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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA UVA Ana Paula C. do Nascimento A relação família-escola e a otimização do processo de aprendizagem Rio de Janeiro 2011

A Relacao Familia Escola

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    UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA UVA

    Ana Paula C. do Nascimento

    A relao famlia-escola e a otimizao do processo de aprendizagem

    Rio de Janeiro 2011

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    UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA UVA

    Ana Paula C. do Nascimento

    A relao famlia-escola e a otimizao do processo de aprendizagem

    Monografia apresentada como pr-requisito para concluso do curso de Pedagogia, da Universidade Veiga de Almeida, orientada pelo professor Jos Luiz de Paiva Bello.

    Rio de Janeiro 2011

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    UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA UVA

    Ana Paula C. do Nascimento

    A relao famlia-escola e a otimizao do processo de aprendizagem

    Monografia apresentada como pr-requisito para concluso do curso de Pedagogia, da Universidade Veiga de Almeida, orientada pelo professor Jos Luiz de Paiva Bello.

    Data da aprovao: ____ de __________ de 2011

    _____________________________ Professor Jos Luiz de Paiva Bello

    _____________________________ Professor Mrcia Lins

    _____________________________ Professora Erotides Xavier

    Rio de Janeiro 2011

  • 3

    Aos meus pais por estarem comigo em todos os momentos dando foras para eu alcanar meus objetivos. Sempre estiveram vibrando incondicionalmente com minhas conquistas em todos os momentos da minha vida; pela compreenso e pacincia no decorrer dessa longa trajetria, caminho percorrido com muita garra, amor e com muita luta.

    Amo Muito Vocs!

  • 4

    AGRADECIMENTOS

    Na elaborao deste trabalho devo meus agradecimentos a:

    - Aos meus pais por terem me garantido os estudos;

    - A minha tia Eliane pelo carinho e ateno dispensada durante a realizao

    do meu curso e pela vida inteira.

    - As minha amigas da faculdade pela amizade e por toda contribuio nos

    meus estudos, especialmente a Nanda, Deja e Gabi.

    - Aos professores da Universidade Veiga de Almeida que sempre estiveram

    comigo, contribuindo para o meu crescimento pessoal e profissional.

    - As professoras componentes da banca, professora Mrcia Lins, professora

    Erotides Xavier;

    - Ao meu orientador Jos Luiz de Paiva Bello, pela ateno e conforto quando

    tudo parecia difcil e at mesmo impossvel...

  • 5

    Observa o teu culto a famlia e cumpre teus deveres para com teu pai, tua me e todos os teus parentes. Educa as crianas e no

    precisars castigar os homens.

    Pitgoras

  • 6

    RESUMO

    A questo central deste trabalho a relao da famlia com a escola. Para desenvolver este tema foi preciso entender qual o papel que a escola exerce na sociedade e na formao do indivduo. De outra forma foi preciso tambm entender que papel a famlia representa para a sociedade. Como no podia deixar de ser o trabalho se desenvolve buscando entender como se d a relao da famlia com a escola e da escola com a famlia. Por fim, como o resultado destas aes dizem respeito a isso, explicado como se d o processo de aprendizagem, baseado nas teorias de Piaget. Palavras-chave: famlia; escola; relao; aprendizagem; desenvolvimento.

  • 7

    ABSTRACT

    The central question of this work is the family's relationship with the school. To

    develop this theme was to understand what role the school plays in society and in shaping the individual. Otherwise it was also necessary to understand what role the family to society. How could it be the work develops seeking to understand how is the family's relationship with the school and the school with the family. Finally, as a result of these actions relate to it, is explained to us the process of learning, based on the theories of Piaget. Keywords: family, school, relationship, learning, and development.

  • 8

    SUMRIO

    Introduo .......................................................................................................... 09

    1 O Papel da escola .................................................................................... 12

    2 O Papel da famlia .................................................................................... 16

    3 A famlia e a escola .................................................................................... 20

    4 O que a aprendizagem? .......................................................................... 24

    4.1 Como se desenvolve a aprendizagem .......................................... 25

    Concluso .......................................................................................................... 27

    Referncias .......................................................................................................... 29

  • 9

    Introduo

    O problema central deste trabalho a questo da relao da famlia com a

    escola. Como consequncia desta relao espera-se que a qualidade da

    aprendizagem do aluno aumente de forma significativa.

    O objetivo desse trabalho esclarecer a influncia dos pais na aprendizagem

    dos filhos. Alm disso, esclarecer a importncia de os pais estarem em contato com

    a vida escolar dos filhos e vivenciar as obrigaes, ajudando nas tarefas de casa.

    Ainda mostrar interesse pelo contedo do que oferecido em cada disciplina.

    Muitos autores definem educao como uma cincia, ou seja, preciso

    estudar suas caractersticas prprias para poder domin-la. Mas para melhor defini-

    la o Minidicionrio da Editora Scipione diz que o ato de educar, alm de um

    processo pelo qual uma funo se desenvolve e se aperfeioa pelo prprio

    exerccio. (Educao, 1996, p. 223).

    Mas educao muito mais abrangente, pois, alm de estudar todas as

    faculdades humanas, procura atender as necessidades dos indivduos em todos os

    aspectos. O campo educacional d subsdios aos indivduos para que possam atuar

    em sociedade. Por isso repensa-se educao enquanto prtica educacional. Prtica

    esta que busca considerar o conhecimento do aluno na prtica educativa, pois tudo

    o que o aluno traz para a sala de aula de extrema importncia no seu

    desenvolvimento.

