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A IMPLEMENTAO DA COMUNICAO ALTERNATIVA E AMPLIADA NA ESCOLA: DISPOSITIVOS PARA INCLUSO.

Michelly Oliveira Cruz1

Fernanda Guimares Epifnio2

Marcela Maria da Conceio Oliveira3

EIXO TEMTICO: Educao e Incluso Social.

Resumo

Este trabalho refere-se sobre a implementao da comunicao alternativa e ampliada (CAA) nas escolas, como instrumento de incluso para sujeitos com dificuldades verbais significativas ou sem interao verbal, criando oportunidades de outras modalidades de comunicao. Metodologicamente utilizou-se a pesquisa-ao, em que o acompanhamento s crianas realizado semanalmente. Como resultados elencam-se: a parceria colaborativa do docente na formao de alunos protagonistas, a implementao de recursos de CAA, a incluso desses sujeitos nas escolas regular, e a descristalizao da ideia de que a deficincia sinnimo de incapacidade.

Palavras-chave: incluso, comunicao alternativa e ampliada, escola.

Resumen

Este trabajo se refiere a la aplicacin de la comunicacin aumentativa y alternativa (CAA) en las escuelas, como un instrumento de inclusin para personas con dificultades significativas de la interaccin verbal o sin interaccin verbal, por la creacin de oportunidades de otras formas de comunicacin. Metodolgicamente, se

1 Aluna da graduao em Fonoaudiologia - Iniciao Cientfica/PIBIX, Universidade Federal de Sergipe UFS; Grupo de pesquisa: A construo da Linguagem, patologias e a prtica clnica/ UFS. E-mail: [email protected] 2 Aluna da graduao em Fonoaudiologia - Iniciao Cientfica/PIBIX, Universidade Federal de Sergipe UFS; Grupo de pesquisa: A construo da Linguagem, patologias e a prtica clnica/ UFS. E-mail: [email protected] 3 Aluna da graduao em Fonoaudiologia, Universidade Federal de Sergipe UFS; Grupo de pesquisa: A construo da Linguagem, patologias e a prtica clnica/ UFS. E-mail: [email protected]

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utiliz la investigacin-accin, donde el monitoreo se lleva a cabo una vez por semana para los nios. Los resultados sealan: una asociacin de colaboracin de los profesores en la formacin de estudiantes actores, la aplicacin de los recursos de la CAA, la inclusin de estas personas en las escuelas regular, y desnaturalizacin de la idea de que la discapacidad es sinnimo de imposibilidad.

Palabras clave: Inclusin, Comunicacin Aumentativa y Alternativa, Escuela.

1. INTRODUO

O presente trabalho um recorte do projeto de pesquisa intitulado Comunicao

Alternativa e Ampliada como instrumento de incluso social que desenvolvido no

curso de Fonoaudiologia da UFS, o qual se faz pioneiro e vem desbravando um

caminho bastante inexplorado em nosso contexto social, desde julho de 2009. Tem por

objetivo proporcionar o acesso comunicao atravs de recursos de alta e baixa

tecnologia, s pessoas que esto impossibilitadas de utilizar a comunicao verbal e ou

na sua forma escrita, nas trs redes que o grupo atua e estuda: famlia, criana e escola.

Metodologicamente desenvolvemos um trabalho grupal de carter qualitativo, e fincado

nos preceitos do mtodo da pesquisa-ao.

Dessa forma, o desgnio deste trabalho refere-se a implementao da comunicao

alternativa e ampliada (CAA) na rede escolar, como instrumento de incluso para

sujeitos com dificuldades verbais significativas ou sem interao verbal, criando

oportunidades de outras modalidades de comunicao; se desdobrando em teorias que

acreditam na linguagem como constituinte do sujeito, e inserida em um contexto social.

