A ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL DA CRIANÇA CEGA

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Muito importante para o crescimento da profissao de algumas areas da saude

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A ESTIMULAO ESSENCIAL DA CRIANA CEGAMarcia Regina Vissoto Carletto1

RESUMO:

Este artigo trata de um estudo sobre a estimulao essencial da criana cega, dos 0 aos 5 anos que, se feita adequadamente, assume extrema importncia para diminuir dficits existentes acarretados pela falta de viso. Esta estimulao tem por finalidade aumentar as chances de aprendizagem em tempo real, quando a criana cega comear a participar do ensino comum, junto com os demais. O oferecimento de atividades de desenvolvimento dos sentidos remanescentes, busca construir conexes cerebrais que permitam a construo de mecanismos para a superao da falta de viso, objetivo da educao especial neste perodo de vida da criana cega. Os cursos de formao de professores para estes atendimentos, tm deixado a desejar. Desta forma, esta pesquisa teve como objetivo a busca de referencial terico, metodologias e confeco de material didtico, que sirvam de base para a prtica dos professores de educao especial, visando a otimizao do atendimento pr-escolar na educao especial, que contemplem todas as reas de estimulao, quais sejam: desenvolvimento motor, fsico, social e cognitivo; orientao e mobilidade; atividades de vida social e autnoma; a construo do conceito de nmero e o pr-soroban; o desenvolvimento ttil como preparo para a escrita braille. Durante a implementao, os contedos acima relatados, sero repassados a um grupo de professores, em forma de um curso de 40 horas.

Palavras-chave: Criana Cega; Estimulao Precoce; 0 a 5 anos. ABSTRACT:This article comes from a study on the essential stimulation of the child blind, 0 to 5 years which, if done properly, is extremely important to reduce deficits existing caused by lack of vision. This stimulation is to increase the chances of learning in real time, when a child blind begins to participate in the education market, along with the others. The offer of activities for development of the remaining senses, seeking to build brain connections that allow the construction of mechanisms to overcome the lack of vision and purpose of special education in this period of life blind. The teacher training courses for these consultations have left to be desired. Thus, this research aimed to search for a theoretical framework, methodologies and preparation of learning materials, which serve to pre-school attendance in special education, that address all areas of stimulation, which are: motor development, physical, social and cognitive; orientation and mobility, activities of social life and autonomous; the construction of the concept of number and pre-Soroban; the development tactile as preparation for the writing Braille. During implementation, the contents reported above, will be passed to a group of teachers, in the form of a course of 40 hours.

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Marcia Regina Vissoto Carletto professora da Rede Pblica do Estado do Paran com Licenciatura em Estudos Sociais e Cincias/Matemtica e Ps-Graduao em Ensino de Matemtica e Educao Especial Inclusiva. Participou nos anos de 2007/2008, da primeira turma de PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paran), o qual oportunizou a confeco da presente pesquisa e pr-requisito para a ascenso ao ltimo nvel do Plano de Carreira.

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1. INTRODUO Com a proposta de incluso educacional sendo posta em prtica, o contingente de crianas com deficincia que esto no ensino comum aumentou consideravelmente e o ensino especial que complementa ou suplementa o ensino comum, teve que ser resignificado. Dentro desta concepo de ressignificao, as atividades de estimulao essencial, ou seja, as atividades de desenvolvimento global da criana cega no perodo pr-escolar, que a habilitaro com as ferramentas necessrias para que acompanhe o ensino comum em tempo real e junto com as demais crianas, foi revalorizada. No Estado do Paran, existe ainda o atendimento das crianas cegas nos Centros de Atendimento Especializado. O professor de Educao Especial, nestes centros, faz a complementao e suplementao dos estudos da criana inclusa no ensino comum. A formao dos professores, na maioria dos casos, bastante genrica e os mesmos, sozinhos em suas cidades, encontram dificuldades em organizar seus atendimentos s crianas, de forma que promova a otimizao do tempo e a adequao das atividades, levando em considerao desenvolvimento/tempo/rea a ser trabalhada. A necessidade de atendimento precoce, j nas primeiras semanas de vida da criana que nasce cega ou que fica cega no incio de sua vida, diretamente proporcional s suas chances de normal desenvolvimento motor, social, cognitivo e afetivo. Diante dessa afirmao, como deve ser feito este atendimento? Quando? Que tipo de planejamento o professor de educao especial precisa organizar? Quais os materiais que sero utilizados? O que deve ser trabalhado? A organizao do presente trabalho partiu dessas necessidades e indagaes, visando demonstrar formas de suprir o dficit devido falta de viso, com um estudo sobre o tema a estimulao essencial da criana cega de 0 a 5 anos, buscando sistematizar orientaes sobre quais as reas do desenvolvimento que precisam ser trabalhadas nessa fase, bem como qual o papel das pessoas envolvidas no processo educativo, quais sejam, familiares, professores de educao especial e escola de ensino comum.

