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A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA NA ESCOLA: UM CONVITE A (RE)PENSAR A PRÁTICA PEDAGÓGICA Graciela Fagundes Rodrigues (TEIAS/UFRGS/FADERS) Liliana Maria Passerino (UFRGS/PPGEDU/PPGIE) Eixo temático: Formação de professores e outros profissionais dirigida à linguagem e comunicação RESUMO Nossos cenários educacionais, a cada dia, nos mostram o quanto nos deparamos com situações imprevisíveis e com isto, a mobilização de novos conhecimentos é requerida continuamente. A relevância de pensarmos possíveis caminhos para superar as limitações e evidenciar possibilidades da aproximação dos recursos da Comunicação Alternativa à prática pedagógica são os propósitos do texto. Para isso, apresentaremos duas experiências de formação permanente que teve como temática de estudo a Comunicação Alternativa com dois grupos de professores: da Educação Especial e da Educação Infantil. Analisamos os desafios da prática desses professores com alunos que não falam ou que possuem dificuldades na manifestação da mesma e a necessidade, evocada pelos professores, por meios de registros escritos, de que a formação permanente esteja relacionada aos contextos atuais de ensino e aprendizagem e em diálogo com a atuação dos mesmos. Conclui-se, que a aproximação da CA com a Educação emerge, nas colocações desenvolvidas, como um campo de conhecimento e ação ensejado pelas políticas públicas que organizam os fundamentos da inclusão escolar. Cabe, portanto, investirmos na formação permanente articulada aos contextos reais de trabalho, elencando conhecimentos que viabilizem cada vez mais a participação de alunos com deficiências, sejam essas relacionadas à comunicação ou não. PALAVRAS-CHAVE: Formação Permanente. Comunicação Alternativa. Educação Especial. INTRODUÇÃO: Vivenciamos na escola uma multiplicidade de situações em que as realidades sócio-culturais dos alunos apresentam influência direta sobre seus processos de aprendizagem. Esse é um aspecto de suma importância no que tange à realidade dos alunos que apresentam falhas em suas habilidades comunicativas, pois os sujeitos que não têm desenvolvida a fala sofrem, muitas vezes, exclusões em seu ambiente escolar, que advém de um sistema social

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  • A COMUNICAO ALTERNATIVA NA ESCOLA: UM CONVITE A (RE)PENSAR A PRTICA PEDAGGICA

    Graciela Fagundes Rodrigues (TEIAS/UFRGS/FADERS) Liliana Maria Passerino (UFRGS/PPGEDU/PPGIE)

    Eixo temtico: Formao de professores e outros profissionais dirigida linguagem e comunicao RESUMO Nossos cenrios educacionais, a cada dia, nos mostram o quanto nos deparamos com situaes imprevisveis e com isto, a mobilizao de novos conhecimentos requerida continuamente. A relevncia de pensarmos possveis caminhos para superar as limitaes e evidenciar possibilidades da aproximao dos recursos da Comunicao Alternativa prtica pedaggica so os propsitos do texto. Para isso, apresentaremos duas experincias de formao permanente que teve como temtica de estudo a Comunicao Alternativa com dois grupos de professores: da Educao Especial e da Educao Infantil. Analisamos os desafios da prtica desses professores com alunos que no falam ou que possuem dificuldades na manifestao da mesma e a necessidade, evocada pelos professores, por meios de registros escritos, de que a formao permanente esteja relacionada aos contextos atuais de ensino e aprendizagem e em dilogo com a atuao dos mesmos. Conclui-se, que a aproximao da CA com a Educao emerge, nas colocaes desenvolvidas, como um campo de conhecimento e ao ensejado pelas polticas pblicas que organizam os fundamentos da incluso escolar. Cabe, portanto, investirmos na formao permanente articulada aos contextos reais de trabalho, elencando conhecimentos que viabilizem cada vez mais a participao de alunos com deficincias, sejam essas relacionadas comunicao ou no. PALAVRAS-CHAVE: Formao Permanente. Comunicao Alternativa. Educao Especial.

    INTRODUO:

    Vivenciamos na escola uma multiplicidade de situaes em que as

    realidades scio-culturais dos alunos apresentam influncia direta sobre seus

    processos de aprendizagem. Esse um aspecto de suma importncia no que

    tange realidade dos alunos que apresentam falhas em suas habilidades

    comunicativas, pois os sujeitos que no tm desenvolvida a fala sofrem, muitas

    vezes, excluses em seu ambiente escolar, que advm de um sistema social

  • que atribui linguagem falada o principal meio para a comunicao entre seus

    membros.

