65856918 bauman-zygmunt-1989-modernidade-e-holocausto

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Text of 65856918 bauman-zygmunt-1989-modernidade-e-holocausto

  • 1. 9"788571"104839 ISBN 85-7110-483-2 f^r ir < < O O 4K** Rs?, O _J^fl^ Vi "! mA p-$k ^W- A" * -^^^ ife'"*?'*S ?t* p*1 . 2 "o t _, _^l .^777 S S,- S S - Q Q-T3 ^ 0 Q n(D Q - 0 - 0 ^ ~i ^ Q2 (" _ D Q o to n .Q =T S- to "O O Q CQ n n" a> 3 ^D u> -. , u_ ' Q- O Q O g - Q C Q_fD -Q S~ Q o Q O o o
  • 2. Embora relacionada com a sociechegou a um acordo sobre um dos mais clamorosos fenmenos da modernidade - o Holocausto. Este livro - que fez jus ao Prmio Amalfi (1989), concedido ao melhor livro de sociologia publicado na Europa - discute o que a sociologia pode nos ensinar sobre o Holocausto, concentrando-se mais particularmente, porm, nas lies que o Holocausto tem a oferecer sociologia. Zygmunt Bauman, socilogo de origem polonesa, ressalta aqui como o significado do Holocausto pde ser subestimado em nossa compreenso da modernidade: ora o Holocausto reduzido a algo que ocorreu com os judeus, a um acontecimento exclusivo da histria judaica, ora visto como representando aspectos repulsivos da vida social que o progresso da modernidade ir gradualmente superar. Nenhum desses pontos de vista resiste a uma anlise profunda. Uma das principais contribuies do livro de Bauman a demonstrao de que o Holocausto deve ser compreendido sobretudo em sua ligao profunda com a natureza da modernidade no sendo um acontecimento singular por um lado, nem um fenmeno associado simplesmente barbrie por outro. Nessa perspectiva, o autor aponta diversos equvocos em nossa compreenso ordinria da sociedade moderna, suas instituies e mtodos. Modernidade e Holocausto
  • 3. Livros do autor publicados por esta editora: Amor lquido . Comunidade . Em busca da poltica . Europa . Globalizao: As conseqncias humanas . Identidade . O mal-estar da ps-modernidade . Modernidade e ambivalncia . Modernidade e Holocausto Modernidade lquida . Vidas desperdiadas Zygmunt Bauman Modernidade e Holocausto Traduo: Marcus Penchel Jorge Zahar Editor Rio de Janeiro
  • 4. Para Janina e todos os outros que sobreviveram para contar a verdade Ttulo original: Modernity and the Holocaust Traduo autorizada da quarta edio inglesa publicada em 1996 por Polity Press, de Oxford, Inglaterra Copyright 1989, Zygmunt Bauman Copyright da edio em lngua portuguesa 1998: Jorge Zahar Editor Ltda. rua Mxico 31 sobreloja 20031-144 Rio de Janeiro, RJ tel.: (21)2108-0808 / fax: (21) 2108-0800 e-mail: jze@zahar.com.br site: www.zahar.com.br Todos os direitos reservados. A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao de direitos autorais. (Lei 9.610/98') Enquanto escrevo, seres humanos altamente civilizados esto sobrevoando, tentando matar-me. No sentem qualquer inimizade por mim como indivduo, nem eu por eles' Esto apenas "cumprindo o seu dever", como se diz. Na maioria, no tenho dvida, so homens bondosos e cumpridores das leis, que na vida privada nunca sonhariam em cometer assassinato. Por outro lado, se um deles conseguir me fazer em pedaos com uma bomba bem lanada, no vai dormir mal por causa disso. Est servindo ao seu pas, que tem o poder de absolv-lo do mal. George Orwell, Inglaterra, tua Inglaterra (1941) Nada to triste quanto o silncio. Leo Baeck, presidente do Reichsvertretung der deutschen Juden, 1933-43 Capa: Carol S e Srgio Campante CIP-Brasil. Catalogao-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. B341m Bauman, Zygmunt, 1925Modernidade e holocausto / Zygmunt Bauman; traduo, Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998 Traduo de: Modernity and the holocaust ISBN: 85-7110-483-2 1. Holocausto judeu (1939-1945). 2. Holocausto judeu (1939-1945) -Aspectos sociolgicos. 3. Civilizao moderna. I.Ttulo. 98-1634 CDD 940.5472 CDU 940.53 do nosso interesse que a grande questo histrica e social como isso pde acontecer? preserve todo o seu peso, toda a sua crueza e desolao, todo o seu horror. Gershom Scholem, opondo-se execuo de Eichmann
  • 5. Sumrio Prefcio 9 1 Introduo: A sociologia depois do Holocausto 19 O Holocausto como teste da modernidade 'O significado do processo civilizador A produo social da indiferena moral A produo social da invisibilidade moral Conseqncias morais do processo civilizador 24 31 38 43 47 2 Modernidade, racismo e extermnio l Algumas peculiaridades do isolamento judaico Incompatibilidade judaica, do cristianismo modernidade Em cima do muro O grupo arco-ris Dimenses modernas da incompatibilidade A nao sem nacionalidade Modernidade do racismo 3 Modernidade, racismo e extermnio II 57 53 57 61 62 67 73 78 83 Da heterofobia ao racismo Racismo como forma de planejamento social Da repulsa ao extermnio Olhando adiante 84 88 95 100 4 Singularidade e normalidade do Holocausto 106 O problema 108
