2011 - Farmacutico - Carolina Soares Pimentel

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Atuao do Farmacutico Clnico no cuidado de pacientes Onco-hematolgicos em um hospital pblico no municpio Rio de Janeiro

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Atuao do Farmacutico Clnico no cuidado de pacientes hematolgicos em um hospital pblico de alta complexidade no municpio do Rio de JaneiroCarolina Soares PIMENTEL

Fabiana Aparecida ELLER

Mariana de Andrade da SILVA

CorrespondnciaRua Michel Wardine, 120, Centro, Barra Mansa, RJ.

Cep: 27330-100

Tel: 2499043741

Email: krol_pimentel@yahoo.com.br

Atuao do Farmacutico Clnico no cuidado de pacientes hematolgicos em um hospital pblico de alta complexidade no municpio do Rio de Janeiro

INTRODUO

A profisso farmacutica, com a maioria das profisses, vem sofrendo transformaes ao longo dos anos. Essas transformaes so, principalmente, resultado do desenvolvimento da indstria farmacutica nas dcadas de 1940 e 1950 e da conseqente entrada de drogas sintticas no mercado que levou ao aumento na freqncia de problemas relacionados ao uso de medicamentos. Com isso, a farmcia magistral, at ento atividade primria do farmacutico, perdeu espao. (PEREIRA, et al18 )Surgia assim, em meados de 1960 na Universidade de So Francisco nos Estados Unidos, uma reflexo de estudantes e professores a qual resultou no movimento denominado Farmcia Clnica. Esta nova atividade objetivava a aproximao do farmacutico ao paciente e equipe de sade, possibilitando o desenvolvimento de habilidades relacionadas farmacoterapia. (PEREIRA, et al18)

Segundo a Sociedade Americana de Farmcia Hospitalar e Servios de Sade, a Farmcia Clnica uma prtica farmacutica definida como a cincia da sade cuja responsabilidade assegurar, mediante a aplicao de conhecimentos e funes relacionadas ao cuidado dos pacientes, que o uso dos medicamentos seja seguro e apropriado. necessrio, portanto, educao especializada e interpretao de dados, motivao por parte do paciente e interaes multiprofissionais. (NOVAES, et al16)

O farmacutico clnico trabalha promovendo a sade centrado no doente, com o objetivo de otimizar a teraputica farmacolgica, promovendo a cura e/ou preveno da doena alm de prevenir e monitorar eventos adversos. A minimizao de custos do tratamento do paciente tambm um dos objetivos da Farmcia Clnica. Hepler & Strand consideram a Farmcia Clnica como um elemento necessrio no cuidado sade. Os estudos tm demonstrado que o processo de reconciliao de medicamentos possui grande impacto na preveno de eventos adversos. (HEPLER & STRAND9)

Alguns requisitos so considerados primrios na implantao do Servio de Farmcia Clnica, como viso gerencial, sistema eficaz de distribuio de medicamentos, tempo para a prtica clnica farmacutica e relacionamento interprofissional. Outros requisitos considerados secundrios incluem um centro de informaes sobre medicamentos e servio de farmacocintica clnica. (STORPIRTIS, et al25)

Para que as atividades de Farmcia Clnica sejam efetivas necessria uma estrutura que atenda o desenvolvimento das prticas e um planejamento bem estruturado considerando as facilidades e obstculos que podero ser encontrados. Alm de uma formao do profissional para o desenvolvimento de habilidades e competncias para a prtica clnica. (NOVAES, et al16)

A prestao de servios essenciais de Farmcia Clnica e o aprimoramento de equipes de farmacuticos clnicos diminuem a incidncia de reao medicamentosa adversa em pacientes hospitalizados. O envolvimento do farmacutico na reconciliao medicamentosa e no aconselhamento ps alta hospitalar tambm pode ter efeito positivo. (NOVAES, et al16) Um estudo realizado em um hospital de cuidado intensivo mostrou que a participao do farmacutico nos turnos em que os medicamentos foram prescritos diminuiu os eventos adversos em 72%. (LEAPE, et al14)

O cuidado de pacientes com alteraes hematolgicas pode ser um desafio justificado tanto por estes apresentarem distrbios sangneos muito significativos, a exemplo de pancitopenia, granulocitose e vrios distrbios hemorrgicos e de coagulao, como por exigirem um cuidado meticuloso no tratamento para evitar a deteriorao e as complicaes a ele inerentes. A exemplo de outros pacientes, o portador de alteraes hematolgicas requer uma assistncia especializada. (HONRIO & CAETANO10)

A Hematologia a especialidade mdica que estuda as doenas que envolvem o sistema hematopotico, ou seja, tecidos e rgos responsveis pela proliferao, maturao e destruio das clulas do sangue (hemcias, leuccitos e plaquetas). Tambm estuda os distrbios de coagulao que envolvem substncias contidas no plasma. As doenas hematolgicas esto classificadas em trs grupos sendo estes: anemias, alteraes da coagulao e doenas proliferativas e infiltrativas. (HEMORIO8)

