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1 ASPECTOS RELEVANTES DA REFORMA DO JUDICIÁRIO (EC Nº 45/04) JANSEN AMADEU DO CARMO MADEIRA Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Membro Titular da Revista Ibero – Americana de Direito Público JOSÉ MARIA PINHEIRO MADEIRA Mestre em Direito do Estado e Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais. Professor da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro e da Universidade Estácio de Sá 1. INTRODUÇÃO A tão esperada reforma do Poder Judiciário, que tramitou no Congresso Nacional por mais de uma década, finalmente entrou em vigor este ano, trazendo a lume questões controvertidas que têm merecido o estudo e a análise de renomados juristas do nosso país. Portanto, inobstante os diversos pareceres que têm sido emitidos acerca de uma análise da Emenda Constitucional nº 45/04, estes ainda não esgotaram o estudo de tema tão complexo e controvertido, estando em aberto para as várias interpretações que ainda estão por vir. A estrutura complexa do Poder Judiciário, que se compõe das Justiças Estadual, Federal, Eleitoral, Militar, do Trabalho, das instâncias de 1º e de 2º grau e dos Tribunais Superiores, todas dotadas de peculiaridades e autonomias, somada a instrumentos de uma gestão anacrônica, pressupunham, desde há muito, a iminência de uma reforma minuciosa, interligada e, sobretudo, inovadora, que traçasse novos contornos ao perfil do Judiciário e trouxesse novos instrumentos que de fato viabilizem a prática desta reforma. No que alude à importância da reforma do Poder Judiciário, pode-se ressaltar ainda que o seu sucesso está diretamente ligado ao crescimento econômico do país e ao seu desenvolvimento como um todo, pois que o investidor estrangeiro que aqui aporta suas filiais e seus recursos financeiros, tão necessários para o país, somente o faz quando vislumbram segurança jurídica e uma estrutura política equilibrada. Como se sabe, não é possível visualizar o crescimento de um país sem uma legislação segura e bem estruturada. Neste sentido, pode-se já antever que a Reforma do Judiciário não encerra toda a questão pendente, mas se inclina antes de tudo à necessidade de mudanças factuais das legislações infraconstitucionais que hoje vigoram. Na verdade, referida reforma apenas inicia a série de reformas legislativas de que carecem o país. Outra questão que merece ser trazida à tona é a de que a Constituição da República foi intitulada de Constituição Cidadã, o que pressupõe o reconhecimento dos direitos de todos os cidadãos perante o Estado, o que se dá através da máquina administrativa. Com isso, o Estado se obriga a garantir ao cidadão a prática de seus direitos, em nome de um Estado Democrático, e para tanto necessita da eficiência de seus órgãos. Com efeito, a reforma do Judiciário não se efetivará, de fato, se não forem traçadas mudanças que englobem, concomitantemente, tanto a modernização da gestão do Poder Judiciário, por meio de ações que visem a agilizar e otimizar a prestação da tutela jurisdicional, como uma rápida e eficaz alteração das legislações infraconstitucionais, sobretudo os Códigos Processuais, sem as quais as normas constitucionais são serão passíveis de serem aplicadas, restando inoperantes. O mau funcionamento do Poder Judiciário traz o seu próprio descrédito perante os cidadãos, em especial àqueles que dele recorrem para fazer valer seus direitos lesados. Beneficiam-se desta inoperância aqueles que visam seus benefícios pessoais causando prejuízos aos outros, e que se valem

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    ASPECTOS RELEVANTES DA REFORMA DO JUDICIRIO(EC N 45/04)

    JANSEN AMADEU DO CARMO MADEIRAJuiz de Direito do Tribunal de Justia do Rio de Janeiro e Membro Titular da Revista Ibero Americana de Direito Pblico

    JOS MARIA PINHEIRO MADEIRAMestre em Direito do Estado e Doutor em Cincias Jurdicas e Sociais. Professor da Escola daMagistratura do Rio de Janeiro e da Universidade Estcio de S

    1. INTRODUO

    A to esperada reforma do Poder Judicirio, que tramitou no Congresso Nacional por mais deuma dcada, finalmente entrou em vigor este ano, trazendo a lume questes controvertidas que tmmerecido o estudo e a anlise de renomados juristas do nosso pas. Portanto, inobstante os diversos pareceres que tm sido emitidos acerca de uma anlise daEmenda Constitucional n 45/04, estes ainda no esgotaram o estudo de tema to complexo econtrovertido, estando em aberto para as vrias interpretaes que ainda esto por vir.

    A estrutura complexa do Poder Judicirio, que se compe das Justias Estadual, Federal,Eleitoral, Militar, do Trabalho, das instncias de 1 e de 2 grau e dos Tribunais Superiores, todasdotadas de peculiaridades e autonomias, somada a instrumentos de uma gesto anacrnica,pressupunham, desde h muito, a iminncia de uma reforma minuciosa, interligada e, sobretudo,inovadora, que traasse novos contornos ao perfil do Judicirio e trouxesse novos instrumentos que defato viabilizem a prtica desta reforma.

    No que alude importncia da reforma do Poder Judicirio, pode-se ressaltar ainda que o seusucesso est diretamente ligado ao crescimento econmico do pas e ao seu desenvolvimento como umtodo, pois que o investidor estrangeiro que aqui aporta suas filiais e seus recursos financeiros, tonecessrios para o pas, somente o faz quando vislumbram segurana jurdica e uma estrutura polticaequilibrada.

    Como se sabe, no possvel visualizar o crescimento de um pas sem uma legislao segurae bem estruturada. Neste sentido, pode-se j antever que a Reforma do Judicirio no encerra toda aquesto pendente, mas se inclina antes de tudo necessidade de mudanas factuais das legislaesinfraconstitucionais que hoje vigoram. Na verdade, referida reforma apenas inicia a srie de reformaslegislativas de que carecem o pas.

    Outra questo que merece ser trazida tona a de que a Constituio da Repblica foiintitulada de Constituio Cidad, o que pressupe o reconhecimento dos direitos de todos os cidadosperante o Estado, o que se d atravs da mquina administrativa. Com isso, o Estado se obriga agarantir ao cidado a prtica de seus direitos, em nome de um Estado Democrtico, e para tantonecessita da eficincia de seus rgos.

    Com efeito, a reforma do Judicirio no se efetivar, de fato, se no forem traadas mudanasque englobem, concomitantemente, tanto a modernizao da gesto do Poder Judicirio, por meio deaes que visem a agilizar e otimizar a prestao da tutela jurisdicional, como uma rpida e eficazalterao das legislaes infraconstitucionais, sobretudo os Cdigos Processuais, sem as quais asnormas constitucionais so sero passveis de serem aplicadas, restando inoperantes.

    O mau funcionamento do Poder Judicirio traz o seu prprio descrdito perante os cidados,em especial queles que dele recorrem para fazer valer seus direitos lesados. Beneficiam-se destainoperncia aqueles que visam seus benefcios pessoais causando prejuzos aos outros, e que se valem

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    das vrias brechas encontradas nas leis para arrastarem os processos judiciais por anos a fio, numverdadeiro ato de procrastinao, o qual merece ser abominado.

    Por isso, urge que a reforma do Judicirio traga novas tecnologias de informao aos rgosdeste Poder, desburocratizao da mquina administrativa, capacitao de pessoal e mtodos queviabilizem a celeridade processual, agora constitucionalmente assegurada.

    2. A CELERIDADE PROCESSUAL

    A reforma do Judicirio faz aluso, ainda que indiretamente, a dois princpios constitucionaisque vigoram e so aplicados ao referido Poder, o princpio do acesso jurisdio e o princpio dodevido processo legal.

    O princpio do devido processo legal, assim como outros tantos princpios elencados na LeiMaior que se estampam em instrumentos democrticos, como a liberdade, a igualdade e o direito aocontraditrio, compreende um conjunto de direitos e garantias a favor daqueles que integram oprocesso, se caracterizando assim como uma exaltao do Estado Democrtico de Direito nas relaesprocessuais.

    Quanto ao direito de acesso jurisdio, pode-se afirmar que este se constitui em um direitosubjetivo do cidado, constitucionalmente assegurado, que lhe garante a presteza da atividadejurisdicional quando este a ela recorre. E este direito jurisdio compreende a sua prestao eficiente,justa e clere, por meio da efetiva aplicao do direito.

    Com efeito, no s o acesso Justia est constitucionalmente garantido, mas os meios quetornem esse acesso seguramente eficaz. No que tange rapidez, celeridade, esta passou a integrar,com a Emenda n 45/04, o rol de garantias constitucionalmente asseguradas ao cidado, no que tange prestao jurisdicional.

    Foi acrescentado o inciso LXXVIII ao art. 5 da Constituio Federal, com a seguinte redao:

    Art. 5 [...]LXXXVIII a todos, no mbito judicial e administrativo, so assegurados arazovel durao do processo e os meios que garantam a celeridade de suatramitao.

    Uma das novidades trazidas pela reforma do Judicirio a imposio constitucional datramitao do processo em prazo razovel e a celeridade de sua tramitao. J em suas doutaspalavras, o jurista Rui Barbosa afirmava que justia tardia negao de justia.

    A grande quantidade de processos que se acumulam nos tribunais, somada carncia de umaestrutura eficaz, faz com que a justia venha sendo cada vez mais tardia, e, conforme o prescrito deRui Barbosa, veementemente negada aos cidados.

    A previso constitucional da celeridade processual formaliza apenas um antigo anseio hmuito buscado pela sociedade, que uma prestao jurisdicional digna, ainda longe de ser alcanado,pois que as prprias leis fornecem instrumentos legais que so aplicados para retardar o andamento daslides, os quais vm sendo utilizados de maneira aleatria e voltados satisfao de interesses pessoaisdaqueles que se beneficiam com a lentido judicial.

    Pressupe-se, com este novo ordenamento constitucional, a efetiva reconstituio da tutelajurisdicional, a qual dever se focar numa gesto humana e tecnicamente reestruturada com a criaode meios indispensveis rpida, mas no menos eficaz, prestao da tutela jurisdicional, descartando-se, com isso, toda e qualquer formalidade que se configure como suprflua contenda.

    A este propsito, pode-se afirmar que muitas so as formalidades que se inserem no trmite daprestao jurisdicional, as quais, em sua grande maioria, no trazem nenhuma contribuio efetiva aoprocesso, imprimindo-se como meros contratempos processuais, e que h muito j deveriam ter sidodescartados da prtica jurisdicional.

    Por outro lado, a expresso prazo razovel utilizada pelo legislador constituinte derivado euma interpretao para complement-la e adequ-la real possibilidade da agilidade processual, deacordo com as peculiaridades de cada regio, que a toda evidncia, variam expressivamente em

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    relao ao nmero de processos em trmite. Qual seria o prazo razovel? Numa viso realstica, estaresposta depender da causa em questo, bem como da comarca em que tramita, no se vislumbrandoum s prazo razovel para todas as contendas judiciais existentes nos tribunais brasileiros.

    Ademais, a fim de cumprirem este diploma constitucional imposto pela Emenda n 45/04, imperioso que os servidores do Poder Judicirio se valham do impulso de celeridade, os quais nosurtiro efeito se disassociados da realidade, sobretudo da atual composio processual vigente.

    A este respeito, deve-se trazer baila a questo de que o Estado, enquanto parte processual, a pessoa que mais se vale dos recursos processuais, o que implica numa visceral reflexo da prpriacultura recursal do pas, sem falar nos privilgios processuais a que faz jus, como por exemplo, o doprazo em dobro.

