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1 Congresso Acadmcio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do Rio de Janeiro. 9 e 10 de dezembro de 2004. Fundao Getulio Vargas.

AVALIAO DA SUSTENTABILIDADE HDRICA DE MUNICPIOS ABASTECIDOS POR PEQUENAS BACIAS HIDROGRFICAS: O CASO DE ANGRA DOS REIS, RJ. REA: 3-Ferramentas e Tcnicas de Gesto Ambiental

AUTORES: 1) Cristiane Nunes Francisco

Professora Adjunta - Departamento de Anlise Geoambiental Instituto de Geocincias/UFF - Campus da Praia Vermelha, Boa Viagem, Niteri, RJ. CEP: 24210-310 Tel: (21)2629-5933; (21) 2629-5978 crisnf@vm.uff.br

2) Cacilda Nascimento de Carvalho

Professora Adjunta - Departamento de Geoqumica Instituto de Qumica/UFF - Outeiro de So Joo Batista s/n, Campus do Valonguinho, Centro, Niteri, RJ. CEP: 24.020-150 Tel: (21)2629-2200 cacilda@vm.uff.br

RESUMO

A disponibilidade hdrica de 2,2 mil m/hab.ano do estado do Rio de Janeiro corresponde somente ao dobro da quantidade mnima considerada razovel pela ONU. A demanda hdrica representa 70% da disponibilidade, e agravada pela poluio do rio Paraba do Sul. Alternativamente, o abastecimento por pequenas bacias hidrogrficas (PBH), com gua abundante, de excelente qualidade, relevo escarpado, e significativa cobertura vegetal, apresenta vantagens comparativas com rebatimentos ambientais e econmico-sociais. Entretanto, as pequenas e mdias cidades do litoral e regio serrana, com marcada vocao turstica, esto em expanso urbana acelerada, aumentando a presso sobre as PBH.

O objetivo deste trabalho apresentar metodologia para avaliar a sustentabilidade hdrica de municpios abastecidos por PBH. Angra dos Reis, estudo de caso, tem 120 mil habitantes, com aumento de 40% da populao nos picos tursticos, taxa de crescimento de 3% a.a, e 80% do territrio cobertos por Mata Atlntica. O abastecimento urbano, feito atravs de PBH, o principal uso das guas.

A sustentabilidade hdrica avaliada atravs do cotejo de quatro indicadores: (1) quantidade hdrica, calculada atravs de regionalizao hidrolgica; (2) demanda hdrica, estimada por dados demogrficos e scio-econmicos; (3) capacidade de depurao dos corpos dgua, estabelecida pelo nvel de eficincia de tratamento do esgoto na eliminao da DBO, e pelos limites de classes de uso do CONAMA; e (4) capacidade de ocupao das reas urbanizveis, definida por taxas de densidade demogrfica e pelo Plano Diretor municipal. Atravs de um Sistema de Informaes Geogrficas, essas variveis, expressas em nmero de habitantes, foram representadas espacialmente, permitindo a classificao das regies hidrogrficas segundo esses indicadores. O resultado permite a modelagem de cenrios de uso das guas e do solo, facilitando os processos de tomada de deciso, como outorga pelo uso da gua e elaborao dos planos de recursos hdricos.

PALAVRAS-CHAVES: disponibilidade hdrica, pequenas bacias hidrogrficas, abastecimento de gua, Geoprocessamento, recursos hdricos

1 Congresso Acadmcio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do Rio de Janeiro. 9 e 10 de dezembro de 2004. Fundao Getulio Vargas.

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1. INTRODUO Diante do quadro de escassez hdrica, da degradao da qualidade da gua e do difcil

acesso de parte da populao aos recursos hdricos, os princpios de utilizao da gua vm sofrendo mudanas fundamentais, criando um novo paradigma onde reconhecido o imperativo de gerenciar os recursos naturais finitos. A tendncia a adoo de solues tcnicas, institucional e economicamente estruturadas, controladas localmente pela participao dos parceiros envolvidos no gerenciamento das decises. A gesto dos recursos hdricos no pas emblemtica desta nova postura: recursos institucionais, com o marco histrico do advento da Lei n. 9433/97, criaram o arcabouo legal da gesto moderna do recurso gua, com visveis rebatimentos, nos diversos nveis de gerncia, desde a criao da ANA at a participao comunitria nos comits de bacias, onde so tomadas as decises no mbito de cada bacia hidrogrfica.

O acelerado crescimento demogrfico dos municpios brasileiros de mdio porte, principalmente os da regio sudeste (IBGE, 2002a), acentua a necessidade de mais informaes sobre recursos hdricos, na medida em que as solues para atender a nova demanda devem ser adotadas por municpios cujos recursos econmicos e humanos so limitados (TUCCI, 2000a), e a legislao federal e estadual no contemplam os municpios com responsabilidade poltico-administrativa sobre seus corpos dgua (MILAR, 2000).

Diante deste quadro, as pequenas bacias hidrogrficas sofrem impacto crescente devido expanso urbana acelerada e desordenada, que avana sobre os mananciais, e presso para o atendimento da elevada demanda de gua, tanto para o abastecimento, quanto para diluio dos esgotos domsticos. Nesta situao encontram-se as pequenas bacias costeiras do Domnio Tropical Atlntico, localizadas em encostas vegetadas, que apresentam elevada produtividade e excelente qualidade hdrica e das quais dependem muitos municpios do estado do Rio de Janeiro.