    Repensar educao abrange vrios aspectos relevantes e totalmente

    considerveis. Tudo o que envolve educao exige extremo cuidado e criticidade na

    hora de analisar.

    D-se incio a uma proposta educativa, que visa uma pedagogia crtico social

    dos contedos, de acordo com a categoria criada por Saviani (1985, passim), tendo

    como objeto principal a criana, a famlia, o professor, a escola e metas de se avaliar

    o processo educacional. Todos queles que esto envolvidos nesse processo,

    podemos chamar de multiplicadores do saber, do conhecimento.

    Ser fundamental que a famlia e a escola manifestem laos mtuos de

    confiana, estando abertas a dilogos e a convivncia verdadeiramente humana, em

    parceria na convivncia escolar. A famlia, como socializao primria, deve

    perceber o quanto importante, na formao da estrutura bsica da criana e na

  • 10

    influncia que exerce em toda socializao secundria, entre elas, a escola. Em

    contra partida, a necessidade da escola em valorizar as vivncias trazidas pela

    criana, levando-a ao saber, promovendo uma educao libertadora baseada nas

    experincias e na realidade em que vivem e compreender qual o papel

    desempenhado pela famlia e pela escola no que se refere participao efetiva dos

    pais na vida escolar dos filhos, analisando como esta parceria pode contribuir para a

    formao plena do indivduo.

    A parceria ideal entre escola e famlia pressupe, de ambas as partes, a

    compreenso de que a relao famlia-escola deve se configurar de forma que os

    pais no responsabilizem somente a escola pela educao de seus filhos, mas sim

    promova uma unio entre ambos. Isso no exime a escola de sua responsabilidade

    como agente formador, porm atribui a ela a funo que realmente lhe cabe.

    O aluno aprende apenas quando ele se torna sujeito da sua

    aprendizagem. E para ele torna-se sujeito da sua aprendizagem ele precisa participar das decises que dizem respeito ao projeto da escola que faz parte tambm do projeto de sua vida. (GADOTTI, 1994, p. 2).

    O ideal que famlia e escola tracem as mesmas metas de forma simultnea,

    propiciando ao aluno uma segurana na aprendizagem de forma que venha criar

    cidados crticos capazes de enfrentar a complexidade de situaes que surgem na

    sociedade. Assim propiciando um melhor desenvolvimento possvel respectivamente

    para seus filhos e dos alunos.

    Para a formao plena do indivduo, importante que a famlia e a escola

    estejam juntas nesta tarefa rdua de educar o cidado para o futuro, promovendo a

    autoconfiana, um ser crtico, sua socializao e o respeito mtuo dentro da

    sociedade em que vive, buscando a formao plena do indivduo em todas as suas

    potencialidades, para isso importante: escola e famlia intrinsecamente interligadas

    neste contexto.

    O ensino reflete o processo de otimizao da aprendizagem, a qual ajuda na

    formao do ser humano e nas relaes sociais no contexto social em que vivem. A

    criana aprende na escola da mesma forma que tambm aprende na famlia. Assim,

    tanto a escola quanto a famlia devem estar em acordo para que haja uma harmonia

    nesta aprendizagem.

  • 11

    A famlia precisa acompanhar o desenvolvimento da criana na escola e a

    escola deve tambm acompanhar os valores que so vividos na famlia.

    A metodologia deste trabalho baseou-se no instrumental anlise de contedo,

    uma vez que foram lidos textos de artigos relacionados ao tema trabalhado.

  • 12

    1 O Papel da escola

    Durkheim (apud BRANDO, 1991, p. 18-19) diz que:

    Sob o regime tribal, a caracterstica essencial da educao reside no fato de ser difusa e administrada indistintamente por todos os elementos do cl. No h mestres determinados, nem inspetores especiais para a formao da juventude: esses papis so desempenhados por todos os ancios e pelo conjunto das geraes anteriores.

    Quando um povo atinge um estgio maior de complexidade na organizao

    de sua cultura ele comea a ser preocupar com as formas e os processos de

    transmisso de saber acumulado por esta sociedade.

    [...] surgem [...] as escolas de bairro, as lojas de ensinar, abertas entre as outras no mercado. Ali um humilde mestre-escola, reduzido pela misria a ensinar, leciona as primeiras letras e contas. O menino escravo, que aprende com o trabalho a que o obrigam, no chega sequer a esta escola. O menino livre e plebeu em geral pra nela. O menino livre nobre passa por ela depressa em direo aos lugares e aos graus onde a educao grega forma de fato o seu modelo de adulto educado. (IDEM, p. 40).

    Ou seja, sempre que surge, na sociedade, a necessidade de se repassar um

    saber adiante, surge tambm a necessidade de se criar formas sociais de conduo

    e controle do processo de ensino-aprendizagem. A escola a instituio onde a

    educao cria situaes prprias para o seu exerccio, produz os seus

    mtodos, estabelece suas regras e tempos, e constitui executores

    especializados. quando aparecem a escola, o aluno e o professor. (IDEM,

    p. 26).

