of 84 /84

3º Cineducando: cinema, educação e bullying

Embed Size (px)

DESCRIPTION

O catálogo da Mostra conta com artigos de profissionais renomados discutindo o tema bullying, relação de filmes, oficina para professores, encontro de estudantes e nossa programação completa.

Text of 3º Cineducando: cinema, educação e bullying

  • edio nica

    OrganizaoAlexandre Guerreiro

  • 3o. Cineducando20 de setembro a 2 de outubro de 2011

    CAIXA CulturalAvenida Almirante Barroso, 25Centro Rio de JaneiroTel: (21) 2544-4080www.caixa.gov.br/caixacultural

    EDG EditoraRio de Janeiro/BR2011

    ISBN: 978-85-87959-15-7

  • No possvel refazer este pas, democratiz-lo, humaniz-lo, torn-lo srio, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educao sozinha no transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

    Paulo Freire

  • com grande honra que a CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe pelo terceiro ano consecutivo em seus espaos a mostra Cineducando, dedicada ao cinema e educao que, este ano, discutir um tema da maior relevncia: o bullying.

    At bem pouco tempo atrs essa prtica era considerada um problema inofensivo, como brincadeira de crianas, e hoje encarada como um fenmeno que pede urgncia na reao da sociedade. A despreocupao em discutir seriamente e combater o bullying tem devolvido de forma explosiva o problema para todos ns, e no apenas aos envolvidos no cenrio escolar.

    O nmero crescente de filmes que abordam o tema sinaliza que a violncia nas escolas e a delinqncia juvenil vem ganhando contornos mais fortes e preocupantes em toda a sociedade. Porm a mostra apresentar tambm exemplos de algumas dcadas atrs, como Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955) e Amor Sublime Amor (West Side Story, 1961).

    Ao patrocinar esse projeto, a CAIXA espera trazer ao pblico uma importante colaborao para a reflexo sobre tema to importante e atual, reforando seu papel institucional de estimular a discusso de questes relevantes para a sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que reafirma sua vocao social e sua disposio de democratizar o acesso a seus espaos.

    CAIXA ECONMICA FEDERAL

  • Possibilitar uma leitura mais acurada e crtica de toda e qualquer obra audiovisual , na filosofia do Cineduc, uma questo de cidadania. Com seu pioneiro interesse pelas relaes entre cinema e educao, e com uma experincia de 40 anos de cursos e oficinas para alunos e professores, o Cineduc tem a convico de que a Educao o nosso passaporte para um futuro melhor, e que o Cinema um instrumento extremamente importante nessa viagem.

    Acreditamos que, na medida em que desenvolvemos o potencial crtico e a sensibilidade diante do cinema, abrimos possibilidades at ento impensveis na relao entre o audiovisual e a educao. E com satisfao e entusiasmo que o Cineduc realiza a 3 edio do Cineducando, discutindo um tema atual e urgente como o bullying e oferecendo uma srie de aes para semear reflexes da sala de cinema sala de aula.

    CINEDUC CINEMA E EDUCAO

  • No dia 7 de abril de 2011, o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, vitimou 12 estudantes e deixou a sociedade brasileira estarrecida. At ento, estvamos acostumados a assistir a acontecimentos como este de longe - os massacres dentro de escolas ocorridos em outros pases. Com o massacre de Realengo, a sensao de vulnerabilidade colocou uma urgncia em pauta: discutir a questo da violncia no espao escolar. No entanto, apesar de nunca antes termos enfrentado esse tipo de ocorrncia dentro dos muros de uma escola brasileira, preciso salientar que existe uma gama de atitudes violentas por parte de jovens, disseminadas diariamente, que oprimem os que eles julgam mais fracos das mais variadas formas. Lutar contra isso to necessrio quanto se preocupar com questes curriculares.

    Chegamos terceira edio do Cineducando com a certeza de que a Educao no Brasil precisa e merece a ateno de todos ns. Juntos, podemos levantar discusses relevantes para a comunidade escolar, que precisa sentir-se valorizada e segura, e merece receber tudo o que for necessrio para que seu universo se torne mais harmnico. Professores, diretores, alunos, funcionrios, cidados: todos ns ganhamos com a reflexo aqui proposta, com a oferta de projetos de cunho social, com eventos que apresentem contrapartidas e preocupaes tendo seu foco na educao e na sociedade de uma forma geral.

    O 3 Cineducando Cinema, Educao e Bullying prope uma discusso sobre esse tema to atual e relevante, fazendo uma reflexo sobre a violncia no mbito escolar e fora dele. At que ponto a violncia dentro da escola reflexo do que acontece alm de seus muros e at que ponto podemos minimizar essa violncia? So questes que precisam ser devidamente consideradas, com a ajuda de especialistas e a participao de todos.

    Reunimos neste catlogo alguns textos esclarecedores sobre bullying, fornecendo um material para que a sociedade tenha mais elementos para formar sua opinio quanto urgncia do assunto. Os pesquisadores que participaram com seus textos tm uma imensa contribuio a dar, e nossa misso ajudar a divulgar seus trabalhos para o pblico em geral, somando a isso uma srie de aes voltadas

    3 Cineducando - Cinema, Educao e Bullying

  • para o aprofundamento das reflexes propostas pelo evento.

    Dentre as aes que elencamos para esta edio est a palestra de Maria Tereza Maldonado, possibilitando uma conversa direta com a sociedade sobre o bullying, tirando dvidas, esclarecendo questes. No mesmo dia, faremos o lanamento de livros escritos por Maldonado, trazendo o mximo de informaes sobre bullying para todos.

    Para professores e alunos, protagonistas da educao, reservamos dois eventos muito especiais. Aos professores, dedicaremos uma oficina de quatro dias sobre o uso do audiovisual em sala de aula, buscando enriquecer seus conhecimentos com uma metodologia inovadora e um olhar crtico diante de uma obra audiovisual. Aos alunos, ofereceremos por dois dias o encontro de estudantes, que exibir vdeos realizados em colgios, com a presena de alguns alunos que trabalharam nesses vdeos, e tambm com alunos que ainda no se tornaram realizadores, para que eles troquem ideias e experincias.

    Por fim, a mostra de filmes rene grandes ttulos que discutem de maneira direta ou no a questo do bullying. Obras clssicas e contemporneas, algumas realizadas antes mesmo que os primeiros estudos sobre bullying fossem feitos; outras mais atuais, que representam as causas e efeitos da violncia escolar de diversas maneiras. O leque de filmes cumpre a funo de enriquecer as referncias do pblico em relao forma como o tema vem sendo representado pelo cinema.

    Acreditamos que o cinema um veculo poderoso de ideias, e que atravs da linguagem e esttica utilizadas, grandes questes podem ser usadas como ferramenta na construo de uma sociedade melhor. A transformao pela educao que tanto se quer passa por aes como o Cineducando, contribuindo a cada ano com reflexes sobre temas relevantes para o universo escolar, e para cada um de ns.

    Alexandre GuerreiroCoordenador Geral

  • Textos...................................................................

    Filmes................................................................... Juventude Transviada................................................................

    Amor, Sublime Amor..................................................................

    Elefante................................................................................

    2:37 - S Uma Questo de Tempo................................................

    Carrie, a Estranha....................................................................

    Se... ...................................................................................

    Kes......................................................................................

    Meu Nome Taylor, Drillbit Taylor.................................................

    Te Pego L Fora.......................................................................

    Bem-Vindo Casa de Bonecas......................................................

    As Melhores Coisas do Mundo.......................................................

    Tiros em Columbine..................................................................

    Deixa Ela Entrar.......................................................................

    Deixe-me Entrar.......................................................................

    Evil, Razes do Mal....................................................................

    Bullying Provocaes Sem Limites................................................

    Cobardes...............................................................................

    Palestra.................................................................

    Lanamento de Livros................................................

    Oficina para Professores ............................................

    Encontro de Estudantes..............................................

    Programao...........................................................

    Boletim.................................................................

    Crditos.................................................................

    NDICE

    11

    3136

    37

    38

    38

    40

    41

    42

    43

    44

    45

    47

    47

    48

    49

    50

    51

    52

    53

    57

    63

    67

    73

    76

    78

  • 13

    BULLYING NO ESPAO ESCOLAR

    por Cleo Fante

    Sem traduo na lngua portuguesa, o bullying um fenmeno que ocorre na relao entre pares, sendo que sua maior incidncia est entre os estudantes no ambiente escolar. um fenmeno antigo to quanto prpria instituio escolar, embora no tenha sido objeto de estudos sistemticos at a dcada de 70, quando surgiram os primeiros ensaios sobre o assunto, na Sucia e Dinamarca.

    Na dcada de 80, surgiu grande interesse pelo tema na Noruega, em especial, em 1982, quando a mdia noticiava o suicdio de trs crianas, com idades entre 10 e 14 anos, sendo que a intimidao entre pares foi apontada como principal causa. Esse fato originou grande tenso e preocupao social, sobretudo, nas escolas e nas famlias, o que despertou o Ministrio da Educao para a gravidade do problema. Em 1983, foi desenvolvida grande campanha nacional contra o bullying tendo frente o pioneiro nos estudos, Dan Olweus, da Universidade de Bergen.

