A ELOQUNCIA NO PENSAMENTO POLTICO DE THOMAS HOBBES

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  • 1

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAR

    INSTITUTO DE FILOSOFIA E CINCIAS HUMANAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO DE CINCIA POLTICA

    MESTRADO ACADMICO EM CINCIA POLTICA

    LLIO FAVACHO BRAGA

    A ELOQUNCIA NO PENSAMENTO POLTICO DE

    THOMAS HOBBES

    BELM-PAR

    2010

  • 2

    Llio Favacho Braga

    A Eloquncia no Pensamento Poltico de Thomas Hobbes

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-

    Graduao em nvel de Mestrado Acadmico em

    Cincia Poltica, como parte dos requisitos para a

    obteno do ttulo de Mestre em Cincia Poltica.

    Orientador: Prof. Dr. Celso Antnio Coelho Vaz.

    BELM-PAR

    2010

  • 3

    Dados Internacionais de Catalogao-na-Publicao (CIP)

    (Biblioteca de Ps-Graduao do IFCH/UFPA, Belm-PA)

    Braga, Llio Favacho

    A eloquncia no pensamento poltico de Thomas Hobbes / Llio Favacho Braga;

    orientador, Celso Antonio Coelho Vaz. - 2010

    Dissertao (Mestrado) - Universidade Federal do Par, Instituto de Filosofia e Cincias

    Humanas, Programa de Ps-Graduao em Cincia Poltica, Belm, 2010.

    1. Cincia poltica. 2. Eloquncia. 3. Obedincia (Direito). 4. Hobbes, Thomas, 1588-

    1679. I. Ttulo.

    CDD - 22. Ed. 320

  • 4

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAR

    INSTITUTO DE FILOSOFIA E CINCIAS HUMANAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO DE CINCIA POLTICA

    MESTRADO ACADMICO EM CINCIA POLTICA

    Dissertao de Mestrado

    A Eloquncia no Pensamento Poltico de Thomas Hobbes

    Candidato: Llio Favacho Braga

    Data de defesa: 22 abril de 2010.

    Resultado: Aprovado

    Banca Examinadora:

    Prof. Dr. Antnio Celso Coelho Vaz Programa de Ps-Graduao em Cincia

    Poltica PPGCP /UFPA Orientador.

    Prof. Dr. Ndia Souki Faculdade Jesuta de Filosofia e Teologia/FAJE

    Examinador Externo.

    Prof. Dr. Nirvia Ravena de Souza Programa de Ps-Graduao em Cincia Poltica

    PPGCP /UFPA Examinador Interno.

    Prof. Dr. Durbens Martins Nascimento Programa de Ps-Graduao em Cincia

    Poltica PPGCP/UFPA Examinador Interno.

  • 5

    Agradecimentos

    Ao Celso Vaz por sua orientao, o incentivo e o apoio irrestrito ao livre pensar.

    Aos professores Nrvia Ravena e Durbens Nascimento que participaram e

    contriburam com suas sugestes, por ocasio do Exame de Qualificao.

    Ao Programa de Ps-Graduao em Cincia Poltica da UFPA, seus professores

    e alunos da turma de 2008.

    Aos secretrios Delice, Ana e Artur, do Departamento de Cincia Poltica, pela

    disposio e ateno recebidas em todo percurso de minha estada no PPGCP-UFPA.

    Aos meus filhos queridos, Alessandra, Aline e Bruno, fora motriz de meu

    mpeto intelectual e de minha existncia.

    Gilvania, minha esposa hobbesiana, que tantas vezes ajudou-me a sair do

    labirinto maravilhoso da eloquncia em Hobbes. Sofremos, choramos, mas tambm

    rimos muito das perseguies implacveis de Hobbes sobre Aristteles.

    Leonildes (Ceci), minha me, que em sua finitude na minha trajetria de vida,

    fez o possvel para que eu chegasse a este momento.

    professora e sobrinha Gisele Braga, por sua assessoria textual na verso final

    de meu trabalho, assim como minha sobrinha, Bruna, meus irmos Socorro, Virglio,

    Wander e suas respectivas famlias.

    Ao Virglio, meu pai (in memoriam), minha querida amiga Argentina, meus

    irmos por parte de pai: Miriam, Elias, Deise e suas respectivas famlias.

    tia Marci, prima Gabi, meu amigo Hiplito, e toda a minha grande famlia:

    primos (as), sobrinhos (as), tios (as), em especial as minhas tias Esmaelina (in

    memoriam), tia Elza e tio Jos.

    Secretaria de Estado de Educao do Par pela bolsa de estudos e licena

    remunerada, que me proporcionaram estudar com tranquilidade financeira. Assim como

    aos meus alunos de outrora e de agora.

    Aos meus colegas de SEDUC-PA, do passado e do presente, em especial, ao

    meu amigo professor Jos Arago, e famlia, e professora Aparecida do GCVS e a sua

    equipe, o meu sincero agradecimento.