    Com o processo de evoluo de conhecimento relacionado educao, o

    planejamento da escola passou a se preocupar tambm com outras questes que

    no estavam relacionados diretamente com o que acontecia somente no espao da

    escola. Assim, a comunidade passou a ser tambm preocupao da questo

    educacional.

    A escola que no tenha como uma de suas principais,

    preocupaes a comunidade, provavelmente estar atuando como um rgo de desajustamento do seu corpo discente.

  • 13

    dever da escola promover a integrao no tempo e no espao, de toda a comunidade, atravs do estudo e comemorao de sua histria, bem como atravs do estudo acurado da atual realidade. (NRICI, 1981, p. 273).

    Maritain (apud BRANDO, 1991, p. 65) diz que o objeto da educao

    guiar o homem no desenvolvimento dinmico, no curso do qual se constituir como pessoa humana dotada das armas do conhecimento, do poder de julgar e das virtudes morais transmitindo-lhe ao mesmo tempo o patrimnio espiritual da nao e da civilizao s quais pertence e conservando a herana secular das geraes.

    Da mesma forma William James (apud BRANDO, 1991, p. 65) diz que: A

    educao a organizao dos recursos biolgicos individuais, e das capacidades de

    comportamento que tornam o indivduo adaptvel ao seu meio fsico ou social.

    At pouco tempo atrs a educao escolar esteve estruturada tal como na

    Grcia e Roma antigas. A educao moderna v a escola num aspecto mais

    abrangente, onde a comunidade e a famlia esto presentes.

    falso imaginar uma educao que no parte da vida real: da

    vida tal como existe e do homem tal como ele . falso pretender que a educao trabalhe o corpo e a inteligncia de sujeitos soltos, desancorados de seu contexto social na cabea do filsofo e do educador, e que os aperfeioe para si prprios, desenvolvendo neles o saber de valores e qualidades humanas to idealmente universais que apenas existem como imaginao em toda parte e no existem como realidade (como vida concreta, como trabalho produtivo, como compromisso, como relaes sociais) em parte alguma (BRANDO, 1991, p. 70).

    A educao regida por objetivos e Nrici (1981, p. 17-18), para se chegar a

    estes objetivos, prope perguntar o que se deseja do indivduo para superar o seu

    estado de imaturidade. Segundo ele a resposta seria:

    a) Que alcance maturidade fsica, emocional e intelectual,

    sendo que essa maturidade deve ser alcanada segundo as possibilidades de cada um.

    b) Que atualizar todas as suas potencialidades com discriminao de aptides capazes de o habitarem para o exerccio de uma profisso.

    c) Que precise o seu campo vocacional e aspiracional, a fim de poder ser elaborado um projeto de vida.

  • 14

    d) Que se torne independente. preciso salientar que independncia implica iniciativa e responsabilidade. Assim, a educao procurar formar indivduos cada vez mais autnomos de seus pais, professores e demais pessoas, mes com forte disposio de cooperar, de tratar respeitosamente de igual para igual.

    e) Quer desenvolva a sua capacidade de aprender, desenvolvendo, inicialmente, estudos dirigidos, depois estudos sugeridos e, por fim, estudos autnomos.

    f) Que desenvolva sua capacidade criativa, para no se sentir prisioneiro de formas estereotipadas, nos diversos setores da sua vida, mas que saiba procurar e criar novos caminhos, quando isso se fizer necessrio.

    g) Que desenvolva a capacidade de agir racionalmente, sabendo conter seus impulsos, quando intempestivos, inoportunos e prejudiciais.

    h) Que se inspire em suas atividades, em suas necessidades e aspiraes.

    i) Que tenha conhecimento da realidade em que vive, fsica, social e cultural.

    j) Que tenha conscincia das suas necessidades, bem como das suas possibilidades e limitaes.

    l) Que aprenda a sentir e agir coletivamente. m) Que aprenda a respeitar profundamente os seus

    semelhantes. n) Que aprenda a resguardar a sua individualidade, em

    sentido de elevao e dignidade, diante de todos os processos de massificao.

    o) Que aprenda a agir responsavelmente, refletindo antes de agir e respondendo pelos seus atos.

    p) Que se habilite para o exerccio de uma atividade pragmtica, vivel em seu meio.

    q) Que leve em conta, na sua ao, as necessidades e aspiraes sociais.

    r) Que se convena de que precisa educar-se a vida inteira, em processo de educao permanente.

    s) Que tome conscincia de que a tecnologia, to necessria, um meio e no um fim, e que deve ser instrumento nas mos do homem e no o seu senhor.

    t) Que preciso ter confiana em si e nos seus semelhantes. u) Que desenvolva a sua mentalidade cientfica. v) Que sensibilize quanto necessidade de preservar a

    natureza. x) Que desenvolva a sua capacidade de apreciao esttica. y) Que desenvolva a sua capacidade de relacionamento

    comunitrio. [...].

    Brando (1991, p. 110) espera que a educao

    [...] continue sendo movimento e ordem, sistema e contestao. O saber que existe solto e a tentativa escolar de prend-lo num tempo e num lugar. A necessidade de preservar na conscincia dos imaturos o que os mais velhos consagram e, ao mesmo tempo, o

  • 15

    direito de sacudir e questionar tudo que est consagrado, em nome de do que vem pelo caminho.