    O noruegus, Dan Olweus, foi quem estabeleceu alguns critrios para identifi car de forma especfi ca o bullying e que permitisse diferenci-lo de outras possveis interpretaes, como incidentes e gozaes ou de brincadeiras entre os estudantes, prprias do processo de amadurecimento do indivduo.

    Olweus realizou uma ampla pesquisa nas escolas norueguesas, em que envolveu quase 100 mil estudantes dos diversos nveis de escolaridade, pais e professores. Os dados apontaram que um a cada sete estudantes estava envolvido em bullying, o que resultou na necessidade de desenvolver um programa de interveno, que tivesse regras claras contra o bullying, que envolvesse ativamente os professores e pais, que promovesse apoio e proteo s vtimas. O programa demonstrou efi ccia na reduo do bullying, em cerca de 50%, o que incentivou outros pases a estudar o problema e desenvolver programas de interveno.

    Aps oito meses do incio da interveno, verifi caram-se redues nos ndices de vitimao em cerca de 50% entre os meninos e 58% entre as meninas. Em relao aos autores de bullying, as redues foram de 16% entre os meninos e de 20% entre as meninas. Quase dois anos depois, os ndices subiram para 52% entre os meninos e

  • 1

    62% entre as meninas. Quanto aos autores, subiram para 35% entre os meninos e 74% entre as meninas. Os comportamentos anti-sociais tambm reduziram consideravelmente, resultando na melhora do clima em sala de aula e da escola de um modo geral.

    De acordo com Olweus, o bullying passou igualmente a merecer uma ateno mais atenta (por parte da sociedade e dos investigadores) em outros pases, dos quais se destacam o Japo (em parte devido aos suicdios verificados na Noruega), a Inglaterra, a Holanda, o Canad, os Estados Unidos e a Austrlia.

    A grande maioria das publicaes internacionais remonta a dcada de 1990. Uma considervel quantidade de documentos cientficos de todo o mundo passou a transmitir conhecimentos sobre suas causas e estratgias preventivas. Diversas campanhas e programas conseguiram reduzir a incidncia de comportamentos agressivos e intimidatrios nas escolas, principalmente na Europa. No Brasil, os estudos so recentes, tendo como referncia as pesquisas realizadas por Cleo Fante (2000 a 2003), no interior do estado de So Paulo, regio de So Jos do Rio Preto e Lopes Neto & Saavedra, atravs da ONG Abrapia, no municpio do Rio de Janeiro.

    Historicamente, o bullying no era percebido como um problema que precisasse de ateno, por ter sido aceito como elemento fundamental e normal da infncia. Entretanto, nessas trs ltimas dcadas a viso de bullying mudou, assim como a sua ocorrncia que extrapolou o ambiente fsico escolar e adentrou o ambiente virtual.

    O bullying visto como um fenmeno crescente, que preocupa as escolas e os seus profissionais. Atinge tanto os estabelecimentos pblicos quanto os privados, sem distino. Atormenta a vida dos estudantes, que inseguros e com medo, perdem a motivao para os estudos, deixam de comparecer s aulas, tm seu processo de aprendizagem comprometido, adoecem ou desistem de estudar.

    O bullying tambm envolve e preocupa as famlias - que muitas vezes no sabem o que fazer e a quem recorrer, as autoridades e a sociedade de uma forma geral. um problema que desafia no s a rea de Educao, mas tambm a de Sade, uma vez que pode afetar o psicolgico e a sade das crianas, especialmente daquelas que so vitimadas. Tambm preocupa os Conselhos Tutelares, a Assistncia Social, o Ministrio Pblico, a Vara da Infncia, ou seja, as instituies e atores sociais que trabalham para assegurar os direitos das crianas e dos adolescentes.

  • 1

    Universalmente, o bullying conceituado como sendo um conjunto de comportamentos, intencionais e repetitivos, adotado por um ou mais estudantes, sem motivao evidente, causando dor e sofrimento e, dentro de uma relao desigual de poder, o que possibilita a intimidao.

    Os autores de bullying humilham e hostilizam suas vtimas, por meio de apelidos constrangedores, zoaes, perseguies, calnias, difamaes, ameaas. As agresses so deliberadas e cruis, com o intuito de ferir o outro e coloc-lo em situao de inferioridade e tenso. Podem ocorrer de diversas formas; verbal, moral, sexual, fsica, material, psicolgica, social e virtual. Esta ltima denominada cyberbullying, decorrente das diversas ferramentas tecnolgicas como a Internet, os celulares, as cmeras fotogrficas -, da falsa crena no anonimato e na impunidade.

    Tanto no ambiente escolar quanto no ambiente virtual, as aes so premeditadas e tem por objetivo ferir, intimidar, inferiorizar, especialmente aqueles que so considerados diferentes, seja em seu aspecto fsico ou psicolgico, maneira de ser, de vestir, de falar, orientao sexual, condio social, raa, desempenho escolar. , sem dvida, uma das facetas da violncia que impregna as relaes humanas em todas as sociedades, estando, portanto, intrinsecamente relacionado intolerncia e ao preconceito, sobretudo, contra aqueles que fogem a determinados padres estticos e comportamentais valorizados socialmente.

    No Brasil, as primeiras pesquisas foram realizadas por mim (2000-2003) na regio de So Jos do Rio Preto, interior paulista, com um grupo de dois mil estudantes de 5 a 8 sries, de estabelecimentos pblicos e privados de ensino, cujos resultados apontaram o envolvimento de 49% dos participantes. Em decorrncia dos resultados encontrados, desenvolvi um programa de enfrentamento, o qual denominei Programa Educar para a Paz, composto de estratgias que visam diagnosticar, intervir, encaminhar e prevenir o fenmeno, privilegiando o envolvimento de toda a comunidade escolar, alm de diversas instituies e atores sociais.

    Outras pesquisas foram realizadas no pas, porm, de forma setorizada ou no direcionada exclusivamente ao tema. Nesse sentido, ressalta-se a importncia da pesquisa que coordenei no ano letivo de 2009, realizada pela ONG Plan International Brasil (pesquisa disponvel no site www.plan.org.br), em que revelou dados inditos sobre o bullying nas escolas brasileiras. Participaram 5.168 estudantes de

  • 1

    5. a 8. sries, de escolas pblicas e privadas, das cinco regies do pas.

    O estudo foi realizado por meio da coleta e da anlise de dados quantitativos e qualitativos, com foco nas seguintes dimenses do tema:

    Incidncia de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; Causas de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; Modos de manifestao de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; Perfil dos agressores e das vtimas de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; Estratgias de combate aos maus tratos e ao bullying no ambiente escolar.

    Os dados mostraram que quanto mais frequentes os atos repetitivos de maus tratos contra um determinado estudante, mais longo o perodo de durao da manifestao dessa violncia. Tal constatao demonstra que a repetio das aes de bullying fortalece a iniciativa dos agressores e reduz as possibilidades de defesa das vtimas, indicando ser essencial uma gil identificao dessas aes e imediata reao de repdio e conteno.

    A pesquisa mostra que a ocorrncia de bullying emerge em um clima generalizado de violncia no ambiente escolar, considerando-se que 70% da amostra de estudantes responderam ter presenciado cenas de agresses entre colegas, enquanto 30% deles declararam ter vivenciado ao menos uma situao violenta no mesmo perodo.

    Quanto ao bullying, caracterizado como aes de maus tratos repetitivos entre pares tendo como base frequncia superior a trs vezes durante o ano letivo pesquisado -, os dados revelam que 17% dos alunos esto envolvidos, sendo que 10% disseram ser vtimas, 10% autores e 3% disseram reproduzir os maus tratos sofridos se convertendo em vtimas e autoras ao mesmo tempo. Revelam tambm que a incidncia maior est entre os adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade e alocados na sexta srie do ensino fundamental.

    Os participantes tiveram dificuldade em indicar os motivos que os levam a praticar ou sofrer o bullying. No entanto, tendem a considerar que os agressores buscam obter popularidade junto aos colegas, que necessitam ser aceitos pelo grupo de referncia e que se sentiram poderosos em relao aos demais, tendo esse status reconhecido na

  • 1

    medida em que seus atos so observados e, de certa forma, consentidos pela omisso e falta de reao dos atores envolvidos. Quanto s vitimas so sempre descritas pelos respondentes como pessoas que apresentam alguma diferena em relao aos demais colegas, como um trao fsico marcante, algum tipo de necessidade especial, o uso de vestimentas consideradas diferentes, a posse de objetos ou o consumo de bens indicativos de status scio-econmico superior ao dos demais alunos. So vistas pelo conjunto de respondentes como pessoas tmidas, inseguras e passivas, o que faz com que os agressores as considerem merecedoras das agresses dado seu comportamento frgil e inibido.

    Os prprios alunos no conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agresses verbais relativamente incuas e maus tratos violentos. Tampouco percebem que pode existir uma escala de crescimento exponencial dessas situaes. Tambm indicam que as escolas no esto preparadas para evitar essa progresso em seu incio, nem para clarificar aos alunos quais so os limites e quais so as formas estabelecidas para que sejam respeitados por todos.

