A perseverança final dos santos por charles haddon spurgeon

Embed Size (px)

Text of A perseverança final dos santos por charles haddon spurgeon

  • 1. 3A PerseveranaFinal dos SantosN1361Sermo pregado na Manh de Domingo 24 de Junho de 1877por Charles Haddon SpurgeonNo Tabernculo Metropolitano, Newington, Londres.O justo seguir o seu caminho firmementeJ 17: 9O homem que justo diante Deus tem um caminho pr-prio.No o caminho da carne, nem tampouco o caminhodo mundo; um caminho que o mandato divino lhe desig-nou,e onde ele caminha pela f. a estrada do Rei dasantidade, e o mpio no transitar por ela: somente os queso resgatados pelo Senhor caminharo por esta estrada, eestes descobriro que uma trilha de separao do mundo.Uma vez que entrou no caminho da vida, o peregrinodeve perseverar nele ou perecer, pois assim disse o Senhor:E se ele recuar, a minha alma no tem prazer nele. Aperseverana no caminho da f e da santidade uma ne-www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r

2. 4do cristo, pois somente o que perseverar atwww. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r cessidade o fim, este ser salvo. Seria em vo brotar rapidamentecomo a semente que lanada sobre a rocha, mas logo secarquando o sol est a pino; isso somente demonstraria queuma planta assim no tem raiz, mas se enchem de seivasas rvores de Jeov e permanecem e continuam e do fru-to,mesmo em sua velhice, para demonstrar que o Senhor reto.H uma grande diferena entre o cristianismo nominale o cristianismo real, e isto se pode geralmente comprovarno fracasso de um e na perseverana do outro. Agora, a de-claraodo texto que o homem verdadeiramente justoprosseguir seu caminho; no retroceder, no saltar osvalados e no se desviar nem para a esquerda e nem paraa direita, no descansar ficando sem fazer nada, nem tam-poucodesmaiar, nem deixar de prosseguir em seu cami-nho;mas ele prosseguir seu caminho. Frequentementeser-lhe- muito difcil faz-lo, mas ele ter tal resoluo, talpoder da graa interna que lhe ter sido outorgada, que eleprosseguir seu caminho, com firme determinao, comose estivesse com algo agarrado pelos dentes e no estivessedisposto a soltar. possvel que nem sempre viaje na mesma velocidade;no dito que manter seu passo, mas que ele prossegui-rseu caminho. H momentos em que corremos sem nos 3. 5cansar, mas frequentemente simplesmente caminhamose estamos mui agradecidos porque no desmaiamos; ai, eh momentos quando estamos contentes em engatinharcomo um beb e nos arrastamos para cima com dor; masainda assim demonstramos que o justo seguir seu cami-nhofirmemente. Sob toda classe de dificuldades o rostodo homem a quem Deus tem justificado, est firmementeorientado para Jerusalm; e ele no se desviar at que seusolhos tenham visto o Rei em Sua beleza.Esta uma grande maravilha. algo maravilhoso sim-plesmenteque um homem seja cristo, e uma maravilhaainda maior que ele continue a ser. Considerem a debilidadeda carne, a fora da corrupo interna, a fria da tentao sa-tnica,as sedues das riquezas e o orgulho da vida, o mun-doe seus caminhos: todas essas coisas esto contra ns, e noentanto, aqui maior Quem est a nosso favor do que todosos que esto contra ns, e desafiando o pecado, Satans, amorte e o inferno, o justo prossegue seu caminho.Eu interpreto que nosso texto declara com preciso adoutrina da perseverana final dos santos. O justo segui-rseu caminho firmemente. Faz anos, quando houve umaamarga e ardente controvrsia entre calvinistas e arminia-nos,cada um dos grupos tinha o costume de fazer carica-turasdo outro grupo. Muito do peso dos argumentos noestava direcionado contra o grupo oposto num sentido real,www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r 4. 6www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r mas sim contra aquilo com que o grupo era identificado.Fizeram um boneco de palha, e logo o queimaram, coisamuito fcil de fazer, mas eu confio que este tipo de coisasficou h muito tempo para trs.A gloriosa verdade da perseverana final dos santos temsobrevivido controvrsia, e de uma forma ou outra umacrena apreciada dos filhos de Deus. Contudo, tenham mui-tointeresse de entender no que ela consiste. A Escriturano ensina que um homem chegar ao final de sua jorna-dasem que continue viajando ao longo do caminho; no certo que um ato de f seja tudo, e que no se requeira f,orao e vigilncia a cada dia. Nossa doutrina exatamen-teo oposto disso, isto , que o justo seguir seu caminhofirmemente; ou em outras palavras, continuar em f, emarrependimento, em orao e sob a influncia da graa deDeus.Ns no cremos na salvao como uma fora fsica quetrata o homem como um tronco morto e que o transportapara o cu, seja contando com sua aprovao ou sem contarcom ela. No, ele prossegue, ele est ativamente envolvi-dono assunto e caminha pesadamente costa acima e logodesce o vale at que chegue ao fim de sua jornada.Nunca pensamos, nem muito menos temos sonhado,que simplesmente porque um homem supe que alguma 5. 