    Enquanto local de grande importncia para o desenvolvimento cognitivo

    e social dos sujeitos, dever da escola a busca por meios alternativos que

    propiciem aprendizagens aos alunos que no dispem das mesmas

    habilidades funcionais que os demais colegas. Assim, observamos que o baixo

    desempenho na aprendizagem, bem como os fracassos apresentados por

    aes pedaggicas no so frutos das debilidades de comunicao por parte

    dos alunos, mas sim da falta de recursos e estratgias que sirvam de apoio

    para que essa condio no seja a excludente para o processo de

    escolarizao.

    Dessa forma, acreditamos serem necessrias aes de formao

    docente de modo a incentiv-los na criao, adaptao, uso e avaliao de

    recursos que favoream o trabalho pedaggico com alunos que apresentam

    dficits na comunicao oral. Entendemos, portanto o uso da Comunicao

    Alternativa (CA) como um aspecto viabilizador prticas inclusivas, capaz de

    propiciar avanos na aprendizagem daqueles que apresentam dificuldades

    comunicativas. Isso envolve o comprometimento profissional dos professores

    de modo a subsidiar seus conhecimentos e qualificar seus saberes que so

    plurais e dinmicos em decorrncia do dia a dia de trabalho, no qual as aes

    surgem de forma imprevisvel e decises precisam ser tomadas.

    Esse cenrio nos convoca a pensarmos com Nvoa (1995) a partir de

    Shn o seguinte:

    Os problemas da prtica profissional docente no so meramente instrumentais; todos eles comportam situaes problemticas que obrigam a decises num terreno de grande complexidade, incerteza, singularidade e de conflito de valores (NVOA, 1995, p. 27).

    Nossos cenrios educacionais, a cada dia, nos mostram o quanto nos

    deparamos com situaes imprevisveis e com isto, a mobilizao de novos

    conhecimentos requerida continuamente. E na Educao Especial, este fato

    no menos comum pela ausncia, em muitas ocasies, na aposta de que os

    alunos com deficincia podem se beneficiar das aprendizagens na Escola. Fato

  • que decorre pela referncia nica s tipologias de deficincias como condio

    para o aprender associando-se aqui, os alunos que no se comunicam atravs

    da fala, mbito ao qual dedicaremos nossas reflexes.

    Considerando o exposto, a relevncia de pensarmos possveis caminhos

    para superar as limitaes e evidenciar possibilidades da aproximao dos

    recursos da CA prtica pedaggica so os propsitos do texto. Com isso,

    apresentaremos na sequncia, duas experincias de formao permanente

    que teve como temtica de estudo a Comunicao Alternativa. Na primeira, o

    pblico-alvo foram professoras de Educao Especial e na segunda,

    professoras da Educao Infantil. Todas atuantes em uma Rede Municipal de

    Ensino do Rio Grande do Sul.

    FORMAO PERMANENTE: UM CONVITE A (RE)PENSAR A PRTICA

    PEDAGGICA

    A possibilidade de aprender a vida toda inerente ao desenvolvimento

    humano. Nessa direo, acenarmos para a formao permanente de

    professores consiste em algo necessrio e essencial em qualquer rea do

    conhecimento.

    Por outro lado, os processos de formao de professores, precisam ser

    olhados tambm para alm da Escola. Pois questes como condies de

    trabalho, de remunerao, de carreira, experincias pessoais e profissionais

    que os mesmos constroem ao longo de seu percurso de vida pessoal e

    profissional (MARTINS, 2009) somam-se a uma formao integral,

    contextualizada.

    Neste sentido, esta formao inclui a necessidade de envolver as

    demandas reais de trabalho que, em vrias situaes, extrapolam o mbito

    Escolar, como por exemplo, problemas sociais e culturais vividos pelos alunos

    (drogadio, abandono, violncia familiar, etc.). Assim, a Escola cada vez mais

    se depara com alunos que provm de diferentes realidades sociais, afastando-

    se de um modelo construdo, historicamente, de aluno ideal. A apreenso

    desta realidade, como afirma Nvoa (2010) [..] chamam a ateno para a

  • dimenso humana e relacional do ensino [...] (p. 10), e acrescenta que: A

    qualidade dessa relao exige que os professores sejam pessoas inteiras.

