A Gênese-Carlos de Brito Imbassahy

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Text of A Gênese-Carlos de Brito Imbassahy

  • 1A GNESEConforme o Espiritismo

    Allan Kardec

    Traduo e comentrios de Carlos de Brito Imbassahyconforme o original da 3. edio de 1868.

    Em virtude das contradies existentes nas diversas tradues da obra A GNESE de AllanKardec, Carlos de Brito Imbassahy teve o cuidado de traduzir esta obra ao p da letra, a fim de

    que fosse o mais fiel possvel conforme o original da 3 edio de 1868.

    Traduo gentilmente cedida pelo tradutorpara ser publicada no Portal

    A ERA DO ESPRITOhttp://www.aeradoespirito.net/

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    Por Elio Mollo

  • 2NDICE GERAL

    INTRODUO

    Captulo I - CARACTERES DA REVELAO ESPRITA

    Captulo II - DEUS

    Captulo III - O BEM E O MAL

    Captulo IV - PAPEL DA CINCIA NA GNESE

    Captulo V - SISTEMAS DOS MUNDOS ANTIGOS E MODERNOS

    Captulo VI - URANOGRAFIA GERAL

    Captulo VII - ESBOO GEOLGICO DA TERRA

    Captulo VIII - TEORIAS DA TERRA

    Captulo IX - REVOLUES DO GLOBO

    Captulo X - GNESE ORGNICA

    Captulo XI - GNESE ESPIRITUAL

    Captulo XII - GNESE MOSAICA

    Captulo XIII - CARACTERES DOS MILAGRES

    Captulo XIV - OS FLUIDOS

    Captulo XV - OS MILAGRES DO EVANGELHO

    Captulo XVI - TEORIA DA PRESCINCIA

    Captulo XVII - PREDIES DO EVANGELHO

    Captulo XVIII - OS TEMPOS SO CHEGADOS

    ____________________

    Observao: As NOTAS ORIGINAIS esto em ordem numrica e as NOTAS DO TRADUTOResto em ordem alfabtica no rodap de cada captulo. NOTAS ESPECIAIS e do A ERA DOESPRITO sinalizadas por (#).

  • 3INTRODUO

    Esta novel obra um passo a mais adiante nas consequncias e aplicaes do Espiritismo.Portanto, como indica seu ttulo, tem por objeto o estudo de trs pontos diversamenteinterpretados e comentados at nossos dias: A Gnese, os milagres e as predies, narelao com as leis novas que decorrem da observao dos fenmenos espritas.

    Dois elementos ou, se assim queira, duas foras regem o Universo: o elemento espiritual e oelemento material (a); da ao simultnea desses dois princpios, nascem fenmenosespeciais que so naturalmente inexplicveis, se fizermos abstrao de um em relao aooutro, absolutamente como a formao da gua seria inexplicvel se fizssemos abstrao deum de seus dois elementos constituintes: o oxignio ou o hidrognio.

    O Espiritismo, demonstrando a existncia do mundo espiritual e suas relaes com o mundomaterial d a chave de uma quantidade de fenmenos incompreensveis e considerados, por simesmos, como inadmissveis por uma certa classe de pensadores. Estes fatos abundam nasEscrituras e falta de conhecer a lei que os rege, que os comentadores dos dois camposopostos, girando sem cessar no mesmo crculo de ideias, uns fazendo abstrao dos dadospositivos da cincia, os outros do princpio espiritual, no podem chegar a uma soluoracional.

    Esta soluo est na ao recproca do Esprito e da matria. Ela tira, em verdade, da maiorparte destes fatos seu carter sobrenatural; mas o que se quer de melhor: de admiti-los comoresultado das leis da natureza, ou de rejeit-los de um s golpe? Sua rejeio absoluta arrastaaquele da prpria base do edifcio, enquanto que sua admisso a este ttulo, suprimindoapenas os acessrios, deixa esta base intacta. Eis porque o Espiritismo restabelece tantagente crena de verdades que considerariam h pouco tempo como utopias.

    Esta obra , pois, assim como temos dito, um complemento das aplicaes do Espiritismo a umponto de vista especial. As matrias, estando preparadas, ou quando menos, elaboradas apslongo tempo, mas o momento de public-las ainda no havia chegado. Era preciso, ento, queas ideias que deviam fazer a base fossem levadas maturidade e, por outra, ter conta daoportunidade das circunstncias. O Espiritismo no tem nem mistrios, nem teorias secretas;tudo deve a ser dito com clareza, a fim de que cada possa julg-lo em conhecimento de causa;mas cada coisa deve vir a seu tempo para vir seguramente. Uma soluo dada irrefletida, antea elucidao completa da questo, seria uma causa de atraso mais do que de avano. Nissoem que se discute aqui, a importncia do assunto nos dava o dever de evitar qualquerprecipitao.

    Antes de entrar na matria, pareceu-nos necessrio definir limpamente o papel respectivo dosEspritos e dos homens na obra da nova doutrina; estas consideraes preliminares, quedescartam toda ideia de misticismo, foi o objeto do primeiro captulo intitulado Caracteres darevelao esprita; sobre este ponto chamamos a ateno seriamente porque nela est, dealguma sorte, o n da questo.