So trs escolas da rede pblica e particular e seus respectivos sujeitos, onde desde

agosto de 2011, realizamos visitas com o intuito de conhecer sua realidade, desde o

espao fsico at a prpria dinmica escolar, viabilizando o conhecimento do seu

funcionamento de modo amplo para que pudssemos criar alternativas de uma posterior

incluso destes sujeitos.

Portanto, neste trabalho nos debruaremos, tentando compreender as dificuldades e

necessidades dos sujeitos da pesquisa, e o funcionamento escolar, a fim de estabelecer

uma parceria com a escola, e construir e reconstruir junto com esses docentes novos

sentidos que potencializem o acesso dessas crianas ao ensino regular, com a ajuda da

CAA.

2. REVISO DE LITERATURA

3

A concepo de linguagem assumida neste trabalho a do interacionismo Vigotskyano,

a qual se configura como funo mental superior, circunscrita na instncia mxima da

subjetividade do sujeito. Com a linguagem concebida de tal forma, podemos destac-la

como fundamental no processo de significao do mundo pelo sujeito, visto que a

travs da linguagem que se constroem tais significaes e as interaes com o meio.

Tambm acreditamos que a linguagem produtora de sentidos que leva em

considerao a intersubjetividade e a interdiscursividade inerente as relaes

constitutivas do sujeito.

A linguagem entendida como funcionamento simblico, e que, como tal, no transparente, no se d a ver em sua completude, at porque a incompletude um trao que lhe inerente. Trata-se de adotar uma concepo que toma a linguagem como discurso, efeito de sentidos, o que nos permite pensar que cada produo lingustica singular, fruto da confluncia de mltiplos sentidos (SALFATIS E PALLADINO, 2001, p.32).

A linguagem inerente ao sujeito, mesmo quando este no se comunica oralmente. Esta

constitui o sujeito, a forma como este recorta e percebe o mundo e a si prprio

(GOLDFELD, 2002; GES, 1999; VYGOTSKY, 1996).

Sabe-se que a linguagem falada a forma mais frequente de comunicao, na qual

maioria dos indivduos ao longo da sua existncia consegue ser entendido e

compreender o outro sem muito esforo. Porm, a presena de algum tipo de

dificuldade na comunicao implicar no processo de desenvolvimento da linguagem,

dos sistemas simblicos, assim como das atividades de relacionamento com as pessoas.

Como exemplo dessas dificuldades tem-se: problemas neurolgicos, emocionais ou

cognitivos, que acabam por comprometer a comunicao verbal ou gestual e

consequentemente a capacidade de expresso do indivduo.

Amparados nessa concepo de linguagem, podemos pensar em novas maneiras de

elencar possibilidades de comunicao para indivduos que de alguma forma no

conseguem ainda que de forma habitual, comunicar-se. Para tanto, vislumbramos a

Comunicao Alternativa e Ampliada (CAA) como um recurso a ser explorado por ns

para que estes sujeitos marcados pelo silncio possam ganhar voz, assim a CAA surge

com um leque de recursos alternativo no intuito de garantir uma comunicao efetiva,

que possa promover autonomia, independncia, incluso social e qualidade de vida para

esses sujeitos.

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Segundo Tetzchner e Martinsen (1992:7) a Comunicao Alternativa utilizada quando

o sujeito se comunica utilizando outras formas alm da fala e quando formas

alternativas, a exemplo dos sinais manuais e/ou grficos correspondem a principal

forma efetiva de expresso do sujeito.

A partir da implementao da CAA pessoas que por ventura foram excludas dos

espaos comunicativos passam a assumir o seu lugar e assim podem crescer dentro

destes espaos, seja na famlia, no social ou na escola, mbito no qual o trabalho pauta

seus objetivos.

