A CONDENA‡ƒO EM HONORRIOS ADVOCATCIOS NO .Especiais pelos princ­pios da oralidade, da simplicidade,

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  • A condenao em honorrios advocatcios no mbito dos juizados especiais cveis Manuella de

    Oliveira Soares Malinowski; Carlos Eduardo Malinowiski.

    Revista Pitgoras ISSN 2178-8243, v.4, n.4. FINAN - Nova Andradina/MS, dez/mar 2013 Pgina 1

    A CONDENAO EM HONORRIOS ADVOCATCIOS NO MBITO DOS

    JUIZADOS ESPECIAIS CVEIS

    Manuella de Oliveira Soares Malinowski (mestranda em processo civil e cidadania da Unipar, professora da Universidade Estadual do Mato Grosso

    do Sul, advogada e juiza leiga); Carlos Eduardo Malinowski (mestrando em processo civil e cidadania da

    Unipar, professor da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul e advogado).

    RESUMO A Lei n 9099/95 foi criada com objetivo maior de dar acesso justia populao carente. Com isso previu a possibilidade das partes fazerem uso do jus postulandi para causas at vinte salrios mnimos e serem isentas de condenao em custas e honorrios advocatcios em primeiro grau. A falta de condenao em honorrios advocatcios desestimula a contratao de advogado no mbito dos juizados especiais. Nesse diapaso, o objetivo desse trabalho demonstrar que o ideal que se faa uma reforma legislativa urgente na Lei n 9099/95, ou, no mnimo, que se fixe uma indenizao aos advogados, pago pela parte sucumbente, a fim de que sejam remunerados pelo trabalho desempenhado. Palavras-chave: Advogado. Honorrios sucumbenciais. Indenizao. ABSTRACT Law No. 9099/95 was created with the larger goal of providing access to justice to the poor. With that foresaw the possibility of the parties to make use of jus postulandi causes for up to twenty minimum wages and be free of condemnation in costs and attorneys' fees in the first degree. The lack of conviction in legal fees discourages hiring a lawyer under the special courts. In this vein, the aim of this paper is to show that the ideal is to make legislative reform urgent in Law No. 9099/95, or at least that is secure compensation for lawyers, paid by the loser party, so they are paid for work performed. Key-words: Advocate. Fees sucumbenciais. Indemnification.

    1. Introduo

    Em busca de atender ao princpio constitucional do acesso justia,

    plasmado no art. 5, XXXV da Carta Maior, a Lei n. 9099/95 criou os Juizados

    Especiais Cveis, com o fito de atender a demanda social pelo ingresso no judicirio.

    Os Juizados Especiais Cveis foram criados pela Lei n. 9099/95, atendendo

    ao fundamento bsico do princpio constitucional do acesso justia (CF, art. 5,

  • A condenao em honorrios advocatcios no mbito dos juizados especiais cveis Manuella de

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    XXXV), que preocupao constante da sociedade que busca de forma contnua o

    ingresso nos tribunais.

    Para facilitar o acesso justia, o legislador decidiu por orientar os Juizados

    Especiais pelos princpios da oralidade, da simplicidade, da informalidade, da

    economia processual e da celeridade, buscando sempre promover a conciliao.

    Neste diapaso, afim de que fosse facilitado o acesso Justia de pessoas

    mais carentes, a Lei dos Juizados Especiais confere, dentre outros, o direito

    prpria parte de postular em juzo, ou seja, dispensa a presena de advogado nas

    causas cujo valor no exceda vinte vezes o salrio mnimo, sendo a atuao do

    profissional apenas obrigatria nas causas entre vinte e quarenta salrios mnimos.

    No escopo de se atingir a classe mais humilde da populao, cuja

    hipossuficincia econmica presumida, a Lei n 9099/95 previu em seu artigo 55

    que, em regra, a sentena de primeiro grau no condenar o vencido em custas e

    honorrios de advogado. Tudo para o fim de facilitar o acesso justia.

    Todavia, o que se percebe, quase vinte anos depois da publicao da Lei,

    que o instrumento que foi criado para facilitar este acesso justia dos

    economicamente carentes no atinge seu objetivo, j que a realidade mostra que na

    maioria das vezes o postulante de um direito deixa de contratar um advogado

    porque ter que arcar com o pagamento dos honorrios sozinhos, j que a parte

    sucumbente no arcar com nada. Ademais, como os valores das demandas so

    baixos, embora a complexidade dos assuntos tenha sido cada vez maior, comum

    que no se encontre profissionais dispostos a abraar as causas que tramitam no

    mbito dos Juizados Especiais, uma vez que julgada procedente a ao, seus

    honorrios (contratuais) sero de pequena monta.