    Por outro lado, h que se atentar para a inviabilidade de suprimir recursos previstos na leiprocessual, aplicveis aos processos que esto merc do duplo grau de jurisdio. Destarte, no hcomo generalizar esta questo, eis que haver casos em que a celeridade processual poder tornarobscuro o direito ampla defesa, e quando esta defesa estiver atrelada a questes que envolvam aliberdade, por exemplo, a celeridade dever ceder lugar quela ampla defesa, ainda que no to clere.

    Desta forma, os princpios da celeridade e a durao do processo devem ser aplicadasconcomitantemente aos princpios da razoabilidade e da proporcionalidade, de modo que o trmite doprocesso no se estenda alm do razovel, nem tampouco se agilize a ponto de comprometer a plenadefesa e o contraditrio, trazendo prejuzos a uma das partes.

    Com efeito, as novas normas processuais que traro eficcia ao Texto da Emenda deveroestar de acordo com o princpio constitucional do devido processo legal, observando os limites darazoabilidade e da proporcionalidade.

    Contudo, no se deve abandonar o questionamento a respeito da morosidade que se instala nosprocessos judiciais, e que muito se deve aos numerosos recursos disponveis na lei processual. Asupresso de alguns destes recursos da competncia de instncias superiores, deixando as suasapreciaes para os juzes de primeira instncia, seria uma opo para agilizar o trmite de muitaslides.

    de se observar que o sucesso da Reforma se atrela, sobretudo, atuao do PoderLegislativo, eis que a este cabe a tarefa da criao e/ou modificao da legislao que se configurasuperada e que se contrape Reforma em tese. Ainda neste contexto, imperioso ressaltar a importncia da utilizao da conciliao e daarbitragem, pois que estas se imprimem numa forma mais gil de soluo de conflitos, evitando-se oseu ingresso no longo contencioso jurisdicional.

    3. TRADADOS E CONVENES INTERNACIONAIS

    Ainda no art. 5, foram acrescentados os pargrafos 3 e 4 ao inciso LXXVIII, que assimdispem, respectivamente:

    3 Os tratados e convenes internacionais sobre direitos humanos queforem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,por trs quintos dos votos dos respectivos membros, sero equivalentes semendas constitucionais

    4 O Brasil se submete jurisdio de Tribunal Penal Internacional acuja criao tenha manifestado adeso." (NR)

    O texto dos aludidos pargrafos traz tona as questes da recepo jurdica dos tratados econvenes internacionais sobre direitos humanos e da adeso do Brasil jurisdio de Tribunal PenalInternacional.

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    Com isso, resta acertado que doravante todas as regras acerca de direitos humanos tmeficcia imediata e ganham status de norma constitucional, bastando para tanto que sejam aprovadasem cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por trs quintos dos votos dos seus respectivosmembros.

    Desta forma, adquirem os tratados e convenes internacionais o mesmo quorum exigido paraa aprovao das Emendas Constitucionais, previsto no art. 60, pargrafo 2 da Carta Margna. Antes,porm, da entrada em vigor da Emenda n 45/04, estes tratados e convenes somente vigiam pormeio de Decreto Legislativo e tinham o status de leis ordinrias.

    A redao deste inciso pe termo a um antigo posicionamento do Supremo Tribunal Federalque reiteradamente afirmava que os acordos internacionais os quais o Brasil integrava adquiriam ostatus de normas infraconstitucionais, se equiparando s leis ordinrias, ao ingressarem noordenamento jurdico ento vigente.

    Merece ser ressaltada esta questo dos tratados e convenes sobre direitos humanos, poisque retira o Brasil de uma escala j superada pelos pases desenvolvidos, no mbito da comunidadeinternacional.

    De fato, faltava ao Brasil assumir uma postura internacional nos moldes de um EstadoDemocrtico, modelo este assumido na atual Carta do Pas. A nova norma vigente desestabiliza ocrculo de restries que envolviam o Brasil nas questes concernentes aos direitos humanos,capacitando-o, doravante, a assumir posturas mais ousadas e definidas e a se alinhar aos modelos dedemocracia das naes mais civilizadas, antes invivel.

    Deve-se ressaltar, inclusive, que foi a partir do processo de democratizao do pas, datado de1985, antes mesmo da promulgao da Constituio Federal de 1988, que o Brasil passou a assumiruma postura mais democrtica nas questes internacionais de direitos humanos, passando a ratificartratados que versavam sobre este assunto e ingressando, definitivamente, no rol dos pases queprotegem a dignidade humana.

    Observe-se que a Constituio Federal de 1988 se configura como um verdadeiro objeto detransio para a democratizao definitiva do pas, ou seja, foi a ponte que ligou o Brasil repressivo aoBrasil democrtico, e sobre a qual se jogou as sementes da igualdade, da justia e da dignidade dapessoa humana, que refletiram em todas as novas normas que passaram a reger o pas, sob pena de setornarem inconstitucionais.

    A supremacia do Direito Internacional sobre o Direito Interno, agora adotado no Brasil, j eraproclamada em Tratados Internacionais. A este propsito, cite-se a Conveno de Viena sobre oDireito dos Tratados, que reza que o Estado deve dar preferncia aos instrumentos internacionais emrelao s normas jurdicas internas, sob pena destas ltimas se tornarem inviveis.

    4. JURISDIO PENAL INTERNACIONAL

    Tambm acrescentado pela Emenda Constitucional n 45/04, o pargrafo 4 do art. 5estabelece a submisso do Brasil jurisdio do Tribunal Penal Internacional, desde que previamentemanifestado. Igualmente relevante a iniciativa do legislador constituinte derivado, ainda na inteno deadequar o pas s regras internacionais adotadas pelos pases desenvolvidos, este em especial comrelao aos crimes contra a humanidade, o que indiretamente tambm ressalva a questo dos direitoshumanos, definitivamente salvaguardado com a nova Emenda.

    O Tribunal Penal Internacional foi criado pelo Estatuto de Roma, cuja competnciacompreende o julgamento de crimes graves de mbito internacional, tais como o crime de genocdio,os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade, no substituindo, contudo, o sistema judicialinterno. Desta feita, a jurisdio do Tribunal Internacional meramente complementar dos Estados,no descaracterizando a obrigao destes.

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    5. RECUSA EXECUO DE LEI FEDERAL

    A parte final do inciso III do art. 36, cujo texto se segue, foi introduzido por meio da Emendan 45/04:

    Art. 36 [...]III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representao doProcurador-Geral da Repblica, na hiptese do art. 34, VII, e no caso derecusa execuo de lei federal.

    Trata-se de acrescentar competncia do Supremo Tribunal Federal, de representao doProcurador-Geral da Repblica, a hiptese de decretar a interveno no caso de recusa execuoda lei federal, antes atribuda ao Superior Tribunal de Justia.

    A introduo da parte final do texto deste inciso III ensejou a revogao do incisosubseqente, IV, por se tornar redundante.

    De fato, o legislador derivado suprimiu a competncia do Superior Tribunal de Justia dedecretar a interveno no caso de recusa execuo de lei federal, constante no revogado inciso IV,transferindo-a ao Supremo Tribunal Federal, mas valendo-se, ainda, de representao do Procurador-Geral da Repblica.

    6. CRIAO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIA E DO MINISTRIO PBLICO

    A competncia privativa do Senado Federal de processar e julgar os crimes deresponsabilidade se estende aos membros dos recm-criados Conselho de Nacional de Justia eConselho Nacional do Ministrio Pblico.6.1. Do Conselho Nacional de Justia

    O art. 92 da Constituio da Repblica, que dispe sobre os rgos do Poder Judicirio, sofreualterao com a Emenda Constitucional n 45/04, a qual introduziu o inciso I-A, criando o ConselhoNacional de Justia e incluindo-o como rgo deste Poder.

    A criao deste rgo se traduziu em um dos pontos mais polmicos da EmendaConstitucional em tese, enquanto em tramitao, tendo recebido o repdio de muitos membrosintegrantes do Poder Judicirio, pois que o denominavam at mesmo de mordaa do judicirio. A questo da criao do Conselho Nacional de Justia pressupe, de fato, muitas controvrsiasse levadas em considerao as opinies provenientes no apenas dos membros do prprio PoderJudicirio, mas tambm de toda a sociedade que interage com este Poder, como o cidado comum, queprotagoniza a maioria das aes em trmite. Desta feita, h quem concorde com um efetivo controledo Poder Judicirio, no obstante a autonomia de seus membros, desde que este controle contribuapara a construo de um Poder mais justo e eficiente. O art. 103-B estabelece que o Conselho Nacional de Justia compor-se- de quinze membros,com mais de trinta e cinco e menos e sessenta e seis anos de idade, com mandato de dois anos eadmitida uma reconduo. Os incisos I ao XIII do art. 103-B dispem sobre os membros do Conselho, e seu pargrafo 1estabelece que este ser presidido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Os pargrafos 2 e 3 trazem as regras da nomeao dos membros do Conselho, a qual se darpelo Presidente da Repblica, aps a aprovao da escolha pela maioria absoluta do Senado Federal,ou ainda pelo Supremo Tribunal Federal, se no efetivada no prazo legal pelo primeiro indicado. O pargrafo 4 elenca em seus incisos a competncia do Conselho, estatuindo em seu caput acompetncia do controle da atuao administrativa e financeira do Poder Judicirio, bem como doscumprimento dos deveres funcionais dos juzes, a quem cabe, alm de outras atribuies que lhe soconferidas pelo Estatuto da Magistratura:: zelar pela observncia do art. 37 da Constituio eapreciar, de ofcio ou mediante provocao, a legalidade dos atos administrativos praticados pormembros ou rgos do Poder Judicirio; receber e conhecer das reclamaes contra membros ou

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    rgos do Poder Judicirio, sem prejuzo da competncia disciplinar e correicional dos tribunais;representar ao Ministrio Pblico, no caso de crime contra a administrao pblica ou de abuso deautoridade; rever, de ofcio ou mediante provocao, os processos disciplinares de juzes e membrosde tribunais julgados h menos de um ano; elaborar semestralmente relatrio estatstico sobreprocessos e sentenas prolatadas, por unidade da Federao, nos diversos rgos do Poder Judicirio; eelaborar relatrio anual, propondo as providncias que julgar necessrias, sobre a situao do PoderJudicirio no Pas e as atividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente doSupremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasio da abertura da sessolegislativa. Merecem questionamento algumas regras estabelecidas nos pargrafos e incisos do aludidoart. 103-B.

    Primeiramente, o fato de a nomeao dos integrantes do Conselho ser de iniciativa doPresidente da Repblica, e mais, aps a aprovao da escolha pela maioria absoluta do SenadoFederal. Insurge-se que se trata de um rgo de controle do Poder Judicirio, o que se deduz que esteltimo dever subordinao quele, na medida em que passar a fiscaliz-lo. Observa-se a participaodos Poderes Executivo e Legislativo no controle do Poder Judicirio.

    Suscita-se sobre uma eventual violao da separao dos Poderes e do pacto federativo, o quetem sido questionado desde a promulgao desta norma constitucional.1 Da mesma forma, aincluso de dois cidados de notvel saber jurdico e reputao ilibada composio do ConselhoNacional de Justia gerou grande polmica acerca da sua constitucionalidade. Trata-se de submeter a soberania do Poder Judicirio, composto por cargos eminentementetcnicos e no polticos, ao controle de um rgo cuja composio comporta dois cidados que,inobstante os seus notveis conhecimentos e dignas reputaes, no integram nenhum dos Poderes daFederao. Contra o argumento de inconstitucionalidade pesa a justificativa de que o pargrafo nico doart. 1 da Constituio Federal estabelece que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio derepresentantes eleitos ou diretamente, e que os dois cidados que integram o Conselho so indicados,um pela Cmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal, sendo, portanto, escolhidos porrepresentantes eleitos pelo povo. Ainda assim, este dispositivo passvel de questionamento quanto sua constitucionalidade,pois ainda que se justifique que os dois cidados so escolhidos por aqueles tm garantiaconstitucional de representar o povo, estes ltimos integram o Poder Legislativo, caindo novamente naquesto da violao da separao dos Poderes, j suscitada. Outros j defendem este controle com a alegao de que no h poder absoluto no EstadoFederativo, a no ser aquele decorrente do povo.

