3. Inicial - A§£o Revisional - Financiamento de Ve­culo

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EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CVEL DA COMARCA DE ....

XXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX XX XXXXX, brasileiro, solteiro, profisso, portador da Carteira de Identidade RG n. XX.XXX.XXX/XX, e do CPF n.o XXX.XXX.XXX-XX, residente e domiciliado na Rua XXXXXXX XXXXXX XXXXXXX, n. XXXX, ap. XX, CEP XX.XXX.XXX, XXXXXXXX, XXXXXXX atravs de sua advogadX e bastante procuradorX, que esta subscreve, com escritrio na XXXXXXXX XXXXXXX, n. XX, conj. XX, XXXXXX, nesta Capital vem, propor a presente: AO DE REVISO DE CONTRATO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA Em face de XXXXXX XXXXXXXXX, pessoa jurdica de direito privado, CNPJ n. XX.XXX.XXXlXXXX-XX, com sede na Rua XXXXXXXX XXXXXXX, n. XXX, XXXXXX, CEP XX.XXX-XXX, XXXXXXXX, XXXXXX, pelas razoes de fato e de direito que passa a expor:

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DOS FATOS 1.1 Em XX/XX/XXXX, o requerente firmou com o requerido Contrato de Abertura de Crdito Bancrio, sob n. XXXXXXXX (em anexo), para financiamento de um veiculo XXXXXXXXXX XXX, ano XXXX/XXXX, cor XXXXX, Chassi, XXXXXXXXXXXXXXXXX, no valor total de R$ XXXXX,XX, tendo dado uma entrada e financiado o valor de R$ X.XXX,00 (XXXXXXXXX Exxxx XXXXX XXXX), para pagamento em XX parcelas iguais de R$ XXX,XX, com o vencimento da 1. parcela em XX/XX/XXXX e as demais sucessivamente. 1.2 Ocorre que, a partir da XX. parcela (inclusive) o autor passou a ter dificuldade em quitar as parcelas do financiamento junto ao Banco XXXXXXXXXX, sendo que, quando tentou negociar a divida com a requerida encontrou valores totalmente abusivos, o que tornou impraticvel qualquer negociao . 1.3 Analisando melhor o contrato de adeso firmado entre as partes, verificou-se a existncia de clusulas leoninas e totalmente abusivas, no restando ao autor, alternativa, seno, propor a presente Ao de Reviso de Contrato, com pedido de tutela antecipada, evitando assim, que se estabelea verdadeiro abuso de direito com serias conseqncias para o consumidor. II DAS CLUSULAS ABUSIVAS CONSTANTES NO CONTRATO

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2.1 Verifica-se pelas clusulas constantes no contrato, em anexo, que no pacta firmado entre as partes houve estipulao de encargos abusivos, ilegais e contrrios ao entendimento consubstanciado em farta jurisprudncia dos tribunais ptrios, pois colocam o consumidor em desvantagem exagerada, e, portanto, so nulas de pleno direito, nos termos do artigo 51, inciso IV, do Cdigo de Defesa do Consumidor. 2.2 Dada ndole pblica da matria, cabe ao judicirio examinar os contratos firmados pelas partes, expurgando os excessos existentes e adaptando-os aos parmetros legais vigentes. 2.3 Cumpre inicialmente ressaltar a Smula 297 do Superior Tribunal de Justia, a qual dispe que se aplica o Cdigo de Defesa do Consumidor as instituies financeiras. O princpio do pacta sunt servanda no pode obstar as revises contratuais, uma vez que embasado na retrgrada concepo patrimonialista/civilista das obrigaes, a qual se ope a Constituio Federal e ao Cdigo de Defesa do Consumidor. 2.4 Neste sentido, e totalmente NULO o item constante no Contrato de Crdito, que fixa os encargos correspondentes a taxa de juros efetiva anual no percentual de XX,XX%! 2.5

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Cite-se ainda como abusivo o item 15 do Contrato que assim dispem: "15 - o no cumprimento de qualquer das obrigaes contratadas pelo creditado, acarretara ao mesmo, as seguintes penalidades: a.) multa moratria de 2% (dois por cento) sobre o valor do saldo devedor da(s) prestaes atrasada(s), corrigido e atualizado monetariamente; b.) juro de mora de 1% (um par cento) ao ms, sabre os valores corrigidos; c.) comisso de permanncia nas mesmas taxas cobradas pelas instituies financeiras nas mesmas operaes de crdito na poca; d.) despesas efetivas com procedimento de cobrana, ou seja, aquelas efetivamente havidas com tal procedimento, especialmente honorrios de advogados a razo de 10% (dez par cento) sobre o valor de vida na cobrana extrajudicial, e, se na esfera judicia 20% (vinte par cento) sabre a saldo devedor." 2.6 ilegal a previso de juros remuneratrios as taxas de mercado vigentes, pois traduz uma condio potestativa, o que afronta o disposto no art. 115 do Cdigo Civil revogado e o artigo 51, incisos IV e X, do Cdigo consumerista. ENUNCIADO DO VERBETE 296/STJ 296 0s juros remuneratrios, no cumulveis com a comisso de permanncia so devidos no perodo de inadimplncia, a taxa mdia de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado.