Face ao acima exposto, justifica-se a necessidade de estudos que avaliem a situao de disponibilidade e demanda hdricas dentro de uma perspectiva de sustentabilidade do recurso, valendo-se do estmulo decorrente da nova legislao, para dar suporte gesto destes recursos em municpios de mdio porte. Assim, o objetivo deste trabalho apresentar uma metodologia para avaliar a sustentabilidade hdrica de municpios abastecidos por pequenas bacias hidrogrficas, considerando o balano entre quantidade e demanda hdricas atuais, a dinmica demogrfica e o arcabouo legal pertinente. Com esta metodologia pretende-se: (1) gerar informaes tcnicas sobre os recursos hdricos em pequenas bacias hidrogrficas, que auxiliem na implementao da Poltica Nacional de Recursos Hdricos, entre elas a elaborao dos planos de recursos hdricos e a outorga do direito de uso da gua; (2) expressar as informaes tcnicas de forma facilitada e sintetizada atravs de indicadores que possam ser comparados entre si, e que sejam acessveis aos diferentes agentes que participam das tomadas de deciso; e (3) desenvolver metodologia reprodutvel e adaptativa, acessvel ao tcnico municipal, com uso de ferramentas de geoprocessamento, para gerao de subsdios e instrumental que auxiliem na gesto sustentvel dos recursos hdricos.

A rea de estudo, com 620 km, corresponde faixa continental do municpio de Angra dos Reis, situada no sul fluminense, na regio hidrogrfica da baa da Ilha Grande, atravessada pela Serra do Mar e com 82% do territrio cobertos pela Floresta Pluvial Atlntica. Com 120 mil habitantes, Angra dos Reis vem apresentando, desde a dcada de 1950, taxa de crescimento demogrfico acima de 3% a.a. (CIDE, 2002). O abastecimentoda populao urbana o principal uso das guas fluviais, feito atravs de 57 sistemas pblicos, alm de inmeros outros particulares, distribudos ao longo do territrio angrense. Com exceo de um nico sistema, todos os outros pblicos esto situados em bacias contribuintes com rea inferior a 5 km, e que abastecem cerca de 60% da populao angrense.

1 Congresso Acadmcio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do Rio de Janeiro. 9 e 10 de dezembro de 2004. Fundao Getulio Vargas.

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2. BASE CONCEITUAL O desenvolvimento sustentvel apresenta como objetivo melhorar a qualidade de vida

humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas. Entende-se como capacidade de suporte a capacidade de um ecossistema suportar organismos saudveis e, ao mesmo tempo, manter a produtividade, adaptabilidade e capacidade de renovao (UICN et al. 1991). O princpio da sustentabilidade implica, assim, na utilizao dos recursos renovveis a taxas iguais ou inferiores a sua regenerao, ou seja, se um sistema utiliza recursos acima da taxa de reposio ou da capacidade de assimilao natural, no h garantia de sustentabilidade (FERRO, 1998).

A avaliao da capacidade de suporte uma tarefa difcil, pois significa conhecer a complexidade do funcionamento dos ecossistemas para identificar os limites, de suportar as alteraes advindas das aes antrpicas, de cada organismo que o compe. Porm, a dificuldade em se obter este conhecimento pode ser contornada estabelecendo uma relao entre a oferta do recurso natural (disponibilidade) e a quantidade que pode ser retirada (demanda). De acordo com UICN et al.(1991), esta uma questo difcil, mas h limites: nos impactos que os ecossistemas e a biosfera como um todo podem tolerar, sem causar uma deteriorao arriscada. Os limites variam de regio para regio e os impactos dependem do nmero de pessoas presentes em cada regio e da quantidade de alimento, gua, energia e matrias-primas que cada uma dessas pessoas utiliza ou desperdia (p.11).

A abordagem da sustentabilidade de espaos territoriais uma tarefa ainda mais difcil, principalmente para regies que dependem de outras para serem abastecidas de alimentos e energticos, pois h dificuldade em estimar a demanda pelo recurso natural. Esta inter-dependncia tanto maior quanto maior for a escala espacial de anlise, por exemplo, um pas tende a ser mais auto-sustentvel em recursos do que uma pequena bacia hidrogrfica. De forma simplificada, pode-se dizer que um espao territorial sustentvel se ele for capaz de manter o equilbrio entre a oferta e a demanda por recursos naturais (MARIOTONI & DEMANBORO, 2000), conceitos que sero definidos nos prximos itens.

2.1 DISPONIBILIDADE HDRICA: QUANTIDADE E QUALIDADE A disponibilidade hdrica pode ser definida como o total da vazo originria de uma

bacia hidrogrfica, constituda tanto pelo volume de gua captado para os usos consuntivos, quanto pelo volume mantido no curso dgua para o atendimento aos usos no consuntivos e a manuteno da sustentabilidade do prprio sistema, visando a diluio dos efluentes e a preservao do ambiente, esta denominada como vazo ecolgica. A quantidade e a qualidade hdrica so condies indissociveis na avaliao da