    A pesquisa mostra que maior o nmero de vtimas do sexo masculino: mais de 34,5% dos meninos pesquisados foram vtimas de maus tratos ao menos uma vez no ano letivo de 2009, sendo 12,5% vtimas de bullying, caracterizado por agresses com frequncia superior a trs vezes. Apesar das altas frequncias de prticas violentas, os alunos do sexo masculino pesquisados tendem a minimizar a gravidade dessas ocorrncias, alegando que foram brincadeiras de mau gosto ou que no do importncia aos fatos porque os colegas no merecem essa considerao. J as meninas que sofreram maus tratos ao menos uma vez durante o ano de 2009 (23,9% da amostra de meninas pesquisada) ou tornaram-se vtimas de bullying (7,6% dessa mesma amostra) apresentam outro padro de resposta s agresses sofridas, manifestando sentimentos de tristeza, mgoa e aborrecimento.

    Quanto ao local de maior incidncia, foi apontada a sala de aula: 12,7% sem a presena do professor e 8,7% com o professor, seguido do ptio de recreio, 7,9%. Os espaos de pouca visibilidade, como corredores, 5,3%, e banheiros, 1,5%, enquanto que no espao externo escola, o ndice encontrado foi de apenas 2%.

    Quanto ao cyberbullying, os dados revelam que 31% dos respondentes esto envolvidos, sendo que 17% so vtimas, 18% so praticantes e 4% so vtimas e praticantes ao mesmo tempo. Independentemente da idade das vtimas, o envio de e-mails maldosos o tipo de agresso

  • 18

    mais frequente, sendo praticado com maior frequncia pelos alunos pesquisados do sexo masculino. Entre as meninas pesquisadas, o uso de ferramentas e de sites de relacionamento so as formas mais utilizadas. As demais formas de maus tratos no ambiente virtual tambm apresentam pouca variao conforme a idade das vtimas. Pequenas variaes destes padres esto presentes na frequncia um pouco superior do uso de ferramentas e sites de relacionamento por alunos de 11 e 12 anos; na invaso de e-mails pessoais e no ato de passar-se pela vtima, ambos praticados por alunos de 10 anos.

    Embora gestores e professores admitam a existncia de uma cultura de violncia pautando as relaes dos estudantes entre si, as escolas no demonstraram estar preparadas para eliminar ou reduzir a ocorrncia do bullying.

    Estudos alertam para as consequncias do bullying, em especial quanto s vtimas. No mbito acadmico podem ter seu processo de aprendizagem comprometido, sendo notados problemas como o dficit de concentrao, desmotivao pelos estudos, queda do rendimento, absentismo, reprovao e evaso escolar. No mbito da sade, a queda da autoestima e da confiana em si mesmo pode resultar em estresse, sintomas psicossomticos, transtornos psicolgicos, depresso, suicdio. Em alguns casos, onde o grau de sofrimento extremo, o desequilbrio emocional pode resultar em tragdias, como as ocorridas nas escolas de Columbine, Virgnia Tech (EUA); Taiuva e Remanso (BR), Carmen de Patagones (ARG).

    Quanto aos autores, seu comportamento agressivo pode se solidificar com o tempo, comprometendo as relaes afetivas e sociais, alm da aprendizagem de valores humanos, como a solidariedade, a empatia, a compaixo, o respeito a si mesmo e ao outro, o que afetar as diversas reas de sua vida. Muitos tendem depresso, ao suicdio, autoflagelao, ao envolvimento em delinquncia, uso de drogas e criminalidade. Futuramente, podem cometer a violncia domstica e o assdio moral no trabalho.

    Diversos estudos africanos sugerem que a experincia infantil de bullying aumenta o comportamento antissocial e adoo e riscos na vida adulta. Nos EUA, os estudos mostram que 60% dos intimidadores tendem a ter, no mnimo, uma condenao penal at os 24 anos.

    Quanto aos espectadores, o fato de testemunhar as agresses pode afetar seu desenvolvimento sociomoral, o que contribui para a escassez da empatia, insensibilidade ao sofrimento e sentimentos alheios,

  • 1

    insegurana pessoal, medo do futuro e deficiente desenvolvimento de valores prossociais, entre outros aspectos. Estudos relatam que embora o espectador no experimente o mesmo grau de ansiedade que a vtima, em alguns casos poder sentir-se indefesa, assim como a vitima.

    Estudos conduzidos em diversos pases tentam explicar as causas do bullying. Porm, as explicaes apontam para um conjunto de fatores causais. As causas apontadas entre os pesquisadores podem ser assim compreendidas:

    Modelos de resoluo de conflitos por meio de atitudes agressivas, humilhantes ou violentas, substituindo o dilogo e a orientao.Violncia domstica contra crianas e adolescentes.Negligncia ou omisso da famlia pela vida escolar e social dos filhos.Carncia afetiva e ausncia da famlia, possibilitando o distanciamento e a insegurana. Dificuldades emocionais e de relacionamentos interpessoais.Excessiva permissividade e dificuldade de estabelecimento de limites por parte dos pais e/ou responsveis.Exposio prolongada s inmeras cenas de violncia exibidas pelos diversos meios de comunicao e informao.Estmulo exacerbado competitividade e ao consumo. Crise ou ausncia de valores humanos. Atitudes culturais, como intolerncia e preconceito geradoras de discriminao e dio sistemtico contra indivduos e grupos especficos.Hierarquizao nas relaes de poder estabelecidas em detrimento da fraqueza de outros.Omisso e despreparo profissional e institucional.Falta de canais de comunicao e de expresso de sentimentosAusncia de punio.Polticas escolares inadequadas.Falta de investimentos e polticas pblicas especficas.

    O bullying se converteu em um problema social e como tal requer medidas urgentes de interveno e preveno. Cabe s escolas o desenvolvimento de programas antibullying, de acordo com as suas peculiaridades e que envolvam toda a comunidade escolar.

    Nos mais diversos pases programas antibullying vm sendo desenvolvidos e seus resultados tem se mostrado efetivos. No Reino Unido, todas as escolas so obrigadas a ter um plano antibullying e

  • 20

    que integre normas disciplinares claras. No Canad e EUA foram introduzidos no currculo escolar, planos de preveno contra o bullying, podendo as escolas ser responsabilizadas por omisso. Na Noruega, foi institudo em todas as escolas um programa que prev, entre outras medidas, que devem ser tomadas em conjunto, a adoo de regras claras, a constituio de comisses antibullying nas escolas, a capacitao de docentes e demais profissionais para a interveno, a realizao de encontros com estudantes e pais de envolvidos, a aplicao de medidas de apoio s vtimas. Em Portugal, o bullying est sendo amplamente discutido e foi includo no programa de educao para a Sade associado Sade Mental - e deve integrar o projeto educativo das escolas. Em muitos outros pases programas esto sendo desenvolvidos nas escolas na tentativa de deter e prevenir o fenmeno.

    Em nosso pas, o programa Educar para a Paz, por mim desenvolvido, foi, pioneiramente, implantado entre os anos de 2002 a 2004, na Escola Municipal Luiz Jacob, em So Jos do Rio Preto, interior paulista. Os resultados foram notados no primeiro semestre de implantao do programa, reduzindo a incidncia de bullying em 10%. Aps quatro semestres de implantao, a realidade escolar apresentava apenas 4% de incidncia, o que antes foi diagnosticado em 66%.

    Devido aos resultados favorveis, o programa tornou-se referncia em todo o pas, como instrumento de enfrentamento ao bullying escolar. Atualmente, est em desenvolvimento na Escola Municipal Lcia Novaes, no Municpio de Cedral/SP e sendo implantado em oito escolas pblicas do Estado do Maranho nas cidades de Cod, Timbiras, So Luis e So Jos do Ribamar -, por iniciativa da ONG Plan International Brasil, em parceria com Secretarias Municipais de Educao, como alternativa no enfrentamento ao bullying e ante os dados coletados em sua pesquisa nacional.

    O programa tem por objetivo sensibilizar a comunidade escolar para a relevncia do problema e a necessidade de enfrentamento por meio de aes promotoras da cultura de paz. Objetiva tambm incentivar o advocacy, a criao de leis, polticas pblicas e investimentos contra o bullying e proteo integral criana e ao adolescente, por entender que a violncia em suas diversas formas representa uma violao dos direitos humanos da criana, em especial os direitos integridade fsica e dignidade humana e igual proteo perante a lei. Viola o direito educao, segurana, ao desenvolvimento, sade e sobrevivncia.

  • 21

    O desenvolvimento de polticas pblicas e investimentos em programas de capacitao profissional - atendimentos mdico, psicolgico, assistencial e jurdico aos envolvidos e familiares -; campanhas de conscientizao veiculadas nos meios de comunicao; incentivo criao de leis antibullying nas diversas esferas so prioridades absolutas do programa.

    Nesse sentido, vale ressaltar que inmeros projetos de lei esto em discusso nas cmaras municipais e estaduais e muitas j esto em vigor. Os primeiros Estados brasileiros a aprovarem uma Lei sobre o bullying foram Paraba e Santa Catarina. Tambm h lei em vigor em Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Amazonas, Esprito Santo, Gois, Amap, Rio Grande do Sul, Rondnia, Cear, Amazonas, Maranho.