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Assim tambm, vedada a cobrana de comisso de permanncia cumulada com os juros moratrios e com a multa contratual, ademais vedada ainda a cumulao com correo monetria e com os juros remuneratrios, a teor das smulas n. 30, n. 294 e n. 296 do Colendo Superior Tribunal de Justia, a seguir transcritos: ENUNCIADO DO VERBETE 30/STJ. 30 - A comisso de permanncia e a correo monetria so inacumulveis. ENUNCIADO DO VERBETE 294/STJ 294 - No potestativa a clusula contratual que prev a comisso de permanncia, calculada pela taxa mdia de mercado apurada pelo banco Central do Brasil, limita a taxa do contrato. ENUNCIADO DO VERBETE 296l5T J 296 - Os juros remuneratrios, no cumulveis com a comisso de permanncia, so devidos no perodo de inadimplncia, a taxa mdia de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado. 2.8 A esses enunciados acrescenta-se ainda o seguinte julgado proferido, recentemente pela Segunda Seo do Superior Tribunal de Justia: "Agravo regimental. Recurso especial. Ao de cobrana. Contrato de abertura de crdito em conta corrente cumulao da comisso de permanncia com juros moratrios e multa contratual. Precedentes da Corte.

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1 - Confirma-se a jurisprudncia da Corte que veda a cobrana da comisso de permanncia com os juros moratrios e com a multa contratual, ademais de vedada a sua cumulao com a correo monetria e com os juros remuneratrios, a teor das Smulas n. 30, n. 294 e n 296 da Corte. 2.9 No bastasse a abusividade das clusulas acima citadas, onerando indevidamente a financiamento, o requerido ainda incluiu na parcela o valor, de R$ X,XX relativo a Taxa de Emisso de Carne - TEC (item 2.2), o que totalmente vedado pelo Cdigo de Defesa do Consumidor, vez que a cobrana de tais tarifas e nitidamente abusiva, devendo ser suportada pela instituio financeira, por corresponder a nus da sua atividade econmica. 1700412292 - APELACAO CVEL - ALIENACO FIDUCIARIA - ACOES REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE VEICULO E DE BUSCA E APREENSO - CODIGO DE DEFESADO CONSUMIDOR - APLICABILIDADE - As atividades bancrias e financeira esto sujeitas as regras do Cdigo de Defesa do Consumidor, como expresso no art. 3, 2, da Lei n. 8.078l90. Nulidade de clusulas abusivas. Possibilidade de conhecimento de oficio. Por serem de ordem pblica e interesse social as normas de proteo e defesa do consumidor, passvel a declarao de oficio da nulidade das clusulas eivadas de abusividade. Juros remuneratrios. de ser declarada a nulidade da previso contratual acerca dos juros, por caracterizar a excessiva onerosidade do contrato, permitindo que o consumidor ocupe posio ntida e exageradamente desvantajosa. ndice reduzido para 12% ao ano, por interpretao analgica do Cdigo Civil e do Decreto 22.626/33. Apelo provido. ndice

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de atualizao monetria. Disposio de oficio. Reduzidos os juros remuneratrios e ausente qualquer fator de atualizao monetria no contrato sub judice, adota-se o IGP-m, tambm para o perodo da normalidade contratual, para melhor refletir a desvalorizao da moeda. Provimento de oficio. Capitalizao dos juros (anatocismo). A capitalizao dos juros, entendida essa como senda a incidncia de juros sobre juros, e vedada nos contratos da espcie em discusso, em qualquer periodicidade. Juros moratrios. Os juros moratrios devem respeitar a percentual mximo de 1 % ao ano. Multa contratual. J pactuada a multa no percentual de 2%, carece a recorrente de interesse recursal. Apelo no conhecido, no particular. Tarifas de emisso de boleto e de operaes ativas, Disposio de oficio. A cobrana de tais tarifas e nitidamente abusiva, devendo ser suportada pela instituio financeira, por corresponder a nus da sua atividade econmica, no se tratando de servio prestado em prol do muturio consumidor. Disposio de oficio. Mora descaracterizada. Improcedncia da Ao de busca e apreenso. (TJRS - APC 70013204615 -14a C.Civ. - Rela Desa Isabel de Borba Lucas - J. 15.12.2005) JCDC.3 JCDC.3.2 2.10 Alem disso, o item XX, dispe sobre a cobrana indevida da Taxa de Abertura de Crdito - TAC. Os valores foram embutidos no valor total do financiamento, acrescidos de juros remuneratrios, moratrios e tributrios, que eventualmente incidam sobre o valor financiado acarretando a dobra destes valores. 2.11 A cobrana de Taxa de Abertura de Crdito - TAC, vedada, nos termos da Instruo Normativa n. 05, de 12 de

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maio de 2006 que alterou a redao da Instruo Normativa n. 121 INSS LDC, de 1 de julho de 2005, que estabelece procedimentos quanta a consignao reteno de descontos para pagamentos de emprstimos, financiamentos ou arrendamento mercantil pelo beneficirio na renda dos benefcios, ficando com a seguinte redao: Art. 13. Fica vedada a cobrana da Taxa de Abertura de Crdito - TAC, e demais taxas administrativas que incidam sobre as operaes de emprstimos, financiamentos e arredamentos mercantis, de forma que a taxa de juros passe a expressar o custo efetivo do emprstimo. 2.12 Diante do exposto, a fim de evitar o enriquecimento ilcito e verdadeiro abuso de direito com serias conseqncias para o consumidor, devem ser revisadas as clusulas abusivas, constantes na cdula de crdito, relativamente aos itens 2.1, 2.2, 15 e 17, nos termos da fundamentao supra. III DA TAXA DE JUROS ABUSIVA 3.1 O Superior Tribunal de Justia, no que se refere aos juros remuneratrios, firmou entendimento no sentido de que com a edio da Lei 4.595/64, no se aplicam as limitaes fixadas pelo Decreto 22.626/33 de 12% ao ano, aos contratos celebrados co