    Dentre as atribuies previstas no art. 4 do art. 103-B da Constituio da Repblica, consta ade que o Conselho poder, de ofcio ou mediante provocao, desconstituir ou rever os atosadministrativos praticados por membros ou rgos do Poder Judicirio[...]. Ressalta-se que este dispositivo faz meno apenas aos atos administrativos e nojurisdicionais, tratando-se do controle de atuao meramente administrativa, assim previsto, eresguardada a competncia do Tribunal de Contas.

    No obstante, tambm os deveres funcionais dos juzes e dos membros dos Tribunais estosob o crivo da apreciao deste Conselho. Com base nesta norma, podero os membros do Conselhoavocar processos disciplinares em curso, passando a emitir parecer contrrio ou favorvel einfluenciando na deciso do processo, bem como rever os processos disciplinares instaurados contraaqueles, cujo julgamento tenha se dado h menos de um ano, pronunciando-se discricionariamentecontra ou a favor tais disciplinas em questo.

    1 A Associao dos Magistrados Brasileiros se manifestou contra este dispositivo, alegando que a composiohbrida do Conselho Nacional de Justia fere o art. 2 da Constituio Federal e viola o pacto federativo, hajavista a imposio de uma hierarquia administrativa, financeira, oramentria e disciplinar imposta ao PoderJudicirio (ADIn n 3367).

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    Alm do Conselho, h a previso da criao de Ouvidorias de Justia, a qual se dar pelaUnio e cuja competncia ser a de receber reclamaes e denncias contra membros ou rgos doPoder Judicirio.

    O reclamante poder registrar a ocorrncia tanto no Conselho quanto na Ouvidoria, sendoambas dotadas de competncia para receber reclamaes e denncias de qualquer interessado.

    Esta nova via de acesso aberta aos cidados, os quais passam a gozar de uma maiorflexibilidade para registrar um ato arbitrrio de um magistrado ou membro do Judicirio, os conduz auma maior reflexo quanto prtica de seus atos, pois que antes estas manifestaes obedeciam a umamaior burocratizao, com fulcro no art. 52, pargrafo 1, da Lei Orgnica da Magistratura Nacional.

    A competncia para processar e julgar, originariamente, as aes contra o Conselho Nacionalde Justia, bem como contra o Conselho Nacional do Ministrio Pblico pertence ao SupremoTribunal Federal, de acordo com previso Constitucional do art. 102, inciso I, r.

    Esta competncia atribuda a mais Alta Corte de Justia do pas se justifica pelo fato de que oConselho foi institudo num grau hierrquico acima do prprio Poder Judicirio, sobre o qual estepassa a ser controlado, e, por isso, justificada est a sua subordinao ao julgamento da SupremaCorte.

    O art. 52 da Lei Maior, em seu inciso II dispe sobre a competncia privativa do SenadoFederal para processar e julgar os membros do Conselho Nacional de Justia e do Conselho Nacionaldo Ministrio Pblico.

    6.2. Do Conselho Nacional do Ministrio Pblico O art. 130-A da Carta Maior dispe sobre a criao do Conselho Nacional do MinistrioPblico, que se compor de quatorze membros nomeados pelo Presidente da Repblica, aprovada aescolha pela maioria absoluta do Senado Federal, para exercer um mandato de dois anos, admitidauma reconduo. O inciso I estabelece que o Conselho ser presidido pelo Procurador-Geral da Repblica, e osincisos II ao VI e pargrafo 1 dispem sobre a escolha de seus membros. O pargrafo 2 elenca em seus incisos a competncia do Conselho Nacional do MinistrioPblico. O pargrafo 3 traz a regra sobre a escolha de um Corregedor nacional, a qual se dar por meiodos membros do Ministrio Pblico, dispondo ainda em seus incisos das suas atribuies. O pargrafo 4 traz a competncia do Presidente do Conselho Federal da Ordem dosAdvogados Brasil para oficiar junto ao Conselho e finalmente o pargrafo 5 dispe sobre a criaodas ouvidorias do Ministrio Pblico, novidades trazidas pela Emenda n 45/04. A criao dos Conselhos Nacional de Justia e do Ministrio Pblico traz de forma indita aoPoder Judicirio e ao Ministrio Pblico a criao de um efetivo controle externo de suas atividadesadministrativa e financeira, o que motivou reiteradas manifestaes contrrias, sobretudo dosmagistrados e dos promotores de justia, dada a autonomia de que sempre dispuseram, nunca antesquestionada. Limitar, em parte, um poder amplamente concedido gerou manifestaes de toda sorte einterpretaes que fugiam proposta do legislador derivado, designada como sendo to somente abusca pela transparncia no Poder Judicirio. A fim de que se instalasse a transparncia em relao s suas atividades administrativas efinanceiras, entendeu o legislador que era necessrio a criao de um rgo externo e neutro, daresultando na criao de tais Conselhos.

    7. A MAGISTRATURA APS A REFORMA DO JUDICIRIO

    O artigo 93 da Constituio Federal estabelece que lei complementar, de iniciativa doSupremo Tribunal Federal, dispor sobre o Estatuto da Magistratura, passando a elencar diversosdispositivos, nos incisos que o integram, os quais devero ser observados por aquele Estatuto.

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    Esta modificao traz a ampliao de algumas regras que devero ser observadas naelaborao do Estatuto da Magistratura, cujo escopo o de gerar maior produtividade e transparnciana prestao jurisdicional e na efetividade dos processos em trmite.

    O inciso I dispe sobre o ingresso na carreira da Magistratura, cujo cargo inicial ser o de juizsubstituto. Manteve o dispositivo constitucional as exigncias j constantes, como a realizao deconcurso pblico de provas e ttulos, a participao da Ordem dos Advogados do Brasil em todas asfases do concurso e a nomeao de acordo com a ordem de classificao, incluindo a exigncia deexigir do bacharel em direito, no mnimo, trs anos de atividade jurdica. Pode-se observar, de incio, que a aprovao no concurso d ao candidato apenas a expectativade nomeao, e no o seu direito de fato. A novidade deste inciso se finca na exigncia de provar aprtica da atividade jurdica pelo perodo mnimo de trs anos, alm da j existente exigncia degraduao no curso de Direito.

    Importa mencionar que o precitado lapso temporal, qual seja, 3 anos, assume o carter de regranacional, assim como as demais mudanas trazidas pela Emenda n 45/04, pois que estas mudanaspassaram a integrar o Texto Constitucional, inviabilizando que os Tribunais de Justia dos Estadosadotem regras especficas e diferentes.

    7.1. Atividade Jurdica

    A atividade jurdica a que faz aluso a nova Norma Constitucional, modificada com a EC n45/04, passa a integrar o rol de requisitos exigidos para o ingresso na carreira da Magistratura e doMinistrio Pblico, alm daqueles j existentes, dispostos nos artigos 93 e 129 da ConstituioFederal.

    Confere-se, a seguir, a redao dos mencionados artigos anteriormente EmendaConstitucional.

    Art. 93 [...]I ingresso na carreira, cujo cargo inicial ser o de juiz substituto, atravs deconcurso pblico de provas e ttulos se atrela obviamente a uma atividadeprofissional cujo alcance dever ser delimitado por lei, haja vista aabrangncia que esta pode abarcar.

    Desta feita, de imediato pode-se concluir que este requisito para o ingresso na carreira damagistratura no se constitui em norma auto-aplicvel, carecendo de regulamentao para que ocorra aplena eficcia pretendida pelo legislador. Entretanto, enquanto no houver lei que disponha expressamente sobre a abrangncia destaatividade jurdica, crescem as controvrsias sobre o assunto, sobretudo em relao dvida se estelapso de trs anos pode computar o perodo de estgio profissional exercido enquanto aluno do cursode Direito.

    Suscita-se, com o texto do inciso I do art. 93, se este lapso de tempo criado pela Emenda n45/04 objetivou criar um obstculo de cunho temporal ao candidato, acaso a prtica desta atividade spossa se iniciar aps a concluso da graduao, ou se esta poder ser exercida concomitantemente como curso de Direito, o que parece mais razovel em termos de exigncia do legislador. Quando o legislador se reporta frase: [...] exigindo-se do bacharel em Direito, no mnimo,trs anos de atividade jurdica [...] no remete a uma fiel interpretao se este bacharel em direito,candidato ao ingresso na carreira da magistratura, dever computar a estes trs anos de atividadejurdica apenas as atividades exercidas aps a concluso do bacharelado em Direito, ou se estecandidato, alm do lapso do bacharelado em Direito, dever ter mais trs anos, no mnimo, de prticajurdica. Alguns poucos juristas tm-se inclinado para a interpretao de que o legislador quis, de fato,estabelecer o prazo mnimo de trs anos entre o trmino do curso de Direito e o ingresso na carreira damagistratura, intencionalmente, objetivando proporcionar aos futuros juzes e promotores um perodomnimo o qual servir como experincia e amadurecimento profissional. Este novo ordenamento contrariaria o que vem ocorrendo na prtica atualmente, que umgrande nmero de candidatos recm-sados das universidades de Direito inscritos nos concursos damagistratura e do Ministrio Pblico, sendo muitos, inclusive, aprovados.

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    Com efeito, no raro os advogados se deparam, em audincias, com juzes de pouqussimaidade, fato este que chega a causar um certo desconforto em alguns causdicos que acumulam longosanos de profisso, j que os enxerga com os olhos da desconfiana no que tange consolidao desuas prticas jurdicas, embora esta questo no seja passvel de ser contestada.

    Na verdade, prtica e conhecimento so coisas distintas, no devendo se confundir, o que nosignifica que um juiz que tenha ingressado na carreira da magistratura logo aps a sada dauniversidade no desempenhe seu cargo com competncia, esta ltima desvinculada da experincia. O que se vislumbra, partindo-se desta interpretao, seria a possibilidade de desistncia dealguns candidatos para ingressarem na carreira da magistratura, que no interem de trs anos poderooptar por outro concurso ou mesmo pela advocacia, ocasionando numa evaso de candidatos nestacarreira. Levando-se em conta que poucos candidatos so aprovados, devido rigidez dos exames,menos o sero, com uma menor demanda de procura pelo cargo. Entretanto, a maioria dos juristas tem-se debruado para a outra linha de raciocnio, a qual nose ope que os trs anos de atividade jurdica de que dispe o inciso I do art. 93 no exclui o perodode experincia jurdica exercida concomitantemente com a universidade, ou qui antes desta. Outra questo que dever ser abordada pela norma regulamentadora a que traar osparmetros do que poder ser abrangido como atividade jurdica, pois que, alm da advocacia, ouseja, do exerccio profissional dos advogados militantes, os promotores, os procuradores do Estado, doMunicpio ou da Unio, o delegado de polcia estadual ou federal, os analistas judicirios, entre tantosoutros, tambm exercem atividade jurdica, e qualquer um desses poder se submeter a concurso parao ingresso na carreira da magistratura e, por certo, ter o direito de computar o tempo de servio nestasatividades dentro da exigncia dos trs anos de atividade jurdica.2

    7.2. Promoo por antiguidade e merecimento

    O inciso II trata da promoo de entrncia para entrncia, alternadamente, por antiguidade emerecimento.

