838 Resumo de Direito Individual Do Trabalho

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    04-Sep-2015

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Direito individual do trabalho. Marerial de apoio do curso de direito empresarial do trabalho. Resumo da obra.

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<ul><li><p>RESUMO DE DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO(edio janeiro/2014)</p><p>Gustavo Cisneiros</p><p>1. DEFINIO DO DIREITO DO TRABALHO</p><p>Definir um ramo jurdico indicar as suas caractersticas essenciais, diferenciando-odos demais ramos do direito. </p><p>Na definio do Direito do Trabalho, os juristas ora enfatizam os sujeitos das relaesjurdicas reguladas por esse ramo (teoria subjetiva), ora ressaltam o contedo extrnseco dasrelaes (teoria objetiva). </p><p>Os tericos do subjetivismo chegam a denominar o Direito do Trabalho como sendo oDireito do Trabalhador ou, sob o ponto de vista coletivo, o Direito Sindical.</p><p>Apesar de o Direito do Trabalho historicamente ter surgido para proteger a parte maisfraca (hipossuficiente) da relao jurdica (relao de emprego), ele tambm consagra, emmenor proporo, evidentemente, direitos do empregador.</p><p>O empregador tem o direito de demitir por justa causa o empregado que cometer faltagrave, como define o art. 482 CLT, visto que, luz dos arts. 2 e 3 CLT, o patro detm opoder diretivo, o qual abarca o poder de fiscalizao e o pode disciplinar.</p><p>O aviso prvio, previsto no art. 487 CLT, um direito do empregado, no caso dedispensa sem justa causa. Porm, em se tratando de pedido de dispensa, o aviso prvio umdireito do empregador.</p><p>Por conta disso, a corrente objetiva sempre encontrou mais respaldo, definindo oDireito do Trabalho a partir da prestao laborativa, ou seja, da relao jurdica deemprego, do contrato, das clusulas contratuais. </p><p>O Direito do Trabalho o conjunto de regras criadas para regular a relao de emprego.</p><p>Esse conjunto de regras, isso ningum vai negar, se encontra irradiado pelo princpio daproteo ao hipossuficiente.</p><p>Reunindo as duas teorias, surge, com naturalidade, um tipo de concepo mista,largamente aceita na atualidade, definindo o Direito do Trabalho como o conjugado deprincpios, regras e institutos jurdicos que regulam os trabalhadores, empregadores esindicatos, considerados como sujeitos de relaes jurdicas especificamente tipificadas.</p><p>Resumo de Direito Individual do Trabalho (edio - janeiro/2014) Professor Gustavo CisneirosNo Facebook: Gustavo Cisneiros e Gustavo Cisneiros II ou www.facebook.com/cisneirosgustavoE-mail: direitotrabalho@terra.com.br</p><p>1</p></li><li><p>No Direito Individual do Trabalho , as normas trabalhistas regulam a relao individual, seja a clssica, entre empregados e empregadores (vnculo celetista, vnculorural e vnculo domstico), seja aquela envolvendo trabalhador avulso e rgo gestor de mode obra/controlador porturio.</p><p>No Direito Coletivo do Trabalho , a regulamentao alcana a relao coletiva , aatuao coletiva de empregados e empregadores. </p><p>Os empregados, diferentemente dos empregadores, s podem atuar coletivamentemediante a representao sindical, ou seja, quem negocia em nome dos empregados osindicato, por fora do artigo 8, VI, CF (restou consagrada a interpretao de que aobrigatoriedade de representao sindical no alcana a categoria patronal).</p><p>O direito s existe porque o homem vive em sociedade. </p><p>Est na relao humana o fato motivador da existncia das regras jurdicas. </p><p>Com o Direito do Trabalho no diferente. Ele necessrio em face da existncia dasrelaes de trabalho, individuais e coletivas.</p><p>S h Direito Individual do Trabalho porque existe relao de trabalho. S existe DireitoColetivo do Trabalho porque h relao sindical.