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    O outro segmento da atividade em questo constitudo por um grande nmero de micro e pequenas unidadesde produo que ocorrem dispersas na malha urbana dos municpios da rea. Integram tal segmento a maiorparte das padarias e serrarias, os fabricos de mveis e produtos alimentares, confeces, grficas, serralharias etc.que utilizam, quase sempre, a mo-de-obra da famlia e, eventualmente, um a trs assalariados, em geral semvnculo empregatcio. Descapitalizadas e com baixo nvel tecnolgico, a quase totalidade dessas indstrias apre-senta baixa produtividade e grande potencial degradador, contribuindo, freqentemente, para a poluio do solo,do ar e dos recursos hdricos das reas onde esto localizadas. Ao contrrio do segmento moderno, a atividadeartesanal tende a continuar expandindo-se e a manter o baixo nvel tecnolgico e de produtividade vigente nosetor.

    3.2.8 - USO URBANO E URBANO-INDUSTRIAL

    As reas urbanas do Litoral Norte concentram-se nas pores sul-oriental e oriental desse segmento litorneo,avanando para o norte ao longo da BR-101 (at o limite entre os municpios de Igarassu e Itapissuma) e da PE-035 (at a cidade de Itapissuma). Pelo litoral, a ocupao urbana estende-se ao longo da orla martima, desde aPraia do Janga (em Paulista) at a Praia de Carne de Vaca, com uma breve interrupo no trecho compreendidoentre essa ltima praia e a de Ponta de Pedras (ambas, no municpio de Goiana). Integram essas concentraes asreas urbanas dos municpios de Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Itapissuma e Itamarac e do distrito de Ponta dePedras, no municpio de Goiana (mapa 02).

    Fora das citadas concentraes, constituindo reas urbanas isoladas, encontram-se as cidades de Goiana, Itaquitingae Araoiaba e as vilas de Tejucopapo (municpio de Goiana) e Trs Ladeiras (municpio de Igarassu). Com exceoda vila de Tejucopapo, que localiza-se na poro norte-oriental do Litoral Norte, os demais ncleos urbanos estolocalizados na poro ocidental desse segmento do Litoral Pernambucano (mapa 02).

    Os dois conjuntos de reas urbanas acima mencionados o das pores oriental e sul-oriental e o da extremidadeocidental do Litoral Norte ocupam, em geral, superfcies planas dos terraos marinhos e fluviais e, em menorescala, reas de relevo ondulado modelado em depsitos das formaes Barreiras, Beberibe e Gramame.

    O primeiro dos conjuntos supracitados teve sua origem vinculada a trs fatores propulsores de urbanizao indstria, funo administrativa e pesca/lazer e, como ponto de partida, os primeiros ncleos a abrigarem essasfunes, na rea, quais sejam: o ncleo urbano-industrial de Paulista, o ncleo administrativo de Igarassu e aspovoaes de pescadores que surgiram ao longo da orla martima e constituram pontos de atrao para veranis-tas e turistas. Posteriormente, os eixos virios que cortam o Litoral Norte BR-101 Norte, PE-015, PE-018, PE-035, PE-022 e vias litorneas funcionaram como catalizadores do processo de expanso dos ncleos originais ecomo motivadores da conurbao entre os ncleos urbanos em apreo e destes com Olinda e Recife.

    DIAGNSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE

    O MEIO SOCIOECONMICO DO LITORAL NORTE

    USO E OCUPAO DO SOLO3

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    DIAGNSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE

    O MEIO SOCIOECONMICO DO LITORAL NORTE 3USO E OCUPAO DO SOLO

    3.2.8.1 - A AGLOMERAO URBANO-INDUSTRIAL DA PORO SUL-ORIENTALDO LITORAL NORTE

    A vocao urbano-industrial de Paulista nasceu no final do sculo XIX, com a instalao, em 1891, no municpiode Paulista, da Companhia de Tecidos Paulista (Lima, 2000, p. 36) e, posteriormente, da Fbrica Aurora, tambmdo gnero Txtil. Junto a cada uma dessas indstrias surgiram, no incio do sculo XX, as respectivas vilas oper-rias (FIDEM, 1978, p. 381), ao mesmo tempo que, entre ambas, foi-se constituindo o centro comercial e adminis-trativo do ncleo urbano em formao.

    Com a implantao, em 1966, do Distrito Industrial Arthur Lundgren, em Paulista e Abreu e Lima, margem daBR-101 Norte, teve incio a expanso do ncleo urbano-industrial de Paulista, fenmeno que recebeu grandeimpulso, a partir dos anos setenta, com a construo, pela COHAB, dos conjuntos habitacionais Arthur LundgrenI e II (entre a PE-015 e a BR-101 Norte), Jardim Paulista (a oeste do ncleo urbano-industrial), Maranguape I e IIe Engenho Maranguape ( margem da PE-022) (mapa 02).

    A construo de conjuntos habitacionais ao longo da PE-022 transforma essa rodovia em eixo direcionador daexpanso urbana de Paulista para nordeste, motivando o surgimento, nas dcadas seguintes (oitenta e noventa),tanto de loteamentos populares (Nossa Senhora da Conceio, Riacho da Prata, Alameda Paulista) como deinvases (Chega Mais, Lagoa Azul e outras), em reas alagadas e manguezais, retaguarda da citada rodovia. Aexpanso da cidade para o sul e para sudoeste, no ritmo em que vem-se processando, em breve interligar oncleo urbano de Navarro e a Vila Torres Galvo, em Paulista, com a mancha urbana norte-ocidental de Olinda,completando, assim, a conurbao dos dois centros urbanos.