    7.3. Obrigatoriedade de promoo

    A alnea a preceitua que aquele juiz que figurar por trs vezes consecutivas ou cincoalternadas em lista de merecimento ser obrigatoriamente promovido. No obstante, a promoo por merecimento s ser concedida ao juiz se atendida a exignciade dois anos de exerccio na respectiva entrncia, e se este integrar a primeira quinta parte da lista deantiguidade, salvo se no houver juiz com tais requisitos que aceite o lugar vago.

    7.4. Desempenho, Produtividade e Presteza

    A alnea c reza que a aferio do merecimento compatibilizada com o desempenho e com oscritrios objetivos de produtividade e presteza no exerccio da jurisdio, e pela freqncia eaproveitamento, nos cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeioamento. Incluem-se nestes cursosoficiais os cursos de especializao, mestrado e doutorado. Em razo desta regra, a fim de concorrer promoo por merecimento, dever o juiz cercar-secom as respectivas provas de produtividade exigida.

    2 Registre-se a existncia de decises provenientes do Superior Tribunal de Justia, as quais consideraram aprtica forense, antes exigida para o ingresso na carreira de magistratura, no apenas o exerccio da advocacia, ede cargos do Ministrio Pblico, Magistratura ou outro privativo de bacharel em direito, mas tambm asassessorias jurdicas as atividades desenvolvidas perante os Tribunais, os juzos de primeira instncia, como asdos funcionrios e at as atividades de estgio nas faculdades de direito, doadoras de experincia jurdica. Damesma forma, no conceito de exerccio de atividade jurdica tinha entendido estar compreendido o trabalho dequem fazia pesquisas jurdicas em bibliotecas, revistas, computador etc. (TAVARES, Andr Ramos, LENZA,Pedro, ALARCN, Pietro de Jess Lora. Reforma do Judicirio analisada e comentada. Editora Mtodo, 2005,p. 157)

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    A redao anterior Reforma falava em presteza e segurana, substitudas agora pelaprodutividade e presteza. O termo segurana foi substitudo pela produtividade, o que pressupe um rompimentodefinitivo com a famigerada fama do servidor pblico, que a de trabalhar pouco e de forma lenta. Por muito tempo, o funcionrio pblico tem sido sinnimo de uma prestao de servio compouca produtividade e presteza, no obstante a notoriedade da carncia em sua estrutura funcional ematerial, diferenciando-se do empregado particular, o qual a manuteno de seu emprego estdiretamente condicionada sua produo. Com efeito, a incluso do termo produtividade aos membros da magistratura denota uma novafase de prestao jurisdicional, capaz de atender s demandas cada vez maiores, e aos anseios dacoletividade, cada vez mais exigentes. Com a incluso do critrio de desempenho atrelado produtividade e presteza, faz-se misterque o magistrado dever comprovar, a partir da entrada em vigor da EC n 45/04, e a fim de fazer jus promoo por merecimento, a prtica de atos jurisdicionais que lhe so inerentes, tais como osdespachos, as decises interlocutrias e as sentenas, alm da realizao de audincias, quantitativa equalitativamente falando. No por acaso, o legislador constituinte derivado trouxe Emenda n 45/04 outrosinstrumentos de suma importncia para o sucesso da Emenda como um todo. Embora tenha trazido a imposio da produtividade e da presteza, reconheceu que estas nosero possveis com o grande acmulo de processos que tm enchido as mesas dos magistrados,multiplicando-se rapidamente. Em contrapartida, trouxe a regra embutida no inciso XIII, de que onmero de juzes na unidade jurisdicional ser proporcional efetiva demanda judicial e respectivapopulao

    Alm disso, registre-se que o legislador copiou os modelos que se aplicam nas grandesempresas privadas, que tm investido cada vez mais em seus empregados, como uma garantia de obterum maior retorno na produo e nos lucros. Criou, portanto, a obrigao da qualificao profissional,por meio de cursos de preparao e aperfeioamento, indispensveis, tambm, promoo.

    7.5. Voto fundamentado e ampla defesa

    A alnea d preceitua que o tribunal somente poder recusar o juiz mais antigo pelo votofundamentado de dois teros de seus membros, conforme procedimento prprio e assegurada aampla defesa, repetindo-se a votao at fixar-se a indicao.

    A mudana ficou por conta da exigncia de que o voto seja fundamentado, se compactuandocom o princpio constitucional que impe as decises fundamentadas, e da exigncia de que aomagistrado seja assegurada a ampla defesa, tambm se adequando a preceito j estabelecido na LeiMaior, em seu art. 5, inciso LV. Observao oportuna que acaso se d esta recusa promoo do juiz mais antigo, a votaodever ser repetida pelo respectivo Tribunal at que seja efetivada a indicao subseqente.7.6. A no promoo do juiz que reter os autos sem justificativa alm do prazo legal

    A alnea e, acrescentada pela EC n 45/04, traz a regra de que no ser promovido o juizque, injustificadamente, retiver os autos em seu poder alm do prazo legal, no podendo devolv-lo aocartrio sem o devido despacho ou deciso.

    A reteno dos autos alm do prazo legal pelo juiz implicar em critrio que inviabilizar asua promoo, alm de infringir preceito constitucional introduzido pela mesma EC n 45/04 no roldos direitos e garantias fundamentais, disposto no novo inciso LXXVIII.

    Por conseguinte, a infrao do referido preceito constitucional pelo juiz, consignar em faltagravssima e ensejar a manifestao do Tribunal em aplicar-lhe as penas cabveis. Os demais incisos do art. 93 trouxeram algumas mudanas substanciais carreira damagistratura, sendo a anlise de algumas destas normas relevante para este trabalho.

    7.7. Acesso aos Tribunais de 2 grau

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    A redao do inciso III do art. 93 a seguinte: o acesso aos tribunais de segundo grau far-se- por antiguidade e merecimento, alternadamente, apurados na ltima ou nica entrncia. O inciso III foi alterado pela EC n 45/04, tendo sito retirado da redao anterior o Tribunalde Alada. Em seu lugar, a nova norma utiliza a opo ou nica entrncia. Deve-se registrar que esta extino a nvel nacional, pois que anteriormente Emenda n45/04, alguns estados da Federao j haviam decretado a extino destes Tribunais, como o caso doEstado do Rio de Janeiro, que o fez em 1998, entre outros. Em decorrncia da extino dos Tribunais de Alada ocorre, conseqentemente, a absoro deseus juzes pelos respectivos Tribunais de Justia de cada Estado, fato este que desencadeou, emalguns deles, uma majorao expressiva no nmero de magistrados. A exemplo do exposto, informe-se que o Estado de So Paulo passou a acumular 385desembargadores, contra os 132 existentes antes da extino de seu Tribunal de Alada.

    Importa ressaltar que o tribunal de segundo grau a que faz aluso o texto da Emendacompreende os tanto os Tribunais de Justia quanto os Tribunais Federais.

    7.8. Cursos oficiais

    Outra novidade trazida pela EC n 45/04, introduzida no inciso IV da Carta Fundamental, dizrespeito obrigatoriedade da participao em curso oficial ou reconhecido por escola nacional deformao e aperfeioamento de magistrados, como etapa obrigatria do processo de vitaliciamento. Em face desta norma, o vitaliciamento s se dar se cumprido o requisito ali estipulado, ouseja, a Constituio Federal, atravs da citada Emenda, impe que se criem todos os meios necessriospara que o juiz no vitalcio se valha deste requisito, sob pena de descumprimento de normaconstitucional.

    7.9. Exceo para a exigncia de o juiz titular residir na comarca

    O inciso VII trouxe a possibilidade de exceo exigncia registrada no mesmo inciso dotexto anterior Reforma do Judicirio, a qual previa a obrigatoriedade de o juiz titular residir narespectiva comarca. Essa exceo ser possvel se houver a autorizao do Tribunal, de acordo com a redao doinciso: o juiz titular residir na respectiva comarca, salvo autorizao do tribunal. (grifo nosso). Fica claro que caber lei de organizao judiciria traar os parmetros para a emisso destaautorizao, estipulando se ela se aplicar genericamente ou em quais circunstncias.

    7.10. Remoo, disponibilidade e aposentadoria

    O inciso VIII, que trata da remoo, disponibilidade a aposentadoria do magistrado porinteresse pblico sofreu alterao com a Reforma do Judicirio, a qual substitui a exigncia do voto dedois teros, pela maioria absoluta do respectivo tribunal, ou do Conselho Nacional de Justia,tambm acrescentado com o texto da Emenda, mantendo-se o direito ampla defesa, j assegurado noTexto Constitucional. Esta norma teve o claro escopo de viabilizar os atos de remoo, disponibilidade eaposentadoria pretendida pelo Tribunal ou pelo Conselho Nacional de Justia, uma vez que, por meiodo quorum antes estipulado, nem sempre se formalizavam tais atos, por depender de nmero dosvotantes.

    A Emenda n 45/04 conferiu ao recm criado Conselho Nacional de Justia a competnciapara impor ao magistrado a remoo compulsria, a disponibilidade e a aposentadoriacompulsria, com subsdios e proventos proporcionais ao tempo de servio, o que se dar pelo votoda maioria absoluta de seus integrantes.

    Deve-se registrar que antes da referida Emenda, esta competncia punitiva era cabvel apenasao tribunal de origem do magistrado. Da mesma forma, alterou-se o nmero do quorum para este fim, passando de 2/3 para amaioria absoluta dos membros integrantes do rgo do qual provm a medida punitiva.

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    7.10.1. Disponibilidade

    Importante enunciar que a disponibilidade tanto pode ser aplicada em caso de punio comoem outra hiptese diversa de interesse pblico.

    No caso de a aplicao da disponibilidade com o efeito punitivo, os subsdios do magistradosero proporcionais ao tempo de servio. Se esta for aplicada com base em motivo diverso que no apunio, os subsdios no sofrem nenhuma alterao, mas se mantm integrais.

    Inaltervel tanto na disponibilidade punitiva quanto na de motivo diverso a vedao que seaplica concomitantemente a esta, constante no art. 96, inciso I, da Constituio da Repblica, na qualo magistrado em disponibilidade no poder exercer qualquer outro cargo ou funo, salvo uma demagistrio.

    7.10.2. Aposentadoria Compulsria por interesse pblico

    A determinao da aposentadoria compulsria, na mesma forma que a disponibilidadepunitiva, tambm se dar com os vencimentos proporcionais ao tempo de servio, em consonnciacom o disposto no art. 28 e 42, inciso V, ambos da Lei Complementar n 35/1979.

    7.11. Publicidade dos julgamentos

    O inciso IX preceitua que todos os julgamentos dos rgos do Poder Judicirio seropblicos, fundamentadas todas as decises, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presena, emdeterminados atos, s prprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais apreservao do direito intimidade do interessado no sigilo no prejudique o interesse pblico informao. O dispositivo deste inciso trouxe uma questo a ser analisada, que o claro confronto entredois direitos fundamentais, constitucionalmente assegurados, que so: o direito intimidade e o odireito informao pela coletividade. O primeiro se encontra previsto no inciso X do art. 5 da Carta Maior, que justamente o art.que elenca os direitos e garantias fundamentais, a seguir descrito:

    Art. 5 [...]X so inviolveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem daspessoas, assegurado o direito indenizao pelo material ou moraldecorrente de sua violao. (grifo nosso).