</p><p>No que concerne ao Direito Individual do Trabalho, no h que se confundir relao deemprego com relao de trabalho. </p><p>A relao de trabalho engloba as relaes de emprego e outras relaes de trabalho. </p><p>Toda relao de emprego uma relao de trabalho, mas nem toda relao de trabalho uma relao de emprego.</p><p>Logo, a relao de trabalho abrange as relaes de emprego, a relao de estgio, arelao de trabalho autnomo, a relao de trabalho avulso, a relao estatutria de trabalho, arelao de empreitada etc.</p><p>O saudoso Orlando Gomes, em desgue do inigualvel brilho de sua sapincia, chega afixar a existncia de apenas duas espcies de relao de trabalho: a) a relao de trabalhosubordinado, que a relao de emprego; b) e a relao de trabalho no subordinado, que arelao de trabalho autnomo. Desta ltima, derivariam diversas relaes, cada qual com suascaractersticas, mas no marcadas pela subordinao jurdica, que a pedra de toque darelao de emprego.</p><p>No mbito das relaes de emprego, encontramos empregados diferenciados(aprendiz; domstico; rural etc.).</p><p>O Direito do Trabalho tem como escopo proteger o empregado. Eis o alicerce das regrastrabalhistas: a proteo ao hipossuficiente. </p><p>Resumo de Direito Individual do Trabalho (edio - janeiro/2014) Professor Gustavo CisneirosNo Facebook: Gustavo Cisneiros e Gustavo Cisneiros II ou www.facebook.com/cisneirosgustavoE-mail: direitotrabalho@terra.com.br</p><p>2</p></li><li><p>Historicamente, a autonomia de vontades, esprito maior do Direito Civil, no foi capazde garantir o mnimo de equilbrio na relao de emprego. </p><p>A lio de Lacordaire sintetiza bem o pensamento do sculo XIX, perodo apontadocomo o do surgimento do Direito do Trabalho:</p><p>Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o patro e ooperrio, a liberdade que oprime e a lei que liberta. </p><p>2. FONTES DO DIREITO DO TRABALHO</p><p>Quanto s fontes do direito do trabalho, prevalece a tradicional classificao em fontesmateriais e fontes formais. </p><p>As fontes materiais esto situadas em um momento pr-jurdico, constituindo-se emfatos propulsores para a construo da regra de direito (acontecimentos, fatores,circunstncias, pensamentos etc.). </p><p>As fontes formais so os instrumentos de exteriorizao das normas jurdicas. </p><p>Observem o seguinte exemplo: </p><p>Durante um movimento grevista (autotutela), a empresa resolveu negociar com osindicato dos trabalhadores, nascendo um ajuste quanto correo salarial da categoria(Acordo Coletivo de Trabalho - autocomposio). A greve se situa como o acontecimento, ofator, a circunstncia que fez surgir o desejo (ou necessidade) de negociar (o fato propulsorpara a criao da norma). Logo, a greve pode ser apontada como fonte material do direitodo trabalho, ou seja, o acontecimento que precedeu a criao da norma. O Acordo Coletivo deTrabalho, por sua vez, reveste-se no instrumento de exteriorizao da norma jurdica,considerado, portanto, como fonte formal do direito do trabalho.</p><p>As fontes formais so bastante exploradas em concursos pblicos. </p><p>Duas correntes doutrinrias cuidam da classificao das fontes formais: a teoria monistae a teoria pluralista. </p><p>Os tericos monistas afirmam que as fontes formais do Direito tm no Estado o nicocentro de positivao. </p><p>Os tericos pluralistas discordam do exclusivismo estatal, apontando vrios centros depositivao jurdica, tais como o costume, a sentena arbitral coletiva, as convenes eacordos coletivos, dentre outros. </p><p>No estudo das fontes formais do direito do trabalho prevalece a teoria pluralista. </p><p>Tomando por base a teoria pluralista, as fontes formais so divididas em FontesHeternomas e Fontes Autnomas.