    Trata-se de reconhecer que fundamental reforar a pessoa-professor e o

    professor-pessoa (p. 10).

    Por considerarmos a formao permanente essencial para uma prtica

    pedaggica que esteja relacionada aos contextos atuais de ensino e

    aprendizagem, entendemos que esta formao tenha que estar em dilogo

    com a atuao dos professores. Porm, no queremos afirmar que a formao

    deva dar respostas ou modelos de atuao a serem colocados em ao.

    Apesar de que, no anseio de querer alterar a realidade, vrios professores

    buscam respostas para as suas inmeras questes do cotidiano escolar, como

    se este cotidiano fosse homogneo e que as propostas de alter-lo estariam

    merc de todos.

    Ao contrrio, os conhecimentos profissionais exigem sempre uma parcela de improvisao e de adaptao a situaes novas e nicas que exigem do profissional reflexo e discernimento para que possa no s compreender o problema como tambm organizar e esclarecer os objetivos almejados e os meios a serem usados para ating-los (TARDIF, 2000, p. 7).

    Se afirmarmos de antemo que um aluno no tem condies de

    aprender, o mesmo poder nos surpreender no momento em que um recurso

    de Tecnologia Assistiva 1 (TA), por exemplo, for disponibilizado. Resgatamos,

    nesse momento, a fala de um aluno durante pesquisa de campo 2 que elucida a

    afirmao exposta. Ao conversarmos com um dos alunos participantes da

    1 O Comit de Ajudas Tcnicas, rgo responsvel pelo desenvolvimento de estudos na rea e

    propositor de polticas pblicas para a implantao e implementao desta rea de conhecimento em nvel nacional, apresenta a definio de TA como: uma rea do conhecimento, de caracterstica interdisciplinar que engloba produtos, recursos, metodologias, estratgias, prticas e servios que objetivam promover a funcionalidade, relacionada atividade e participao de pessoas com deficincia, incapacidades ou com mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independncia, qualidade de vida e incluso social (CAT, 2007). 2 Pesquisa de campo para a coleta de dados que resultou na dissertao de: RODRIGUES,

    Graciela. E se os Outros Puderem me Entender?: os sentidos da comunicao alternativa e suplementar atribudos por educadores especiais. 2011. Dissertao (Mestrado em Educao) Programa de Ps-Graduao em Educao, Faculdade de Educao, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011.

  • pesquisa que utilizava um teclado especial para computador (Intellikeys USB) 3

    a fim de possibilitar-lhe a escrita e tambm us-lo como mouse, j que o

    teclado e mouse convencionais no atendem suas necessidades motoras. No

    entanto, o uso desse teclado, naquele momento, era restrito sala de recursos

    que ele frequentava duas vezes na semana. Questionado sobre o uso daquele

    tipo de teclado, o aluno expressou o seguinte: Este teclado no tem na minha

    escola. Ele muito importante para mim. Com ele eu escrevo (aluno do 3

    ciclo, 16 anos).

    Esta situao nos revela o quanto no podemos antecipar o que capaz

    ou no de fazer ou aprender os alunos com deficincia, seja ela qual for. com

    este entendimento que consideramos os recursos da CA como de fundamental

    relevncia e que os professores precisam conhec-los e integr-los nas suas

    prticas educacionais, de modo a contemplar os alunos que apresentam outras

    formas de comunicar que no pela fala.

    oportuno, no entanto, interrogarmos da existncia de recursos que so

    mobilizados para que o aluno se comunique e de que modo o professor busca

    entend-lo. Partindo dessas reflexes, a tentativa de respostas fomenta o olhar

    investigativo para o prprio fazer pedaggico, alm de ser fundamental,

    considerar as peculiaridades que se apresentam nas diversificadas realidades

    de trabalho.

