A Garagem na Habitação Colectiva

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Tese de Mestrado Integrado

Text of A Garagem na Habitação Colectiva

  • a garagemno edifcio de habitao colectiva

    ins vieira da costa pires

    dissertao de mestrado integrado em arquitectura, faup 2009/2010docente acompanhante: arquitecto luis soares carneiro

    a garagemno edifcio de habitao colectiva

    ins vieira da costa piresdissertao de mestrado integrado em arquitectura, faup 2009/2010docente acompanhante: arquitecto luis soares carneiro

  • agradecimentos

    ao meu pai pela dedicao e ajuda a tempo inteiro, minha me, minha irm e ao Joo pela pacincia,

    Cato por acreditar no meu tema,ao Kiko pelos inesquecveis dias na biblioteca,

    Cassandra e ao Mi pelas conversas, Ins, Kikas e Vera pela ajuda no inicio e no fim,

    Tatas, Leo e Renata pela leitura final,

    ao Professor Luis Soares Carneiro por todo o percurso.

    3

  • ndiceresumo 7

    abstract 9

    introduo 11

    cap.1 acessos diferenciados 151.1 aparecimento do automvel 171.2 garagem como anexo 19

    cap.2 duplicao da entrada 292.1 automvel acessivel a todos 312.2 garagem como entrada 332.2 garagem colectiva 43

    cap.3 garagem elevada 593.1 habitao e garagem em pisos separados 613.2 habitao e garagem no mesmo piso 73

    cap.4 garagem integrada 794.1 perda do carcter colectivo 814.2 garagem como extenso da habitao 85

    cap.5 garagem como entrada principal 955.1 entrada sem trio 975.2 entrada com trio 103

    consideraes finais 109

    bibliografia 113

    crditos de imagem 117

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  • 6

  • resumo

    A garagem um espao criado para o automvel. Associada habitao, ganha uma nova dimenso, capaz de ultrapassar a mera funo de armazenamento.

    No inicio do sculo XX, com o automvel conduzido essencialmente por um chauffeur, a garagem foi introduzida no edifcio de habitao colectiva como um espao de servio. Com o progressivo aumento da utilizao deste meio de transporte, transformou-se numa entrada e num espao comum aos moradores. o lugar onde samos do nosso automvel, deixando para trs a confuso da cidade, iniciando o percurso at privacidade no nosso apartamento.

    Se na habitao unifamiliar, muitas vezes, a garagem adquire valor como mais um compartimento da casa, no edifcio de habitao colectiva raramente perde o carcter de rea de servio. No imaginrio da maioria das pessoas adquire pouco valor e importncia, sem no entanto se aperceberem que, muitas vezes, o espao comum mais utilizado dentro do edifcio.

    Em Portugal, a arquitectura remete constantemente a garagem para um piso subterrneo, sem ponderar a importncia que assume enquanto entrada e espao colectivo e, principalmente como um espao que, alm dos automveis, vive tambm das pessoas que o utilizam.

    Deixando para trs o conceito de garagem subterrnea, esta dissertao parte (re)descoberta de outros modos de projectar este espao. Elevada nos primeiros pisos ou na cobertura, aberta ou encerrada, dentro ou fora do espao privado de cada habitao, a garagem pode assumir vrias caractersticas que, nesta dissertao, so analisadas de forma a perceber os efeitos que produzem no edifcio, ao nvel da sua organizao interna assim como da expresso para o exterior, procurando sempre entender as diferentes relaes que so criadas entre a garagem e a habitao e os restantes espaos comuns, tais como a entrada pedonal, os acessos, verticais ou horizontais, e os logradouros.

    So tambm analisados os parmetros que levam a definir a garagem de uma forma diferente, desde os mais pragmticos, essencialmente de cariz econmico, at aos mais tericos, em que o automvel assumido como uma obra de arte.

    Importa ento, abrir caminho para um diferente entendimento da garagem, reavaliando a sua posio dentro do edifcio de habitao colectiva.

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  • 8

  • abstract

    The garage is a space created for the car. Associated with housing, it gains a new dimension, capable of overcoming the mere function of storage.

    At the beginning of the twentieth century, with the car driven primarily by a chauffeur, the garage was introduced in the building of collective housing as a service space. With the increasing use of this vehicle, it became an entry and a common space for residents. It is the place where we get out of our car, leaving behind the confusion of the city, beginning the journey to the privacy of our apartment.

    If in the single-family house, the garage often becomes more valuable as an additional room, in the collective housing it rarely loses the nature of a service area. In the imagination of most people it gets little value and importance, without realizing that often it is the common space more used inside the building.

    In Portugal, the architecture constantly sends the garage to an underground floor, without considering its importance as an entry and a collective space, and mainly as a space that, in addition to the car, also lives of the people who use it.