    A garantia constitucional do direito intimidade veio oportunamente coibir os abusos eexcessos cometidos no mundo contemporneo contra a intimidade das pessoas, que cada vez maisinvadida, seja real ou virtualmente. A Emenda n 45/04 estendeu esta garantia de inviolabilidade da intimidade s partesenvolvidas em uma lide, quando a alguma delas, ou a todas, interessar manter o sigilo dasinformaes, o qual dever ser protegido pelos juzes e tribunais, desde que este sigilo no prejudiqueo interesse pblico informao.

    Em face desta nova ordem constitucional, o direito informao se sobreps ao direito intimidade das partes. Entretanto, mister elucidar que a divulgao desta informao supe aexistncia de um interesse pblico, indispensvel para a vida em sociedade, nos moldes do regimepoltico adotado com a Constituio de 1988, de modo que a prpria intimidade poder ceder a estebem jurdico de maior relevncia. Desta forma, no h que se falar que o direito intimidade de outrem poder serarbitrariamente inviolado sem que haja uma um interesse maior que o justifique, qual seja, o interessepblico, devidamente justificado. A simples informao, por si s, no justifica a sua livre divulgaopelos juzes e tribunais. necessrio, pois, que esta informao seja verdadeira e til coletividade.

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    7.12. Decises motivadas e em Sesso Pblica

    O inciso X do art. 93 reza que as decises administrativas dos tribunais sero motivadas eem sesso pblica, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros. A Emenda n 45/04 introduziu a norma de que as decises administrativas dos tribunais nosero apenas motivadas, mas tambm realizadas em sesso pblica.

    Registre-se que a precitada Emenda enfatizou o princpio da publicidade em mais de umdispositivo constitucional, vislumbrando-se uma clara tendncia do legislador constituinte reformadorem imprimir os selos da informao e da publicidade nos atos processuais.

    7.13. Vagas para o rgo especial dividida entre antiguidade e eleio do Tribunal Pleno

    O inciso XI no trouxe mudanas substanciais em relao ao Texto anterior, mantendo aredao de que a constituio de rgo especial prevista para os Tribunais que contarem nmerosuperior a vinte e cinco julgadores, se dar com o mnimo de onze e o mximo de vinte e cincomembros, para o exerccio das atribuies administrativas e jurisdicionais delegadas da competnciado tribunal pleno, tendo acrescentado que a metade das vagas dever por providas por antiguidade e aoutra metade por eleio do tribunal pleno.

    7.14. Fim das Frias Coletivas

    O inciso XII foi acrescentado pela Emenda Constitucional n 45/04, conceituando que aatividade jurisdicional ser ininterrupa, sendo vedado frias coletivas nos juzos e tribunais desegundo grau, funcionando, nos dias em que no houver expediente forense normal, juzes em plantopermanente. O uso da expresso ininterrupa adicionada atividade jurisdicional pressupe a existnciade uma atividade contnua, constante, 24 horas por dia, sete dias por semana. Dita ainda o texto da Emenda que os dias em que no houver expediente forense normal,dever haver um juiz de planto permanente, de forma que seja mantida a atividade jurisdicional deforma ininterrupa. Importa salientar que a ininterrupo da atividade jurisdicional no se atrela unicamente presena do juiz, como tambm faz supor que demais servidores do rgo judicirio, ainda que apenasos essenciais para que se formalizem as atividades, estejam presentes.

    Portanto, primeira vista a interpretao do texto do inciso XII do art. 93 remete a umentendimento de que a ininterrupo da atividade jurisdicional ensejar outras mudanas e ajustes paraque se constate a sua efetividade.

    Outra questo pertinente ao tema que merece ser trazida anlise a que alude contagem deprazo. Se a inteno do legislador constituinte reformador, ao se valer da expresso atividadejurisdicional ininterrupta, foi, de fato, trazer a permanncia desta atividade, para todos os efeitos,sem dvidas, h que se rever todas as leis infraconstitucionais que norteiam os prazos processuais,sobretudo o Cdigo de Processo Civil. Entretanto, outra pode ter sido a inteno do legislador derivado ao redigir o inciso XII do art.93, de sorte que a expresso atividade jurisdicional ininterrupa no alcance uma dimenso to ampla aponto de determinar que o Judicirio, com todos os seus servios de apoio, no cesse em hiptesenenhuma.

    Neste caso, o termo ininterrupto guardaria relao to somente com o perodo antesdesignado para as frias forenses, que no mais subsistem, mantendo-se o planto permanente nos diasem que no houver expediente forense normal, entendendo-se como estes os feriados e finais desemana, interpretao esta que se nos parece mais coerente e alinhada realidade. Ante a incerteza da real inteno do legislador constituinte derivado em trazer a ininterrupoda atividade jurisdicional, imprime-se a questo de que pelo menos no restou dvidas quanto extino das frias coletivas, que compreendiam o perodo de 2 a 31 de janeiro e de 2 a 31 de julho.

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    Da mesma forma, toda a legislao infraconstitucional que estabelecia prazo processuallevando em considerao o perodo de recesso, ou seja, as tais frias coletivas, encontram-serevogados, devendo ser substitudas por legislao compatvel com a nova ordem constitucional.

    Vale ressaltar que no mbito das Justias Estaduais, em alguns Estados, o recesso judicirioexistia no apenas perante os Tribunais de Justia, como tambm nos juzes monocrticos, ou de 1grau.

    J na Justia Federal tal recesso, de janeiro de julho, era apenas aplicado aos TribunaisRegionais e aos Tribunais Superiores, incluindo o Superior Tribunal Federal STF. Os juzes federaismonocrticos, ao contrrio, nunca adotaram tal recesso integralmente, mas to somente no perodo de20 de dezembro do ano findo, at 6 de janeiro do ano seguinte, perodo este considerado feriado pelaLei n 5.010/66, e usada como referncia para aquela classe.

    7.15. Nmero de Juzes proporcional populao

    Em seu art. 93, inciso XIII, acrescentou que o nmero de juzes na unidade jurisdicional serproporcional efetiva demanda judicial e respectiva populao. Intencionou o legislador, com isso, criar um maior contingente de magistrados nas comarcasmais populosas e com um maior nmero de processos em trmite.

    Da mesma forma, esta norma prev a majorao do nmero de juzes em determinadasComarcas que, devido a algum fator que tenha contribudo para os seus crescimentos, teve comoconseqncia um aumento no nmero de processos judiciais.

    Insta registrar a existncia de norma legal infraconstitucional que j trazia a previso damajorao do nmero de membros do Tribunal, se o total de processos distribudos e julgados duranteo ano anterior superasse o ndice de trezentos feitos por juiz. Trata-se da Lei Complementar n 35/79,art. 106, pargrafo 1. Ocorre que na prtica no se vislumbra a ocorrncia de tais mudanas aps a edio desta lei,ainda que se tenha constatado o aumento expressivo do nmero de processos em inmeros Tribunaisdo pas. Resta saber se a edio da Emenda Constitucional n 45/04, que aborda a questo daproporcionalidade do nmero de juzes demanda judicial e populao, trar sorte diferente questo, e, ainda, se sero incrementadas as aes que viabilizem este processo, com a inadivelreforma do aparelho jurisdicional, j que esta pressupe mudanas estruturais na maioria dos seussegmentos. Ainda dentro do enfoque das mudanas estruturais, importa salientar a imprescindibilidade deum maior nmero de juzes para atender s demandas que se insurgem.

    Insurge-se, ainda, o fato de que o sucesso deste dispositivo est atrelado a um constantelevantamento estatstico, j que as questes ensejadoras aplicao do aludido dispositivoconstitucional no so estticas, mas ao contrrio, podem se alterar de tempo em tempo, com oaumento da populao e das demandas judiciais. 7.16. Distribuio imediata dos processos

    O ltimo inciso do art. 93, o inciso XV, estabelece que a distribuio de processos serimediata em todos os graus de jurisdio. clara a inteno do legislador constituinte reformador ao costurar os artigos da EmendaConstitucional n 45/04, pois evidenciou a inteno de promover o amplo acesso jurisdio,relacionando, inclusive, uns artigos aos outros. O texto abordado no inciso XV se traduz no escopo de evitar o represamento de processos erecursos no Setor de Distribuio dos Fruns e Tribunais, o que antes ocorria de praxe. Relaciona-se aele o inciso LXXVIII, do art. 5, o qual traz a previso da celeridade processual, tambm comredao dada pela Emenda Constitucional n 45/04.

    Nestes termos, o represamento de processos e de recursos nos setores de distribuio secaracterizaria em uma contradio ao novo iderio da Justia traado pela Reforma do Judicirio, que a sua rpida e eficaz prestao.

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    7.17. Vedaes acrescentadas pela EC n 45/04 aplicadas aos juzes

    O pargrafo nico do artigo 95 da Constituio Federal trata das vedaes que se aplicamaos juzes. Ressalta-se que tais vedaes trazem a conseqente ampliao da garantia deimparcialidade dos rgos jurisdicionais. Por fora da Emenda Constitucional n 45/04 foram acrescentados mais dois incisos a esteartigo, quais sejam, os incisos IV e V. O inciso IV como uma extenso do inciso II, pois que esteestabelece a vedao de receber, a qualquer ttulo ou pretexto, custas ou participao em processo,ao passo que aquele assim reza: receber, a qualquer ttulo ou pretexto, auxlios ou contribuies depessoas fsicas, entidades pblicas ou privadas, ressalvadas as excees previstas em lei.

    Em razo da repetio da parte inicial dos aludidos incisos, melhor seria se o legisladorapenas alterasse a redao do inciso II, acrescentado ao final de seu texto a vedao descrita do incisoIV. O mesmo ocorre com relao aos incisos I e V. O inciso I dispe sobre a vedao dos juzesem: exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou funo, salvo uma de magistrio; aopasso que o inciso V traz a vedao de exercer a advocacia no juzo ou tribunal do qual se afastou,antes de decorridos trs anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exonerao. Poderia o legislador constituinte derivado alterar o inciso I, trazendo a seu texto a vedaodescrita no inciso V.

    Com o acrscimo dos incisos IV e V foi o legislador repetitivo em seu texto final,caracterizando-se uma impropriedade legislativa.

    No tocante ao teor dos novos incisos, insurge-se que o inciso IV estendeu a vedao dereceber custas ou participao em processos a eventuais auxlios ou contribuies de pessoas fsicas,entidades pblicas ou privadas, ressalvadas as excees previstas em lei.

    Ainda que as expresses auxlio e contribuio meream uma melhor delineao a sertraada por legislao infraconstitucional, numa primeira interpretao tem-se a impresso de que olegislador reformador quedou-se em ratificar o princpio da moralidade administrativa, j previsto noart. 37 do Texto Fundamental, pois que a receptao de auxlios ou contribuies por parte dos juzes,advindos de pessoas fsicas, entidades pblicas ou privadas, poderia levar ao questionamento da lisurade suas condutas.

    J o inciso V trouxe uma novidade ao Texto Constitucional, ao impor um lapso temporal detrs anos para que o juiz, aposentado ou exonerado, venha a exercer a advocacia no juzo ou tribunaldo qual se afastou. a denominada quarentena. Esta medida tem a clara inteno de inviabilizar que o magistrado venha a atuar comoprocurador de uma das partes em processos os quais tenha atuado enquanto no exerccio damagistratura, e que em razo disto tenha pleno conhecimento das razes e das contra-razes alialegadas, bem como de todo andamento do feito, o que poderia trazer benefcios a este e a conseqenteviolao do princpio da impessoalidade.

    Entretanto, o prazo de trs anos no o exime de vir a atuar em processos os quais tenhaconduzido como Juiz, visto que no raro este prazo no suficiente para esgotar o trmite judicial deuma lide, sobretudo se as partes recorrerem aos Tribunais Superiores.

