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A evolução da historica da contabilidade

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  • Revista Eletrnica Gesto e Negcios Volume 1 n 1 - 2010

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    A Evoluo Histrica da Contabilidade como Ramo do Conhecimento

    Prof. Natasha Young Buesa 1

    Resumo Neste estudo, por meio de levantamento bibliogrfico, pretende-se acompanhar o desenvolvimento da Histria da Contabilidade ao longo do tempo, desde seus primrdios at o seu atual estgio e o seu reconhecimento como cincia. Tem como objetivo estudar a evoluo da Contabilidade como ramo do conhecimento, compreendendo a importncia da escrita, do desenvolvimento das civilizaes, das influncias doutrinrias italianas e americanas e ainda do desenrolar da Contabilidade no Brasil como impulso ao seu estabelecimento como Cincia Social, procurando compreender como a Contabilidade adquiriu sua independncia cientfica, tornando-se importante no contexto mundial da atualidade.

    Palavras-chave: Contabilidade como cincia social, escolas italianas, corrente americana, contabilidade no Brasil, evoluo histrica.

    1. A Origem da Contabilidade Schmidt (2000, p.11) pondera que embora se tenha por costume considerar a

    obra La Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalit do Frei Luca Pacioli como o nascimento da Contabilidade, uma srie de descobertas arqueolgicas vem alterando esse pensamento, levando-nos a refletir a Contabilidade como advinda da era pr-histrica, juntamente com a origem das civilizaes. Baseado no Atlas da Histria do Mundo (1995), as primeiras civilizaes foram surgindo h aproximadamente 6.000 anos, partindo dos diversos vilarejos agrcolas existentes nos contrafortes montanhosos do Oriente Prximo. A primeira foi a da Mesopotmia, aproximadamente, em 3.500 a.C.

    Com o desenvolvimento tcnico da irrigao nas cidades, surgiram excedentes agrcolas que possibilitaram o emprego de parte da populao em outras atividades como a manufatura e o comrcio. Era o incio da urbanizao. Esse fato gerou uma classe governante que foi enriquecendo com a explorao do

    1 Natasha Young Buesa. Ps-graduada em Controladoria pela Associao Educacional Nove de

    Julho (Uninove) e graduada em Cincias Contbeis pela Faculdade de Administrao e Cincias Contbeis de So Roque. Autora do livro Usted! Curso de Espaol para Brasileos, professora de castelhano e lngua portuguesa e professora de Ensino Superior. E-mail: [email protected]

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    trabalho, cobrando impostos e exercendo controle militar, poltico e religioso. O centro e base do sistema poltico era o templo onde escribas treinados eram empregados para o exerccio do controle das riquezas. Com o passar do tempo essa organizao social gerou a diviso da sociedade em diferentes classes.

    Jaime Pinsky (2003) deduz em seus estudos, que durante o perodo Neoltico, a transmisso oral das atividades apreendidas era possvel dentro de um pequeno grupo, porm, em agrupamentos maiores tornava-se importante encontrar novas formas de transmisso. Um sinal qualquer deixado por algum no podia ficar sujeito a diferentes interpretaes, precisava ter um significado especfico. Surgiram assim os primeiros smbolos que eram praticamente auto-explicativos, os pictogramas. Para os antigos, esse o incio da escrita. Decorrido algum tempo ocorreu uma evoluo do processo, os smbolos foram usados para sons, passando as imagens a adquirir formas e significados.

    Conforme o Atlas da Histria do Mundo (1995) os signos foram sendo simplificados. Um bem-sucedido sistema desenvolveu-se na Mesopotmia, que consistia em escrever em plaquetas de argila com um estilete em forma de cunha, da o nome de escrita cuneiforme. Ocorreu processo semelhante com a numerao. Em princpio fazia-se um trao para cada unidade. Com o aumento das quantidades surgiu a necessidade de estabelecer sinais especficos para os nmeros maiores. Criou-se um sistema decimal, porm o sexagesimal foi o que predominou na Sumria por volta de 2.500 a.C. Charles Higounet (2003) argumenta que durante o estgio mais elementar da escrita, no qual, um sinal ou grupo de sinais, procurava refletir uma frase inteira ou as idias de uma frase, os Incas do Peru empregavam o quippus, que eram cordinhas com fios de diversas cores e ns usados para fazer contas.

    Como suporte escrita para as chamadas inscries, eram empregados materiais duros como a pedra, o osso, o ferro, o bronze, alm de outros materiais menos duros e perecveis, como a madeira, a tela, a seda e as tabuletas de cera, que davam formas mais livres e cursivas escrita. Na seqncia, desta era foram utilizados o papiro, o pergaminho, o papel e a pena de pssaro. Esse processo evolutivo possibilitou a utilizao de produtos minerais, como o giz, o carvo e a grafite; depois a tinta tornou-se o material usado para fixar a escrita sobre seu suporte. A inveno da imprensa, no sculo XV, e a construo desde ento de

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    diversas mquinas de escrever substituram esses instrumentos manuais por meios mecnicos de escrita (HIGOUNET, 2003, p. 20).

