) Para compensar a inferioridade do empregado em relao ao empregador, o Direito do Trabalho orientado pelo princpio protetor (tutelar ou da proteo), que prev que o empregado deve receber um tratamento jurdico superior ao conferido ao empregador. Ao abordar o princpio protetor, a doutrina trabalhista costuma dividi-lo em trs vertentes (ou subprincpios): aplicao da norma mais favorvel, observncia da condio mais benfica e in dubio pro operrio. No que diz respeito identificao da norma mais favorvel, indique trs teorias existentes sobre o

    assunto, especificando suas caractersticas.

    2. (TRT 21 REGIO 2010). Fato determinante que reclama o princpio da proteo a natureza confli-tuosa da relao capital x trabalho, enquanto persistente a desigualdade entre os protagonistas desse vnculo. A propsito da flexibilizao do Direito do Trabalho, quais os limites jurdicos aplicveis a esse fenmeno de modo a no abalar as estruturas do princpio protetor?

    11.3. Gabarito das questes objetivas

    Gab. Fundamentao legal e jurisprudencial Onde encontro no livro? Observao eventual

    1 b

    a) CLT. Art. 625-B, I a) item 2.4, alnea d

    b) CLT. Art. 625-B, caput B) item 2.4, alnea d

    c) CLT. Art. 625-F C) item 2.4, alnea d 10 dias

    d) CLT. Art. 625-B e 625-C d) item 2.4, alnea d

    e) CLT. Art. 625-E, pargrafo nico e) item 2.4, alnea d

    2 a

    DOUTRINA

    I) item 5.3

    II) item 5.3

    III) item 5.1, alnea b

    IV) item 3

    3 e

    a) CF/88. Art. 7 a) Item 2.2, alnea a-1

    b) CF/88. Art. 7 B) Item 2.2, alnea a

    c) CF/88. Art. 7 C) Item 2.2, alnea a

    d) CF/88. Art. 7 D) Item 2.2, alnea a

    e) CF/88. Art. 7 E) Item 2.2, alnea a

    4 E

    a) LIDB. Art. 6, 2 Item 5.4

    b) LIDB. Art. 6, 2 Item 5.4

    c) LIDB. Art. 6, 2 Item 5.4

    d) LIDB. Art. 6, 2 Item 5.4

    e) LIDB. Art. 6, 2 Item 5.4

    5 c A legislao laboral no contempla esse princpio de forma expressa. Item 4.5, alnea cA regra da contratao por prazo indeterminado.

    6 C CLT. Art. 8 Item 4

  • CURSO DE DIREITO DO TRABALHO Jos Cairo Jnior148

    Gab. Fundamentao legal e jurisprudencial Onde encontro no livro? Observao eventual

    7 E Lei omissa Item 4.5

    8 C CLT. Art. 8 Item 4

    9 E Doutrina Item 6

    10 D Doutrina Item 4.5

    11 D Doutrina Item 2

    12 B Doutrina

    a) Item 5.3

    b) Item 5.1, alnea b

    c) Item 5

    d) Item 3

    e) Item 4.2

    13 D Doutrina

    a) Item 2.2

    b) Item 2.2

    c) Item 2.2

    d) Item 2.2

    e) Item 2.2

    14 E CF/88. Art. 7

    a) Item 2.2, alnea A

    b) Item 2.2, alnea A

    c) Item 2.2, alnea A

    d) Item 2.2, alnea A

    e) Item 2.2, alnea a

    15 B CF/88. Art. 7

    a) Item 2.2, alnea A

    b) Item 2.2, alnea A

    c) Item 2.2, alnea A

    d) Item 2.2, alnea A

    e) Item 2.2, alnea A

    16 C CLT. Art. 625-B

    a) Item 8.4

    _

    b) Item 8.4

    c) Item 8.4

    d) Item 8.4

    e) Item 8.4

    17 C Doutrina

    a) Item 4.5, alnea F

    _

    b) Item 2.2, alnea B

    c) Item 4.5, alnea A

    d) Item 4.5, alnea C

    e) Item 2.2, alnea A

    18 E Doutrina

    a) Item 2.2, alnea B

    _

    b) Item 2.2, alnea B

    c) Item 2.2, alnea B

    d) Item 2.2, alnea B

    e) Item 2.2, alnea B

  • Cap. { INTRODUO AO DIREITO DO TRABALHO 149

    11.4. Gabarito das questes discursivas

    Item Fundamentao legal, jurisprudencial ou doutrinriaOnde

    encontro no livro

    1

    As principais teorias que definem qual seria a norma mais favorvel so: teoria do conglobamento, teoria da acumulao, e teoria do conglobamento orgnico ou por instituto.Para os adeptos da teoria do conglobamento, a norma mais favorvel deve ser assim considerada aquela que confere ao empregado melhor tratamento jurdico em seu conjunto. S possvel chegar a essa concluso analisando toda a norma e no apenas alguns dos seus dispositivos ou clusulas. Atualmente, essa a tese adotada pelo Tribunal Superior do Trabalho.J para teoria da acumulao, deve-se pinar de cada uma das normas jurdicas postas em comparao, os dispositivos ou clusulas que conferem melhores condies de trabalho para os empregados.Por fim, para os adeptos da teoria do conglobamento por instituto ou orgnico, a verificao na norma mais favorvel deve ser feita no por cada preceito ou globalmente, mas sim por cada tema. Ou seja, o aplicador vai analisar em cada norma qual o instituto jurdico-trabalhista recebeu melhor tratamento em relao ao empregado. Por exemplo, identifica-se os preceitos que tratam da jornada de trabalho e, no seu conjunto, verifica qual a norma mais favorvel para ser aplicado ao caso concreto.

    Item 4.5, a

    2

    Primeiramente e sob o prisma individual, no se admite a flexibilizao do Direito do Trabalho obtida por meio da manifestao da vontade do empregado, pois implicaria ofensa ao princpio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas.Sob o ponto de vista coletivo, seria admitida a flexibilizao de certos direitos individuais tra-balhistas, desde que autorizado por conveno ou acordo coletivo de trabalho. Existem duas correntes de ideias quanto a esse tema. A primeira, mais ampla, parte do pressuposto de que se a Constituio Federal admite a reduo salarial, que em tese seria a principal obrigao do empregador, implicitamente estaria autorizando a flexibilizao de todos os demais direitos, desde que obtida mediante a chancela sindical. A segunda corrente, mais restritiva e a qual se filia o TST, se posiciona no sentido de interpretar os dispositivos da Constituio Federal de forma restrita. Isso porque, como se trata de regra de exceo, no pode ser interpretada ampliativamente, seguindo a regra clssica da hermenutica. Portanto, se a CF/88 admite apenas a flexibilizao do salrio e da jornada de trabalho, a negociao coletiva e, consequentemente, o instrumento normativo negociado no pode estabelecer limites inferiores aqueles estabelecidos pela norma jurdica estatal em relao a outros direitos no citados na Carta Magna, notadamente se for o caso de regras de segurana, medicina e higiene do trabalho.

    Item 7