    A expanso do ncleo urbano-industrial de Paulista, atravs do surgimento de novos bairros, deu lugar consti-tuio de subcentros comerciais e de prestao servios, tanto no interior desses bairros como ao longo dasprincipais vias de ligao dos mesmos com os ncleos urbanos mais antigos Paulista-sede, Navarro, Paratibe eFragoso -, ampliando a diferenciao funcional da cidade e fortalecendo sua centralidade no sistema urbanometropolitano.

    A elevada taxa de crescimento demogrfico aliada valorizao crescente do solo urbano em Paulista, tem moti-vado a ocupao irregular das reas livres (praas, jardins, vias de circulao e espaos entre as moradias) tantodos conjuntos habitacionais supracitados como de outros setores do tecido urbano, inclusive de reas protegidas(alagados, manguezais) e reas de risco (vrzeas fluviais e encostas com alta declividade). A ocupao dessas reascom moradias e instalaes para comrcio e servios informais, tem contribudo para a degradao do solo e dosrecursos hdricos, na medida em que provoca a sobreutilizao do sistema de esgotamento sanitrio e o escoa-mento dos dejetos diretamente para os canais, rios e esturios.

    Alm da expanso do ncleo urbano-industrial de Paulista, a implantao do Distrito Industrial Arthur Lundgren,em 1966, impulsionou a ocupao urbano-industrial ao longo da PE-015 e da BR-101 Norte, a ponto de ... v-se a rea composta por Paulista, Paratibe e Abreu e Lima, formar quase uma conurbao que se estende emdireo a Igarassu. (Costa, 1982, p. 84). A exemplo de Paulista, a expanso do ncleo urbano de Abreu e Limaintensificou-se a partir dos anos setenta, com a construo pela COHAB, do Ncleo Habitacional de Abreu eLima (1974) e, posteriormente, dos conjuntos habitacionais Caets I, II e III (mapa 02).

    A instalao de vrias indstrias isoladas, ao longo da BR-101 e a constituio de um importante eixo de comrcioe servios, no trecho em que essa rodovia corta a cidade de Abreu e Lima, foi outro fator decisivo para a expan-so acelerada desse ncleo urbano. A implantao, nas dcadas de 80 e 90, de vrios loteamentos (Jardim Planal-to, Arco-iris, Boa Sorte, Parque Alvorada, Santo Antnio e So Jos) atesta o intenso ritmo de crescimento dacidade, nesse perodo.

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    Menos industrializada do que Paulista e apresentando porte funcional bem mais modesto do que aquele centrourbano, Abreu e Lima desempenha a funo de cidade dormitrio com elevado contingente de populao debaixa renda. A insero desse contingente populacional no espao urbano em anlise tem-se dado tanto pelaocupao irregular das reas livres dos loteamentos regularizados como atravs de invases em reas de morros,a exemplo do Morro do Fosfato (Alto Jos Bonifcio) a maior invaso de Abreu e Lima e, mais recentemente,na periferia dos conjuntos habitacionais da COHAB, incluindo-se, nesse caso, a Invaso Frei Damio localizada naperiferia norte do Conjunto Habitacional Caets I e a ocupao das encostas com alta declividade situadas entreos conjuntos habitacionais Caets I e II.

    Essas formas de ocupao desordenada do solo, alm de contriburem para a desestabilizao das encostas e oaumento das reas de risco, em conseqncia da devastao da cobertura vegetal dessas reas, degradam o soloe os cursos de gua pelo lanamento, nos mesmos, dos resduos (excedentes ou totais) de origem domstica eindustrial. A falta de saneamento ou a precariedade desse sistema na maior parte dos bairros, agrava, em muito,o problema ambiental do ncleo urbano em apreo.

    O segundo ncleo gerador da aglomerao urbana sul-oriental do Litoral Norte o ncleo urbano de Igarassu surgiu no sculo XVII, constituindo, juntamente com Olinda e Conceio (em Itamarac), as primeiras vilas funda-das no Nordeste (Andrade, 1977, p. 24). Guardando as caractersticas originais, em conseqncia do fraco dina-mismo apresentado ao longo de sua evoluo, Igarassu, com suas igrejas, seu convento, seu recolhimento demulheres virtuosas, seu suntuoso edifcio da Cadeia e da Cmara era [no sculo XVIII] um pequeno centrourbano, onde funcionavam dois curtumes. Na sua rea de influncia situavam-se as povoaes de Tracunham eBom Jardim (Idem, p.34).

    Como outras cidades nordestinas desprovidas de indstrias e dependentes da rea rural que as cerca, Igarassupossua, em 1950, 2 116 habitantes, enquanto a cidade de Paulista (a sede + a vila de Navarro) e as vilas deParatibe e Abreu e Lima possuam, naquele ano, respectivamente 21 243, 5 609 e 5 554 habitantes (IBGE, 1960).Embora conte, hoje, com um parque industrial formado por 30 grandes indstrias, Igarassu apresenta nveiselevados de desemprego chegando a 40% da populao [total] e taxa de analfabetismo da ordem de 36% dapopulao adulta (Melo, 2001, p.5), a par de um crescimento urbano mdio de 4,5% ao ano, no perodo 1970-2000 (IBGE, 2001). Crescimento esse que, no caso especfico da sede municipal, foi da or