    Alm disso, a Lei n 9099/95obrigou que a parte fosse assistida por um

    advogado nas causas cujo valor supera 20 salrios mnimos. Porm, mesmo nessas

    situaes, no previu a condenao em honorrios pela parte sucumbente em

    primeiro grau.

    Nesse contexto o presente trabalho demonstrar a importncia do

    arbitramento de honorrios advocatcios no mbito dos Juizados Especiais, at

    porque se assim no for feito, permanece a afronta constitucional.

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    Oliveira Soares Malinowski; Carlos Eduardo Malinowiski.

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    2. O advogado na Constituio Federal

    Principalmente aps o advento da Constituio Federal de 1988, o Poder

    Judicirio passou a participar mais ativamente no processo democrtico,

    demonstrando preocupao com a vontade popular de ter uma justia clere e

    distributiva.

    Neste desgnio, no h duvida de que o advogado tem papel importantssimo

    e indispensvel para a efetivao do princpio do acesso justia, que no implica

    apenas em possibilitar a um maior nmero de pessoas demandar em juzo. A

    garantia constitucional do acesso justia (CF, art. 5, XXXV) apresenta-se de forma

    ampla, desdobrando-se numa srie de outras garantias, para o fim de culminar em

    uma soluo justa do conflito introduzido no mbito do Poder Judicirio.

    A Constituio Federal trouxe disposto no art.133 que o advogado

    indispensvel administrao da justia, sendo inviolvel por seus atos e

    manifestaes no exerccio da profisso, nos limites da lei.

    Refletindo acerca das funes do advogado, Frigini (1995, p.132) declara:

    No entanto, a funo do advogado vai mais alm do exerccio dojus postulandi, isto porque incumbe-lhe tambm colaborar para que a

    Justia se efetive,independentemente de estar deste ou daquele lado da lide. Neste caso, estar defendendo a posio de seu constituinte; naquele, coloca-se como figura de apoio, elemento de pacificao social, prestando especial servio pblico.

    No mesmo sentido o posicionamento de Gonalves (2010, p. 25),

    defendendo que o exerccio da advocacia deve ser considerado como uma misso

    constitucional, exercida perante o Poder Judicirio e em nome dos cidados, alm

    de almejar o desempenho de funo social. Isto impede o enclausuramento na

    busca de interesses privados, fomentando a realizao da Justia e da paz social,

    finalidade que deve ser a ltima de todo processo litigioso.

    O Estatuto da Advocacia, Lei n.8.906/1994, regulamenta a profisso da

    advocacia em todo territrio nacional, dispondo sobre as garantias do exerccio da

    profisso, restries legais, direitos do advogado, etc. O artigo 2 do referido

    Estatuto repete o princpio constitucional que o advogado indispensvel

    administrao da justia.

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    Oliveira Soares Malinowski; Carlos Eduardo Malinowiski.

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    Assim, neste sentido, a possibilidade da utilizao do jus postulandi nas

    causas menores de vinte salrios mnimos no mbito dos Juizados Especiais um

    atentado busca do acesso efetivo justia, ainda que facilite o acesso ao

    judicirio.

    O processo uma unidade complexa de carter tcnico e de difcil domnio,

    da por que o seu trato reservado, via de regra, a profissionais que tenham

    conhecimentos especializados e estejam em condies de praticar os atos mltiplos

    que ocorrem durante o seu desenvolvimento. A redao de peties, a inquirio de

    testemunhas, a elaborao de defesas, o despacho com o juiz e o modo de

    colocaes dos problemas exigem pessoa habilitada, sem o que muitas seriam as

    dificuldades a advir, perturbando o seu normal andamento (NASCIMENTO, 2010,

    p.516).

    Em funo de sua complexidade, o processo exige conhecimento tcnico e

    de difcil domnio, o que torna quase impossvel competir em p de igualdade uma

    parte que ingressa sem assistncia de advogado com a parte que contratou o

    profissional.

    No h dvida de que a presena do advogado indispensvel. Ele quem

    facilita a exata formao do contraditrio, contribuindo para a melhor ordem e

    celeridade, sem riscos de ver perecer direitos sagrados, por insuficincia de

    conhecimentos tcnico-processuais.

    Contudo, nada adiantar que, em teoria, o direito de ao esteja assegurado a todos e os processos se desenvolvam at mesmo com rapidez, se disso no se puderem valer efetivamente todos os interessados. Sob esse anulo avulta o problema da participao de tcnicos na conduo do processo. Desde que essa uma exigncia indeclinvel de sua realizao, pois no est ao alcance de leigos conduzi-lo, foroso convir que a assistncia desses especialistas- os advogados- no pode ser privilegio; h de estar disposio de todos quantos deles necessitem. (RODRIGUES, 1994, p.40)

    Do mesmo modo, quando a Lei n 9099/95 obriga as partes nas