Falar em CAA nos permite a abrir discusso sobre a questo da escola e da incluso

socioeducacional nessa rede, partindo do pressuposto de que terreno frtil para todo o

desenvolvimento humano. A escola um espao que confere s crianas o convvio

com seus pares, onde elas podem conviver com suas diferenas e ampliar sua rede de

relaes, deixando de restringi-la apenas ao seio familiar. Porm, o papel da escola vai

alm do social, visa garantir a escolarizao, em toda a sua dimenso, promovendo a

potencializao das especificidades de cada um dos sujeitos implicados no processo,

fazendo com que sua singularidade seja respeitada.

A nossa realidade salienta uma sociedade que discursa a favor da incluso, mas que em

sua prtica pouco vivencia esse processo. Referindo-nos escola, possvel enxergar

uma conjuntura semelhante, na qual o discurso se sobrepe prtica. Segundo JESUS

(2002), construir prticas contrrias segregao implica trabalhar com profissionais da

escola, com pais, com as gestes governamentais e com a sociedade de forma geral,

com o intuito de construir e (re) significar o lugar dessas pessoas com necessidades

especiais.

nessa perspectiva que o projeto de pesquisa A implementao da comunicao

alternativa e ampliada na escola: dispositivos para incluso objetiva a promoo da

autonomia dos sujeitos e a incluso destes nos espaos comunicativos com o desgnio

de (re) significar a maneira como o sujeito com necessidades especiais concebido,

destituindo-o das marcas de ideias cristalizadas pela sociedade, provocando rachaduras

nessas concepes e elencando possibilidades para sua incluso socioeducacional com o

uso da CAA.

3. METODOLOGIA

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3.1 Aporte terico-metodolgico

O projeto se fundamentou na pesquisa-ao, em uma perspectiva colaborativo-crtica, e

foi realizado dentro de cada escola, referentes s trs crianas assistidas.

Segundo Minayo (2002, p. 21- 22):

A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspiraes, crenas, valores e atitudes e o fenmeno entendido nas suas determinaes e transformaes dadas pelos sujeitos, correspondendo a um espao mais profundo das relaes, dos processos e dos fenmenos que no podem ser reduzidos operacionalizao de variveis.

Deste modo, o campo das pesquisas qualitativas se mostra um universo que no

passvel de ser captado por hipteses perceptveis, verificveis e de difcil quantificao.

A imerso na esfera da subjetividade e do simbolismo, firmemente enraizados no

contexto social do qual emergem, condio essencial para o seu desenvolvimento.

Atravs dela, consegue-se penetrar nas intenes e motivos, a partir dos quais aes e

relaes adquirem sentido. Sua utilizao , portanto, indispensvel neste projeto uma

vez que este demanda um estudo fundamentalmente interpretativo (PAULILO, 1999).

Assim, a anlise dos dados foi prioritariamente qualitativa, pois tal investigao envolve

diferentes formas de conhecimento, estratgias de investigao e mtodos de coleta e

anlise de dados. O pesquisador qualitativo sempre vai ao local no qual est o

participante para conduzir a pesquisa, busca o envolvimento dos participantes na coleta

de dados e tenta estabelecer harmonia e credibilidade com as pessoas no estudo, alm de

refletir sobre quem ele na investigao, possui um raciocnio complexo, multifacetado,

interativo e simultneo (CRESWELL, 2007).

Escolheu-se a pesquisa ao para gerir o atual projeto, pois como relata Thiollent,

(1994) fazer pesquisa-ao significa planejar, observar, agir e refletir de maneira mais

consciente, mais sistemtica e mais rigorosa o que fazemos na nossa experincia diria.

Assim, tal enunciado vai ao encontro dos objetivos comum do projeto.

A pesquisa-ao visa provocar mudanas (ao) e compreenso (pesquisa). Ela busca

uma relao dinmica entre teoria e prtica. Desta maneira, a considerao dessas duas

dimenses, mudanas e compreenso, proporcionou uma importante contribuio para

este projeto.

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Segundo Thiollent, (1994) a pesquisa- ao tem por base aprimorar a prtica dos

participantes, a compreenso que possuem desta e a situao onde ela acontece. Alm,

de envolver e garantir a participao de todos os integrantes no processo, assim como

propiciar compromisso destes na mudana.