  • 6. Genocdio adicional Peculiaridade do genocdio moderno Efeitos da diviso hierrquica e funcional do trabalho Desumanizao dos objetos burocrticos O papel da burocracia no Holocausto Falncia das salvaguardas modernas Concluses 5 Pedindo a colaborao das vtimas "Selando" as vtimas O jogo do "salve-se quem puder" A racionalidade individual a servio da destruio coletiva Racionalidade da autopreservao Concluso 6 A tica da obedincia (lendo Milgram) A desumanidade como funo da distncia social Cumplicidade com as prprias atitudes Tecnologia moralizada Responsabilidade flutuante Pluralismo do poder e poder da conscincia A natureza social do mal 7 Para uma teoria sociolgica da moralidade A sociedade como fbrica de moralidade O desafio do Holocausto Fontes pressocietrias da moralidade Proximidade social e responsabilidade moral Supresso social da responsabilidade moral Produo social da distncia Observaes finais 8 Ps-reflexo: Racionalidade e vergonha 111 117 122 126 129 131 136 142 148 154 160 169 175 178 182 184 186 189 191 194 197 198 203 207 212 217 222 228 230 Apndice: Manipulao social da moralidade: atores moralizantes, ao adiafortica Notas 237 253 Prefcio Depois de escrever a histria pessoal da vida que passou no gueto e escondida, Janina agradeceu o marido eu por ter agentado sua prolongada ausncia durante os dois anos que levou nesse trabalho, quando habitou de novo aquele mundo "que no foi o dele". Com efeito, escapei daquele mundo de horror e desumanidade quando este alcanou os pontos mais remotos da Europa. E, como muitos dos meus contemporneos, nunca tentei explor-lo depois que desapareceu da face da Terra, deixando-o ficar na lembrana assombrada e nas feridas jamais cicatrizadas daqueles que destituiu ou feriu. Sabia, claro, do Holocausto. Partilhava uma imagem do Holocausto com tantas outras pessoas da minha gerao e das geraes mais novas: um crime horrendo perpetrado por gente inqua contra inocentes. Um mundo dividido entre assassinos loucos e vtimas indefesas, com muitos outros ajudando as vtimas quando podiam, mas a maior parte do tempo incapazes de ajudar. Nesse mundo, os assassinos assassinavam porque eram loucos, cruis e obcecados por uma idia louca e depravada. As vtimas iam para o matadouro porque no eram preo para o inimigo poderoso armado at os dentes. O resto do mundo s podia assistir, atordoado e agoniado, sabendo que apenas a vitria final dos exrcitos aliados contra o nazismo poria fim ao sofrimento humano. Sabendo tudo isso, minha imagem do Holocausto era como l um quadro na parede: bem emoldurado para fazer a separao entre a pintura e o papel de parede e ressaltar como diferia do resto da moblia. Depois de ler o livro de Janina, comecei a pensar em como eu desconhecia os fatos ou melhor, em como no pensava direito sobre eles. E me ocorreu que realmente no compreendia o que acontecera naquele "mundo que no foi o meu". O que de fato ocorreu era complicado demais para ser explicado daquela forma simples e inte-
  • 7. 10 Modernidade e Holocausto lectualmente confortvel que eu ingenuamente achava suficiente. Percebi que o Holocausto foi no apenas sinistro e horrendo, mas tambm absolutamente nada fcil de compreender em termos habituais, "comuns". Foi escrito em seu prprio cdigo, que tinha de ser decifrado primeiro para tornar possvel a compreenso. Queria que os historiadores, cientistas sociais e psiclogos lhe dessem um sentido e o explicassem para mim. Vasculhei estantes que nunca tinha examinado antes nas bibliotecas e as encontrei atulhadas, transbordando de estudos histricos meticulosos e tratados teolgicos profundos. Havia tambm alguns estudos sociolgicos, pesquisados com talento e escritos de forma pungente. As provas reunidas pelos historiadores eram esmagadoras em volume e contedo. E suas anlises, profundas e irrefutveis. Mostravam de forma razoavelmente indubitvel que o Holocausto era uma janela, mais do que um quadro na parede. Olhando por essa janela, pode-se ter um raro vislumbre de coisas de outro modo invisveis. E as coisas que se pode ver so da mxima importncia no apenas para os que perpetraram o crime, para suas vtimas e testemunhas, mas para todos aqueles que esto vivos hoje e esperam estar vivos amanh. No achei nada agradvel o que vi dessa janela. Quanto mais deprimen