7vez entrou no caminho pode consequentemente concluirque ele tenha certeza da salvao, ainda que deixe o cami-nhologo depois. No, mas ns afirmamos que quem verda-deiramenterecebe o Esprito Santo, de tal forma que cr noSenhor Jesus Cristo, no retroceder, mas perseverar nocaminho da f.Est escrito: Quem crer e for batizado ser salvo, eno poderia ser salvo se lhe fosse permitido regressar e sedeleitar no pecado como fazia antes; e, portanto, ele serguardado pelo poder de Deus atravs da f para salvao.Embora o crente ainda cometa muitos pecados, para suaaflio, no entanto, o teor de sua vida ser de santidadepara Deus e prosseguir no caminho da obedincia.Ns detestamos a doutrina que estabelece que um ho-memque alguma vez creu em Jesus ser salvo apesar dehaver abandonado o caminho da obedincia. Ns negamosque tal desvio seja possvel para o verdadeiro crente, e, por-tanto,a ideia que nossos adversrios tm nos imputado claramente uma inveno. No, amados irmos, um ho-mem,se verdadeiramente um crente em Cristo, no vi-versegundo a vontade da carne. Quando em efeito cair nopecado, sentir dor e misria e jamais descansar at queseja lavado da culpa; mas vou afirmar isto acerca do crente,que se ele pudesse viver como ele desejasse viver, ento eleviveria uma vida perfeita.www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r 6. 8www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r Se perguntasse, depois de ter crido, se ele pudesse vivercomo quisesse, ele responderia: Queira Deus que eu pu-desseviver como eu quisesse, pois desejo viver completa-mentesem pecado. Queria ser perfeito, assim como meuPai celestial perfeito. Esta doutrina no a ideia licencio-saque um crente pode viver no pecado, mas que no podee nem quer faz-lo.Esta a doutrina, e em primeiro lugar vamos demons-tr-la; e em segundo lugar, no sentido puritano da palavra,vamos aplic-la de maneira breve, ao extrair duas lies es-pirituaisdela.I. DEMOSTREMOS, ENTO, A DOUTRINA. Por favor,sigam meu argumento com suas Bblias abertas. A maioriade vocs, queridos amigos, tem recebido como matria def as doutrinas da graa, e, portanto, para vocs a doutrinada perseverana final no requer nenhuma demonstrao,porque se deduz de todas as outras doutrinas. Ns cremosque Deus tem um povo eleito que Ele escolheu para a vidaeterna, e essa verdade necessariamente implica a perseve-ranana graa.Ns cremos na redeno especial, e isto assegura a sal-vaoe a consequente perseverana dos redimidos. Nscremos no chamado eficaz, que est ligado justificao,uma justificao que assegura a glorificao. As doutrinasda graa so como uma cadeia: se voc cr em uma delas 7. 9ento deve crer na seguinte, pois cada uma implica nas de-mais;portanto, eu digo que, quem aceita qualquer das dou-trinasda graa, deve receber esta doutrina tambm, comowww. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b rinerente a elas.Porm, vou tentar demonstrar essa doutrina para aque-lesque no aceitam as doutrinas da graa; no quero ar-gumentarem um crculo, demonstrando algo de que vocsduvidam por meio de outra coisa de que vocs tambm du-vidam,mas que lei e ao testemunho! Vamos remetereste assunto s palavras reais da Escritura.Antes de avanar ao argumento, ser bom enfatizarmosque aqueles que rejeitam essa doutrina, frequentementenos dizem que h muitas advertncias na Palavra de Deuscontra a apostasia, e que essas advertncias no poderiamter algum significado se fosse certo que o justo seguir seucaminho firmemente. Mas, que acontece se essas advertn-ciasso instrumentos que a mo de Deus utiliza para evitarque Seu povo se desvie? Que acontece se essas advertnciasso usadas para excitar um santo temor nas mentes de Seusfilhos, convertendo-se assim no meio de prevenir o mal queessas advertncias denunciam?Tambm gostaria de lembrar que na Epstola aos He-breus,que contm as advertncias mais solenes contra aapostasia, o apstolo sempre cuida de acrescentar palavras 8. 10www. p r o j e t o s p u r g e o n . c o m . b r que demonstram que ele no acrediava que aqueles a quemadvertia, realmente apostatariam. Vejamos Hebreus 6:9.Ele est dizendo para esses hebreus que se os que foramuma vez iluminados recassem (quer dizer, que aposta-tassem),seria impossvel que fossem outra vez renovadospara arrependimento, e acrescenta: Mas de vs, amados,esperamos coisas melhores, e coisas que acompanhama salvao, ainda que assim falamos. No captulo 10, oapstolo tambm faz uma advertncia severa, declarandoque aqueles que atuam de maneira contrria ao esprito dagraa so dignos de um castigo maior que os que violarama lei de Moiss, mas conclui o captulo com estas palavras:Mas o justo viver pela f; E, se ele recuar, a minha almano tem prazer nele. Ns, porm, no somos daqueles quese retiram para a perdio, mas daqueles que creem paraa conservao da alma. Desta maneira, o apstolo mostraquais seriam as consequncias da apostasia, mas ele estconvencido que eles no escolhero incorrer em to terrvelcondenao.Adicionalmente, aqueles que se opem a essa doutri-na,por vezes, citam alguns exemplos de apostasia que somencionados na palavra de Deus, mas ao observar essescasos com ateno descobrimos que se trata de pessoasque simplesmente professaram conhecer a Cristo, mas querealmente no eram possuidores da