A POLMICA DA UTILIZA‡ƒO DO INSTITUTO DA REMI‡ƒO .delitos e cominar penas, por©m, em se tratando

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Text of A POLMICA DA UTILIZA‡ƒO DO INSTITUTO DA REMI‡ƒO .delitos e cominar penas,...

  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEAR

    FRANCISCO ERIVALDO RODRIGUES

    A POLMICA DA UTILIZAO DO INSTITUTO DA

    REMIO DA PENA ATRAVS DO ESTUDO

    FORTALEZA - CEAR

    2007

  • Francisco Erivaldo Rodrigues

    A POLMICA DA UTILIZAO DO INSTITUTO DA

    REMIO DA PENA ATRAVS DO ESTUDO

    Monografia apresentada ao Curso de Especializao em Direito

    Penal e Direito Processual Penal do Centro de Estudos Sociais

    Aplicados, da Universidade Estadual do Cear em convnio

    com Escola Superior do Ministrio Pblico, como requisito

    parcial para obteno do ttulo de especialista em Direito Penal

    e Direito Processual Penal.

    Orientadora: Prof. Ms. Antnio Cerqueira

    Fortaleza - Cear

    2007

    e

    j

  • 7/J-/cc

    Souza Filho

    Docente

    4C4!j Universidade Estadual do Cear IJECE

    a

    Centro de Estudos Sociais Aplicados - CFSCoordenao do Programa de Ps-Graduao - Lato Sensu

    COMISSO JULGADORA

    JULGAMENTO

    A Comisso Julgadora, Instituda de acordo com os artigos 24 a 25 do

    Regulamento dos Cursos de Ps-Graduao da Universidade Estadual do Cear /

    UECE aprovada pela Resoluo e Portarias a seguir mencionadas do Centro de

    Estudos Sociais Aplicados - CESA/UECE, aps anlise e discusso da Monografia

    Submetida, resolve consider-la SATISFATRIA para todos os efeitos legais:

    Aluno (a):

    Monografia

    Curso:

    Resoluo:

    Portada:

    Francisco Erivaldo Rodrigues

    A Polemica da utilizao do Instituto da Remio da Pena

    atravs do Estudo

    Especializao em Direito Penal e Direito Processual Penal

    251612002 - CEPE, 27 de dezembro de 2002

    44/2007

    Data de Defesa: 22106120074-

    Fortaleza (Ce), 22 de junho de 2007

    o Membro! Mestre

  • RESUMO

    Para o entendimento da real situao carcerria nacional preciso realizar um estudoprofundo iniciado na origem das penas se estendendo at a situao de calamidade atual. OPoder Pblico no obteve sucesso em suas tentativas de solucionar a crise instalada dentrode seus prprios institutos prisionais. Jornais e revistas no cansam de denunciar ocrescimento dirio dos ndices de violncia. dever do Estado combater as razes damarginalizao. A Lei de Execuo Penal - LEP trouxe em seu bojo previses para que issose tome uma realidade, contudo, apesar da norma expressa, faltam condies reais para oefetivo combate do problema. tambm dever do Estado buscar alternativas para incentivara ressocializao e proporcionar a desprisionalizao. Nessa linha de raciocnio desenvolve-se a remio da pena pelo estudo, benefcio no expresso legalmente, mas largamenteaceito e utilizado por Juzes e Tribunais. A LEP calou em relao ao estudo, mas semanifestou a respeito do trabalho, no restringindo em seu texto a acepo do vocbulobraal. Com base no in bonam partem possvel aceitao de uma interpretaoextensiva da lei, posto que o estudo pode ser considerado um trabalho intelectual comescopo anlogo ao do trabalho. O Poder Judicirio e alguns Estados da Federao vmconcedendo o beneficio supramencionado por meio de edies de portarias, acrdos einformativos, o que tem suscitado calorosos debates na doutrina e na jurisprudncia. Diantedo exposto, o trabalho em tela pretende apresentar algumas nuances do referido assunto,promovendo um debate sobre o tema para tentar modificar o quadro de violncia no Pas.Palavras-chave: estudo, remio, crcere.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO .7

    2DA PENA ................................................................................................................ 11

    2.1 Origem da Penas.......................................................................................12

    2.1.1 Vingana Privada.........................................................................12

    a 2.1.2. Vingana Divina..........................................................................13