    Importa trazer a ressalva de que este dispositivo constitucional se aplica, igualmente, a todosos magistrados, tanto aos que vo se aposentar aps a Emenda como queles que j se encontravamaposentados aps a sua edio, posto que, conforme tem sido o entendimento reiterado do STF, no hdireito adquirido a regime jurdico.

    Entretanto, certo que muitos magistrados j aposentados tentaro se valer da alegao defazer jus ao direito adquirido contra a Emenda, sobretudo por se tratar de norma oriunda de PoderConstituinte Derivado. Suscita-se que esta questo ser de controvrsias jurdicas na prtica. Da mesma forma, pode-se prever que esta vedao veja a ter efeito apenas formal, por sercomum que pessoas impedidas de advogar o fazem, com muito freqncia, por meio da assinatura deoutro advogado.

    Esta vedao para que o magistrado s exera a advocacia aps o perodo de trs anos dequarentena no se aplica se este advogar imediatamente fora do juzo ou tribunal do qual se afastou,posto que tal vedao objetiva evitar a interferncia do ex-magistrado perante seus ex-colegas de

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    magistratura e os ex-servidores com quem esta tenha trabalhado. Esta convico se firma na tese deque norma que restringe direitos h de ser aplicada de modo restritivo.

    8. DESTINAO EXCLUSIVA DAS CUSTAS E EMOLUMENTOS

    O art. 98 da Constituio da Repblica teve a incluso do pargrafo 2 por meio da EmendaConstitucional n 45/04, trazendo uma das mais oportunas mudanas ao Poder Judicirio. Segue-se oseu texto:

    Art. 98 [...]Pargrafo 2 - As custas e emolumentos sero destinados exclusivamente aocusteio dos servios afetos s atividades especficas da Justia.

    Este artigo se traduz na autonomia financeira do Poder Judicirio, o qual passar a arrecadar,administrar e fiscalizar os seus recursos. Esta medida poder contribuir sobremaneira para areestruturao do Poder Judicirio, uma vez que a destinao das verbas no depender do crivo deoutro Poder diverso deste.

    9. CRIAO DE RGO ESPECIAL

    O inciso XI do artigo 93 traz a previso da criao de rgo Especial nos Tribunais com nmerosuperior a vinte e cinco julgadores:

    Art. 93[...]XI nos tribunais com nmero superior a vinte e cinco julgadores, poder serconstitudo rgo especial, com o mnimo de onze e o mximo de vinte ecinco membros, para o exerccio das atribuies administrativas ejurisdicionais delegadas da competncia do tribunal pleno, provendo-semetade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleio pelo tribunalpleno.

    Assim como em outros dispositivos trazidos pela Emenda Constitucional n 45/04, tambmneste dispositivo, fica clara a inteno do Legislador Reformador de democratizar o Poder Judicirio,em razo da novidade da eleio da metade dos membros do rgo especial pelo tribunal pleno, naqual todos os desembargadores no includos no requisito antiguidade podero ser candidatos.Tambm, as atribuies administrativas e jurisdicionais deste Tribunal sero delegadas dacompetncia do Tribunal Pleno. Antes mesmo da vigncia desta Emenda, pode-se observar que a composio do rgoespecial era de demasiada importncia nos tribunais, sendo sede de deliberao das mais importantesdecises daquela Casa, tais como as promoes e as punies dos magistrados.

    Entretanto, com o inevitvel aumento no nmero dos membros dos tribunais, onde algunspassaram a ser compostos de at cinqenta ou mais desembargadores, aqueles que no compunham orgo pleno, pouco participavam das decises relevantes do rgo ao qual integravam.

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    Portanto, em razo da impreciso da norma quanto distribuio de competncia, na prtica,aps a vigncia da Emenda em tese, pouco tem operado os novos rgos especiais, pois que a suaoperao depende de deliberao dos tribunais plenos.

    Para a plena eficcia da criao dos rgos especiais, necessrio se faz que os rgos plenosestipulem as suas competncias originrias e aquelas as quais pretendem delegar aos rgos especiaispor meio de seus regimentos internos. Ou seja, a operao do rgo especial depende de resoluo dorgo mximo dos tribunais, qual seja, o rgo pleno, sem a qual aquele ficar inoperante. Da resulta a inteno de democratizao do legislador derivado, posto que incumbe ao rgomximo dos Tribunais a delegao de competncia ao novo rgo especial, para que este exera acompetncia originria daquele.

    10. CRIAO DE OUVIDORIAS

    O artigo 103, em seu novo pargrafo 7, dispe sobre a criao de ouvidorias, a seremcriadas pela Unio, inclusive no Distrito Federal e em seus Territrios, destinadas a receberreclamaes e denncias de qualquer interessado contra os membros ou rgos do Poder Judicirio, oucontra os seus servidores auxiliares, e representando diretamente ao Conselho Nacional de Justia.

    Da mesma forma, o artigo 130-A, em seu pargrafo 5, estabelece que leis da Unio e dosEstados criaro, respectivamente, ouvidorias do Ministrio Pbico Estadual e Federal, criadas com omesmo objetivo de receber reclamaes e denncias de qualquer interessado contra seus membros,rgos e auxiliares, representando diretamente no Conselho Nacional do Ministrio Pblico. Mais uma vez o legislador mostrou sua veemente inteno de consagrar a transparncia noPode Judicirio, pondo a disposio da sociedade, alm da j existente Corregedoria (para os juzes de1 grau), estes novos rgos de acesso irrestrito a todos os interessados que necessitarem demanifestar, por meio de reclamaes ou denncias, contra o Poder Judicirio e o Ministrio Pblico.

    Importa aduzir que as ouvidorias a serem institudas para o Ministrio Pblico so inditas noque concerne a um controle das condutas de seus membros, que, embora de insofismvel relevnciapara o Poder Judicirio, no deve ter autonomia absoluta quanto a seus atos, em razo do prpriosistema constitucional de freios e contra pesos vigente no pas.

    11. CRIAO DA JUSTIA ITINERANTE

    O art. 107 da Constituio Federal, o qual dispe sobre a composio dos Tribunais RegionaisFederais, sofreu alterao com a adio dos pargrafos 2 e 3 por meio da Emenda Constitucional n45/04.

    O pargrafo 2 traz a novidade da Justia Itinerante, conceituando que os TribunaisRegionais Federais instalaro a Justia Itinerante com a realizao de audincias e demais funes daatividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdio, servindo-se de equipamentospblicos e comunitrios.

    A previso deste dispositivo traz a lume o cumprimento do princpio de acesso ordemjurdica justa, por meio da criao da Justia Itinerante, bem como da sua descentralizao da justia,conforme se depreendo do dispositivo que cria a autonomia funcional, administrativa e financeira daDefensoria Pblica Estadual, o qual ser oportunamente analisado. Cumpre registrar que a aludida Emenda criou a Justia Itinerante no apenas no mbito dosTribunais Regionais Federais, constante no art. 107, pargrafo 2, mas tambm nos Tribunais deJustia dos Estados (art. 125, pargrafo 7), e nos Tribunais Regionais do Trabalho (art. 115,pargrafo 1), todos da Constituio Federal. Portanto, de se ressaltar que a previso da criao da Justia Itinerante abarcou a dualidadedas estruturas judicirias, compreendendo os mbitos da Justia Estadual e Justia Federal. Nestecontexto, foram contempladas com esta criao tanto a Justia Estadual, ordinria, compreendida pelosTribunais de Justia dos Estados; quanto a segunda, Justia Federal, especial, a qual foi agraciada pormeio dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais Regionais do Trabalho.

    A criao da justia itinerante mais uma verso da nova feio do Judicirio, traado pelaEmenda Constitucional n 45/04, que tem como meta principal viabilizar o direito de todo cidado do

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    acesso Justia, direito esse j respaldado na Lei Fundamental, em seu art. 5, inciso XXXV, quetraa o princpio da inafastabillidade da tutela jurisdicional:

    Art. 5 [...]XXXV a lei no excluir da apreciao do Poder Judicirio leso ouameaa a direito.

    Nestes temos, com fulcro neste novo ordenamento legal constitucional, as pequenas comarcasdo interior faro jus ao atendimento de uma Justia Itinerante nos mbitos da Justia ordinria, nosprocessos de primeiro grau; dos Tribunais, na fase recursal dos processos, e da Justia do Trabalho,nas lides desta natureza.

    O pargrafo 2 do art. 107, portanto, um dos novos aliados ao inciso XXXI do art. 5, poisprev uma ampliao do acesso Justia de forma inovadora, fazendo-a chegar queles menosfavorecidos que residem nas comarcas do interior dos Estados, que devido a problemas financeiros e dificuldade de se removerem de suas cidades, muito raramente fariam uso do direitoconstitucionalmente assegurado do acesso ao Poder Judicirio, tanto de primeiro quanto de segundograu. A Emenda em tese viabiliza, porm, levar o Judicirio ao cidado que no dispe de recursospara busc-lo, ainda que dele precise.

    12. CRIAO DAS CMARAS REGIONAIS

    Os mesmos artigos mencionados do item anterior, o qual alude criao da JustiaItinerante, arts 107, 115 e 125, abarcam em seus textos a criao de Cmaras Regionais. Inovou tambm o legislador constituinte derivado ao dispor na EC n 45/04 sobre a criao dasCmaras Regionais, valendo-se do mesmo iderio aplicado na previso da criao da JustiaItinerante, qual seja, a aproximao do cidado Justia, tanto de 1 quanto de 2 grau.

    O art. 107, que trata dos Tribunais Regionais Federais, traz a matria em seu pargrafo 3,que assim dispe: os Tribunais Regionais Federais podero funcionar descentralizadamente,constituindo Cmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado Justia em todasas fases do processo. A criao destas Cmaras a que se refere o art. 107, pargrafo 3, em especial,pressupe uma descentralizao dos Tribunais e a aproximao da prestao jurisdicional em todas asfases do processo. Esta iniciativa ser de grande valia, sobretudo, aos jurisdicionados das cidades dointerior dos Estados, cujo acesso Justia de Segundo Grau se tornar formalmente vivel. Da mesma forma, esta iniciativa tambm encerra o acatamento ao princpio constitucional dainafastabilidade da tutela jurisdicional, por viabilizar o exerccio ao direito pleno de recurso. O art. 115, por seu turno, o qual elenca a composio dos Tribunais Regionais do Trabalho,sofreu o acrscimo do pargrafo 2, que passou a prever a sua descentralizao, por meio da criaode Cmaras regionais. Segue-se o texto do mencionado pargrafo.

    Art. 115 [...]Pargrafo 2 - Os Tribunais Regionais do Trabalho podero funcionardescentralizadamente, constituindo Cmaras regionais, a fim deassegurar o pleno acesso do jurisdicionado justia em todas as fases doprocesso. (grifos nossos)

    Por fim, o art. 125, que imprime a organizao dos Tribunais e Juzes dos Estados, tambmfoi alterado com a incluso dos artigos 6 na disposio da descentralizao do Tribunal de Justia,que poder constituir Cmaras regionais:

    Art. 125 [...]

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    Pargrafo 6 - O Tribunal de Justia poder funcionardescentralizadamente, constituindo Cmaras regionais, a fim deassegurar o pleno acesso do jurisdicionado justia em todas as fases doprocesso. (grifos nossos).

    13. CRIAO DAS VARAS AGRRIAS

    Alm da criao das supracitadas Justia Itinerante e Cmaras regionais, a EmendaConstitucional n 45/04 acrescentou Carta Constitucional o art. 126, cujo texto se segue:

    Art. 126 Para dirimir conflitos fundirios, o Tribunal de Justia propor acriao de varas especializadas, com competncia exclusiva para questesagrrias. (grifos nossos).