Entre os diversos tipos de anemias pode-se citar como exemplo a anemia falciforme que uma doena gentica freqente. Predominante em negros, estima-se que a cada ano no Brasil nasam 3500 crianas com doena falciforme e 200000 com trao falciforme. caracterizada pela presena de um tipo anormal de hemoglobina denominada Hemoglobina S (HbS) que faz com que as hemcias adquiram a forma de foice em ambiente de baixa oxigenao, dificultando sua circulao podendo levar ocluso dos capilares, provocando leses teciduais agudas e crnicas de rgos, quase sempre acompanhadas de dor. (FELIX, et al5)

As alteraes na coagulao so classificadas em prpura, doena de Von Willebrand e hemofilias. As hemofilias afetam os homens e muito raramente as mulheres. Caracterizadas por uma deficincia no Fator VIII ou Fator IX da coagulao os hemoflicos tm hemorragias freqentes. (FBH4 )As leucemias e linfomas representam o grupo de doenas proliferativas e infiltrativas. O cncer uma doena caracterizada pela multiplicao e propagao descontroladas no corpo de formas anmalas de nossas prprias clulas. Atualmente, os casos de cncer j rivalizam com as doenas cardacas como a patologia que mais produz bitos e diminui a qualidade de vida da sociedade. (BISSON1)

Os tipos de leucemia mielide e linfide apresentam-se de forma aguda ou crnica. Os termos mielide e linfide denotam o tipo de clula envolvida. Desta forma, os quatro principais tipos so leucemias mielides agudas e crnicas e leucemias linfides agudas e crnicas. (INCA11)A leucemia uma doena maligna dos glbulos brancos (leuccitos), geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal caracterstica o acmulo de clulas jovens anormais na medula ssea, que substituem as clulas sanguneas normais. Segundo dados do INCA11 estimam-se a ocorrncia de 9580 novos casos em 2010 sendo 5240 homens e 4340 mulheres. Os linfomas so neoplasias malignas, originrias dos gnglios (ou linfonodos), organismos muito importantes no combate a infeces. Esto subdivididos em linfoma de Hodgkin e linfoma no-Hodgkin. (INCA12) O linfoma de Hodgkin, conhecido tambm como doena de Hodgkin, se origina nos linfonodos (gnglios) do sistema linftico, que produzem as clulas responsveis pela imunidade e vasos que as conduzem pelo corpo. Pode ocorrer em qualquer faixa etria, mas a maior incidncia do linfoma em adultos jovens, entre 25 e 30 anos. Nos ltimos 50 anos, o nmero de casos permaneceu estvel, enquanto a mortalidade foi reduzida devido aos avanos no tratamento. A maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com tratamento adequado. Calcula-se a ocorrncia de 2870 novos casos de linfoma de Hodgkin sendo 1600 homens e 1270 mulheres em 2009. (INCA12) Entre os linfomas, o linfoma no Hodgkin o tipo mais incidente na infncia. Por razes ainda desconhecidas, o nmero de casos duplicou nos ltimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos. Estima-se 9100 novos casos sendo 4900 homens e 4200 mulheres. (INCA13) Os agentes quimioterpicos, muito utilizados nos casos de leucemias, linfomas e transplante de medula ssea, so potentes causadores de muitos efeitos colaterais e reaes adversas sendo a toxicidade e os efeitos colaterais freqentemente causados pelo dano diviso celular. As clulas mais vulnerveis rpida diviso celular so as encontradas na medula ssea, no folculo capilar e no trato gastrintestinal. As reaes adversas podem variar desde efeitos suaves at risco de vida para os pacientes. Como exemplo pode-se citar: leso do epitlio gastrintestinal, esterilidade, queda dos cabelos, toxicidade da medula ssea e mese. (BISSON1)

Idias pr concebidas e o receio do tratamento podem afastar os pacientes da possibilidade de cura.O aconselhamento ao paciente uma importante medida de preveno de erros. essencial que o paciente receba informaes seguras e claras sobre os medicamentos, seus efeitos teraputicos e reaes adversas, os horrios e a via de administrao. (LIMA, et al 15) Este estudo teve como locus o Instituto Estadual de Hematologia Artur de Siqueira Cavalcanti, o HEMORIO, que o Hemocentro Coordenador do Estado do Rio de Janeiro. Certificado pela JCI (Joint Comission International) desde 2001 e como hospital de ensino em 2009, alm de diversas certificaes na rea de Hematologia pela ABHH (Associao Brasileira de Hematologia e Hemoterapia) e na rea de gesto hospitalar, o HEMORIO tambm hospital colaborador da Rede Sentinela.

O Servio de Farmcia do HEMORIO atua desde 2001 realizando o acompanhamento farmacoteraputico de pacientes ambulatoriais (QUEIROZ et al20) e esta experincia proporcionou a qualificao dos farmacuticos para a realizao do seguimento farmacoteraputico alm das atividades de Reconciliao Medicamentosa e Monitoramento de Eventos Adversos.

Diante do exposto, este artigo tem o objetivo de relatar a experincia de um grupo de farmacuticos de uma unidade de hematologia na elaborao e implantao de um Servio de Farmcia Clnica e seus resultados na assistncia e segurana do paciente.MATERIAL E MTODOS

Trata-se de estudo do tipo descritivo e retrospectivo realizado no perodo de agosto de 2010 outubro de 2011.

Atravs de uma extensa reviso bibliogrfica baseada na literatura pert