</p><p>Resumo de Direito Individual do Trabalho (edio - janeiro/2014) Professor Gustavo CisneirosNo Facebook: Gustavo Cisneiros e Gustavo Cisneiros II ou www.facebook.com/cisneirosgustavoE-mail: direitotrabalho@terra.com.br</p><p>3</p></li><li><p>Fontes Formais Heternomas Quando a produo das regras jurdicas no secaracteriza pela imediata participao dos destinatrios, mas pela imposio de um terceiro,geralmente o Estado (Constituio, leis, medidas provisrias, decretos, sentena normativa,sentena arbitral coletiva, portarias etc.). No caso da sentena arbitral coletiva, a imposiovem do rbitro, livremente escolhido pelas partes (art. 114, 1, CF). </p><p>Fontes Formais Autnomas Quando a produo das regras conta com a imediataparticipao dos destinatrios, inexistindo a imposio da regra por um terceiro (costume,conveno coletiva de trabalho e acordo coletivo de trabalho).</p><p>Eis as principais fontes formais:</p><p> Leis e Decretos (fontes formais heternomas) Constituio Federal, LeisComplementares, Leis Ordinrias, Medidas Provisrias, Decretos etc.</p><p> Tratados e Convenes Internacionais (fontes formais heternomas), desde queratificados, luz dos artigos 5, 2 e 3, e 84, VIII, CF.</p><p> Sentena Arbitral Coletiva (fonte formal heternoma) art. 114, 1, CF. Convenes Coletivas de Trabalho e Acordos Coletivos de Trabalho (fontes formais</p><p>autnomas) arts. 611 e segs. CLT. Costume (fonte formal autnoma) Se o empregador, por exemplo, costuma fornecer</p><p>uma cesta bsica anualmente aos seus funcionrios, esse costume (hbito) serve de basepara o direito de todos os empregados percepo do benefcio, ou seja, o empregadorterminou por criar uma norma mais benfica, podendo a cesta bsica ser considerada umaespcie de gratificao (assumindo natureza salarial, nos termos do art. 458, caput, CLT). </p><p>Observaes:</p><p> No h que se confundir uso e costume. Entende-se por uso a prtica habitualadotada no contexto de uma relao jurdica especfica, envolvendo as partes daquelarelao (empregador e um determinado empregado), produzindo efeitos apenas no mbitodessas partes (ex.: o empregador fornece a cesta bsica apenas a um determinadoempregado). Por costume entende-se a prtica habitual adotada no contexto amplo deempresa, categoria, regio etc., tratando-se, pois, de regra de conduta geral, impessoal.O uso no fonte formal, mas clusula contratual. O costume gera uma norma maisbenfica, enquanto que o uso gera uma condio mais benfica.</p><p> O regulamento empresarial, em face da tendncia de ser elaborado unilateralmente, no classificado, por alguns doutrinadores, como fonte formal do direito do trabalho,assumindo natureza de ato de vontade unilateral, ingressando nos contratos de trabalhocomo clusulas contratuais vide Smula 51 do TST. Parcela respeitvel da doutrina,entretanto, quando a previso regulamentar prev vantagens aos trabalhadores, enxerga noregulamento da empresa verdadeira fonte formal do direito do trabalho.</p><p> Doutrina, jurisprudncia e princpios jurdicos geralmente so classificados como fontessupletivas, ou seja, subsidirias, aplicadas em caso de lacuna das fontes formais (artigo8 da CLT). Cumprem tambm funo informativa, porquanto servem comoinstrumentos auxiliares na interpretao jurdica. A jurisprudncia sumulada do TST,convenhamos, h muito deixou de ser uma mera fonte supletiva, pois, notoriamente, oTST vem legislando sobre diversos temas, atraindo a ira de setores respeitveis dadoutrina. No que diz respeito aos princpios, a sua funo normativa prpria tambm vem</p><p>Resumo de Direito Individual do Trabalho (edio - janeiro/2014) Professor Gustavo CisneirosNo Facebook: Gustavo Cisneiros e Gustavo Cisneiros II ou www.facebook.com/cisneirosgustavoE-mail: direitotrabalho@terra.com.br</p><p>4</p></li><li><p>sendo cada vez mais acolhida (estudaremos a seguir). O contrato de trabalho no pode ser considerado como fonte formal do direito do trabalho,</p><p>pois no se trata de um ato-regra (ato jurdico criador de normas jurdicas gerais,impessoais e abstratas), mas de um ato-condio.