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1923 leia algumas paginas

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Text of 1923 leia algumas paginas

  • P A R A C O N C U R S O S

    7 edio 2016Revisada, ampliada e atualizada

    www. e d i t o r a j u s p od i vm . c om . b r

    CONSTITUIO FEDERAL

    AUTORESDIRLEY DA CUNHA JNIORMAR-

    CELO NOVELINO

    COLABORADOR NA PESQUISA DE JURISPRUDNCIA E QUESTES

    RENATO MEDRADO BONELLI

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    CONSTITUIO DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

    CONSTITUIO DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

    PREMBULONs, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assemblia Nacional Constituinte para

    instituir um Estado Democrtico, destinado a assegurar o exerccio dos direitos sociais e in-dividuais, a liberdade, a segurana, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justia como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a soluo pacfica das controvrsias, promulgamos, sob a proteo de Deus, a seguinte CONSTITUIO DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

    1. BREVES COMENTRIOS

    O prembulo, embora seja parte integrante das constituies e possua a mesma origem e sentido dos demais dispositivos, costuma ser distinguido por sua eficcia e pelo papel que desempenha. Os posicionamentos existentes acerca da natureza jurdica do prembulo podem ser reunidos em trs concepes.

    De um lado, situam-se a teses da natureza normativa, nos termos das quais o prem-bulo compreendido como um conjunto de preceitos com eficcia jurdica idntica dos demais enunciados normativos consagrados no texto da constituio. Para esta perspectiva, o prembulo dotado de fora normativa e, portanto, serve como parmetro para o controle de constitucionalidade.

    De outro, encontram-se as teses da natureza no normativa, para as quais o prembulo, por ser destitudo de valor normativo e de fora cogente, no pode ser invocado como pa-rmetro para a declarao de inconstitucionalidade de leis e atos normativos. Nesse sentido, Jorge Miranda (2000) observa que o prembulo no uma declarao de direitos, no cria direitos ou deveres, no forma um conjunto de preceitos, nem pode ser invocado enquanto tal, de forma isolada. Esse o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 2.076/AC; MS 24.645-MC/DF).

    As concepes que negam o carter normativo do prembulo podem ser subdivididas em dois grupos. No primeiro, encontram-se as que situam o prembulo no no domnio do direito, mas da poltica ou da histria, atribuindo-lhe to somente um carter poltico- ideolgico (tese da irrelevncia jurdica). No segundo, localizam-se aquelas para as quais

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    CONSTITUIO DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988.

    o prembulo participa das caractersticas jurdicas da constituio e, embora no possua carter normativo, desempenha uma funo juridicamente relevante. Ao indicar a inteno do constituinte originrio e consagrar os valores supremos da sociedade, ele serve de vetor interpretativo, ou seja, fornece razes contributivas para a interpretao dos enunciados normativos contidos no texto constitucional (tese da relevncia interpretativa ou jurdica especfica ou indireta). (NOVELINO, 2016).

    2. BIBLIOGRAFIA CITADA

    ` MIRANDA, Jorge (2000). Manual de direito constitucional. 4. ed. Coimbra: Coimbra. Tomo II. ` NOVELINO, Marcelo (2016). Curso de direito constitucional. 11. ed. Salvador: JusPodivm.

    2. QUESTES DE CONCURSOS

    01. (Cespe Procurador Federal/2013 Adaptada) Considerando o entendimento prevalecente na dou-trina e na jurisprudncia do STF sobre o prembulo constitucional e as disposies constitucionais transitrias, julgue os itens seguintes.

    I. As disposies constitucionais transitrias so normas de eficcia exaurida e aplicabilidade esgotada. Por serem hierarquicamente inferiores s normas inscritas no texto bsico da CF, elas no so consi-deradas normas cogentes e no possuem eficcia imediata.

    II. A jurisprudncia do STF considera que o prembulo da CF no tem valor normativo. Desprovido de fora cogente, ele no considerado parmetro para declarar a constitucionalidade ou a inconstitu-cionalidade normativa.

    03. (Cespe Analista Judicirio rea Administrativa CNJ/2013 Adaptada) Acerca de direito consti-tucional, julgue os itens a seguir: O prembulo da CF norma de reproduo obrigatria e de carter normativo, segundo entendimento doutrinrio sobre a matria.

    04. (Cespe Analista Legislativo Consultor Legislativo Cmara dos Deputados/2014) luz dos prin-cpios fundamentais de direito constitucional positivo brasileiro, julgue os itens a seguir. Quando um estado da Federao deixa de invocar a proteo de Deus no prembulo de sua constituio, contraria a CF, pois tal invocao norma central do direito constitucional positivo brasileiro.