A pesquisa-ao colaborativo-crtica sempre visa a uma mudana, tem um efeito

discursivo em funo de uma constante reflexo sobre a ao. Constitui uma nova

forma de ser pesquisador, que busca formar novos conhecimentos ou outras formas de

saberes, alm de constituir como um meio de formao e mudana participativa. Desse

modo, o grupo se compe por sujeitos que objetivam coisas comuns, atuam em

diversos papis e utilizam prxis, ao teoricamente sustentada (JESUS, 2008).

Assim, o pesquisador procura efetuar transformaes dentro de sua prpria prtica a

fim de elaborar novos conhecimentos tericos ou aprimoramento da prtica. Ao mesmo

tempo, busca uma mudana conduzida por contnuas anlises e interpretaes de

contexto e no se organiza por etapas de um mtodo, mas sim pelos acontecimentos

importantes para o processo.

Deste modo, no projeto a pesquisa colaborativa, por sua vez, tem por objetivo criar nas

escolas uma cultura de anlise das prticas que so realizadas, a fim de possibilitar que

os professores, auxiliados pelos fonoaudilogos, transformem suas aes e as prticas

institucionais de maneira a promover incluso, interao e desenvolvimento em todos os

aspectos do aluno (ZEICHNER, 1993).

Segundo Barbier (2002, p. 106) a pesquisa-ao visa mudana de atitudes, de

prticas, de situaes, de condies de produtos, de discursos [...].

Dessa maneira, a pesquisa-ao uma estratgia para que as mudanas necessrias

tornem se possveis, no s ao nvel do discurso, mas, principalmente, na prtica

cotidiana. Desse modo, deve partir de uma situao social concreta a ser modificada,

inspirada nos novos elementos que surgem durante o processo e sob influncia da

pesquisa. Busca-se deliberadamente a mudana, que remete transformao da

realidade em questo e produo de conhecimentos relativos a essa transformao,

fazendo-se, portanto, uma atividade social e poltica, verdadeiramente ideolgica.

3.2 APRESENTAES DOS SUJEITOS

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Faremos um recorte de trs (3) crianas e suas respectivas escolas, das nove atendidas

pelo grupo. Destas trs, duas (2) com Autismo e uma (1) com comprometimento motor.

As crianas tm de 07 a 09 anos e apresentam dificuldades de linguagem e interao

verbal.

G. uma criana do sexo masculino, com o diagnstico de Sndrome do Espectro

Autstico. Tem sete anos de idade, estuda em uma escola regular pblica no mesmo

povoado em que mora o Sobrado, no municpio de Nossa Senhora do Socorro. Seus pais

se separaram e G. mora com sua me e irm.

M. uma criana do sexo masculino, com diagnstico de Sndrome do Espectro

Autstico. Tem sete anos de idade. Filho nico de pais separados, mora com sua me no

Bairro Fernando Collor. Estuda em escola regular particular neste mesmo bairro.

M.H uma criana do sexo masculino, com Deficincia Motora, por deformidade de

membros superiores e inferiores. Tm sete anos, filho nico e mora com seus pais.

Reside no bairro Santa Maria e estuda em escola regular particular no mesmo bairro.

Categorizando, as escolas foram 67% privadas e 33% pblicas; 67% esto na capital

Aracaju e 33% esto no municpio de Nossa Senhora do Socorro.

3.3. ATIVIDADES REALIZADAS

Realizou-se semanalmente visitas as escolas dos sujeitos referidos, para que a

comunicao alternativa e ampliada, atravs da parceria professor-

pesquisador/Fonoaudilogo, pudesse ser executada de modo a visar incluso destas

crianas no mbito escolar, alm do seu desenvolvimento geral, com o desgnio de

futuramente os resultados de tais prticas ecoarem nos demais ambientes frequentados

por essas crianas.