</p><p>3. PRINCPIOS DO DIREITO DO TRABALHO</p><p>Com as devidas venias aos que ainda insistem em caminhar na oposta trilha, osprincpios gerais do direito so normas fundamentais do sistema jurdico. </p><p>Os princpios tm natureza normativa, ou seja, so capazes de regular um caso concreto,servindo de base para uma deciso judicial.</p><p>Entre uma norma e um princpio, este ltimo deve prevalecer. A CLT, em suaascendncia visionria, j diz isso desde 1943, no pargrafo nico do art. 8.</p><p>A moderna doutrina chega a classificar as normas em duas categorias: normas-princpio e nomas-disposio.</p><p>As normas-disposio (leis) regulam situaes especficas, descrevendo fatos.</p><p>As normas-princpio (princpios) regulam situaes inespecficas, possuindo, portanto,um grau mais elevado de abstrao, j que o seu objeto so valores.</p><p>H doutrinadores que ainda resistem fora autnoma dos princpios.</p><p>Alm da prpria funo normativa, os princpios tambm tm natureza de fontesupletiva do direito, como dispe o art. 8, caput, CLT. </p><p>Diante de lacunas legais, comum o aplicador do direito se socorrer dos princpiosjurdicos.</p><p>A lacuna pode ser extrnseca, ou seja, no existir, para determinado caso (fato), lei capazde regul-lo. </p><p>A lacuna, por outro lado, pode ser intrnseca, quando o jurista, mesmo existindo uma lei,observa que ela no capaz de solucionar determinado conflito. </p><p>Da se dizer que os princpios tambm atuam de forma descritiva, cumprindo importantepapel na interpretao do direito. </p><p>Um princpio capaz de impedir que o jurista conduza a sua interpretao ao abismo doabsurdo.</p><p>Vamos resumir?</p><p>Os princpios possuem mltiplas funes: </p><p>Resumo de Direito Individual do Trabalho (edio - janeiro/2014) Professor Gustavo CisneirosNo Facebook: Gustavo Cisneiros e Gustavo Cisneiros II ou www.facebook.com/cisneirosgustavoE-mail: direitotrabalho@terra.com.br</p><p>5</p></li><li><p>a) Funo normativa (normas-princpio).b) Funo supletiva (atuando na integrao do direito, suprindo lacunas legais).c) Funo informativa (auxiliando o aplicador na interpretao das normas-</p><p>disposio). </p><p>Exemplos:</p><p> Empregado que, por fora de uma reverso, nos termos do art. 468, p. nico, CLT, perde ocargo de confiana, no encontra, na legislao trabalhista, previso capaz de consagrar aincorporao da respectiva gratificao, mesmo que tenha ocupado o cargo por vriosanos. As cortes trabalhistas, ao longo do tempo, terminaram consagrando a possibilidadede incorporao, at o que o TST, diante de reiteradas decises, criou o precedenteinsculpido na Smula 372, condicionando a aquisio do direito a dois requisitos dezanos ou mais no cargo e perda sem justo motivo. Qual a base jurdica utilizada? Oprincpio da estabilidade financeira.</p><p> O art. 8, VI, CF dispe sobre a obrigatoriedade da participao dos sindicatos nasnegociaes coletivas, sem fazer qualquer ressalva. A literal interpretao conduziria ojurista a decretar o fim do acordo coletivo de trabalho (ajuste coletivo realizado entre osindicato dos trabalhadores e a empresa). O princpio da proteo ao hipossuficiente,em tpica funo informativa, fez com que a obrigatoriedade da participao dossindicatos ficasse restrita categoria profissional, preservando, assim, o acordo coletivode trabalho.</p><p> A teoria do conglobamento por instituto, tambm conhecida por conglobamento mitigado(vide art. 3, II, da Lei 7.064/82), que no permite a acumulao de vantagens previstasem normas distintas, tem, a priori, como alicerce o princpio da norma mais favorvel,mas no h como negar a contundente presena do princpio que veda o enriquecimentosem causa (o qual deriva do princpio do non bis in idem).</p><p> Quando se fala em descontos salariais decorrentes de prejuzos sofridos pelo empregador,o legislador, inspirado no princpio da alteridade, afasta qualquer possibilidade deresponsabilizao objetiva do obreiro (cabe ao empregador assumir os riscos do negcio art. 2 CLT). Esse princpio tambm serviu de base...</p></li></ul>