    De acordo com as legislaes as escolas devem instituir programas preventivos, compostos por um conjunto de aes que visem reduzir o bullying e incentivar a cultura de paz. Dentre as aes, podemos citar: capacitao de docentes e equipe pedaggica para o diagnstico, interveno e encaminhamento de casos; formao de equipe multiprofissional para estudos e atendimentos de casos; envolvimento da comunidade escolar pais, docentes, discentes, equipe pedaggica nas discusses e desenvolvimento de aes preventivas; estabelecimento de regras claras sobre o bullying no Regimento Interno Escolar; orientao s vtimas e seus familiares; encaminhamento de vtimas e agressores e seus familiares aos servios de assistncia mdica, psicolgica, social e jurdica; orientao aos agressores e seus familiares sobre as consequncias dos atos praticados e aplicao de medidas educativas capazes de mudanas comportamentais significativas; parceria com a famlia dos envolvidos na resoluo dos casos; implantao de sistema de registro de casos e procedimentos adotados, desenvolvimento de atividades que promovam a cidadania e a cultura de paz, dentre outras.

    Tambm esto em discusso duas proposituras de leis em nvel federal, sendo que uma j foi aprovada pela Comisso de Segurana Pblica e Combate ao Crime Organizado e pela Comisso de Educao, na Cmara dos Deputados em Braslia. Este projeto prope que alm das escolas, clubes de recreao sejam obrigados a adotar medidas de conscientizao, preveno, diagnstico e combate ao bullying. Apresenta tambm alteraes no Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educao (LDB). O projeto no criminaliza condutas, porm, busca garantir um melhor enquadramento do bullying como medida de proteo criana e

  • 22

    ao adolescente. Entre as medidas, a obrigao para os dirigentes de estabelecimentos de ensino e de recreao de comunicar ao Conselho Tutelar os casos de bullying e as providncias adotadas para conter o abuso. O outro projeto prev a criminalizao do bullying.

    O bullying enquanto violncia um fenmeno complexo e multifatorial, que requer para o seu enfrentamento aes interdisciplinares, transdisciplinares e intersetoriais, alm do comprometimento individual, profissional, comunitrio, governamental.

    um fenmeno que se instala em nossas escolas e se reproduz de forma naturalizada, invisvel e simblica. um sinalizador de que nas famlias, nas escolas e na sociedade, de um modo geral, as relaes sociais entre os adultos devem ser reavaliadas, assim como os valores que estamos transmitindo s crianas e adolescentes. Estes se pautam em nossos exemplos e, sobretudo, na maneira como nos relacionamos e resolvemos os nossos conflitos. Portanto, os exemplos dos adultos so fundamentais para a origem e manuteno do bullying quanto para a sua erradicao.

    Estudos demonstram que os altos ndices de bullying encontram-se nas instituies onde o desrespeito e o autoritarismo dos adultos permeiam as relaes sociais, onde no h dilogo e participao democrtica da comunidade escolar, onde as regras no so claras ou no so cumpridas, onde os conflitos so resolvidos por meio de violncia, onde h violao dos direitos de crianas e adolescentes.

    Assim sendo, as instituies escolares devem priorizar alm da educao de qualidade, um ambiente escolar saudvel e seguro, onde todos possam relacionar-se com respeito, valorizar as diferenas e conviver pacificamente.

    Cleo Fante pesquisadora pioneira no Brasil sobre o Bullying Escolar. Autora de obras sobre o tema. Autora do Programa Antibullying Educar para a Paz. Conferencista. Consultora em programas antibullying e cultura de paz. Docente em cursos de Ps graduao.

  • 23

    BULLYING E CYBERBULLYING: O QUE FAZER COM ISSO?

    por Maria Tereza Maldonado

    Luciana fica at altas horas em seu computador trocando mensagens com mais de quinhentos amigos de sua rede de relacionamentos e interagindo com centenas de usurios de jogos online. Acha a realidade virtual muito mais interessante do que o chamado mundo real. No entanto, quando Marcelo a escolhe como alvo e comea a torpede-la com mensagens ofensivas pelo celular e pelo computador, Luciana fica transtornada, sem saber como agir com seu inimigo desconhecido.

    A situao se agrava na escola quando Leonardo envolve Marcelo na prtica do cyberbullying para difamar outro colega. A diretora, preocupada com as condutas violentas entre os alunos, d incio campanha Agresso no diverso, criando aes de colaborao entre a equipe escolar, os alunos e as famlias para incentivar o uso responsvel da rede e inibir a ao dos agressores.

    Esse o tema de A face oculta uma histria de bullying e cyberbullying , que escrevi para que alunos e professores possam refletir sobre o tema que est presente no cotidiano das escolas. Onde esto as fronteiras entre brincadeira, implicncia, agresso e perseguio implacvel no comportamento de crianas e adolescentes? Como orient-los para o uso responsvel da Internet e do celular, em casa e na escola?

    Trabalhando como palestrante em todo o Brasil, tenho constatado a enorme preocupao das escolas e das famlias com o uso da internet. Se, por um lado, h o reconhecimento do enorme valor dessa ferramenta, por outro h riscos de uso excessivo, em detrimento de outras experincias de vida, e de potencializar comportamentos violentos, como acontece no cyberbullying. O trabalho conjunto entre famlias e escolas essencial para criar uma cultura de no tolerncia prtica do bullying e do cyberbullying, desenvolvendo uma rede saudvel de relacionamentos em que fique claro para todos que agresso no diverso.

  • 2

    E quais so as expresses mais comuns da agresso? Humilhao, apelidos depreciativos; jogos de poder dos chefes e dos populares da turma que intimidam colegas para que obedeam aos seus comandos sob pena de excluso do grupo; ameaas de agresso fsica ou constrangimento moral; mensagens difamatrias ou ofensivas. So ataques macios auto-estima que, em muitos casos, estimulam na vtima sentimentos de rejeio, dificuldade de insero no grupo, medo de ir escola, crises de angstia e estados depressivos.

    O bullying se caracteriza por aes repetitivas de agresso fsica e/ou verbal com a clara inteno de prejudicar a vtima. O cyberbullying ainda mais terrvel, porque a perseguio implacvel, podendo chegar a 24 horas por dia nos sete dias da semana: a vtima atacada por mensagens de celular, filmada ou fotografada secretamente em situaes constrangedoras que podem ser colocadas na rede; o agressor pode criar um perfil falso da vtima em sites de relacionamento para difam-la ou adulterar fotos em que, por exemplo, ela aparece como garota de programa, com seu celular divulgado nas listas de contato do agressor e de seus amigos.

    O perfil mais comum da vtima: crianas e adolescentes inseguras, tmidas, com dificuldades de comunicao; os que se destacam como timos alunos, estimulando os ataques por inveja. O perfil mais comum dos agressores: pessoas inseguras, que j foram vtimas de ataques, com dificuldades de relacionamento e pouca empatia; as que desenvolvem capacidade de liderana, utilizada de modo negativo; as sociopatas, manipuladoras, que se divertem causando sofrimento em outros. No cyberbullying, o agressor conta com a possibilidade de se esconder no anonimato da rede, imaginando que no haver consequncias para seus atos. Muitas vtimas sofrem em silncio, por medo ou por vergonha de revelar que esto sendo atacadas, o que aumenta o poder do agressor. importante tambm o papel das testemunhas: muitas se calam por medo de serem as prximas vtimas. Porm, podem ter um papel fundamental para inibir a ao dos agressores, formando uma rede de proteo.

    O cotidiano da escola oferece inmeras oportunidades de trabalhar os valores fundamentais do convvio: respeito, solidariedade, colaborao, gentileza. Os autores do bullying agem nas salas de aula, nos corredores, nos banheiros, no ptio, no nibus escolar. Pensar

  • 2

    que isso brincadeira de crianas e achar que as vtimas no sabem brincar negar o problema, at por no saber como lidar com ele. As escolas que fizeram campanhas antibullying bem sucedidas trabalharam com toda a equipe escolar e buscaram a parceria das famlias no sentido de criar uma cultura de no tolerncia s aes do bullying e do cyberbullying.

    As estratgias antibullying consideradas mais eficientes so: colocar os limites devidos e as consequncias cabveis s condutas de agresso; estimular a expanso dos recursos para fortalecer as vtimas; estimular nos agressores o bom uso de suas capacidades de liderana e o aumento da empatia; propiciar condies para a ao eficaz das testemunhas na preveno dos episdios de bullying. O resultado a melhoria da qualidade dos relacionamentos e o uso responsvel da tecnologia.

    Maria Tereza Maldonado Mestre em Psicologia pela PUC-RIO, onde lecionou no Departamento de Psicologia; membro da American Family Therapy Academy; vice-presidente da ONG Cruzada do Menor; autora de mais de trinta livros, entre os quais Bullying e cyberbullying o que fazemos com o que fazem conosco? (Ed. Moderna), A face oculta uma histria de bullying e de cyberbullying (Ed. Saraiva) e Teias (ed. Lafonte).