    Apesar da parte que incumbe atividade humana na elaborao desta doutrina, a iniciativacoube aos Espritos, porm ela no formada da opinio de nenhum deles; ela s pode ser aresultante de seu ensinamento coletivo e concordante. A esta condio, apenas, ela pode sedizer a doutrina dos Espritos, seno ela seria, apenas, a doutrina de um Esprito, e s teria ovalor de uma opinio pessoal.

  • 4Generalidade e concordncia no ensino, tal o carter essencial da doutrina, a condiomesmo de sua existncia; disso resulta que todo princpio que no tenha recebido aconsagrao do controle de generalidade no pode ser considerado como parte integrantedesta mesma doutrina, mas, como uma simples opinio isolada da qual o Espiritismo no podeassumir a responsabilidade.

    esta coletividade concordante de opinio dos Espritos, passada, de uma forma, ao critrioda lgica que faz a fora da doutrina esprita e lhe assegura a perpetuidade. Para que elamudasse, seria preciso a universalidade dos Espritos trocando de opinio e que eles viessemum dia dizer o contrrio do que haviam dito; desde que ela tenha sua fonte de ensinamentosdos Espritos, para que sucumba, seria preciso que os Espritos cessassem de existir. o quetambm a far prevalecer sobre os sistemas que no tenham, como a mesma, , suas razesem toda parte.

    O Livro dos Espritos s viu seu crdito se consolidar porque a expresso de umpensamento coletivo geral; no ms de abril de 1867, viu completar seu primeiro perodo dedecnio; neste intervalo, os princpios fundamentais dos quais se apoiou foram sucessivamentecompletos e desenvolvidos pela sequncia do ensinamento progressivo dos Espritos, massem receber qualquer desmentido da experincia; todos, sem exceo, restaram de p, maisvivos do que nunca, enquanto que, de todas as ideias contraditrias que os opositoresensaiaram, nenhuma delas prevaleceu, precisamente porque de todas as partes, o contrrioera ensinado. Eis a um resultado caracterstico do qual podemos proclamar sem vangloriar, jque nunca nos atribumos o mrito.

    Os mesmos escrpulos tendo presidido redao de nossas outras obras, permitiu-nos, emplena verdade, dizer conforme o Espiritismo, porque estamos certos de sua conformidade como ensino geral dos Espritos. disso que podemos, por motivos semelhantes, dar esta como ocomplemento das precedentes, com exceo, todavia, de algumas teorias ainda hipotticas,que tivemos o senso de indicar como tal e que s devero ser consideradas como opiniespessoais, at que elas sejam confirmadas ou contraditadas, a fim de que no faa pesar aresponsabilidade sobre a doutrina.

    De resto, os leitores assduos da Revista Esprita (Revue Spirite) podero a encontrar, noestado de esboo, a maior parte das ideias que esto desenvolvidas nesta ltima obra, como ofizemos com as precedentes. A Revista Esprita frequentemente para ns um terreno deensaio destinado a sondar a opinio dos homens e dos Espritos sobre certos princpios, tendoque admitir como partes constituintes da doutrina.

    NOTA DO TRADUTOR

    (a) Na linguagem cientfica atual, chamaramos de domnio espiritual e domnio material.

    * * *

  • 5Captulo I

    CARACTERES DA REVELAO ESPRITA

    1. Pode-se considerar o Espiritismo como uma revelao? Neste caso, qual seu carter?Sobre o qu est fundada sua autenticidade? A quem e de que maneira ela foi feita? A doutrinaesprita ela uma revelao no sentido litrgico da palavra, ou seja, ela de todos os pontos oproduto de um ensino oculto vindo do Alto? ela absoluta ou susceptvel de modificaes? Emanunciando aos homens a verdade de fato, a revelao no teria ela por efeito de os impedirde fazer uso de suas faculdades desde que lhe pouparia o trabalho da pesquisa? Qual podeser a autoridade do ensinamento dos espritos, se eles no so infalveis e superiores humanidade? Qual a utilidade da moral que eles pregam, se esta moral no outra seno ado Cristo que se conhece? Quais so as verdades novas que eles nos trazem? O homem, temele necessidade de uma revelao e no pode encontrar em si mesmo e em sua conscinciatudo o que lhe seja necessrio para se conduzir? Tais so as questes sobre as quais importaserem fixadas.

    2. Definamos a princpio o sentido do termo revelao.

    Revelar, derivado do termo vu (do latim velum), significa literalmente tirar o vu; e, no sentidofigurado: descobrir, fazer conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepovulgar, a mais geral, diz-se de toda coisa ignorada que posta ao dia, de toda ideia nova quese pe sobre a vista do que no se sabia.

    Neste ponto de vista, todas as cincias que nos fazem conhecer os mistrios da natureza sorevelaes e pode-se dizer que existe para ns uma revelao incessante; a Astronomia nostem revelado o mundo astral que no conhecamos; a Geologia a formao da Terra; aQumica, a lei das afinidades; a Fisiologia, a funes do organismo, etc. Coprnico, Galileu,Newton, Laplace, Lavoisier, so reveladores.

    3. O carter essencial de toda revelao deve ser a verdade. Revelar um segredo fazerconhecer um fato; se a coisa falsa, no um fato e, por consequncia, no existe revelao.Toda revelao desmentida pelos fatos deixa de ser uma delas; se atribuda a Deus, Deusno podendo nem mentir, nem se enganar, ela no poderia emanar dEle; preciso consider-la como produto de uma concepo humana.

    4. Qual o papel do professor perante os alunos, seno o de um revelador? Ele se