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A DINÂMICA SOCIAL DA CARIDADE · PDF fileA DINÂMICA SOCIAL DA CARIDADE ... caridade pode causar ao mundo. justiça/injustiça é algo profundamente hu-Esse debate exige, primeiro,

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  • #09 Setembro de 2015

    1

    A DINMICA SOCIAL DA CARIDADE

  • #09 Setembro de 2015

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    Editor

    Raphael Fa Baptista

    Editorao:

    Felipe Sellin

    Colaboram nessa Edio:

    Adilson Mota de Santana

    Felipe Sellin

    Raphael Fa Baptista

    Roberto Ailton de Oliveira

    Interaja conosco, sua opinio

    muito importante para ns:

    [email protected]

    QUADRINHOS

    tertulia projeto

    Conhea:

    A AJE-ES coloca disposio do

    movi-mento esprita o projeto

    Tertlia, co-mum em eventos aca-

    dmicos, onde o tema da reunio

    doutrinria desenvolvi-do por dois

    expositores da AJE-ES, cada um

    dispondo de at 25 minutos, abrindo

    -se, ao final, para a participao do

    pbli-co. Os objetivos so: demons-

    trar que nin-gum pode pretender

    falar em nome no espiritismo; que

    todo palestrante expe o seu estudo

    e sua viso sobre o tema e, o mais

    importante; que cada pessoa presen-

    te pode e deve formular suas pr-

    prias reflexes sobre o assunto.

    Tivemos nossa primeira oportunida-

    de de executar o projeto "Tertlia"

    no dia 25.02.2015, na Comunidade

    Esprita Pou-so Lar da Esperana,

    em Bairro de Fti-ma, Serra/ES. Foi

    uma experincia muito interessante,

    que contou com as exposies de

    Cssio Drumond e Raphael Fa, os

    quais deram duas opinies dife-

    rentes sobre "A Lei de Trabalho" e,

    ao final, o pblico participou ativa-

    mente das discusses.

    O grupo esprita que tiver interesse

    no projeto Tertlia, s entrar em

    contato no e-mail

    [email protected]

  • #09 Setembro de 2015

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    EDITORIAL

    Caras Leitoras e Caros Leitores, Em 2004 o ento presidente Lula aceitou

    que o Brasil chefiasse as tropas da ONU

    que supostamente levariam a paz para o

    Haiti. Mesmo diante a todo crtica dos or-

    ganismos de direitos humanos do mundo

    todo as tropas s devem deixar o pas em

    2016 quando completam-se 12 anos de

    ocupao militar. Neste mesmo perodo

    muitos haitianos buscaram refugio no Bra-

    sil diante do cenrio de misria do pas

    mais pobre das amricas. Mas aqui encon-

    tram um cenrio de xenofobia e racismo

    contra essa populao j to sofrida. O

    racismo no Brasil que permite que os grin-

    gos (ricos) venham aqui explodam (ou ex-

    plorem) o pas inteiro e ainda recebero

    festa como disse um ator hollywoodiano.

    A hipocrisia permite ainda uma comoo

    com a foto de capa do menino Aylan Kurdi,

    morto enquanto fugia da guerra na Sria e

    ao mesmo tempo um tratamento de perse-

    guio ao refugiado aqui no Brasil (dos 7,7

    mil refugiados no pas ao menos um quarto

    srio).

    A nossa matria de capa deste ms vem

    fazendo exatamente este debate. O texto de

    Raphael Fa Baptista, um filosofo de olhar

    crtico realidade contempornea que

    traa em seu texto os elementos mais pro-

    fundos de uma verdadeira caridade. Para o

    autor no basta que as classes abonadas

    doem parte de seus privilgios, embora

    essa postura seja necessria num pas em

    que se contesta o fato de 1% do BIP ser

    destinado a bolsa de combate a misria

    enquanto 60% pago de juros e amotiza-

    es da divida pblica. Faz-se necessrio

    um olhar diferente sobre a ideia de propri-

    edade, para que nenhum ser humano viva

    sem o mnimo para sua dignidade.

    Em seguida, h o primeiro texto da srie

    Magnetismo Crtico. Escrita por Adilson

    Mota de Santana, editor do Jornal Vrtice

    um informativo parceiro do Crtica Esp-

    rita e que especializado em magnestismo

    em que o autor trata sobre o sonambu-

    lismo.

    A coluna da AJE segue seu trabalho de

    auxilio na gesto de Instituies Espritas

    com a segunda parte da matria sobre ela-

    borao de projetos.

