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A Administração Pública Federal em Juízo - core.ac.uk · PDF fileA administração pública indireta compreende as entidades dotadas de personalidade jurídica própria, que não

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  • A Administrao Pblica Federal em Juzo

    Autor: Antnio Csar Bochenek

    Juiz Federal Publicado na Edio 15 - 22.11.2006

    Sumrio: Introduo. 1 A Administrao Pblica Federal em juzo. 1.1 Privilgios processuais da Fazenda Pblica. 1.1.1 Prazos processuais. 1.1.2 Reexame necessrio 1.1.3 Execuo de dbitos da Fazenda Pblica. 1.1.4 Impenhorabilidade. 1.1.5 Imunidade de impostos sobre seu patrimnio, bens, rendas e servios. 1.1.6 Presuno de legitimidade dos atos administrativos. 1.1.7 Vedaes de concesso de medidas de urgncia contra o poder pblico. 1.2 Empresas pblicas. 1.3 Sociedades de economia mista federais. 2 Administrao Pblica Federal e o sistema jurisdicional. 2.1 Administrao Pblica Federal e a competncia da Justia Federal. 2.1.1 A Unio.2.1.2 As autarquias federais. 2.1.3 Empresas pblicas federais. 3 Administrao Pblica Federal e a competncia da Justia Estadual 3.1 Sociedades de economia mista federais 3.2 As empresas concessionrias, permissionrias e autorizadas de servios pblicos federais. Concluso. Referncias. Introduo As relaes sociais avanam a passos largos e, desde que a administrao pblica surgiu, aprimoram-se a cada instante. Com o surgimento do Estado democrtico e o enfraquecimento do absolutismo, a administrao pblica comeou a ganhar novos rumos e uma importncia capital na vida em sociedade. A mquina administrativa complexa e possui uma infinidade de rgos que integram a administrao estatal responsvel pelo funcionamento e pela governabilidade do pas. Os vrios rgos e entidades integrantes da administrao pblica direta e indireta possuem vrias semelhanas e apresentam diferenas, que repercutem na esfera jurisdicional. O presente trabalho visa detectar a competncia para o processo e o julgamento das demandas em que as entidades da administrao pblica federal so partes, bem como as prerrogativas e privilgios em Juzo dessas entidades. No pretenso deste texto tratar das entidades da administrao pblica estadual e municipal nem esgotar o tema, mas esboar os traos bsicos em relao posio da administrao pblica federal em juzo.

    1 Revista de Doutrina da 4 Regio, n. 15, 22 nov. 2006

  • A Unio, as entidades autrquicas e as fundaes pblicas federais gozam de determinadas prerrogativas e privilgios processuais que sero abordados neste trabalho, entre elas, o foro privilegiado, isenes fiscais, a forma de pagamento dos dbitos, a vedao da concesso de medidas de urgncia contra o Poder Pblico e a impenhorabilidade dos bens pblicos. As empresas pblicas e demais pessoas jurdicas de direito privado que executam servios pblicos igualam-se s suas concorrentes da esfera privada, embora existam algumas peculiaridades que as diferenciam das demais pessoas jurdicas de direito privado. Espero que este modesto texto possa contribuir para a reflexo do tema aqui debatido, bem como auxiliar as atividades relativas efetiva prestao jurisdicional. 1. A Administrao Pblica Federal em Juzo Com o declnio do absolutismo e o fortalecimento do Estado, a administrao pblica comeou a se delinear e aprimorar cada vez mais, por meio de um processo constante de aperfeioamento, descentralizao e desconcentrao do poder central estatal, de modo a alcanar a eficincia na realizao dos trabalhos da mquina administrativa. A primeira forma de administrao pblica era realizada de modo direto, mas, com o avano das relaes sociais e o incremento de novas situaes passveis de administrao, o prprio Estado criou rgos e entidades descentralizadas para facilitar a prestao dos seus servios. No Brasil aconteceu da mesma forma e atualmente a administrao pblica direta e indireta, conforme veremos abaixo.(1) A administrao pblica direta federal se constitui dos servios empregados na estrutura administrativa da Presidncia da Repblica e dos Ministrios, ou seja, correspondem ao conjunto de ordens integradas na estrutura da chefia do Executivo e dos seus rgos auxiliares, conforme se depreende no inciso I do art. 4 do Decreto-Lei 200/67. A administrao pblica indireta compreende as entidades dotadas de personalidade jurdica prpria, que no se confundem com a personalidade jurdica da entidade maior que a institui. So dotadas de patrimnio e quadro de pessoal prprio, alm da estrutura administrativa prpria. Realizam as atividades e os atos jurdicos em seu prprio nome. A Emenda Constitucional 19/98 expressamente disps quanto exigncia de lei especfica para a criao de autarquia e para a