    COMUNICAO ALTERNATIVA: EXPERINCIAS EM AO

    No segundo semestre de 2009 foi desenvolvido um Curso de Extenso

    promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em

    parceria com a Secretaria Municipal de Educao de Porto Alegre

    (SMED/POA) intitulado: Estudos sobre Comunicao Aumentativa e

    Alternativa. O curso foi na modalidade semipresencial. Para isto, utilizamos o

    3 Trata-se de um teclado com entrada USB ao computador, que permite o acesso de qualquer

    pessoa com deficincia fsica, visual, cognitiva ou que tem dificuldade em usar um teclado padro. Possui lminas de apresentao do layout que permitem satisfazer as necessidades dos usurios quanto acessibilidade ao computador, como a funo de mouse, por exemplo. Maiores informaes podem ser obtidas em: http://www.intellikeys.com.

  • ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Teleduc 4 contanto, tambm, com seis

    encontros presenciais. A carga horria total do curso foi de 83 horas.

    Em 2012, oferecemos mais uma edio do curso, porm nosso pblico-

    alvo foram professoras da Educao Infantil. Desenvolveu-se no mesmo

    formato do anterior (semipresencial e com o ambiente virtual no apoio s

    aprendizagens). No entanto, a carga horria total foi de 52 horas, com 11

    encontros presenciais e algumas adequaes necessrias quanto ao contedo,

    pois eram professoras que no tinham contato prvio com a rea da CA.

    A iniciativa de promover as referidas formaes resultaram da demanda,

    manifestada pela SMED/POA, da necessidade de qualificar o trabalho

    desenvolvido pelos professores que atuam nas Salas de Integrao e Recursos

    (SIRs) e nas escolas especiais por meio dos servios especializados de

    Educao Precoce (EP) e Psicopedagogia Inicial (PI). Em relao s

    professoras da Educao Infantil, a justificativa era em virtude da demanda de

    crianas na rede que apresentam dficits de comunicao associados a

    quadros de deficincias, sndromes e outros sem essa relao, assim como a

    necessidade dos profissionais de auxlio no que tange implementao da CA

    o mais cedo possvel, neste caso desde a Educao Infantil. Neste sentido,

    nosso propsito foi apresentar a CA, analisando suas funcionalidades e

    potencialidades para o desenvolvimento da linguagem, vista como viabilizadora

    de interao comunicativa no ambiente escolar, subsidiando aes que vo ao

    encontro de uma proposta educacional inclusiva.

    Abordar a formao permanente, no contexto da Rede Municipal de

    Ensino de Porto Alegre, nos convida a pensarmos que este aspecto ganha

    relevncia na medida em que, a partir da dcada de 90, as classes especiais

    so extintas e o processo de incluso escolar uma realidade para as Escolas

    e, portanto, redimensionar a proposta pedaggica e a atuao do professor

    4 O conceito aqui proposto para AVA, toma como referncia Santarosa et al. (2010) que o

    considera como espao educativo que se institui com a emergncia das ferramentas de comunicao e de informao da internet (SANTAROSA et al., 2010, p. 78). O AVA, portanto concebido como um sistema educativo que, por meio da interao entre os sujeitos e entre objetos de aprendizagem, permite a construo do conhecimento (p. 79). Teleduc um destes espaos, de carter livre, e um dos mais utilizados em cursos de formao a distncia.

  • torna-se indiscutvel. Resgatando o percurso scio-histrico da Educao na

    RME/POA, Andrade (2005) menciona que:

    No sentido de possibilitar o desenvolvimento do trabalho docente nesse novo contexto, houve a valorizao de polticas de formao continuada. Nesta, a formao em servio foi considerada prioridade, havendo a oferta de diferentes espaos e aes que a possibilitassem (ANDRADE, 2005, p.103).

    As propostas dos cursos mencionados, pautaram-se em articular

    conhecimentos tericos acerca da linguagem e da comunicao com as

    situaes reais vivenciadas pelos professores no cotidiano de trabalho tanto na

    SIRs quanto na Educao Infantil. A partir das situaes e necessidades dos

    alunos foram pensadas estratgias nas quais os recursos de CA pudessem

    contribuir para a qualificao desta prtica educacional especializada visando

    ouvir e dar voz a esses alunos.

    Participaram da formao 33 profissionais da Educao Especial e 24

    professoras da Educao Infantil. Ao trmino das formaes foi notrio o

    interesse em dar continuidade a estes estudos sobre a CA e a vontade de

    colocar em prtica os recursos conhecidos.