    2.1.3. Vingana Pblica........................................................................14

    2.2 Perodo Humanitrio.......................................................................14

    2.2.1 A Escola de Direito Natural..........................................................16

    2.2.2 Escola Clssica............................................................................17

    2.3 Perodo Cientfico ou Criminolgico..........................................................18

    2.40 Histrico da Atividade Laboral na Priso......................................19

    2.5 Sistemas Prisionais...................................................................................24

    2.5.1 Evoluo da Priso no Brasil.......................................................26

    2.6 A evoluo da pena de priso no Brasil....................................................28

    2.7 A Admisso Analogia In Bonam Partem na Lei de Execuo

    Penal............................................... ................................................................. 30

    2.8 Finalidade do Direito Penal........................................................................31

    3 CONSIDERAES PRELIMINARES SOBRE REMIO .....................................33

    s 3.1 Histrico da Remio.................................................................................35

    3.2 Histrico da Remio no Brasil..................................................................36

    3.3 Natureza Jurdica da Remio ... ............................................................... 37

    3.4 Correntes divergentes acerca da Remio atravs do Estudo.................39

    3.4.1 Correntes Contrrias a Admissibilidade.. ..................................... 40

    3.4.2 Correntes que se manifestam acerca da Admissibilidade...........45

    3.5 Princpios Gerais do Direito Penal que norteiam a Remio....................49

    3.5.1 Princpio da Legalidade...............................................................50

    3.5.2 Princpio da anterioridade da lei..................................................51

    e

  • 3.5.3 Princpio da humanidade .51

    3.5.4 Princpio da Dignidade da Pessoa Humana................................52

    3.5.5 Princpio Devido Processo Legal, Contraditrio e Ampla

    Defesa...................................................................................................53

    3.5.6 A execuo penal e pena privativa de liberdade.........................55

    3.6 A questo do clculo da remio e o interesse do preso em ser

    beneficiado......................................................................................................56

    4 EDUCAO PRISIONAL ............... 60

    4.1 Polticas Pblicas.............. 61

    4.2 Os Direitos Humanos e a Educao..........................................................64

    4.3 tica, moral, direito e cidadania.................................................................66

    4.4 A Assistncia Educacional e a Remio de acordo com a Lei de

    ExecuesPenais...........................................................................................67

    4.5 Pesquisa Realizada Junto ao Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II -

    IPPOOII localizado em Itaitinga - Cear.........................................................70

    4 .5.1 Entrevistas...................................................................................70

    4.6 Importncia da Ressoacializao..............................................................77

    5 CONSIDERAES FINAIS ....................................................................................81

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS..........................................................................84

    e

  • r

    1 INTRODUO

    O instituto da remio foi criado dentro do Direito Penal Militar da Guerra

    Civil mediante o decreto de 28 de maio de 1937 e sua aplicao foi direcionada aos

    prisioneiros vencidos da guerra espanhola e aos condenados por crimes especiais.

    Podemos conceituar a remio como a diminuio do tempo da pena

    privativa de liberdade, cumprida em regime fechado ou semi - aberto, pelo trabalho

    prisional do condenado. Trata-se de um mecanismo utilizado para abreviar ou

    extinguir a pena, estimulando o sentenciado a corrigir-se por meio do trabalho.

    O art. 126 da Lei de Execuo Penal - LEP n. 7.210 de 11 de julho de

    1984, dispe que o condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi -

    aberto poder remir, pelo trabalho, parte do tempo da execuo da pena.

    A LEP prev em seu art. 010 que: "a execuo penal tem por objetivo

    efetivar as disposies de sentena ou deciso criminal e proporcionar condies

    para a harmnica integrao social do condenado e do internado". mister ressaltar

    que esta ao visa no somente extirpar a ociosidade do condenado, mas

    desenvolver trabalhos de sua afinidade, proporcionar meios de aprendizado, e,

    ainda, vislumbrar perspectivas que podero inseri-lo em processo de

    ressocializao.

    O tema suscitado sui generis, pois a LEP ao instituir a remio da pena

    privativa de liberdade no direito ptrio, omitiu meno ao "estudo" a "instruo" ou

    "educao" como atividades hbeis a permitir ao condenado o referido direito.

  • o

    Contudo, preciso avaliar que a noo de trabalho posta em debate por

    demais cerceada dentro da perspectiva que se atribui aos conceitos de trabalho. O

    grande filsofo alemo Hegel afirmou que o trabalho pode ser dividido em duas

    vertentes: o trabalho manual e o trabalho intelectual. O primeiro corresponde

    apreenso de uma tcnica pelo esforo fsico, enquanto o segundo o estudo

    baseado no aprendizado intelectual, mas constitui um aspecto do que pode ser

    definido como trabalho. Essa idia tambm foi acurada pelo filsofo alemo Karl

    Ma