Cada aluna pesquisadora responsvel por uma criana e por realizar as visitas

semanais as escolas, estas se baseavam no turno de estudo da criana, sendo assim

permanecamos na perspectiva de ao e colaborao, durante todo o horrio matutino

ou vespertino semanalmente. Alm disso, fazamos acompanhamentos de entrevistas,

conversas e conhecimento do espao fsico e da dinmica escolar das mesmas.

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Nestas visitas, vivenciamos um processo de colaborao com o professor, ajudando e

sendo til no que fosse necessrio, de maneira a permitir nossa participao de forma

mais efetiva, gerando confiana e construindo uma parceria fundamental no processo de

incluso de tais crianas, mediante a comunicao alternativa.

A cada visita realizada nas escolas dessas crianas, as alunas pesquisadoras produziam

um relatrio crtico, no qual constavam os acontecimentos ocorridos naquele turno, o

qual permitia aos demais pesquisadores estar por dentro do processo, alm de nos

promover uma auto-anlise do nosso fazer e, pelo distanciamento do momento, uma

maior sensatez ao analisarmos cada situao.

Foram realizadas visitas peridicas s escolas iniciadas em agosto de 2011, totalizando

na escola 1, onde M. estuda 22 visitas; na escola 2, onde M.H estuda 20 visitas; na

escola 3, onde G. estuda 19 visitas (Tabela).

Escola 1 Escola 2 Escola 3

N de visitas 22 20 19

Tabela 1: demonstrativo de visitas s escolas

4. RESULTADOS E DISCUSSES

Estar junto se aglomerar com pessoas que no conhecemos. Incluso

estar com, interagir com o outro. (Mantoan, 2005, p. 26).

A incluso perfeitamente organizada em suas normas e leis, entretanto na prtica no

decorre da mesma maneira que esta explicita nas leis, pois incluir articular com o

aspecto social, que na maioria das vezes se comporta de maneira inflexvel para

mudanas. Desde a dcada de 60 a 80, que se prev no mbito escolar uma prtica

inclusiva, entretanto est no se confirma, pois o que acontece uma prtica de

integrao escolar que visa ideia de igualdade, mas ressaltando que alguns so

diferentes e, portanto, devem ser divididos, ou seja, dessa maneira a dita aprendizagem

se daria no mesmo setor, escola, mas em salas diferentes.

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O prprio Ministrio da Educao reconhece, que incluso no significa,

simplesmente, matricular os alunos com necessidades especiais na classe comum,

ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao educador e escola o

suporte necessrio sua ao pedaggica (MEC/SEESP, 1998).

Dessa forma, a educao inclusiva o caminho para o desenvolvimento social, pois

atravs de um trabalho significativo dentro das instituies escolares podemos construir

uma sociedade voltada para as questes humanas. Visto que as escolas desempenham

um papel extremamente relevante no processo inclusivo ao desenvolverem as relaes

sociais, beneficiando os envolvidos nas questes educacionais e refletindo em toda a

sociedade.

Entretanto apesar da CAA, ser uma tcnica objetiva, cabe ressaltar que foram atrelados

aspectos subjetivos, com o intuito de no deslembrar que cada sujeito possui suas

especificidades, ou seja, no unificamos uma tcnica para todas as crianas, mas sim

estratgias diferentes e eficazes para que assim, cada uma fosse atendida de acordo com

suas peculiaridades.

A princpio discorreremos sobre as prticas realizadas, de forma geral em todos os

colgios, para s ento mencionarmos as atividades desenvolvidas em cada escola, com

cada criana especificadamente.

Deste modo, fizemos junto gesto e aos professores de cada escola, reunies e

encontros individuais, onde discutimos as adaptaes do currculo escolar, dos materiais

utilizados durante as aulas, como caderno, livros, deveres e dos materiais individuais,

como lpis, caneta e etc., assim como possveis confeces destes.