    A partir disso, podemos perceber a relevncia que ocupa a formao

    permanente e a tendncia de que a mesma seja contnua nos espaos da

    Escola. Consideraes que as professoras no mencionaram no decorrer da

    formao, pois estar na Escola, para elas, em muitas situaes, no se traduz

    como lcus de formao permanente em virtude do distanciamento, ainda

    presente, entre os conhecimentos da Educao Especial e a sala de aula do

    ensino comum.

    COMUNICAO ALTERNATIVA E FORMAO PERMANENTE: DILOGOS POSSVEIS

    Na escolarizao de alunos com deficincia o acesso a formas

    alternativas de aprendizagem que possam propiciar a aquisio de

    conhecimentos e seu protagonismo como aprendente imprescindvel, pois

    contribui na sua participao nos processos de aprendizagem, amenizando

  • formas de excluso tanto no acesso ao conhecimento quanto nas interaes

    socais.

    Os professores de modo geral, sem a possibilidade de acesso aos

    recursos de Tecnologia Assistiva ou o desconhecimento acerca do seu

    potencial de uso, fomentam aes como, por exemplo a dificuldade de acesso

    ao conhecimento pelos alunos com deficincia e que poderiam se beneficiar de

    tais recursos. No entanto, o professor da Educao Especial com suas aes

    pedaggicas direcionadas para o Atendimento Educacional Especializado,

    como proposto na Poltica Nacional de Educao Especial na perspectiva da

    Educao Inclusiva (BRASIL, 2008), assume importante atribuio de

    compartilhar conhecimentos que visem superao de barreiras ao

    conhecimento e colaborem com a qualificao da prtica docente dos

    professores da sala de aula comum. Como explcito na Poltica: O atendimento

    educacional especializado identifica, elabora e organiza recursos pedaggicos

    e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participao dos

    alunos, considerando as suas necessidades especficas (BRASIL, 2008, p.15).

    Elencamos, algumas escritas 5 produzidas pelos professores no decorrer

    dos encontros de formao, de modo a subsidiarem nossos argumentos e

    aproxim-los de uma situao real.

    Ao se referirem s necessidades de formao permanente na qual a

    temtica seja CA, as professoras expressam a preocupao em englobar os

    professores da Escola como participantes deste processo formativo. Assim,

    relatam:

    [...] percebo como lacuna a falta de materiais tecnolgicos adequados TA [tecnologia assistiva] e a comunicao alternativa, e um maior investimento em formao para os professores da Rede.

    5 Estas escritas estaro em itlico e no sero identificadas. Elas resultam de um questionrio

    respondido pelos participantes dos cursos, alm das postagens na ferramenta: Frum de discusso no ambiente Moodle, no qual, semanalmente, tnhamos um tema a ser debatido entre o grupo e mediado pelas formadoras do curso. As questes do questionrio estavam relacionadas ao desenvolvimento da formao (organizao e contedo), assim como as perspectivas de ao, contemplando os conhecimentos adquiridos.

  • Formao (ausncia) para a escola de como utilizar estes recursos. Desconhecimento da quantidade/variedade/utilidade de recursos, que a cada dia cresce (pela escola, famlia, SIR, equipe mdica).

    Essas falas permitem inferir que a repercusso de um saber, neste caso

    da TA e sua modalidade, a Comunicao Alternativa devem abranger mais

    segmentos entre eles: a Escola, as famlias e a equipe mdica. Destaco a

    referncia dada aos professores da Rede, no se limitando s professoras da

    Educao Especial, o que denota que a validade de um recurso como o de

    CA somente ganha notoriedade no momento em que no fica restrito a um

    ambiente e a um profissional, tendo em vista tratar-se de comunicao e esta

    ocorre em todos os espaos e com qualquer pessoa. Outro aspecto a

    circulao do saber por outros profissionais, neste caso os professores que no

    so da Educao Especial e a rea mdica, a qual os professores podem muito

    contribuir no sentido de redimensionar concepes clnicas, tomadas como

    verdades incontestveis e que limitam as prticas pedaggicas ao direcionar o

    olhar para a falta nos sujeitos e as suas dificuldades. Caractersticas que

    prevalecem nos pareceres mdicos, com poucas excees.