    2 Revista de Doutrina da 4 Regio, n. 15, 22 nov. 2006

  • autorizao de instituio de empresa pblica, sociedade de economia mista e fundao pblica (art. 37, XIX, da Constituio). Aplicam-se administrao indireta os princpios da administrao pblica descritos no art. 37 da Constituio: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia. Sujeitam-se ao controle parlamentar (art. 49, X, da Constituio) e a fiscalizao pelo Tribunal de Contas da Unio (arts. 70 e 71 da Constituio). A administrao pblica direta pode criar as autarquias, as empresas pblicas, as sociedades de economia mista e as fundaes pblicas, de acordo com inciso II do art. 4 do Decreto Lei 200/67. No existem vnculos de hierarquia entre a administrao direta e indireta, ao menos juridicamente, mas os poderes centrais exercem um controle administrativo (tutela, superviso ministerial). As entidades compreendidas na administrao indireta vinculam-se ao Ministrio em cuja rea de competncia estiver enquadrada sua principal atividade (art. 4, pargrafo nico, do Decreto-Lei 200/67). A superviso ministerial da administrao pblica indireta visa assegurar, principalmente, a realizao dos objetivos fixados no ato de constituio da entidade, harmonia com a poltica e a programao do governo no setor de atuao da entidade, a eficincia administrativa e, ainda, a autonomia administrativa, operacional e financeira da entidade, de acordo com o art. 26 do Decreto-Lei 200/67. 1.1 Privilgios processuais da Fazenda Pblica Os privilgios referem-se s situaes que transcendem a normalidade, ou seja, so benefcios concedidos fora de determinados padres e foge da horizontalidade do comportamento. Em alguns casos justificam-se os privilgios, porm em outros no, de modo que a anlise deve ser efetuada de acordo com cada situao. Assim vamos analisar os privilgios concedidos s entidades da administrao direta e indireta. A expresso Fazenda Pblica, comumente utilizada pela doutrina e pela jurisprudncia, engloba as entidades da administrao direta (Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios), bem como as autarquias e fundaes pblicas criadas e vinculadas administrao direta. Nesse sentido utilizaremos a expresso no presente texto. Repise-se que trataremos apenas da Fazenda Pblica Federal, ou seja, da Unio, autarquias federais e fundaes pblicas federais. A Unio atua de duas formas: internamente, com autonomia, assim entendida como a pessoa jurdica de direito pblico interno, detentora de foro privilegiado; externamente, com soberania, na qualidade de

    3 Revista de Doutrina da 4 Regio, n. 15, 22 nov. 2006

  • pessoa jurdica de direito pblico externo.(2) Neste caso a Unio representa a Repblica Federativa do Brasil, ou seja, o Estado Federal que engloba a prpria Unio, os Estados, o Distrito Federal e os municpios.(3) As autarquias so "entes administrativos autnomos, criados por lei, com personalidade jurdica de direito pblico interno, patrimnio prprio e atribuies estatais especficas".(4) O art. 5 do Decreto-Lei no 200/67 definiu autarquia como "servio autnomo, criado por lei, com personalidade jurdica, patrimnio e receitas prprios, para executar atividades tpicas da Administrao Pblica, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gesto administrativa e financeira descentralizada". As autarquias tm autonomia financeira para gerir e aplicar os recursos prprios oriundos das taxas e autorizaes especficas relacionadas s suas atividades. Destacam-se entre as autarquias federais o INSS e as agncias reguladoras.(5) As agncias reguladoras "so, em essncia, autarquias especiais que recebem do legislador a autonomia administrativa e so dirigidas por colegiados cujos membros no so demissveis livremente pelo Presidente da Repblica, o que garantiria a independncia de atuao".(6) As fundaes pblicas federais constitudas pelo patrimnio da Unio, especificadamente afetadas aos fins a que se destinam, com recursos pblicos e regime administrativo, so equiparadas s autarquias federais.(7) Entendimento dominante na jurisprudncia do Superior Tribunal de Justia(8) e do Supremo Tribunal Federal equipara as fundaes pblicas federais s autarquias, tendo em vista a gesto do interesse pblico. Registrem-se opinies contrrias, pois no houve meno expressa das demais pessoas jurdicas no art. 109, I, da Constituio, bem como no houve das sociedades de economia mista,(9) sendo que houve distino em outros dispositivos constitucionais. Entre as principais fundaes pblicas podemos citar o IBGE, o IPEA e a FUNAI, responsvel pela assistncia aos indgenas.(10) 1.1.1 Prazos processuais A Unio e as autarquias tm prazo em qudruplo para contestar e em dobro para recorrer nas demandas em que sejam partes, de acordo com o disposto no art. 188 do Cdigo de Processo Civil. Essas disposies no se aplicam s demandas de competncia dos Juizados Especiais Federais, por expressa disposio em sentido contrrio do art. 9 da Lei n 10.259/01, que eliminou os privilgios de prazo para a Fazenda Pblica contestar e recorrer.

    4 Revista de Doutrina da 4 Regio, n. 15, 22 nov. 2006

  • Parte da doutrina sustenta que aps a Constituio de 1988, principalmente em face do princpio da igualdade, no mais deveriam subsistir esses privilgios, uma vez que as entidades pblicas deveriam estar no mesmo nvel das entidades privadas. Porm a jurisprudncia pacfica(11) no sentido de que os privilgios processuais persistem no ordenamento jurdico nacional para as demandas que seguem o rito processual estabelecido pelo Cdigo de Processo Civil, excetuadas as cau

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