Alm disso, dialogamos com os professores dentro da sala de aula, a fim de ver quais

seriam as melhores adaptaes, pensando junto no que poderia ser feito para que o

contedo pudesse ser lecionado de outras formas, ou seja, de modo mais dinmico,

ldico, que despertasse a ateno e o interesse das crianas em aprender o que estava

sendo passado e, portanto, as alcanasse em suas especificidades.

Apesar dos educadores demonstrarem compreender a diversidade de seu alunado,

alguns por razes desconhecidas, ainda no sabiam como minimizar estas diferenas,

como exemplo, no momento de trabalhar os contedos pedaggicos, mesmo entendendo

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que seus alunos possuam necessidades especficas que distinguia suas possibilidades de

aprendizado, acabavam agindo como se possussem uma turma homognea, preparada

para apreender os conceitos, da nica forma que forem ensinados.

Dessa forma, tnhamos o desgnio de que tais prticas fossem disparadoras e

provocassem nos professores a reflexo sobre o prprio processo de aprendizagem,

acreditados que a nossa mediao fosse produtiva, para que um novo modo de

compreender o aprender pudesse ser (re) construdo.

Iniciou-se o processo discursivo com os professores sobre a comunicao alternativa e

ampliada, a priori com os recursos de baixa tecnologia.

Foram realizados trabalhos de mediao com estas crianas e seus pares, no momento

de recreao, datas comemorativas, como dias dos pais, das crianas e festas de

aniversrios, em que tnhamos por intuito, possibilitar que estas crianas se

constitussem enquanto sujeitos por meio dessas trocas e experincias e assim,

possibilitar que atravs do contato com a heterogeneidade, a interao pudesse

desmistificar a viso da patologia as crianas, pois o lugar em que a patologia ocupava e

a valorizao do diagnstico mdico estava enraizada em alguns dirigentes, professores

e servidores do colgio, assim como na sociedade, que v a deficincia como sinnimo

de incapacidade.

Dentro do contexto escolar, foram realizadas reunies com as gestes e professores das

diversas escolas. A seguir, discutiremos os resultados das escolas particularmente com o

intuito de dar visibilidade ao leitor do trabalho que est sendo desenvolvido.

Na escola 1, onde M. estuda, o trabalho inicial foi rduo, encontramos uma professora

disposta a fazer junto, e uma gesto que possua um discurso de defensor da incluso,

porm quando interpretado no seu dizer, se mostrava totalmente imbricado pelos

valores patolgicos, desconsiderando qualquer deficiente e o caracterizando como

incapaz de est em uma sala regular, sendo assim a favor da escola e sala especial. Foi

um processo de muitas idas e vindas, mas com a LDB, do nosso lado, que contempla

que os alunos com necessidades educacionais especiais devem estar dentro da escola

regular, conseguimos manter a matricula da nossa criana nesta escola, apesar de no

ser o desejo da diretora.

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Ao longo das visitas notaram-se modificaes no comportamento de M. em sala de

aula, sua agresso para com os colegas reduziu. Houve uma maior interao entre as

crianas, o que era notrio no momento das atividades em sala de aula, assim como na

recreao. Conseguimos a permanncia de M. em sala regular durante todo o turno de

aula, pois antes M. era retirado dela em algumas ocasies, passando algumas horas em

outra sala com uma auxiliar de professora.

O trabalho nessa escola tinha um intuito primordial, que era deslocar a viso dos

dirigentes e trabalhadores desta, da valorizao do diagnstico de M. para que assim ele

pudesse ser entendido em suas possibilidades e no em suas limitaes e dessa forma,

pudssemos estabelecer prticas conjuntas com a professora e demais.