    O antigo texto do art. 126 j previa a designao, pelo Tribunal de Justia, de juzes deentrncia especial, com competncia exclusiva para questes agrrias que se destinassem a dirimirconflitos fundirios. No se sabe, ao certo, se esta previso foi efetivamente concluda em todos osTribunais que acolhiam lides concernentes a conflitos agrrios.

    A alterao deste artigo pela EC n 45/04, entretanto, deu maior nfase s questes agrriasque h muito se arrastam, em especial com a crescente atuao dos membros do Movimento dos SemTerra MST, que se noticia com freqncia nos jornais e TV. Pode-se registrar que a atuao desteMovimento parece ter ganhado maior proporo sobretudo com o incio do Governo Luis Incio Lulada Silva, filiado ao Partido Trabalhista, mesmo partido que acolhe os lderes deste Movimento. Agora, com a nova Emenda, a competncia para estas questes poder ser designada pelosTribunais de Justia para as varas especializadas em questes agrrias.

    Portanto, caber aos Tribunais de Justia dinamizar a instalao das respectivas varasespecializadas, a fim de se formalizar a competncia ora criada pela Emenda Constitucional n 45/04,denominada de Reforma do Judicirio.

    A iniciativa do Legislador Constituinte Derivado se traduz na tentativa de conciliao dascrises sociais geradas pelos conflitos agrrios, que tm acontecido em nmero cada vez maiores. Apartir destes conflitos agrrios pode-se noticiar o surgimento de diversas lides que so levadas apreciao do Judicirio. Dentre essas lides, destacam-se as numerosas aes de reintegrao de possemovidas pelos proprietrios que tiveram suas propriedades invadidas e que se acumulam nos Tribunaisde todo o pas.

    Apenas para ilustrar esta assertiva, pode-se mencionar que os conflitos agrrios trazem em sia presuno de crises pr-existentes e fazem meno a institutos que foram contempladas na Carta de1988, como ideologia de um Estado Democrtico de Direito, tais como: trabalho, moradia, reformaagrria, funo social da propriedade, preservao do meio ambiente, dignidade da pessoa humana etc. de se observar que as questes agrrias envolvem problemas tanto da esfera econmicacomo social, os quais requerem uma ao conjunta dos trs Poderes do Estado. Neste sentido,constata-se at mesmo a importncia de ressalvar que a Emenda Constitucional n 45/04 no se traduzem uma frmula mgica a qual, subitamente, solucionar problemas que se arrastam h dcadas emnosso pas, e que se solidificaram com o passar do tempo e com a falta de medidas consistentes que selhes aplicassem.

    Em virtude da proporo que atinge a crise nas questes agrrias, bem como nos segmentosque esta atinge, direta ou indiretamente, mister se faz uma anlise mais minuciosa sobre este tpico.

    13.1. As questes agrrias e a EC n 45/04

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    No de hoje que as questes agrrias chamam a ateno dos membros dos Poderes doEstado. Por isso, esse tema tem sido alvo de inmeras discusses no s no meio pblico como entreaqueles que, direta ou indiretamente, tm sido prejudicados com a incerteza que tem norteado estaquesto. Os protagonistas deste conflito vo desde o Governo aos proprietrios de terras, lderes demovimentos sindicais, ambientalistas etc., todos estes envolvidos nesta questo e na busca de umaintermediao destes conflitos, que atualmente atinge uma escala nacional. Imbudo do compromisso de selar uma sociedade mais justa, o Legislador ConstituinteOriginrio j demonstrava o interesse em dirimir tais conflitos de ordem agrria, trazendo o tema Constituio Federal de 1988, em seu artigo 126: para dirimir conflitos fundirios, o Tribunal deJustia designar juzes de entrncia espacial, com competncia exclusiva para questes agrria.(grifos nossos).

    A efetivao deste artigo esbarrava em problemas de ordem prtica, dada a j conhecidainsuficincia de juzes em nossos Tribunais, e o acmulo de processos que estes tm de arcar,sobretudo quando se trata de entrncia especial, de onde o texto do artigo determinava a designao dejuzes com o fito de solucionar as questes agrrias, que em geral ocorrem em comarcas menores,distante da Capital.

    Outro problema de ordem prtica seria a tal designao dos juzes de entrncia especial preaestas comarcas mais distantes, que protagonizam as crises agrrias, haja vista que no curso da carreirada Magistratura, os juzes so designados para as pequenas comarcas antes de alcanarem a Comarcada Capital, e o deslocamento destes juzes de volta a Comarcas do interior se traduziria num retrocesso carreira do magistrado. Contudo, evoluiu o Constituinte Reformador, que no texto da Emenda Constitucional n 45/04,trouxe a previso da criao de varas especializadas, com competncia exclusiva para questesagrrias.

    Ainda que esta tenha sido uma iniciativa louvvel do legislador, suscita-se se a criao destasvaras, por si ss, bastaro como medida para a soluo de questo de cunho eminentemente social, eque parece requer vrias aes conjuntas. Com efeito, entende-se que a soluo para as questes agrrias que h muito protagonizam oscenrios brasileiros s sero sanadas com a adoo de um rol de medidas que conjuntamente visem asanar tais pendncias. Entre estas medidas, destaca-se, preliminarmente, a observncia funo socialda propriedade.

    13.2. A Competncia das Varas Agrrias

    O art. 126 da Constituio da Repblica, com a nova redao dada pela EmendaConstitucional n 45/04, se reporta criao de varas agrrias, de cuja proposta partir dos Tribunaisde Justia. Com isso, costura a competncia para a criao destas varas Justia Estadual.

    Com efeito, foi claro o legislador reformador em limitar a criao desta justia especializada competncia estadual, excluindo, desde j, a competncia da Unio para este fim. Desta forma, aquelesconflitos que envolvam questes agrrias no mbito da Unio no sero agraciados com essa justiaespecializada.

    Importa acrescentar que no se incluem neste rol de competncia das varas agrrias osconflitos em que a Unio, bem como um de seus rgos, figura como parte, tais como aquelesatinentes reforma agrria, cuja competncia exclusivamente da Justia Federal, ou as aes queversam sobre desapropriao, cuja competncia constitucionalmente assegurada Unio (art. 22,incisos I e II e 184, pargrafo 2).

    Esta competncia j foi ratificada por diversas jurisprudncias do Superior Tribunal deJustia, tais como as que se seguem:

    Ementa: Conflito de competncia. Ao possessria. Interesse de autarquiafederal. Compete ao juzo federal decidir sobre o interesse manifestado porautarquia federal, no sentido de figurar como assistente de uma das partes emlitgio. Acrdo: Por unanimidade, conhecer do conflito e declarar competente

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    o juzo federal em Tocantins-TO. (CC 2311/GO, rel. Min. Dias Trindade, j.26.08.1992, DJU 21/09/1992, p. 15.648, RSTJ 80/445).

    Ementa: Competncia. Execuo Fiscal. Incra. Sendo o Incra parte darelao processual, a competncia da Justia Federal, nos termos do art. 109,I, da CF, tratando-se de competncia absoluta, em razo da pessoa, correta adeciso do ilustre suscitado que declinou de ofcio de sua competncia.Acrdo: Por unanimidade, pela competncia do juiz federal da 15 Vara-SP,suscitante. (CC 1216/SP, rel. Min. Garcia Vieira ).

    Cumpre registrar que as causas de competncia da Justia Estadual podero ser designadaspara as varas agrrias estaduais. J nas causas em que a Unio, ou um de seus rgos, figurar comoparte interessada no sero passveis de serem remetidas para as futuras varas agrrias, sob pena degerar um conflito de competncia.

    14. DEFENSORIAS PBLICAS ESTADUAIS

    Ainda dentro do iderio que norteia a Reforma do Judicirio, qual seja, a ampliao da doacesso Justia, merece destaque a mudana que foi contemplada assistncia jurdica gratuita. sabido que a questo das custas processuais tem sido um dos maiores entraves que impede oacesso Justia, em especial daqueles que no podem arcar com as despesas que requerem o trmitede um processo judicial, nem com os honorrios de um advogado. Da a relevncia da Defensoria Pblica, rgo a quem incumbe constitucionalmente aassistncia judicial e extrajudicial aos hipossuficientes, e sem a qual grande parcela da sociedade noteria chances de alcanar a prestao jurisdicional, muitas das vezes indispensvel para a soluo deuma lide.

    Dada a sua importncia dentro dos moldes de um Estado Democrtico, e levando-se emconsiderao o nmero cada vez mais crescente de pessoas carentes e o quadro de desigualdade socialque se estampa no pas, de fundamental importncia o fortalecimento da Defensoria Pblica,devendo esta merecer a mesma ateno dispensada Magistratura, Ao Ministrio Pblico e sProcuradorias de Estado.

    A Emenda Constitucional n 45/04 finalmente trouxe Defensoria Pblica a autonomiafuncional, administrativa e financeira; e a iniciativa de sua proposta oramentria, observados oslimites da Lei de Diretrizes Oramentrias e a subordinao ao dispositivo constitucional constante noart. 99, pargrafo 2, devendo os recursos e as dotaes oramentrias, aqui compreendidos tambmdos crditos suplementares, ser entregues assim como o Judicirio e o Ministrio Pblico, at o dia 20de cada ms, em duodcimos na forma de Lei Complementar, conforme a nova disposio constanteno art. 168, tambm da Constituio Federal. Ressalta-se o quo oportuna a mudana trazida a esta instituio, pois sendo a DefensoriaPblica um rgo independente do Estado, conforme o novo Texto Constitucional, no se justifica queno contemple, tambm, as ditas autonomias funcional, administrativa e financeira.

    A conquista desta independncia e a desvinculao do Poder Executivo conduzem prestaode um servio imparcial e, em conseqncia, a uma melhor assistncia aos necessitados.

    De fato, o repasse de verbas por parte do Poder Executivo, conforme previso anterior Reforma, acabava por acarretar uma subordinao injustificvel e incompatvel com os parmetros deuma instituio a quem incumbe a prestao de um direito fundamental, assegurado na Lei Maior, emseu art. 5, inciso LXXIV.

    Referida autonomia j vinha sendo defendida por juristas e at mesmo pela legislao infra-constitucional, sendo que o seu novo status constitucional engessa a garantia de uma melhororganizao funcional ao instituto da Defensoria Pblica, a quem caber doravante gerir, diretamente,suas prprias finanas.

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    A vinculao do rgo da Defensoria Pblica ao Poder Executivo a deixava, sem dvidas, nasombra deste, que lhe cerceava a iniciativas essenciais a uma gesto eficiente e democrtica. Com isso,o silncio do Legislador Constituinte Originrio no que alude autonomia da Defensoria Pblica foifinalmente suprido pelo Legislador Reformador.

    15. FIM DOS TRIBUNAIS DE ALADA

    A Emenda Constitucional n 45/05 formalizou o fim dos Tribunais de Alada, onde estes aindaexistirem, posto que estes j foram extintos na maioria dos Estados brasileiros, restando apenas 3 (trs)no Estado de So Paulo, 1 (um) no Estado de Minas Gerais e outro no Estado do Paran. Em face dessa extino, os antigos membros dos tribunais extintos passaro a integrar osTribunais de Justia dos respectivos Estados, respeitadas a antiguidade e classe de origem, os quaispromovero, por ato administrativo prprio, a integrao destes servidores em seus quadros, no prazode 180 dias a partir da promulgao da referida Emenda 08 de dezembro de 2004. Caber aos Tribunais de Justia de cada Estado fixar a competncia destes novos membros,bem como remeter ao Poder Legislativo, no mesmo prazo de 180 (centro e oitenta) dias, proposta dealterao da organizao e da diviso judiciria correspondentes, promovendo o aproveitamento dosservidores nos quadros do Poder Judicirio Estadual e assegurando os direitos dos inativos epensionistas do rgo extinto.