    A escola, portanto, a formadora de indivduos onde trabalhado

    cientificamente o potencial de cada um. A escola prepara o indivduo a enfrentar a

    sociedade com saberes que o torne capaz de tomar as prprias decises e enfrentar

    seus prprios desafios. O trabalho educacional da escola diferente do trabalho

    educacional da famlia, uma vez que na escola exige-se um conhecimento

    especializado. No entanto, o trabalho educacional da escola no pode prescindir do

    trabalho educacional da famlia, uma vez que a formao moral do indivduo, como

    veremos a seguir, tem suas bases na famlia.

  • 16

    2 O Papel da famlia

    A famlia a responsvel pelos cuidados fsicos, pelo desenvolvimento

    psicolgico, emocional, moral e cultural da criana na sociedade, desde o seu

    nascimento. Com isso, atravs dos primeiros contatos com a famlia a criana supre

    suas necessidades e inicia a construo dos seus esquemas perceptuais, motores,

    cognitivos, lingsticos e afetivos. Tambm a partir da famlia que a criana

    estabelece ligaes emocionais para o estabelecimento de uma socializao

    adequada. (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 2).

    O ambiente familiar a formao da base de personalidade, onde a criana

    cresce, atua, desenvolve e expe seus sentimentos, experimenta as primeiras

    recompensas e punies, a primeira imagem de si mesma e seus primeiros modelos

    de comportamentos que vo se inscrevendo no interior dela e configurando seu

    mundo interior. Isto funciona como fator determinante no desenvolvimento da

    conscincia, sujeita a influncias subsequentes. (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 2).

    [...] Todo o seu progresso psicolgico foi realizado, at ento, atravs das relaes com outrem, principalmente os pais. De comeo, a criana fundiu-se com as pessoas que a rodeiam, identificou-se com elas, foi invadida pela sua presena [...]. (MDICI apud SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 2).

    A famlia tambm tem um papel importante nas representaes do mundo

    exterior, uma vez que este processo possibilita a criana viver o universal de forma

    particular e, dessa maneira, construir-se. Pelo fato de pertencer a um determinado

    ncleo familiar a criana recebe noes de poder, autoridade, hierarquia, alm de

    lhe permitir aprender habilidades diversas, tais como: falar, organizar seus

    pensamentos, distinguir o que pode e o que no pode fazer, seguindo as normas da

    sua famlia, adaptar-se s diferentes circunstncias, flexibilizar, negociar.

    Um bom exemplo o relacionamento com adultos prximos, principalmente

    pais e irmos, onde a criana aprende como negociar, cooperar e competir, a fazer

    amigos e aliados, a ter prestgios e fracassos, a ter oportunidade de experimentar

    relaes com iguais e aprender umas com as outras. (SOUSA; JOS FILHO, 2008,

    p. 2-3).

  • 17

    A vivncia familiar tem uma grande influncia no comportamento da criana

    na sua relao com o mundo e com seus companheiros escolares. Sendo assim, a

    famlia tem uma importncia fundamental para que a criana tenha um

    relacionamento saudvel com a sociedade ao seu redor.

    Muitos especialistas no assunto acreditam que o afeto

    encontrado no seio familiar pode ser entendido como a energia necessria para que a estrutura cognitiva passe a operar, influenciando a velocidade com que se constri o conhecimento, ou seja, quando a criana se sente mais segura, aprende com mais

    facilidade. (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 3).

    As ligaes emocionais so necessrias para o desenvolvimento da natureza

    humana, j que uma criana tem que experimentar relaes primrias a fim de se

    relacionar com outras pessoas e desenvolver uma segurana psicolgica bsica. As

    reaes emocionais tambm esto na base da motivao da aprendizagem. Pelo

    fato de a criana procurar a aprovao e o amor dos outros, ela motivada a pensar

    e a se comportar como eles desejam, alm de basear seu comportamento no deles.

    (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 3).

    A famlia funciona como o primeiro e mais importante agente socializador,

    sendo assim, o primeiro contexto no qual se desenvolvem padres de socializao

    em que a criana constri o seu modelo de aprendiz e se relaciona com todo o

    conhecimento adquirido durante sua experincia de vida primria e que vai se refletir

    na sua vida escolar.

    Independentemente de como a famlia constituda, esta uma instituio fundamental da sociedade, pois nela que se espera que ocorra o processo de socializao primria, onde ocorrer a formao de valores. Este sistema de valores s ser confrontado no processo de socializao secundrio, isto , atravs da escolarizao e profissionalizao, principalmente na adolescncia. (VALADO; SANTOS apud SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 3).

    Passamos a trabalhar com a possibilidade de que o modelo de aprendizagem

    no se caracterize como algo de cunho somente individual, mas tambm como

    modelo desenvolvido em uma rede de vnculos. Assim, a famlia se revela no

    somente como fator indispensvel na estabilidade emocional da criana como

    tambm na sua educao, com isso, o sucesso da tarefa da escola depende da

    colaborao familiar ativa.

  • 18

    com esta formao de personalidade que o indivduo relaciona-se na

    sociedade e, no nosso caso, no ambiente escolar. Neste sentido, podemos dizer que

    a famlia, de certa forma, atravs da influncia passada para o indivduo, est

    presente tambm no ambiente escolar.

    Achamos que os seres humanos so os nicos que passam pelo processo de

    educao. No entanto, na natureza, os animais, de certa forma, tambm educam os

    seus filhotes. O passarinho expulsa seus filhotes do ninho depois de um

    determinado tempo para que eles aprendam a voar. (BRANDO, 1991, p. 14). A

    leoa caa diante de seus filhotes para que eles tambm aprendam a caar.