    05. (Vunesp Defensor Pblico MS/2014) No que se refere interpretao da natureza jurdica do prembulo da Constituio, segundo jurisprudncia do Supremo Tribunal Federal, correto afirmar que:

    a) o prembulo da Constituio normativo, apresen tando a mesma natureza do articulado da Constitui-o e, consequentemente, serve como paradigma para a declarao de inconstitucionalidade.

    b) o prembulo da Constituio no constitui norma central, no tendo fora normativa e, consequente-mente, no servindo como paradigma para a decla rao de inconstitucionalidade.

    c) o prembulo da Constituio possui natureza histrica e poltica, entretanto, se situa no mbito dogmtico e, consequentemente, serve como paradigma para a declarao de inconstitucionalidade.

    d) o prembulo da Constituio possui natureza interpretativa ou unificadora e traz sentido s categorias jurdicas da Constituio e, portanto, trata-se de norma de reproduo obrigatria nas Constituies estaduais.

    GAB 01 E C 02 E 03 E 04 B

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    CONSTITUIO DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 1

    `TTULO I DOS PRINCPIOS FUNDAMENTAISArt. 1 A Repblica Federativa do Brasil, formada pela unio indissolvel dos Estados e Munic-

    pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrtico de Direito e tem como fundamentos:

    I a soberania;

    II a cidadania

    III a dignidade da pessoa humana;

    IV os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

    V o pluralismo poltico.

    Pargrafo nico. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituio.

    1. BREVES COMENTRIOS

    Repblica federativa do Brasil

    Forma de Estado Federao

    Forma de Governo Repblica

    Sistema de Governo Presidencialista

    Regime de Governo Democrtico

    No caput do art. 1 esto consagrados princpios materiais estruturantes que consti-tuem diretrizes fundamentais para toda a ordem constitucional, a saber: princpio republicano; princpio federativo; e, princpio do Estado democrtico de direito.

    O princpio republicano vem sendo consagrado entre ns desde a Constituio de 1891, instituidora da Repblica e do Estado Federal em substituio Monarquia e ao Estado Uni-trio adotados pela Constituio de 1824. A Repblica, enquanto forma de governo associada s ideias de coisa pblica e igualdade, tem como critrios distintivos a representatividade, a temporariedade, a eletividade e a responsabilidade poltica, civil e penal dos governantes. A representatividade est relacionada ao carter representativo dos governantes, inclusive do Chefe de Estado. A temporariedade (ou periodicidade) impe a alternncia no poder dentro de um perodo previamente estabelecido, de modo a impedir o seu monoplio por uma mesma pessoa ou grupo hegemnico ligado por laos familiares. A eletividade est ligada possibi-lidade de investidura no poder e acesso aos cargos pblicos em igualdade de condies para todos que atendam os requisitos preestabelecidos na Constituio e nas leis. A responsabili-dade do governante decorre de uma ideia central contida no princpio republicano segundo a qual todos os agentes pblicos so igualmente responsveis perante a lei, porquanto em uma Repblica no deve haver espaos para privilgios. A forma republicana de governo postula ainda que o debate de ideias na esfera pblica seja sempre pautado por razes pblicas, com o respeito e valorizao das diferentes concepes ideolgicas, filosficas e religiosas.

    O princpio federativo tem como dogma fundamental a autonomia poltico-adminis-trativa dos entes que compem a federao. A federao uma forma de Estado na qual h mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo territrio e sobre uma mesma populao.

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    Art. 1 TTULO I DOS PRINCPIOS FUNDAMENTAIS.

    No Estado federativo os entes polticos que o compem possuem autonomia, sendo o poder de cada um deles atribudo pela Constituio. Decorrente do princpio federativo, o princpio da indissolubilidade do pacto federativo (unio indissolvel dos Estados e Municpios e do Distrito Federal) veda aos Estados o direito de secesso. Caso ocorra qualquer tentativa de separao tendente a romper com a unidade da federao brasileira, permitida a inter-veno federal com o objetivo de manter a integridade nacional (CF, art. 34, I).

    A noo de Estado democrtico de direito est indissociavelmente ligada realizao dos direitos fundamentais, porquanto se revela um tipo de Estado que busca uma profunda transformao do modo de produo capitalista, com o objetivo de construir uma sociedade na qual possam ser implantados nveis reais de igualdade e liberdade. (STRECK, 2009). Na busca pela conexo entre a democracia e o Estado de direito, o princpio da soberania popular se apresenta como uma das vigas mestras deste novo modelo, impondo uma organizao e um exerccio democrticos do Poder (ordem de domnio legitimada pelo povo). Outra ca-racterstica marcante deste modelo de Estado a ampliao do conceito meramente formal de democracia (participao popular, vontade da maioria, realizao de eleies peridicas, alternncia no Poder) para uma dimenso substancial, como decorrncia do reconhecimento da fora normativa e vinculante