  • 2

    ASPECTOS EDUCACIONAIS DO BULLYING

    por Gabriel Chalita

    Scrates ensinava que o processo educativo era semelhante a um parto. Ao observar o ofcio de parteira de sua me, o pensador dizia que, de igual modo, o mestre deveria fazer com o seu discpulo. Isto , ajudar no nascimento, com cuidado, com respeito. O aluno no uma coisa, um nmero, uma ficha. Ele algum com uma histria em construo. Assim como o professor. Mestres e aprendizes se educam o tempo todo, eles se constroem.O ambiente escolar um espao privilegiado de acolhimento e de convivncia.

    O respeito precisa ser um convidado cotidiano dessas relaes. Da ausncia do respeito e da compaixo, surge o bullying.

    A palavra bullying deriva do adjetivo ingls bully, que significa valento, tirano, termos direcionados queles que, julgando-se superiores fsica ou psicologicamente, so capazes de atos desumanos para intimidar, tiranizar, amedrontar e humilhar outra pessoa. Certamente, essas prticas violentas ocorrem, h anos e anos, nos espaos escolares e, no raro, foram e ainda so classificadas, inadvertidamente, como brincadeiras de criana, sem grande importncia. Toda a ausncia de respeito reveste-se de grande importncia. Um aluno que costuma agir inadequadamente nos bancos escolares ter maior probabilidade de faz-lo em outros ambientes; afinal, a escola o celeiro da vida.

    E a vida precisa de tica. A regra de ouro da tica no faa ao outro o que no gostaria que fizessem com voc. O agente do bullying, ou o que aplaude ou apenas assiste ao indesejada, age sem tica. No pensa na dor do outro. Na humilhao. No sentimento de inferioridade que nasce de aes repetidas.

    Essas aes no podem ser negadas ou desconsideradas. preciso ter o conhecimento e a conscientizao do problema, por parte de todos os envolvidos: estudantes, famlia, educadores e comunidade sensibilizando para a extino de uma violncia silenciada, na maioria das vezes, pelo medo e pela dor.

  • 2

    Alis, esse outro grave problema da vtima. Ela fica em silncio. Sofre em silncio. Se nas famlias houvesse dilogo, os efeitos seriam menos danosos. Mas os filhos tm vergonha dos pais. Ou medo. O que no bom. A famlia tem de semear um espao em que as mscaras sociais possam ser deixadas de lado, em que as fraquezas sejam socializadas, em que um compreenda a dor do outro. Voltamos tica ou compaixo.

    Por ser uma prtica, invariavelmente, dissimulada e clandestina, os nmeros reveladores da dimenso desse mal em todo o mundo correm o risco de serem insuficientes. Muitos diretores de escola e professores, por exemplo, omitem ou camuflam atitudes agressivas ocorridas dentro da instituio, com receio de se tornarem alvos dos agressores ou, at mesmo, de verem suas fragilidades expostas sociedade. Como uma epidemia sem controle, o bullying vem se instalando e se expandindo, de forma avassaladora, entre nossas crianas e entre nossos jovens.

    Pesquisa realizada pelo IBGE a Pesquisa Nacional da Sade do Escolar (Pense) entrevistou 618,5 mil estudantes do nono ano de escolas pblicas (cerca de 80%) e privadas (aproximadamente 20%) de todo o Pas, trazendo os seguintes resultados em 2009: 30,8% dos estudantes afirmaram j ter sofrido bullying; a maior proporo de ocorrncias foi registrada em escolas privadas (35,9%), ao passo que, nas escolas pblicas, os casos atingiram 29,5% dos estudantes; Braslia e Belo Horizonte so as capitais brasileiras com os maiores ndices de casos de bullying 35,6% e 35,3%, respectivamente , nos 30 dias anteriores ao da pesquisa.

    Vez ou outra, somos assombrados por notcias sobre casos de bullying que terminaram em tragdia. So cenas protagonizadas por vtimas do passado, que se tornaram agressores no presente. Vtimas-agressores so, em geral, adultos que, quando crianas, foram profundamente marcados pela dor e pela angstia, com aes desumanas sofridas. O desejo de vingana e de autodestruio fruto de um sofrimento contido e intensificado ao longo dos anos. Uma pesquisa realizada por um cientista americano, Timothy Brewerton, revela que, nos 66 ataques a escolas ocorridos no mundo de 1966 a 2011, 87% dos atiradores haviam sido vtimas de bullying e, assim, agiam pela vontade de vingana.

  • 28

    De uma forma ou de outra, os dados obtidos a partir de estudos e de pesquisas sobre o bullying em escolas de outros pases so muito parecidos, afirmam os especialistas. um cenrio assustador, que exige cuidado e ao imediatos principalmente, das instncias governamentais. A escola, destinada a ser um centro de luz e de difuso da paz, tem sido palco de atos desumanos e covardes em relao aos considerados mais frgeis, seja pela compleio fsica franzina, seja pelo tipo acabrunhado de personalidade, seja por uma deficincia fsica qualquer.

    A necessidade da criao de novas leis e da aplicao efetiva da legislao j existente sobre a questo do bullying faz-se premente. Entretanto, a soluo para a inibio dessa prtica violenta no est apenas na determinao de atos punitivos aos agressores, mas, principalmente, na promoo de aes educativas de repdio ao bullying e de conscientizao/comprometimento de toda a comunidade escolar no combate a essa epidemia. Incremento na formao dos educadores, campanhas de esclarecimento para as famlias, para os alunos e para a comunidade, orientao aos pais na deteco do bullying, distribuio de cartilhas orientadoras comunidade escolar, palestras de preveno e de combate ao bullying, estreitamento das relaes entre a escola e a famlia e resgate dos valores de amizade, de amor e de respeito so algumas das providncias urgentes a serem tomadas na seara educacional.

    A escola est em estado de ateno. De alerta. As Diretrizes Curriculares Nacionais indicam como objetivos primeiros da educao os princpios ticos, estticos e polticos na conduo da prtica pedaggica. A constatao que se tem, a partir da percepo do espao violento que se tornou a escola, a de que esses princpios, garantidos por lei, foram abandonados.

    Para educar, preciso cuidar dos princpios da dignidade humana, das pessoas e dos sentimentos dessas pessoas. Diante de questes relativas ao bullying, importante que se questione qual princpio foi violentado, o que ficou esquecido pelo caminho, o que foi deixado para trs no convvio dirio da sala de aula. preciso refletir e romper esse ciclo perverso. de paz que os estudantes precisam para aprender, e os professores, para ensinar. de paz que a famlia precisa para que cumpra sua finalidade de proteger e de preparar. E a

  • 2

    paz atitude ante a vocao da vida humana que requer autonomia, respeito, liberdade e amor.

    (Publicao do Instituto Metropolitano de Altos Estudos | FMU)

    Gabriel Chalita professor, escritor e deputado federal (PMDB/SP). doutor em Filosofia do Direito e em Comunicao e Semitica; mestre em Direito e em Cincias Sociais e graduado em Direito e em Filosofia. Foi secretrio da Educao do Estado de So Paulo, presidente do Conselho Nacional dos Secretrios de Educao (Consed) e vereador da capital paulista.

  • 3

    De que maneira o cinema representa o bullying? Desde quando os filmes passaram a retratar o assunto de forma mais enftica e direcionada? Qual o tratamento dado questo? Que gneros so mais utilizados para tratar o tema? Essas perguntas podem ser respondidas atravs do visionamento dos 17 importantes filmes que selecionamos para compor essa mostra. Obras clssicas e contemporneas que montam um rico painel de personagens fornecendo diversos enfoques de uma das questes mais pungentes da atualidade.

    Dentre os ttulos, pelo menos duas obras clssicas so anteriores ao desenvolvimento do interesse mundial pelo bullying. So os filmes Juventude Transviada e Amor, Sublime Amor. A violncia entre os jovens nessas obras no corresponde exatamente ao que o senso comum comea a reconhecer hoje como bullying, restringindo essa violncia ao universo das gangues. No caso de Juventude Transviada, mais evidente o tratamento do tema, j que o filme mostra a chegada de Jim Stark numa escola e a perseguio desse personagem pelo grupo de seu rival Buzz, que culminar na antolgica sequncia da rixa de carros em direo ao penhasco. J em Amor, Sublime Amor o universo escolar no est presente. A verso musical de Romeu e Julieta mostra a rivalidade de duas gangues, Sharks e Jets. O baile do bairro a nica referncia mais prxima a um ambiente escolar. Sem dvida, o filme se afasta dos demais, focando nas questes de preconceito e racismo vividas pelas gangues de rua. No entanto, para alm das leituras multiculturalistas sobre a questo racial que atravessa o filme (os Jets so americanos e os Sharks, portoriquenhos), as sequncias que mostram uma gangue intimidando os integrantes mais fracos da outra servem para refletirmos sobre opresso e violncia urbana, sobretudo na clebre sequncia inicial, numa escalada de violncia magistralmente coreografada por Jeremy Robbins. Para a curadoria, Amor, Sublime Amor uma exceo no rol de filmes que abordam o tema da mostra, mas sua presena se justifica pela reflexo sobre a violncia comum na juventude,

    3

  • 3

    sobretudo quando alimentada por elementos como racismo e intolerncia, que tambm podem motivar embates dentro dos muros de uma escola.

