2ª Fase exame discursivo - Revista Eletrônica do .1. Verifique se você ... 2ª Fase exame discursivo

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  • Caderno de provaEste caderno, com oito pginas numeradas sequencialmente, contm cinco questes de Lngua Portuguesa Instrumental e a proposta de Redao.

    No abra o caderno antes de receber autorizao.

    Instrues1. Verifique se voc recebeu mais dois cadernos de prova.

    2. Verifique se as seguintes informaes esto corretas nas sobrecapas dos trs cadernos: nome, nmero de inscrio, nmero do documento de identidade e nmero do CPF.

    Se houver algum erro, notifique o fiscal.

    3. Destaque, das sobrecapas, os comprovantes que tm seu nome e leve-os com voc.

    4. Ao receber autorizao para abrir os cadernos, verifique se a impresso, a paginao e a numerao das questes esto corretas.

    Se houver algum erro, notifique o fiscal.

    5. Todas as respostas e o desenvolvimento das solues, quando necessrio, devero ser apresentados nos espaos apropriados e escritos com caneta de corpo transparente, azul ou preta.

    No sero consideradas as questes respondidas fora desses espaos.

    6. Ao terminar, entregue os trs cadernos ao fiscal.

    Informaes geraIsO tempo disponvel para fazer as provas de cinco horas. Nada mais poder ser registrado aps o trmino desse prazo.

    Nas salas de prova, os candidatos no podero usar qualquer tipo de relgio, culos escuros e bon, nem portar arma de fogo, fumar e utilizar corretores ortogrficos e borrachas.

    Ser eliminado do Vestibular Estadual 2017 o candidato que, durante a prova, utilizar qualquer meio de obteno de informaes, eletrnico ou no.

    Ser tambm eliminado o candidato que se ausentar da sala levando consigo qualquer material de prova.

    Boa prova!

    lngua portuguesa instrumental com redao

    11/12/20162 Fase exame discursivo

  • Vestibular estadual 2017 2 fase exame disCursiVO reVista eletrOniCa

    lngua POrtuguesa instrumental COm redaO

    Rio 40 graus

    Cidade maravilha

    Purgatrio da beleza e do caos

    Capital do sangue quente do Brasil

    Capital do sangue quente

    Do melhor e do pior do Brasil

    Cidade sangue quente

    Maravilha mutante

    O rio uma cidade de cidades misturadas

    O rio uma cidade de cidades camufladas

    Com governos misturados, camuflados, paralelos

    Sorrateiros ocultando comandos

    (...) FERNANDA ABREU / FAUSTO FAWCETT / LAUFERABREU, F. SLA 2 be sample. EMI, 1992.

    5

    10

    Questo

    01O rio uma cidade de cidades misturadasO rio uma cidade de cidades camufladas (v. 9-10)

    Nos versos acima, a fragmentao da cidade explorada por meio de dois recursos lingusticos.

    Identifique um desses recursos. Em seguida, relacione-o com essa fragmentao.

    Comentrio

    item do programa 1: fatores de coerncia.

    Subitem do programa 1: marcas lingusticas.

    item do programa 2: fatores de coeso.

    Subitem do programa 2: substituio; sequenciao.

    objetivo: identificar recursos de linguagem e sua relao expressiva com o tema do texto.

    Nos versos citados, a viso de um Rio de Janeiro fragmentado explorada por meio de dois recursos lingusticos. Um deles a alternncia no nmero, entre singular e plural, da prpria palavra cidade, indicando que vrias cidades fazem parte de uma s. Com isso, enfatiza-se a ideia de pluralidade na composio da cidade. O outro recurso o paralelismo entre os versos, de mesma estrutura, mas com modificao do adjetivo final: ao substituir misturadas por camufladas, destaca-se um ponto de vista negativo sobre a ideia de pluralidade, que seria ocultada ou escamoteada.

  • Vestibular estadual 2017 2 fase exame disCursiVO reVista eletrOniCa

    lngua POrtuguesa instrumental COm redaO

    Um sujeito entrou no bonde, deu-me um grande safano, atirando-me o jornal ao colo, e no se desculpou. Esse incidente fez-me voltar de novo aos meus pensamentos amargos, ao dio j sopitado1, ao sentimento de opresso da sociedade inteira... At hoje no me esqueci desse episdio insignificante que veio reacender na minha alma o desejo feroz de reivindicao. Senti-me humilhado, esmagado, enfraquecido por uma vida de estudo, servir de joguete, de irriso2 a esses poderosos todos por a. Hoje que sou um tanto letrado sei que Stendhal3 dissera que so esses momentos que fazem os Robespierres4. O nome no veio memria, mas foi isso que eu desejei chegar ser um dia.

    Escrevendo estas linhas, com que saudades me no recordo desse heroico anseio dos meus dezoito anos esmagados e pisados! Hoje! ... noite. Descanso a pena. No interior da casa, minha mulher acalenta meu filho nico. A sua cantiga chega-me aos ouvidos cheia de um grande acento de resignao. Levanto-me e vou varanda. A lua, no crescente, banha-me com meiguice, a mim e a minha humilde casa roceira. Por momentos deixo-me ficar sem pensamentos, envolto na fria luz da lua, e embalado pela ingnua cantilena de minha mulher. Correm alguns instantes; ela cessa de cantar e o brilho do luar empanado por uma nuvem passageira. Volto s minhas reminiscncias: vejo o bonde, a gente que o enchia, os sofrimentos que me agitavam, a rua transitada...