    16. O PROCURADOR GERAL DA REPBLICA

    Alm das competncias de que j dispunha o Procurador Geral da Repblica, ressalta-se que aEmenda Constitucional n 45/04 aumentou o elenco dessas competncias. O novo pargrafo 5 acrescentado ao art. 109 traz a seguinte redao:

    Art. 109 [...]Pargrafo 5 - Nas hipteses de grave violao de direitos humanos, oProcurador Geral da Repblica, com a finalidade de assegurar ocumprimento de obrigaes decorrentes de tratados internacionais de direitoshumanos dos quais o Brasil seja parte, poder suscitar, perante o SuperiorTribunal de Justia, em qualquer fase do inqurito ou processo, incidente dedeslocamento de competncia para a Justia Federal. (grifo nosso)

    Com efeito, o Procurador Geral da Repblica ser a pessoa a quem compete suscitar odeslocamento de competncia para a Justia Federal, no caso de grave violao de direitos humanos. Outra competncia atribuda ao Procurador-Geral da Repblica pela mencionada Emenda foi aconstante no tambm novo inciso III do art. 36, que dispe sobre a decretao da interveno federal.

    Art. 36 A decretao da interveno federal depender:[...]III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representao doProcurador-Geral da Repblica, na hiptese do art. 34, VII, e no caso derecusa execuo de lei federal.

    Caber tambm ao Procurador-Geral da Repblica a representao para fins de decretao deinterveno federal, nos casos previstos no inciso III.

    Soma-se ainda a nova competncia preceituada no art. 130-A, inciso I. O artigo 130 traz adisposio sobre a criao do Conselho Nacional do Ministrio Pblico, elencando em seu inciso I queeste Conselho ser presidido pelo Procurador-Geral da Repblica.

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    No mais, ter o condo de oficiar junto ao Conselho Nacional de Justia, juntamente com oPresidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, de acordo com previsoconstitucional contida no art. 103-B, pargrafo 6. Alm destas j elencadas, tambm lhe coube, por meio da nova redao dada pela EmendaConstitucional n 45/04, atuar junto ao Conselho Nacional de Justia, com determinao dos preceitosque se seguem:

    Art. 103-B O Conselho Nacional de Justia compe-se de quinze membroscom mais de trinta e cinco e menos de sessenta e seis anos de idade, commandato de dois anos, admitida uma reconduo, sendo:[...]X um membro do Ministrio Pblico da Unio, indicado pelo Procurador-Geral da Repblica;XI um membro do Ministrio Pblico estadual, escolhido peloProcurador-Geral da Repblica dentre os nomes indicados pelo rgocompetente de cada instituio estadual; (grifos nossos).

    17. CRIAO DAS SMULAS VINCULANTES

    No restam dvidas de que a Reforma do Judicirio sinaliza um marco importante na histriado pas, trazendo ldimos sinais de segurana jurdica e esperanas da eminncia de leis mais justas eadequadas realidade de toda a sociedade, em especial dos menos favorecidos, que desde muito soesquecidos pela histria.

    Ainda que longe de ser o ideal de justia de que tanto se almeja, pode-se afirmar que aReforma do Judicirio j se traduz numa renovao no campo do direito e na busca de uma justiamais eficaz.

    Neste diapaso, a criao das Smulas Vinculantes demonstra claramente a busca de umPoder Judicirio mais clere, em especial com o descongestionamento da Corte Maior, a qual seinclinar to somente apreciao de questes de maior importncia para a organizao social epoltica do pas, e contribuindo sobremaneira para a diminuio do excessivo nmero de recursos quechegam diariamente quela Corte.

    Tem-se notcia de que hoje o Supremo Tribunal Federal est processando e julgando mais de100 mil processos por ano, ao passo que h quatro dcadas atrs, este nmero era em torno de 5.000feitos por ano. Mais estarrecedor que o nmero de Ministros que atuam naquela Corte se manteveinaltervel, podendo-se dimensionar o quo sobrecarregados se encontram aqueles nobre julgadores.

    No diferente o quadro do Superior Tribunal de Justia, que recebe um nmero cada vezmais crescente de mero cada vez mais crescente de Recursos Especiais para apreciao e julgamento. De fato, descongestionar o Supremo Tribunal Federal no uma garantia efetiva de maiorceleridade processual, mas j o comeo de uma reforma que tanto se almeja na busca da plenajustia. Portanto, uma ao conjunta com a criao de um quadro institucional mais slido e quetransmita uma maior segurana jurdica essencial para o sucesso da Reforma do Judicirio.

    17.1. O benefcio das Smulas Vinculantes

    A criao da Smula Vinculante pressupe que os magistrados das instncias inferioresdevero tecer suas decises de acordo com o entendimento majoritrio do Supremo Tribunal Federal,qual seja, 8 dos 11 ministros. Ainda, tero o condo de agilizar processos que contenham matriasidnticas, pois que nestas hipteses ficar o julgador adstrito a deciso semelhante proferida peloSupremo Tribunal Federal.

    Esta medida parece bastante salutar quando aplicvel a julgamentos repetitivos, que por certoassolam a Suprema Corte, e cujas matrias j se encontram pacificadas nos Tribunais, sobretudoquando no h nenhum indcio de argumento novo e relevante que possa ensejar um novo desfechopara a questo sob julgamento.

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    Desta feita, os magistrados de primeira instncia ficam vinculados deciso majoritria dosMinistros do Supremo Tribunal Federal, sob pena de punio em caso de inobservncia destas.

    Uma corrente doutrinria tem-se empenhado em aplaudir e homenagear este novo dispositivoconstitucional, desvinculando-o da taxao de uma eventual rigidez jurdica, e apostando que osTribunais se empenharo em manter a criatividade, por meio de decises atuais e condizentes com asmudanas sociais.

    Outro argumento que recai a favor da aplicao da Smula Vinculante o de que os TribunaisSuperiores, doravante, podero conhecer ou no os recursos, de acordo com a sua relevncia social,poltica e econmica, procedendo adequadamente na funo precpua que salvaguardar a aplicaodo Texto Constitucional e se dedicar, de fato, s questes jurdicas de grande relevncia, dignas deapreciao pela mais Alta Corte do pas.

    Neste diapaso, questes de menor relevncia, como tantas que hoje chegam quela Casa,devem ser solucionadas nos seus Tribunais ou Varas de origem, guardando coerncia com os seusgraus de complexidade e relevncia social e econmica.

    Importa ressaltar que os Ministros, no af da busca de impor a justia, no devem se acomodarcom a edio de decises repetitivas, fechando os olhos para a apreciao de novos argumentos, e,sobretudo, ter sensibilidade de identifica-los, pois que neste novo quadro surgiro oportunistas quetentaro induzi-los a erro, com casos j corriqueiros.

    17.2. A jurisprudncia vinculante e o princpio da liberdade de convico

    Dentro dos moldes de uma Federao, pode-se afirmar que no h princpio absoluto noDireito brasileiro, devendo cada um ceder, quando o caso concreto assim exigir, aos demais existentesno ordenamento jurdico.

    O princpio da liberdade de convico do qual dispe os magistrados, por seu turno, dever serelativizar s Smulas que compem o ordenamento jurdico, juntamente com as leis e os costumes.

    Com a vigncia das Smulas Vinculantes, consolidou-se a prtica j existente na Justiabrasileira, que a de uniformizar o entendimento do Texto Supremo. Todavia, no se deve abrir moda habitual interpretao que requer cada novo tema que levado apreciao daquela Corte.

    Se contrapondo s crticas que recaem sobre a repetio do direito quando daaplicao da Smula Vinculante, traz-se tona a possibilidade, ou mesmo a necessidade, do uso doprincpio da liberdade de convico, do qual os Ministros do Pretrio Excelso no esto vedados de sevaler, na formulao de suas convices.

    17.3. As dvidas quanto eficcia das Smulas Vinculantes

    Entretanto, esta questo esbarra em um problema de ordem poltica, pois que de acordo com acrtica de alguns juristas, nem sempre as decises oriundas da Suprema Corte so dotadas deautonomia, podendo receber a influncia diretas do chefe do Poder Executivo, a quem cabe nomear osMinistros daquela Corte.

    Ressalvados o respeito e a dignidade a que fazem jus os ilustres Ministros do Supremo, defato, no se vislumbra a parcialidade nas opinies ou nos julgamentos daqueles cujos cargos soadquiridos por nomeaes, embora esta no seja a regra, mas eventualmente a exceo, tendendo aopinio dos julgadores a se assemelhar opinio daquele que os nomeou.

    Este fato, por si s, j acarretaria na frustrao da busca de uma justia mais justa eigualitria, caindo por terra o objetivo maior da Reforma do Judicirio.

    Esperava-se que o Legislador Reformador fosse mais ousado e trouxesse uma mudanadefinitiva na forma de escolha dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, substituindo o livrearbtrio do Presidente da Repblica pelo ingresso dos integrantes das carreiras jurdicas, em sinal dereverncia ao livre convencimento e plena independncia do Poder Judicirio. Ao invs de ousar, engessou ainda mais a escolha poltica dos membros do Supremo,perdendo o Legislador Reformador a grande oportunidade de democratizar e de tornar independenteem definitivo o Poder Judicirio, em todas as suas instncias. Manteve, pois, a composio daInstncia Maior merc do gosto daquele que estiver ocupando o mais alto cargo do Poder Executivo.

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    Outra questo que tem sido suscitada a que diz respeito violao ou no da independnciafuncional do juiz, assim como a possibilidade de ocorrer a estagnao do direito, o qual estar fadado ase repetir, e ao eventual autoritarismo que se insurge deste dever de os Tribunais inferiores copiaremas decises da Corte Suprema.

    Levando-se em considerao que a aplicao do Direito deve ser dinmica, pois que cadacaso levado apreciao do Poder Judicirio tem elencos e cenrios diferentes, e, ainda, que o Direitose destina a dirimir conflitos protagonizados na vida em sociedade, e que esta dinmica, no serepetindo jamais, poderia-se concordar com esta opinio. Esbarra tambm referida Smula na possibilidade de se repetir para sempre uma deciso queteve origem na vontade daqueles que detinham o poder, mas cujo teor no se assemelhava aos anseiosde toda a sociedade, nem alcanava a plena justia, radicalizando, com isso, pela impossibilidade de serever tal deciso de forma imparcial e mais justa.

    Por isso, nasce desde j o anseio de toda a sociedade no sentido de que os membros daSuprema Corte se conscientizem de que as suas decises engessaro questes de forma irreversvel, eque por isso merecem a minuciosa apreciao, a busca incansvel da imparcialidade e certeza daaplicao do mais puro direito, sob pena de relegar sociedade o eterno dissabor de uma irreversvelinjustia, alm de conduzir o pas a um retrocesso poltico. O cidado, a quem foi assegurado constitucionalmente o princpio da inafastabilidade da tutelajurisdicional, com os efeitos da Smula Vinculante, se v diante de uma tutela pr-estabelecida, cujodesfecho final no poder ser diferente de outra deciso j transitada em julgado que se assemelha adele. verdade que a Reforma traz tambm a possibilidade de reviso ou cancelamento da smulapor aqueles a quem compete propor a ao direta de insconstitucionalidade, mas, em contrapartida, adeciso desta reviso ou cancelamento ser emitida pelo prprio Supremo, sendo quase nulas aschances de uma mud