    Os seres humanos tambm vivenciam experincias de aprendizagem em

    diversas situaes: em casa, na rua, igreja e na escola. Para saber, para fazer, para

    ser ou para conviver precisamos misturar nossa vida com educao. Sendo assim,

    ao mesmo tempo em que ensinamos alguma coisa a algum, outros tambm nos

    ensinam alguma coisa.

    A educao ajuda a formar tipos de seres humanos e, mais do que isso, ajuda

    a cri-los, atravs do passar de uns para os outros o saber que o constitui e legitima.

    Produz um conjunto de crenas e ideias, de qualificaes e especialidades que

    envolvem as trocas de smbolos, bens e poderes que, em conjunto constroem tipos

    de sociedades. (IDEM, p. 11).

    Brando (IDEM, p. 8) conta que h muitos anos os Estados Unidos, nos

    estados de Virgnia e Maryland, assinaram um tratado de paz com os ndios das

    Seis Naes. Os governantes mandaram aos ndios uma carta para que enviassem

    alguns de seus jovens s escolas dos brancos para serem educados. Os chefes

    responderam, agradecendo e recusando o convite.

    [...] Ns estamos convencidos, portanto, que os senhores

    desejam o bem para ns e agradecemos de todo corao. Mas aqueles que so sbios reconhecem que diferentes naes tm concepes diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores no ficaro ofendidos ao saber que a vossa ideia de educao no a mesma que a nossa.

    Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa cincia. Mas, quando eles voltavam para ns eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. No sabiam como caar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa lngua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inteis. No serviam como guerreiros, como caadores ou como conselheiros.

    Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora no possamos aceit-la, para mostrar a nossa gratido

  • 19

    oferecemos aos nobres senhores de Virgnia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens. (apud BRANDO, 1991, p. 8-9).

    Quando falamos de educao logo nos chega a imagem da escola, mas os

    antroplogos ao se referirem sobre o assunto pouco querem falar de processos

    formalizados de ensino. Estes estudiosos identificam processos sociais de

    aprendizagem onde no existe ainda nenhuma situao propriamente escolar de

    transferncia do saber. A rotina das aldeias tribais o saber vai da confeco do arco

    e flecha recitao das rezas sagradas aos deuses da tribo.

  • 20

    3 A famlia e a escola

    Na medida em que o mundo se tornou mais complexo, a instituio escola

    tambm exigiu uma complexidade maior. A sociedade exigia trabalhadores mais

    preparados para enfrentar o mundo moderno que surgia diante deles. Neste

    contexto a escola foi a responsvel pelo ajuste dos indivduos s novidades trazidas

    pela sociedade. Sendo assim, a educao no pode ser entendida dentro de uma

    histria isolada, mas como aquela que constitui uma parte do todo social.

    (GIAQUETO; PINTO apud SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 1).

    A funo educacional foi deslocada da famlia, eclodindo um

    verdadeiro elo entre a famlia e a escola, mas, devido s exigncias do mundo moderno, a famlia precisou recorrer a centros especializados, o que demandou no estreitamento e na convergncia das relaes entre famlia e escola, articulando suas aes educativas, uma mudana social. Este novo cenrio, esta configurao social, estabelece que as famlias recorram a sistemas pedaggicos, aos quais fica concentrada e confiada a funo educacional, demarcando a pluralidade das infncias, que articulada pelas estruturas familiares e novas estratgias de organizao, inserindo-se nesse contexto outras pessoas e outras instituies. (STEIN, 2010, p. 233).

    No sculo XX, o envolvimento dos homens e das mulheres com o trabalho fez

    com que as responsabilidades com a educao dos filhos fossem divididas com a

    escola. A escola, por sua vez, passou a ter uma maior importncia educacional.

    Alm de fornecer modelos comportamentais, fontes de

    conhecimento e de ajuda para o alcance da independncia emocional da famlia, a escola tambm passa a ser o local para a formao do ser social e para o desenvolvimento do processo de transmisso-assimilao do conhecimento que pode ser utilizado pelo aluno em seu meio de sociabilidade como instrumento de sua

    prtica. (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 1).

    Neste sentido, a escola deveria servir de elo de uma identificao entre a

    famlia e o grupo social externo de uma forma mais ampla, ou seja, na construo da

    identidade do ser social. (VALADO; SANTOS apud SOUSA; JOS FILHO, 2008, p.

    1).

    Com os avanos do modo capitalista de produo, a diviso

    social do trabalho atingiu seu ponto mais alto e produziu

  • 21

    conseqncias nos lares, principalmente na reduo significativa a relevncia do agrupamento familiar, assim que as pessoas ganharam importncia no espao exterior a casa. A educao deixou de ser responsabilidade dos pais e passou a ser de responsabilidade dos poderes pblicos constitudos. Percebia-se que os conhecimentos relativos educao tornavam-se cada vez mais especializados e sofisticados. A famlia no podia educar pelo fato de a educao ter-se tornado assunto do Estado e por no serem to capazes quanto os professores, imbudos que eram dos saberes cientfico. (SANTOS, 2009, p. 24).