    Leaving behind the concept of underground parking, this dissertation starts the (re)discovery of other ways of designing this space. High on the first floor or in the roof, open or closed, inside or outside of the private space of each dwelling, the garage can take many features that are analyzed in this work, in order to understand the effects they produce in the building, concerning its internal organization and expression to the outside, trying to understand the different relationships that are created between the garage and the houses and the other common spaces such as pedestrian entrances, accesses, vertical or horizontal, or the courtyard.

    It is also analyzed the parameters that led to the garage been set in a different way, from the more pragmatic, essentially economic, to the more theoretical, on which the vehicle is assumed as a work of art.

    It matters then, to give way to a different understanding of the garage, re-evaluating its position in the building of collective housing.

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  • 10

  • 11

    introduo

    A escolha do tema surge da minha experincia pessoal diria.

    A minha infncia foi passada numa moradia, com um espao de logradouro onde se desenrolavam variadas aces. Este espao representava, alm do acesso s garagens, um espao de brincadeira e convvio, e acima de tudo um espao de entrada pedonal dirio. Apesar da casa ter uma entrada principal virada para a rua, esta era apenas utilizada para receber as visitas.

    A mudana para um apartamento, num edifcio de habitao colectiva, veio alterar a minha percepo do modo de entrada em casa. Enquanto utilizadora activa e dependente do automvel, diariamente entro no edifcio pelo espao da garagem, seguindo de elevador directamente para o apartamento. Este momento de entrada em casa revela-se bastante desagradvel. A garagem um espao onde nunca me sinto confortvel. Pacientemente aguardo que o porto se encerre, na esperana de que no entre ningum no convidado. Depois de estacionar o carro, tento sair o mais rapidamente possvel deste espao que, apesar de ser bastante amplo e encerrado e mesmo sabendo que a zona da cidade onde vivo no se trata de uma zona muito perigosa, me transmite tanta insegurana.

    Pelo contrrio, quando entro a p, pelo trio, o que acontece raramente, tenho uma sensao de tranquilidade. Encontrar os meus vizinhos no trio, transforma-se num momento agradvel e de pausa para conversar, mas na garagem parece que estamos sempre com demasiada pressa para algo mais do que um simples bom dia.

    Sem espao de logradouro privado, algumas crianas que vivem no edifcio, aproveitam o espao da garagem para brincar. A garagem torna-se ento um espao de convvio e recreao, sem que esteja minimamente adaptada para estas funes. um espao encerrado, desenvolvido em dois pisos subterrneos, sem qualquer iluminao ou ventilao natural, sem espaos adequados aos pees, principalmente quando se tratam de crianas que, a qualquer momento se podem cruzar com os automveis em movimento.

    Efectivamente comprovo que esta a realidade do nosso pas. As garagens parecem estar destinadas a ser um espao pouco valorizado que transmite insegurana e desconforto. Mas apesar disto, na ausncia de espaos prprios, muitas vezes usado pelos moradores como espao de lazer e convvio.

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    fig.1

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    Surgiu assim uma vontade de explorar este tema da garagem como entrada e como espao de convvio dentro do edifcio de habitao colectiva. Numa fase inicial procurei projectos que abordassem este tema de uma forma diferente, mas a pesquisa revelou-se um pouco mais difcil do que eu poderia supr. Depressa verifiquei que a arquitectura no d muita importncia a este espao. Em apresentaes de projectos de habitao colectiva, raramente referido e nem as plantas costumam ser mostradas.

    Assim, esta dissertao, prope uma anlise da evoluo da garagem dentro do edifcio de habitao colectiva, bem como uma anlise de edifcios que introduzam solues alternativas ao modelo de garagem subterrnea habitualmente existente em Portugal.

    mtodo e objectivo

    Inicia-se esta dissertao com uma breve contextualizao do automvel, de modo a entender a influncia que representa na nossa sociedade. Segue-se uma anlise evoluo do espao da garagem, desde o seu aparecimento at introduo no edifcio de habitao colectiva. Neste capitulo so referidos exemplos em que a garagem est associada conduo do automvel pelo chauffeur.

    No capitulo seguinte efectua-se uma caracterizao do espao da garagem, num contexto em que passa a ser utilizada pelo prprio morador. Analisa-se tambm a importncia dos espaos colectivos dentro do edifcio e do trio enquanto espao de entrada, de forma a perceber a importncia destas funes associadas ao espao da garagem.

    O terceiro e quarto capitulo assumem-se como um estudo de modelos alternativos garagem subterrnea, procurando perceber as relaes estabelecidas entre a garagem e a habitao, enquanto espao de entrada e espao colectivo.

    Por