    A radicalizao do bullying em atentados contra escolas com vtimas fatais aparece em ttulos como Tiros em Columbine, 2:3 S Uma Questo de Tempo e Elefante, obras-primas sobre as consequncias trgicas dessa prtica. Em Carrie, a Estranha, outro clssico, a dor causada pelo bullying desperta a paranormalidade da personagem-ttulo, oprimida e humilhada. Mas h tambm filmes que retratam o tema com humor. Um bom exemplo Bem-Vindo Casa de Bonecas, que revela o sentimento de inadequao de uma jovem, to comum na adolescncia.

    Os filmes para o pblico jovem esto representados pela comdia recente Meu Nome Taylor, Drillbit Taylor, e tambm por Te Pego L Fora, filme despretensioso dos anos 80 que pode ser revisto hoje com ares de cult.

    Dentre os exemplos mais recentes, esto o filme sueco Deixa Ela Entrar e sua refilmagem americana, Deixe-me Entrar, e os espanhis Bullying Provocaes Sem Limites e Cobardes, este ltimo no lanado comercialmente no Brasil.

    Obras delicadas como o brasileiro As Melhores Coisas do Mundo e o ingls Kes, um dos primeiros filmes do renomado Ken Loach, e os obrigatrios Se... e Evil Razes do Mal, completam o escopo da mostra. O mosaico de histrias, dramas, e personagens, nos ajuda a pensar a partir dos reflexos colocados na tela. Grandes filmes alinhavados por um tema e programados para nos levar alm na discusso sobre a questo do bullying. Entre clssicos inesquecveis e obras contemporneas, oferecemos um leque emblemtico que servir para ventilar coraes e mentes com reflexes sobre o cinema, a educao e o bullying.

    3

  • 3

    Rebel Without a Cause - EUA, 1955

    DIREO: Nicholas Ray ROTEIRO: Nicholas Ray, Irving Shulman, Stewart SternFOTOGRAFIA: Ernest HallerMONTAGEM: William H. Ziegler, James MooreTRILHA SONORA: Leonard Rosenman ELENCO: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, Jim Backus

    Sinopse: Jim Stark um rapaz problemtico que vai parar numa delegacia, onde conhece os jovens Judy e Plato. Judy namorada de Buzz, o lder de uma gangue do colgio. A rivalidade entre Jim e Buzz ter consequncias trgicas.

    Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, Melhor Atriz Coadjuvante (Natalie Wood) e Melhor Ator Coadjuvante (Sal Mineo).

    20/ - 1:00

    2/ - 18:30

    juventude transviada

    3

  • 3

    West Side Story - EUA, 1961

    DIREO: Jerome Robbins, Robert WiseROTEIRO: Ernest Lehman, Arthur Laurents, Jerome RobbinsFOTOGRAFIA: Daniel L. FappMONTAGEM: Thomas StanfordTRILHA SONORA: Leonard Bernstein, Irwin Kostal ELENCO: Natalie Wood, Richard Beymer, Russ Tamblyn, Rita Moreno, George Chakiris, Simon Oakland, Ned Glass, William Bramley, Tucker Smith, Tony Mordente

    Sinopse: Uma guerra de gangues nos subrbios de Nova York dos anos 1950 fi ca no caminho de um jovem casal apaixonado, na verso musical da tragdia de Romeu e Julieta composta por Leonard Bernstein.

    Vencedor de 10 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direo.

    28/ - 18:30

    2/10 - 1:00

    amor, sublime amor

    3

  • 38

    Elephant - EUA, 2003

    DIREO: Gus Van SantROTEIRO: Gus Van SantFOTOGRAFIA: Harris SavidesMONTAGEM: Gus Van SantELENCO: Alex Frost, Eric Deulen, John Robinson, Elias McConnell, Jordan Taylor, Carrie Finklea, Nicole George, Brittany Mountain, Alicia Miles, Timothy Bottoms

    Sinopse: Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundria no interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte est engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automtica, com altssima preciso e poder de fogo.

    Palma de Ouro de Melhor Filme e Melhor Direo no Festival de Cannes.

    2:37 - Austrlia, 2006

    DIREO: Murali K. ThalluriROTEIRO: Murali K. ThalluriFOTOGRAFIA: Nick MatthewsMONTAGEM: Nick Matthews, Dale Roberts, Murali K. Thalluri TRILHA SONORA: Mark Tschanz ELENCO: Teresa Palmer, Frank Sweet, Sam Harris, Charles Baird, Joel Mackenzie, Marni Spillane, Clementine Mellor, Sarah Hudson, Gary Sweet, Amy Schapel

    Sinopse: Seis jovens estudantes veem suas vidas unidas pelas situaes mais comuns da juventude moderna. So 2h37 da tarde: uma jovem descobre que est grvida; nem tudo o que parece para o confi ante jogador de futebol; um indivduo sem moradia tem de aturar as provocaes do colega; uma linda garota luta contra disturbios alimentares; um estudante dedicado se esfora para ter a aprovao dos pais; e outro garoto mergulha nas drogas para escapar de seus prprios demnios.

    Seleo Ofi cial do Festival de Cannes.

    2/ - 18:30

    Nick Matthews, Dale Roberts, Murali K. Thalluri

    2/ - 18:30

    2/10 - 18:30

    30/ - 18:30

    elefante

    2:37 s uma questo de tempo

  • 33

  • 0

    Carrie - EUA, 1976

    DIREO: Brian De Palma ROTEIRO: Lawrence D. Cohen, Stephen KingFOTOGRAFIA: Mario TosiMONTAGEM: Paul Hirsch TRILHA SONORA: Pino DonaggioELENCO: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving, William Katt, Betty Buckley, Nancy Allen, John Travolta, P.J. Soles

    Sinopse: Carrie White uma garota com difi culdades de socializao. Sob a infl uncia de sua me, uma fervorosa religiosa, ela se mantm isolada de todos. Porm, quando um popular garoto da escola a convida para ir ao baile, ela se surpreende e passa a viver uma noite de sonho. Mas a noite no terminar como ela sonhou.

    Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Sissy Spacek) e Melhor Atriz Coadjuvante (Piper Laurie).

    21/ - 1:00

    carrie, a estranha

    0

  • 1

    If... - Reino Unido, 1968

    DIREO: Lindsay Anderson ROTEIRO: David Sherwin, John HowlettFOTOGRAFIA: Miroslav OndrcekMONTAGEM: David GladwellTRILHA SONORA: Marc WilkinsonELENCO: Malcolm McDowell, David Wood, Richard Warwick, Robert Swann, Christine Noonan, Hugh Thomas, Rupert Webster, Peter Jeffrey, Anthony Nicholls

    Sinopse: O cotidiano de uma escola marcado pelo embate dos alunos, do conformismo rebeldia, a partir de suas relaes com o sistema opressivo da escola.

    Grande Prmio do Jri no Festival de Cannes.

    21/ - 18:30

    2/ - 1:00

    se...

  • 2

    Kes - Reino Unido, 1969

    DIREO: Ken Loach ROTEIRO: Barry Hines, Ken Loach, Tony Garnett FOTOGRAFIA: Chris MengesMONTAGEM: Roy WattsTRILHA SONORA: John CameronELENCO: David Bradley, Freddie Fletcher, Lynne Perrie, Colin Welland, Brian Glover, Bob Bowes, Bernard Atha, Laurence Bould, Ted Carroll, Agnes Drumgoon

    Sinopse: Vivendo em um bairro pobre da cidade, um garoto no tem boas notas na escola, sempre apanha do irmo mais velho e desprezado por todos. Um dia ele acha um Kestrel, um pequeno falco, que passa a ser seu companheiro nos momentos de solido.

    Indicado ao BAFTA de Melhor Filme e Melhor Ator Coajuvante (Colin Welland) e Prmio Especial de Melhor Ator Estreante para David Bradley.

    22/ - 18:30

    2/ - 1:00

    kes

  • 3

    Drillbit Taylor - EUA, 2008

    DIREO: Steven BrillROTEIRO: Kristofor Brown, Seth Rogen, John Hughes FOTOGRAFIA: Fred MurphyMONTAGEM: Brady Heck e Thomas J. NordbergTRILHA SONORA: Christophe BeckELENCO: Owen Wilson, Nate Hartley, Troy Gentile, Ian Roberts

    Sinopse: Ryan, Wade e Emmit sofrem perseguio na escola. Eles resolvem contratar Taylor, um suposto guarda-costas, para defend-los dos valentes e das humilhaes dirias.

    30/ - 1:00

    meu nome taylor, drillbit taylor

  • Three OClock High - EUA, 1987

    DIREO: Phil JoanouROTEIRO: Richard Christian Matheson, Thomas E. SzollosiFOTOGRAFIA: Barry Sonnenfeld MONTAGEM: Joe Ann Fogle TRILHA SONORA: Christopher Franke , Edgar Froese, Paul Haslinger ELENCO: Casey Siemaszko, Annie Ryan, Richard Tyson, Stacey Glick

    Sinopse: Jerry Mitchell um simptico colegial que vai entrevistar Buddy Revell, um colega recm-chegado, para o jornal do colgio. Acontece que Buddy tem fama de psicopata e, alm disto, no suporta ser tocado. exatamente isto que Jerry faz, e Buddy decide partir para a agresso fsica.