    No entanto, o que se verifica que o que as escolas tm para oferecer

    um ensino massificado, onde o ritmo o de uma linha de montagem industrial. Em decorrncia, temos alunos assumindo o valor de notas ou conceitos que os conduzem aprovao (sinnimo de sucesso) ou reprovao (sinnimo de fracasso). (SOUSA; JOS FILHO, 2008, p. 1).

    A escola, por si s, constitui em um local que oferece uma diversidade de

    conhecimentos, atividades, regras e valores. Alm disso, agrega uma multiplicidade

    de personagens que geram conflitos, problemas e diferenas (MAHONEY apud

    DESSEN; POLONIA, 2007, p. 25). nesse espao fsico, psicolgico, social e

    cultural que os indivduos processam o seu desenvolvimento global, mediante as

    atividades programadas e realizadas em sala de aula e fora dela (REGO apud

    DESSEN; POLONIA, 2007, p. 25). A escola um ambiente multicultural que

    abrange a construo de laos afetivos e preparo para insero na sociedade

    (OLIVEIRA apud DESSEN; POLONIA, 2007, p. 25).

    A escola, portanto, uma instituio fundamental para o indivduo, assim

    como para a evoluo da sociedade e da humanidade (DAVIES; REGO apud

    DESSEN; POLONIA, 2007, p. 25).

    O processo de desenvolvimento do indivduo, o preparo de professores e pais

    para viverem e superarem as dificuldades em um mundo de mudanas rpidas e de

    conflitos interpessoais, uma tarefa inerente da escola. Ela um microssistema da

    sociedade, que reflete as transformaes como tambm lida com as diferentes

    demandas do mundo. (DESSEN; POLONIA, 2007, p. 25).

    Ou seja, tanto a escola como a famlia so responsveis pelo

    desenvolvimento do indivduo. Neste sentido, Dessen e Polonia (2007, p. 27) dizem

    que:

  • 22

    importante ressaltar que a famlia e a escola so ambientes de desenvolvimento e aprendizagem humana que podem funcionar como propulsores ou inibidores dele. Estudar as relaes em cada contexto e entre eles constitui fonte importante de informao, na medida em que permite identificar aspectos ou condies que geram conflitos e rudos nas comunicaes e, conseqentemente, nos padres de colaborao entre eles. Nesta direo, importante observar como a escola e, especificamente, os professores empregam as experincias que os alunos tm em casa. Face leitura, muito importante que a escola conhea e saiba como utilizar as experincias de casa para gerir as competncias imprescindveis ao letramento. A interpretao de textos ou a escrita podem ser estimuladas pelos conhecimentos oriundos de outros contextos, servindo de auxlio aprendizagem formal.

    Dessen e Polonia (IDEM) dizem ainda que os pais esto sempre preocupados

    e envolvidos com as atividades escolares dos seus filhos, independentemente de

    classe social. A principal preocupao dos pais a avaliao dos filhos na escola.

    Epstein (apud DESSEN; POLONIA, 2007, p. 27) diz que os pais se envolvem em

    atividades escolares em suas prprias casas, sob

    a forma de acompanhamento das tarefas (monitorar a sua realizao), ou, ainda, em orientaes sistemticas do comportamento social e engajamento dos filhos nas atividades da escola, realizadas por iniciativa prpria ou por sugesto da escola.

    Se na famlia so normalmente os pais que exercem a contribuio para o

    desenvolvimento geral e escolar, na escola so os professores. (FERREIRA;

    MARTURANO apud DESSEN; POLONIA, 2007, p. 28).

    Percebe-se ento, a partir disso, que a relao da famlia com a escola e vice-

    versa, uma relao fundamental para o desenvolvimento do indivduo. Apesar

    disso ainda existem barreiras que geram conflitos e aes que no contribuem para

    o desenvolvimento da criana. A escola ainda tem dificuldade de inserir os pais em

    suas atividades de aprendizagem das crianas.

    Carneiro (apud DESSEN; POLONIA, 2007, p. 28) afirma

    que a mudana desta situao depende de uma

    transformao na cultura vigente da escola e que o projeto poltico-pedaggico poderia ser um dos meios para promover esta insero. Ainda, as formas de avaliao adotadas, bem como as estratgias para superar as dificuldades presentes no processo ensino-aprendizagem, de maneira a incluir a famlia, exigem que as escolas insiram essa discusso no projeto pedaggico, como forma de assegurar a sua compreenso e efetivar a participao dos pais que ainda um ponto crtico na esfera educacional. Com isso, pode-se

  • 23

    romper o esteretipo presente da preocupao centrada apenas nos resultados acadmicos.

    O que podemos notar que a relao da escola com a famlia de

    fundamental importncia para o desenvolvimento do indivduo. Cabe ento que a

    escola se prepare de tal forma a possibilitar que esta relao se torne realmente

    produtiva.

  • 24

    4 O que a aprendizagem?

    Aprender aumentar o conhecimento. No entanto a aprendizagem torna-se

    significativa quando este conhecimento pode ser posto em prtica.

    Para Piaget existem trs tipos fundamentais de comportamentos ou de

    esquema de assimilao prprios para a aprendizagem:

    1) comportamentos instintivos estereotipados de carter hereditrio: todos os animais da mesma espcie, em certas circunstncias, comportam-se, automaticamente, da mesma maneira (resta sempre uma faixa de comportamento inventado); 2) comportamentos aprendidos por imitao e/ou exercitao: quando surge a necessidade, o animal resolve o problema atravs de automatismo aprendidos com os demais animais de sua espcie (hbito); finalmente, 3) comportamentos inventados; frente situao, o animal constri comportamentos originais, mesmo que a originalidade consista em simples redescoberta de comportamentos que j so usados por sua espcie. (LIMA, 1983, p. 8).