    LIMA BARRETO Recordaes do escrivo Isaas Caminha (1917). So Paulo: tica, 1995.

    5

    10

    15

    1 sopitado acalmado2 irriso zombaria3 Stendhal escritor francs da primeira metade do sculo XIX4 Robespierres referncia a um dos lderes da Revoluo Francesa

    Questo

    02At hoje no me esqueci desse episdio insignificante que veio reacender na minha alma o desejo feroz de reivindicao. (l. 3-5)

    Nessa frase, o personagem enfatiza sua revolta por meio de uma contradio.

    Explique entre que ideias contidas na frase se estabelece essa contradio.

    Comentrio

    item do programa: recursos de retrica.

    Subitem do programa: anttese.

    objetivo: explicar a relao contraditria estabelecida entre duas partes de uma frase.

    No trecho destacado, esto contidas ideias que indicam alguns dos conflitos vivenciados pelo narrador. A exposio dessas ideias destaca uma contradio entre a avaliao de que o episdio mencionado seria insignificante (e, por isso, no deveria merecer qualquer ateno do narrador) e a constatao da lembrana permanente, acompanhada do desdobramento afetivo provocado no narrador (veio reacender na minha alma o desejo feroz de reinvidicao).

  • Vestibular estadual 2017 2 fase exame disCursiVO reVista eletrOniCa

    lngua POrtuguesa instrumental COm redaO

    Ao longo do texto, h passagens que indicam que o narrador se encontra em um tempo distanciado daquele dos acontecimentos que relembra, explicitando um confronto entre passado e presente.

    Transcreva do segundo pargrafo duas dessas passagens e justifique a pertinncia de sua escolha em cada caso.

    Questo

    03

    Comentrio

    item do programa 1: tipologias textuais.

    Subitem do programa 1: narrao.

    item do programa 2: fatores de coerncia.

    Subitem do programa 2: modos de organizao do texto; marcas lingusticas.

    objetivo: discriminar passagens do texto com referncias temporais indicadoras de pocas distintas da vida do personagem.

    No texto, o narrador-personagem relembra fatos relevantes de sua vida, bem distanciados de seu momento presente, estabelecendo um confronto, ao longo da narrativa, entre sua situao passada e a atual. As passagens que marcam tanto um movimento de retorno ao presente, aps digresso do personagem, quanto de deslocamento para o passado so: (1) com que saudades me no recordo desse heroico anseio, em que o verbo recordar explicita o tempo presente do personagem, e seu complemento faz aluso a vivncias relembradas de outra poca; (2) Hoje!..., em que o narrador marca com emoo o tempo de sua enunciao, aps expor lembranas; (3) Volto s minhas reminiscncias:, em que, a partir de seu presente, o personagem aponta o incio de nova digresso.

    Um estudo sobre contestaes do povo dirigidas ao governo na primeira dcada do sculo XX, registradas em uma coluna de jornal, revela a atitude do cidado em momentos no crticos, em seu cotidiano de habitante da cidade do Rio de Janeiro. A concluso do estudo que quase s pessoas de algum modo relacionadas com a burocracia do Estado se queixavam, quer os prprios funcionrios e operrios, quer as vtimas dos funcionrios, especialmente da polcia e dos fiscais. Reclamavam funcionrios, artesos, pequenos comerciantes, uma ou outra prostituta.

    Mas as queixas no revelavam oposio ao Estado. O contedo das reclamaes girava em torno de problemas elementares, como segurana individual, limpeza pblica, transporte, arruamento. Permanece, no entanto, o fato de que entre as reivindicaes no se colocava a de participao nas decises, a de ser ouvido ou representado. O Estado aparece como algo a que se recorre, como algo necessrio e til, mas que permanece fora do controle, externo ao cidado. Ele no visto como produto de concerto poltico, pelo menos no de um concerto em que se inclua a populao. uma viso antes de sdito que de cidado, de quem se coloca como objeto da ao do Estado e no de quem se julga no direito de a influenciar.

    Como explicar esse comportamento poltico da populao do Rio de Janeiro? De um lado, a indiferena pela participao, a ausncia de viso do governo como responsabilidade coletiva, de viso da poltica como esfera pblica de ao, como campo em que os cidados se podem reconhecer como coletividade, sem excluir a aceitao do papel do Estado e certa noo dos limites deste papel e de alguns direitos do cidado. De outro, o contraste de um comportamento participativo em outras esferas de ao, como a religio, a assistncia mtua e as grandes festas em que a populao parecia reconhecer-se como comunidade.

    Seria a cidade a responsvel pelo fenmeno? Neste caso, como caracteriz-la, como distingui-la de outras? Entramos aqui na vasta e rica literatura sobre o fenmeno urbano, em particular sobre a cultura urbana.

    JOS MURILO DE CARVALHO Adapta