    Richard Christian Matheson, Thomas E. Szollosi

    2/ - 1:00

    te pego l fora

  • Welcome to the Dollhouse - EUA, 1995

    DIREO: Todd SolondzROTEIRO: Todd SolondzFOTOGRAFIA: Randy DrummondMONTAGEM: Alan OxmanTRILHA SONORA: Jill WisoffELENCO: Heather Matarazzo, Matthew Faber, Daria Kalinina, Brendan Sexton III

    Sinopse: Dawn Weiner no tem motivos para gostar da escola. Ela uma adolescente complexada e ridicularizada pelos colegas. Seu relacionamento com sua famlia no dos melhores. Ela deseja ser aceita de qualquer jeito e para isto planeja namorar um rapaz mais velho, que muito popular, apesar disto ser totalmente improvvel.

    Grande Prmio do Jri no Festival de Sundance.

    20/ - 18:30

    bem-vindo casa de bonecas

    2/ - 18:30

  • Brasil, 2010

    DIREO: Las Bodanzky ROTEIRO: Luiz Bolognesi, Gilberto Dimenstein, Heloisa PrietoFOTOGRAFIA: Mauro Pinheiro Jr.MONTAGEM: Daniel Rezende TRILHA SONORA: Eduardo BidELENCO: Francisco Miguez, Fiuk, Denise Fraga, Z Carlos Machado

    Sinopse: Mano um adolescente de 15 anos. Ele est aprendendo a tocar guitarra com Marcelo, pois deseja chamar a ateno de uma garota. Seus pais esto se separando, o que afeta tanto ele quanto seu irmo mais velho, Pedro. Em meio a estas situaes, Mano precisa lidar com os colegas de escola em momentos de diverso e tambm srios, tpicos da adolescncia nos dias atuais.

    Vencedor de 8 prmios no Cine PE, incluindo Melhor Filme e Melhor Direo.

    2/ - 1:00

    Bowling for Columbine - EUA, 2002

    DIREO: Michael Moore ROTEIRO: Michael MooreFOTOGRAFIA: Brian Danitz e Michael McDonoughMONTAGEM: Kurt EngfehrTRILHA SONORA: Jeff Gibbs ELENCO: Jacobo Arbenz, Mike Bradley, Arthur Busch, Bush, George W. Bush, Michael Caldwell, Richard Castaldo, Dick Clark, Steve Davis, Byron Dorgan, Mike Epstein

    Sinopse: A violncia nos EUA, especialmente em Columbine, onde dois adolescentes mataram a tiros professor e colegas.

    Oscar de Melhor Documentrio.

    28/ - 1:00

    as melhores coisas do mundo

    tiros em columbine

  • Lat Den Rtte Komma In - Sucia, 2008

    DIREO: Tomas Alfredson ROTEIRO: John Ajvide Lindqvist FOTOGRAFIA: Hoyte Van Hoytema MONTAGEM: Tomas Alfredson, Dino Jonster TRILHA SONORA: Johan Sderqvist ELENCO: Kre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg

    Sinopse: Oskar, um frgil garoto de 12 anos sempre atormentado pelos colegas de escola, sonha com vingana. Ele apaixona-se por Eli, garota bonita e peculiar. Eli d a Oskar fora para lutar, mas o menino colocado frente a um impasse quando percebe que ela no uma garota normal.

    1/10 - 1:00

    deixa ela entrar

    8

  • Let Me In - EUA, Reino Unido, 2010

    DIREO: Matt Reeves ROTEIRO: Matt Reeves e John Ajvide Lindqvist, baseado em histria de John Ajvide LindqvistFOTOGRAFIA: Greig FraserMONTAGEM: Stan SalfasTRILHA SONORA: Michael GiacchinoELENCO: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Elias Koteas.

    Sinopse: Owen um garoto solitrio, que vive com a me e sempre provocado pelos valentes da escola. Um dia, ele conhece Abby perto de sua casa. Sempre nas sombras, ela aos poucos se aproxima de Owen e logo se tornam amigos. S que Abby possui um terrvel segredo. Refi lmagem do sucesso sueco Deixa Ela Entrar.

    1/10 - 18:30

    deixe-me entrar

  • 0

    Ondskan Sucia, 2003

    DIREO: Mikael HafstrmROTEIRO: Jan Guillou, Mikael HfstrmFOTOGRAFIA: Peter Mokrosinski MONTAGEM: Darek HodorTRILHA SONORA: Francis Shaw ELENCO: Andras Wilson, Henrik Lundstrom, Gustaf Skarsgard, Linda Zilliacus, Jesper Saln, Filip Berg, Fredrik af Trampe

    Sinopse: Erik Ponti um adolescente de 16 anos que tem uma vida em meio violncia. Acostumado a tratar todos com brutalidade, ele expulso da escola onde estudava e transferido para Stjrnberg, um famoso colgio privado. Ele tenta mudar seu estilo de vida e enfrentar as novas opresses que comea a sofrer na nova escola.

    Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

    23/ - 1:00

    evil, razes do mal

  • 1

    Bullying Espanha, 2009

    DIREO: Josetxo San MateoROTEIRO: Piti Espaol, ngel Garca RoldnFOTOGRAFIA: Nria RoldosMONTAGEM: Jos SalcedoELENCO: Nadeska Abreo, Marcos Aguilera, Osvaldo Ayre, Felipe Bravo, Albert Carb, Daniel Casadell, Yohana Cobo, Jordi Colomer, Laura Conejero, Joan Carles Suau

    Sinopse: Jordi um adolescente que perdeu recentemente seu pai e que, junto sua me, decide mudar de cidade para comear uma nova vida. Em princpio tudo parece bem, mas quando Jordi passar pelo porto da nova escola, ter de enfrentar problemas inimaginveis.

    22/ - 1:00

    bullying provocaes sem limites

    1

  • 2

    Cobardes Espanha, 2008

    DIREO: Jos Corbacho, Juan CruzROTEIRO: Jos Corbacho, Juan CruzFOTOGRAFIA: David OmedesMONTAGEM: David GallartTRILHA SONORA: Pablo SalaELENCO: Eduardo Gar, Eduardo Espinilla, Elvira Mnguez

    Sinopse: Gaby, um rapaz de 14 anos, tem medo de ir escola por causa de Guille e do seu grupo, que o humilham e agridem. Mas Guille, o agressor, tambm tem os seus prprios medos.

    23/ - 18:30

    cobardes

  • PALESTRA

    Onde esto as fronteiras entre brincadeira, implicncia, agresso e perseguio implacvel no comportamento de crianas e adolescentes? Como orient-los para o uso responsvel da Internet e do celular, em casa e na escola? Essa palestra aborda os recursos de educao em valores que podem ser desenvolvidos para prevenir as aes de bullying e cyberbullying, integrando-os em um programa antibullying que favorece a boa qualidade dos relacionamentos.

    27/9 - 18:00 Cinema 2

    Maria Tereza Maldonado Mestre em Psicologia pela PUC-RIO, onde lecionou no Departamento de Psicologia; membro da American Family Therapy Academy; vice-presidente da ONG Cruzada do Menor; autora de mais de trinta livros, entre os quais Bullying e cyberbullying o que fazemos com o que fazem conosco? (Ed. Moderna), A face oculta uma histria de bullying e de cyberbullying (Ed. Saraiva) e Teias (ed. Lafonte).

    Seu site : www.mtmaldonado.com.br e seu canal no YouTube : www.youtube.com/user/terezamaldonado.

    BULLYING E CYBERBULLYING - O QUE FAZEMOS COM O QUE FAZEM CONOSCO?

  • No dia 27, tera, aps a palestra, haver o lanamento de dois livros

    escritos por Maria Tereza Maldonado.

    BULLYING E CYBERBULLYING o que fazemos com o que fazem conosco?Ed. Moderna

    Quais as fronteiras entre brincadeira, agresso e perseguio implacvel? Como contribuir para o uso responsvel da tecnologia e das redes sociais? A autora mostra como educadores, pais, crianas e adolescentes podem desenvolver recursos para prevenir as aes de bullying e cyberbullying, integrando-os em um programa efi caz para criar um ambiente escolar em que seja possvel aprender e conviver.

    TEIASEd. Lafonte

    possvel mudar em qualquer poca da vida. No entanto, fazer mudanas signifi cativas para estimular nosso desenvolvimento pessoal no uma tarefa fcil. Exige determinao, persistncia e, essencialmente, a clara conscincia de que somos responsveis por nossas escolhas, com o poder de construir nossos caminhos. Em Teias, a autora captou fragmentos de dilogos e breves momentos que revelam as sutilezas dos relacionamentos nesse elaborado processo de tecelagem que acontece na vida de todos ns.

    LANAMENTO DE LIVROS

  • 0

    NA TEIA DA AGRESSO

    por Maria Tereza Maldonado

    Duas da manh: Joo Guilherme acorda angustiado, o pijama molhado de suor, o corao disparado, o pai voando pela janela estilhaando os vidros, arremessado por um monstro grotesco e gelatinoso, com um enorme olho no meio da testa, a baba verde escorrendo por duas fileiras de dentes pontiagudos. Levanta ainda meio zonzo, esfregando os grandes olhos negros, anda cambaleando pelo corredor, entra devagar no quarto dos pais, esperando abrigo. O pai est sozinho na cama, Joo Guilherme sai sem fazer barulho temendo acord-lo e vai para a sala, onde encontra a me dormindo encolhida no sof.