Foi realizando adaptaes das atividades propostas em sala de aula, nas quais se sugeriu

o uso de letra basto. Tambm foi dialogado com a professora, quanto a sugestes de

tarefas para M., como atividades mais dinmicas, que pudessem promover a interao

entre as crianas, assim como a finalidade pedaggica. Foi dado nfase, em sugestes

quanto ao processo inicial de leitura e escrita de M., como o uso de parlendas, leitura

em sala envolvendo a participao de todos os alunos, e etc. Assim como no momento

das brincadeiras, foram propostas atividades mais interativas e simblicas entre as

crianas, e no apenas meramente motoras.

Na escola 2, onde estuda M.H. inicialmente houve dificuldades frente a deficincia

motora da criana, uma vez que a proposta pedaggica no detinha muita preocupao

com o processo de aprendizagem da criana, a pedagogia abordada estava distante das

necessidades educacionais e o principal no estava relacionado as adaptaes fsicas

para que M.H. conseguisse realizar suas atividades de maneira efetiva.

Durante as visitas, M.H., mostrava-se o tempo todo muito falante e seu discurso foi

interpretado pelo pesquisador, como uma estratgia de defesa natural, em que fazia uso

de certa prepotncia, para no transparecer ser um sujeito frgil. No trabalho com ele,

buscou-se a transformao desta forma de funcionar, para a aceitao de uma interao

onde todos pudessem fazer parte daquele contexto de maneira uniforme.

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No transcorrer do trabalho, atravs de encontros com o professor, foram pensadas

atividades que auxiliassem M.H. motoramente na execuo das tarefas escolares, uma

vez que este utilizava os membros inferiores, para escrever. As aulas foram

estruturadas de maneira dinmica, em que as pesquisadoras com a solicitao do

professor, lecionavam os assuntos pedaggicos, de uma maneira em que todas as

crianas da classe participavam de maneira igualitria e ativa, tornando o contexto

escolar mais fluido e permitindo uma nova forma de fazer e aprender, mas mantendo o

objetivo pedaggico.

Foi realizada a adaptao de uma carteira, que facilitasse a realizao das atividades,

buscando diminuir o cansao fsico do mesmo. Tambm foram feitas adaptaes que

envolveram recursos de baixa tecnologia, como lpis com dimetro maior. As

atividades eram realizadas em cadernos de desenho, como este no apresenta linhas

delimitadoras, facilitou a execuo da coordenao motora fina e a realizao das

tarefas pedaggicas que se tornaram mais prazerosas.

Dessa forma o trabalho com o professor gerou bons resultados e a comprovao se

encontra em crianas menos dispersas e mais participativas, atividades mais ldicas e

todos participando da construo do conhecimento, tornando o aprender algo mais

divertido na escola de M.H.

Na escola 3, onde estuda G. no processo inicial houve dificuldade para a sua incluso. A

equipe pedaggica apresentava um funcionamento ao redor do diagnstico que a criana

apresentava, com prticas e comportamentos que o entendiam como passivo naquele

mbito, perpetuando a evidncia da patologia. E as prticas dialgicas com os pares, os

demais alunos, permaneciam distantes inicialmente, para o processo de interao e

construo da linguagem.

A partir da mediao do pesquisador foram realizados movimentos interpretativos,

mediante prticas reflexivas junto ao cotidiano da professora que evidenciaram mostrar

novas formas de pensar e fazer, assim como as possibilidades de aprendizado da

criana, por exemplo, atravs da adaptao curricular e de atividades em sala de aula,

assim como sobre o contedo pedaggico explanado, principalmente em relao as que

envolviam leitura e escrita, dessa forma, foi proposto leitura de historinhas em sala com

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a participao de todos, como atividades que envolvessem msica, com o intuito de

trabalhar leitura e escrita, assim como promover a interao entre as crianas, dessa

forma, proporcionamos funcionalidade ao texto e a leitura e a escrita tornaram-se mais

prazerosas.