    Podemos considerar que a porta de entrada das tecnologias na Escola

    como potencializadoras de acesso ao conhecimento pelos alunos com

    deficincia tem sido a sala de recursos multifuncionais 6 . neste espao e com

    o profissional que l atua que elas devero tornar-se integrantes do processo

    ensino-aprendizagem desses alunos. No entanto, ainda h lacunas neste

    trabalho de chegada e implementao da Tecnologia Assistiva na Escola,

    conforme evidenciou Rodrigues (2011) em sua pesquisa com professores que

    trabalham em salas de recursos:

    Acrescento as lacunas, ainda existentes, nos servios de apoio a incluso escolar como o AEE, por apresentar-se com tnues vnculos com a proposta pedaggica da Escola, configurando-se como um servio autnomo e como o nico lcus de provimento e utilizao da TA (RODRIGUES, 2011, p. 176)

    6 As salas de recursos multifuncionais so espaos localizados nas escolas de educao

    bsica, onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado - AEE. Essas salas so organizadas com mobilirios, materiais didticos e pedaggicos, recursos de acessibilidade e equipamentos especficos para o atendimento aos alunos pblico alvo da educao especial, em turno contrrio escolarizao (ROPOLI et al., 2010, p.31).

  • No encontro com o cotidiano de trabalho das professoras, nos

    deparamos com uma notvel preocupao com a qualidade do trabalho na

    prpria sala de recursos quanto s respostas que a Escola comum tem dado

    aos processos de incluso dos alunos. Alguns momentos essas trocas ocorrem

    facilmente, pois a sala de recursos vista como parte da Escola e no como

    um servio anexo e, em outros momentos, esta aproximao tende a iniciar e

    a sustentar-se, exclusivamente, pelo professor da Educao Especial. A

    necessidade de parcerias, de ter com quem compartilhar as situaes

    provindas do trabalho, mencionada pelas professoras tanto da Educao

    Especial quanto da Educao Infantil, como um imperativo na constituio de

    processos inclusivos que possam priorizar a aprendizagem de todos os alunos

    e, em especial, do aluno com deficincia.

    [...] o quanto fundamental que tu possa discutir sobre uma criana com outra pessoa. O quanto importante a gente ter parceria no nosso trabalho. Porque uma pessoa sozinha, independente de estar sozinha na escola ou no, porque tu tambm pode estar junto e sozinha, ento pode estar com uma dupla e estar sozinha, no tem parceria pra troca. Ento, quando tu tem pessoas pra trocar, pra olhar o teu trabalho, pra discutir [...].

    Na manifestao da professora, observa-se a reflexo que elabora

    acerca da relevncia de parcerias. Ela se refere a um aspecto importante

    quando afirma que nem sempre estar com algum significa construir trocas.

    Pois mesmo estando com vrias pessoas em uma Escola, por exemplo,

    compartilhando o mesmo espao diariamente, isto no quer dizer que exista

    entrosamento e trabalho compartilhado.

    Nessa perspectiva, torna-se importante destacarmos nosso ensejo de

    que as formaes no tenham hora e datas demarcadas, mas que possam

    ser sistemticas, inerente ao de qualquer docente seja ou no da

    Educao Especial. Que a Escola revele aos professores, cotidianamente, o

    quanto pulsam realidades que merecem ser investidas por meio da pesquisa e

    da formao permanente. O registro da professora abaixo, representa os

    desafios dirios do ensinar e aprender e que devem estar presentes em

    processos de formao de professores:

  • Minha maior preocupao com o isolamento social que meu aluno enfrenta por no conseguir se comunicar. Os colegas os rejeitam por no conseguirem entender este colega com comprometimento na fala. Alguns riem e rejeitam sua presena nas brincadeiras. Estas atitudes nos afetam e preocupam. Sempre trabalho as diferenas para que meus alunos consigam aceitar os amigos como so. Mas no basta serem aceitos. Estas crianas precisam ser "ouvidas" e intermediar essa comunicao muito angustiante.

    Conforme j mencionado, as tentativas de aproximar a Educao

    Especial da Educao Geral no mbito da formao de professores, deslocam-

    se de uma formao em deficincias para uma formao em Educao.

    Resultante deste entendimento, o incentivo para que esta formao ocorra em

    carter de formao permanente. Tais fatores so evidenciados, tendo em vista

    se deparar com uma realidade educacional de alunos que no se beneficiariam

    da Escola e das aprendizagens, caso suas peculiaridades decorrentes de

    condies fsicas, mentais ou sensoriais no fossem atendidas.