    Do ponto de vista religioso, cristo, a Deus por no ter me deixado sucumbir

    diante das adversidades de meu percurso intelectual.

  • 6

    As paixes que inclinam o homem a

    querer a paz so o medo da morte, o desejo das

    coisas que lhe do conforto e a esperana de

    obt-las.

    Thomas Hobbes

  • 7

    Sumrio

    INTRODUO....................................................................................................................... 10

    Consideraes Metodolgicas..........................................................................................

    Percurso Intelectual de Hobbes: uma viso panormica..................................................

    13

    15

    CAPTULO I

    1.1 Pacto Social, suas Implicaes e Eloquncia.............................................................. 20

    1.2 Distino entre Contrato e Pacto Social.................................................................... 25

    1.3 Poder do Soberano e Eloquncia.................................................................................

    1.4 Entre o Pblico e o Privado: Formas de Governo .....................................................

    1.5 Liberdade e Contrato Social.......................................................................................

    27

    29

    30

    CAPTULO II

    2.1Eloquncia e Opinio nos Elementos da Lei ............................................................. 39

    2.2 Eloquncia e Sedio nos Elementos da Lei .............................................................. 47

    2.3 Eloquncia e Sedio no Do Cidado .............................................................................. 50

    CAPTULO III

    3.1A Eloquncia da Razo Contra a Eloquncia da Paixo.............................................. 58

    3.2 Eloquncia e Sedio no Leviat................................................................................ 64

    3.3 Eloquncia e Sedio no Behemoth............................................................................ 68

    CONSIDERAES FINAIS

    Eloquncia: Contradio ou Coerncia em Hobbes?

    REFERNCIAS

  • 8

    RESUMO

    A presente pesquisa prope-se a analisar os pressupostos tericos que servem de apoio

    para Hobbes fundamentar a sua cincia civil, a qual aparentemente denotaria certa

    contradio quanto ao fato de ele lanar mo da eloquncia enquanto arte da retrica

    implicitamente nos Elementos da Lei e no Do cidado ao alinhar parte da bblia sagrada

    obedincia civil. Ao mesmo tempo em que claramente o autor nas obras citadas acima

    condena o referido aspecto da eloquncia, paradoxalmente, nas suas duas obras polticas

    posteriores, Leviat e Behemoth, Hobbes lana mo explicitamente desta, chegando

    concluso de que ela necessria como fora coadjuvante da razo para conformar as

    paixes humanas na obedincia civil.

    Palavras-chave: Hobbes; Eloquncia; Pacto Social; Obedincia Civil.

  • 9

    ABSTRACT

    This study aims to examine the theoretical assumptions which underpin their support for

    Hobbes civil science, which apparently denotes some conflict as to whether he make use

    of eloquence as an art of rhetoric implicitly in the Elements of Law and Do citizen to

    align part of the holy bible to civil obedience. While clearly the author in the works

    cited above condemns such aspect of eloquence, paradoxically, in its two political

    works later, Leviathan and Behemoth, Hobbes explicitly makes use of this and

    concluded that it is needed as a force supporting the reason to conform the human

    passions in civil obedience.

    Key-Words: Hobbes; Eloquence; Social Pact; Civil Obedience.

  • 10

    INTRODUO

    O presente estudo parte do pressuposto o qual considera que, no pensamento

    poltico de Hobbes, o homem seria convencido pela eloquncia enquanto arte retrica

    implcita no medo, ainda no estado de natureza, o qual deixaria a criatura humana

    temerosa em perder o seu bem maior, a prpria vida. Segundo Macpherson (1979, p.

    31), nosso autor adverte sobre que maneira de vida haveria se no existisse um poder

    comum a temer. Sendo assim, o homem deseja libertar-se a qualquer custo da

    desgraa. Para tanto, necessrio que ele faa um pacto no qual renuncie ao direito de

    governar a si mesmo e tambm liberdade individual, a qual teria no estado de

    beligerncia. O estado de natureza, de Hobbes, tal como geralmente

    reconhecido, uma hiptese lgica, no histrica. uma deduo oriunda das

    Paixes (grifo nosso) (MACPHERSON, 1979, p. 31).

    A liberdade individual e a condio de igualdade entre os homens no estado de

    natureza trazem consigo a possibilidade de beligerncia, a qual apresenta a possibilidade de

    no ocorrer. Todavia, tais fatores criam um estado de guerra, como afirma Hobbes:

    Assim, a guerra no apenas a batalha ou o ato de lutar, mas o perodo de tempo em que

    existe a vontade de guerrear; logo, a noo de tempo deve ser considerada como parte da

    natureza da guerra, tal como parte da noo de clima (HOBBES, 2009, p. 95).

    No estado de natureza hobbesiano, apesar de ocorrer certa desconformidade

    quanto constituio dos corpos entre indivduos ou at mesmo em suas habilidades

    mentais, permanece a igualdade no que tange possibilidade de um tirar a vida do outro.

    Em relao igualdade de esprito, para que os homens tornem-se equivalentes, basta a