    Assimilao, para Piaget, incorporao da realidade aos esquemas de ao

    do indivduo ou o processo em que o indivduo transforma o meio para satisfao de

    suas necessidades. O conhecido (conhecimento anterior) representa a assimilao.

    S h aprendizagem quando os esquemas de assimilao sofrem acomodao,

    onde a acomodao a reestruturao dos esquemas de assimilao ou

    comportamentos. O novo conhecimento representa a acomodao. Assimilao e

    acomodao so processos indissociveis e complementares. (BELLO, 1995).

    O equilbrio entre assimilao e acomodao a adaptao. Experincias

    acomodadas do origem a novos esquemas de assimilao, alcanando-se um novo

    estado de equilbrio. A mente sendo uma estrutura (cognitiva) tende a funcionar em

    equilbrio, aumentando, permanentemente, seu grau de organizao interna e de

    adaptao ao meio. Quando este equilbrio rompido por experincias no

    assimilveis, o organismo (mente) se reestrutura (acomoda), a fim de construir

    novos esquemas de assimilao e atingir novo equilbrio. Este processo equilibrador

    que Piaget chama de equilibrao majorante o responsvel pelo desenvolvimento

    cognitivo do sujeito. atravs da equilibrao majorante que o conhecimento

    humano totalmente construdo em interao com o meio fsico e sciocultural.

  • 25

    Assimilao

    Incorporao da realidade do meio aos esquemas de ao

    1) comportamentos instintivos estereotipados de carter hereditrio;

    2) comportamentos aprendidos por imitao e/ou exercitao;

    3) comportamentos inventados.

    Assimilao Acomodao (meio) (Aprendizagem)

    Adaptao

    4.1 Como se desenvolve a aprendizagem

    Para Piaget a fixao do conhecimento d-se atravs da equilibrao. Um

    estmulo novo ao indivduo representa para ele um estado de desequilibrao. A

    nova acomodao (aprendizagem) a este estado de desequilbrio representar um

    outro nvel de equilibrao. Este novo nvel de equilibrao ter uma complexidade

    superior anterior. Por isso Piaget a chamou de equilibrao majorante.

    Esquema de aprendizagem

    Equilibrao Desequilibrao

    Desequilibrao Equilibrao majorante

    Equilibrao majorante Desequilibrao

    Desequilibrao Equilibrao majorante

  • 26

    A aprendizagem se d sempre atravs de exercitao da ao e esta ao

    deve ser gerado por um sentimento de prazer. Ou seja, a afetividade, para Piaget,

    tem uma importncia imensa no processo de aprendizagem.

    Na medida em que a criana cresce e vai-se tornando

    autnoma (capaz de procurar prazer em fontes variadas) a me e a professora tornam-se pouco interessantes (fontes de prazer). Suas necessidades vo-se diversificando e subindo de nvel. Assim, a me e a professora devem estar atentas diversificao dos interesses da criana. Se no fizerem isto, a criana vai aos poucos achando-as bobas. A relao inferior infantiliza a criana, por isto as crianas, por vezes, apresentam duas personalidades: uma para relacionar-se com a me e outra para relacionar-se com os colegas. Muitas vezes, os educadores (me e professores) tm dificuldade em levantar o nvel de relacionamento com a criana, cultivando um relacionamento infantilizado. (LIMA, 1980, p. 69).

    A afetividade, no entanto, no o nico fator que contribui com a

    aprendizagem. Muitos inclusive confundem afetividade com amor incondicional.

    (LIMA, 1983, p. 106). preciso que, junto afetividade, os educadores possam

    exercer a estimulao da aprendizagem.

    O sentimento de segurana transmitido pela afetividade que emana do mestre imprescindvel para criar clima de atividade motivada, mas no substitui a necessidade de examinar os problemas decorrentes da ineficincia dos mecanismos intelectuais indispensveis ao xito escolar. (LIMA, 1983, p. 104).

    Neste sentido, podemos dizer que a afetividade a mola propulsora da

    aprendizagem e que tanto pais, como professores, so os personagens

    responsveis por isso.

  • 27

    Concluso

    Na pesquisa realizada foi possvel observar o quanto importante a relao

    famlia-escola na formao integral do indivduo, atravs da anlise das funes de

    ambas instituies, juntas e separadamente, a fim de destacar que possuem grande

    contribuio na formao da cidadania, bem como no desenvolvimento das

    habilidades motoras, afetivas e cognitivas dos educandos.

    preciso que pais e educadores trabalhem juntos, integrados, em busca dos

    mesmos objetivos e sempre tentando os mesmos meios. S a perfeita integrao

    famlia-escola poder produzir uma relao satisfatria, uma educao harmoniosa

    e coerente entre a escola e os pais, alm de propiciar segurana, tranquilidade e

    confiana da criana.

    A construo da autonomia moral na criana ser possvel em um ambiente

    democrtico, constitudo por relaes de cooperao e respeito mtuo, possibilitado

    pelas trocas sociais.