    Assim, baseado em tantas evidncias, no podem restar dvidas de que contemporaneamente evoluo das civilizaes, a Contabilidade foi se manifestando, ainda que de forma emprica, dentro desse mesmo contexto evolutivo.

    2. O Desenvolvimento da Contabilidade como Ramo do Conhecimento Melis (Apud S, 1997, p. 13-4) divide o desenvolvimento da Contabilidade em

    quatro grandes perodos assim denominados por ele: I. Mundo Antigo: dos primrdios da histria at o ano de 1202 da era crist; II. Sistematizao: de 1202, por causa da formao do processo das partidas

    dobradas, at o ano de 1494; III. Literatura: de 1494, com a publicao da obra de Luca Pacioli, at 1840; IV. Cientfico: de 1840, com a obra de Francesco Villa, at os dias atuais.

    2.1 A Contabilidade no Mundo Antigo Iudcibus e Marion (2002) afirmam que o desenvolvimento da Contabilidade

    foi muito lento ao longo dos sculos. Chamam a primeira etapa de fase emprica da Contabilidade, durante a qual foram utilizados desenhos, figuras e imagens para identificar o patrimnio. Como cincia, propriamente dita, chegou apenas no incio do sculo XIX. Em 1836, a Academia de Cincias da Frana adotou a Contabilidade como cincia social, e assim tambm entenderam grandes pensadores modernos de nossa disciplina, [...] (S, 2002, p. 41-2).

    Para Lopes de S (1997, p. 12) a escriturao contbil nasceu antes mesmo que a escrita comum aparecesse, ou seja, o registro da riqueza antecedeu aos demais, como comprovam os estudos realizados sobre a questo, na antiga Sumria. Quando se adentra na histria da contabilidade, quatro mil anos a.C., aproximadamente, em uma poca em que no havia moeda, escrita formal e at os nmeros, observa-se o homem pastor, executando uma contabilidade rudimentar, tentando refletir quanto aumentou seu rebanho de um inverno para o outro, comparando o nmero de pedrinhas entre os dois perodos. A rigor, o homem fez um inventrio h um ano e outro inventrio agora. [...] De forma muito rudimentar,

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    no poderamos dizer que os inventrios estariam correspondendo aos balanos anuais? (IUDCIBUS & MARION, 2002, p. 23).

    No que se refere s dvidas sobre a autoria dos mtodos contbeis, apesar de alguns estudiosos entenderem que foram os templos religiosos os responsveis pelos processos de registro por controlarem a escriturao contbil e a economia, por toda a histria e evoluo da Mesopotmia e todos os seus legados, como o sistema decimal, o calendrio, os pesos e medidas, e at o impulso para o surgimento do atual alfabeto, no falta apoio hiptese de a Contabilidade ter dado seus primeiros passos nessa regio. Apuraes de custos, revises de contas, controles gerenciais de produtividade, oramentos, tudo isso j era praticado em registros feitos em pranchas de argila, nas civilizaes da Sumria e da Babilnia (Mesopotmia) (S, 1997, p. 25).

    No Egito, o uso do papiro e do clamo influenciou o desenvolvimento e aperfeioamento da escrita contbil. Naquele pas o escriba era considerado como o mximo profissional. Os egpcios deram um grande passo no desenvolvimento da Contabilidade ao escriturar as contas com base no valor de sua moeda, o shat de ouro ou de prata. (...) Com o surgimento da moeda e das medidas de valor, o sistema de contas ficou completo, sendo possvel determinar as contas contbeis representantes do patrimnio e seus respectivos valores (SCHMIDT, 2000, p. 22).

    2.2 A Contabilidade na Era da Sistematizao Existem muitas hipteses sobre o nascimento da tcnica das partidas

    dobradas e a primeira delas vem de tempos remotos e apenas citada como uma primeira inteno da idia. Schmidt (2000) relata que em stios arqueolgicos localizados em Israel, Sria, Iraque, Turquia e Ir foram encontradas, datadas de 8.000 a 3.000 a.C., fichas de barro, com os mais variados formatos, incises e perfuraes, listando na maioria das vezes rebanhos de carneiro.

    O mesmo autor afirma ainda que depois de 3.250 a.C. essas fichas eram armazenadas em envelopes de barro. Do lado de fora era impresso um registro para que fosse possvel identificar o contedo de cada envelope e depois era colocado um lacre de segurana. De forma bem rudimentar, dado que ainda no existiam escrita nem livros contbeis, o ato de colocar as fichas nos envelopes significava o registro das quantidades de vrios ativos (atual dbito de entrada) e o ato de

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    imprimir em seu exterior os dados pertinentes a cada ficha pode ser considerado uma contra-entrada (atual entrada de crdito) de sistema contbil.

    Antnio Lopes de S (1997), citando Melis, considera ter ocorrido o nascimento da

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