    A questo de fazer-se entender e compreender as crianas uma das dificuldades que se apresentam. Compreender at que ponto estamos realizando o trabalho de qualidade e o retorno que esperamos um desafio que faz com que o professor esteja sempre em busca de ferramentas que possam ajud-lo em situaes do cotidiano da sala de aula.

    Desse modo, suscita pensar que outras condies devem ser

    disponibilizadas para contemplar as necessidades dos alunos? Uma das

    alternativas possveis passa pela rea da Tecnologia Assistiva como aliada a

    este desafio e que demanda um trabalho em parceria desde seu planejamento

    avaliao. Por isso, a importncia do professor de Educao Especial estar

    acompanhando e articulando esta prtica com outros profissionais.

    A Comunicao Alternativa possibilita uma ruptura com cenrios de

    aes e de concepes corriqueiras do tipo: no falar associa-se a no poder

    manifestar seus desejos e opinies ou ainda de que as escolhas devem ser

    feitas por outros que no o prprio sujeito, pois como ele no fala no h como

    expressar-se. Alm de envolver recursos concretos como cartes, fotos,

    objetos reais e concretos, pranchas em papel com smbolos ou escrita, a CA

    valoriza as expresses corporais peculiares a cada sujeito. Ressalta a maneira

  • prpria do sujeito comunicar-se e proporciona, alm disso, o uso de outros

    recursos de modo a facilitar e tornar vivel as trocas comunicativas com o

    meio.

    No entanto, se no forem compreendidos os recursos de TA enquanto

    mobilizadores de outras maneiras de desenvolver o processo ensino-

    aprendizagem estaremos simplesmente, vestindo novas roupas em velhas

    prticas, ou seja, exteriormente houve alterao, pois os recursos esto

    chegando s Escolas (investimento por parte do Ministrio da Educao em

    materiais pedaggicos e de TA para as salas de recursos multifuncionais e na

    formao de professores), mas a essncia da prtica pedaggica pouco se

    alterou. As atenes precisam estar direcionadas ao quanto tal recurso ou

    tecnologia poder associar-se s situaes de ensino-aprendizagem e como

    aproxim-las do ensino comum.

    CONSIDERAES FINAIS

    A formao de professores seja em mbito inicial ou permanente,

    precisa ser considerada temporalmente, no teriam espaos, no atual contexto

    scio-histrico que vivemos, formaes que no apostariam na constituio de

    questionamentos, debates, reformulaes, ou seja, que no oportunizassem

    margens para a flexibilidade nas prticas pedaggicas.

    A simples presena de recursos de TA nas Escolas, neste caso,

    direcionados CA, no as tornam mais inclusivasque outras, o que se fazer

    com tais recursos em prol do ensino e do aprendizado dos alunos o que

    precisa ser, continuamente, (re)inventado na Escola. Por isso, a necessidade

    de serem questionadas prticas pedaggicas que no captam outras formas de

    ensinar e aprender a partir de outros parmetros que esto candentes na

    sociedade atual que so, dentre outros, as tecnologias.

    A aproximao da CA com a Educao emerge, nas colocaes

    desenvolvidas, como um campo de conhecimento e ao ensejado pelas

    polticas pblicas que organizam os fundamentos da incluso escolar. Cabe

    portanto, investirmos na formao permanente articulada aos contextos reais

  • de trabalho, elencando conhecimentos que viabilizem cada vez mais a

    participao de alunos com deficincias, sejam essas relacionadas a

    comunicao ou no. So situaes que revelam a dinmica dos processos

    scio-histricos, tendo em vista os investimentos pelo Ministrio da Educao

    (MEC) nesta rea de conhecimento que, anteriormente, pouco ou nada era

    referido, ou seja, os alunos com estas necessidades sempre existiram, porm

    no sabemos em que espaos escolares ou em que condies.

    Neste momento, no entanto, a histria segue outro rumo e, ento, o

    professor cada vez mais chamado a contribuir neste contexto dinmico, no

    qual a formao permanente apresenta-se como importante elemento, como

    menciona Jesus (2006): Trata-se, portanto, de uma nova forma de estar na

    profisso, entendendo que a imprevisibilidade e a mudana constantes dos

    contextos de atuao exigiro dos profissionais da escola uma formao ao

    longo da vida (p. 99).

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