    Portanto tanto a escola quanto a famlia necessitam caminhar juntas, para

    que a educao possa existir, ou seja, cada um, a escola, a famlia, fazendo sua

    parte, tudo para que a educao possa acontecer.

    A famlia a primeira instituio na qual o sujeito faz parte desde o

    nascimento, transmitindo seus primeiros conceitos de civilidade e vida social. Desta

    forma, a escolha de uma escola para os filhos uma das decises mais importantes

    que os pais tem que tomar.

    Ainda existem muitas dificuldades nesta relao, tanto na escola, quanto na

    famlia. Os pais ainda no tm uma perfeita compreenso do que seja a atividade da

    escola. Por outro lado, a escola ainda no conseguiu conquistar a famlia para

    contribuir com o trabalho da escola. Neste ambiente normalmente os pais

    frequentam quando so convidados para as reunies, nem sempre peridicas,

    durante o ano letivo, ou para eventos ou festas comemorativas realizadas no

    ambiente escolar.

    Sem querer se aprofundar demais nesta questo, uma outra coisa que se faz

    necessria, tanto na famlia quanto na escola, a atitude democrtica no mbito de

    todas as relaes envolvidas. Ou seja, a relao da criana com a famlia deve ser

  • 28

    democrtica, assim como a relao da criana com a escola e da escola com a

    famlia.

    Tudo isso s faz sentido se pensarmos no desenvolvimento da criana. E

    quando falamos de desenvolvimento na sociedade, estamos falando de

    aprendizagem dos indivduos para que possa ser usada a seu favor. Com isto, a

    relao famlia-escola torna-se essencial, pois estas so pontos de apoio e

    sustentao ao ser humano; so marcos de referncia existencial.

    Quanto melhor for a relao entre ambas, mais positivas e significativas sero

    os resultados na formao do sujeito. A participao dos pais na educao formal

    dos filhos deve ser constante e consciente. Vida familiar e vida escolar so

    simultneas e complementares.

    importante que pais, professores, filhos/alunos compartilhem experincias,

    entendam e trabalhem as questes envolvidas no seu dia-a-dia, buscando

    compreender as nuances de cada situao, uma vez que tudo o que se relaciona

    aos filhos tem a ver, de algum modo, com os pais e tudo que se relaciona aos

    alunos tem a ver, sob algum ngulo, com a escola.

    Uma gesto democrtica onde o aperfeioamento da democracia se d na

    participao do cidado, na concepo e no controle das aes em todos os nveis.

    A participao organizada da "comunidade escolar" na vida da instituio escolar

    um imperativo no atual momento. Os pais devem, cada vez mais, interferir nos

    destinos da escola de seus filhos, para assegurar que o ensino por ela ministrado

    seja de qualidade. Contribuindo, acima de tudo, para a formao integral do

    indivduo que deixa a condio de objeto, tornando-se sujeito de suas prprias

    aes no processo educativo e em sua formao continuada ao longo da vida...

  • 29

    Referncias

    BELLO, Jos Luiz de Paiva. Glossrio de termos piagetianos. Pedagogia em Foco, Vitria, 1995. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2011. BRANDO, Carlos Rodrigues. O que educao. 26. ed. So Paulo: Brasiliense, 1991. (Coleo Primeiros Passos, 20). DESSEN, Maria Auxiliadora; POLONIA, Ana da Costa. A Famlia e a Escola como contextos de desenvolvimento humano. Paidia, v. 17, n. 36, p. 21-32, 2007. Educao. ROCHA, Ruth. Minidicionrio da Lngua Portuguesa. So Paulo: Scipione, 1996. p. 223. GADOTTI, Moacir. Gesto democrtica e qualidade de ensino. I Frum Nacional Desafio da Qualidade Total no Ensino Pblico. Minascentro, Belo Horizonte, 28 a 30 de julho de 1994. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2011. LIMA, Lauro de Oliveira. Introduo pedagogia. So Paulo: Brasiliense, 1983. (Primeiros Voos, 21). ______ . Piaget para principiantes. 2. ed. So Paulo: Summus, 1980. (Novas Buscas em Educao, 8). NRICI, Imdeo G.. Introduo superviso escolar. 4. ed. So Paulo : Atlas, 1981. SOUSA, Ana Paula de; JOS FILHO, Mrio. A importncia da parceria entre famlia e escola no desenvolvimento educacional. Revista Iberoamericana de Educacin. n. 44/47, p. 1-8, 10 jan. 2008. SANTOS, Bruna da Silva. O movimento da realidade: desafios e perspectivas na relao famlia/escola, Rio de Janeiro, 2009. 53 p. Trabalho de Concluso de Curso (graduao em Pedagogia). Departamento de Educao da Faculdade de Formao de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2009.

  • 30

    SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. 8. ed. So Paulo: Cortez/Autores Associados, 1985. STEIN, Christiane Keim. Um olhar sobre as estratgias educativas imbricadas na interface famlia-escola. Atos de Pesquisa em Educao. Braslia, PPGE/ME FURB, v. 5, n. 2, p. 230-253, maio/ago. 2010. Para referncia desta pgina: NASCIMENTO, Ana Paula Carvalho do. A relao famlia-escola e a otimizao do processo de aprendizagem. Trabalho de Concluso de Curso, Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, nov. 2011. Disponvel em: . Acesso em: dia ms ano.