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O estudo buscou focar, alm de entendimento terico, sugestes de atividades e bibliografias, visando a organizao de um curso de 40 horas que foi trabalhado com os professores de Educao Especial, compreendendo teoria e prticas, confeco de material didtico e troca de experincias. Culminar o trabalho com o curso foi a forma de atingir imediatamente a um maior nmero de alunos, cujos professores encontraram uma realimentao para sua formao. 2. A ESTIMULAO ESSENCIAL A estimulao de crianas cegas desde os primeiros dias de vida, determinante para a otimizao de seu desenvolvimento na idade escolar. A estimulao, nesta pesquisa chamada de estimulao essencial, que corresponde ao trabalho realizado pelo professor especialista no perodo de 0 a 5 anos da criana cega, vai compreender atividades que atendam todas as reas do desenvolvimento. At os dois anos e meio, as aes da criana so principalmente de ordem biolgica, com o intuito de satisfazer suas necessidades imediatas (sugar, balanar o chocalho, chorar, fechar os olhos diante de um movimento, etc). Aps este perodo, o lado biolgico fica para segundo plano e a criana comea a desenvolver os processos psicolgicos superiores (VYGOTSKI, 1987), que so de natureza scio-histrica, de interiorizao de significados sociais derivados da atividade cultural, entre elas, a escola. No desenvolvimento do ser humano a aprendizagem ocupa papel principal, especialmente com relao s funes psicologicamente superiores, tipicamente humanas e so sobre essas funes que se desenvolvem as principais prticas escolares. A criana ao nascer responde a reflexos, (processos elementares, segundo Vygostsky) cuja porta de entrada so os sentidos. Logo, faltando um sentido, neste caso a viso, o que essencial estimular na criana, para que a mesma tenha o desenvolvimento aproximadamente igual, em relao criana que enxerga, a fim de estar apta para o desenvolvimento das funes psicolgicas superiores, ou seja, a aquisio dos conhecimentos culturalmente construdos pelo homem ao longo de milnios, cuja transmisso funo pedaggica da escola? No se trata somente de

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contedos, mas das possibilidades de incluso real desta criana no ensino comum, para que a, em convvio com o meio educacional/social, faa suas interaes, num processo dialtico de convivncia, onde se aprende e se ensina, constituindo-se sujeito numa dimenso onilateral. O papel do professor de educao especial e posteriormente do professor do ensino comum o de proporcionar meios adequados para esta criana aprender e estar entre os demais (na escola, na rua, nas lojas, supermercados, etc.). Muitos conhecimentos da vida diria sero aprendidos no s na escola, mas tambm em casa, atravs da famlia, pois a criana cega vai passar a maior parte do tempo junto mesma. No regra, mas grande parte dos pediatras orienta os pais, assim que detectado o problema visual, para que procurem ajuda especializada, a fim de no perder tempo de interveno. Por no ser regra, os profissionais da Educao Especial, sempre que possvel, deveriam ir at os profissionais de sade (pediatras e oftalmologistas), informando-os da existncia destes programas na cidade ou nas proximidades, buscando parcerias no encaminhamento rpido dos pais a estes. Os pais precisam receber orientaes de como proceder, pois todos, sem exceo, esperam por uma criana normal e s vo informar-se, aps passar o choque de descobrir que seu filho possui alguma deficincia. Como para uns este tempo demora muito, poder haver um grande desperdcio se os professores de Educao Especial no se adiantarem aos fatos, indo em busca destes pais, ou seja, deixando nos locais por onde passam, uma pista da existncia de atendimento ao filho que nasceu diferente do esperado. A fase dos 0 aos 5 anos, muito importante no desenvolvimento motor e cognitivo de qualquer criana, deficiente ou no, por ser um perodo de grande plasticidade cerebral. Porm, a criana cega, mais do que as que enxergam, no perodo pr-escolar, necessita do estmulo adequado para o desenvolvimento de funes motoras, de mobilidade independente, de apropriao dos mecanismos para a leitura ttil, e tantas outras habilidades que a criana que enxerga desenvolve somente por enxergar.Plasticidade uma facilidade maior de estabelecer conexes entre as clulas nervosas comparativamente idade adulta. Assim, a criana pequena pode fazer e aprender muitas coisas. No estamos nos referindo aqui somente a conhecimentos escolares, mas sim, a conhecimento de tudo: da natureza, de si prpria, de seu corpo, das brincadeiras, das formas de expressar sentimentos e emoes em sua

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cultura, das outras pessoas, dos hbitos da famlia, das cores e cheiros, da textura das c