    Em seguida lhe fazemos um convite a co-

    nhecer um pouco mais o Grupo de Estudos

    Esprita Universitrio que acontece na

    UFES.

    O Jornal deste ms nos faz lembrar a hist-

    ria das crianas de uma tribo africana em

    que um pesquisador props uma corrida e

    quem vencesse ganharia um cesto de do-

    ces. Na largada, as crianas deram-se as

    mos e juntas foram at o cesto. Uma delas

    disse ao Antroplogo, Ubuntu, como uma

    de ns poderia estar feliz sem que todas

    tambm estejam felizes? Ubuntu o dese-

    jo sincero de felicidade e harmonia entre os

    seres humanos. Temos muito a aprender

    ainda!

    Ubuntu para todos,

    Felipe Sellin

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    Nos ltimos dias, as imagens do corpo do

    menino Aylan Kurdi, que fugia da guerra

    na Sria e morreu num naufrgio, parece

    ter sacudido a opinio pblica, mas, como

    previsvel, no o suficiente para levar a

    uma discusso aprofundada sobre os pro-

    blemas da sociedade atual. No ambiente

    esprita, inclusive, chegou-se a afirmar

    que a morte de Aylan se deu em virtude

    de sua programao reencarnatria, o que

    d no mesmo dizer que aconteceu porque

    Deus quis, e o que resta aceitar tal situa-

    o, sem questionar eventual responsabi-

    lidade humana.

    Porm, entendendo que tal fato, assim

    como outros milhares desconhecidos, no

    pode ser tratado com tanta leviandade,

    pretendo apresentar ao leitor uma breve

    discusso acerca da construo de uma

    sociedade efetivamente caridosa. Isso

    porque a ideia comum sobre a caridade

    deturpada e aqum de seu real significa-

    do. Em regra, pensa-se na caridade como

    doao: dar esmolas, distribuir roupa e

    comida e, numa viso mais avanada,

    doar o prprio tempo. Porm, nada disso

    se pode dizer propriamente "caridade", ao

    menos se lhe buscarmos um sentido mais

    pleno.

    Para alcanar esse sentido precisamos,

    primeiro, evidenciar os horizontes ou

    quadros morais onde vivemos, quadros

    que no somente apontam para o certo ou

    o errado, o bom ou o mal, mas tambm

    para o digno ou o degradante, para o que

    merece repulsa e repugnncia ou respeito

    e admirao. Engana-se quem pensa viver

    num ambiente moralmente neutro: o sim-

    ples fato de existir j significa, socialmen-

    te, assumir uma postura moral. Como

    consequncia, quando pensamos sobre

    qualquer coisa, como a caridade, j pensa-

    mos a partir dos pressupostos desses qua-

    dros morais, os quais faro que a caridade

    seja considerada de um jeito, e no de

    outro.

    Para evidenciar os quadros morais mo-

    dernos, quero elencar apenas duas gran-

    des transformaes que ocorreram nas

    sociedades ocidentais, e que fizeram de

    ns o que somos hoje.

    A primeira a reforma protestante, no

    sculo XV, que acentuou a importncia da

    vida cotidiana com o chamado "ascetismo

    intramundano", ou seja, a sacralidade da

    vida deveria ser encontrada na vida co-

    mum, de famlia e de trabalho, e no re-

    nunciando a ela, como faziam os medie-

    vais. Com isso, os reformadores contesta-

    ram a figura, por exemplo, de Francisco

    de Assis, o qual, diriam eles, ao invs de

    ter deixado o comrcio de seu pai para se

    tornar um monge mendicante, deveria ter

    assumido e expandido os negcios do pai,

    gerando emprego, renda e tributos. Isso

    lhe parece familiar? Quem nunca ouviu

    dizer que "o verdadeiro esprita se mostra

    na famlia, no trabalho, etc."? Isso por-

    que, desde a reforma, a ideia de realizar o

    plano divino era cada um buscar sua pros-

    peridade individual, a qual resultaria em

    prosperidade coletiva. A nfase no indi-

    vduo, e a felicidade do todo, se for o caso,

    vem depois da felicidade individual.

    O segundo o capitalismo que, desde o

    sculo XVI, mercantilizou as coisas da

    natureza e as relaes humanas, reduzin-

    do-as a alguma soma em dinheiro. O

    mundo se tornou, ento, uma grande teia

    mercadolgica, onde agi