    _Me, posso ficar aqui com voc?_ O menino a sacode pelo brao que pende do sof._Ai, no me pega assim!_ Responde a me ainda sonolenta, contraindo o rosto com a dor._O pai machucou voc de novo? Por isso voc est dormindo no sof?_Vem c, meu filho, vou levar voc de volta para sua cama.

    Anita ajeita o travesseiro do filho e o cobre cuidadosamente com o lenol. Seus olhos se enchem de lgrimas quando o v assim, magro, plido, assustado com as agresses que presencia sempre que o pai entra em casa mal-humorado. Mas isso no o impede de se comportar como se fosse o pai em miniatura, desacatando, chutando, xingando a me com exploses difceis de conter, sempre que frustrado ou quando acorda irritado.

    _Me, quando eu crescer, vou matar meu pai para salvar voc!_ Falou baixinho, antes de adormecer.

    Anita reclinou a cabea na beira da cama do filho, as lgrimas sofridas rolando pelas faces. J fora chamada duas vezes pela escola porque o menino atacava os colegas e enfrentava a professora quando repreendido; em outros momentos, fica encolhido na sala de aula, triste e pensativo. Em casa, tambm oscila entre tristeza, raiva, mau humor, medo e desejo de que os pais se separassem. Ficava apavorado e enraivecido quando via o pai agredindo a me, mas ele prprio a

  • 1

    agredia quando a ouvia dizer que estava cansada para ler mais uma histria na hora de dormir ou quando queria doar os brinquedos que ele no usava mais para as crianas pobres.

    _Sou igual ao meu pai, no tem jeito!_ gritava em alto e bom som quando repreendido depois de um acesso de fria.

    Mas, logo depois, quando via a me desanimada, sentada no sof, chegava de mansinho, sem dizer palavra, lhe dava um abrao tmido e se aninhava em seu colo. Anita se desmanchava em ternura, acolhia Joo Guilherme acariciando seus cabelos lisos e negros. Pensava no sogro, temido pelos cinco filhos, que criara na lei do chicote. Pensava no marido, atencioso em alguns momentos, violento quando perdia a cabea, xingando, batendo, desqualificando-a por qualquer coisa que estivesse fora do lugar. Sentia nos dedos os fios da teia do amor densamente entrelaados com os da teia da raiva, e os longos fios da teia da agresso se espalhando pelas casas, envolvendo as geraes...

    Texto do livro Teias, de autoria de Maria Tereza Maldonado, publicado pela editora Lafonte, SP, 2011.

  • OFICINA PARA PROFESSORESO USO DO AUDIOVISUAL EM SALA DE AULA

  • OFICINA PARA PROFESSORESO USO DO AUDIOVISUAL EM SALA DE AULA

    De 20 a 23 de setembro, a equipe do Cineduc ministrar uma ofi cina dirigida aos professores, enfocando o uso do audiovisual em sala de aula. Atravs de refl exes sobre a construo das linguagens audiovisuais, buscamos aprofundar a leitura crtica de fi lmes e vdeos, fornecendo aos professores informaes que permitam uma utilizao consciente do cinema como recurso pedaggico.

    Os encontros com os professores acontecero na Sala Margot, sempre s 18h. Os 40 professores que participarem da ofi cina recebero um certifi cado do Cineduc. necessrio fazer inscrio prvia atravs do email abaixo.

    Inscries: ofi [email protected]

    Os cursos de formao de professores, de um modo geral, no dedicam especial ateno ao uso pedaggico do cinema. Ampliar o conhecimento dos professores no que diz respeito linguagem audiovisual fundamental para escapar do uso corriqueiro do cinema em sala de aula que acaba se restringindo ao contedo, prestando pouca ateno forma do fi lme. Estimular um novo olhar dos alunos diante de uma obra audiovisual de suma importncia para a formao de uma sociedade mais crtica e consciente.

  • A produo estudantil cada vez maior no Brasil e no mundo. A facilidade proporcionada pelas novas mdias possibilitou que diversas unidades escolares, equipadas com pequenas fi lmadoras, desenvolvessem trabalhos audiovisuais transformando alunos em realizadores, jovens diretores que aprendem de forma ldica e desenvolvem um novo olhar.

    Nos dias 28 e 29, s 15h, no Cinema 2, realizaremos o Encontro de Estudantes. Sero exibidos vdeos realizados no espao escolar. A plateia ser formada por alunos que ainda no produzem audiovisual na escola, e tambm pelos alunos realizadores dos vdeos exibidos. No fi nal da sesso, esses alunos conversaro com os demais, motivando-os a se tornarem tambm jovens diretores.

    Acreditamos que o estmulo fundamental e que a troca de experincias uma pea-chave para que a educao se torne mais dinmica e rica. Os estudantes, acompanhados de seus dedicados professores, faro desse encontro uma ocasio muito especial!

    ENCONTRO DE ESTUDANTES

    15:00

    28 e 29/9Cinema 2

  • 0

    Os dois lados da moeda (4)

    Escola Municipal Narcia AmliaContato: Claudio GarciaEmail:[email protected]

    O Sofrimento do Bullying (330)

    Escola Municipal Ary QuintellaContato: Ana DillonEmail:[email protected]

    Novamente (8)

    Contato: Alexandre BortoliniEmails:[email protected] [email protected]

    No Faa Bullying (210)

    Escola Municipal Nereu SampaioContato: Ana DillonEmail:[email protected]

  • 1

    Chega de Bullying (330)

    Escola Municipal Rosa da FonsecaContato: Rafael ProcpioEmail:[email protected]

    Emo Day (330)

    FIOCRUZContato: Gregrio GalvoEmail:[email protected] ocruz.br

    Identidade Provisria (5)

    Cinema NossoContato: Mirian MachadoEmail:[email protected]

    O Colar (13)

    Escola Municipal Monteiro LobatoContato: Claudio GarciaEmail:[email protected]com

  • BOLETIM

    Juventude Transviada

    1 2 3 4 5

    Amor, Sublime Amor

    Elefante2:37 - S Uma

    Questo de Tempo Carrie, a Estranha

    Se... KesMeu nome Taylor,

    Drillbit Taylor

    Brincando de dar nota:

    avalie os fi lmes

    dando notas de 1 a 5.

    1 2 3 4 5

    1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

    1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

  • Deixe-me Entrar

    1 2 3 4 5

    Deixa Ela Entrar

    1 2 3 4 5

    Evil, Razes do Mal

    1 2 3 4 5

    Te Pego L ForaBem-Vindo

    Casa de BonecasAs Melhores

    Coisas do Mundo

    Tiros em Columbine

    CobardesBullying Provocaes

    Sem Limites

    1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

    1 2 3 4 5

    1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

  • 8

    PatrocnioCAIXA ECONMICA FEDERAL

    RealizaoCINEDUC CINEMA E EDUCAO

    Coordenao Geral e CuradoriaAlexandre Guerreiro

    Produo e Programao VisualRenata Palheiros

    Assistncia de ProduoLuciana PalmaLuciana Silva GuerreiroJoyce Enzler

    MonitoriaBeatriz Terra

    SiteEstevo Sarcinelli

    Midias SociaisLeticia Fiuza

    TextosClo FanteMaria Tereza MaldonadoGabriel ChalitaAlexandre Guerreiro

    PalestraMaria Tereza Maldonado

    O cina para ProfessoresAlexandre GuerreiroBete Bullara

    Curadoria do Encontro de EstudantesBete Bullara

    Apresentao do Encontro de EstudantesFtima Nogueira

    CRDITOS

  • Informaes:

    Ingresso: R$ 2,00 (inteira) | R$ 1,00 (meia)

    CAIXA CulturalAv. Almirante Barroso, 25

    Centro - Rio de JaneiroTel: (21) 2544-4080

    www.caixa.gov.br/caixacultural

    Agradecimentos

    Adelade LeoAda FerreiraAlexandre MedeirosCarmen ValleCinema NossoCleo FanteFelcia KrumholzFernanda ZacchiFrancisco Guerreiro MartinhoFrancisco Silva GuerreiroFrederico da Cruz MachadoGabriel ChalitaGilberto LinsGullane FilmesHans LnnerhedenImagem FilmesJos Carlos de OliveiraJuarez PavelakLetcia ReisLdio Rodrigues Barbosa

    Luciana BessaLuciana BiazziLuelane CorraLuiz GreccoLume FilmesLW EditoraMrcio PinheiroMaria Tereza MaldonadoMarialva MonteiroMostra GeraoMoviola Film & Television ABRoberto MartinsSandro SilvaSantilha SousaSidney Gennaro Simone MonteiroSolange do Carmo Silva GuerreiroSueli OliveiraTunico AmncioWarner Bros.

  • Este catlogo foi composto com as famlias tipogrficas Trebuchet, Times New Roman, Dutch801.

    Impresso na grfica EDG - Niteri - RJMiolo em papel couch fosco 115g/m2 e capa em Triplex 250g/m2.

    RJ, Setembro de 2011