Foram utilizados recursos facilitadores, que incentivaram a entrada da criana no

processo de aprendizagem, como o EVA para auxiliar nas questes de quantidade,

forma e tamanho. Alm disso, foi promovido o auxlio dos dedos das mos, que tinham

suas extremidades pintadas, para chamar a ateno da criana e pudesse efetuar contas

matemticas, alcanando o objetivo proposto. Foi sugerido que no momento da

recreao, realizassem atividades mais simblicas entre as crianas e no somente

motora.

Dessa forma, no decorrer do trabalho foi evidenciada a maior participao de G., nas

brincadeiras, um processo de interlocuo significativo com seus pares foi estruturado,

as atividades passaram a ser mais ldicas, com a utilizao de msicas e encenaes,

uma vez que G. no compartilhava da mesma brincadeira com seus pares, isolava-se

com o carrinho e no mostrava interesse frente s atividades escolares e quando as

realizava era apenas com a interveno da professora. O momento do recreio deixou de

ser palco para correria das crianas e deu lugar a um ambiente de brincadeiras ldicas.

Por fim, analisando de forma geral obtivemos muitos aspectos positivos como: A

parceria com as escolas (professores e dirigentes); a aceitao de uma nova forma de

comunicao; o aprendizado de recursos de CAA, ainda que sejam de baixa tecnologia;

a incluso desses sujeitos nas escolas regular e consequentemente nos demais espaos

sociais; a descristalizao da ideia de que a deficincia sinnimo de incapacidade e

que dessa forma, impossibilitar as relaes sociais.

5. CONCLUSO

A educao inclusiva um conceito novo que defende a heterogeneidade da classe

escolar, provoca interaes entre crianas com singularidades diferentes e por isso

prope-se a buscar uma pedagogia que abranja as diferenas do alunado (BEYER,

2006). Ainda segundo Beyer (2006, p.73) ela implica em uma nova postura da escola

comum que dever propor, no projeto pedaggico, no currculo, na metodologia de

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ensino, na avaliao e na atitude dos educadores, aes que verdadeiramente favoream

a integrao social e a opo dos agentes educativos por prticas heterogneas e atentas

diversidade existente na escola.

Dessa forma, em pleno sculo XXI, em uma sociedade competitiva e excludente, como

a que vivemos desafiador propor uma prtica inclusiva para alunos com necessidades

educativas especiais. Entretanto, o trabalho com a CAA, tem sido um recurso de grande

importncia, uma vez que tem se mostrado indispensvel ao fator interacional e de

identificao do sujeito, alm de permitir seu aprendizado e difundir a incluso

educacional, perpetuando-a no s no campo escolar, mas em outros ambientes que o

sujeito frequente.

Foi evidente que a parceria estabelecida com o professor, no mbito escolar foi de

extrema importncia para os sujeitos da pesquisa, uma vez que permitiu a insero da

CAA, gerando mudanas e provocando rachaduras no antigo modo de pensar e ensinar

dos professores e dirigentes, o que possibilitou o crescimento e aprendizagem das

crianas, alm de fornecer o suporte para que estas se constitussem como sujeitos,

assim como para que seus pais perdessem o medo, de lan-los em um novo mundo, o

da descoberta do conhecimento. Cabe ressaltar, que o medo que os pais sentiam era

referente aos preconceitos to arraigados e recorrentes em nossa sociedade.

Portanto, a possibilidade de incluir um aluno com necessidade educacional especial no

ensino regular poder ser efetiva a partir do momento que os educadores conheam e

modifique suas prticas pedaggicas e as dilate de acordo com as necessidades

especficas de cada alunado, e reconheam que as tcnicas de CAA contribuem com o

processo de incluso.

REFERNCIAS

BARBIER, R. A pesquisa-ao. Traduo Lucie Didio. Braslia, DF: Plano Editora, 2002.

BEYER, H. O. In: DA INTEGRAO ESCOLAR EDUCAO INCLUSIVA: IMPLICAES PEDAGGICAS. Incluso e escolarizao: mltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediao, 2006.

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